Procurando por um anjo

Procurando por um anjo



Dias se passaram e Laura ainda guardava consigo a carta. E toda noite, ia pro lago, escrever no caderno, seu compromisso secreto. Ficaram tão amigos, que se ela contasse para alguém, este, lhe internaria no St. Mungus, na sessão para doentes mentais. Snape, bem que já desconfiava de quem seria o tal S, mas preferiu ficar calado. E a menina, se sentia muito mais que especial. Numa noite de sábado, após chegar do passeio a Hogsmead, Laura estava andando pelo castelo. Lágrimas teimavam em escorrer de seus olhos. O caderno em seu bolso a chamava, mas nem sequer notou. Estava no último andar e queria ficar sozinha, lembrando de tudo que ouviu de uma de suas colegas.
“-El é velho! Quande você forr maiorr de idade, el vai morrerr! El nunca vai gostarr de você. NUNCA! El te odeia, assim como odeia a todos. Pensa, Laurra, pensa! El é sozinho e não vai querrerr uma pirralhe que mal saiu das frraldas. Se toca, garrota! E se algum dia, ele quiserr alguma coise com você, ele vai prra Azkaban porr pedofilie. É isse que você querr?-Dizia Clarisse, uma Beauxbatons metida só por ser francesa e sangue-puro, que se dizia amiga de Laura quando estudavam juntas. Simon tentava parar a menina. Laura se fazia de forte e continuava com o rosto impassível. Os outros, em choque, ficaram calados...”
Mais lágrimas. Pelo menos, não foi em público. E ela soube quem eram seus amigos de verdade. Juliet dizia que ela estava confundindo as coisas. Meg, que só queria o bem da amiga, por isso, ela tinha que se afastar do professor. Mas, Vic, Carrie, Eryck e Simon ficaram do seu lado o tempo inteiro. Mesmo assim, ela quis ficar só.
Passou por um quadro de uma bailarina que suspirava, entrou por uma porta e se surpreendeu com o que viu: Uma sala toda feita de mogno, estaria vazia, se não fosse por um piano ao canto, perto de uma sacada, que dava vista para o jardim, à noite, parecia um mar de veludo negro beirando o lago, que espelhava a lua.
Ficou na sacada durante alguns minutos. Virou-se para o piano. Fazia tanto tempo que não tocava. Estava tão confusa. Mas sentou-se no banco, abriu a tampa e começou a tocar uma música suave, parecia uma balada trouxa. Começou a cantar.

“Well I'm looking for an angel(Bem, estou procurando por um anjo)
someone to watch over me(alguém para cuidar mim)
someone to lean on my shoulder(alguém para se apoiar sobre o meu ombro)
I wanna feel how love can be (eu quero sentir como o amor pode ser)
but these things they don't come easy(mas essas coisas não vêm facilmente)
I've learned my lesson well(eu aprendi bem minha lição)
Some things don't work the way you planned(algumas coisas não saem da maneira que você planejou)
sometimes you just can't tell(às vezes você apenas não pode dizer)
So I’m looking for an angel(Então, estou procurando por um anjo)
someone to let you know my love for you(alguém para deixar você saber do meu amor por você)
seems I've never felt this way before(parece que eu nunca me apaixonei assim antes)
I never wanted to see just what love can do (eu nunca quis saber apenas o que o amor pode fazer)
but these things they don't come easy(mas essas coisas não vêm facilmente)
I've learned my lesson well(eu aprendi bem minha lição)
when things don't work the way you planned(quando as coisas não saem da maneira que você planejou)
you need someone to tell(você precisa dizer pra alguém)
You are my paradise (Você é meu paraíso)
the source of my desires(a fonte dos meus desejos)
I believe in you so much (acredito muito em você)
I'm longing for your touch (estou desejando muito seu toque)
I need you by my side (eu preciso de você ao meu lado)
so all my dreams will fly(então todos os meus sonhos voarão)
I can't live this way because I know (Eu não posso viver desta maneira porque eu sei)
I cry alone (eu choro sozinha)
I fear to cry alone alone(eu temo chorar sozinha, sozinha)
so what will I do without you(então o que farei sem você?)
who will I see when I close my eyes(Quem eu irei ver quando eu fechar meus olhos?)
I can't face another night alone without you here (Eu não posso enfrentar outra noite sem você aqui)
Cause I can't face the night without you here (porque eu não posso enfrentar a noite sem você aqui)
alone without you here(sozinha sem você aqui)
sometimes you just can't tell(às vezes você não pode apenas dizer)
you are my paradise(você é o meu paraíso)
the source of my desires(a fonte dos meus desejos)
I believe in you so much (eu acredito muito em você)
I'm waiting here for your touch (Estou esperando aqui para te sentir)
I need you by my side (eu preciso de você ao meu lado)
so with my dreams I can touch the sky(então com meus sonhos eu posso tocar o céu)
I can't live this way cause this time I know (não posso viver desta maneira porque neste momento eu sei)
I cry alone (eu choro sozinha)
I fear to cry here alone (eu temo chorar sozinha)
so I'm looking for an angel(então estou procurando por um anjo)
I'm looking for you.(estou procurando por você)”

