GLAMOUR E POPULARIDADE



Enquanto a escola se preparava numa excitação contida para a festa da Páscoa, a fada Assobio e suas irmãs procuravam deixar seus pupilos o mais próximos o possível daquilo que elas concebiam como felicidade...
    Fogacho finalmente convencera-se que Severo não nascera para ser exatamente uma pessoa feliz, nem mesmo alegre demais... talvez um pouco contente de vez em quando e já se dera satisfeita com os resultados. Ele desistira de prender a fadinha em um livro, e se preocupou quando ela, contrariando a regra n° 1 que Assobio estabelecera, contou a ele o verdadeiro motivo das presença das fadas em Hogwarts, e aproveitou para dizer a ela que ajudaria no que pudesse.
    Flauta quase abandonara Draco quando este se tornou aquela espécie de Viking, tamanha a arrogância que ele desenvolvera por causa disso. Estava cansada de levar petelecos dele.
    Harmonia estava superconfiante em relação às irmãs, a ajuda que dera a Willy e Hermione, sendo que o fato desta última estar agora bem mais afável, fazia com que ela achasse que cumpria muito bem o seu papel.
    Assobio continuava a não dizer muita coisa sobre Neville... porque este quase não progredira. Depois daquele começo animador na sala comunal da Grifnória, ele simplesmente não conseguia mais progredir com Gina... e apesar de Snape ter melhorado um pouquinho seu humor, isso não significava necessariamente que ele tivesse melhorado o conceito que tinha de alguns alunos... Ela deveria deixar de trabalhar com ele uma semana antes da Páscoa, quando começaria junto com as irmãs  a conjurar uma magia fortíssima, que era o verdadeiro motivo delas estarem ali. Realmente, não havia mais tempo... era hora de apelar... chamou Neville e explicou-lhe o plano... ele não acreditou muito nela.
‒ Eu vou ficar irresistível?
‒ Qual o problema disso? ‒ Você não quer namorar Gina? Quanto à sua nota com Severo, eu já fiz o que podia...
‒ Bem, há seis semanas que eu não derreto nenhum caldeirão ‒ Neville pensou sorridente ‒ e depois que você me ensinou a cantar musiquinhas para decorar as poções ficou mais fácil, acho que vai dar para pelo menos eu tirar a nota mínima e não depender tanto da média de Herbologia... mas ainda acho que não vou nunca ficar irresistível.
‒ Bem, você já sabe o que tem que fazer, certo? Agora encontre-a.
    O mais difícil para Neville seria conseguir ficar à sós com Gina... era um Domingo o inverno já acabara, a neve lá fora começava a se derreter e alguns alunos finalmente se animavam a sair da escola, onde Gina poderia estar? Era mais difícil acha-la do que ao seu sapo, quando este sumia... voltou desanimado para o salão da Grifnória, então deu de cara com Gina, que agora lia o volume sobre as fadas não tão boas da corte de Unseelie. Ele se aproximou meio gaguejante como sempre:
‒ Gina, eu, eu...
‒ Neville, você quer sentar-se para ler comigo?
‒ Na  verdade, bem, não...
‒ Não? ‒ Gina pareceu decepcionada
‒ Eu queria te mostrar uma... uma coisa... se você pudesse vir comigo... não é nada demais, mas eu queria que você visse. Lá na sala de feitiços.

Enquanto isso, Assobio esperava ansiosa na sala de feitiços, repetindo mentalmente a conjuração do feitiço de Glamour, que tornava cada pessoa que o usava irresistível. A porta começou a se abrir e ela lançou o feitiço, sem perceber que quem entrara na verdade fora o professor Flitchwick, que viera buscar uma coisinha em sua sala. Ele mesmo não percebeu o lindo halo azulado que o envolveu, tornando-o um ser fantástico aos olhos de qualquer ser que não fosse um elfo ou uma fada... Assobio ficou um instante parada, pensando: "Essa não, o que eu fiz... se a rainha souber eu perco a autorização que demorei oitocentos anos para conseguir e nunca mais vão me deixar fazer nem um feiticinho de carisma, quanto mais um de Glamour!" O professor saiu da sala e ela o seguiu, esquecendo-se inclusive que não estava mais invisível...

