O Vidro Que Sumiu



O Vidro que Sumiu


Depois que todos acordaram e tomaram café eles foram para o gabinete do diretor.


– Bom dia- ele recebeu todo.


– Bom dia diretor.


–Quem vai ler esse? -_ Sirius perguntou.


– Eu leio - Lice disse.


–Toma -Sirius entregou pra ela.


O vidro que sumiu


Quase dez anos haviam se passado desde o dia em que os Dursley acordaram e encontraram o sobrinho no batente da porta, mas a Rua dos Alfeneiros não mudara praticamente nada. O sol nascia para os mesmos jardins cuidados e iluminava o número quatro de bronze à porta de entrada dos Dursley, e penetrava sorrateiro a sala de estar que continuava quase igual ao que fora na noite em o Sr. Dursley ouvira a funesta notícia sobre as corujas.


– Nossa lá deve ser um PORRE! Tudo igual... - James disse.


– Put’z, verdade. E como será que o Harry está?- Pedro perguntou.


–Tomara que esteja bem - Lily disse.


Somente as fotografias sobre o console da lareira mostravam o tempo que já passara. Dez anos antes havia uma porção de fotografias de uma coisa que parecia uma grande bola de brincar na praia, usando diferentes chapéus coloridos, mas Duda Dursley não era mais bebê, e agora as fotografias mostravam um menino grande e louro na primeira bicicleta, no carrossel de uma feira, brincando com o computador do pai, recebendo um beijo e um abraço da mãe. A sala não continha nenhuma indicação de que havia, outro menino na casa.


James e Lilian estavam indignados. Como assim não havia outro menino na casa? Onde o filho deles, Harry Potter estava?


– Cadê o meu filho? - Lily e James disseram juntos e nem deram conta disso.


Os outros reviraram os olhos.


– Vou deixar vocês leram, tenho que fazer mais alguma coisa. Boa tarde. - Dumby disse.


–Boa tarde diretor- Eles disseram.


No entanto Harry Potter continuava lá, no momento adormecido, mas não por muito tempo. Sua tia Petúnia acordara e foi sua voz aguda que produziu o primeiro ruído do dia.


— Acorde! Levante-se! Agora!


Harry acordou assustado. A tia bateu à porta outra vez.


— Acorde! – gritou.


–Nossa, que carinho com o Harry hein? - Lice exclamou.


– Essa mulher vai pagar pelo que fez - James disse.


Harry ouviu-a caminhar em direção à cozinha e em seguida uma frigideira bater no fogão. Virou-se de costa e tentou se lembrar do sonho em que estava. Era um sonho gostoso. Havia uma motocicleta. Tinha a estranha sensação que já vira esse sonho antes.


– Aôôô memória hein? - Lene disse.


–Esse aí lembra. - Frank falou rindo.


A tia voltara a porta.


— Você já se levantou? — perguntou.


— Quase — respondeu Harry.


— Bem, ande depressa, quero que você tome conta do bacon. E não se atreva a deixá-lo queimar. Quero tudo perfeito no armário no aniversário de Duda.


–Lily, sua irmã é uma chata!! - Frank disse


– Sempre foi - Lily suspirou.


Harry gemeu.


— Que foi que você disse? — perguntou a tia com rispidez.


— Nada, nada...


O aniversário de Duda — como podia ter esquecido? Harry levantou-se devagar e começou a procurar as meias. Encontrou-as debaixo da cama e depois de retirar uma aranha de um pé, calçou-as.


Harry estava acostumado com aranhas, porque o armário sob a escada vivia cheio delas e era ali que ele dormia.


– Eu vou matar minha irmã! - Lilian disse - Aranhas onde ele dorme!


– Esse aí vai se fuder comigo - James estava nervoso, isso não era bom.


–Calma Pontas - Remo advertiu.


– Calma? Remo, meu filho dorme num lugar onde tem aranhas e tem que cozinhar!


–Pontas, segure as rédeas aí. - Almofadinhas disse.


