Fim de jogo



Capítulo 21
Fim de jogo


 


 


Esqueçam do tempo. Foquem-se apenas nos objetivos.


Quais seriam eles? Eu não sei.  Essa é uma questão subjetiva.


Esqueçam dos problemas. Eles também não são a chave para um dia agradável. Na verdade, nada que envolva confusões e preocupações é uma boa forma de viver.


“O que fazer então?”, você deve se perguntar nesse momento.


Eu respondo. Respondo de forma curta e simples.


Viva! Cada segundo como se fosse o último. Frase clichê? É, eu sei.


Mas não vamos nos esquecer de que para muitos aqui, os segundos são preciosos... O último ano daquilo que foi praticamente uma vida.


Uau, eu poderia dizer que me comovi com meu próprio discurso, se não soubesse que isso soaria um tanto pretensioso.


Enfim, leiam isso e reflitam. Coisa que talvez seja um pouco difícil para alguns.


XoXo,


Garota Misteriosa.


 


 



***


 


 



Duas semanas depois...


 


O tempo passa. De uma forma assustadora, pode-se dizer.


Passa tão rápido, que os segundos do relógio parecem não existir. Passa tão depressa, que os dias e as noites parecem se unir para deixar aqueles que vivem o dilema do último ano, desesperados.


NIEMs, formatura, quadribol... Tudo parecia gritar para aqueles que dentro de alguns meses deixariam Hogwarts, e finalmente começariam a enfrentar a vida.


A vida... Talvez fosse um exagero afirmar que durante sete anos, os alunos não tiveram um contato verdadeiro com o mundo real, mas essa era a verdade.


Os alunos de Hogwarts passaram sete magníficos anos apenas se preparando para o que os esperaria quando aquela etapa da vida se encerrasse.


Eles aprenderam a duelar e se divertiram muito com isso; aprenderam a fazer poções e descobriram a necessidade de prestar atenção no caldeirão, para que não exploda; aprenderam a voar, e alguns descobriram que aparatar era uma forma maravilhosa de locomoção, com a vantagem de que não era preciso tirar os pés do chão pra isso; aprenderam que a Floresta Proibida tem esse nome porque esconde perigos... Mas também descobriram que os perigos escondem criaturas maravilhosas; aprenderam que feitiços podem ser fáceis se bem executados, e que nunca se deve menosprezar a capacidade de alguém somente pelo seu tamanho ou idade...


É... Eles aprenderam muito. Mas nesses sete longos anos, eles aprenderam algo muito mais importante. Algo que não se encontra nos livros. Algo que, apesar de ser descrito em canções ou poemas, é muito mais complexo.


Eles aprenderam que o verdadeiro amor supera tudo e que a amizade é mais importante do que qualquer coisa.


Os formandos aprenderam que confiar era mais difícil do que fazer uma pena levitar, e olha que eles precisaram de muito treino para isso em seu primeiro ano; eles também aprenderam que ter um amigo é mais importante do que preparar uma poção, já que os ingredientes principais da amizade são apenas confiança, companheirismo e sinceridade; e por fim, aprenderam que o amor verdadeiro é como a Floresta Proibida. As pessoas podem correr vários perigos mergulhando dentro de um sentimento proibido, um amor não permitido, que seria facilmente julgado e condenado... Entretanto mesmo com todos os riscos, eles sabiam que o amor proibido escondia uma belíssima força, capaz de suportar e superar tudo.


É... Eles realmente aprenderam. E estava chegando a hora de colocar os conhecimentos em prática.


Hogwarts estava chegando ao fim e não havia nada que eles pudessem fazer para mudar isso, a não ser torcer, para que tudo desse certo quando atravessassem aqueles portões pela última vez, em direção a vida que os esperava.


 


***



O dia amanheceu com uma aparência mais agradável naquela sexta feira. Finalmente o inverno se despedia e a primavera começava a reinar absoluta.


Os alunos caminhavam um pouco mais animados pelos corredores da escola, a caminho do Salão Principal.


A animação, obviamente não se dava apenas pela belíssima manhã. Todos – exceto os alunos do primeiro e segundo anos – estavam animados, pois faltava apenas um dia para o passeio na cidade de Hogsmeade.


Era sempre assim. Toda vez que a ida até a cidade se aproximava os alunos entravam num clima de ansiedade. Queriam logo poder sair para abastecer seus estoques de doces, comprar penas novas, se divertirem na loja de logros – coisa que desesperava o velho Zelador Filch, que já não tinha mais idéia do que colocar na sua lista de proibições, que atualmente passava dos 857 itens.


Vincent e sua prima Melissa vinham caminhando pelo corredor juntos. O moreno mantinha o braço por cima dos ombros da prima, que o abraçava pela cintura.


Sophie havia saído um pouco mais cedo para ir ao corujal enviar uma resposta a carta do irmão e da cunhada, que exigiam notícias de suas últimas semanas na escola.


- Minha cara prima, filosofarei para você em nome dessa manhã linda que está fazendo. – disse Vincent.


- Ai meu Merlin, lá vem besteira... – Melissa revirou os olhos.


- É tão bom saber que tenho o apoio familiar para as minhas tentativas de filosofar e me tornar um bruxo conhecido por minhas idéias geniais e inspiradoras.


Melissa riu.


- Só essa sua frase foi praticamente uma filosofia. Enfim, manda aí a besteira, digo, a frase inspiradora da manhã.


- Para ser bem sincero, não é bem uma frase inspiradora. É mais uma observação... Hogwarts está chegando ao fim pra mim, você sabe disso... E eu fico me perguntando como vai ser depois de tudo isso. – Vincent deu de ombros – Seria estupidez minha pensar que talvez tudo mude quando terminar?


Melissa refletiu por alguns segundos. Pensara até em zombar com a preocupação do primo, mas o fato era que seu último ano da escola estava próximo e provavelmente teria essa mesma dúvida quando chegasse perto do fim.


Com um suspiro, ela ergueu o rosto para encarar o primo.


- Sabe, eu não acho que isso seja estupidez. Pelo contrário, Vin! Você está preocupado com algo real. Quero dizer, você passou sete anos dentro de uma escola e todas suas lembranças se resumem a isso. Agora que está prestes a sair, é natural que sinta receio. Você não sabe o que te espera lá fora, embora eu tenha total certeza de que, seja lá o que for, vai se sair bem. Oras, você é Vincent Brandon Williams e realmente não consigo imaginá-lo levando uma rasteira da vida... Na verdade eu consigo vê-lo é dando uma rasteira em qualquer coisa que venha te perturbar!


Os dois riram, e Vincent beijou o alto da cabeça da prima.


- Eu realmente espero que você esteja certa!


- Eu estou certa! Acredite em mim. Vai se sair bem e todos teremos um orgulho imenso de você. – ela sorriu e então uniu as sobrancelhas, de forma pensativa.


- O que foi?


- Eu realmente não acredito que conseguimos manter uma conversa racional por cinco minutos. Geralmente nossas conversas começam com ironias e terminam com zombação... Uau, nós evoluímos! Se tia Agnes aparecesse aqui, se orgulharia de nós.


- Pelas barbas brancas de Merlin, nem brinca com isso. Você não sabe como eu sou grato por sua mãe ter conseguido tirar da cabeça da velha, digo, da nossa digníssima tia Agnes que nos visitar na escola não era uma boa idéia.


Melissa riu, e o som de sua risada ecoou pelo corredor, chamando atenção daqueles que passavam.


- Ai, nem eu acredito que a mamãe conseguiu esse milagre! Entretanto, você sabe que nas férias estamos condenados a aturá-la por um final de semana, não é?


- Sim, eu sei. Mas, infelizmente eu estarei doente quando esse final de semana chegar, e você terá que aturar as maluquices da nossa tia sozinha.


- Eu? Que isso, Vin. Se que esqueceu que sua doença misteriosa me contagiará no mesmo final de semana? Também estarei de cama nesse dia.


Os dois riram mais uma vez e finalmente alcançaram a porta do Salão Principal.


Dando um beijo no rosto do primo, Melissa seguiu para mesa da Grifinória, a fim de cumprimentar seu namorado Fred Weasley II, enquanto Vincent seguiu para mesa da Sonserina, onde sua namorada, junto com seus melhores amigos, Scorpius e Rose, o esperavam.


 



***


 



Um pouco atrasados para o café da manhã, Jude, Chad e Michael saíam juntos do Salão Comunal da Sonserina.


Os três mantinham uma conversa boba a respeito dos trabalhos que deveriam ser entregues aquele dia.


Na verdade, Jude e Chad se esforçavam para manter uma conversa com o amigo Michael, que não conseguia esconder de ninguém seu mau humor das últimas semanas.


- Diz aí cara, quando você pretende falar com a Pequena Weasley? – Chad finalmente perguntou, parando no corredor.


Michael o encarou com uma expressão confusa, enquanto Jude apenas sorriu com a confusão do amigo.


- Sobre o que estamos falando exatamente? – Michael perguntou.


- Sobre você, a confusão de duas semanas atrás, seu humor insuportável e sua paixão pela menina Weasley. – Chad concluiu – E nem adianta negar. Se você realmente não sentisse nada por aquela garota, não estaria com essa cara de quem vai lançar um Avada no primeiro que aparecer!


- Chad tem razão, Mike! – Jude se intrometeu pela primeira vez na conversa – Você gosta, ou melhor, ama Dominique Weasley e acho que deve fazer alguma coisa pra mudar isso.


Michael deu uma risada seca.


- Mudar isso? Por Merlin, até parece que vocês não ouviram o que a Samantha disse a ela. Dominique está machucada o suficiente para não querer nem olhar na minha cara! Não há nada que eu possa fazer pra remediar essa situação!


- Caramba, agindo assim você nem parece meu melhor amigo! Na verdade, você está parecendo um idiota fracassado. Por favor, o Michael que eu conheço não deixa uma vadia de quinta fazer o que quer e se dar bem no final.


- Talvez o Michael que você conheça não esteja inspirado para novos jogos!


- E quem falou em novos jogos? – perguntou Jude – Até onde eu saiba, ainda estamos no mesmo jogo em que Samantha apronta e nós, como bons sonserinos que somos, damos o troco e a ensinamos que para toda ação existe uma reação, que no caso dela será bem desagradável.


Michael balançou a cabeça negativamente.


- Vocês não entendem! Isso não é sobre mim e sim sobre a Dominique. Qualquer coisa que eu faça agora vai machucá-la, feri-la ainda mais e não é justo!


- Mike, meu amigão, você não acha que a loirinha Weasley está machucada o suficiente? Depois do que a Samantha Vadia Jennings fez, não há nada que você faça que torne as coisas pior.


- É verdade, Mike! – Jude concordou – Nada do que fizer agora vai deixar a Dominique pior. Entretanto, tudo que você fizer pode ajudar as coisas a melhorarem pra e no final das contas, você pode tê-la de volta.


Michael refletiu por alguns instantes. Seus amigos estavam certos. Se ficasse parado e admitisse sua derrota, não teria a chance de mudar as coisas. Mas se decidisse agir e jogar mais uma vez...


- Amanhã temos um passeio em Hogsmeade, certo? – um sorriso malicioso brotou nos lábios de Michael.


Chad e Jude se entreolharam e sorriram também.


- Sim. Amanhã nós seremos agraciados pelo privilégio do passeio na cidade. – disse Chad.


- Sábado é um ótimo dia para jogos... – comentou Jude, quase casualmente.


- Ótimo! – disse Michael – Pois amanhã iremos jogar. Preparem-se!


 



***


 



As aulas daquela manhã passaram mais rápido do que os alunos esperavam. Num momento eles estavam ocupados, bocejando e falando sobre o café da manhã, e no momento seguinte estavam caminhando em direção ao Salão Principal para o almoço.


Voltando da aula de Herbologia vinha Maris. Ela estava sozinha, como estivera nas últimas duas semanas. Estava cansada de ter que aturar aquelas menininhas irritantes que costumavam falar com ela por pura vontade de se tornarem populares.


Com um suspiro profundo, ela decidiu que era hora de mudar aquele quadro antes que estivesse ajudando as meninas a escolherem roupas decentes. Definitivamente, ela não tinha jeito para lidar com pessoas cheias de caráter e boas intenções


- Pah, me espere! – Maris disse, enquanto corria em direção a Paola, que não parara de andar, mas reduzira apenas a velocidade de seus passos – Aff, não me escutou?


Paola continuou caminhando quando respondeu:


- Escutei, mas preferi ignorar seu chamado!


Maris revirou os olhos.


- Sinceramente, será que não podemos superar o que aconteceu há duas semanas e voltarmos a ser a dupla de antes? Por Merlin, eu já nem lembro o motivo pelo qual brigamos.


Paola parou e se virou para encarar a ex-amiga. Não acreditava no que ouvia, embora soubesse perfeitamente que atitudes egoístas como essa eram típicas de Maris.