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    Minutos depois, Neville chegou com Gina. Ele pensou: "muito bem, Assobio, faça a sua parte" então, olhou sorridente para Gina e disse:
‒ Então?
‒ O que é que você queria me mostrar, Neville?
‒ Oras, você não está vendo? ‒ Neville começara a ficar preocupado, pensando "Assobio, pelo amor de Deus, faça!"
‒ Eu não estou vendo nada ‒ Gina sorriu ‒ Neville, você quer me dizer alguma coisa? ‒ Neville pensou então: "está começando a funcionar!" e disse:
‒ Gina, você gosta de mim? ‒ "Nossa que feitiço fantástico! Não acredito que perguntei a ela se ela gosta de mim!" ‒ Gina sorriu de novo:
‒ Era isso, Neville?
‒ Era, Gina. Eu perguntei porque eu gosto de você... há muito tempo, desde o quarto ano...  ‒ Gina arregalou os olhos, surpresa:
‒ Você não gosta mais da Hermione?
‒ Não, desde o quarto ano eu gosto de você, Gina. ‒ Gina corou e baixou os olhos. Depois tornou a erguê-los e sorriu:
‒ E como você gosta de mim?
‒ Do jeito de quem acredita que não existe garota mais legal no mundo... ‒ "uau! Esse feitiço é o máximo!" ‒ Eu morro de vontade de dar um beijo em você, mas sempre achei que você gostasse do Harry!
‒ Não gosto mais... só como amigo. Neville, não dá para perceber que agora eu gosto de você?
    "BANG!" A porta escancarou-se e tornou a fechar. Assobio segurava-a tão excitada que nem conseguia pensar, mas falou:
‒ Puxavidaquasequemeviramaindabemqueeuconseguitirarofeitiçodele ‒ Ah! ‒ A fada deu um gritinho ‒ Neville!‒ Neville arregalou os olhos: se ela não estava lá, então ele dissera tudo aquilo para Gina sem feitiço nenhum? Suas pernas começaram a tremer e Gina olhou-o espantado, depois olhou para a fadinha e de novo para ele, como a pedir uma explicação. A fada achou que devia pelo menos tentar ajudar e disse a Gina em pensamento:
‒ Ele queria me mostrar a você... ‒ Sorriu amarelo, pensou em jogar o feitiço em Neville, mas achou mais prudente ficar quieta.
‒ Neville! É uma fada!
‒ É. Ela é minha amiga ‒ ele disse  com um fio de voz  ‒ ela ia me ajudar a dizer que gosto de você ‒ Gina sorriu:
‒ Mas não precisou... você disse!
‒ Ela disse que eu ia ficar irresistível.. tinha medo de você rir de mim ‒ ele olhava para o chão, muito chateado. ‒ Gina deu um passo na direção dele e Assobio disse:
‒ Tchauzinho ‒ rodopiou no ar e sumiu.
‒ Gina olhou o lugar para onde a fada tinha sumido e olhou de volta para Neville:
‒ Porque eu ia rir de você, Neville?
‒ Porque eu sou esquecido, eu não sou popular, que nem o Harry, não sou esperto que nem o Rony... eu acho que dei uma de bobão.
‒ Não, não deu não... eu também achava que você ia rir se soubesse que eu gosto de você. Mas eu gosto, mesmo.
‒ Gosta?
‒ Hum-hum. ‒ Os dois olhavam para o chão, um de frente para o outro.  Gina levantou um pouco os olhos, Neville era mais alto que ela uns quinze centímetros. Ficaram se olhando em silêncio por quase um minuto, então, seus rostos foram se aproximando e eles se beijaram. Neville podia jurar que ouvira um assobio feliz.

