Capítulo 19



N/A: Como promessa é dívida, ta ae o capítulo 19!

Capítulo Dezenove

Hermione abriu os olhos e fixou-os na janela, por onde podia avistar o céu cinzento. Ainda atordoada pelo sono, não reconheceu as cortinas de tons rosa e dourado. Sentia-se preguiçosa, como se não houvesse dormido, mas, mesmo assim, não tinha desejo específico de voltar a dormir, ou de permanecer acordada. Seus pensamentos distantes flutuavam, perdidos, até que, de repente, sua mente começou a clarear.
Estava casada! Realmente casada. Era esposa de Harry.
Conteve um grito de protesto diante da constatação e se sentou na cama, ao se lembrar com clareza de tudo o que acontecera na noite anterior. Agora sabia o que a srta. Trelawney tentara adverti-la. Não era de admirar que nenhuma mulher demonstrasse desejo de falar a respeito! Começou a sair da cama, reagindo ao impulso de fugir. Porém, tratou de se controlar. Ajeitou os travesseiros e voltou a se acomodar. Os detalhes humilhantes de sua noite de núpcias voltaram a povoar sua mente, enquanto ela se lembrava da maneira rude como Harry se despira diante de seus olhos. Estremeceu ao se lembrar da crueldade com que ele zombara dela, mencionado Draco, para então, usá-la. Harry a usara como se ela fosse um animal, totalmente desprovido de sentimentos, que não merecesse a menor ternura ou consideração.
Uma lágrima solitária escapou de seus olhos quando ela pensou na noite que viria a seguir, e na próxima, e em todas as noites a sua frente, até Harry conseguir plantar sua semente em seu ventre. Quantas vezes seriam necessárias? Uma dúzia? Duas dúzias? Mais? Ah, não por favor! Ela não suportaria muitas mais.
Secou a lágrima com a mão, furiosa consigo mesma por sucumbir ao medo e à fraqueza. Na noite anterior, Harry deixara claro que pretendia continuar fazendo aquela coisa horrível com ela, que era a sua parte no acordo. Agora que sabia o que, exatamente, o acordo envolvia, Hermione queria desfazê-lo imediatamente!
Atirou longe as cobertas e saiu da cama quente e macia, que deveria ser a recompensa por uma vida de felicidade, imposta por um homem cínico, sem coração. Bem, Hermione não era uma mocinha inglesa chorona, temerosa de lutar por si mesma, ou de enfrentar o mundo. Antes enfrentar um pelotão de fuzilamento a suportar outra noite como aquela! Era perfeitamente capaz de viver sem luxo, se fosse esse o preço a pagar.
Olhou em volta, tentando pensar no que fazer a seguir, mas seus olhos pousaram em uma caixinha de veludo sobre a mesa-de-cabeceira. Apanhou-a e abriu-a, para então ranger os dentes em fúria, ao se deparar com o espetacular colar de diamantes que jazia em seu interior. Com cinco centímetros de largura, a jóia fora desenhada para parecer um delicado arranjo de flores, com diamantes lapidados em diversos formatos, para constituir pétalas de tulipas, rosas e orquídeas.
A ira quase a cegou, quando ergueu o colar entre dois dedos, como se segurasse entre eles uma cobra venenosa, para então largá-lo sem a menor cerimônia em uma pilha disforme.
Só então compreendeu o que a incomodara tanto nos presentes que Harry lhe dava, bem como em sua insistência em ser agradecido com beijos. Ele a estava comprando. Definitivamente, Harry acreditava que poderia comprá-la, como se ela fosse uma prostituta barata das docas. Não... nem um pouco barata. Ao contrário, extremamente cara, mas uma prostituta assim mesmo.
Depois do que acontecera na noite anterior, Hermione já se sentia usada e abusada. O colar só serviu como mais um insulto na lista crescente das ofensas cometidas por Harry. Mal podia acreditar que a deixara convencer de que ele gostava dela, que precisava dela. Harry não se importava com ninguém, não precisava de ninguém. Não queria ser amado e não possuía nenhum resquício de amor para dar. Ela deveria saber... ele deixara isso bem claro.
Homens! Hermione pensou, sentindo o rubor tomar conta de suas faces. Não passavam de monstros! Draco, com suas falsas declarações de amor, e Harry, pensando que podia usá-la e, então, comprá-la com um colar idiota!
Encolhendo-se pela dor aguda entre as pernas, encaminhou-se até o banheiro e entrou na banheira. Trataria de obter o divórcio. Já ouvira falar disso e comunicaria Harry de sua decisão quanto antes.