- Você não lembra o motivo da briga? Deixe-me refrescar sua memória, queridinha! Nós brigamos porque você e sua falta de sensibilidade tocaram um ponto da minha vida que eu luto pra esquecer. – Paola disse de forma seca – Agora que já se recorda, deixe-me ir. Não quero me atrasar para o almoço.


Paola se virou para continuar seu caminho, mas foi impedida por Maris, que a segurou pela capa.


- Ótimo! De repente eu viro a vilã da história? Será que você não pode simplesmente esquecer o que aconteceu e voltar a agir como minha cúmplice? – protestou Maris, um pouco alterada. – Não sei por que tá se fazendo de ofendida quando sabe que eu disse apenas a verdade. Sei pai nunca ligou pra você e, definitivamente, ele não te ama o suficiente para te perdoar pela morte da sua mãe. Eu realmente não entendo você e seu falso sentimentalismo viu?!


Voltando da aula de Aritmancia vinha Adam. Ele caminhava em direção ao Castelo, mas mudou seu rumo assim que viu as duas meninas discutirem. Não iria permitir que Maris magoasse Paola novamente.


- Escute Maris, eu realmente aturo muita coisa. Aliás, a conjugação do verbo está errada. Eu não aturo muita coisa. Eu aturei, o que é bem diferente! – disse Paola, alterando sua voz a cada palavra – Apesar de nossa cumplicidade, trambiques e seja lá mais o que tenhamos aprontado nesses últimos 16 anos, eu sempre, sempre tive respeito por você. Podíamos ter nossas diferenças e brigarmos, mas em nenhum momento eu procurei ofender sua vidinha pra lá de deprimente. Por que convenhamos, eu posso ter um pai que pouco se importa com minha existência, mas os seus pais também não são exemplares, ahn?!


Paola fez uma pausa e respirou fundo para se controlar.


- Quer saber, eu realmente não vou me rebaixar ao seu nível e ficar elencando os seus defeitos familiares. – disse ela, pausadamente.


 Maris deu uma risada seca, jogando a cabeça para trás. Ela realmente não estava acreditando no que ouvia. Paola parecia mais uma boa samaritana do que a menina dissimulada que conhecia.


- Ai, ai. Só pode ser uma piada! Desde quando <b>você</b> é a boa moça que evita falar qualquer coisa para não magoar os sentimentos das pessoas? Por favor, seu teatrinho é realmente deplorável. – Maris abusava da ironia em suas palavras.


- Deplorável é sua mania de não admitir uma derrota e agir com tamanha infantilidade. Sinceramente, Marisa, esperava que depois daquele dia eu fosse morrer de amores por você? Achou mesmo que depois de tudo que falou para me atingir, eu ainda fosse agir como se nada tivesse acontecido e te tratar como melhor amiga?


- Eu só disse a verdade!


- Uma verdade que você tinha certeza que me machucaria e me faria sentir um lixo. – disse Paola entre os dentes, se controlando para não sacar sua varinha e azarar a menina à sua frente.


Maris sustentava um olhar irônico em direção à menina, desafiando-a.


Diante o silêncio, a morena mais alta se manifestou.


- Aff, o que duas semanas distantes de mim não fazem, ahn? Olhe pra você! Está altamente sentimental, e isso é muito, muito constrangedor sabia? Nossa reputação poderia ser destruída! – ela revirou os olhos – Vamos, venha comigo para o Salão Principal. Precisamos planejar nossa visita à Hogsmeade. Quero comprar umas coisas novas e acho que você também quer.


Maris disse tudo rapidamente e se virou para sair. A morena se afastou alguns passos do local e só então percebeu que caminhava sozinha.


Parou imediatamente e virou-se para encarar Paola, que continuava parada no mesmo lugar, com uma expressão decidida.


- Não me ouviu chamar? – Maris perguntou – Vamos para o Salão Principal!


- Não! – respondeu Paola.


Maris precisou piscar algumas vezes, para absorver a informação.


- Desculpe? Acho que não ouvi direito.


Foi a vez de Paola rir.


- Você ouviu muito bem, querida. Eu disse que não vou com você para o Salão e nem para lugar algum. – disse Paola simplesmente.


- Por quê?


- Porque ela aprendeu que quem anda com porcos come lavagem. – respondeu Adam, que ouvia tudo de longe e agora caminhava em direção as meninas – Craig, não se faça de idiota. Não achava mesmo que depois de agir de forma tão estúpida com a única pessoa que te considerava e, de certa forma, ainda te respeitava, fosse conseguir um tratamento diferente né? – o moreno riu, enquanto se aproximava de Paola, que agora exibia um sorriso sarcástico – Acorde e enxergue de uma vez que suas atitudes extrapolaram todos os limites possíveis. Uma hora as pessoas cansam, e embora tenha sido um pouco tarde, Paola cansou. Ela não vai seguir com você, então ao que me parece, ou arruma uma nova companhia, ou vai ficar sem ninguém para conversar.


Maris balançou a cabeça para conseguir entender tudo que estava acontecendo. Chegou a abrir a boca uma ou duas vezes, mas não conseguiu dizer nada. Estava chocada demais para reagir. Era a primeira vez que ficava sozinha.


- Acabou Marisa. Nossa amizade já era. Eu cansei de jogar com a vida das pessoas e acho que deveria seguir seu exemplo.


- E me tornar uma imbecil?


- Não! Se tornar uma pessoa digna e respeitada por todos. Mas isso seria muito esforço pra você, não é? Então, acho melhor eu desistir de uma luta perdida e me afastar, antes que sua companhia comece a sujar a reputação que venho tentando limpar tem duas semanas. Adeus, queridinha!


Dizendo isso Paola seguiu com Adam em direção ao castelo, conversando sobre coisas bobas e que nada tinham a ver com o que acabara de acontecer. Era como se Marisa Craig nada mais fosse do que um ser insignificante.


Maris nada fez. Apenas ficou parada, observando um ponto fixo a sua frente, sem conseguir piscar. Estava chocada demais para reagir. Estava chocada demais para qualquer coisa.


 



***


 



Voltando da aula de adivinhação, vinha Dominique. A loira estava tão distraída observando o pergaminho que tinha em mãos, que assustou-se quando uma mão a segurou pelas vestes e a puxou para um corredor vazio.


Era Michael.


O Sonserino já estava cansado de tentar se aproximar da menina e não obter êxito, então decidiu agir de forma desesperada.


Sem muita gentileza, Michael encostou Dominique na parede, encurralando-a no local. Ela precisava ouvir o que ele tinha pra falar.


Dominique não protestou de imediato. Não tinha muitas forças para reagir àquela situação, e as que lhe restavam, decidiu poupar para a discussão que ela sabia estar a caminho.


- Eu preciso que me escute. – disse ele, enquanto tentava organizar os pensamentos em sua mente – Eu acho que lhe devo desculpas.


- Desculpas pelo que? – perguntou Dominique, sem encará-lo – Por ser quem você é? Um falso, hipócrita e mentiroso? Não se desculpe pela sua natureza!


Michael já esperava aquela reação da menina, mas não deixou de se sentir mal. Ouvir aquelas coisas era comum para ele, mas não vindas de Dominique.


- Eu preciso que você saiba que a Jennings está mentindo. Você não é um jogo pra mim, Dominique! Você não...


- Carter, não tente me fazer de idiota! – Dominique finalmente ergueu a cabeça para encarar o Sonserino. Seus olhos estavam ferozes, demonstrando toda sua raiva – Carter, tudo que a Jennings disse é a mais pura verdade. Eu sempre fui um jogo, não tente me enganar! Tudo isso começou quando o venci pela primeira vez no Clube dos Duelos. Eu soube disso no instante que meus olhos encontraram com os seus... Eu era a próxima vítima, estava óbvio para qualquer um. – ela respirou fundo.
“No início, você deixou bem claro tudo. Me perseguiu, tentou me abordar e percebeu que eu não era a garotinha fácil e idiota que você pensava... Então, de maneira bem inteligente, mudou a estratégia. Não posso negar que foi bem inteligente de sua parte se fingir de apaixonado para conseguir me conquistar. Carter, foi um plano de gênio! Deveria se sentir orgulhoso, sabia? Você jogou tão bem... Deve se sentir contente por ter conseguido!”


Michael engoliu em seco e balançou a cabeça algumas vezes para tentar organizar os pensamentos.


Ela estava entendendo tudo errado e ele não podia permitir que isso continuasse.


- Dominique você está entendendo tudo errado! As coisas não são assim, da forma como você está narrando!


- Não são? Ohhh, então perdoe-me por distorcer os fatos. Queira narrar as coisas conforme sua visão exata, por favor.


O tom irônico de Dominique não intimidou Michael. Pelo contrário, o Sonserino se sentiu mais encorajado para prosseguir e contar a verdade.


- Você não é um jogo, Weasley! Tudo que a Samantha disse a você é uma mentira. Nada mais que isso. Eu não te vejo como um jogo, eu não quero brincar com você. Acredite em mim!


- E por que eu deveria? Por que eu deveria acreditar em você, quando foi deixado bem claro que já é de sua... De sua natureza mentir e se divertir as custas dos outros? – Dominique dizia num tom magoado – Por que eu deveria acreditar que nesse momento não está mentindo pra mim?


- PORQUE EU TE AMO! – Michael gritou, sem se conter – Eu te amo como nunca amei ninguém! Eu te amo da maneira mais incontrolável possível, e não quero perder você.


Dominique sentiu seus olhos arderem diante daquela declaração. Como ele poderia ser tão falso? Como poderia brincar assim, quando os dois sabiam que nada daquilo era verdade?


- Chega de mentir pra mim ok?! Eu realmente não estou disposta a ouvir mais nada. – dizendo isso, a jovem empurrou Michael, para conseguir sair. Toda aquela declaração a havia pego de surpresa.


Era a primeira vez que Michael dizia que a amava com todas as letras.


Michael não ofereceu resistência e permitiu que Dominique se afastasse. Tinha pleno conhecimento de que ela estava magoada, machucada... Se continuasse insistindo as coisas piorariam.


Com um leve aperto no coração, viu Dominique se virar e correr pelo corredor.


- Eu vou provar pra você, Dominique. Eu prometo! – disse ele em voz alta, embora desconfiasse que ela não tivesse escutado.


Nem que fosse a última coisa que fizesse, ele provaria a Dominique a verdade.


 



***


 



O tempo.


É, parece que ele não tem colaborado para aqueles que pedem sempre um pouco mais, ao mesmo tempo em que pedem para que ele seja reduzido.


É tão ilógica a questão do tempo, que nem os alunos do sétimo ano saberiam responder se eles desejavam que as horas parassem ou se passassem num jato.


Mas, apesar da confusão, o tempo continua passando. E já era sábado de manhã, quando todos foram surpreendidos por raios de sol invadindo os aposentos e corredores do Castelo de Magia e Bruxaria de Hogwarts.


A primavera, enfim, havia assumido o lugar do que fora um inverno rigoroso.


Os alunos estavam radiantes quando desceram para o café da manhã. Um passeio era sempre bem vindo.


Rose, Scorpius, Vincent, Sophie e Alvo eram alguns dos tantos que se sentiam aliviados por não terem que enfrentar a rotina da escola.


Os cinco amigos passaram as últimas duas semanas juntos, revezando as rotinas de estudo para os NIEMs com os trabalhos que deveriam ser entregues aos professores.


A vida de formando, definitivamente, não era nada fácil.


- Eu nunca pensei que fosse dizer isso, mas eu não aguentava mais viver dentro da biblioteca! – comentou Rose, caminhando em direção aos portões da escola, onde as carruagens que levariam os alunos a Hogsmeade estavam paradas.


- IRMÃOS, NÓS ESTAMOS NO FIM DO MUNDO! – gritou Vincent, assustando os demais – Pessoas, eu não posso ter sido o único a escutar a frase da Rosecreide! Alguém aqui reparou que ela afirmou não aguentar mais seu lugar sagrado?


- Vincent, em momento nenhum a Rose disse que não gostava mais do meu quarto! – Scorpius constatou com falsa seriedade, fazendo com que sua namorada ficasse vermelha como os próprios cabelos.


- Nossa, que dupla de pervertidos! – disse Vincent – Sinceramente vocês dois deveriam seguir meu exemplo e da Sophie, que somos um casal comportado... Ou pelo menos fingimos ser! Embora ontem por muito pouco não fomos pegos aos amassos pelo zelador Filch... Imagino a cara de choque ao perceber que sua gata, e fiel companheira, não poderia fazer com ele a mesma coisa.


Eles riram.


- Você é maluco! – Sophie disse entre risos – Mas mesmo assim eu te amo!


- Eu sei amor, eu sei! Minha loucura faz parte do meu charme irresistível e cativante.


