O PÉGASO E O DRAGÃO



 Luc recobrou os sentidos com Alvo Dumbledore debruçado sobre ele. Sorriu e disse:
‒ Olá, Livro Guardado... nos encontramos novamente... o que você usou para derrotar o Sombrio?
‒ Uma coisa inocente que uma moça muito esperta inventou... mas você deveria agradecer a Sheeba... ela que descobriu que poderia usá-los.
‒ Fidias... ele está?
‒ Vivo. Machucado, mas vivo. Mais ou menos como você.
‒ E o Sombrio?
‒ Ele acabou... mas você deve saber que havia algo por trás dele...ou melhor, havia alguém. Uma alma escravizada.
O Guerreiro subitamente ergueu o corpo ao sentir no lugar uma energia perfeitamente igual a dele, uma energia como ele não sentia há quatro mil anos...
‒ Abel? – ele chamou o nome daquele que estava escravizado pela máscara do sombrio. Seu irmão.

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‒ Você? – Harry olhava o recém destransfigurado Camaleão com surpresa. Era um homem louro e alto, com metade do rosto destruído por uma queimadura que tinha a forma de uma mão, tinha um queixo longo e assimético e um olhar de profundo desprezo – Você... estava morto – ele disse encarando os cinzentos e frios olhos de Lúcio Malfoy, que deu uma gargalhada alta.
‒ Morto? Você viu meu corpo? Então como pode dizer que morri? É verdade que foi por muito pouco – Lúcio e Harry conservavam as espadas em posição de luta, mas estavam parados um de frente para o outro. E entre os dois, acorrentado a uma parede, Voldemort observava tudo calado, mas sem surpresa. – Foi por muito pouco que sobrevivi ao ser abandonado à propria sorte por aquele que eu sempre considerei meu mestre – deu um olhar de desprezo a  Voldemort – trancado numa cripta com mortos vivos saindo do chão... e meu filho me trancou lá, meu proprio filho... daí eu ter tido tão pouca consideração por eles... meu mestre e meu filho.
‒ O imbecil do Zimmermann e o idiota do Fudge entraram em pânico quando os monstros começaram a sair do túmulo, eu sabia que eles não podiam me tocar, e evitando-os corri para a porta sul da cripta que só abriria se a Norte estava fechada... escapar por Hogsmeade era a minha única saída, consegui abrir a porta, mas quando ia saindo um deles enfiou a mão pelo vão e roçou-a levemente no meu rosto... não chegou a me tocar... você pode imaginar a dor que eu senti? Me queimou até os ossos... eu saí dali e ao chegar no cemitério, eles, os meus supostos companheiros, estavam lá...esperando o mestre voltar. E quem os liderava?  O imbecil do Pettigrew, o Rabicho, aquele que nem inteligência tinha para fazer um feitiço decente... eu quis vingança, e me escondi no cemitério até que a manhã chegasse... então, saí dali e aparatei em minha mansão, levando algumas coisas que precisei... me refugiei em Paris, mas tinha que me fazer de morto se não quisesse acabar em Azkaban, não podia contar com meu próprio dinheiro e ainda tinha essa aparência... mas logo achei a solução, comecei a fazer meus contatos para fazer algo fácil e interessante... matar trouxas por dinheiro. Era fácil, limpo, inteligente... ninguém desconfiava de assassinato, em pouco tempo eu comecei a cobrar mais, meu intermediário era um trouxa, depois me livrei dele quando ele começou a saber demais... mas minha aparência era difícil de ser esquecida... eu precisava dar um jeito.
Foi mais fácil pegar a pedra na minha casa do que usá-la... ela estava no meu nome, em um ano eu estava tão doente que tive medo de morrer..., me transfigurei como meu filho e fui até o guradador do breviário de família... depois vi com satisfação que a pedra fazia mal a ele muito mais rapidamente que havia feito a mim...ele merecia. Desisti de ter seguidores quando os que eu arrumei fizeram burrice atrás de burrice... ter cativos é mais divertido. Pena que a diversão acabou... eu conjurei tudo que está neste castelo com o poder da pedra...em breve tudo aqui vai ruir, levando quem estiver junto – ele num gesto arremessou a espada na direção de Voldemort e correu para uma janela alta, que abriu-se nem bem ele tocou o parapeito.
