10 anos depois




10 anos depois...


 


Ao chegarem à estação King’s Cross pararam discretamente ao lado da barreira entre as plataformas nove e dez até não haver ninguém à vista, e depois atravessaram para a plataforma nove e meia.


O Expresso de Hogwarts, uma reluzente locomotiva vermelha, já estava aguardando, soltando nuvens de fumaça, através das quais os muitos alunos pareciam fantasmas escuros. Corujas piavam umas para as outras, descontentes, sobrepondo-se a balburdia e ao barulho das malas que eram carregadas.


Os primeiros vagões já estavam cheios de estudantes, uns debruçados às janelas conversando com as famílias, outros brigando por causa dos lugares. Willian, Sophia, Petúnia e Lílian Evans saíram em busca de uma cabine e logo acharam uma mais ou menos na metade do trem.


- Belo cão, Lílian – disse um rapaz alto com nariz pontudo.


- Obrigada, Frank – disse Lílian sorrindo, enquanto Prince, seu cachorro, balançava a calda freneticamente.


-Aí vem Lars, minha querida – mostrou a Rainha Sophia – Está trazendo a bagagem...


Com seu terno e óculos escuros, Lars, o segurança de mais alta confiança da família real trouxa da Inglaterra, aproximou-se deles com um carrinho carregado com a bagagem de Lílian.


- Trouxe suas coisas, princesa – informou


- Shiiiiiiiii – Lílian fez olhando para os lados para ver se alguém ouvira – Aqui não, Lars.


- Perdoe-me.


Ela sorriu docemente.


- Como acha que irá passar sem mim?


- Ainda não sei. Está no seu ultimo ano e acho que ainda não me acostumei.


- Está sendo gentil por eu ser uma princesa, ou está sendo sincero por eu ser uma ótima companhia? – perguntou desconfiada.


- Creio que os dois – respondeu observando a plataforma ainda sem alterar sua séria expressão.


Lílian riu, balançando a cabeça.


 


 


- Quero que se comportem e não arrumem encrencas – advertiu Rainha Sarah.


- Já falou, mamãe. – disse James impaciente.


- Mas você e Sirius nunca me escutam.


- Querida, é o ultimo ano deles – pediu Rei Alan.


- Por isso mesmo! Eles têm que aproveitar. Ganhando NIEM’s eu quero dizer – acrescentou ao ver a cara marota do filho – Você é um príncipe, James. E é o herdeiro do trono. Tente ter mais responsabilidade. Todos esperam bons resultados de você. Além disso, você tem que ser um exemplo para Rosalina.


- Mas eu e Sirius somos os...


- Melhores alunos da escola – completou Rei Alan – Já sabemos. Mas para ser um rei não basta apenas ser bom aqui – ele apontou a cabeça do filho – tem que ser bom aqui também – apontou para o coração.


James sorriu.


- Obrigado, pai.


- Olhe seu irmão chegando com seus amigos – interrompeu Rainha Sarah.


- E aí, Pontas? Majestades. – Remo fez uma referencia para o rei e a rainha.


- Você já é de casa, Remo. Chame-nos de Sarah e Alan – pediu o pai de James.


Remo sorriu aceitando e Pedro, ao seu lado, olhava para o rei e a rainha como se fossem de outro mundo.


- Onde está Rosalina? – perguntou Remo


- Ficou no palácio – respondeu Sarah – Ela convidou algumas princesinhas para passar alguns dias aqui na Inglaterra e ficou lá com elas. Um tanto emburrada, para falar a verdade. Ela também queria vir. Com apenas 6 anos de idade e ela já mal pode esperar para entrar para Hogwarts.


Os demais riram.


- Vamos subir? – chamou James.


- Joe já guardou nossas coisas na cabine – informou Sirius.


- Ele tem que parar de fazer essas coisas! – exclamou James irritado – Ele é nosso ami...


- Joe é seu segurança, James! – ralhou Sarah – Deixe de ser tão teimoso! Agora subam no trem vocês quatro. E lembrem-se: sejam responsáveis esse ano. Estão em ano de NIE...


- Tenham uma boa viagem, filhos – interrompeu Rei Alan, propositalmente – Estudem, divirtam-se e tenham cuidado para não se meterem em encrenca.