Angelina entrou no quarto quando Hermione saía do banho.
Os lábios da criada curvaram-se em um sorriso maroto, enquanto ela olhava em volta. O que quer que esperasse encontrar, certamente não era a patroa já de pé e banhada, envolta por uma toalha, escovando os cabelos com vigor. Nem esperava ouvir a nova esposa de lorde Potter, cuja fama era de amante irresistível, declarar com voz gelada:
— Não precisa andar na ponta dos pés, como se tivesse medo da própria sombra, Angelina. O monstro está no quarto ao lado. — Percebendo a confusão no semblante da criada, Hermione desculpou-se: — Sinto muito se a assustei, Angelina. Acho que estou muito cansada.
Por alguma razão, o comentário fez Angelina corar e soltar uma risadinha idiota, o que irritou Hermione, que já se encontrava à beira da histeria, apesar de seus esforços em repetir para si mesma que era uma pessoa fria, lógica e determinada. Esperou, tamborilando os dedos na penteadeira, até Angelina terminar a arrumação do quarto. Quando o relógio marcou onze horas, ela se encaminhou para a porta pela qual Harry entrara na noite anterior. Pousou a mão no trinco e respirou fundo, tentando se recompor. Embora seu corpo inteiro tremesse diante da idéia de confrontá-lo e pedir o divórcio, era exatamente o que ela pretendia fazer, sem permitir que nada a impedisse. Assim que informasse Harry de que o casamento estava cancelado, ele não teria nenhum direito marital sobre ela. Mais tarde, Hermione decidiria para onde ir e o que fazer. Por enquanto, sua prioridade era fazê-lo concordar com o divórcio. Ou seria necessário obter a permissão dele? Como não tinha certeza, concluiu que o melhor seria não irritá-lo desnecessariamente, arriscando-se a provocar sua recusa. Por outro lado, também não deveria hesitar mais.
Hermione endireitou os ombros, apertou o nó que prendia seu robe de veludo, girou o trinco e entrou no quarto de Harry.
Reprimindo o desejo de atingi-lo com a bacia de porcelana que se encontrava sobre a penteadeira, cumprimentou-o com civilidade.
— Bom dia.
Os olhos de Harry se abriram com expressão alerta. Então, ele sorriu. O sorriso radiante e sensual que, antes, poderia ter derretido o coração de Hermione, a fez ranger os dentes de raiva, mas ela conseguiu, com esforço, se manter impassível.
— Bom dia — Harry respondeu com voz sonolenta, os olhos passeando pelo corpo curvilíneo escondido pelo robe macio.
Ao se lembrar da maneira como a tratara na noite anterior, procurou desviar o olhar do decote profundo e mover o corpo, a fim de abrir espaço a seu lado, na cama. Profundamente tocado pelo fato de ela ter se dado ao trabalho de ir lhe desejar bom-dia, quando tinha todo o direito de desprezá-lo, deu um tapinha no espaço vazio.
— Não quer se sentar?
Hermione estava tão concentrada em encontrar um meio de fazer o que precisava fazer da melhor maneira possível, que aceitou o convite sem pensar.
— Obrigada — agradeceu.
— Por quê? — Harry perguntou em tom de provocação.
Era exatamente a abertura que ela esperava.
— Obrigada por tudo. Em muitos aspectos, tem sido extremamente generoso comigo. Sei quanto o desagradou a minha chegada, há alguns meses, mas mesmo não me querendo aqui, você me deixou ficar. Comprou-me roupas bonitas e me levou a festas, o que foi muito gentil de sua parte. Também duelou por minha causa, o que foi absolutamente desnecessário, mas muito galante assim mesmo. Casou-se comigo na igreja, o que não desejava fazer, e providenciou uma festa maravilhosa, convidando pessoas que nem sequer conhecia, só para me agradar. Obrigada por tudo isso.
Harry ergueu a mão e acariciou-lhe a face.
— De nada — murmurou.
— Agora, quero o divórcio.
A mão de Harry imobilizou-se no ar.
— Quer o quê? — ele indagou em um sussurro ameaçador.
— Quero o divórcio — Hermione repetiu com fingida calma.
— Simples, assim? — Harry inquiriu com voz assustadoramente aveludada. Embora estivesse mais do que disposto a admitir que a tratara muito mal na noite anterior, não havia esperado por nada parecido ao que estava acontecendo. — Depois de um dia de casada, você quer o divórcio?
Bastou um olhar para a ira que já obscurecia os olhos verdes que a haviam cativado um dia, para Hermione se pôr de pé de um pulo, apenas para ser agarrada pelo braço e forçada a se sentar de novo.
