A brisa da Primavera - Final

A brisa da Primavera - Final



Capítulo 10 – A brisa da Primavera


 


 


Foi assim que aconteceu. Uma luz brilhante e verde envolveu Harry e Hermione. O céu escurecia e por isso, mesmo os alunos de Hogsmeade puderam enxergar ao longe que alguma coisa importante acontecia. O brilho esverdeado era visto de longe. Então o chão começou a tremer e os alunos começaram a gritar em desespero. A professora Minerva tentou acalmá-los, mas era inútil pois o tremor continuava.


Não eram muitos os alunos: cerca de cem ou duzentos. A maioria já adolescente. Os pequenos não haviam retornado a Hogwarts depois do último ataque no inverno. E Minerva agradeceu por serem já quase donos de seus narizes, pois alguns começaram a correr e logo todos corriam como formigas para todo o lado. Um novo estrondo chamou a atenção de todos que se viraram para o acontecimento: a casa dos gritos, no final da rua em que estavam veio abaixo em questão de segundos. O pó da destruição se elevou no alto e em seguida se dissipou. Então o tremor parou. Era o fim. Mas o fim de quê?


Minerva olhou para o pequeno relógio de pulso: presente de algum aluno no início do ano letivo. Passava da hora que Voldemort havia marcado para que Hermione fosse entregue. Aconteceu alguma coisa. Alguma coisa importante. Harry havia falado que iria enfrentar Voldemort. Mas o clarão esverdeado não foi em Hogwarts. Foi algo mais próximo de Hogsmead. Poderia ser no portal de entrada de Hogwarts. Minerva sentiu uma profunda dor no coração. Sabia o que aconteceria se Harry enfrentasse Voldemort. Não que não o considerasse forte o suficiente para enfrentá-lo. Minerva até poderia apostar que Harry ganharia uma batalha se Voldemort não fosse quem ele era: alguém que faria qualquer coisa para vencer ilicitamente, roubando, traindo, trazendo seus capangas comensais para uma luta desequilibrado. E mesmo depois de tudo, haviam as orcruxes. Não. Não havia esperanças. E o pior: havia Hermione.


Ela gostaria muito de ter trazido a garota. Harry implorou para que ela o fizesse antes de Macgonagal deixar o castelo, mas ela sabia que Hermione era um peso morto. Estava muito debilitada com o contrato mágico que Voldemort impôs a ela. Nem Snape conseguiu fazer uma poção que o invalidasse. Mesmo se Minerva trouxesse Hermione consigo, no fim, Hermione não poderia mais resistir e voltaria para Voldemort pela força da mágica do contrato.


- Professora... professora!!! – eram os alunos, desesperados. Alguns alunos haviam desaparecido correndo entre as ruas de Hogsmeade, mas a maioria havia retornado para onde ela estava quando o tremor passou. – O que está acontecendo???  O Lord das Trevas está atacando???


- Não sei, não sei de nada!!!


- E se Voldemort vir atrás de nós???


- Calma... precisamos manter a calma, agora! – disse a professora mais para si mesma do que para os alunos. Ficou pensando no que poderia fazer. Seu dever era para com os alunos. Mas agora eles poderiam continuar sozinhos e ela poderia retornar. Seria a morte para ela, mas precisava fazer isso. Alguma coisa importante havia acontecido na estrada de Hogwarts. Algo muito forte e poderoso havia sido desencadeado para ter causado aquele terremoto tão violente. Precisa descobrir o que estava acontecendo. – GINA! LONGBOTTOM!!! VOCÊS SERÃO OS RESPONSÁVEIS AGORA. VÃO ATÉ A ESTAÇÃO DE TREM E RETORNEM ÀS SUAS CASAS. SNAPE E OS OUTROS PROFESSORES ESTÃO ESPERANDO POR VOCÊS...


- Mas e você, professora? – Gina falou, exasperada. – Você sabe o que te espera em Hogwarts, não é?