- É um convencido mesmo viu? Não sei como uma peste dessas consegue ser meu melhor amigo! – Scorpius deu um tapa na cabeça de Vincent, que retribui sem nenhuma dó.


Sophie e Rose reviraram os olhos e se encararam com expressões que diziam claramente “Garotos são tão infantis!”


Quando finalmente chegaram até a carruagem, eles encontraram Alvo, que havia se separado do quarteto para se encontrar com a namorada.


- Bom dia casal! – Vincent os cumprimentou – Prontos para um passeio divertido e cheio de emoções?


- Vincent, nós só estamos indo a Hogsmeade! – Alvo disse, sem esconder o sorriso – E, a não ser que você considere emocionante sentar no Três Vassouras e tomar uma garrafa de cerveja amanteigada, não há nada que faça desse passeio uma verdadeira aventura.


- Você não deveria acabar com minha alegria dessa forma sabia? Um pouco de imaginação da sua parte e um passeio em Hogsmeade poderia se tornar algo inacreditável. – Vincent fingiu-se de ofendido.


- Vincent, convenhamos que se meu namorado tivesse a mesma imaginação que você, o passeio em Hogsmeade se tornaria uma viagem a lua de vassoura! – Alice disse, arrancando risadas dos demais.


Sem mais demora, os três casais entraram na carruagem, que não tardou para seguir caminho em direção ao pequeno vilarejo.


 



***


 


 


Para aqueles que não tinham permissão para sair e ficavam no castelo, o silêncio que reinava nos corredores praticamente gritava.
 
Como estava sol, os alunos se espalhavam pelo jardim da escola, aproveitando a temperatura agradável. Alguns se sentavam à beira do lago negro, enquanto outros procuravam refúgio debaixo das copas das árvores.


Louis e Luiza aproveitaram que estavam em dia com suas tarefas e foram fazer uma visita a Hagrid, o meio gigante amigo da família.


- Aha, vocês vieram! – comentou Hagrid, que os avistou enquanto desciam em direção à sua cabana – É chato ainda não ter idade pra passear não é? Ficar trancado na escola... Era por isso que Fred e Jorge sempre davam um jeito de fugir, aqueles danados e... Eu não deveria ter dito isso, não deveria!


Louis e Luiza riram, enquanto se aproximavam do amigo para abraçá-lo.


- Não precisa se preocupar conosco, Hagrid! Depois da confusão que deu com nosso sumiço, a última coisa que queremos é dar mais dores de cabeça desse tipo. – Louis disse, erguendo a cabeça para encarar o meio gigante.


- Que bom, que bom! Se os pais e os tios de vocês tivessem essa mesma preocupação, não teriam ganhado tantas detenções... – Hagrid parou um momento para refletir – E também não seriam seus pais, caso não fizessem tais coisas.


O meio Gigante deu tapinhas gentis no ombro de Louis e Luiza, que os fizeram dobrar os joelhos, com a força do impacto.


- Oh, desculpem! – Hagrid os endireitou – Vamos, entrem, entrem na cabana. Servirei chá com biscoitos para os dois, enquanto conversamos. Vocês precisam saber como andam minha plantação de abóboras. Acreditam que elas foram atacadas por lagartas gigantes? Precisei da permissão da Diretora para comprar um pesticida muito bom para acabar com aquelas pragas malditas!


Louis e Luiza seguiram com Hagrid para o interior da cabana.


Como já era de costume, Hagrid serviu uma caneca do tamanho de um balde com chá para as crianças, e lhes ofereceu biscoitos que mais pareciam pedras de tão duras.


Enquanto saboreavam – ou, no caso de Louis e Luiza, pelo menos tentavam – o pequeno lanchinho, os três conversavam animadamente sobre os planos de Hagrid para as aulas de Trato das Criaturas Mágicas.


- Hagrid, nós podemos ir visitar o Algodão? – perguntou Luiza, depois de um tempo – Ele já deve estar enorme!


- Verdade, Hagrid! Faz tempo que não vamos vê-lo. Por favor, nos leve até ele! – Louis insistiu.


- Oh não, não! Sinto por isso crianças, mas o unicórnio não está mais em uma zona segura. Ele já foi com os outros para dentro da Floresta e vocês não tem idade para se aprofundar tanto. Não é seguro, não mesmo! – disse Hagrid de forma firme.


Louis e Luiza se encararam por um momento e depois se viraram para Hagrid, com a mesma expressão de piedade no rosto.


- Por favor, Hagrid! – Luiza implorou.


- Prometemos ficar ao seu lado todo o tempo! – completou Louis.


Hagrid revirou os olhos e balançou a cabeça num sinal negativo.


- Não crianças, não mesmo! São regras da escola e não quero ser responsável por algo ruim. Prometo que quando ele estiver mais perto, levo vocês. – Hagrid encerrou o assunto – Pelas Barbas de Merlin, vocês quando querem conseguem agir exatamente da mesma forma.


Louis e Luiza riram.


- Deve ser a convivência. – Luiza constatou, entre risos.


- É a amizade, ah sim. Crianças, vocês se deram conta de que formaram um elo grandioso? São tão amigos, que sem perceber acabam reagindo da mesma maneira ao mesmo assunto.


- E isso é bom ou ruim? – perguntou Louis, embora soubesse perfeitamente a resposta.


Hagrid riu.


- É bom, muito bom! – ele respondeu – Parece que todos da família têm a tradição de encontrar os melhores amigos com facilidade.


- Mamãe diz que o amigo verdadeiro é um irmão sem laços de sangue. – comentou Luiza, animada pelo rumo que a conversa havia tomado.


- E ela está certa. – Hagrid concordou, e então se colocou de pé, caminhando para o outro lado de sua cabana, aparentemente em busca de alguma coisa.


Louis franziu o cenho, tentando entender o que o amigo procurava.


- Hagrid, será que nós pod...?


- AHA, sabia! Achei, achei! – disse Hagrid, voltando para o lugar que os amigos estavam, segurando um pequeno saquinho de couro na mão.


- O que é isso, Hagrid? – perguntou Luiza, sem esconder a curiosidade.


Hagrid sorriu, enquanto puxava a fitinha que amarrava o pequeno saquinho. Em seguida, o virou de cabeça para baixo, deixando cair sobre a palma de sua mão, duas correntes, unidas pelo mesmo pingente.


- Bom isso eu ganhei de um viajante, em uma das minhas buscas por animais engraçadinhos para lhes ensinar nas aulas. – Hagrid respondeu, erguendo as correntes – Ele me disse que era mágica... E eu não duvido, se querem saber. Já vi muitas coisas nessa vida, muitas mesmo.


- Mágica? Como assim? Quero dizer, se isso porta algum tipo de magia não deveria ter...


- Oh, se acalme Louis! A própria diretora conferiu e não há nada errado com a corrente. – Hagrid o tranquilizou – O tipo de magia contida aqui é para o bem.


- E que magia seria essa? – Luiza não conseguia esconder o interesse.


Hagrid baixou seu tom de voz, para manter o suspense no ar.


- Estão vendo esse sol? – ele apontou pro pingente – Pois bem, pois bem, vejam vocês que ele está unido. Eu tentei separar de várias formas, acreditem. Posso até tentar agora, vejam!


Hagrid, usando de toda sua força, tentou separar o pingente, mas nada. Ele continuou intacto, sem nenhum sinal de que havia sido tocado.


- Viram só? Eu não consigo transformá-lo em dois. – disse Hagrid – Agora, permitam-me tirar uma dúvida. Luiza, você segura um lado e o Louis o outro.


Seguindo as instruções do meio gigante, Louis e Luiza seguraram o pingente, cada um em uma metade do sol.


- Agora tentem quebrá-lo ao meio. – incentivou Hagrid, com um brilho de excitação crescendo em seu olhar.


- Hagrid, se você não conseguiu, acha que nós conseguiremos? É impossível! – Luiza disse descrente.


- Nada é impossível. E, além do mais, só quero tirar uma dúvida.


 Louis e Luiza se encararam por um breve instante e depois fizeram o que o amigo pediu.


Para a surpresa dos dois, sem ao menos fazer o mínimo de força, o pingente se partiu ao meio. O que antes era um sol inteiro, agora havia se tornado duas metades. As correntes, enfim, estavam separadas.


Hagrid não escondeu um sorriso de satisfação e bateu palmas ao ver tal cena.


- Eu sabia, eu sabia! – ele comentou – O viajante disse, que somente a força da amizade e do... Bom, não importa. Somente um sentimento puro e intacto como o que vocês sentem um pelo outro, poderia separar o pingente, e eis aí a prova.


Louis e Luiza abriram sorrisos enormes diante da explicação do amigo. Eles não estavam tão interessados na história do pingente, mas ficaram felizes em saber que o que eles sentiam de bom, fez com que as correntes se separassem.


- Nossa, vou escrever a mamãe contando isso! – comentou Luiza, estendendo a corrente para Hagrid.


- Oh não, não! Fiquem com vocês. As correntes são suas e aconselho que a partir de agora usem. – disse Hagrid sorrindo.


- Obrigado Hagrid! – as crianças disseram em uníssono.


Hagrid sorriu, e ao olhar para o relógio se colocou de pé.


- Crianças, já passou da hora deu colocar mais pesticida nas abóboras. Eu chamaria vocês pra ficarem, mas provavelmente o cheiro fará vocês desmaiarem, então acho melhor irem andando. Voltem mais tarde para outro chá, está bem?


Louis e Luiza fizeram um aceno positivo com a cabeça e, depois de se despedirem do amigo, seguiram de volta para o castelo.


- Ei, não é demais? Quero dizer, nós fomos praticamente os escolhidos pelo pingente! – Louis comentou, quando já estavam distantes da cabana de Hagrid.


- É sim! – Luiza concordou com um enorme sorriso – Isso significa que nós somos muito amigos. Uau!


- E você ainda duvidava disso?


- Não, claro que não! Mas é legal saber que nós fomos capazes de superar uma magia com a força da nossa amizade. – disse Luiza.


- Bom, acho que isso significa que seremos amigos sempre né?


- Para sempre e mais um dia! – Luiza garantiu, com um sorriso.


- Promete? – Louis perguntou sorrindo também.


- Só se você prometer!


- Eu prometo ser seu amigo para sempre, Luiza Anne Dursley! – jurou Louis, colocando a corrente em seu próprio pescoço.


- E eu prometo ser sua amiga para sempre, Louis Weasley! – assim como Louis, a pequena colocou a corrente em seu pescoço – Acho que agora temos um pacto!


- Sim. Um pacto de amizade eterna!


Os dois sorriram e deram as mãos, seguindo novamente para o castelo.


 



***


 



Distrair-se no vilarejo de Hogsmeade era uma coisa fácil para os alunos.


As variadas lojas atraiam a atenção de todos com suas vitrines chamativas e seus produtos. Entretanto, nenhuma delas – nem mesmo a Dedosdemel – conseguia superar a popularidade da filial da Gemialidades Weasley.


Os alunos faziam filas para pegar os produtos mais famosos – que obviamente já se encontravam na lista de proibições do zelador Filch – e se encantavam com as novidades que Jorge, algumas vezes com a ajuda de Rony, inventava.


Embora os mais jovens fossem o público mais fiel da loja de logros, naquela manhã de sábado, três alunos de 17 anos e com planos bem interessantes para aquele dia entraram no local a procura de produtos.


- Certo, o que exatamente nós estamos procurando? – perguntou Jude, assim que eles entraram no estabelecimento – Nossa, isso aqui parece um formigueiro. Não me admira que o zelador consiga colocar tantos objetos numa lista de proibições. Isso aqui é praticamente o reino dos objetos proibidos da escola.


Chad riu.


- Meu amorzinho, você ainda não viu nada. Espera as crianças terminarem as compras na DedosdeMel e conheça o verdadeiro inferno! Fica impossível andar aqui. – Chad comentou, passando o braço por cima do ombro da namorada, trazendo-a para perto de si. – Mike, acho que o que você quer está nas prateleiras do fundo da loja! – ele acrescentou.


Michael lançou um rápido olhar para as prateleiras indicadas pelo amigo e balançou a cabeça num sinal positivo.


- Estão lá! Venham comigo. Vamos pegar o que precisamos e sair para colocar o plano em prática.


- Ah não! Eu não vou me enfiar no meio de toda essa pirralhada pra ir atrás de alguma coisa que nem sei o que é! – Jude protestou – Acho digno que vocês me atualizem sobre o plano primeiro, pra eu saber se vale ou não a pena me meter no meio dessa muvuca.


Michael revirou os olhos e encarou Chad, pedindo algum apoio. Ele não estava com paciência para explicações e infantilidades.


- É o seguinte bebê, vem com a gente. Nós vamos pegar o que precisamos e lá fora, num clima agradável e bem longe dessa confusão, eu te explico ok?! Seja boazinha e me ouça apenas dessa vez!