– Okay, Okay- Pontas disse. Quando ele sentou Lily segurou sua mão e a apertou.


Já vestido saiu para o corredor que levava à cozinha. A mesa quase desaparecera tantos eram os presentes de aniversário de Duda. Pelo que via, Duda ganhara o novo computador que queria, para não falar na segunda televisão e na bicicleta de corrida. Para o quê exatamente, Duda queria uma bicicleta de corrida era um mistério para Harry, porque Duda era muito gordo e detestava fazer exercícios — a não ser, é claro, que envolvessem bater em alguém. O saco de pancadas preferido de Duda era Harry, mas nem sempre Duda conseguia pegá-lo. Harry não parecia, mas era muito rápido.


–Pelo menos ele é rápido, aí ele não apanha - Pedro disse, tentando consolar Lilian e James.


Talvez fosse porque vivia num armário escuro, mas Harry sempre fora pequeno e muito magro para a idade. Parecia ainda menor e mais magro do que realmente era porque só lhe davam para vestir as roupas velhas de Duda e Duda era quatro vezes maior do que ele. Harry tinha um rosto magro, joelhos ossudos, cabelos negros e olhos muito verdes. Usava óculos redondos, remendados com fita adesiva, por causa das muitas vezes que Duda socara no nariz. A única coisa que Harry gostava em sua aparência era uma cicatriz fininha na testa que tinha a forma de um raio. Existia desde que se entendia por gente e a primeira pergunta que se lembrava de ter feito à tia Petúnia era como a arranjara.


– Como ele pode gostar dessa cicatriz? - Lene perguntou


–Lene, ele não sabe como foi que arranjou essa cicatriz, ele deve achar que essa cicatriz o faz único, o que não é mentira - Lily disse, defendendo o filho.


— No desastre de carro em que seus pais morreram — respondera ela. — E não faça perguntas.


Não faça perguntas — está era a primeira regra para levar uma vida tranqüila como os Dursley.


–Como assim no desastre de carro? É impossível bruxos morrerem assim -Snape ponderou, mesmo odiando Poter, ele queria que Lily fosse feliz.


–Claro Severo, mas Petúnia odeia magia, esqueceu? - Lilian perguntou..


–Claro que não Lily - Snape disse.


Tio Válter entrou na cozinha quando Harry estava virando o bacon.


— Penteie o cabelo — mandou, a guisa de bom-dia.


Mais ou menos uma vez por semana, tio Válter espiava por cima do jornal e gritava que Harry precisava cortar os cabelos.


Harry deve ter feito mais cortes que o resto dos meninos de sua classe somados, mas não fazia diferença, seus cabelos simplesmente cresciam daquele jeito — para todo lado.


–A maldição Potter - Sirius disse - Tadinho do seu filho veado.


_ É CERVO SÍRIUS, CER-VO! E tadinho nada, meu cabelo é lindo! _ James se gabou.


–Que maldição é essa? - Lily perguntou


– Todos da família Potter tem os cabelos assim Lily - Remo explicou.


– É, esse cabelo feio! - Sirius implicou.


–Feio é apelido né Sirius, o cabelo do James é horrível - Lene disse.


–Pavoroso - Frank concordou.


–Meu cabelo não é feio, Lily, fale pra eles pararem de implicar com meu cabelo. -O moreno pediu fazendo bico.


– Gente, não impliquem com o cabelo feio do Poter – Lilian zoou rindo.


Harry estava fritando os ovos na altura em que Duda chegou à cozinha com a mãeDuda se parecia muito com o tio Válter. Tinha um rosto grande e rosado, pescoço curto, olhos azuis pequenos e aguados e cabelos louros muito espessos e assentados na cabeça enorme e densa. Tia Petúnia dizia com frequência que Duda parecia um anjinho — Harry dizia com frequência que Duda parecia um “porco de peruca”.


– Ele cozinha? - Lily disse. - Vou matar minha irmã.


–Boa comparação ao porco de peruca_ Frank riu.


Harry pôs os pratos de ovos com bacon na mesa, o que foi porque não havia muito espaço. Entrementes, Duda contava os presentes. Ficou desapontado.


