Visita



Capítulo 2


- Visita -


Lílian não estava feliz. Acabara de receber a notícia de que iria receber mais primos. E pior: iriam morar em sua casa. Além de que os Dursley, pelo que Harry falava de sua infância, eram horríveis.


- A anti-social da Lílian não deve estar feliz, mas eu estou animado! - Tiago respondeu quando Harry perguntou se ele se importariam.


- Espero que os respeitem. Eles não sabem nada do mundo da magia e Tiago, nada de pregar peças neles. O mesmo digo para o Alvo. Lílian é a única em que confio nesse sentido.


Ironicamente, Lílian era a que mais estava incomodada. Ela sabia que Tiago e Alvo logo iriam se tornar amigos dos dois. E iam se juntar a eles nas brincadeiras de mal gosto. Ela não tinha uma opinião boa de nenhum primo.


- Vocês prometem que não irão assustá-los? - perguntou amavelmente Harry, enquanto que seus filhos refletiam.


- Eu prometo! Já temos Lílian para perturbar. - disse Tiago e seu pai sorriu. Se Lílian já odiou o pai antes, aquele momento foi o pior. Ele sabia que eles a pertubavam e nada fazia.


- Eu também prometo. - Alvo tentou fazer sua melhor cara de anjinho, que não enganava ningúem. Na verdade, poderia até enganar se Alvo não tivesse virado uma cópia de Tiago desde que foi para Hogwarts. Por um momento, Lílian desejou que eles não estivessem falando a verdade para que suas atenções se voltassem para os dois e eles esquecessem dela. Mas logo quando esse pensamento veio, Lílian sufocou esse sentimento. Os dois não tinham culpa dos irmãos de Lílian a atormentarem.


- Lílian, falta você. Mesmo que eu saiba que você é bem mais compreensiva do que seus irmãos.


A diferença era que Lílian tinha cabeça o suficiente para entender o que o pai dizia. Já os dois irmãos dela, se entendiam entrava por uma orelha e saía pela outra. Eram tão inconsequentes e mimados que faziam tudo o que queriam e jamais recebiam uma punição.


- Eu prometo. Mesmo não gostando da ideia, eles não tem culpa. - ela prometeu, sabendo que suas palavras eram verdade. Mesmo que não gostasse dos gêmeos Dursley, ela iria respeitá-los.


- Ok. Bem, já estou indo buscá-los.


- Mas já? - Lílian perguntou inconformada.


- Sim. Hagrid me mandou ir pegá-los esse horário. Cedo ou tarde vocês iriam conhecê-los, de qualquer jeito. Bem, já estou indo.




- Eu não quero receber os amigos da Elena, pelo amor de Deus! - Brendan Dursley falou para o avô, quando ele lhe falava para receber os convidados na porta. Após isso, ele passou a mão no cabelo preto e ajeitou os óculos que lhe cobriam os olhos azuis.


- Se você tivesse amigos, talvez não ficaria tão incomodado. - retrucou Valter. A verdade é que os amigos de sua neta eram tão superficiais e mimados quanto a mesma. Não que Brendan não gostasse da irmã, mas é que destestava ter de conversar sobre maquiagem ou um ator trouxa famoso com a irmã e suas amigas. E os meninos eram os típicos riquinhos que queriam saber só de status.


- Para ter amigos como os da Elena, é preferível não ter. Com todo respeito. Eu amo minha irmã, mas não é porque ela quer chamar esses colegas de classe insuportáveis para o nosso aniversário que eu tenho que ser falso e fingir que gosto deles.


- Isso se chama educação, não falsidade. - Valter deu um último suspiro, sabendo que o menino não iria se dar por vencido.


- Pois então prefiro ser mal educado.


- Não vou conversar mais com você, moleque! Fique na sua consciência. - Valter bufou, batendo a porta do quarto do menino.


"Ela é que devia ter consciência pesada de fazer festa tão pouco tempo depois que os pais morreram" ele pensou, amargo. Era o aniversário dos gêmeos sim, mas era falta de consideração. Brendan nem gostava dos pais, mas a irmã era mais mimada do que tudo. Ela deveria estar sentida.


- Maninho... - disse Elena, que era gordinha, de pescoço anormalmente curto e cabelos louros e olhos azuis, ao abrir a porta do quarto. Ele observou-o com um misto de raiva e carinho. - Eu não quero essa festa. Nunca quis. Mas meus amigos querem me dar apoio em relação a morte de nossos pais.


