Lembranças...



Encostou as costas na fria parede da cozinha, enquanto observava o soar dos pássaros afora da janela e distraidamente, levava uma garrafa de água mineral na boca.




Ainda parecia estar crente de que tudo aquilo que acontecera ontem fora apenas um sonho. Ruim... Em fato excitante, mas, ruim demais.




Passou a mão vagarosamente pelos cabelos negros e por incrível, mais bagunçados, enquanto tentava ao máximo livrar os pensamentos que desde que a vira, ficaram presos nela.




Olhares penetrantes, pele macia e meu Deus! Que corpo aquela ruiva havia conseguido. Mostrava-se delicado e frágil, mas esbanjava uma sensualidade que nunca havia visto em outra mulher.




Suspirou. Estava ficando vulnerável com relação a isso, concluiu aborrecido, colocando a garrafa em cima da pia e agarrando um pãozinho fresco que havia pegado pela manhã numa padaria trouxa na esquina.




Colocou uma boa parte na boca, mastigando lentamente enquanto se deixava perder em pensamentos. Cinco dias seriam o suficiente para que endoidasse de vez.




_Bom dia.




Sentiu-se mais aborrecido ao sentir que estava tendo a maior dificuldade do mundo para engolir aquele pedaço de pão, que parecia ter entalado na garganta e não sairia tão cedo dali, ou pelo menos, até que aquela ruiva parasse de mostrar um pequeno sorriso sonolento, mas ao mesmo tempo, doce.




Teve de dar duas tossidas para não morrer asfixiado, e ainda sim responder numa voz rouca pronta para tossir novamente:




_Bom dia.




Ainda estava com roupas de dormir, assim como ele. Uma camiseta vermelha que lhe cobria até um pouco acima do joelho, e os cabelos presos em um rabo de cavalo malfeito, aonde deixava algumas mechas de seu cabelo ruivo e vivo caírem graciosamente em seu rosto delicado.




Ela sentou-se em numa cadeira em frente à bancada da cozinha, enquanto sonolentamente pegava um pãozinho e começava a passar manteiga.




Estava tentando se parecer calma.




Havia se esquecido completamente de sua raiva para com ele, dando entrada para a afobação ao entrar na cozinha e se deparar com ele sem camisa, completamente distraído e comendo um pãozinho.




Harry Potter podia ser o homem menos preocupado com aparência no mundo, mas mesmo assim, dava um toque febril a qualquer mulher que o conhecesse, com certeza.




Chacoalhou a cabeça, seguido de um esfregão nas vistas para fingir que estava tentando acordar. Ela o odiava, e iria continuar assim por todo aquele tempo, como sempre havia sido após aquela briga! E ninguém iria mudar.




Sentiu uma imensa vontade de vomitar quando o loiro avançou contra ela, prensando seus lábios frios contra os dela.


Tentou levantar uma das mãos e virar-lhe um belo soco na cara, mas notara que ele a prendera por completo, segurando-a pelos ombros.


Queria gritar e sair correndo dali, mas a única coisa que aconteceu fora sentir a língua daquela serpente percorrer cheia de vontade pela sua boca, desfrutando-se.


Sua cabeça rodava e a cada momento seus enjôos eram maiores.


Quando finalmente conseguiu afastar-se, já ia dizer um palavrão, mas nunca chegara acontecer ao ouvir o som distante de palmas.


Harry estava parado a poucos metros deles, batendo palmas lentas e que a cada momento soavam como águas que batiam cruelmente sobre as rochas.


_Pena que cheguei tão atrasado assim para o show de vocês. – Ela sentiu o som distante da voz dele soar em seus ouvidos como uma cantiga triste. Um som irônico e aos poucos ia se tornando cruel. – Queria ter visto os dias anteriores.


Ela não estava acreditando no que estava ouvindo. Aquilo parecia soar como algo que ela o havia...


Traído.





Fechou os olhos, levando a mão a uma têmpora que, instantaneamente começou a massageá-la. As lembranças a incomodavam a cada momento do dia, noite, em qualquer hora, mas desde que botara os pés dentro daquela casa, elas mostravam as que mais lhe machucavam e as que conseguiam fazê-la se encolher, como uma criança indefesa.




O que soava irônico. Uma das melhores aurores da França, que nada demonstrava em um momento de luta, de captura, se encolhia em noites noturnas com medo de meros desfechos passados.




Suspirou. Diria a Lowdarsky que, após sair de Londres precisaria de longas e relaxantes férias, nada comparado a ultima que tentara lhe dar, por que ela teve que trabalhar as férias inteiras em um caso que nem era sua especificação.




Engoliu o ultimo pedaço do pão que havia pegado. Foi então que notou que o moreno estava parado diante dela, com os pensamentos perdidos, observando-a.