— Trinta e seis — disse, erguendo os olhos para o pai e a mãe a — Dois a menos do que no ano passado.


– Ele está desapontado por receber 36 presentes de aniversário? Que menino burro! Nham, nham, quero bacon!- Pedro disse


–Concordo Pedro - Lice disse.


– Pare de querer comer tudo Pedro - James disse.


Querido, você não contou o presente de tia Guida, e aqui está um grandão do papai e da mamãe, está vendo?


— Está bem, então são trinta e sete — respondeu Duda ficando vermelho. Harry, percebendo que Duda estava preparando acesso de raiva começou a engolir seu bacon o mais depressa possível caso o primo virasse a mesa.


– Garoto esperto. -_ Frank disse.


–Puxou ao pai – James disse


– Pare de ser convencido Jay – Lene disse


Tia Petúnia obviamente também sentiu o perigo, porque na hora disse:


— E vamos comprar mais dois presentes para você hoje. Que tal fofinho? Mais dois presentes está bem assim?


Duda pensou um instante. Pareceu um esforço enorme. Finalmente responde hesitante:


— Então vou ficar com trinta... Trinta...


— Trinta e nove anjinho — disse tia Petúnia.


– Nossa, que menino burro. – Sirius disse.


– Por que você é super inteligente né Sirius? – Lilian perguntou.


– Sou sim Lily. – Sirius disse.


— Ah. — Duda largou-se na cadeira e agarrou o pacote mais próximo. — Então, está bem.


Tio Válter deu uma risadinha.


— O baixinho quer tudo a que tem direito, igualzinho ao pai. É isso ai, garoto! — e arrepiou os cabelos de Duda com os dedos.


–Nossa, eu chamo isso de pirraça – Lice disse.


– Alice, esse cara é doido de pedra – Frank disse.


Naquele instante o telefone tocou e tia Petúnia foi atendê-lo, enquanto Harry e tio Válter assistiam Duda desembrulhar a bicicleta de corrida, a câmara de filmar, um aeromodelo com controle remoto, dezesseis jogos de computador e um gravador de vídeos. Estava rasgando a embalagem de um relógio de ouro quando tia Petúnia voltou do telefone parecendo ao mesmo tempo zangada e preocupada.


– Só eu que acho que isso tem a ver com o Harry? – Remo perguntou.


– Não é só você não Rem, eu também acho. – Lily disse.


– Bem, vamos descobrir – Alice disse voltando a ler.


— Más noticias, Válter a Sra. Figg fraturou a perna. Não pode ficar com ele. — e indicou Harry com a cabeça.


Duda boquiabriu-se de horror, mas o coração de Harry deu um salto. Todo ano, no aniversário de Duda, os pais dele o levavam para passar o dia com um amiguinho em parques de aventuras, lanchonetes ou no cinema. Todo ano deixavam Harry com a Sra. Figg, uma velha maluca que morava ali perto. Harry detestava o lugar. A casa inteira cheirava a repolho e a Sra. Figg lhe mostrava fotografias de todos os gatos que já tivera.


– Acho que ele não gosta de gatos, e com razão – Pedro disse.


– Também acho Rabicho – Remo concordou.


— E agora? — perguntou tia Petúnia, olhando furiosa para Harry como se ele tivesse planejado tudo. Harry sabia que devia sentir pena da Sra. Figg que quebrara a perna, mas não era fácil quando lembrava que ia passar um ano sem ter que olhar para o Tobias, o Néris, Seu Patinhas e o Pompom outra vez.


— Poderíamos ligar para a Guida — sugeriu tio Válter.


— Não diga bobagem, Válter, ela detesta o menino.


Com freqüência, os Dursley falavam de Harry assim, como se ele não estivesse presente, ou melhor, como se ele fosse alguma coisa muito desprezível que não conseguisse entendê-los, como uma lesma.


– Nossa, que crueldade com meu filho. – James disse.


– Crueldade mesmo Jay – Lily concordou.