- Potter me disse que precisamos sempre ter fé e esperança, Srta. Weasley... acho que isso nos serve agora...


Minerva retornou. Não usou a Dedos de Mel, pois ir pelo Castelo seria ainda mais longe. Resolveu tomar a estrada de Hogsmeade para o castelo. Andou durante uns bons vinte minutos e parou. Esfregou os olhos para ver se via direito o que se mostrava diante dela.


Era uma cratera. Devia ter uns cinqüenta metros de extensão. Estava bem onde devia estar o portal de entrada do Castelo. Mas não havia nem sinal de Voldemort ou dos comensais. O que via, era o corpo de Harry Potter e Hermione jogados no fundo daquela cratera e pareciam mortos.


- Deus do céu!!! – gritou a professora e escorregou pela beirada da cratera. Sujou as mãos e a barra das saias e deu um mal jeito no pé-direito, mas logo conseguiu alcançar o casal. Harry e Hermione tinham as mãos entrelaçadas. Minerva sentiu a pulsação de Harry no pescoço. Estava fraca, mas Harry vivia.


- Harry! Harry! – disse ela, dando palmadinhas no rosto do rapaz.


Como ele não acordou, Minerva contornou-o e abaixou-se sobre Hermione. Sua pulsação estava mais forte.


- Hermione... Hermione por favor, acorde! – disse a professora, sacudindo Mione pelos ombros.


Hermione começou a se mover e, de repente, de uma só vez, gritou, sentando-se exasperada.


- HARRY!!!


- Oh, graças a Deus, você está viva!!! – disse a professora, abraçando a menina.


Hermione chorou emocionada ao abraçar a professora, mas quando percebeu Harry deitado ao seu lado, desvencilhou-se da professora  e passou a sacudir o amigo.


- Harry!! Harry! – gritou ela, sentindo as lágrimas escorrerem pela face, pingando sobre o peito de Harry. – Por favor, por favor, não me deixe... por favor!!! Harry...


Mas Harry não se movia... Estava pálido. Uma grande mancha negra havia se incrustado no peito do amigo. Foi onde aquele terrível raio o atingira. Foi a maldição de AVADA QUEDRAVA. Isso Hermione não tinha dúvidas, pois ouvira o feitiço dos lábios de Voldemort. Naquele minuto, Hermione havia segurado a respiração, preparando-se para a morte iminente, mas o que viu em seguida foi alguma coisa totalmente improvável. O raio havia atingido Harry bem no peito, atirando ele e Hermione para o alto, mas com uma força estranha retornou para o Mestre das Trevas e os comensais, no mesmo segundo que, abatidos instantaneamente, foram engolidos pela terra na imensa cratera que havia se formado. Com impacto, Harry e Hermione atingiram o chão, no segundo seguintes, mas rolaram cratera abaixo. Com a violência da rolagem, Hermione havia perdido a consciência quando enfim pararam, acordando somente agora com a professora Minerva.


Tocou o peito de Harry, onde havia a mancha negra. Aquela maldição era mortal, mas podia sentir na ponta de seus dedos o coração de Harry pulsando, fracamente, mas vivo.


- Harry não me deixe... – disse ela, sentindo seu coração esmagado. E totalmente tomada pelo sentimento que tinha, disse num suspiro: eu amo você.


Hermione fechou os olhos, deixando as lágrimas fluírem livremente. De repente, sentiu uma leve pressão sobre sua mão e abriu os olhos. Era a mão de Harry. Ele havia aberto os olhos e sorria...


- Sabe qual é o feitiço mais forte do mundo, Hermione? – falou ele, com um certo esforço. – O único feitiço capaz de resistir a maldição de Avada Quedrava? O único feitiço forte o suficiente para destruir qualquer orcruxe existente em qualquer parte do mundo?


