A nova família Weasley



Capítulo II
A nova família Weasley



A Toca costumava ser o refugio da maioria deles. Não havia primo que não considerasse a comida da avó Molly a melhor do mundo, ou as histórias sobre trouxas do avô Arthur as mais interessantes de se ouvir.

_Vovó!!!!!!!!! – gritaram os dois meninos idênticos, entrando correndo pela sala – Vó!! O Albert quer saber se vai ter bolo de abóbora?

_Claro que vai ter... É a sobremesa que vocês mais gostam não é? – Jonathan e Gregori assentiam balançando os fios ruivos. Em seguida saíram correndo pela porta que entraram.

Molly suspirou profundamente, recordando os próprios filhos gêmeos, os quais os netos lembravam tanto.

Esse ano, porém, eram outros netos que a preocupavam. As filhas de Gui estariam, pela primeira vez, juntas na Toca. E Molly não sabia o que poderia acontecer.

Adorava as duas meninas, e lhe doía muito ver como se referiam uma outra. Mas tinha que admitir que a culpa havia sido toda de seu filho mais velho. Que traíra a própria esposa e tivera uma criança fora do casamento.

_Vó... Ta tudo bem? – ela sentiu a mão leve e ao mesmo tempo segura, tocar seu ombro. Virou-se para encontrar os grandes olhos verdes que contratavam belissimamente com a pele escura de Alan.

Alan era um dos filhos gêmeos que Jorge tivera com uma antiga amiga de escola, Angelina Johnson, atual Angelina Weasley.

Ele e a irmã Anna formavam a dupla de negros mais bonita que Hogwarts já vira. Alan era umas duas vezes mais alto que a avó e, ainda assim transmitia uma infantilidade encantadora no semblante. O mesmo se dava com Anna, que tinha os cabelos lisos, com luzes douradas que contrastavam com a cor negra original dos fios. Os dois estavam prestes a começar seu último ano juntamente com os primos Albert, filho único de Carlinhos e o mais velho dos três filhos de Gina, sua caçula.

Alias, a filha e as suas crianças ainda não haviam chegado.

Ela sempre ficava na expectativa, achando que aqueles netos, os quais considerava os mais diferentes de toda a família, não passariam o tradicional fim de semana na Toca junto com eles. Mas felizmente todo ano, impecavelmente os jovens Malfoy estavam lá também.

Voltando a cozinha, Alan, aguardava silenciosamente - algo tão incomum aos Weasley - por suas palavras.

-Oh, ola crianças... – era até engraçado ouvi-la os chamando assim - Já chegaram, que bom...

-O que houve, vovó? – perguntou a jovem negra, jogando os cabelos abundantes para trás – A senhora tava com uma cara? Ta preocupada com o que?

-Com suas primas...

-As filhas do tio Gui?

–Sim... Fico com medo do que pode acontecer com elas duas juntas aqui...

-Ihhh vovó... Não fica preocupada, não. – disse a garota, jogando os cabelos para trás - Se elas não se mataram nesses últimos cinco anos que estudaram juntas no colégio, não vai ser aqui que vão fazer isso... – disse firmemente – E se acontecer, pode deixar que nós as seguramos... – e sorriu, com aquele jeito que fazia sua avó lembrar novamente de seus filhos mais arteiros.

-Agora, espero que nenhuma delas pense em trazer a mãe... – completou o rapaz – Se a francesa e a japa se encontrarem, ai sim nós teremos grandes problemas...

Por sorte - e sapiência do seu filho - apenas as meninas apareceram para o fim de semana. As coisas correram tranqüilas até o fim do jantar. A não ser pela falta do grupo de Malfoy, o que já era esperado. Gina havia avisado que as crianças só poderiam comparecer após a refeição. Jantariam com a avó paterna, como motivo do aniversário dela.

Em qualquer família normal, o clima estaria pesado e os ânimos apreensivos com os olhares que Dori e Charlotte trocavam volta meia. Mas com Bella e os gêmeos de Fred aprontando o tempo todo ficava difícil se importar com elas.

A mesa fora servida no quintal, onde havia espaço para toda a família, e quando o jantar terminou, não demorou muito para que Albert descesse com dois violões e esticasse um deles para o primo Alan.

Cantar era um dos passatempos prediletos daquela geração. Influencia da mãe dos Potter, cantora famosa há algumas décadas. Os meninos tinham até um grupo de “fundo de quintal” como se dizia entre os trouxas.

A certa altura JS levantou para pegar sua gaita que deixara na sala. Mas antes que pudesse voltar foi surpreendido por um par de olhos puxados que conhecia tão bem.

-Não vai falar direito comigo? – perguntou ela enlaçando seu pescoço.

O que mais gostava em Dori era exatamente o jeito decidido que ela possuía, mas ele tinha que concordar que aquilo às vezes era inconveniente.

-Aqui não, Dori... – ele tentou ser gentil ao tirar as mãos dela de sua nuca. Mas a garota continuava com o corpo muito próximo ao seu.

_Ah, por que não... Ta todo mundo lá fora, JS.

_Sim, mas a sua irmã pode entrar a qualquer momento...

_Eu quero que aquela loira aguada se dane. – era engraçado ver a carga de emoção que Dori colocava nas próprias palavras, não era comum algo assim vindo de uma descendente de oriental.