Mas ele não conseguiu se jogar, livrando-se da espada, Harry pegou a varinha no bolso e conjurou uma corda que se enrolou contra o corpo de Lúcio, que acabava de lançar-se no vazio. Nesse momento o castelo sofreu um grande abalo e Harry viu que o escudo de sombra que Lúcio conjurara mais cedo começava a se desvanecer aos poucos. Olhou para Voldemort ferido mortalmente, indefeso. Por mais que quisesse, não podia deixá-lo preso num castelo que em alguns minutos iria desfazer-se em ruínas. Segurando Lúcio firmemente, ele apontou a varinha para Voldemort e soltou-o, então, enviou-o para o lado de fora do castelo e desapatarou da mesma forma. Viu que Sirius e os outros estavam saindo de dentro do castelo apressadamente, com Troy carregando Draco desfalecido nas costas. Todos olharam espantados para Lúcio Malfoy desfigurado e preso.
Harry olhou para o céu e viu o escudo de sombra partir-se e o sol voltar a brilhar, cegando todos por um momento. As duas esculturas em forma de Dragão iam se desfazendo em areia, enquanto o castelo ruía rapidamente, sepultando com ele a tríade do poder. Talvez mais tarde alguém fosse ali procurar os três artefatos... ele sentiu um impulso muito forte de transformar ruína em pedra pura, e foi isso que fez, sendo acompanhado por Mr. Sandman, que aparentemente entendera sua intenção.
‒ Agora – disse Harry olhando o bruxo transfigurado em velho – quem quiser usar o poder da tríade vai ter que escavar pedra por pedra. – olhou para Draco  ‒ E ele? – perguntou a Troy.
‒ Mal. Não sei se ele escapa.
Nesse instante, Voldemort ergueu-se e fez menção de precipitar-se contra alguém, mas tornou a cair sem forças, a vida fugindo rapidamente do corpo atravessado pela espada. Harry ouviu alguém correndo pela floresta e viu Willy sair dos arvoredos na sua direção, ela vinha chorando porque sentira que seu avô estava morrendo. Voldemort ergueu os olhos na direção dela, que  chegou perto dele, as lágrimas caindo pelo rosto. Harry aproximou-se dele com ela... continuava não confiando em Voldemort, mesmo com este mortalmente ferido e caído no chão.
‒ Meu avô... – Willy murmurou, ajoelhando-se ao lado do bruxo, que abriu os olhos, onde não havia mais brilho algum. – o senhor sabia de mim? – Voldemort nada disse. Agora, não tinha mais importância... ele estava finalmente derrotado de vez... a morte ia chegando. Ele não seria mais eterno, não teria mais poder algum... fechou os olhos de novo, e mudo como estava, morreu, nos braços de sua neta, a última Slytherin. Willy abraçou Harry, que a consolou. Ela nunca estivera junto de nenhum parente à morte: era um bebê quando a mãe fora assassinada, estava desmemoriada e longe quando o pai sacrificara a própria vida por Hogwarts e bem longe quando o Camaleão matara sua avó... quis o destino que ela estivesse ao lado do avô em seus últimos momentos... ele que direta ou indiretamente provocara a morte de todos os outros.
 Erguendo-a Harry disse aos outros:
 ‒ Por favor... relatem tudo ao ministério... eu preciso levá-la para casa. – eles foram andando e desaparatarma para casa mais adiante. Olhando-os sumir, Troy Adms sentiu que a mágoa finalmente se dispersava, e pedindo para Mr. Sandman que o representasse, desaparatou com Draco para o Hospital St Mungos... precisava salvar o amigo

Enquanto isso, na ruína dos Corvos, Luc tentava compreender o que afinal de contas acontecera... seu irmão estava então vivo! Como isso era possível? O outro guerreiro estivera muito fraco, mas levado por Dumbledore e Sheeba para a luz do sol, em pouco tempo ele estava melhor... Luc, cuidava intrigado de Fídias, que também dava sinal de melhoras... um dragão da luz não morre à toa. Então, sentindo-se mais forte e preparado para o que ia ouvir, Luc foi cobrar do irmão uma explicação.