O grande idiota, Gina pensou. O que ele queria agora, acabar com o pouco de orgulho que ela havia conseguido longe dele? Ou queria que ela se acabasse por desculpas na frente dele, por algo que pior, ela não havia feito.




_Algum problema, Potter? – disse em voz alta, mastigado em letras irônicas.
Ele a encarou por mais alguns segundos, chacoalhando a cabeça.




_Ãh? Não, não há nenhum problema.




Ela notou que ele parecia desconcertado. Suspirou, levantando-se e decidindo que já o tinha visto demais para somente um dia.




_Eu vou aparatando, então, vou subir e me arrumar. Pretende ir como?




Aquela ultima pergunta saiu por impulso, por que ela iria dizer sem rodeios algum e, o que fizera fora o contrário. Perguntou para que continuassem um dialogo.
Droga.




_Acho que vou de carro. - Ele a encarou, dando os ombros. – Gosto do movimento trouxa de manhã.




Ela girou nos calcanhares, se dirigindo a porta. Estava encabulada, sem muita vontade de falar e se sentia normal perante Harry. Isso significava que ela devia estar com sono... Muito sono, concluiu, quando derrapou o ultimo degrau da escada e murmurou um palavrão.




Deus, tudo o que havia acontecido todo esse tempo, ela não havia aprendido quando ele havia dito todas aquelas coisas horríveis? Ela não havia aprendido quando pelo menos havia sumido de Londres por causa dele?




Empurrou a porta ao entrar no quarto, observando a cama ainda desarrumada. Soltou o cabelo do rabo de cavalo mal feito e ficou estática, encarando o local.




Teve vontade de chutar alguma coisa quando pensamentos voltavam a invadir sua mente, mesmo que, ela estava à beira de um ataque. O grande idiota não a deixava em paz nem quando estava sozinha?




Pegou a varinha em cima do criado mudo e a observou por um tempo. Estava gasta e um pouco arranhada graças aos bons momentos juntos com a dona em variados tipos de casos.




_Arrumar camas. – agitou a varinha num gesto displicente, enquanto dizia numa voz tediosa e, irritada. – Droga! – falou em um tom sério quando a almofada corria pelo ar em direção ao armário e, distraidamente foi de total encontro a seu rosto.
Jogou a almofada contra o armário aberto, fazendo as portas rangerem e se fecharem depressa, enquanto a cama agora parecia impecavelmente arrumada perante a dona. Assim era melhor.




Soltou um leve sorriso, enquanto começava a procurar uma escova entre a mala de viagens que Cecília havia pegado para ela uma semana antes de ser pega como traidora entre os comensais. Lembrava-se perfeitamente de como a morena havia ficado quando ela vira Rony. Só não se jogou para cima dele por ser membro de uma família respeitada na França – e também por que seu irmão, Ivon Lowdarsky, ia matá-la com toda a certeza. -, e, não seria bonito sair nos jornais franceses de como ela havia se parecido como um voyeur – e isso não era nada bom. -.




Achou finalmente a escova, que havia sido empurrada para o fundo do malão e, distraidamente começou a escovar os cabelos ruivos que lhe caiam pouco abaixo do busto firme.




Tentou se manter calma quando a imagem de uma noite de Natal lê invadiu a cabeça, a corroendo de desejar novamente uma segunda vez.




Chacoalhou a cabeça. Ora, desejar era algo saudável para o ser humano. Além de estimular criatividade e relembrar fatos, fazia muito bem à saúde, não devia com que se preocupar. Devia realmente se preocupar caso ela quisesse fazer o desejo se tornar realidade.




Começou a retirar a camiseta que usara para dormir, enquanto começava finalmente a se arrumar para ir ao Ministério começar seu trabalho.




Aquele dia seria muito exaustivo.





***


Quando Harry chegou, desabotoou a gola da camisa e jogou o terno preto em cima da sua cadeira onde muitas vezes, passava a noite trabalhando nela e checando inúmeros papeis sobre homicídios e cada passo dado pelos comensais da morte e simplesmente de, Voldemort.




Soltou um suspiro, arrumando os óculos no rosto. O local até mesmo cedo já estava uma correria.




Pessoas correndo de um lado para o outro. Chefes discutindo. Presos sendo interrogados. Gritarias eufóricas e expulsões de pessoas do profeta diário sobre a morte de dois comensais na noite anterior.




Ele poderia jurar que o local todo estava uma completa zona, se não fosse por uma ruiva aonde encostada no parapeito da janela com os braços cruzados, observava calmamente a paisagem por fora.




As jeans rasgadas nos joelhos, de forma despojada, enquanto os cabelos ruivos brilhavam intensamente sobre os ombros, cobertos por uma blusa verde escura de alças grossas, mas tipicamente usada naquele tempo, primavera.