- Vou fingir que acredito. Você não percebe que estão só interessados na festa, e não em você? Hoje na classe ouvi Miriam dizer que estava ansiosa pela festa porque iria beijar o Théo. - ele contou.


- Só vou acreditar nisso quando ver com meus próprios olhos. - desafiou a loura.


- Então espere para ver seus amiguinhos se divertindo a sua custa. Eu não vou ver eles se divertindo a custa do seu sofrimento. Por mais que você seja superficial, você tem sentimentos. E é uma boa menina.


Elena sentiu os olhos lacrimejarem, mas não deixou que isso se notasse. Colocando a mão sobre os olhos, ela limpou a única lágrima que caiu.


- Você... Quase chorou? - o menino perguntou surpreso, assustado com o fato. Sua irmã nunca chorava.


- Você era a única pessoa além de papai e mamãe que nunca tinha me chamado de superficial!


Dito isso, Elena bateu a porta exatamente do jeito que o vô de Brendan tinha batido, com a diferença de ser mais delicada.


Brendan se arrependeu de dizer aquelas palavras para a irmã nos cinco minutos que se seguiram. Por mais que tenham sido a pura verdade.




Oito horas. A festa estava rolando há duas horas e todos os amigos de Elena já tinham chegado. A previsão de Brendan provou-se certa. Miriam beijou Théo no meio de uma dança animada (para eles, porque para Elena foi torturante ver que os que tinham dito que iam consolá-la estavam se aproveitando e a ignorando). Mas ela não queria acreditar em Brendan. Sempre considerou que sua vida era melhor que a do irmão porque tinha amigos e se divertia. Brendan só ficava enfornado naquele maldito quarto, lendo ou no computador.


Cansada de ser ignorada, Elena bateu na porta do quarto do irmão, que abriu-a e disse sem emoção alguma:


- Vá com seus amiguinhos.


Dito isso, ele fechou a porte. Elena sentiu alguém esbarrar nela.


- Ah, desculpa, amiga! - disse Miriam, abrindo um sorriso. - Vem se divertir com a gente!


Elena teria gostado das palavras da amiga uma hora antes.


- Não, vá com o Théo. Aproveita e beija bastante ele. - Elena abriu um sorriso forçado.


- É assim que se fala! - Miriam riu, não notando o quando amarguradas foram as palavras da amiga.


De repente, a campanhia tocou. Elena estranhou. Não tinha mais ninguém para chegar. Uma das amigas de Elena abriu a porta. Na frente dela, um homem moreno de olhos verdes deu um sorriso simpático.


- Oi! Muito prazer. Aonde estão Elena e Brendan?


Atrás dele, apareceu um homem que parecia ser maior que a casa dos Dursley. Ele falou que iria esperar. Assustada, a menina demorou um pouco para responder.


- Vocé é um amigo de Brendan? Isso é uma surpresa. Ele está no quarto.


Harry sorriu novamente, dessa vez desconcertado. Pela quantidade de gente que tinha lá, ele sabia agora que eram todos amigos de Elena.


- Peraí! Quem é você? - disse Elena curiosa ao observar o homem. - Nunca te vi antes.


- Desculpe... - ele sentiu a face se avermelhar. - Sou seu primo. Harry Potter. Fiquei sabendo de um... pequeno detalhe sobre vocês que fazem vocês bem parecidos comigo. Começa com "M".


- Começa com M? Eu sou adivinha por acaso?


Seus pais sempre tinham avisado ambos para não darem confiança a estranhos. E, aliás, bem provavel era que eles tinham sido mortos por abrirem a porta para alguém.


- Magia. Não me leve a mal, mas você deve ter recebido uma carta.


Os olhos de Elena se alargaram. Estavam agora brilhando.


- Eu sabia que não era nenhuma brincadeira de mal gosto! Pode entrar! Muito prazer, sou Elena Dursley! De onde você conhece meus pais?


- Sou primo do seu pai e, por consequência, de vocês também. Se quiser, chame seus avôs. Eles podem ser os maiores trouxas que eu já conheci, mas eu falo com eles.


- Trouxas? Você está xingando meus avôs? - disse ela irritada.