— E aquela sua amiga, como é mesmo o nome dela, Ivone?


— Está passando férias em Majorca — respondeu Petúnia, com rispidez.


— Vocês podiam me deixar aqui — arriscou Harry esperançoso (ele poderia assistir ao que quisesse na televisão para variar e, quem sabe, até dar uma voltinha no computador de Duda).


Tia Petúnia parecia que tinha engolido um limão.


– PORRA, ESSA AÍ MERECE UM AVADA KEDAVRA DO VOCÊ-SABE-QUEM! - Sirius disse.


–Né – Marlene concordou.


— E quando voltarmos, encontrar a casa destruída? — rosnou.


— Não vou explodir a casa — prometeu Harry, mas os tios não estavam mais escutando.


— Talvez pudéssemos levá-lo ao zoológico — disse tia Petúnia lentamente — e deixá-lo no carro.


— O carro é novo. Não vou deixá-lo sentado no carro sozinho.


_ Parece que ele vai acabar com o carro em segundos – Sirius disse.


– Six, eles devem estar com medo. Eles tem medo de bruxos, então, Harry sendo filho de dois, a situação complica um pouco pro lado deles _ Lene explicou, parecendo que estava falando para uma criança de 3 anos.


Duda começou a chorar alto. Na realidade não estava chorando, fazia anos que não chorava de verdade, mas sabia que se fizesse cara de choro e gritasse a mãe lhe daria o que quisesse.


_Aôoo pirraça hein? _ Frank falou.


— Dudinha, querido, não chore, mamãe não vai deixar ele estragar o seu dia! — exclamou abraçando-o.


— Não... Quero... Que... Ele... Vá! — Duda berrou entre grandes soluços fingidos — Ele sempre estraga tudo! — E lançou um riso maldoso por entre os braços da mãe.


Naquele instante a campainha tocou.


– Quem será? _ Lice perguntou.


– Não faço a mínima ideia Lice. – Lene falou.


— Ah, meu Deus, são eles chegando! — disse tia Petúnia nervosa um minuto depois, o melhor amigo de Duda, Pedro entrou acompanhado da mãe. Pedro era um menino magricela, com cara de rato. Em geral era quem segurava por trás os garotos enquanto Duda batia neles. Na mesma hora Duda parou de fingir que estava chorando.


– Nossa, pessoas feias só conhecem gente feia? – Lene perguntou.


– Acho que sim Lene – Six disse.


Meia hora depois, Harry, que não conseguia acreditar em sua sorte, estava sentado no banco traseiro do carro dos Dursley, com Pedro e Duda a caminho do jardim zoológico, pela primeira vez na vida. O tio e a tia não tinham conseguido pensar no que fazer com ele, mas antes de saírem, tio Válter puxara Harry para o lado.


– Estava faltando alguma coisa – James disse


— Estou lhe avisando — disse, aproximando a cara grande e vermelha de Harry — Estou-lhe avisando, moleque, a primeira gracinha que fizer, a primeira, vai ficar preso naquele armário até o Natal.


— Não vou fazer nada — disse Harry — juro...


Mas tio Válter não acreditou nele. Ninguém nunca acreditava.


O problema era que sempre aconteciam coisas estranhas à volta de Harry e simplesmente não adiantava dizer aos Dursley que não era sua culpa.


– Por que ele é bruxo meu Merlin! _ Lice disse.


_ É Lice, mas ele não sabe. _ Lilian o defendeu.


Uma vez tia Petúnia, cansada de ver Harry voltar do barbeiro como se não tivesse estado lá, apanhara uma tesoura de cozinha e cortara o cabelo dele tão curto que o deixara quase careca, exceto por uma franja, que ela deixou, para esconder aquela cicatriz horrorosa. Duda morrera de rir de Harry, que passou à noite acordado imaginando como que seria a escola no dia seguinte, onde já riam dele por causa das roupas folgadas e dos óculos emendados com fita adesiva. Na manha seguinte, porém, quando se levantou os cabelos estavam exatamente como eram antes de tia Petúnia cortá-los. Tinham-no deixado preso uma semana no armário por causa disso, apesar de sua tentativa de explicar que não saberia explicar como é que os cabelos tinham crescido tão depressa.