Chamá-la-ia de anjo ao distinguir o sorriso nos lábios cereja e no brilho dos olhos, se não fosse o fato de estar com o coldre na cintura e juntamente dele, um revólver prateado que ofuscava contra o sol, às vezes. Dessa forma ela não parecia mais um anjo, de aspecto indefeso e que precisava de alguém para aninhá-la junto, mas sim uma predadora perigosa e bela, que apenas observava o local distraidamente e recolhia de cada pequeno gesto, inúmeros cálculos feitos por somente ela.




Suspirou baixinho, deixando escapar um sorriso entre os lábios. Aquela ruiva mudara tanto desde o ultimo dia que a vira, há oito anos atrás. Não somente na aparência, mas seu modo de agir, de se vestir, de pensar. Antes era espontânea e ingênua.




Hoje ele tinha certeza que pelo pouco que vira dela, ela sabia dos horrores que a vida presenciava e, agia somente quando tinha a certeza do que iria fazer. E sabia fazer muito bem, concluiu ao lembrar do estado que Bellatrix havia ficado.




Colocou as mãos nos bolsos da calça, enquanto observava a mulher silenciosamente. Imaginava quais seriam as lembranças que ela guardava para si, quantas mortes presenciadas e quantas vezes, de fato, seus sentimentos para ter matado alguém.




Ele podia somente dizer que sabia pouco, pois já tivera que matar alguém uma vez. E fora uma das experiências mais traumatizantes que passara em toda sua vida. Ou ele matava... Ou morria.




Passou a mão pelo rosto vagarosamente. Aquilo era lembrança da qual ele trancava a sete chaves e recusava-se abrir para absolutamente nada. Era assim quando se tratava em apagar todos os bons momentos com ela. Mesmo que, muitas vezes isso saia em vão.




_Vai ficar quanto tempo parado me observando com essa cara de lunático? –Ele deu um sobressalto ao ouvir a voz entediada dela para com ele. Achava que ela não havia notado sua presença, mas, havia se enganado.




Teve vontade de dar um tapa em sua cabeça e ver se os neurônios ainda continuavam a trabalhar. Ela havia mudado, e, se ele havia ficado tanto tempo assim, era óbvio que ela notaria. Até o ser mais tapado do mundo notaria.




_Não estou te observando. –deu os ombros, fazendo-a se virar da janela e encara-lo com as mãos na cintura e um sorriso sarcástico nos lábios.




_Claro, claro, esteve somente parado por dez minutos como um idiota com os olhos fixos em mim, mas você não estava me observando. –desdenhou, fazendo-o fechar a cara. – Estava esperando você.




Aquilo o havia pegado de surpresa.




_Para que?




_Duarte e Lowdarsky querem falar conosco, e pediram-me para esperar por você na sua sala. – deu os ombros, não resistindo a soltar uma frase desdenhosa. –Desculpe se isso o deixou triste, mas você sabe que é não é meu fetiche correr atrás de idiotas.




Ela soltou um sorriso ao vê-lo fechar ainda mais a cara e observa-la caminhar até a porta entreaberta.




_Não era o que pensava há oito anos atrás não? – ele murmurou em um tom audível, fazendo-a somente soltar um sorriso sarcástico e dizer calmamente:




_Claro, Potter... Era por isso que eu namorava você.





***


Eram traços horripilantes. Marcas que fecharam contra seu peito, sabendo que nunca esqueceria o que estava presenciando.


Sabia que se não fosse treinada o suficiente para esconder seus medos e desejos, ela já teria soltado um grito de pavor ao ver tamanha crueldade.


Eram corpos. Corpos massacrados e mutilados como animais, sem nenhuma piedade.


Corpos de todos que haviam se colocado contra o Lorde das Trevas, corpos de não somente adultos, mas como de crianças e idosos, que morreram sem uma chance de duelo ou opção.


Amontoados e massacrados, era assim que os comensais deixavam seus inimigos e traidores de sua raça.



_Bom presenciar sempre meus inimigos assim. – A voz gélida corria em suas artérias, obrigando-a a tremer perante Voldemort. Mas não podia, não fora assim que ela ganhara a confiança dele.


O lugar cheirava fortemente a excremento humano, o que dava náuseas.


Voldemort tinha os olhos brilhando perante toda a maldade presente, girando a varinha entre os dedos finos.


_Com toda a certeza, mi lorde. – murmurou num tom frio, observando em uma forma calculista o numero de corpos ali. Mais de vinte, talvez vinte e oito, concluiu.