‒ Abel... como isso aconteceu? Como você se tornou...aquilo?
Dumbledore e Sheeba olhavam de um para o outro. Eles já sabiam que os dois eram irmãos, mas não podia se conceber dois irmãos tão diferentes. Embora os dois fossem brancos como a neve, Luc tinha cabelos e olhos muito negros, enquanto Abel tinha os olhos azuis e os cabelos mais lisos e louros, de um louro quase platinado, além disso era ainda mais alto e bem mais esguio do que Luc e tinha um rosto fino e tristonho, ao contrário da expressão maliciosa do Guerreiro mais novo. De armadura, Luc parecia ainda mais baixo e mais corpulento que Abel, agora em vestes brancas. Como Luc, Abel era cego neste mundo, e ambos estavam um de frente para o outro, mas sentiam-se como desconhecidos, quando Abel saíra do reino da luz, Luc ainda era um menino.
‒ Luc... quanto tempo se passou?
‒ Cinco mil e quinhentos anos desde que você se foi... disseram coisas horríveis... que você tinha sido escravizado pelos homens... que tinha sido preso... não houve notícia que parecesse verdadeira.. o seu desaparecimento hostilizou para sempre nosso povo contra os mortais... e você voltou na pele do Sombrio...Abel, como você pôde?
‒ Luc... escute o que eu tenho a dizer antes de me julgar. Eu não sabia que aquilo ia acontecer... eu não tinha consciência...
‒ Então você não sabia que quase tinha me matado? DUAS VEZES ABEL.. VOCÊ QUASE ME MATOU DUAS VEZES!
‒ Eu não tinha minha consciência desde que pus aquela máscara no rosto... ela me tomou... me possuiu...
‒ E porque você pôs a maldita máscara então? Por quê?
‒ Eu queria enxergar neste mundo.
‒ O quê?
‒ Eu estava aqui há muito tempo... eu sabia da beleza, eu sentia os perfumes... mas eu queria ver, Luc... queria ver como eram os homens do reino dos mortais, como eram as belezas daqui...
‒ NÃO TE BASTAVA A LEMBRANÇA DE NOSSO MUNDO? QUE ESPÉCIE DE IDIOTA É VOCÊ, ABEL? NÃO LEMBRA DA PROFECIA DA NOSSA MÃE? QUERER VER O MUNDO DOS HOMENS É A DESGRAÇA DOS GUERREIROS DA LUZ!
‒ Luc... eu quis muito... não me pergunte porque, mas eu quis. Então, aconteceu, uma mulher descendente do povo sombra, o povo da fronteira entre a luz e a escuridão, nossos inimgos seculares que expulsamos para  que viver abaixo da terra dos homens me ofereceu a máscara... ela me impediria de falar, mas me possibilitaria ver.. uma troca, eu não queria usá-la muito tempo...
‒ Por Nêmis... como você pôde ser tão ingênuo? Um objeto mágico oferecido por um descendente do povo sombra? E eu achava que eu era ingênuo.
‒ Luc, é muito fácil para você me recriminar... mas.. havia alguém.
‒ Uma mulher, eu imaginei...
‒ Sim, uma mulher, uma mortal... eu sabia que não teríamos muito tempo, em breve ela envelheceria e morreria.
‒ E você quis vê-la antes que fosse tarde... Ah. Será que voce não me entende também? Eu... eu te admirava, eu queria ser como você!
‒ Mas não é – a voz de Alvo Dumbledore interrompeu o diálogo, um mortal (bem experiente, é verdade) se metendo na  conversa de dois seres  milenares... era engraçado de se ver. – Você não lida com o amor da mesma forma que seu irmão, não é mesmo, Luc?
Luc ficou calado. Era verdade, ele não agira da mesma forma que o irmão... ele fizera a mulher que amava tornar-se como ele, sem perguntar se ela queria, sem seu consentimento. Também fôra uma forma de segurar o amor. Ele sorriu e disse:
‒ Livro Guardado... como você consegue ser tão sábio sendo tão jovem?
