Prazer, sou Júlia McBride.



29.12.09 - 21h:52min


Hum, oi.
Eu já fiz aquela droga de resumo, por isso não vou começar a dizer tudo aquilo que se diz no início de um diário. Acho que um simples oi é o suficiente, afinal, não quero paracer mal-educada.
Estou de férias da escola onde nós aprendemos o ABC, no entanto, as aulas de bruxaria me esperam. Aqui na Califórnia, as coisas funcionam assim para jovens bruxos e bruxas como eu...


1. Você é obrigado a cursar todos os oito anos de Ensino Fundamental e depois mais três anos de Ensino Médio, ou seja, ser um adolescente trouxa. De março a dezembro você frequenta a escola pública, e quando era para você ter suas merecidas férias... Adivinha? Começa a ter aulas de magia.
2. Assim que você entra para a quinta série, ou seja, faz onze anos, você começa a ter aulas de magia e bruxaria na escola para bruxos mais perto de onde você mora, e só para constar, existe uma escola dessas por estado. Pelo menos aqui nos Estados Unidos é assim.
3. Quando você termina os estudos dos bruxos, consequentemente você termina os estudos dos trouxas e aí você começa a usufruir daquilo que chamam de livre arbítrio, pois você pode escolher o que quer fazer dali para frente. As opções ficam entre ser um idiota e se estabelecer no mundo trouxa, ou ser descolado e permanecer no mundo bruxo, cursar faculdade bruxa, ter uma profissão bruxa, etc (mas pra quem se interessar, existem vagabundos e mendigos bruxos também).
4. Acho que depois disso tudo, você se aposenta (aposentadoria é igual tanto no mundo bruxo quanto no mundo trouxa) e depois você morre. Morrer aí já não é comigo, pois não entendo nada sobre esse assunto e espero não entender nada sobre isso tão cedo, se é que você me entende.

Agora já vou olhar televisão. Está no fim da novela e eu vou ver os especiais de fim de ano, afinal, isso é só uma vez por ano (usualmente no fim do mesmo). Além disso, meu irmão de dezoito anos já está me rondando, o que significa que ele quer usar o computador, e já que o computador fica na escrivaninha na qual eu estou sentada, é bom eu sair daqui. Caso você esteja se perguntando: e por que você não escreve em outro lugar, já que só é necessário papel e caneta para tal ato? Aí eu respondo: porque eu não estou mais a fim e como já disse, quero ver televisão. Isso é o suficiente.
Até mais!


30.12.09 - 15h:08min

Garanto que todos vocês conhecem o Beco Diagonal, que é uma espécie de Centro Comercial bruxo para o pessoal lá do Reino Unido. Pois é, aqui nos Estados Unidos existe um também, só que nós chamamos de Avenida Secreta. Para se ter acesso, primeiro você tem que localizar o viaduto mais próximo, onde provavelmente vai encontrar alguma pixação. Limpe esta pixação com um feitiço desinfetante utilizando a sua varinha, e depois é só atravessar a parede mesmo, só não se esqueça de ser discreto. Assim que fizer isso, você vai encontrar uma avenida repleta de lojas e de pessoas andando de um lado para o outro. Viu como nós bruxos americanos somos prestativos para  a sociedade? Enquanto queremos fazer compras, consequentemente deixamos a cidade mais bonita limpando os viadutos de suas respectivas pixações (e pode ter certeza de que nunca vai faltar pixação para nós limparmos). As coisas funcionam assim por aqui.
Mas o caso é que eu acabei de voltar da Avenida Secreta faz alguns minutos, pois eu estava lá comprando o material escolar necessário para o meu quarto ano na EMABRUC. Ao contrário dos cadernos, estojos e lápis coloridos que eu compro para as aulas na escola pública, o meu material de magia é bem sem graça, porém eu, que definitivamente não sou uma pessoa sem graça, sempre dou um jeito de dar vida àquela negridão em que se limita os artigos mágicos.
Já o que diz respeito ao uniforme de lá, tenho que admitir que acho ele ótimo, se comparado ao uniforme de alguns colégios internos para trouxas que eu vi esses dias em uma revista. O traje masculino é basicamente uma calça social e camiseta pólo (lembrando que nós só temos aula no período de inverno) e para as meninas é uma calça jeans preta, com um suéter bem justo da cor da sua casa (as casas são Grifinória, Lufa-Lufa, Sonserina e Corvinal, pois o mundo inteiro vangloreia os fundadores de Hogwarts). Os acessórios e o calçado ficam por conta de cada um, o que nunca deu problema na escola em termos de atentado à moda, já que calça jeans combina com praticamente tudo. Quanto aos meninos da EMABRUC, a maioria não sabe se vestir direito mesmo (onde estão os meninos estilosos e por que eles não cruzam o meu caminho?), então eles nem contam. Durante os fins de semana, nós não temos aula e por isso, podemos usar a roupa que quisermos, desde que ela esteja de acordo com as regras de vestuário da escola. O telefone do meu quarto está tocando, vou atender e já volto para escrever mais.