_Fico satisfeito de ter somente recolhido os melhores comensais para mim. E que em breve, destruiremos cada centímetro construído pelos amantes dos trouxas. E matarei todos em maior sangue frio. Especialmente meus traidores. –pensou que seu coração pararia ao vê-lo encara-la com aqueles olhos vermelhos como de uma serpente. – Acho bom que nunca me traia, Mirrelys, pois você é meu braço direito, e se me trair, você morrerá; De uma forma que nem mesmo os monstros noturnos teriam compaixão de você.






Sentiu-se obrigada a esfregar a mãos entre os braços enquanto cruzava os próprios, numa tentativa de se acalmar. Aquilo a deixara arrepiada com toda a certeza, lhe dera medo principalmente.




Estava ela e Harry caminhando silenciosamente até a sala de Duarte, aonde de lá se conseguia ouvir os gritos de fúria de Lowdarsky com Cecília, a morena de olhos verdes e sua irmã, mas perante toda aquela gritaria e correria no setor, eles eram os únicos a ficar somente em silencio, ambos, perdidos em pensamentos passados.




Ele arriscou observa-la uma vez, de canto de olho.




Estava de cabeça baixa, aturdida e com o olhar distante. Tentou dizer alguma coisa, nem que fosse para irritá-la, mas sua garganta havia ficado completamente seca.





Sentia aquilo como um trunfo. Observaria de perto aquela traidora descer as escadas da Toca e ir embora daquele lugar.
Iria embora de sua vida. Para sempre.


A Sra. Weasley derrubava inúmeras lágrimas a todo o minuto, se abraçando ao Sr. Weasley, que ainda mantinha uma fisionomia incrédula.


Fred e Jorge não falavam com ele a uma semana, dizendo que a culpa de sua irmã ir embora era somente dele, e Rony aplicara-lhe um belo soco na cara quando ele disse que não se importava se ela iria ou não.


Mas estava ali. Iria vê-la ir embora e desaparecer de sua vida. Ia se sentir finalmente livre, finalmente iria se sentir normal como antes.






Chacoalhou a cabeça com força ao ouvir um som em que lembrava uma suplica. Virou o rosto automaticamente em direção a ruiva, num gesto protetor. Estava certo que se tratava com ela. A observou respirar com dificuldade e ficar com os olhos fechados.




Estava sendo tudo automático. Passou o braço em torno dos ombros dela e murmurou numa voz preocupada:




_Não está passando bem?




Ela abriu os olhos, se desvencilhando do conforto dele. Era tudo de que menos precisava naquele momento, não depois do que lembrara. De como a haviam torturado com aquelas palavras, tapas, gestos e manipulações antes de tentarem afogá-la.




_Estou ótima.




Ele sabia que ela estava mentindo. Podia ter mudado, mas ainda não podia negar que a conhecia quando estava mal. Podia odiá-la com todas as forças, mas não se negaria a ajudá-la caso precisasse de ajuda.




_Está mentindo.




Sentiu vontade de chutar o galão de água próximo a eles quando seu coração se fez em um nó ao vê-la com os olhos marejados, mas naquela pose firme. Por que diabos ele queria abraçá-la, aninha-la?




_Não importa se eu estou ou não. –disse em meio a um soluço, onde se xingou mentalmente por aquilo.- Simplesmente não é da sua conta. Vá entrando na sala, eu já venho.




Ela começou a se afastar, quando sentiu algo pressionar contra seu pulso. Ele estava segurando-a.




_Ou você me conta o que está acontecendo, ou você entra comigo. –murmurou decidido.




Ela parou, observando-o. Respirava calmamente e demonstrava-se relaxado. Fechou os olhos, impedindo que as lágrimas voltassem a embargar sua visão.



Suspirou fundo e engoliu o choro. Estava se sentindo patética quando o observou, deixando uma onda de raiva se apossar.




_Então vamos entrar nessa droga logo, Potter, por que eu não vou lhe contar nada. – enfatizou. - Você não é nada meu. –finalizou, entrando na sala sem esperá-lo.




Ele ficou paralisado perto da porta, observando tudo aquilo e demorando a absorver tudo o que havia feito.




_Burro! –xingou-se baixinho, entrando na sala após alguns segundos.






***




_Muito bem, eles já chegaram. Vou ficar felicíssima se a Gina se enfurecer e lhe jogar um Avada Kedavra. – Cecília dizia em um alto som, enquanto se encostava com os braços cruzados na parede e encarava o irmão.




_Continue sonhando então, irmã. – murmurou desdenhoso, enquanto a morena soltava uma risada.




_Certo, ela pode não matar, mas tranque a porta do seu quarto a noite, pois quem pode te matar sou eu.- exclamou perigosa, jogando os fios para longe das vistas.




_Cale a boca, Cecília.