Jude ergueu uma das sobrancelhas, lançando olhares de Michael para Chad e então suspirou.


Aquela seria uma discussão vencida.


- Tudo bem! – ela concordou – Mas assim que sairmos daqui quero explicações.


Os meninos fizeram um sinal positivo com a cabeça e junto com a Sonserina, caminharam em busca do que desejavam.


Demorou bem menos do que eles esperavam, e logo já estavam do lado de fora da loja de logros, segurando suas respectivas sacolas.


- Chad, você e a Jude seguem pro Três Vassouras ok?! No caminho você vai explicando a ela sobre o plano.


- Por que você não vai vir conosco? – perguntou Jude.


- Porque eu preciso levar a nossa vítima pra lá primeiro. – Michael explicou com um sorriso malicioso nos lábios – É sério Jude, é melhor vocês irem pra lá. Eu logo apareço com a Samantha. Você vai gostar do plano, tenho certeza!


- Na verdade, Jude, você vai amar! – disse Chad em apoio – Aquela vadia da sua ex-amiga vai se arrepender de ter mexido conosco.


- Se é assim, vamos logo! Eu não vejo a hora de ver aquela garota pagar por tudo!


Sorrindo, Chad e Jude caminharam para o pub que serviria de palco para a vingança.


Michael ficou parado por alguns segundos no local que estava apenas observando a sua volta.


As ruas estavam movimentadas, alguns alunos corriam com suas sacolas, outros deixavam os doces caírem e rolarem pelo chão, arrancando risadas dos que estavam mais próximos... Nada disso chamava sua atenção. Por algum motivo, as coisas haviam se tornado vazias e absolutamente sem graças.


Foi então que seu olhar recaiu sobre a menina loira que acabava de sair da loja de Penas Escriba. Apesar de sorrir e parecer perfeitamente bem havia algo em seu olhar que não parecia correto. Havia um brilho a menos ali.


Dominique Weasley ainda estava sofrendo.


E esse era o único motivo que fazia com que Michael seguisse em frente na sua vingança.


Um último jogo, ele havia prometido.


Um jogo em que ele provaria a verdade e reconquistaria aquela menina, aquela pequena menina que o conquistou por inteiro. Ou pelo menos, ele tinha esperanças de que isso acontecesse, quando desmascarasse Samantha.


Respirando fundo, Michael se viu obrigado a desviar o olhar de Dominique, para procurar por outra pessoa.


Não demorou para que ele encontrasse Samantha, cercada por um quarteto de meninas Sonserinas de treze anos.


- Idiotas! Se soubessem da vadia que estão se metendo não estariam reverenciando tanto! – Michael murmurou antes de seguir na direção em que a menina estava.


 


 


***


 


 


- Samantha Ann Jennings! – Michael exclamou, quando estava bem próximo.


As quatro meninas que estavam perto de Sam ficaram coradas. Elas nunca tiveram coragem suficiente para se aproximarem do rapaz.


- O que temos aqui? Uma reunião para novas candidatas a Elite de Hogwarts? – ele perguntou e em seguida sorriu para as meninas – Achei que isso fosse decidido por mais pessoas.


- Uau, eu realmente estou chocada que você ainda se lembre do meu nome completo. É realmente uma surpresa para mim, acredite! – Samantha respondeu em deboche e então encarou as meninas – O que ainda estão fazendo aqui? Achei que tivesse mandando vocês até a loja de penas! Vão, rápido. Argh, é assim que querem ser minhas amigas?


As meninas não responderam. Apenas correram em direção à loja indicada por Samantha, a fim de comprarem penas, pergaminhos e tinteiros. Definitivamente não queriam irritar a loira.


- O que você quer Michael? – Samantha perguntou, assim que os dois ficaram sozinhos.


Michael abriu seu melhor sorriso canalha e encarou a menina profundamente, antes de responder.


- Nada demais. Só estou entediado! – ele revirou os olhos – Sabe como é, último ano, provas, trabalhos... Nada que possa realmente distrair alguém.


Samantha riu e balançou a cabeça. Então era isso que o moreno queria? Uma simples distração para a vida entediante da escola.


- Se você quer se distrair, deveria ter chamado aquelas novatas, não? Afinal, brincar com menininhas é sua especialidade!


- Brincar com menininhas que saibam o que estão fazendo sim. Aquelas ainda são filhotinhos de serpente ainda. Veja que seguiram sua ordem sem contestar! – ele a lembrou – Eu gosto de algo mais difícil.


- E o que é difícil para você? A Pequena Weasley?


Os anos de mentira e conquistas provavelmente ajudaram a manter sua falsa expressão de contentamento no rosto. Se ele não tivesse prática em esconder o que sentia, provavelmente Samantha teria percebido uma dor enorme em seus olhos, ao ouvir falar de Dominique.


- Ahhhh, sem dúvidas aquele filhotinho de leoa foi um jogo muito, muito bom. Pena que você conseguiu acabar com a minha festa antecipadamente. Mas tudo bem, eu posso superar isso! – ele deu de ombros.


Samantha arqueou as sobrancelhas e encarou Michael de forma avaliativa.


- Tem certeza? Pois, ao que me parecia, você não parecia disposto a superar isso até ontem. Por favor, Mike! Você nem se deu o trabalho de olhar pra mim durante as duas últimas semanas.


- Por favor, digo eu! – ele retrucou – Samantha, você arruinou meu melhor jogo. Queria o que? Que eu batesse palmas e agradecesse por sua tremenda idiotice?


- Não se faça de idiota! Estava na cara que você a amava.


- Não Sam! – Michael baixou a voz e deu um passo em direção à menina, encurtando a distância que os separavam – Eu minto bem, não se esqueça! – ele disse, passando o braço pela cintura da menina e a trazendo para perto de si.


- Então, tudo o que eu vi foi...?


- Apenas uma interpretação. Um ato muito bem ensaiado por mim. – ele respondeu – E como prova disso, eu vou te mostrar que o jogador está de volta.


E sem dizer mais nenhuma palavra, Michael a beijou. Não estava sendo gentil, não queria parecer apaixonado. Estava apenas fazendo o que precisava para atrair sua vítima para si e nada além disso passava por sua mente naquele momento.


 



***


 



Próximos à Casa dos Gritos, alheios àquela movimentação e falação dos demais, estavam Hugo e Lily.


Os dois estavam sentados debaixo de uma árvore, observando o horizonte, aproveitando aquele clima agradável, que tanto fizera falta nos meses rigorosos de inverno.


- Ai, ai... Parece que finalmente as coisas estão normais, não é? – Lily comentou. Sua cabeça estava recostada no ombro do namorado, e este acariciava seus longos e lisos cabelos ruivos. – Finalmente todos os casais tiveram seus finais felizes.


- Eu não chamaria de final. Afinal de contas, a história deles só tá começando, Lils. – Hugo observou – Mas tem razão quanto ao fato das coisas finalmente estarem normais. Eu realmente não aguentava mais ver minha irmã sofrendo tanto. Por mais que Rose dissesse que tudo estava bem, que ela havia superado, eu sabia que não estava. Eu podia ver nos olhos dela que cada dia que se passava, ela “morria” por dentro.


- Isso soou tão... Dramático. – disse Lily – Mas é a pura verdade. Posso dizer a mesma coisa do Alvo, sabe? Eu via que por trás de cada sorriso dele, cada olhar, havia uma tristeza incurável. Ele sentia muita falta da Alice... Eu realmente espero que as coisas continuem assim, porque, pelas barbas de Merlin, se qualquer um tentar meter o bedelho no relacionamento deles novamente, eu juro que azaro sem piedade!


Hugo riu e beijou o alto da cabeça da menina.


- Que namorada brava eu tenho! – ele brincou – Espero que você defenda nosso relacionamento com essa mesma garra e coragem.


Lily levantou a cabeça e encarou Hugo, fingindo seriedade.


- Como assim defender nosso relacionamento? Você, por acaso, já prevê conturbações em nosso namoro, que conseguiu sobreviver todos esses meses na mais perfeita tranquilidade? – ela ergueu uma das sobrancelhas e continuou mantendo sua expressão séria.


O olhar de Lily foi o suficiente para assustar Hugo, que rapidamente se colocou numa posição mais formal e sustentou o olhar da menina.


- Lilian, você sabe perfeitamente que não quis dizer isso quan...


Ele não conseguiu terminar sua frase, pois Lily explodiu em risadas. Definitivamente a expressão assustada de Hugo fora hilária.


- Ahhhh, então a senhorita estava tentando me assustar, não é? – Hugo perguntou, sem esconder o divertimento na voz – Pois bem, se você quer rir, vou lhe dar motivos pra isso!


E antes mesmo que Lily pudesse protestar, Hugo começou a fazer cócegas na menina.


Se antes a ruiva já ria, agora mesmo que ela não conseguia se controlar.


Lily tentava a todo custo escapar das mãos rápidas de Hugo, mas não tinha sucesso. Ele era mais forte que ela e não a deixava sair.


A ruiva ria tanto, que não demorou para ela cair deitada ao pé da árvore, com Hugo sobre ela, ainda lhe fazendo cócegas.


- Ok... Ok... Hu... Hugo chega! – ela disse entre risos – Eu pre... prec... preciso respirar!


- Certo, certo, chega mesmo! Você já está tão vermelha quanto seus cabelos, é melhor parar antes que te mate de rir. – ele brincou e então sua expressão se tornou séria, quase avaliativa.


Isso não passou despercebido pelos olhos de Lilian.


- Aconteceu alguma coisa? – ela perguntou preocupada.


Hugo não respondeu de imediato. Apenas levou uma das mãos até o rosto de Lily e o acariciou levemente, como se a menina fosse um objeto frágil, que precisava ser cuidado.


- Nosso primeiro beijo aconteceu graças a uma cena parecida com essa. – ele comentou, enquanto traçava o contorno do rosto de Lily, com a ponta dos dedos – Eu ainda me lembro de como me senti quando te vi naquela noite... Como me senti ao te notar, ao te olhar de verdade.


Lily precisou lutar contra o nó que se formava em sua garganta. Era impressionante como às vezes Hugo conseguia deixá-la sem palavras.


- Como... Como você se sentiu?


Hugo sorriu e roçou os lábios levemente sobre os de Lily, antes de responder.


- Me senti exatamente como agora. – ele sussurrou, próximo aos lábios dela – Como um bobo, que levou tempo demais pra perceber que a garota certa sempre esteve ao meu lado. Como o cara mais sortudo do mundo, por essa garota me querer e me amar, da mesma forma que eu a amo. 


Lily queria responder, dizer-lhe coisas lindas e únicas, mas estava tão surpresa e tão emocionada, que não conseguiu formular nada que expressasse exatamente seus sentimentos.


- Eu te amo! – ela disse, assim que conseguiu desfazer o nó em sua garganta.


- Não como eu te amo! – Hugo disse com um sorriso.


Os dois estavam tão próximos, que ele não resistiu e tomou os lábios da ruiva num beijo apaixonado. Uma de suas mãos estavam presas na cintura da menina que agora estava sob ele, enquanto a outra acariciava seu rosto gentilmente.


Lily sempre perdia o rumo quando seus lábios tocavam os de Hugo. Era como se fosse transportada para um mundo só deles e os demais não existissem.


Enquanto seus lábios sentiam o sabor doce e único de Hugo, uma de suas mãos descia por suas costas, enquanto a outra estava perdida na nuca do rapaz, puxando seus cabelos e o prendendo naquele beijo.


Hugo também se esquecia do mundo quando estava com Lily, e foi exatamente por isso que ele se rendeu as próprias vontades, permitindo que seus lábios traçassem um caminho até o pescoço da ruiva e começassem a beijá-la. O perfume dela o inebriava, deixava-o louco e desejoso... Ele a amava tanto, que desejá-la era a única coisa que sabia fazer na vida.


E, foi por esse amor, que se viu obrigado a parar. Ele não iria longe com Lily naquele momento. Mesmo quando ela suspirava seu nome e correspondia seu beijo da mesma forma intensa, ele sabia que não era a hora das coisas acontecerem.


- Eu amo você, baixinha! – ele sussurrou no ouvido de Lily, antes de se afastar para encará-la.


- Eu também amo você, grandão! – ela brincou e sorriu – Acho que precisamos ir ao Três Vassouras.


- Verdade! Dissemos a todos que nos encontraríamos lá. – Hugo concordou e logo se colocou de pé, estendendo a mão para ajudar Lily.


- E eu também acho que preciso encontrar uma boa desculpa pra explicar o motivo das minhas roupas estarem tão amassadas! – ela comentou, olhando pras próprias roupas.