– A maldição Potter ataca outra vez – Sirius disse.


– Tadinho do seu filho Pontas. – Remo disse.


– Tadinho nada, meu cabelo é lindo!!! – James disse.


Outra vez, tia Petúnia tentara obrigá-lo a vestir um macacão velho de Duda (marrom com pompons cor de laranja). Quanto mais tentava enfiá-lo pela cabeça dele, tanto menor o macacão ficava, até que finalmente parecia feito para um fantochinho de dedo, e com certeza não ia servir para o Harry. Tia Petúnia concluiu que devia ter encolhido na lavagem e Harry, para seu grande alivio, não foi castigado.


– Heey , essa mulher é maluca – Lene disse.


Por outro lado, ele se metera numa grande encrenca quando o encontraram no telhado da cozinha da escola. A turma de Duda o estava perseguindo, como sempre, e tanto para surpresa de Harry quanto dos outros, ele apareceu sentado na chaminé. Os Dursley receberam uma carta muito zangada da diretora de Harry, contando que Harry andara escalando os prédios da escola. Mas só o que tentara fazer (conforme gritou para tio Válter através da porta trancada do armário) fora saltar para trás das grandes latas de lixo da porta da cozinha. Harry supunha que o vento devia tê-lo apanhado na hora em que saltou.


– Ninguém é tão leve a esse ponto – Alice riu.


Mas hoje nada ia dar errado. Valia até a pena estar em companhia de Duda e Pedro para passar o dia em outro lugar que não fosse à escola, o armário, ou a sala com cheiro de repolho da Sra. Figg.


– Essa daí dever ser chata, ou então o cheiro da sala dela é insuportável. – Remo disse.


– Concerteza Remo. – Lene concordou.


Enquanto dirigia, tio Válter se queixava à tia Petúnia. Ele gostava de se queixar de tudo: das pessoas no trabalho, de Harry, do conselho, de Harry, do banco e Harry eram seus dois assuntos preferidos. Esta manhã eram as motocicletas.


— ... Roncando pelas ruas como loucos, os arruaceiros — disse, quando uma moto emparelhou com eles.


— Tive um sonho com uma motocicleta — falou Harry, lembrando-se de repente — Ela voava.


– Aoooow memória – Lene disse prela segunda vez.


_ Puxou a memória da Lils – Lice disse.


Tio Válter quase bateu no carro da frente. Virou-se para trás e gritou com Harry, seu rosto parecendo uma beterraba gigante e bigoduda:


— MOTOCICLETAS NÃO VOAM!


Duda e Pedro deram risadinhas.


— Sei que não voam — respondeu Harry — Foi só um sonho.


Mas desejou que não tivesse dito nada. Se havia uma coisa que os Dursley detestavam mais do que as suas perguntas, era quando falava de coisas que faziam o que não deviam, não interessava se era sonho ou desenho animado, pareciam pensar que ele poderia arranjar ideias perigosas.


– Eles morrem de medo dos bruxos, graças a Merlin! – Eles disseram.


Era um sábado muito ensolarado e o zôo estava cheio de famílias. Os Dursley compraram grandes sorvetes de chocolate para Duda e Pedro à entrada e, então, porque a mulher sorridente na carrocinha perguntara o que Harry ia querer antes que pudessem afastá-lo depressa dali, eles lhe compraram um picolé barato de limão. Não era ruim, Harry pensou, lambendo-o enquanto observavam um gorila que coçava a cabeça e se parecia demais com Duda, exceto pelos cabelos que não eram louros.


– Put’z, o filho de vocês é bom em comparações. – Frank riu.


– Também né, com um pai desses – James falou- ele vai ser bom em tudo.


– Menos James, menos – Lily disse.


Harry passou a melhor manhã que já tivera em muito tempo.