Harry teve de pigarrear para que pudessem prestar atenção nos dois. Cecília parou de encarar o irmão, dirigindo o olhar da ruiva ao moreno.




_Gina, eu juro. Eu tentei. – suspirou, olhando a ruiva e passando a mão nervosamente pelos cabelos, enquanto se dirigia a porta. – Mas ele é idiota demais achando que deve te colocar nesse caso junto com o Potter. – os dois encaram Lowdarsky furiosos. – Então, divirtam-se. - finalizou com uma incrível pitada de ironia, fechando a porta atrás de si.




O local ficou em completo silencio. Lowdarsky observava o casal de aurores o encararem furiosos enquanto Duarte não movia um músculo sequer de seu corpo, lendo um papel velho e meio amassado. Depois, amassou-o e jogou no lixo ao lado de sua escrivaninha.




_Devia ensinar modos a sua irmã, Ivon. –comentou Duarte, enquanto retirava os óculos de aro fino do rosto redondo. – Ela pode ser muito boa como auror mesmo tendo só vinte anos, mas ainda tem que aprender que você é superior dela, mesmo sendo irmão.




_Ela tem essa maniazinha de se achar a rebelde. –disse, dando os ombros. – Um dia ela vai bater a cara por causa disso.




Gina bufou, cruzando os braços. Iria falar com eles ou insultar sua melhor amiga?




_Se me dão licença, mas isso seria uma reunião entre vocês contra Cecília, ou uma reunião em que queriam que eu e o Potter estivéssemos presentes?




Os chefes pareceram meio encabulados com a irritação da ruiva, observando um moreno que afirmava com a cabeça a favor dela.




_Desculpem. – murmurou Duarte. – Mas, certo era sobre vocês que queríamos falar. Sentem-se, por favor.




Não opinaram contra. Ela sentou-se largada na cadeira, passando a mão vagarosamente pelas madeixas ruivas que iam de encontro ao semblante alvo, enquanto ele girava a cadeira, sentando-se nela de forma contraria e apoiando os braços no encosto da cadeira e observando Duarte com uma expressão firme no rosto.




_Certo. - começou Harry. – Digam.




_Como você sabe Potter, estou com a agenda completamente lotada. –começou Duarte, enquanto Lowdarsky procurava uma cadeira para se sentar. – Comensais da morte, interrogatórios, viagens comerciais, entre outras coisas. –pigarreou. – Eu já havia lhe dito desde semana passada que precisaria de você já que é o melhor do setor. – Harry deixou escapar um sorriso com uma pequena ponta de orgulho ao ouvir aquilo. – Mas...




_Mas...?




_Estava conversando com Ivon, e ele me disse que ao invés de um auror, dois seriam completamente úteis nos interrogatórios e na abertura da nova sede nos Estados Unidos. Então lembrei que Ivon me devia um favor e...




_E? – indagaram dessa vez, Harry e Gina juntos.




Por Deus. Ele NÃO podia de jeito nenhum dizer aquilo que os dois estavam pensando.




_Ele disse que deixaria Virginia aqui em Londres e eu a completaria como parceira do Potter.




Harry deixou o queixo cair enquanto Gina abria e fechava a boca inúmeras vezes.
Ele olhou para o lado em busca de algum socorro. Ela não emitia som algum.



Ótimo; Estavam ferrados.




_Então resolvi chamar os dois aqui para que ficassem conscientes de que vão começar trabalhar juntos agora. - completou sorridente.




Gina soltou um suspiro, agora olhando ameaçadoramente para Lowdarsky. Ótimo, ele não era mais seu chefe; Agora que ele não era mais, ela podia matá-lo sem dó nem piedade.




Desgraçado!




_Trabalhar... Juntos? –repetiu, como se fosse uma demente.




_Sim, vai ser ótimo uma parceria entre os dois! –ele vibrou, enquanto Lowdarsky dava sorrisos de concordância. – Os melhores aurores da França e de Londres trabalhando juntos. Vai ser perfeito!




_Vai sim. – ela carregou a ironia naquele momento, enquanto arrumava o coldre na sua cintura ao se levantar. Harry girava a varinha entre os dedos, ainda parecendo incrédulo.




Ele se levantou, coçando a nuca. Um sorriso incrível se iluminou em sua face ao lembrar de um detalhe.




_Certo, já que ela vai ter que ficar aqui, ela não precisa mais morar comigo por esses cinco dias. Vai ter de achar um lugar para ela.




Graças a Deus! Graças ao bom Deus, o Potter pensava! Estava livre! Estava livre!




_Não. Vamos continuar com o trato de cinco dias. –Lowdarsky soltou um suspiro, enquanto observava a ruiva e o moreno.




Agora sim ela sentia uma vontade imensa de matá-lo.