- Mas assim não seriamos marotos – argumentou Sirius, fazendo Alan rir.


- Vocês têm 17 anos – disse a rainha – são homens agora. Sejam responsáveis. E James, você irá passar o natal em família, no palácio.


- Mas por quê? – perguntou o príncipe inconformado – Tínhamos combinado...


- Descombine – ordenou – É natal! E teremos uma surpresa para você.


- Que tipo de surpresa? – perguntou desconfiado.


- Sua mãe quer lhe arrumar uma noiva – contou o pai.


- O QUÊ? – gritaram os quatro marotos, fazendo muitas cabeças curiosas virarem-se, como se eles já não tivessem atenção suficiente.


- Mãe, você não pode fazer isso! – exclamou James – Pai, você não pode apoiar essa idéia maluca!


- E por que não? Achei uma ótima idéia...


- EU quero escolher com quem vou me casar!


- Mas – argumentou Sarah – você não conhece nenhu...


- Hogwarts tem muitas garotas, mamãe.


- Não princesas! Você tem que se casar com uma princesa, filho. Conheço muitas princesas bruxas...


- Mas eu não as conheço. – retrucou James – Não vou me casar com uma estranha qualquer! Além disso, eu já... – ele corou – já... estou afim de uma garota.


Sarah pareceu radiante. Os amigos o olharam, incrédulos.


- E quem é, filho? – perguntou Alan animado.


- É...


- Lílian Evans – bufou Sirius.


- Lílian Evans? – repetiu Rainha Sarah – Quem é essa? É uma princesa?


Remo, Pedro e Sirius abafaram os risos.


- Não, mamãe – irritou-se James – Ela é só uma garota comum como qualquer outra, mas por quem eu me apaixonei.


- Uma garota comum? – ela murchou.


- Leve-a no natal ao palácio – disse Alan sorridente – Para que possamos conhecê-la.


- Alan! – reclamou Sarah


- Obrigado pelo convite, pai, mas ela dificilmente iria – disse James, trocando tristemente um olhar com Sirius.


- Ora, e por quê? – perguntou Sarah


- Ela não gosta de mim – respondeu – Me acha um príncipe chato, metido e imaturo.


- Estou começando a gostar dessa garota – disse Sarah pensativa.


Alan revirou os olhos.


- Este ano é sua última chance de prová-la o contrário, filho – disse.


- Ele não irá se casar com uma plebéia, Alan! – ralhou a rainha


- Pensei que tivesse começando a aprová-la.


- Como amiga! Nunca esposa!


James suspirou passando a mão pelo rosto. Os amigos o olharam, penalizados.


A viagem para Hogwarts nunca lhes parecera tão rápida. Tiveram uma magnífica ceia de abertura do ano letivo e logo todos já estavam no aconchego de suas casas comunais.


- Lily, por que você quer mandar essa carta para Severo Snape? Sério, não entendo por que vocês são amigos! – disse Marlene


- Já te expliquei, Lene. Além de você, Dorcas, Emme e Lice, Sev é o único que conhece meu segredo. E ele salvou minha vida e de minha avó quando...


- Já conhecemos a história – interrompeu Dorcas – Mas ta lembrada que ele te chamou de sangue-ruim? Para mim quem diz isso não é amigo.


As amigas concordaram e Lílian suspirou.


- Ele já me pediu desculpas. Além do mais, isso foi há dois anos. Eu devo minha vida a ele, é obvio que iria desculpá-lo.


- Esse negócio de ser boazinha sempre, tem haver com você ser uma princesa? – perguntou Alice.


- Shiiiiiiiii – Lílian pediu olhando ao redor para ver se alguém havia escutado – Fale baixo.


Lene, Dorcas, Alice e Emme riram.


- Não sei como consegue manter esse segredo. Os nascidos trouxas, em sua maioria, devem saber quem é você. Por que eles não espalham?


- Por que é um segredo guardado pelo feitiço Fildélius. Dumbledore é o guardião – explicou Lily


- Isso é o máximo! – exclamou Emme sonhadora – Eu queria ser uma princesa.


- Pode ficar com minha coroa e com meu suposto noivo se quiser.


- Pare de choramingar, Lil’s – disse Alice – Por que não quer se casar com o príncipe Derick? Até consigo imaginar com ele deve ser perfeito!