Cuidou de andar um pouco afastado dos Dursley, de modo que Duda e Pedro, que ali pela hora do almoço estavam começando a se chatear com os bichos, não recaíssem no seu passatempo favorito de bater no primo. Almoçaram no restaurante do zôo e quando Duda teve um acesso de raiva porque seu sorvetão não era bastante grande, tio Válter comprou-lhe outro e deixou Harry terminar o primeiro.


Depois Harry achou que devia ter adivinhado que estava bom demais para durar muito tempo.


– O que será que vai acontecer? – Lily perguntou.


– Vamos descobrir agora – Sirius, o detetive, falou.


Terminado o almoço foram visitar o alojamento dos répteis.


Era fresco e escuro ali, com quadrados iluminados ao longo das paredes. Por trás dos vidros, rastejavam e deslizavam em pedaços de pau e em pedras todos os tipos de cobras e lagartos. Duda e Pedro queriam ver as enormes cobras venenosas e as grossas pítons que esmagavam um homem. Duda logo encontrou a maior cobra que havia. Poderia dar duas voltas no carro de tio Válter e amassá-lo até reduzi-lo ao tamanho de uma lata de lixo, mas naquela hora ela não estava disposta a fazer nada. Na realidade, estava dormindo a sono solto.


Duda parou, o nariz comprimido contra o vidro, observando as espirais marrons e reluzentes.


– Ela poderia comer ele. – Lily falou esperançosa.


– Tomara – James e Sirius concordaram.


— Faz ela se mexer — choramingou para o pai. Tio Válter bateu no vidro, mas a cobra no se mexeu.


— Faz outra vez — mandou Duda. Tio Válter bateu no vidro com os nós dos dedos, mas a cobra continuou dormindo.


– Ela deve estar digerindo um leão ou coisa assim – Remo disse.


–Pensei que não gostasse de cobras, Remo – Lene disse.


– Mas eu estudo, Lene – Ele respondeu.


– Aii , o Aluado está com raiva – Pontas provocou.


– Cala a boca, Pontas – Remo retrucou.


— Que chato — queixou-se Duda. E saiu arrastando os pés, Harry veio se postar na frente do tanque e estudou a cobra com atenção. Não se admiraria se a própria cobra morresse de tédio. Não tinha companhia a não ser aquela gente idiota que batucava no vidro, tentando incomodá-la o dia inteiro. Era pior do que ter um armário por quarto, onde a única visita era a tia Petúnia esmurrando a porta para acordá-lo, mas ao menos ele podia visitar o resto da casa.


– Pelo menos isso – Lice concordou.


– Que fofo, ele se preocupa com a cobra – Lily disse.


A cobra inesperadamente abriu os olhos, que pareciam contas.


Devagarzinho, muito devagarzinho, levantou a cabeça até seus olhos chegarem ao nível dos de Harry.


E piscou.


Harry arregalou os olhos. E olhou depressa a toda volta para ver se havia alguém olhando. Não havia. E retribuiu o olhar da cobra, piscando também.


– MEU MERLIN! – Lene disse.


– O que foi garota? _ Lice perguntou.


– Será que ele é ofidoglota? _ Lene perguntou.


– Vamos descobrir agora Lene. – Ela falou.


A cobra acenou com a cabeça na direção de tio Válter e de Duda, depois levantou os olhos para o teto. Lançou um olhar a Harry que dizia com todas as letras:


— “Isso é o que me acontece o tempo todo.


— Eu sei — murmurou Harry pelo vidro, embora não tivesse muita certeza se a cobra poderia ouvi-lo — deve ser bem chato.


– Acho que ele é Lene – Lice falou.


Todos na sala ficaram em silencio, por que a ofidoglossia é o que tornou Slytherin famoso. Por que diabos Harry é ofidoglota?


A cobra concordou com um aceno de cabeça enfático.


— Mas de onde é que você veio? — perguntou Harry.


A cobra apontou com o rabo uma placa próxima ao vidro.


Harry espiou.


— Boa Constrictor, Brasil, era bom lá?