***



_Cinco dias ainda na casa do seu ex?Tenho que admitir Gin, você é uma mulher... De sorte.




_Continue rindo, Cecília. A culpa é do seu irmão idiota e estúpido!




_Ivon é um retardado, Gina. Cansei de me preocupar com ele... Apesar de que ultimamente ele tem se revelado estranho demais. - Gina colocou uma mecha ruiva atrás da orelha, ajeitando o celular. - Tem se mantido muito irritado, mais do que o normal. Ontem pensei que ele realmente me mataria se eu continuasse dizendo que ele era um estúpido por fazer você dormir na casa do seu ex, que, meu Deus, ele é muito gostoso!




Deixou-se soltar uma gostosa gargalhada diante da declaração da amiga.




_Certo, isso eu não posso negar que ele não seja. –declarou, meio a contragosto. - Mas eu vi a forma que você encarou meu irmão ontem.




_AQUELE RUIVOU? -Gina começou a gargalhar - Meu Deus Gina, como ele é gostoso!




_Você está parecendo uma adolescente, sabia?




_Quem se importa?! Estou sendo sincera ao dizer isso. Só Deus sabe como eu tive que me controlar para não ir para cima daquele ruivo ontem.




Estava encostada na porta do carro de Harry, com o celular em mãos e rindo na maioria das vezes. Não ligava muito para os homens que passavam por ela e lhe demonstravam olhares de desejo ao escorregar os olhos pelo seu corpo, que graças a vários treinamentos como auror, eram em traços delicados, torneados e perfeitos.




Arrumou a barra do jeans e jogou os cabelos que brilhavam sob o fim da tarde, aonde os raios vermelhos do céu pousavam sobre seus cabelos lisos.




_Acha que eu tenho alguma chance com seu irmão?




_Cecília, ele vai se casar...




_Merda.




Suspirou entediada quando observou o moreno começar a se aproximar, murmurando numa voz cansada:




_Acabou a festa, Lia, o Potter chegou, preciso desligar.




Ela tinha que admitir, pelo menos uma vez que, ele estava irresistível.




A camisa branca amassada, entreaberta e as mangas arregaçadas, deixando a mostra os músculos do braço. Os cabelos bagunçados e um jeito desleixado que o deixavam perfeito. Os olhos verdes brilhavam como duas esmeraldas, mas era um brilho em que ela sabia distinguir perfeitamente desde que tinha dezesseis. Era um brilho malicioso; Que ela amava quando antigamente, ele olhava assim para ela.
Ele acionou o alarme do Renault preto, finalmente encarando a ruiva, num sorriso maldoso.




_Perdeu o trauma de andar comigo, Virginia?




Ela sorriu sarcástica.




_Seria um ato cômico se eu tivesse trauma de alguém lerdo como uma tartaruga.




Ele arqueou uma sobrancelha, deixando seu rosto numa forma diabólica e perfeita.




_Não foi assim que você agiu ontem. Dava para ver suas unhas encravarem no banco do automóvel.




_Foi impressão sua. –mentiu.
Ele riu desdenhoso.




_Claro que foi impressão minha. – ironizou. – Vamos, ainda temos que nos arrumar.




Fora a vez de ela arquear a sobrancelha após abrir a porta do carro, sem entrar dentro.




_Se arrumar para o quê?




_Vai ter um jantar na casa dos seus pais em homenagem ao Rony e a Mione e seu casamento próximo.




Ela sorriu pela primeira vez, francamente. Entrou no carro ainda com ele preso a face, dizendo numa voz bem-humorada:




_Fico feliz que eles tenham se dado bem.




“Diferente de nós dois...” .




_Também fico. –Suspirou, controlando a ansiedade de provocá-la. – Afinal, são meus melhores amigos.




_É meu irmão. –rebateu, dando os ombros.




_Eu disse algo?




_Insinuou como se eu não me importasse. – cruzou os braços, começando a observar as árvores verdes e vivas que passavam pela estrada.




_Pense como quiser. –soou mal humorado.




Ele era realmente exasperante com aquele modo de mudar de humor com a velocidade da luz.




Ficaram em silencio boa parte do caminho, até chegarem à garagem da pequena casa branca de telhado impecável onde ele morava fazia já dois meses, finalmente se livrando do aluguel trouxa.




Esperou em silencio ele abrir a porta, e, após isso, subiu a escada em passos silenciosos e sem manifestação alguma.




Ele se jogou no sofá, enquanto começava a procurar o controle remoto para ligar a TV. Tinha que admitir, alguns artefatos trouxas eram úteis e ele acabara gostando e comprando para si.




Ligou a TV ao mesmo tempo em que no andar de cima o registro do chuveiro fora ligado, aonde uma ruiva deixava a água morna escorrer pelo corpo.