- Eu nem o conheço! – queixou-se Lily – É um estranho completo! Ainda não acredito que vovó deixou meus pais adotivos me arrumarem um casamento. – lamentou a ruiva.


- Renuncie ao trono – disse Lene.


Lílian revirou os olhos.


- Não posso fazer isso. Sou a única herdeira do trono da Rússia. Vovó disse que na hora certa terei que voltar, revelar que estou viva e tomar meu lugar por direito. Não tenho escolha.


Lene bufou.


Lílian terminou de escrever a carta para Severo e a dobrou, lacrando-a.


- Como pretende mandá-la? – perguntou Dorcas.


- Preciso pegar a coruja de alguém emprestada... – respondeu Lílian olhando para as pessoas que estavam no salão comunal.


- Boa sorte para você – desejou Emme bocejando e se levantando – Eu vou dormir. Amanhã é o primeiro dia de aulas. Não demorem vocês.


- Nós já vamos – disse Lílian olhando para um ponto fixo.


Emmelina sentou-se novamente vendo para onde a amiga olhava.


- Por que está olhando para ele? – perguntou


Marlene, Dorcas e Alice seguiram o olhar da ruiva para ver o que era.


- Ele tem uma coruja, não tem? – perguntou Lily.


Os queixos das amigas caíram.


- Você vai pedir a coruja de James Potter emprestada? – perguntou Alice incrédula.


- Qual o problema?


- Qual o problema? – repetiu Dorcas e baixou o tom da voz para só as amigas escutarem  – O problema é que ele é o príncipe! E já te chamou para sair mil vezes e você só esnoba ele! E agora vai pedir a coruja dele emprestada?


- Continuo sem ver nenhum problema – disse Lílian. – Somos colegas. E daí que ele é o príncipe?


- Só você sendo uma princesa mesmo para não ver nada de mais nisso.


- Não vejo nada de mais mesmo.


- Sabe? Acho que James Potter enxerga a princesa dentro de você, mesmo sem saber quem você é – disse Lene – Ele nunca gostou de outra garota como gosta de você.


- Ele que não perca o tempo dele comigo – Lílian olhou para ele de soslaio.


Lene sorriu vitoriosa.


- Você sente alguma coisa por aqueles olhos castanho-esverdeados, admita Lílian!


- Não sinto nada por ele, Marlene. Além do mais, estou noiva. E fiquei sabendo que ele também estará em breve.


- Um casamento arranjado! Se você admitisse o que sente por ele e dissesse que é uma princesa, com certeza ficariam jun... – calou-se com o dedo erguido de Lílian.


- Eu e James Potter nunca ficaremos juntou – disse a ruiva, vagarosamente – Agora, com licença. Vou pedir a coruja dele emprestada.


- Mas é claro, Majestade. – disseram as amigas rindo e Lílian revirou os olhos.


Ela se aproximou dos quatro garotos que conversavam animadamente e parou atrás da poltrona que James Potter estava. Sirius Black, Remo Lupin e Pedro Pettigrew a olharam surpresos, fazendo James se virar para ver o que os amigos estavam vendo e logo levou a mão aos cabelos, bagunçando-os mais.


- Olá, Evans.


- Potter...


- Pode me chamar de James – disse ele educadamente.


- Prefiro Potter.


- Como quiser. – aceitou com um sorriso – Quer se juntar a nós?


- Na verdade, não. Queria te pedir uma coisa.


- É só dizer.


- Queria saber se pode me emprestar sua coruja.


- Precisa para agora?


- Sim.


Ele franziu a sobrancelha.


- É que as corujas costumam ir para o corujal logo na primeira noite aqui em Hogwarts – explicou.


- E já está meio tarde para você ir até lá – acrescentou Sirius Black com um sorriso zombeteiro no rosto.


Lílian olhou para James que parecia pensar no assunto antes de falar:


- Posso te levar até lá sem sermos pegos – ele fez uma pausa – Se você quiser, é claro – acrescentou.


Lílian analisou sua expressão. Ele parecia estar falando sério.


- Promete que não seremos pegos?


- Essa carta é tão importante assim? – perguntou Remo Lupin de sobrancelhas erguidas, estranhando a atitude de Lílian em infringir as regras.