Hermione franziu a testa. Havia lido alguma coisa a respeito em algum de seus livros. Uma conversa fiada, a princípio, sobre amor. Amor era o feitiço mais antigo e mais poderoso do mundo, mas nunca verdadeiramente provado. A única evidência de tal fato ser verdadeiro era, na verdade, a história de Harry sendo protegido pela mãe. Mas a mãe de Harry não havia sobrevivido ao ataque de Voldemort. Por que Harry e ela haviam resistido?


A resposta era simples. Harry entrelaçou seus dedos nos de Hermione e levando a mão dela até seus lábios, beijou-a docemente.


- Estávamos entrelaçados. Conectados: alma e corpo. Unidos para enfrentar o medo e a escuridão... O amor é o feitiço mais forte Hermione. Mais forte do que Voldemort. Mais forte do que você e eu... o amor, Mione...


- Harry... – Hermione mordeu os lábios inferiores. Queria, precisava saber se aquilo era verdade. Por que não parecia nada real. Harry e ela vivos. Voldemort enfim derrotado. E Harry... declarando seu amor. Um amor provado de todas as formas... – Eu te amo... sempre te amei... sempre...


Hermione se abaixou e beijou Harry nos lábios. Um beijo terno que transmitiu a ambos uma estranha corrente de força e energia. Hermione já não temia pela vida de Harry. Sabia que ele ficaria bem. Quando finalmente seus lábios se separaram, Hermione se aconchegou no peito de Harry, e ali ficou, agraciada com o barulho do coração de Harry sob seus ouvidos. Uma brisa de primavera soprava mansamente enquanto Hermione se afundava ainda mais nos braços de Harry que a envolvia mantendo-a aquecida. A dor e a urgência impostas pelo contrato mágico haviam desaparecido, antes mesmo de Voldemort ter sido destruído com o próprio feitiço e agora Hermione sabia que o amor que sentia era o que a havia curado. Era o fim... a primavera surgia como símbolo da esperança para ambos... e as flores eram signo da harmonia, da paz e da felicidade que, pela primeira vez, tanto Harry quando Hermione agora tinham esperanças de finalmente acontecer.


Harry beijou Hermione na testa e sorriu: enfim, a pessoa que ele mais amava estava na sua presença, em comunhão numa metafísica que somente eles poderiam sentir e que Minerva só podia admirar.


Depois de alguns minutos observando a alegria de Harry e Hermione por estarem vivos, a professora Macgonagal enfim levantou-se, emocionada com o que havia acabado de testemunhar. Mesmo para ela era difícil de acreditar no que via, mas era verdade. Triunfo afinal, depois dos anos de medo.


- Vou buscar ajuda para vocês... – disse ela, e deixando-os na cratera, escalou através do barro e das pedras até sair daquele imenso buraco.


Minerva deu uma última olhada para Hogwarts. Pensou em Dumbledore e com saudades desejou que ele pudesse estar vivo. Talvez agora, tudo fosse diferente para ambos.


Mas não se entristeceu. Seu tempo também estava se acabando. Sentia a velhice e os últimos dias acabarem com as suas forças. Logo, estaria com seu velho e bondoso amigo. Por enquanto, contudo, ainda tinha algumas missões: anunciar a boa nova para Hogsmeade e toda a Inglaterra que o mal havia finalmente sucumbido, buscar Madame Pomfrey para ajudar Harry e Hermione, preparar o caminho de Potter ao Ministério e introduzir Hermione como a nova professora de Feitiços de Hogwarts  e é claro, ajudar nos preparativos do casamento desses dois... pensou a professora, olhando para o casal abraçado no fundo da cratera.


Era noite: uma noite fria e sem estrelas. Mas não sentia mais medo...


Fim.


 


Em algum lugar da França.