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    Enquanto isso, Draco Malfoy aproveitava seus músculos e sua recém adquirida popularidade com as garotas.  Todos os dias era possível vê-lo andando de braço dado com uma garota diferente. Chegou a aproximar-se de Willy, que disse:
‒ Cai fora, sem cérebro! Será que o feitiço que aumentou seus músculos atrofiou seus miolos?
‒ Tudo bem, anãzinha...  existem mil garotas nesta escola querendo andar ao meu lado...
‒ E uma fora desta escola que adoraria saber que seu namoradinho anda se exibindo como um palhaço... ‒ Willy saiu rindo e ele ficou sentindo-se culpado pensando em Sue, mas afinal, o que os olhos não vêem o coração não sente... esperava que pelo menos aquela corujinha idiota voltasse logo com a resposta da carta que ele lhe escrevera.
    Nenhuma veste de estudante antiga cabia mais nele, mas ele guardara-as porque Liza LionHeart advertira-o que seu corpo voltaria ao normal em seis meses se ele não fizesse exercícios todos os dias. Ele bem que tentara fazer alguma ginástica, mas em menos de meia hora estava tão entediado que procurava outra coisa para fazer... "em seis meses eu conjuro novos músculos", pensava. Agora era obrigado a usar uma veste sem manga e a capa muito grande que comprara em Londres. Os cabelos viviam presos em um rabo de cavalo. Estava bem mais arrogante,  agora até sua atuação na peça decaíra ,de tanto que ele fazia pose para mostrar o quanto estava forte,  e um dia no ensaio, Rony disse:
‒ Malfoy, todos estão vendo que você está parecendo um modelo da "Bruxo Elegante", não precisa ficar se exibindo, eu sei que é demais para você, mas... tente atuar, sim?
‒ Você está com um bocado de inveja porque não conjuraram músculos em você...
‒ Eu ficaria mais feliz com um cabelinho "élfico" destes... já te disseram que você está parecendo uma veela que fez muito exercício?
‒ Vou partir a sua cara, Weasley ‒ Draco avançou para ele, que disse:
‒ Surre-me, e não me esqueça de devolver minha coruja quando acabar, ok? ‒ Draco parou por um instante e baixou a cabeça. ‒ Eu sei, Malfoy, que a vida inteira você quis ser o bonitão... ter a popularidade de um certo colega com um carisma especial, uma cicatriz esquisita e uma capa de invisibilidade, que sempre acaba sendo o centro das atenções, mas tente não ser tão babaca, ou quando estes músculos sumirem você vai se sentir um lixo.
‒ Desculpe, Weasley.
‒ Não peça desculpas, atue!

    A carta de Sue foi um novo balde de água fria... dera um dinheiro para o garoto da Grifnória que adorava tirar fotos bater meia dúzia de fotos dele sem camisa, mesmo estando um dia gelado e mandara uma para Sue. A resposta não podia ser mais cruel:

    "Draco, meu mal intencionado....
    Nunca ri tanto quanto quando vi aquelas fotos... você está parecendo o cruzamento de um halterofilista com uma Barbie... acho que nunca vou mostrar as fotos para minhas amigas... E as poses? Nossa Draco, que coisa cafona! Em pensar que um dia eu pensei seriamente em namorar você...
    Então, você tem saudades de mim... Eu também tenho saudades de você, mas não desta coisa que você se tornou, sinto falta do garoto debochado meio magricela que nunca tinha saído sozinho na rua... se quiser ficar comigo, Draco, vai ter que voltar a ser gente... eu já te disse, não me impressiono à toa!
    Ah! Seu convite para a peça chegou atrasado... O professor Dumbledore já tinha mandado um para mim, que chegou dois dias atrás... eu vou com meu pai. Não espere que eu te peça um autógrafo...
    Até a Páscoa,
            S.A.V.H."


    Draco ficou muito chateado com a carta. Flauta o olhava apreensivo e ele disse:
‒ O que eu faço, Flauta? ‒ o pesamento da fadinha invadiu o seu:
‒ Faça apenas o que ela pede sempre, Draco... tente ser uma pessoa melhor.
    Draco sentiu-se mais chateado... e se tentando ser uma pessoa melhor ele acabasse ficando igual ao seu pai?

    Draco não sabia que Sue passava horas admirando sua foto. Que todas as amigas queriam saber quem era aquele modelo de revista (já não ligavam tanto para a foto se mover), ao que ela respondia: "Meu namorado, oras." Não sabia que a crueldade calculada de Sue era uma tentativa de salvá-lo de si mesmo...  Um dia, quando ele merecesse, ela mostraria a ele todo seu amor. Ele não sabia quanto doía nela tratá-lo assim, mas o que os olhos não vêem, o coração não sente.
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    Duas semanas antes da Páscoa, num dia de visita a Hogsmeade, as fadinhas esperavam invisíveis que Harry Potter voltasse para começarem o seu trabalho. Seguiram-no por toda parte quando ele chegou, ficaram flutuando sobre sua cabeça enquanto ele lia na sala comunal da Grifnória, esperaram do lado de fora como mocinhas educadas enquanto ele ia ao banheiro, e finalmente, quando ele deitou-se e dormiu, elas inclinaram-se sobre seu peito e começaram seu trabalho.
‒ Firmes, garotas... quando ela chegar estaremos prontas. ‒ A fada Assobio disse em pensamento às outras.

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