- Não, pelo contrário. Trouxas são aqueles que não são... Bem, como a gente. tio Valter e tia Petúnia sempre se orgulharam de serem trouxas e de não serem...


Antes de dizer a última palavra, Harry abaixou e disse na orelha de menina.


Bruxos.


Elana assentiu, entendendo. Os convidados olhavam intrigados, como se aquilo fosse algum tipo de brincadeira. Afinal, quem era aquele homem? Se ele era primo dos dois, isso explicava o interesse em Brendan.


- Após anos você resolveu aparecer na minha casa e me dizer que meus netos são bruxos? - disse Valter, que olhava desde o corredor.


- Olá, tio. - Harry cumprimentou de forma educada. - Quero falar com tia Petúnia. Ela vai entender após eu revelar certas... Coisas da infância dela.


- Como assim? Que palhaçada é essa? - Valter disse enfurecido. - Minha esposa vai falar com você apenas se ela quiser.


- Eu quero, Valter. - Petúnia apareceu ao seu lado e tinha escutado a conversa. - Por favor, eu quero explicações. Como você sabe da minha infância?


- Existe uma coisa chamada Penseira. Quero conversar a sós com você e com as crianças.


Petúnia assentiu.


- Vamos para o quarto de Brendan. Ele não quer ver meus amigos. - revelou Elena, para o choque geral de todos que estavam na festa.


- Mas, afinal, quem liga para ele? - disse Théo, após se recuperar do choque. Os amigos de Elena os outros relaxaram, afinal, se o mais popular deles não se importava, eles também não iriam se importar.


- Tudo bem por mim. - disse Harry. Ele, Petúnia e Elena foram até a porta do quarto do menino.


- Abre, Brendan! Você tem visita!


Brendan, que se encontrava escrevendo em seu computador, recebeu um choque tão grande que sobressaltou-se em sua cadeira.


- Eu nunca tenho visitas. - ele retrucou, mas ainda assim abriu a porta. Seus olhos azuis puderam ver o visitante.


- Eu nunca vi esse homem antes. - ele disse, ansioso para conhecê-lo.


- Sou Harry Potter, seu primo. Bruxo igual a você. - ele falou de forma amigável, para o desespero da tia.


- Entre! - o garoto convidou e os três entraram.


- Bem, tenho que começar contando a história de sua avó e de sua tia avó. - Harry começou, já sentado na cadeira do computador do menino. - Não se preocupe, não vou olhar. Bem, sua tia avó, chamada Lílian, era muito bela e era uma bruxa. Petúnia, a sua avó, a chamou de aberração quando descobriu. Mas logo enviou uma carta ao diretor de Hogwarts perguntando se ela também seria aceita mesmo sendo não-mágica, ou trouxa, como os bruxos chamam os sem magia.


- Realmente me surpreende a minha avó fazendo alguma coisa assim... - comentou Brendan, ironicamente.


- Apesar de ser verdade, e eu nem quero saber como você soube disso, eu não sei aonde quer chegar. - disse Petúnia, enfurecida.


- Bem, agora você tem dois netos bruxos. Você irá deixar eles brilharem por si mesmos, sendo o que são, ou vai fazer o que fez comigo e com minha mãe? Não se esqueça que fui super maltratado por vocês.


- Bem, eu irei deixar eles irem para esse tal colégio. Se eles quiserem, lógico.


Aquilo surpreendeu Harry. Ele pensou que iria ser mais difícil.


- Tenho que levá-los para a minha casa, para comprar o material, é claro. - disse ele, com um sorriso no rosto. - Isso é, se eles quiserem.


- É claro que eu quero! - Brendan sentiu os olhos se iluminarem. - E você, Elena?


- Eu também.


O semblante de Petúnia se escureceu. Ela esperava que Elena, sendo apegada aos amigos e a família como ela, não aceitasse.


- Eu venho todas as férias, vóvó. - prometeu a garota, dando um beijo na bochecha enrugada da avó.


- Depois do ano letivo, eles vêm direto para cá. Eu irei pegá-los sempre no aniversário deles, não se esqueça.


Com um sorriso de alívio, a tia de Harry assentiu.


- Vamos que Hagrid nos espera. Elena, se despeça dos seus amigos. Brendan, tenho certeza que pelo menos um de meus filhos será seu amigo. Vamo-nos.

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