A jibóia apontou novamente a placa com o rabo e Harry leu:


Este espécime nasceu em cativeiro”.


— Ah, entendo, então você nunca esteve no Brasil?


A cobra sacudiu a cabeça, mas um grito ensurdecedor atrás de Harry fez os dois pularem:


— DUDA! SR. DURSLEY! VENHAM VER ESSA COBRA! VOCÊS NÃO VÃO ACREDITAR NO QUE ESTÁ FAZENDO!


– Nossa, que maneira educada de chamar alguém – Frank ironizou.


Duda veio bamboleando até onde o amigo estava o mais depressa que pôde.


— Cai fora — falou dando um soco nas costelas de Harry.


Apanhado de surpresa, Harry caiu com força no chão de concreto.


– Eles não podem fazer isso com o meu filho – Lily falou horrorizada.


– Esse moleque vai se ferrar comigo – Jay falou.


– Pontitas, esqueceu que você está morto na história? – Six zoou.


– Almofada, já falei que, agora, sabendo disso, eu não vou mais morrer? – James disse.


– Não me chama de Almofada!! – Six falou.


– Então não me chame de Pontitas – Jay revidou.


 


O que se passou em seguida aconteceu tão depressa que ninguém viu como foi: num segundo, Pedro e Duda estavam encostados no vidro, no segundo seguinte, estavam saltando para trás soltando uivos de terror.


Harry sentou-se e parou de respirar: o vidro da frente do tanque da jibóia tinha sumido. A grande cobra se desenrolou depressa e escorregou pelo chão, as pessoas no alojamento dos répteis gritaram e começaram a correr para as saídas.


– Como ele fez isso? – James preguntou.


– Sei lá Jay – Lily disse.


– Se você não sabe, ninguém vai saber – Sirius zoou.


– Cala a boca cachorro! – Lilian, que sabia das formas animagas, disse.


Quando a cobra passou rápido por ele, Harry poderia jurar que uma voz baixa e sibilante tinha dito: "Brasil, aqui vou eu... Obrigado, amigo”.


O zelador do alojamento dos répteis ficou em estado de choque.


— Mas o vidro — ele não parava de repetir, para onde foi o vidro?


– O.M.M (n/a: O.M.M quer dizer Oh My Merlin okay ??) ! O que aconteceu ali?? – Alice perguntava.


O diretor do zôo em pessoa preparou uma xícara de chá forte para tia Petúnia enquanto se desculpava mil vezes.


– Acho que Petúnia vai querer estrangular ele – Lily disse.


– Azar o dele. Que dó! – Six disse.


–Isso não pode acontecer – Remo disse.


Pedro e Duda só conseguiam balbuciar. Pelo que Harry vira, a cobra não fizera nada a não ser fingir abocanhar os calcanhares deles quando passou, mas quando chegaram finalmente ao carro do tio Válter, Duda estava contando que a cobra quase lhe arrancara a perna a dentadas, enquanto Pedro jurava que a cobra tentara apertá-lo até matar. Mas o pior de tudo, pelo menos para Harry, foi Pedro ter se acalmado o suficiente para perguntar:


– Esses meninos são muito exagerados! – Remo disse.


– Vai dar merda pro Harry agora. - Frank disse.


— Harry estava conversando com ela, não estava, Harry?


Tio Válter esperou até Pedro estar longe da casa para brigar com Harry, Estava tão zangado que mal podia falar. Conseguiu apenas dizer:


— Vá... Armário,... Harry... Sem comida — antes de desmontar em


– COMO ELE PODE FAZER ISSO COM MEU FILHO, ESSE FILHO DA P***! – James disse.


– James! – Lily exclamou.


– LILIAN, NOSSO FILHO _ James estava inconformado.


– James, calma – Sirius disse para ele. Voltando para os outros – o James com raiva não é bom. Ele é a pessoa mais calma que eu conheço.


Lilian pensou e viu que ele tinha razão. Nas milhares de vezes que ela gritou com o moreno ele nunca brigou ou levantou a voz para ela.