Fechou os olhos, sentindo as gotas molharem seu corpo, enquanto os pensamentos vinham em sua mente.




Passeou com a ponta dos dedos desde o ninho dos seios até a coxa, aonde nela havia uma pequena risca; uma cicatriz que havia marcado aquele dia.




Tanto essa como aquela que havia um pouco abaixo da orelha. Uma que demonstrava que havia sido feita com rancor e fúria. Muita fúria.




Deixou que as lágrimas livremente invadissem sua visão, enquanto algumas já começavam a escorrer pelo semblante já molhado pela água do chuveiro.




Segurou somente um soluço, ainda deslizando o indicador pela cicatriz na coxa. Estava fazendo o mesmo caminho em que aquelas mãos fizeram com tanto desejo, com tanto rancor e frieza, passando o indicador com delicadeza, como se aquelas feridas ainda estivessem abertas, como se ainda doesse.




Sabia perfeitamente que, cedo ou tarde eles viriam atrás dela e acabar com sua vida na mesma intensidade de maldade e no mesmo abuso. Aquele tom acusador que a machucara, a deixara sem proteção internamente, mesmo se mostrando a pessoa mais forte.




Fechou os olhos, engolindo em seco e levando as duas mãos a garganta, podendo sentir a mesma sensação que sentira quando duas mãos frias que escoaram em seu pescoço numa tentativa de estrangulá-la. Sentira medo, não por que poderia perder a vida, mas por, talvez souber que o que ela queria era somente poder dizer a um homem que ela nunca havia feito tal coisa no passado, mas, não conseguira.




_Deixe de besteiras. –choramingou baixinho consigo mesma. – Você sabe muito bem que o que teve ali fora medo de morrer, tirando toda a – engoliu em seco, lembrando do que ocorrera. – humilhação...




Fechou o registro do chuveiro, enrolando-se numa toalha amarela e fofa. Remexeu nos cabelos molhados, deixando alguns pingos esvoaçarem para o chão e abriu a porta do banheiro.




Parou de chofre quando a abriu, dando de cara com um moreno encostado na parede do corredor a observando com os braços cruzados na altura do peito nu.




Enrolou-se mais ainda de uma forma brusca na toalha e lançou-lhe um olhar fulminante.




_O que está fazendo aqui?




_Eu acho que moro aqui. – ironizou. – Eu estava subindo as escadas para ir ao banheiro do meu quarto, quando...




_Termine. –uma mecha ruiva grudou molhada em seu rosto alvo.




_Ouvi você chorar, e – estava encurralado. Teria que dizer. Droga! Era culpa do jeito como ela estava enrolada em uma toalha, e ele sabia muito bem que era somente com aquilo que estava. Mas também aquele cheiro de rosas que ela transmitia estava começando por deixá-lo embriagado. – Fiquei preocupado.




Só ela e Deus sabiam o quão grande era sua vontade de, por impulso, se jogar em cima daquele corpo, para que pudesse aninhá-la e dizer o que estava sentindo.



Todos os horrores que havia passado e que mesmo sabendo que ele a odiava, talvez até muito mais do que ela o detestava, dizer o quanto tinha medo de ficar longe dele.




Balançou a cabeça levemente, do modo que ele não reparasse. Não, estava confundindo amor com gratidão, isso. Era isso.




_Então não se preocupe. –disse, sentindo-se furiosa por metade dela estar inteiramente magoada por dizer aquilo e não fazer o contrário. –Estou ótima. - mentiu.




_Não sabia que as pessoas choravam quando estavam ótimas. –desdenhou.




_Eu não chorei.




_Ah não? –ela sacudiu a cabeça. –Certo, então vai dizer que eu tenho que acreditar no que você diz no que acreditar no que eu ouço?




_Acredite no que quiser Potter. Eu não costumo perder meu tempo explicando pra gente ignorante a verdade. –finalizou, dando ênfase ao final, quando afastou a mecha ainda grudada na face.




Pensou em dizer mais alguma coisa, como “Por isso que eu preferi me mudar a tentar convencer você que há oito anos estou completamente certa, seu babaca!”, mas a única coisa que fizera fora soltar um suspiro cansado e se dirigir em passos lentos para o quarto onde estava hospedada.




_Tem certeza de que não quer me contar?




_Já disse que não tem nada para te contar Potter. –resmungou, entrando no quarto e fechando-o a chave.




Encostou-se na porta, deixando a toalha escorregar lentamente do corpo macio e bater delicadamente de encontro ao chão, enquanto deixava fazer o mesmo com o corpo.