— Não se atreva a me machucar, Harry! — advertiu-o.
Harry, que na noite anterior deixara no quarto ao lado uma criança ferida e magoada, viu-se subitamente confrontado por uma megera fria e encolerizada. Em vez de se desculpar, como havia planejado, falou entre os dentes:
— Você enlouqueceu! A Inglaterra só viu meia dúzia de divórcios até hoje e o nosso não fará parte desta lista.
Hermione libertou o braço dos dedos fortes de Harry, usando para isso um gesto violento. Em seguida, voltou a se pôr de pé, fora do alcance dele.
— Você é um animal! — acusou-o. — Não enlouqueci, nem serei tratada como animal outra vez!
Voltou para o seu quarto, bateu a porta atrás de si e, então, passou a chave no trinco.
Dera alguns passos, quando a porta se abriu atrás dela, com um estrondo ensurdecedor, ao mesmo tempo em que dobradiças e parafusos voavam pelo quarto.
Pálido de raiva, Harry apareceu, emoldurado pelos batentes e sibilou:
— Nunca mais tranque uma porta para mim, enquanto viver! E jamais me fale de divórcio outra vez! Esta casa é minha propriedade, aos olhos da lei, assim como você também é minha propriedade. Compreendeu?
Hermione assentiu, sobressaltada, encolhendo-se diante da fúria cega que obscurecia os olhos de Harry. Ele girou nos calcanhares e saiu do quarto, deixando-a trêmula de medo. Ela jamais testemunhara reação tão violenta em um ser humano. Harry não era um animal. Era um monstro enlouquecido.
Esperou, ouvindo as gavetas dele se abrirem e fecharem ruidosamente enquanto ele se vestia, tentando desesperadamente pensar em uma maneira de fugir ao pesadelo em que sua vida havia se transformado. Quando ouviu a porta do quarto de Harry bater e se certificou de que ele descera, Hermione foi se sentar em sua cama. Ficou ali por quase uma hora, pensando, mas descobriu que não havia para onde fugir. Caíra em uma armadilha e estava presa nela pelo resto de sua vida. Harry dissera a verdade: Hermione era sua propriedade, assim como a casa e os cavalos.
Se não concordasse em lhe dar o divórcio, como ela poderia obter a separação? Embora não soubesse ao certo se possuía um motivo justificado para convencer um juiz a lhe conceder o divórcio, tinha certeza de que jamais poderia explicar a outro homem o que Harry fizera, na noite anterior, para levá-la a desejar terminar com o casamento.
Estivera sonhando com o impossível, ao conceber a idéia de divórcio. Com um suspiro, admitiu tratar-se de uma solução extremamente radical. Seria prisioneira daquele pesadelo até dar a Harry o filho que ele queria. Então, estaria presa a Gryffindor pela existência da mesma criança que deveria representar sua liberdade, pois Hermione sabia que jamais seria capaz de abandonar seu próprio filho.
Lançou um olhar desolado pelo quarto. Teria de encontrar um meio de se adaptar a sua nova vida, tornando-a o melhor possível, até que o destino se encarregasse de intervir em seu auxílio. Enquanto isso, teria de lutar para manter a sanidade, decidiu, à medida que uma calma submissa a envolvia. Poderia passar seu tempo na companhia de outras pessoas, sair de casa e se dedicar a seus próprios passatempos e ocupações. Teria de encontrar atividades agradáveis que a distraíssem de seus problemas. E deveria começar imediatamente. Detestava a autopiedade e não se entregaria a ela.
Já fizera amigos na Inglaterra. Em breve, teria um filho a quem amar e que a amaria também. Faria o melhor possível para preencher sua vida vazia com o que pudesse realizar para se manter ocupada.
Afastou os cabelos do rosto e se levantou, determinada a fazer isso. Mesmo assim, seus ombros vergaram quando ela tocou a sineta para chamar Angelina. Por que Harry a desprezava tanto?, perguntou-se, arrasada. Precisava tanto de alguém para conversar e fazer confidências. Antes, contara sempre com o pai, a mãe e Draco para ouvi-la e lhe dar opiniões. Conversar era sempre uma grande ajuda na solução de qualquer tipo de problemas. Porém, desde que chegara à Inglaterra, não tivera ninguém. A saúde de Sirius era fraca e, por isso, Hermione era forçada a exibir força e tranqüilidade, quando estava na companhia dele. Além disso, Harry era sobrinho dele e ela não poderia nem sequer pensar em discutir os seus defeitos com o próprio tio. Luna era uma boa amiga, mas estava em Londres, agora, e Hermione duvidava de que ela fosse capaz de compreender Harry, mesmo que se esforçasse para isso.