- Sim – ela respondeu.


- Eu te levo então – disse James se levantando – Espere um segundo que eu já volto.


Ele subiu as escadas para o dormitório masculino e Lílian sentou-se no lugar dele.


- Para quem é essa carta? – perguntou Pettigrew fazendo Lupin lhe lançar um olhar reprovador pela pergunta particular.


Lílian riu.


- Não se preocupe – disse para Remo – É para Severo Snape. – respondeu em seguida.


Os três arregalaram os olhos.


- Não deixe James saber que a carta é para ele – avisou Sirius.


- Por quê?


- Ele não te ajudaria se soubesse.


- Eu...


- Vamos? – chamou James chegando com um embrulho e um pergaminho em mãos.


Os amigos lhe lançaram um olhar reprovador e ele deu de ombros, passando a mão pelos cabelos.


- Vamos – ela respondeu, levantando-se e o olhando desconfiada.


Depois que saíram pelo retrato da Mulher Gorda, James a puxou para trás de uma estátua e abriu o embrulho.


- O que é isso? – ela perguntou.


- Minha capa da invisibilidade – respondeu a cobrindo.


- Uau – disse ela – E isso?


- O Mapa do Maroto. Não conte a ninguém sobre isso.


Ela ergueu as sobrancelhas.


- Confia tanto em mim assim?


Ele balançou a cabeça, bufando e puxou a varinha.


- Juro solenemente não fazer nada de bom.


Ela ergueu as sobrancelhas, incrédula, e observou ele apontar a varinha para o pergaminho de onde surgiam traços.


- Que espécie de príncipe é você?


Ele riu gostosamente.


- Sou da espécie que está se sacrificando para te ajudar a quebrar as regras.


- Pode me deixar aqui com sua capa e seu mapa, se quiser.


- De jeito nenhum. Vamos.


Eles seguiram em silencio até o corujal. James o tempo todo concentrado em seu mapa, que Lílian percebeu mostrar onde as pessoas estavam.


- Seu mapa é incrível! – exclamou quando entraram no corujal, despindo a capa.


- Nem acredito que Lílian Evans gostou de alguma coisa em mim!


- Não é em você exatamente, sabe?


Ele riu.


- Aqui está – ele apontou – Este é Trevor, a coruja real.


Ela ergueu as sobrancelhas.


- Engraçado, ela parece exatamente como as outras. – deu-lhe as costas e foi até a coruja acariciá-la – Olá, Trevor! Muito prazer.


Parou de sorrir e corou ao notar que James a observava com um leve sorriso nos lábios.


- O que foi?


- Você tem alguma coisa... Esse seu jeito... É você mesma, sem fingimentos.


- E por que eu deveria fingir?


Ele deu de ombros.


- As pessoas costumam fingir quando estão comigo. Por eu ser príncipe e tudo mais... Por exemplo: ninguém acha Trevor uma coruja comum.


- As pessoas vêm o que querem ver. Só porque ele é uma coruja da realeza não significa que é especial. O que ele faz que as outras não fazem?


- O que eu faço que os outros não fazem, na sua opnião?


Ela suspirou o analisando.


- Sinceramente? Não vejo nada mais que um jovem bruxo adulto, em vestes de príncipe, que se acha o tal por o ser.


Ele estreitou os olhos.


- Sabe o que eu vejo quando olho para você? Uma princesa de alma.


Ela escondeu um sorriso.


- “Seria fácil ser uma princesa se eu estivesse vestida em pano de ouro. Mas é quase um triunfo ser uma o todo o tempo, quando ninguém sabe disso.”


- A Princesinha.


Lílian sorriu.


- Como conhece?


- Conheço muitas obras e escritores trouxas. Mas tenho preferência por Shakespeare.


Ela tentou esconder sua surpresa, levando Trevor até a janela com a carta já presa nas pernas. Soltou-o e ficou observando a ave se afastar.


- Obrigada, Potter – disse ainda olhando para o céu.


- Sempre que precisar – ele respondeu baixinho.


Ela virou-se para olhá-lo e surpreendeu-se ao vê-lo bem atrás de si. Tentou dar um passo para trás por causa da proximidade, mas só encontrou a borda da janela.


- Potter, é melhor irmos embo...


- Só quero te dizer uma coisa e depois podemos voltar.