- Bom, eu não acho que eles vão fazer esse tipo de pergunta, mas qualquer coisa eu estou pronto para assumir a responsabilidade disso. – ele brincou – E é claro, que não culparei Alvo por me torturar e azarar em seguida.


Os dois riram.


- Seu bobo! Alvo não faria isso.


- Tem razão... Ele me torturaria e me mataria depois. Meu primo-cunhado é muito gentil mesmo!


 


 


***


 



Como sempre, o Três Vassouras estava lotado. Os alunos estavam espalhados pelo local, sentados em grupos, bebendo e conversando animadamente.


Era possível sentir o clima mais leve entre eles, conforme o tempo passava. Definitivamente aquele passeio viera a calhar, principalmente para aqueles que estavam quase enlouquecendo com a rotina da escola.


Mas, como é comum em todos os lugares, sempre há aqueles que não estão dispostos apenas a passarem um final de semana tranquilo ao lado dos melhores amigos.


Não. Calmaria nem sempre era o suficiente para aqueles que estão acostumados a serem donos do jogo e terem atenção. Era exatamente por isso, que enquanto todos conversavam, Jude e Chad colocavam em prática o plano elaborado por Michael.


Foi exatamente por isso, que os dois abriram um enorme sorriso ao vê-lo entrar no pub abraçado com Samantha Jennings – a vítima da vez.


Não que ela não merecesse. É claro que aos olhos de muitos aquela menina loira, cheia de si, arrogante e calculista, merecia uma severa punição.


Entretanto, quando o verbo “punir” estava nas mãos de Jude, Chad e Michael, as consequências eram sempre graves e deixavam marcas.


- Veja, lá no fundo há uma mesa vazia! – Michael comentou com Sam distraidamente – Vamos sentar lá antes que percebam que o local está vazio.


Michael guiou Samantha até o local indicado e, discretamente, lançou um olhar para os amigos – que obviamente já haviam informado aos interessados o que aconteceria a seguir.


O último jogo iria começar.


- Sabe, se eu não te conhecesse bem, estranharia toda essa aproximação. – Samantha comentou, bebendo um gole da Cerveja Amanteigada que Michael havia pedido para os dois.


Michael sorriu e passou a mão pelos cabelos, bagunçando-os um pouco.


- Mas você conhece... E sabia perfeitamente que as coisas voltariam a ser como antes, afinal... Eu não nasci pra ser o bom moço! – ele disse, exibindo seu melhor sorriso canalha.


- Não mesmo. Não consigo imaginá-lo vestindo uma capa Grifinória e bancando o santo por aí. – Samantha riu da própria piada sem graça e bebericou mais um pouco de sua cerveja – Ai, ai... Já está à procura de uma nova vítima?


 Michael sorriu mais uma vez e seus olhos percorreram pelo estabelecimento, como se estivesse procurando algo.


- Talvez... Eu não sei. De uma forma ou de outra, preciso bolar uma nova estratégia, já que o romântico apaixonado você fez o favor de estragar!


Nas outras mesas, os alunos fingiam conversar normalmente. Depois do que Jude e Chad lhes contaram, eles é que não iam ter a audácia de estragar os planos do trio Sonserino.


- Ahhh... Você tem razão quanto a bolar uma nova estratégia, mas não será difícil pra você. – Samantha sorriu.


- Claro que não! Anda mais se eu tiver uma aliada... – Michael lançou um olhar significativo para Samantha, que abriu ainda mais o sorriso – Tem coisas que preciso aprender com você, Sam.


- Que tipo de coisas?


- Coisas simples... Algumas estratégias talvez! – Michael bebeu um gole de sua cerveja – Sabe, eu sempre tive certa curiosidade para saber o que você aprontou para terminar com o namoro do Chad e da Jude tão rápido. Por Merlin, eles bateram um recorde namorando apenas por algumas horas.


Samantha encarou Michael por alguns instantes e então caiu na risada.


- Ai... Só... Só de lembrar eu não me aguento. Foi... Foi tão simples! Tão fácil! – ela confessou, para alívio de Michael que, por um segundo, pensou ter sido descoberto – Eu só tive que contar uma mentirinha, acredita?


- Sério? – Michael fingiu-se de chocado – Você conseguiu separá-los só com uma mentira?


- Sim, por isso eu digo que foi muito fácil! Michael, você lembra bem da fama do Alvo “Gostoso” Potter. Até conhecer a sem graça da Huntington, ele era o mais desejado e não era do tipo que negava uma boa festa... Foi só contar ao Chad que sua querida namorada estava apaixonada por Alvo que a dúvida surgiu. É claro que eu contei com a ajuda da sorte também, porque Jude chegou bem a tempo de me ver beijando o Chad e ainda ouviu meu falso desespero ao me afastar dele... Depois foi só me fingir de amiga arrependida, convencer a ela que se vingasse beijando o Potter, e pronto! Tudo estava feito.


Michael sorriu e fingiu aplaudir Sam pela sua “genialidade”. As coisas para ele também estavam mais fáceis do que imaginava.


Do outro lado do bar, Chad e Jude precisavam conter suas vontades de rir e ir lá azarar a menina.


- Você é realmente falsa. Sinto-me um santo perto de você quando conta essas coisas. – ele brincou – Se fez isso com a Jude, que supostamente é sua melhor amiga, imagina o que não faz com as outras.


Samantha riu.


- Melhor amiga? Ahhhh... Não vai me dizer que você também acredita nesse teatro. – Samantha revirou os olhos – Jude pra mim é apenas uma aliada. Quero dizer, ela executa os planos melhor do que as outras, mas se houvesse alguma menina com mais capacidade que ela, não hesitaria em substituí-la. Você deve sentir o mesmo com relação ao Chad.


Michael riu e balançou a cabeça negativamente.


- Sam, Sam, nem todos têm esse talento todo... Minha cafajestagem se resume apenas a gostar de brincar. Mas, quando tenho algum amigo por perto bom... Eu realmente o trato como tal.


Samantha fez uma careta e bebeu mais um gole de sua cerveja.


- Ew... Deveria ser um pouco mais esperto! Tirar vantagem às vezes ajuda.


- Ou atrapalha! – Michael completou – Enfim, nós pensamos diferente, mas no final, estamos no mesmo barco. Você é a vadia sem coração e eu o canalha. Formamos uma bela dupla...


- Sim! E em pensar que eu quase perdi você... É sério, por um momento eu achei que tivesse te perdido para o lado bom da força.


- E foi por isso que disse aquelas coisas à Pequena Weasley! – Michael concluiu.


Naquele instante Dominique apareceu à porta do bar, trazendo consigo suas sacolas de compras. Estava tão distraída, que não percebeu a chuva de olhares que recaiu sobre ela. A loira apenas seguiu em direção à mesa em que seus primos estavam para sentar-se junto com eles.


“- Sim!” a voz nítida de Sam na mesa dos primos fez com que Dominique sobressaltasse.


- Mas o que...?


- Shiu! Fique quieta e apenas escute! Terá muito tempo pra falar depois. – Alvo lhe garantiu.



“- Entenda que eu não gosto de perder, Mike! – Samantha explicou.


- Perder o que? Eu não era seu, então você não estava me perdendo.


- Não, você não era! E, talvez tenha sido por isso que eu tenha me revoltado quanto ao fato de te ver junto com aquela... Aquela Weasley! – Samantha deu uma risada – Era absolutamente frustrante ver a forma como os dois se olhavam. Ela tão apaixonada e você também... É claro que se eu soubesse que estava apenas jogando, eu...


- Você não teria se metido no meu caminho! – Michael concluiu – Você é uma pessoa intrigante, Sam. Sempre destrói as coisas sem se preocupar se seus atos vão ter consequências.


Samantha riu mais uma vez.


- Consequências? Ah, por Merlin, o que poderia acontecer? Jude e Chad descobrirem a verdade e reatar o romance? – ela debochou – Bom, parece que isso aconteceu e eu ainda estou aqui. Assim como também sobrevivi a história do Alvo e da Alice. Sinceramente pensei que junto com a descoberta deles, viria uma possível vingança, mas me enganei. Eles são patéticos demais para revidarem!"


 


Na mesa onde estavam sentados os Weasley, Potter, Scorpius, Vincent, Sophie, Alice e Melissa, o silêncio reinava. Todos estavam muito chocados para esboçarem qualquer tipo de reação.


Samantha Jennings era, sem dúvida, a pessoa com menos caráter que eles já tiveram conhecimento.


 


“- Agora me explique uma coisa, pois como sabe sou realmente curioso! – Michael pediu – Por que se meter no meu relacionamento com a Weasley?


- Por quê? Mike, era tão nojento ver o esforço que os dois faziam para se manter longe, quando na verdade queriam gritar aos quatro ventos que queriam estar juntos. Era tão... Tão... Tão...


- Tão frustrante ser única do grupo sozinha! – Michael concluiu novamente – Não me venha com desculpas tolas, Sam. Eu não sou idiota!


- Não... Mas, pra que se importar com a Weasley agora? Estamos juntos né? Vamos esquecê-la!"


 


Dominique ofegou por um momento e precisou lutar contra a vontade de gritar e correr dali. Aquilo tudo parecia uma brincadeira de mau gosto.


“- Esquecê-la?


- Sim! O jogo já acabou. Ela não vai mais acreditar em você! – Samantha disse, com certo sarcasmo.


- Tem razão... Ela talvez nunca mais acredite em minhas palavras, em compensação você...


- Eu o que?


- Você acredita com tanta facilidade! – Michael riu – Sinceramente Sam, acreditou mesmo que eu quisesse formar uma dupla com você e me tornar seu aliado nas maiores trapaças?


- Bom... Não foi pra isso que você me procurou?


Michael riu novamente.


- Não! Eu te procurei porque sou um ótimo jogador!


- Eu... Eu não estou entendendo!


- Ainda a pouco você me perguntou se eu estava atrás de uma nova vítima. – Michael a lembrou – Pois bem, eu já tenho uma!


- E quem seria?


- E eu aqui pensando que você era, no mínimo, inteligente! – Michael debochou – Samantha, você sempre foi muito cheia de si. Sempre subestimou as pessoas quando fez suas brincadeirinhas... Sabe por que seus jogos sempre deram certo? – ele perguntou e como a menina não respondeu, prosseguiu – Você sempre jogou com pessoas mais fracas. Que facilmente acreditavam em você e nas mentiras que contava.


- Eu...


- Mexeu com Chad, sabendo perfeitamente que daria certo, já que mexeria com Jude também, que na época acreditava ser sua melhor amiga; Mexeu com o Alvo, mas ficou zangada por ele não ser patético a ponto de te querer por muito tempo e aí foi mexer com a Huntington, que de tão inocente, acabou caindo em mais uma de suas armadilhas... – Michael deu uma risada seca e de repente sua voz ficou fria como gelo – Você mexeu com todos e saiu vitoriosa. Deveria ter parado, mas não! Sua tolice é sem limites e então ousou mexer comigo.


- O que quer dizer?


- Quero dizer que você mexeu com a pessoa errada! Você se meteu no meu caminho e, não satisfeita, magoou a única pessoa nesse mundo que eu seria incapaz de fazer algum mal! – ele disse irritado.


- Até a poucos minutos, ela era somente um jogo pra você!


- Jennings, acorda! Largue de ser imbecil e se toca de uma vez que o jogo aqui é você! – disse Michael – Olhe em volta e veja! Estão todos te olhando."


 


Os olhos de Samantha percorreram todo local e sua expressão era de alguém completamente chocado.


Todos os alunos estavam virados para ela, encarando-a e rindo descaradamente.


Michael se colocou de pé e encarou Sam com repulsa.


- Você é uma idiota sem tamanho! Tão ridícula, tão absurda... Achou mesmo que ia se colocar no meu caminho e não sofreria consequências? Achou mesmo que poderia brincar comigo, como fez com os outros? – Michael riu em deboche – Não se brinca com pessoas mais perigosas que nós mesmos, Jennings, deveria saber disso.


- O que...? Como eles...?


- Como eles ouviram? – Michael perguntou debochado – A loja de logros do Sr. Weasley é realmente uma boa opção quando se quer comprar produtos proibidos na escola. – Michael se abaixou e puxou alguns fios que estavam embaixo da mesa – Orelhas Extensíveis são muito úteis, sabia?


Samantha arfou, diante daquela revelação. Sentia-se tão tonta, tão idiota...


- Como você pôde? – ela perguntou com a voz esganiçada.


- Como pude o que? Você mexeu com muitas pessoas, Samantha! Estava na hora de alguém mexer com você e te mostrar que as coisas nem sempre são tão fáceis! – ele disse – Agora, pra sua informação, ela nunca foi um jogo. Eu sempre a amei e mesmo que ela nunca me perdoe pelo que você fez há duas semanas e por tudo isso que acabei de fazer, sempre vou amá-la. Ela vale a pena, ao contrário de você!