Mas JS sabia que, muito mais do que ser filha de Cho Chang - a primeira namorada que seu pai tivera - a garota de cabelos castanhos escuros, olhos puxados demais para ser considerada ocidental, mas com um certo arredondamento que lhe acusava a mistura no sangue, puxara muito mais o gênio impulsivo dos Weasley do que a calma e ponderação comum aos ancestrais de sua mãe. Tanto que fora classificada na Grifinória, e não na Corvinal, como Charlotte.

A classificação entre as casas era o terceiro maior motivo predileto de briga entre as duas. O primeiro, obviamente, era o fato de terem o mesmo pai, mesma idade e mães diferentes. E o segundo... Bom, o segundo motivo era JS mesmo.

Deixou de devagar sobre a personalidade da garota assim que sentiu o lábio dela roçando em sua face.

_Dori... – voltou a censurar, sem muita convicção. Logo se deixou beija-la, pouco se importando com possíveis intromissões.

Ele já devia estar acostumado em ter seus beijos interrompidos por um objeto não identificado passando rente a sua cabeça, mas tinha que admitir, reconhecer uma das facas de cozinhas da Senhora Weasley pregada a na parede atrás dele e de Dori, lhe fez passar a dar mais atenção a essa possibilidade no futuro.

-Larga ele, sua... sua... sua... Vaca oriental!

O interessante de se relacionar com duas irmãs que se odeiam é que a culpa nunca é sua.

-Dobre a língua para falar de mim, seu projeto de francês mal acabado!

Chegava a ser ridículo vê-las naquele estado. A sempre tão fria Charlote e a extremamente justa Dori, duelando por ele... E o pior é que JS tinha total consciência que a briga não era, e nem nunca seria por sua causa.

-Meninas... – disse se posicionando estrategicamente no meio delas – Vamos parar por aqui. Estamos na casa dos seus avôs e...

-Meus avôs! – gritou a loira – Meus avôs, não dela! Ela não tinha nada que estar aqui...

-São meus avôs também, cretina.

-Não, não são... Você é só uma bastarda, ridícula, que acha que é gente!

-E que o cara que você gosta prefere beijar...

-Ora sua! – ela voou na direção de Dori, sem se importar com as mãos de JS que tentavam segura-la. O problema era que Dori não ficaria parada onde estava. E ele já estava tendo muitas dificuldades para manter Charlote no lugar.

Por sorte alguém segurou a caçula de Gui Weasley, antes que ela alcançasse os cabelos da irmã.

-O que diabos está acontecendo aqui?! – perguntou a voz firme do mais velho dos primos Malfoy, que acabara de aparatar na sala.

-Graças a Merlin você chegou, Malfoy... – ovacionou JS – Me ajuda a segurar essas duas, anda.

-É o que eu estou fazendo, Potter. – chiou o loiro – Para de espernear, Dori!

-Me larga! Me larga que hoje eu arranco esses cabelos dessa vaca oxigenada um por um!

Na seqüência a chaminé foi ativada e uma garota de cabelos de um amarelo quase branco, seguida por um menino de igual descrição, apareceram entre as chamas verdes, um por vez.

_Brigando por causa do Potter, de novo... – disse a garota, com a voz arrastada e debochada que herdara do pai – Vocês duas são patéticas... Francamente.

Pareceu que as palavras da prima mais nova surtiram algum efeito. As meninas Gui Weasley pararam de tentar pular uma no pescoço da outra e se puseram a arrumar os cabelos e as roupas que estavam totalmente desgrenhados.

-Tem razão, prima. – disse a corvinal, prendendo os longos fios em um coque – Não vou me misturar com a ralé... – completou, virando as costas e seguindo para a cozinha.

-Eu vou te mostrar quem é ralé! – mas o rapaz que a segurava não deixou que seguisse a irmã – Cretina! Vaca! Mau amada! Me largaaaaaaaaa!!!!!!

-Chega, Dori! – gritou o loiro – Ela já entendeu o recado, ok. Agora pare com isso, a minha mãe está preste a chegar... Da um tempo!

Foi ele terminar a frase para Gina aparatar na sala também.

-Olá crianças... Chagaram todos bem? – os jovens apenas acenaram positivamente, mas, vendo uma das sobrinhas nos braços do filho, e uma faca cravada em uma das paredes, logo pode concluir que a idéia do irmão em trazer as duas filhas para a Toca não estava funcionando – O que aconteceu aqui?

-Nada tia. – disse a descendente de oriental, jogando a franja cortada em camadas, que lhe cobria os olhos para trás – Só o de sempre, eu detesto a minha irmã e ela me odeia. – sorriu amargamente – Sinto pelo inconveniente... Acho melhor eu ir embora mesmo.

-Você não vai a lugar nenhum, Dori. – os demais ocupantes da sala se viraram para encarar o cabelo lambuzgado e ruivo de Elizabeth, ou simplesmente Lizzy, uma garota de dezesseis anos que dividia o posto de melhor amiga de JS com o filho de Lupin – Você tem o direito de estar aqui tanto quanto a Charlote, ela tem que entender isso.

Malfoy olhou para ela como quem dizia “é tão fácil falar”, mas Lizzy não se importou.

-Sua prima tem razão. – disse Gina puxando a menina pelo ombro – Anda, vamos... – Dori acabou a acompanhando até a porta da sala – Venham falar com seus avôs também, crianças.

Os três Malfoy seguiram a mãe e a prima, deixando JS e Lizzy sozinhos na sala. A amiga lhe deu um olhar questionador.

-Que? – levantou as duas mãos – Eu juro que não tive culpa.

-Du-vi-do...

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