Não lhe restava nada a fazer, além de guardar seus sentimentos para si mesma e fingir estar alegre e confiante, até o dia em que pudesse se sentir assim, de verdade. Chegaria o dia em que ela seria capaz de olhar para Harry sem sentir nada, nem medo, nem mágoa, ou humilhação. Esse dia chegaria, ah, sim, chegaria! Assim que ela concebesse uma criança, ele a deixaria em paz. Agora, só lhe restava rezar para que isso acontecesse logo.
— Angelina, por favor, peça a um dos cavalariços para atrelar um cavalo à menor carruagem que temos — falou, quando viu a criada entrar. — E peça que o cavalo mais manso seja escolhido, pois não estou habituada a dirigir carruagens. Depois disso, peça à senhora Pomfrey que embrulhe vários pacotes com os restos da comida da festa de ontem, para que eu possa levá-los comigo.
— Mas, milady — Angelina protestou, hesitante —, dê uma olhada pela janela. Está muito frio lá fora, e uma tempestade se aproxima.
Hermione olhou pela janela, para o céu coberto de nuvens cor de chumbo.
— Não me parece que a chuva vá começar tão cedo — concluiu, um tanto desesperada. — Quero sair dentro de meia hora. Lorde Potter saiu, ou está no escritório?
— Ele saiu, milady.
— Sabe dizer se ele deixou a propriedade, ou se está por perto da casa? — Hermione perguntou, sem conseguir esconder a ansiedade.
Apesar da determinação de pensar em Harry como sendo um estranho e tratá-lo da mesma maneira, não lhe agradava a idéia de confrontá-lo de novo, quando ainda se sentia tão vulnerável. Além disso, estava certa de que ele ordenaria que ficasse em casa. Harry jamais permitiria que ela saísse, sabendo que uma tempestade poderia cair a qualquer momento. E a verdade era que Hermione precisava desesperadamente passar algum tempo longe daquela casa.
— Lorde Potter mandou selar o cavalo e saiu, dizendo que tinha algumas visitas de negócios para fazer — Angelina informou. — Eu mesma o vi atravessar os portões a galope.
Quando Hermione desceu, a pequena carruagem a esperava diante da porta, carregada com pacotes de comida.
— O que devo dizer ao lorde ? — Slughorn indagou, aflito por não ter conseguido dissuadi-la de sair, apesar do temporal que se aproximava.
Hermione virou-se para que ele pusesse a capa em seus ombros.
— Diga-lhe que eu disse adeus — respondeu, evasiva.
Deu a volta na casa para soltar Wolf e voltou, seguida por ele. Um cavalariço a ajudou a subir na carruagem. Em seguida, Wolf ocupou o lugar a seu lado, parecendo muito feliz por se ver sem as correntes. Hermione sorriu e afagou-lhe os pêlos macios.
— Está livre, afinal — murmurou para o animal. — assim como eu.

N/A: Nossa confesso que fiquei surpresa com quantidade de comentários, principalmente da natylindinha, que postou váriasssss vezes!
Alguns leitores até pedem desculpas por comentar tanto, mas vcs não tem nada do que pedir desculpas, adoro ler esses comentários, principalmente quando alguns de vcs parecem sentir na pele tudo o que os personagens estão sentindo! Muitas pessoas se indignaram, xingaram muito o Harry pelo que ele fez com a Mione! Eu tbm achei imperdoavel, mas é necessário para o desenrolar da história, tbm temos de levar em conta o fato dele ser uma pessoa tão amargurada, em um momento da fic vcs vão ver atitudes dele que farão vcs chorarem, pois vão perceber que essa atitude de homem frio que ele usa é somente uma mascara e ele não passa de um menininho inseguro!
Tbm quero muito agradecer a LuanaH² pela capa linda que ela fez, entrometida nada garota, achei a capa linda e já postei aqui tbm! Se fizer outras capas ou quiser dar palpite não fica com vergonha tá? Gosto muito de escrever essa fic e se alguem se dá ao trabalho de vir aqui ler eu já considero como um amigo, tudo bem? Muito obrigada pela capa eu amei!
Hermi Potter, o nome da fic é o mesmo nome do livro em que ela foi baseada, eu tinha até pensado em mudar o nome, mas eu acho "Agora e Sempre" tão romantico e profundo, não? Espero que tenha tirado sua dúvida!

O capítulo 20 não demora a sair e preparem os lencinhos porque na minha humilde opnião é o capítulo mais triste de todos! Na próxima semana "O Passado do Harry"!
Bjs, Jéssica Malfoy!

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