Jonas Tribes abriu a cortina da escotilha para contemplar a noite lá fora. Estava frio e sabia que alguma coisa estava acontecendo. Sentira um estranho tremor, o mar se revoltou e a marca negra escondida no sóbrio paletó havia subitamente parado de se mover. O que aquilo poderia estar significando? Sabia de suas ordens. Aguardar até que o mestre resgatasse a idiotinha sangue-ruim. Era uma coisa que não havia entendido desde o início. Uma coisa esquisita que Voldemort insistia em fazer: tornar a garota a sua rainha. Como se ela merecesse tal dádiva sendo uma sangue ruim que era. Era despeito. Voldemort invejava o garoto Potter, isso ele podia perceber. Mas logo o Potter estaria morto, para que então continuar com aquela história de se casar com Granger. Era verdade que a garota era estranhamente inteligente para uma sangue ruim, mas a ponto de se casar?


Malfoy foi o único que apoiou a decisão do Mestre quando ele a anunciou, mas todos agora sabiam que Lucio era um pau-mandado de Minerva. Quando Hermione foi resgatada por Harry, a traição de Malfoy havia ficado nítida. O mestre havia dado a ele a honra de matar o rato traidor que era Malfoy. Achou que, então o mestre mudaria de idéia quanto a se casar com Hermione e transformá-la na sua rainha, mas foi o inverso. Quando o Mestre viu-se sem a garotinha estúpida, ele simplesmente havia surtado, gritado como um louco com todos os comensais, organizando aquele ataque a Hogwarts. Claro, Harry não poderia resistir a um ataque, mas ainda assim, era um plano arriscado agora que o domínio do mundo, através da coroação do Lord como rei do mundo estava prestes a acontecer. Na verdade, o próprio mestre havia adiado. Queria ter Hermione de volta para marcar de novo o dia do seu triunfo final: a coroação. Bem, de qualquer forma, teria que descobrir os planos do mestre quando ele retornasse. Já estava tarde. Quase uma hora desde o horário marcado para o Mestre resgatar a garota. O mestre já deveria ter retornado. O que poderia ter acontecido? Quando fechou as cortinas, voltando a contemplar o breu que havia tomado o seu quarto naquele horrível barco de quinta categoria, um estranho brilho vermelho chamou a sua atenção. Acostumado a escuridão, percebeu que a luz vinha de uma pequena caixa escondida abaixo da cama.


Meio curioso, meio amedrontado com o que poderia lhe acontecer caso o Mestre chegasse naquele instante, Tribes resolveu abrir a caixa. O brilho vermelho era de um rubi solitário em um anel muito antigo. Aquele brilho encantador e o porte do anel lhe encantaram no mesmo instante. Olhando para a porta, Jonas imaginou se Voldemort descobriria se ele usasse o anel só um pouquinho. Não resistiu a tentação: aquele brilho havia cativado seus sentidos e antes que pudesse perceber, colocou o anel no seu dedo anelar. Arrependeu-se no mesmo instante: o anel grudou-se ao seu dedo com uma agulha retrátil na ponta do rubi.


Ele tentou arrancar a jóia, mas a agulha penetrava cada vez mais em seu dedo. Quando percebeu, uma estranha mancha negra tomou sua mão e logo o seu braço e logo o seu pescoço e tronco. Sentia-se morrendo. A dor era tão grande e tão intensa que Tribes gritou. Gritou como podia, mas era tarde demais. E então morreu, seu corpo transformado numa grande mancha negra e gosmenta no chão da cabine daquele barco do terror.


De repente, a mancha negra começou a tomar forma do chão. Erguendo-se lentamente, envolto de névoa e podridão. Quando enfim formou um rosto, os olhos se abriram revelando o olhar de fenda, e o nariz de cobra. Os lábios, no entanto, se abriram num sorriso sarcástico.


- Hermione... – disse a voz sibilante. – Ainda não acabou... você ainda será minha...


Voldemort gargalhou, sua risada reboando por todo o píer, agradecendo por ter deixado uma das últimas orcruxes criadas ao alcance do tolo Jonas Tribes.


Era noite, mas naquele lugar, a brisa era gélida e sufocante...


FIM.

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