Dizendo isso, Michael simplesmente se virou e caminhou em direção a Chad e Jude, que agora riam descontroladamente.


Sam arriscou olhar novamente para as pessoas no pub e, sem outra saída, correu porta afora. Finalmente o feitiço havia virado contra o feiticeiro...


A jogadora havia se tornado o jogo.


 



***


 


 


A explosão de risadas que se seguiu no Três Vassouras não surpreendeu ninguém. A expressão surpresa e revoltada de Samantha Jennings havia sido impagável.


Finalmente alguém havia colocado ela em seu devido lugar.


- Você é nosso herói, definitivamente! – Jude comentou, enquanto tentava conter as risadas.


- Essa é uma daquelas cenas que deveriam ser eternizadas: Samantha Jennings perdendo o próprio jogo! – disse Chad – Estou chocado em como ela não tenha tentado inventar algo que a fizesse sair dessa.


Michael riu e bebeu um gole do Whisky de Fogo que seus amigos haviam comprado para que os três celebrassem.


- Mesmo que tivesse chance ela não inventaria, Chad! – Michael comentou – Até os jogadores sabem quando perdem e, no caso dela, é melhor sair assim do que tentar reverter. Admitir a derrota também é uma estratégia! – finalizou, bebendo em uma golada só o seu Whisky.


- Acha que ela vai tentar alguma coisa? – Jude perguntou despreocupada.


- Não... Ela aprendeu a lição! – Michael garantiu e então virou seu olhar pro restante dos alunos – Mas eu aconselho a vocês que tomem cuidado... Ela não é idiota o suficiente para tentar mexer conosco... Mas isso não lhes dá nenhuma garantia! 


Os outros alunos apenas balançaram a cabeça, num sinal de entendimento.


Michael se serviu de mais Whisky e tornou a percorrer o local com o olhar a procura de uma única pessoa.


Não demorou para que seus olhos encontrassem com os de Dominique Weasley. Ela já o fitava, com uma expressão indecifrável enquanto seus primos e amigos conversavam alguma coisa. Por vezes, ela apenas fazia um aceno com a cabeça em concordância, mas não prestava mesmo atenção.


Michael segurou o olhar de Dominique sério, e por tempo suficiente para que ela se sentisse constrangida e voltasse a encarar seu próprio grupo.


E então, sem dar nenhuma explicação, ele simplesmente largou o copo de bebida no balcão e saiu do pub. Precisava respirar ar fresco ou iria enlouquecer.


 


 


***


 


 


- Vá atrás dele!


Dominique ouviu alguém lhe aconselhar, mas estava tão perdida nos próprios pensamentos, que não podia afirmar de quem era a voz.


Estava tudo tão confuso, tão estranho. Era como se o mundo tivesse girado e alguém jogado sobre ela várias informações.


- Dominique? Você tá bem? – a voz séria e preocupada vinha de Alvo.


- Eu... Eu não sei! – ela admitiu e lançou um olhar confuso em direção aos primos – Vocês não estão zangados comigo?


Os mais velhos – Alvo, Rose, Fred e Roxanne – se encararam, enquanto os mais novos – Molly, Lucy, Lily e Hugo – balançaram a cabeça num sinal negativo.


- Dominique, – Alvo começou a falar, usando um tom suave – se tudo isso tivesse acontecido antes... Há uns quatro anos e nós tivéssemos a idade que temos hoje, provavelmente teríamos arrebentado a cara do Michael e te dado uma bronca que você jamais se esqueceria. Mas... Mas depois de tudo que passamos, das barras que enfrentamos para estarmos aqui hoje, felizes e satisfeitos por ter a companhia de quem amamos, não temos o direito de reclamar ou culpá-la por algo. Michael, sem dúvida não era o tipo de cara que achávamos que você se envolveria. Entretanto, não mandamos nos sentimentos e sabemos que se escondeu isso de nós até hoje, foi com medo da nossa opinião.


Dominique levou alguns segundos para entender o discurso do primo. Ela estava ouvindo bem? Eles não estavam mesmo com raiva dela ou coisa parecida? Era bom demais pra ser verdade.


- Vocês não estão mesmo chateados comigo? – ela perguntou finalmente. – Nenhum de vocês? Nem você, Fred?


Fred riu e bagunçou o cabelo da prima com a mão.


- Não... Confesso que Michael não está na lista dos mais queridos por mim, mas ele gosta de você de verdade e isso faz com que o aceite sem maiores problemas. – Fred disse com um sorriso.


- Agora, priminha, se quer um conselho, vai LOGO atrás dele! – Rose incentivou.


Dominique lançou um rápido olhar a todos e então, sem esperar mais se levantou e correu porta a fora.


Não deixaria sua felicidade escapar agora.


 


 


***


 


 


Diferente de como estava quando saíram para o passeio em Hogsmeade, o céu agora estava nublado e parecia que a qualquer momento choveria.


Não era comum chover naquela época, início de primavera, mas quem era Michael pra falar do tempo quando tinha tantas coisas em mente?


O sonserino queria era logo voltar para o Castelo de Hogwarts para se isolar em algum canto e pensar... Não que ele fizesse o tipo de rapaz que se deprimia fácil, mas para superar uma perda, ele precisava se concentrar em todas suas feridas para aí sim dá-las como vencidas e virar a página...


Virar a página... Era isso que a mente de Michael estava relutante. A batalha interna que travava era justamente essa: virar a página e continuar sua vida como se Dominique tivesse sido apenas um daqueles fenômenos naturais que quando aparecem causam uma enorme devastação e da mesma forma que surgem, vão embora... Ele não poderia se prender mais na menina que deixou no Três Vassouras, porque ele já havia a machucado o suficiente.


Era mais saudável para ela que não estivesse por perto.


Michael nem percebeu o momento exato em que a chuva começou a cair durante sua caminhada. Na verdade, ele pouco se importava se estava ficando ensopado ou não.


*


Dominique se amaldiçoava por não ter levado consigo a capa de chuva. Mas, como ela iria prever que o tempo mudaria tanto?


Detestava ficar com ensopada e com os cabelos grudando em seu rosto por causa das fortes gotas de chuva que caíam sobre ela. Se o motivo que a levara correr pelas ruas não fosse tão forte, ela jamais cometeria aquela loucura.


As ruas de Hogsmeade agora estavam praticamente vazias, o que facilitava em sua busca. Não precisaria pedir licença para passar em algum lugar ou se desculpar por esbarrar em alguém.


Ela só precisava correr para encontrar Michael e, graças a Merlin, sua busca não foi tão demorada já que logo avistou o rapaz seguindo em direção à estradinha que os levavam de volta a Hogwarts.


- MICHAEL! – ela gritou o mais alto que pôde, para que sua voz sobressaísse entre os sons da chuva e dos trovões.


Michael, que caminhava completamente alheio a tudo, parou subitamente ao ouvir seu nome. A chuva estava lhe fazendo ouvir coisas?


Lentamente ele se virou a procura da pessoa que o chamara. Não conseguiu distinguir a voz, graças a sua distração.


O sonserino ficou congelado no lugar em que estava ao descobrir quem era a pessoa que o gritara.


- Ah, finalmente! Achei que precisaria gritar de novo pra te fazer parar. – Dominique comentou, enquanto caminhava lentamente até o rapaz, com os olhos semicerrados graças à chuva.


- O QUE ESTÁ FAZENDO AQUI? – ele precisou gritar, pois o som ensurdecedor de trovão o atrapalhou – Volte para o bar, vai pegar uma gripe se continuar aqui.


- Você também e nem por isso parece preocupado! – Dominique disse, parando a poucos metros de onde o rapaz estava.


Michael riu.


- Com se uma chuva me intimidasse! – ele revirou os olhos – Volte pra lá Weasley!


- Não! – ela disse com firmeza – Pare de me mandar voltar ok?! Não vou sair daqui.


- Então tá! Faça o que quiser. – Michael deu de ombros – Mas, depois quando estiver por aí espirrando e tossindo, não venha dizer que não avisei.


Michael se virou para continuar seu caminho, mas parou novamente quando ouviu seu nome.


- MICHAEL ESPERA!


- O que você quer, Dominique? – ele perguntou ainda de costas.


Dominique não respondeu. Apenas correu até o rapaz e o puxou pelo braço, fazendo com que se virasse.


Seus cabelos loiros estavam grudados em seu rosto, assim como os de Michael caíam sobre seus olhos de tão molhados.


- Você tem idéia do quanto eu detesto chuva? Quero dizer, pra admirar da Torre de Astronomia ou de dentro do salão comunal é lindo, mas você tem noção do quanto é irritante sentir meus cabelos grudarem no meu rosto e não conseguir fazer nada pra mudar isso? – Dominique perguntou, encarando o Sonserino de maneira séria.


- Se é tão ruim, deveria ter ficado no bar! – Michael revirou os olhos novamente.


- Não, não deveria! – ela protestou.


- Weasley, pela última vez, diga o que você quer? Se veio aqui reclamar da exposição da sua vida feita no bar, diga de uma vez, me xingue, me bata, azare, enfim, faça o que quiser, não vou reclamar. Mas, por Merlin, faça rápido e depois me deixe ir embora, porque sinceramente, caso não tenha notado, eu estou tentando te deixar livre de um sonserino filho da mãe, que raramente tem momentos de “bondade” como os que você presenciou hoje. – ele disse tudo rapidamente.


Dominique não respondeu a pergunta. Ao invés disso, ela se colocou na ponta dos pés e aproximou seu rosto de Michael, tocando seus lábios levemente nos dele, num beijo casto para depois se afastar e encará-lo.


- Todo vilão tem seu lado bom, lembra? – ela perguntou, enquanto a chuva e o vento se tornavam mais forte – Você tinha me dito que eu era esse lado e quero continuar sendo! Então, pare de me mandar voltar, pare de tentar me deixar livre de você, porque não é isso que eu quero!


O som forte de trovão estrondou, fazendo os dois sobressaltarem.


Dominique segurou o rosto de Michael entre as mãos e o fitou mais séria que antes.


- Eu não quero voltar pro Três Vassouras e você não pode mandar seu lado bom embora!


- Eu devia saber que contar essa história de ser meu lado bom te deixaria convencida viu?! – Michael riu e sem dizer mais nada, afastou gentilmente os cabelos molhados do rosto de Dominique e a beijou.


O beijo era lento, tranquilo, como nenhum outro fora. Eles não precisavam mais se esconder de ninguém agora. Tinham um ao outro e essa era a única coisa que lhes importava.


O que eram a chuva forte, o vento e os trovões, quando os dois estavam dando um espetáculo maior que a própria natureza?


Michael envolveu os braços em torno da cintura de Dominique, a ergueu no ar e a girou, sem conseguir conter a própria felicidade.


Dominique sorriu e passou as mãos no rosto do sonserino, afastando os cabelos de olhos dele, para poder encará-lo.


- Eu te amo! – ela disse.


- Eu também te amo Pequena Weasley! – Michael disse com um grande sorriso no rosto – Te amo demais!


E então os dois se beijaram mais uma vez.


Era o fim de mais um jogo.


 


 


***


 


 


Alguns dias depois...


 


Era quase hora do almoço quando Vincent e Scorpius voltavam de mais um treino exaustivo de Quadribol. O último jogo deles na escola seria contra a Grifinória e não queriam fazer feio.


- Nós dois somos idiotas! – Scorpius disse de repente.


- Eu sei que sim, mas você não precisa espalhar tal fato. Algumas pessoas nos invejam por pensar que somos perfeitos e você com esse comportamento está denegrindo a nossa imagem quase imaculada da mente dos demais.


Scorpius tentou, mas não conseguiu deixar essa passar e começou a rir.


- Eu nem vou perguntar como você sempre tem alguma piada na ponta da língua, porque já sei a resposta que vai me dá. – Scorpius revirou os olhos – Mas não era com o objetivo de denegrir nossa imagem casta da mente da população que nos chamei de idiotas.


- Ah sim, claro! Então agora você nos ofende de graça? – Vincent perguntou num falso espanto – Falando sério, o que aconteceu?


- Você quis perguntar o que não aconteceu né? – Scorpius o corrigiu – Há mais de duas semanas nós concordamos em pedir nossas digníssimas namoradas em casamento novamente e bom... Hoje é o grande dia!


Vincent o encarou confuso, sem conseguir captar a mensagem do amigo.


- Nós somos idiotas porque o grande dia chegou? – Vincent perguntou confuso.


- Não! Nós somos idiotas porque ficamos tão focados em fazer o plano funcionar que esquecemos os discursos. – Scorpius explicou – Vincent, nós não podemos simplesmente nos ajoelhar e perguntar “Quer casar comigo?”.