Voltei, e adivinha quem era no telefone? Minha melhor amiga, Bryana Dailey.
- Oi Bry, estava esperando a sua ligação! - Eu já sabia que era ela porque o meu telefone reconheceu o número, que obviamente estava registrado.
- Eu liguei para você faz uma hora, só que seu irmão avisou que você não estava. Só consegui ligar agora, já que tive que ficar lavando a louça do almoço. - Bryana tem pais trouxas, e que apesar de curtirem todo esse lançe de magia, também querem que ela nunca esqueça as suas origens, não usando magia em casa. Fico pensando o que lavar louça tem a ver com origens, mas é melhor não discutir.
- Então quer dizer que você não conseguiu fazer seus pais assinarem o contrato de magia em casa? - perguntei, mesmo já sabendo a resposta.
- Definitivamente não. - respondeu - A maioria das escolas de magia e buxaria do mundo não permitem que seus alunos façam magia fora de seus cuidados, porém a nossa criou um contrato para que possamos treinar nossas habilidades na presença exclusiva de nossos familiares, só que os meus pais não deixam eu usufruir desses previlégios.
- Nem esquenta, vamos dar um jeito. - Eu não acreditava em minhas próprias palavras, mas aprendi que é melhor sempre ser postiva nos casos em que sua melhor amiga está a beira de um ataque de nervos - E tudo certo para a festa de reencontro?
- Mais que certo, - respondeu ela animada - já comprei tudo o que vamos precisar, aí depois quando chegarmos na escola, dividimos o valor total entre nós e a galera, para eu poder devolver o dinheiro para os meus pais.
- Legal então, - Minha mãe acabou de aparecer na minha porta apontando para o relógio de pulso dela, o que significava que o meu tempo de telefone estava no fim, de modo que eu já precisava encerrar a conversa - você vem aqui em casa então para nós irmos juntas para o Porto de Embarque?
- Com certeza! - assegurou Bryana.
- Então já vou desligando, beijos!
- Beijos!

Bryana e eu somos amigas desde a primeira série, que foi quando nos conhecemos no Colégio Municipal de São Francisco. Ela era uma daquelas crianças que só falava quando o professor implorava, enquando eu implorava para que o professor me deixasse falar. Por isso, o nosso educador (era assim que meus pais chamavam) teve a brilhante ideia de juntar a silenciosa com a tagarela para ver se as duas não ficavam amigas e aprendiam uma com a outra, ou seja, Bryana me ensinaria a fechar mais a boca enquanto eu a ensinaria a abri-la. Isso não deu totalmente certo, quero dizer, nós nos tornamos grandes amigas, mas a parte de cada uma se ensinar foi totalmente descartada por ambas de nós. Com o passar do tempo, tanto eu quando Bryana fomos nos aperfeiçoando, até chegar ao ponto de ela não ser mais tão tímida para certas coisas e eu saber o momento de simplesmente ficar na minha. Nossa amizade só se fortaleceu quando descobrimos que éramos bruxas!

30.12.09 (mesmo dia, só um pouco mais tarde) - 19h:33min

Tédio, eu estou morrendo de tédio. Já fiz tudo o que está a minha disposição para fugir desse mal que é não ter o que fazer, mas não estou sendo bem sucedida. Só para se ter uma ideia, eu já li umas cinquenta páginas do meu livro (isso pra mim é uma superação), já fiz um bolo de chocolate (digamos que metade dele já está sendo digerido agora), já vi televisão (um programa sobre como você pode fazer acontecer em 2010, muito deprimente diga-se de passagem), já tentei convencer minha mãe a aumentar minha mesada (não consegui) e já tentei conversar com o meu irmão.
- Ei Mike! - disse enquanto entrava no quarto dele, que por incrível que pareça, é mais limpo e arrumado do que o meu, sendo que ele é um menino. Bem, não é a toa que dizem que podemos ganhar maturidade quando atingimos a maioridade com 18 anos, pois foi exatamente o que aconteceu com o meu irmão. Ele não era organizado desse jeito, na verdade, ele era um encrenqueiro. Agora Mike é um bom partido, digamos assim. - Você disse que ia me dar aulas de violão algum dia... Estou cobrando isso agora.
- Agora não vai dar Julia, - respondeu ele, mal prestando atenção ao fato de que sua irmã estava parada bem a sua frente - eu tenho que terminar de revisar o meu currículo.
- Que droga Michael! - reclamei, afinal, ele só tinha tempo para coisas sérias. Além disso, eu precisava sair desesperadamente do tédio em que eu me encontrava. - Por que você não para com isso e dá um apoio para a sua irmã caçula? - Eu estava tentando parecer uma vítima. E adivinha? Eu não estava conseguindo.
- Qual apoio que você precisa? - retrucou ele olhando-me desconfiado - Ou melhor, desde quando você precisa de apoio?
- Desde hoje, desde agora. - respondi, logo de imediato - Então, vão rolar as aulas de violão?
- Olha maninha, - só de ele começar a falar carinhosamente, eu já sabia que meu irmão começaria a me enrolar, e mais do que isso, negaria meu pedido - fica para outra hora, está bem? Você sabe que eu tenho que entregar o meu currículo logo e daqui a uma hora vou sair com a Chelsie... Ensinar alguém a tocar violão leva tempo e agora eu definitivamente estou sem tempo.
- Se é assim, tudo bem. Só que depois, quando eu for famosa e não souber tocar violão, vão me perguntar o porque de eu não tocar esse instrumento e aí eu vou responder: Pergunte para o meu irmão, Michael McBride! - Logo em seguida, lançei um olhar fulminante para ele e depois saí marchando do quarto.

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