-Então? Você já encontrou seu anjo?-Ele estava parado atrás dela, como de costume, mas seu olhar era preocupado e tinha um sorriso doce nos lábios. Ela sentiu mais uma lágrima escorrer e sorriu. Ele sempre estava lá para reconfortá-la.
-Sim. Mas ele não sabe.-Não ousou virar-se pra ele. Ele se aproximou e tocou os ombros da menina.
-Não vale a pena sofrer por ninguém, Laura. Muito menos por uma coisa que daqui a alguns anos, você vai dar risada.-Falava acarinhando os cabelos daquela criatura que tanto precisava de carinho.
-Será? Você acha mesmo?-Perguntou virando-se para ele. Tinha um ar de quem sabia a resposta, mas por mais que fosse verdade, ela própria não acreditava. Ele ajoelhou-se a sua frente e pegou em suas mãos.
-Laura, você é uma menina linda. Eh...como é aquela definição trouxa?-Perguntou pensativo.-Tchutchuca...?-Laura sorriu e afirmou com a cabeça.-Isso! Você tem que sorrir. Ser feliz!-Limpou os caminhos de lágrimas no rosto dela.
-Você já se sentiu assim antes?
-Assim como?
-Como se aquela pessoa fosse o seu ar. Como que sem ela, você não conseguisse respirar...-Completou olhando para o nada
-Já...-Respondeu vagamente.
-E então?-Perguntou curiosa.
-Morri sem ar.-Um sorriso triste se fez presente no rosto do professor, sempre tão frio, às vezes, até cruel com os outros. Mas que com ela, se abria e mostrava o verdadeiro homem por traz da máscara de monstro.
-Se ela te fez sofrer, não te merecia.-Falou como que consolando.
-Não é bem assim.-Agora, ele estava de pé andando vagarosamente pela sala.-Nós não podíamos ficar juntos.
-Você ainda a ama?-Os olhos começaram a lacrimejar.
-Não sei.
-Mas ela ainda te ama?
-Ela é casada, está muito longe e é humanamente improvável que nós nos encontremos novamente. Ela está a salvo de mim.
-Entendo.-Ela estava impressionada com o passado dele. Nas conversas, ele sempre contava um pouquinho. Era tanto sofrimento que ela poderia tocar.-Mas...você tem alguém?
-Ninguém importante no momento.-E sorriu.
-Nem mesmo uma namorada?
-Tenho uns rolos, Laura. Depois nós conversamos mais abertamente sobre o assunto.
-Como quiser, senhor.
-É melhor irmos. Já está quase na hora do jantar. Seus amigos devem estar preocupados.
-Eles sabiam que eu queria ficar sozinha.
-Laura, eu vi o que aconteceu...-Ela arregalou os olhos, mas se acalmou quando lembrou que ninguém mencionou o nome dele.-...Ela não merece a sua amizade. Você é uma boa menina. Tem a vida toda pela frente. Pensa no seu avô. Ele não ia querer te ver assim, ia?-Perguntou com uma sobrancelha erguida.
-Não, não ia. Ele me ensinou tudo. Ele sim é meu pai. Meu único pai!
-Se você diz.-Caminhou até a menina, abaixou-se e ficou muito perto dela.-Mas pensa no que eu te disse, ok?-Sorriram e ele deu um beijo no rosto dela, que corou horrores. Ele
levantou-se e quando já estava na porta:
-Professor...-Ele se virou.-Obrigada por tudo. Eu gosto muito do senhor.- Ele sorriu como nunca.
-Posso dizer o mesmo, srta. Baglioni.-A olhou divertido e saiu, deixando uma Laura levemente envergonhada.

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