– James, calma, senta – Lilian disse, e com muito esforço ele se sentou , para acalma-lo Lilian deitou a beça no seu peito.


Muito mais tarde, deitado no seu armário, Harry desejou ter um relógio. Não sabia que horas eram e não tinha certeza se os Dursley já estariam dormindo. Até que estivessem, ele não poderia se arriscar a ir escondido até a cozinha buscar alguma coisa para comer.


–Nossa, só assim pro coitado do Harry comer... – Alice disse.


– Vou ter uma conversinha com minha querida irmã Petúnia assim que eu for pra casa. – Lilian disse.


– Faz isso mesmo Lily, não deixa essa aí tratar seu filho assim não – Lene incentivou.


– Se quiser eu vou junto hein? – Sirius disse.


– Hhahahahahaha, pode ir Sirius, todos vocês. – Lilian disse, só arranjem lugar pra dormir. – Lilian falou.


Vivia com os Dursley havia quase dez anos, dez infelizes anos, desde que se lembrava, desde que era bebê e seus pais tinham morrido naquele acidente de carro. Não conseguia se lembrar de ter estado no carro quando os pais morreram. Às vezes, quando forçava a memória durante longas horas em seu armário, lembrava-se de uma estranha visão: um lampejo ofuscante de luz verde e uma queimadura na testa. Isto supunha ele, era o acidente, embora não conseguisse lembrar de onde vinha toda aquela luz verde. Não conseguia lembrar nada dos pais. A tia e o tio nunca falavam neles e naturalmente tinham-no proibido de fazer perguntas. E não havia fotografias deles na casa.


– Harry, querido, nunca vai ter foto minha na casa da sua tia – Lily disse.


– Ta explicado por que ele não lembra da gente – James disse.


– Mas ela tem que contar a verdade pro Harry! – Lene disse.


– Lene, você conhece minha irmã ¬¬’ – Lily diz.


– Verdade Lils, é complicadaaaaaa! – Lene fala.


Quando era mais novo Harry sonhara muitas vezes com um parente desconhecido que vinha levá-lo embora, mas isto nunca acontecera, os Dursley eram sua única família. Ainda assim, ele achava (ou talvez fosse só uma esperança) que estranhos na rua o conheciam. E eram estranhos muito estranhos. Um homenzinho de cartola roxa se curvara para ele uma vez quando estava fazendo compras com tia Petúnia e Duda. Depois de perguntar a Harry, furiosa, se ele conhecia o homem, tia Petúnia tinha empurrado os meninos depressa para fora da loja sem comprar nada. Uma velha amalucada toda vestida de verde uma vez acenara alegremente para ele no ônibus. Um careca com um longo casaco púrpura chegara a apertar sua mão na rua um dia desses e em seguida se afastara sem dizer nada. A coisa mais estranha nessas pessoas era a maneira com que pareciam desaparecer no instante em que Harry tentava vê-los melhor.


– Bruxos, é claro que todos no mundo bruxo conhecem o nome dele. Ele é famoso! E os bruxos devem estar aparatando – Remo disse.


– petúnia não pode fazer isso. – Lilian fala furiosa.


– Lils , se acame - Jay fala, deitando a cabeça no colo dela.


– Okay Jay. – Ela fala, acariciando o cabelo do moreno.


Na escola Harry não tinha ninguém. Todos sabiam que a turma de Duda odiava aquele estranho Harry Potter com suas roupas velhas e folgadas e os óculos remendados, e ninguém gostava de contrariar a turma do Duda.


– Esses meninos da “turma do Duda” parecem bem gordinhos não? –Frank disse.


– Claro que são amor. – Lice fala, beijando o namorado.


– AGRH, vão fazer isso lá no quarto. – Sirius fala.


– Cala boca, Six – Lily e Lene falam.


– Quem vai ler esse? – Lice pergunta.


– Sev, leia esse, por favor – Lily fala.


– Ta bom Lils. –Severo só concorda por que foi a Lily que pediu.


Ele pega o livro e começa:

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