- Bom, nisso você tem razão. – Vincent concordou – Precisamos pensar em algo muito bonito para dizer, que provavelmente nós vamos passar o dia decorando e no momento exato, quando nos for dada a palavra, vamos esquecer completamente e gaguejar, pagando o maior mico de nossas vidas. – ele encarou Scorpius com um sorriso.


- Ok, eu nunca pensei que ia dizer isso, mas você acabou de me deixar em pânico. – Scorpius engoliu em seco.


Vincent riu e passou o braço por cima dos ombros do amigo.


- Vai dar tudo certo! Como você disse da última vez, o máximo que pode acontecer é ganharmos um não. E, é claro, que para isso eu tenho um plano “B”.


- E qual seria?


- Ajoelhar e implorar que elas nos aceite, porque sem elas não somos nada e que provavelmente a rejeição nos deixará com traumas eternos. – Vincent disse – Acredite, se elas não nos aceitarem por livre e espontânea vontade, aceitarão por piedade e medo de que nos atiremos de cima da vassoura.


Scorpius riu um pouco mais relaxado.


Talvez estivesse exagerando quanto ao pedido, mas não podia deixar de sentir um frio em sua barriga. Depois de tudo que fizera, era natural sentir receio de que Rose dissesse não ou alegasse que não estava preparada... Esperava que aquilo não acontecesse, pois do jeito que estava, era capaz de aceitar a sugestão do Vincent e fazer pirraça até que ela dissesse “Sim!”.


- Cara, vai dar tudo certo, ok?! – Vincent disse, depois de um tempo.


- Vai sim! – Scorpius concordou – Agora quer fazer o favor de tirar esse braço de cima de mim? Tá me achando com cara de encosto?


- Foi uma pergunta retórica ou você quer mesmo que eu responda?


Os dois riram e voltaram para o castelo. Era hora do almoço e eles ainda teriam que enfrentar toda uma tarde, para hora do tão esperado pedido de casamento.   


 


 


***


 


 


- Será que vocês não podem fazer com que eles calem a boca um instante? Essa gritaria é ensurdecedora!


Draco comentou com Harry e Rony, enquanto seus olhos acinzentados corriam pela grande sala em que as aulas do Clube dos Duelos era ministrada. O barulho da conversa e a animação dos jovens era algo que ele não estava mais acostumado. No geral sua vida se resumia a negócios e eventos sociais onde as pessoas para se comunicarem, não precisavam berrar e sim falar normalmente.


- Draco, nós estamos em uma escola! Se quer que eles fiquem quietos, peça você mesmo! – Rony disse, divertindo-se com a expressão azeda do loiro.


Draco ia responder, mas bem no momento, sua esposa se aproximou junto com Hermione e Gina. Ele não gostava de ser mal educado na frente de Astoria, pois sabia que levaria uma bronca.


- Onde estão nossas crianças? – perguntou Astoria – Sinto falta do meu Pequeno! Faz muito tempo que não o vejo e gostaria de abraçá-lo.


Draco riu e beijou carinhosamente o rosto da esposa.


- Seu “Pequeno” deve está em algum lugar com os amigos! Logo ele aparece com a Rose, a Sophie e o nosso quase filho, Vincent. – Draco brincou.


Se com os poucos alunos que havia no local o barulho era enlouquecedor, conforme os demais foram chegando a coisa parecia absurda.


- Vejam, lá vem eles! – Gina apontou para porta, onde um grupo de Weasley/Potter, junto com Scorpius, Sophie, Vincent, Melissa, Alice e Luiza, entravam.


Os mais novos foram os primeiros a correr em direção a Harry e companhia, enquanto os mais velhos caminhavam tranquilamente, com sorrisos nos rostos.


- Ai meu Pequeno! Aqui está você, finalmente! – Astoria disse, dando um abraço forte no filho – Sinto tanto a sua falta! Aquela Mansão não é a mesma coisa sem você.


Scorpius riu e se afastou para encarar a mãe.


- Eu também sinto sua falta, mãe! – ele disse – Mas pense que agora falta pouco. Logo vem a formatura e eu finalmente estarei em casa.


- Sim, e eu finalmente poderei dar a incrível festa titulada de “MEU FILHO AGORA É MEU, HOGWARTS!” – Astoria disse animada, arrancando risadas de Draco.


Scorpius apenas soltou um muxoxo de desaprovação, mas não discordou. Sabia perfeitamente que quando sua mãe colocava na cabeça que daria uma festa, ninguém era capaz de fazê-la voltar atrás.


- Opa, eu ouvi a palavra “festa”? – Vincent se aproximou – TIA ASTORIA QUANTO TEMPO!


- Oh, meu querido! Venha me dar um abraço. – ela estendeu os braços – E sim, você ouviu a palavra festa.


- Uma festa relacionada ao que dessa vez? – Vincent perguntou, ignorando os olhares mortais que Scorpius lhe lançava.


- Ao Scorpius, claro! – ela sorriu.


- Ah sim! Como pude pensar que seria diferente? Uma festinha pro Scorzinho, que meigo, tia. – Vincent comentou, arrancando risadas dos demais, exceto é claro, Scorpius – E qual é o tema dessa vez?


Astoria exibiu um sorriso fascinante ao responder.


- “Meu filho agora é MEU, Hogwarts!” – ela disse – Acha um bom nome?


- Claro, tia! Segue a mesma linha dos outros temas. Lembro-me de todos ok?!


- Jura que se lembra? – Astoria perguntou, empolgada pelo rumo que a conversa tinha tomado.


- Claaaaro tia! Lembro da primeira que foi “MEU FILHO VAI PRA HOGWARTS!” – Vincent fazia um imenso esforço para não encarar o melhor amigo e cair na gargalhada. Sabia perfeitamente que se estivessem longe dos demais, teria sido azarado – Também teve aquela quando ele começou a namorar a Rosecreide “Eu tenho uma nora!”


- Vincent, há 17 anos que te conheço e não vou deixar de perguntar: TEM CERTEZA QUE VOCÊ É MEU AMIGO? – Scorpius interrompeu o moreno – E larga a minha mãe, porque o Pequeno dela sou eu e não você!


- Poxa... Fui praticamente expulso do meio dos Malfoy. – Vincent disse melodramático – Tio Draco, acho digno que você me receba e me apelide de alguma coisa também. Sinto-me um rejeitado.


- Sai pra lá que sentimentalismo exagerado não é comigo. – Draco brincou – O máximo que posso fazer por você é oferecer uma festa com o título “O AMIGO DO MEU FILHO É LOUCO!”


- Obrigado, tio! – Vincent disse em ironia.


- Disponha! – Draco sorriu.


Naquele momento, Harry e Rony chamaram a atenção para si, caminhando em direção ao centro da sala.


A aula iria começar.


Como já era de se esperar, os alunos se divertiram bastante enquanto duelavam. Harry e Rony eram de longe os professores mais queridos, e suas histórias da época de escola, deixavam os jovens pra lá de eufóricos.


A presença de Draco, naquele dia, fez com que os ânimos pegassem fogo, já que o loiro fez questão de compartilhar alguns momentos engraçados de todos na escola, revelando até quando o falso Professor Alastor Moody o transformara em uma doninha.


Apesar de tudo estar indo as mil maravilhas e a presença do quarteto Harry, Rony, Hermione e Gina, juntamente com a de Draco e Astoria, estar agradando a todos, Rose e Sophie pareciam ser as únicas a se perguntarem o motivo daquela pequena “reunião familiar”.


- Rose e Alvo, queiram vir a frente, encerrar o duelo! – a voz de Harry pegou a ruiva de surpresa, mas esta logo se recuperou e caminhou até o centro da sala.


 - Então é hoje que nós vamos definir nossa relação, meu amorzinho? – Alvo brincou com a prima, sacando a varinha.


Rose riu e rapidamente sacou sua varinha, apontando para o primo.


- Parece que hoje nós vamos colocar os pingos nos “is”... E acho que isso, - ela fez um movimento rápido com a varinha, lançando um feitiço – é o mínimo que você merece por ter sido infiel todos esses anos. E isso – ela deu outro aceno gracioso com a varinha – é por ter fingido me amar e me enganado por tanto tempo.


- Ahhhh... Quer dizer que agora nós estamos fazendo uma lavagem de roupa suja aqui? – Alvo perguntou, enquanto se desviava rapidamente de um feitiço que passou próximo a sua cabeça e investia outro contra Rose – Então acho que isso – ele lançou mais um feitiço – é por você ter me trocado por esse loiro oxigenado que atende pelo sobrenome Malfoy, sem se preocupar com meus sentimentos. – ele fingiu-se de ofendido – E claro que isso aqui – ele lançou outra azaração – é por você ter me iludido e feito inúmeras promessas, quando na verdade nunca pensou em se afastar dessa criatura loira.


Os dois riram e seguiram esse ritual de brincadeiras, até que Rony decidiu intervir e acabar com o duelo dos dois.


Naquela disputa não haveria nenhum vencedor, tendo em vista que os dois não queriam mesmo duelar e permitir que o outro perdesse.


- Certo, certo, chegamos a mais um fim do Clube dos Duelos! – Rony anunciou, para tristeza de todos – E, sinto lhes informar, que esse será o último do semestre também.


 Um muxoxo de desaprovação invadiu o salão. Os alunos detestavam quando as aulas chegavam ao fim.


- Ah, qual é pessoal? Nós também detestamos ter que dar essa notícia, mas o trabalho nos chama. Vão entender isso quando se formarem em Hogwarts. – Harry brincou. – Aliás, Alvo você será meu estagiário no próximo verão, então esteja preparado, filhão!


- Obrigado pai. Você realmente me animou agora! – Alvo disse, e os demais riram.


- De nada filho! – Harry sorriu – Bom, então é isso pessoal. Até mais, bons exames e vejo vocês na formatura!


Uma salva de palmas invadiu todo salão, como costumava ser todas as vezes que os professores terminavam as aulas.


Naquele momento, Vincent e Scorpius trocaram um olhar cúmplice e, aproveitando que todos ainda estavam presentes, se colocaram de pé e correram para o meio do Salão, a fim de chamarem a atenção.


- Pessoal, só um minuto. – Scorpius pediu em voz alta, mas as pessoas estavam tão empolgadas com a aula, que mal o ouviram.


- Cara, você é muito ruim pra atrair atenção viu?! – Vincent comentou.


- Ah eu sou? Faz melhor então!


- Deixa comigo! – Vincent sorriu e então encarou a multidão – AÊ POVÃO, SERÁ QUE DÁ PRA FAZER UM MINUTO DE SILÊNCIO? NÓS DOIS QUEREMOS FALAR ALGO DE SUMA IMPORTÂNCIA E TODA ESSA GRITARIA ESTÁ IMPEDINDO QUE NOSSAS VOZES LINDAS SEJAM OUVIDAS!


Foi só depois do grito de Vincent, que os demais se calaram e se viraram para encará-los.


- O que esses dois malucos pensam que estão fazendo? – Rose cochichou para Sophie.


- Não sei, mas seja lá o que for, vamos descobrir agora!
 
Enquanto todos observavam os amigos com expressões curiosas, Vincent e Scorpius pareciam travar uma batalha interna para decidirem como começariam a falar. Nenhum dos dois tinha calculado que um discurso em frente a toda escola, era mais difícil do que pensavam.


- Certo, a idéia foi sua, gênio! Agora vai lá! – Vincent disse, empurrando levemente o amigo pelo ombro.


Scorpius o amaldiçoou mentalmente, e então respirou fundo. Não adiantava mais adiar e se ele dissesse que o pedido de atenção fora brincadeira, todos os chamariam de idiota.


- Er... – Scorpius pigarreou – Desculpem-me por isso, mas eu realmente preciso da atenção de todos vocês. – ele disse e então se virou para encarar Rose, que já o observava com os olhos arregalados de curiosidade. – Sabe Rose, eu nunca te disse isso, mas uma das coisas que mais me atraíram em você foram seus olhos azuis... Mas não um simples azul, é claro. Não aquele tipo de azul comum, sem graça... Seus olhos são azuis vivos, perfeitos, como nunca vi em outra pessoa... Seus olhos sempre foram pra mim a coisa mais linda em você.


“Seus olhos são muito expressivos, sabia? Uma emoção nova e você ganha um brilho diferente no olhar... E eu reparei isso ainda criança, acredita? Reparei em como seus olhos sempre falavam enquanto seus lábios permaneciam em silêncio.”


Todo o salão parecia ter prendido a respiração, diante da declaração de Scorpius.


Num canto separado, Hermione e Astoria lutavam para controlar as lágrimas, enquanto Gina exibia um grande sorriso; Draco, Rony e Harry apenas ouviam tudo admirados. Cada um deles revivendo o momento em que se declararam para suas amadas.


Rose encarava Scorpius sem fala. Ela não estava entendendo o que acontecia, mas também não tinha forças para interrompê-lo.


