Prólogo



A pantera estava alerta, numa praia deserta, cercada por enormes muralhas. Azkaban. Um vulto corria através das muralhas, era A hora.


---


- Meu Senhor... – A voz ecoou pelo cômodo. Uma figura meditava profundamente de frente para a estátua grande e imponente de, aparentemente, um rei.


O homem que acabara de entrar se aproximou a passos silenciosos e calmos, a barra da enorme capa dourada roçando no chão, a camisa longa vermelha da antiga burguesia, uma calça preta reta e um chapéu italiano moderno nas mãos, os cabelos cortados rente à cabeça, num estilo militar.


- Pois não Neo? – Perguntou a figura ainda de olhos fechados em pose de lótus.


- Tens visita, My Lord. – Disse o homem se curvando. A figura assentiu.


- Peça que entre. – Pediu.


- Estou aqui. – Uma terceira voz ecoou. Rouca, feminina e grave.


- Em que posso ajudar? – Perguntou a figura.


- Sir Neo, por favor, se retire. – Pediu a recém chegada, os olhos presos na figura sentada de frente para a estátua.


Seus olhos desenharam cada pedaço que pudesse da figura à frente. Costas largas e nuas, ombros igualmente fortes, cabelo curto aparentemente ruivo. Uma única peça de roupa: a calça vermelha-sangue.


- M— Antes que Neo pudesse negar algo a figura sentada ao seu lado levantou a mão e fez sinal para que fosse. Neo fez uma última reverência e saiu a passos elegantes e silenciosos.


- Então... – Começou se levantando, pegou a camisa de botões ao lado e jogou-as sobre os ombros se levantando completamente e virando o rosto para a figura na porta. – Em que posso ajudar?


A adolescente na porta, os cabelos negros caindo até metade das  costas, parecia pensativa enquanto analisava as próprias mãos, até que suspirou e levantou o olhar para o rapaz.


- Você não mudou nada. – Sussurrou sem forças. O ruivo maneou com a cabeça e depois deu de ombros.


- Você também não. – disse enquanto se virava para a estátua a frente e acendia algumas das velas.


- Você... Deve ter uma ideia do que quero...


- Quer que eu te ajude com a batalha contra... Ele... – Disse com uma voz tensa enquanto parava o que estava fazendo.


- E-Eu... – Engolindo em seco a morena assentiu. – É.


- Não. – Foi a resposta clara.


- Por fav—


- Não! – Repetiu o ruivo interrompendo a outra.


- Nós precisamos de você!


- Não existe nós, quando ele inclui você! – Disse o ruivo.


- Pietro.


- Não! – Repetiu mais uma vez, negando o pedido oculto.


- Raven está comigo... Procuramos por Timothy, Frederick e Wicca. – Disse a morena se aproximando a passos cautelosos. – Mas você sabe, tanto quanto eu que Tim e Wic estão com ele. Além que também tem o Basil... Texhin não quer lutar, e Pawnt... Bem, Pawnt está sendo Pawnt. – Disse a morena nervosa, desesperada.


- Não! – Disse o ruivo sentindo as mãos abraçando seu corpo.


- Por favor, irmão. Por favor. Isso tem que acabar. – Disse ela com a voz serena e baixa.


- Me ouça apenas essa vez e desista! Deixe que ele faça o que quiser e deixe que nossos destinos se cumpram!


- Não! O mundo que ele quer criar é... É... – A morena soltou o ruivo e se afastou assustada. – Eu não suportaria vê-lo governando esse mundo nem agora, nem nunca.


- Você já esteve ao lado dele. – Acusou o ruivo.


- Um momento de desespero, de idiotice. Agora estou do lado certo, do lado que deveria sempre ter estado.


- Aquela garota... Lily... – Começou o ruivo, se virando para a morena. – Te mudou muito. – Seus olhos dourados percorreram a garota completamente, a pele bronzeada, os olhos dourados como os dele, porém levemente mais sombrios e as sobrancelhas estreitas, como se estivesse zangada.


- Ela me fez enxergar. Você também deveria... – Disse a morena. – O mundo não vai se resolver se você ficar aqui, sentado esperando por isso. Ele vira te matar.


- Depois que lutar com você... Eu tenho fé.


- ENFRENTE A SITUAÇÃO AO MENOS UMA VEZ! – Gritou a morena sentindo os punhos se fecharem e a palma das mãos formigando.


- Eu enfrentei. – Disse o ruivo, suavemente. – Eu te coloquei na linha, ou você esqueceu? – Perguntou o ruivo vendo os olhos da morena brilhando raivosos.


- Eu estou lutando, pela primeira vez, sem influência do meu coração, então... Por favor... Me ajude enquanto meu coração ainda é meu. – Implorou a garota.


O ruivo se virou para a estátua suspirando e fechando os olhos. A morena olhou para a estátua de cima a baixo.


A estátua estava iluminada apenas pelas velas de forma tenebrosa. Engolindo em seco olhou o rosto moreno e determinado da estátua. Olhos dourados e fulminantes, os lábios finos e comprimidos, sobrancelhas estreitas em uma eterna carranca, a barba por fazer, os cabelos, originalmente castanho-avermelhados, estavam castanho-escuro graças à falta de luminosidade e por fim uma coroa de ouro e rubis.


Fez uma breve reverência e deu meia volta.


- Apodreça ao lado de nosso pai, se é o que quer. – E então parou no batente da porta. – Se quer ser como ele veja o que ele viu... Seus amigos e familiares lutando contra si, se destruindo, e não se mexa, sofra como ele sofreu e morra com a culpa que ele morreu! – Disse por fim.


- Não é isso Joanne. – Disse o ruivo, mas ela já tinha ido. – Não é isso meu pai. – Completou olhando a estátua. Voltou à posição de lótus e, antes de meditar, passou a mão pela placa abaixo da estátua.


“ I Grã-Diretor de Hogwarts. Godric Griffyndor II, rei dos destemidos e corajosos, senhor dos leões e hipogrifos, homem de criatividade e força.”

Compartilhe!

anúncio

Comentários (1)

  • Manoela Tempting

    putz....arrazou.......muito foda.....vcs tem o talento pra escrever....se empenhem nisso....e quanto maior a história , melhor ela é.....

    2012-09-06
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.