‒ Perdoe seu irmão... escute o que ele tem a dizer. – Abel continuou a falar.
‒ A máscara era um ser vivo, esperando o poder de um ser imortal para possuir... eu deixei de ter vontades, era verdade que eu enxergava, mas não tinha mais vontade própria... imagine te reconhecer ainda quase um menino e  ter que lutar contra você? Imagine passar quatro mil anos como escravo... espalhar o terror na sua terra natal Apenas imagine, Luc. Imagine o quanto eu sofri... imagine que benção é para mim voltar agora a escuridão... e foi tão simples.
‒ O sombrio tinha um ponto fraco – disse Dumbledore – os olhos... eles não podiam ter diante de si luz pura. Os luons que Willy criou, luz domesticável, capaz de andar sozinha e seguir qualquer caminho, foram eles que possibilitaram sua libertação, Abel... e quem descobriu tudo foi esta bruxa – ele trouxe Sheeba para perto dos Guerreiros e Luc riu:
‒ Olá, Mel e Pêras frescas... onde anda o cão ao relento?
‒ Lutando... os homens estão sempre lutando. – Abel e Luc sorriram
‒ É uma boa definição – disse Abel – gostei dela, Luc.
‒ Esqueça, ela é comprometida... aliás, todas as mulheres interessantes nesta planície andam comprometidas.

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Gina e Neville estavam abraçados numa clareira, distante algumas centenas de metro do castelo do Camaleão. Gina chorava nos braços dele o medo de ter estado presa entre os cativos do Camaleão quase seis meses. Neville acariciava seus cabelos vermelhos, que estavam embaraçados e sujos, ele a queria agora mais que nunca a quisera... agora que ele via que ela era boa e gentil como ele imaginava, não a criatura estranha e distante que ela se tornara nos últimos tempos. Ele pegou o rosto dela entre as mãos e perguntou:
‒ Gina, você me perdoa? Perdoa minha idiotice de te querer só para mim, de te privar de fazer o que você gosta... me perdoa ? – Gina apenas balançou a cabeça – eu te prometo que se você me deixar cuidar de você, eu vou esquecer todas as burrices que fiz... você sabe. Eu sofri demais... mas agora, tudo vale a pena... eu descobri, Gina, eu descobri a poção que pode curar meus pais... você lembra como estudamos isso, como você me ajudou?
‒ Seus pais, eles?
‒ Estão se recuperando, Gina, aos poucos, mas estão... eles poderão vir ao nosso casamento. Você quer casar comigo?
Gina sorriu. As lágrimas de riso espantando enfim o choro de medo.

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Abel Lux levou o irmão e Dumbledore até um penhasco um pouco longe de Hogwarts, foram todos em Fídias, que agora estava quase recuperado. Havia um grande bloco do que parecia mármore sólido, branco, puro. O Guerreiro mais velho bateu fortemente com as mãos no bloco, que se desfez em pó... de dentro do bloco, saiu um animal muito branco, que sacudiu o corpo e abriu longas asas... um pégaso verdadeiro, um dos cavalos alados extintos há quase mil anos. Mesmo Dumbledore ficou maravilhado.
‒ Minha montaria – disse Abel Lux – seu nome é Tarek. Eu o escondi neste bloco antes de negociar com a  mulher sombra. Eu não queria que ela o quisesse na transação. Eu o ganhei de um homem do oriente no ano que cheguei a este mundo... – o pégaso curvou-se majestosamente diante do seu dono, que o montou e ofereceu: ‒ Livro guardado... quer andar de pégaso? Há muitos tipos de cavalos alados, mas como este, nenhum.
‒ Eu sei disso – Disse Dumbledore – mas agora devo voltar para minha vida normal... estou sempre por aí, esperando que precisem de mim... adeus – ele disse isso e desaparatou. Os dois guerreiros levantaram vôo em suas montarias, o pégaso e o Dragão. Tinham muito que conversar. Mil anos pode ser muito tempo, mas para eles, aquela noite foi como se não tivesse passado nem um minuto.

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