- O brilho do seu olhar, sempre me transmitiu força, paz... Tudo pode estar ruim, mas quando olho pra você, quando me permito mergulhar dentro dos seus olhos, vejo tudo diferente. – Scorpius caminhou lentamente em direção a ruiva – Enxergar o mundo através de seus olhos sempre foi mais claro, mais fácil, mais puro... E perder isso me levou a loucura.


“Não poder enxergar através dos seus olhos me deixou perdido. Era como se estivesse com os meus olhos vendados e tentasse perceber as coisas. Tudo, absolutamente tudo perdeu a graça, a cor, o brilho... E então eu percebi que não consigo. Eu não sou ninguém quando não estou com você. Eu não sou nada!”


Rose já não conseguia conter as lágrimas que se formavam em seus olhos e chorava, sem nenhuma vergonha, de surpresa e de emoção. Embora estivesse vendo e ouvindo Scorpius perfeitamente, não conseguia acreditar que ele estivesse em frente à escola inteira, lhe dizendo aquelas coisas.


Com um sorriso no rosto, Scorpius deu mais alguns passos em direção a Rose, parando bem em frente a ela. Finalmente chegara a hora do pedido.


- Rose Weasley, eu te amo. E não importa quanto tempo passe, eu sempre vou te amar. Nunca houve e nunca haverá ninguém capaz de mudar o que eu sinto, porque minha vida está ligada a você, desde que a vi pela primeira vez. – ele respirou fundo e sorriu mais uma vez para a menina, que o observava praticamente hipnotizada – Bom, é por tudo isso que sinto que eu venho até você, diante toda escola, perguntar mais uma se você aceita se casar comigo?


O silêncio que se seguiu deixava claro o choque e a emoção de todos os presentes. A única coisa que era possível se ouvir eram os soluços de Hermione, Astoria e também Gina, que não se conteve.


Rose, sem saber muito bem se estava ou não sonhando, se levantou e deu alguns passos em direção a Scorpius, que ainda a encarava com um grande sorriso.


Sem dizer nada, ela simplesmente o abraçou forte, para ter certeza de que ele estava ali e depois se afastou um pouco, para olhar em seus olhos.


Foi só quando se viu perdida naquelas íris acinzentada que teve a certeza de que era real. De que tudo estava realmente acontecendo, que Scorpius estava mesmo ali, diante de todos a pedindo em casamento novamente.


- Sim! – Rose respondeu com a voz abafada pelo choro – Sim, sim, sim!


Scorpius sorriu e retirou de dentro do bolso da capa a mesma caixa de veludo, que Rose vira em seu aniversário de 17 anos. Dentro, o mesmo anel de diamantes estava guardado... E ela que pensava que ele havia dado um fim naquela jóia.


- Acho que você pode voltar a usar isso! – Scorpius brincou enquanto colocava o anel no dedo de Rose – Na verdade, você nunca deveria ter tirado.


- Eu também acho! – Rose concordou – Eu amo você! – ela disse com um sorriso no rosto.


- Eu também te amo! – e sem dizer mais nada, Scorpius a beijou com paixão.


Finalmente os dois estavam juntos de novo. Finalmente Rose assumira o compromisso de ser sua para sempre e ele jamais permitiria que alguém se intrometesse em suas vidas. O tempo que estiveram separados fora suficiente para que ele entendesse que os dois nasceram pra ficar juntos, não importava as dificuldades.


O salão que antes estava em silêncio, de repente explodiu em palmas e gritos de felicidade.


- Tá bom, tá bom, tá bom! – Vincent interrompeu o momento dos dois, sem a menor vergonha – Agora que o senhor Sedução se declarou e roubou todo romantismo da cena, me deixe tentar salvar meu discurso também ok?!


Scorpius e Rose se separaram e riram do amigo.


- Vai com fé, Vincent! – Scorpius disse e caminhou de mãos dadas com Rose para onde seus pais estavam.


Vincent lançou um rápido olhar pros demais e então pigarreou, tomando coragem pra falar.


- Tá legal, eu poderia vir aqui e fazer um lindo discurso sobre os belíssimos olhos verdes da minha loira, mas não soaria original, já que nosso querido Capitão Loiro e Sonserino, emocionou todos com tal idéia! – Vincent brincou, arrancando risadas dos demais – Mas, obviamente eu sou uma pessoa criativa também, então peguem os lencinhos floridos para enxugar as lágrimas ok?!


Todos riram, enquanto Vincent se virava pra encarar Sophie.


- Eu devo ser a única pessoa desse salão que tenho o privilégio de dizer que conheço o amor da minha vida desde que nasci, sabia? – Vincent começou, sem desviar o olhar do rosto de Sophie – São dezessete anos que convivo com você... Passamos todas as fases malucas da infância e da adolescência juntos, o que é realmente incrível. Eu lembro que comentava com Scorpius que você era a única menina do mundo que me intimidava. – Vincent riu com a própria lembrança.


“Mas também, quem não se intimidaria com uma pessoa tão forte e determinada? Você sempre esteve tão certa de tudo; sempre soube o que falar; nunca se importou em enfrentar qualquer pessoa pra defender o que acredita... Você sempre foi única e foi exatamente por isso que me apaixonei por você.”


Sophie sentia os olhos arderem, mas como sempre, tentava impedir que as lágrimas caíssem. Ela nunca gostou de chorar, ainda mais na frente de tantas pessoas.


- E foi tão de repente... Eu lembro até hoje quando notei que não podia mais viver sem você. Estávamos passando as férias na fazenda do tio Draco, antes de voltarmos pro nosso 4º ano na escola. Eu tinha acabado de descer pro café e você estava do lado de fora da casa, sentada no gramado, nos esperando. O sol batia no seu cabelo, deixando ainda mais claro e seus olhos verdes tinham um brilho tão natural, que eu nunca havia visto antes... Sem nem mesmo prever isso, eu me peguei pensando em como seria ter uma vida com você e a visão do nosso futuro foi tão perfeita, que eu realmente quis você! E então, percebi que estava apaixonado.


Vincent caminhou até Sophie, parando alguns passos de distância, para que pudesse encará-la melhor. Assim como ele, ela sorria e agora algumas finas lágrimas escorriam por seu rosto.


- Na verdade, eu acho que sempre estive apaixonado por você, mas como eu disse uma vez, aos oito anos de idade não pensamos em casamento ou coisas parecidas, então eu só fui perceber isso mais tarde. – Vincent zombou e então sua expressão ficou séria e decidida.


“Eu posso não ser o cara mais sério do mundo, também posso não ser o mais simpático e gentil. Sei que sempre vou ser irônico e algumas vezes insensível, defeitos que eu creio estarem presentes em todos os Sonserinos... Sei que algumas vezes eu vou perder a cabeça e em outras vou acabar fazendo você perder a cabeça e se descabelar... Mas, eu quero que saiba que apesar de tudo isso, o amor que sinto por você é maior. Eu te amo com todas as forças e não quero passar um segundo longe de você... Quando está longe a vida perde a graça pra mim. O mundo perde a forma e eu perco minha força.”


Vincent fez uma pausa e respirou fundo, tomando coragem pro que viria a seguir.


- Quando não estou com você não sou ninguém. Eu não consigo ser espontâneo ou engraçado. Eu não consigo ser forte para enfrentar nada... Eu realmente me torno um covarde e imbecil, porque quando não estou com você, nada faz sentido! E, se não há sentido, pra que eu insistir? – Vincent sorriu e então pigarreou mais uma vez – Eu lembro quando te pedi isso pela primeira vez. Você feriu meu orgulho perguntando qual era a brincadeira – ele se fingiu de ofendido – Mas, tudo bem! Eu superei aquele trauma e mais uma vez estou aqui, em frente a toda essa gente curiosa, cujos olhos faltam pouco saltarem as órbitas, para perguntar se você, Sophie Charlotte Horowitz, aceita se casar comigo de novo? E antes que pergunte, eu estou falando sério.


Sophie riu e se colocou de pé, caminhando em direção a Vincent, que sorria abertamente.


- Vincent Brandon Williams, é a segunda vez que me faz chorar. Eu deveria te bater por isso, sabia? – ela brincou.


- Loira, loira, loira, vamos deixar as agressões físicas para depois ok?! Seria vergonhoso apanhar em público! – Vincent disse com um sorriso – Agora, por favor, quer parar de tentar me matar de ansiedade e me responder.


- Ah sim, você perguntou se eu aceito me casar com você, né?! – Sophie perguntou – Acho que isso responde a sua pergunta.


Sophie se colocou na ponta dos pés e jogou seus braços em volta do pescoço de Vincent, para beijá-lo.


Mais uma vez o salão se encheu de palmas e gritos, e os dois não se incomodaram nem um pouco com a platéia.


- Ah, e só pra não ter dúvidas, a resposta é SIM! – Sophie disse em voz alta, assim que eles se separaram.


Vincent sorriu aliviado e colocou o anel no dedo da jovem.


Agora, definitivamente, as coisas estavam como deveriam ser. O sofrimento – pelo menos dos que não mereciam – havia acabado.


 


 



***


 



Bom dia, Hogwarts!


Como sempre, vocês sentiram minha falta. Eu sei! Aliás, eu sei de tudo, é claro.


É impressionante como as coisas andam calmas, não acham? Vilões sendo desmascarados... Mocinhos voltando à ativa. Fico absolutamente chocada ao perceber que a frase “No fim, tudo dá certo!” é real.


É por isso que dizem que a roda da sorte sempre gira, não é? Um dia da caça, outro do caçador... Enfim, esses ditados, apesar de idiotas sempre fazem algum sentido, no final das contas.


Ai, ai... É tão interessante perceber que agora que a ordem foi re-estabelecida, tudo parece passar tão rápido. Os exames finais estão chegando, os NOMs e os NIEMs também... Uma loucura! E, obviamente só estamos percebendo isso, porque é a primeira vez nesse ano, que não estamos voltados para a vida alheia e sim para nossa própria.


Admitam! É bom de vez em quando cuidarmos dos nossos próprios narizes e deixarmos as pessoas que, supostamente, são os mais populares de lado.


Enfim, o texto de hoje, como já perceberam, não é para fofocar sobre nada. É apenas para lhes desejar boa sorte nos exames! Ah, por favor, pode parecer que não, mas de vez em quando sou amável ok?!


Estudem, queridinhos!


Até mais.


XoXo,


Garota Misteriosa.


 


 


A Garota misteriosa sorriu para si mesma, quando terminou de escrever. Aquele textinho era tão miserável, que ela achou graça.


Ela já conseguia imaginar as expressões desgostosas dos seus leitores fiéis. Provavelmente ficariam revoltados e mandariam mensagens para ela, dizendo que o jornal perdeu o nível e que se estivesse interessada, lhes mandariam novas notícias.


É claro também que ela sabia que eles fariam isso secretamente, pois precisavam aparentar para os demais que estavam satisfeitos por não lerem mais fofocas.


Tão falsos! Somente a Garota Misteriosa sabia quem era hipócrita o suficiente para mentir ou quem estava sendo sincero.


- Ah, é claro! – ela disse para si mesma – Eu aqui pensando na sinceridade alheia e esquecendo a minha.


Ela revirou os olhos, pegando novamente o pergaminho e a pena. Precisava mandar uma última mensagem.


 



Olá, meus admiráveis Escolhidos!


Sim, eu sei, vocês provavelmente pensaram que o lance de revelar quem eu era, não passava de uma mentira.


Mas, meus caros, ao contrário de muitos que convivem diariamente com vocês, eu cumpro com minha palavra.


O último exame acontecerá dentro de duas semanas. Me esperem depois do jantar, na Torre de Astronomia e, por favor, não levem platéia.


Segredos como esse precisam ser guardados...


Os vejo – literalmente – em breve.


XoXo,


Garota Misteriosa.


  


Sorrindo, a garota guardou descansou a pena e o pergaminho no próprio colo.


- É isso aí, Mysterious Girl! Seu segredo vai ser finalmente revelado.


 


 


 


 


 



~~


 


 


 


 


N/A: BOA NOITE, PESSOAL!


Como vocês estão?


Finalmente consegui terminar. Também, depois de um dia inteiro em frente ao pc, era de se esperar que eu terminasse, não?! Kkkkkkkkkkkk


Bom, como eu já expliquei os motivos da minha ausência, essa nota não vai ser muito grande.


Titia Mily está cansada pra escrever algo decente, por favor, relevem kkkkkkkkkkkkk


Espero que tenham gostado do capítulo. Finalmente estamos chegando ao fim.


O próximo será o penúltimo da história, portanto, se preparem!


Eu vou indo nessa agora, ok?! Desculpem pela notinha sem graça, mas a fome tá falando mais alto e a autora vai lanchar agora kkkkkkkkkkkkk


AMOOOOOOOOO TODAS VOCÊS *-*


COMENTEM OK?!


XoXo,


Mily.


 

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