Sabia o que estava acontecendo e estava se sentindo a maior idiota por isso. Estava voltando a sentir algo, e o repudiava cada vez que ele perguntava como ele estava; O repudiava por estar preocupado.




Não devia voltar ao passado.




Oh Deus, ele a odiava e isto estava claro, apenas estava preocupado por que era um hospede, porque caso houvesse algo errado com ela, a culpa seria dele. Tinha que ser isso. Fora assim há oito anos, não havia motivo para mudar o rumo da historia. Era algo que ele assinara quando não acreditou nela, e porque agora ele decidiria por esquecer aquilo tudo e esperar por uma nova chance? Não, ele não queria isso e muito menos ela. Estavam felizes um longe do outro, e assim seria.



Teriam apenas um relacionamento profissional entre dois aurores que estão dentro do mesmo caso. Somente isso.




Levantou-se do chão, começando a procurar por uma roupa que fizesse jus a noite de um jantar, na qual iria finalmente rever toda a família Weasley.




Ao mesmo tempo, um moreno ligava o registro do chuveiro da suíte do quarto, deixando a água terrivelmente fria cair pelo corpo, tentando desviar todos os seus pensamentos junto com a água ralo abaixo.




Aquilo estava errado. Ela não deveria ter voltado, só ia lhe trazer problemas.



Mais problemas.




Enfiou-se de cabeça na água fria, deixando a própria escorrer desde o couro até a planta dos pés, deixando-se ficar arrepiado.




Só ele sabia como havia ficado quando a viu encostada naquele parapeito quando chegou ao ministério. Ela tinha toda aquela combinação de cores, do corpo, do cabelo, seu cheiro... Aquilo o deixava como um lobo a procura de sua presa. E se não fosse alguém que soubesse se controlar, iria para cima em poucos.




Não. Não estava sentindo nada, e se estivesse, iria se repreender até o momento que ela aparatasse de volta ao seu mundinho bem longe dele.




_Merda! –resmungou num tom um pouco alto, batendo o punho fechado contra o piso frio e branco do banheiro. Sentiu a raiva de si próprio sumir quando sentiu o sangue se esquentar até o local aonde batera, revelando um pouco de dor.



Esfregando uma mão contra outra, chacoalhou a cabeça, pegando o shampoo e colocando uma boa dose na mão antes de começar a esfregar os cabelos.




_Isso vai me deixar de coração partido... De novo. –murmurou, se saber que ao mesmo tempo, uma ruiva no ultimo quarto do corredor repetia a mesma coisa.












Notas da autora: Bom...demorou mais aqui esta ^^ O segundo capitulo fresquinho pra vocês. ^^


Queria primeiramente, antes de mais nada AGRADECER esses todos comentarios que eu recebi, fikei completamente assim O.O, quase chorei de emoção ao ver o tanto que um capitulo só rendeu. Fiquei muito feliz e não sabem como isso me emotivou a escrever esse capitulo.


Meu Deus, fikei muito d cara...tinha até gente que falava que era meu fã. Cara...eu em fics antigas que eu tinha aqui, eu rendia 4 comentarios no máximo...e em apenas uma semana veio wow...tudo isso. ^^ Me emotivou e muito a escrever.


Só que eu acho que o Capitulo 3 vai demorar um pouco mais do que uma semana por que...bem, eu so uma pessoa que se mete em encrecas facilmente...e fikei um mês inteiro ligando muito pra Karine...(eu vo t matar, sua batata ò.o''' t pego na escola...hauhauhauhahahua zueira more) e agora, cai em um castigo de um mês...


Vou poder entrar raramente, entende? Tipo, e quando entrar...ficar umas...duas horas só (Notem a diferença...eu vivo 10 HORAS por dia quase nesse pc)


Mas pode ter certeza que eu vou continuar postando aqui...mesmo com esse...ahm, "atrasinho" ^^""""""""""""""""""""""""""""""""""


E Karine...i.i''' nom me faça mais ameaças...


Agradeço a Quel, a Nani, a Gi, a Karine (mesmo me ameaçando a me matar. Nossa, prefere a fic a sua melhor amiga...se me paga, isso vai ter retorno T-T), a Camilla (Wow, minha fã? *-* Fikei lisonjeada...nunca tive um fã tirando a Karine ). o Lucas, a Julia, ixi...tem tanta gente...^^""" Nhai...a todos que comentaram aqui, OBRIGADA OBRIGADA MUIIIIITOOO MESMO.


Bjundinhas minhas com todo o amor (que meloso)


Tammy...*empolgada, estranha e muito histérica*


(Aiiii ti emoção....>.<""" Sério...tanta que eu nem quero parar de escrever aqui....>.<""""""""""" Please povu, comenta e vota...apesar d que votar se naum quiser no problem mais preciso de comentssssss I.I)

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