- Potter, por favor...


- Serei rápido. Prometo.


Ela respirou fundo e esperou. Ele a olhava de uma forma terna. Parecia querer tocá-la, mas refreava-se, com medo de afastá-la.


- Acho que você tem uma idéia do quanto me fascina, não é? – sua voz parecia cansada – Sabe que já tentei milhões de vezes ganhar ao menos uma chance com você, mas ela sempre me foi negada. Ficava nervoso só de me aproximar de você. Tentava chamar sua atenção e te impressionar, mas de alguma forma eu sempre metia os pés pelas mãos e você parecia só me odiar mais. – ele deu um suspiro – Eu ficava tão... frustrado com isso.


- Onde quer chegar?


Ele a olhou analisando.


- Ao que parece, vou me casar em breve, Lílian.


Ela engoliu em seco.


- Fiquei sabendo.


- É só o que vai dizer? Não quer dizer mais nada?


- O que quer que eu diga?


- Quero que diga para eu não fazer isso. Quero que me peça para não fazer.


- Não posso fazer isso.


- Por favor, Lílian... me impeça de fazer a maior besteira da minha vida.


Lílian sentiu seus olhos arderem.


- Não posso fazer nada, James.


Ele tentou ignorar o que sentiu ao ouvi-la dizer seu nome, querendo eliminar as distrações.


- Pelo contrário – disse firme – Você pode. É a única que pode. Basta dizer que fica comigo. Que me da uma chance. Uma pequena palavra sua, Lílian, uma única palavra e eu acabo com essa história de noivado, renuncio ao meu trono e o que mais você quiser...


- Não, James...


- Lily...


- Por que eu faria isso?


- Porque quer ficar comigo.


- Quem disse isso?


- Eu sinto!


- Estou noiva, James! – desabafou.


Houve uma pausa.


- O que? Você está... quem é ele?


- Eu não sei.


- Como disse?


- É um casamento arranjado. Ele é trouxa.


- E você nem o conhece?


- Não.


Ele a olhou incrédulo.


- Você não vai fazer isso. Não é burra...


- Eu já fiz, James. Não que eu tivesse escolha.


- Você nem o ama!


Uma lágrima escorreu pelos olhos dela.


- Não tenho opção. É meu dever! Minha responsabilidade!


- Quebre as regras, Lílian!


- Não posso!


- Por quê? O país depende disso por acaso? – perguntou irônico.


Ela evitou olhá-lo. Se ele soubesse...


- Eu te amo, Lílian – disse desesperadamente – Acredita, por Merlin! Eu te amo!


Ele estava mais próximo agora. Ela podia sentir seu doce hálito. Involuntariamente, fechou os olhos e rapidamente sentiu os lábios dele sobre os seus.


Eles se beijaram como nunca haviam beijado ninguém antes. Uma mistura de carinho, amor e desejo. Se não fosse a necessidade de ar, jamais teriam se separado.


- Fica comigo, Lílian – ele pediu arfante – Deixa eu te fazer minha princesa.


- Não posso, James.


- É claro que pode! Vou te fazer me amar, sei disso. Só me dá uma chance. Me deixa te provar...


- Não precisa me provar, eu acredito. Mas não podemos...


- Não podemos ou você não quer? Me diga! Você terá o que quiser, menos eu longe de você.


- Eu quero voltar pro salão comunal.


- Menos isso também.


Lílian riu com lágrimas nos olhos.


- Lily, casa comigo, eu te faço princesa, vamos viver juntos e prometo que te farei a mulher mais feliz do mundo.


- Pára, James! Isso não vai acontecer! Nunca nem vão aceitar isso!


- Fugimos se preciso! Eu não me importo!


- EU me importo! Não vou fazer isso! As coisas não são tão simples assim...


- Você é que está complican...


Ela o calou com um beijo.


- Precisamos voltar.


- Não – o tom de James era uma súplica e ele segurou a cintura dela com mais força.


- Se continuarmos aqui, só vamos nos magoar mais.


- Mas isso é totalmente desnecessário...


- Não é uma questão de escolha.


- Mas estou disposto a enfrentar qualquer coisa por você!


- Não quero que faça isso. Vamos voltar.


Ela se virou e saiu sem que ele pudesse impedir.

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