O Beijo



- Hermione! – chamava Harry.
- Ãh? Ah, Harry, diz.
- Tenho de falar contigo!
- Depois, Harry. Tenho de ir fazer uma pesquisa.
- Sobre quê?
- O R.A.B., Harry. Acabei de ter uma ideia.
- Sim... e? – perguntava Harry.
- Vem comigo.
- ESPEREM! – chamava Ron, apressado. – O que se passa?
- A Hermione diz que sabe alguma coisa do R.A.B..
- Eu ainda não sei! – corrigiu Hermione.
- Eu vou com ela. Vens? – perguntava Harry.
- Claro! Não temos mais aulas!
- OH, NÃO! – gritava Harry.
- O que foi? – perguntava Hermione.
- A Audrey. Eu combinei ir dar uma volta com ela depois das aulas... – Harry lamentava, mas mesmo assim queria estar com ela.
- Vai. – dizia Hermione – Eu depois dou-te as novidades.

***

Harry sentou-se no banco ao lado. Esperava por Audrey. Queria contar-lhe tudo sobre si e pô-la a par das novidades. Mas ela já estava atrasada. Será que ela não vem, pensava Harry, ansioso. Mas ainda não teriam passado dez minutos da hora marcada, quando Audrey apareceu, mais bonita que nunca. Harry ficou felicíssimo, porque pensou que ela se tinha arranjado só para si. Nunca a vira tão bonita. E ela era a perfeição da beleza. Quando Audrey o viu, caminhou calmamente na sua direcção e quando ficou frente-a-frente, deu-lhe um beijo na face esquerda, deixando Harry embasbacado.
- Olá Harry. – disse ela.
- O... láááá... – respondeu Harry, prolongando as palavras com moleza.
- Harry, estás bem? – perguntava Audrey, sorrindo.
- Sim... – afirmou Harry, recompondo-se. – Vamos?
Sairam juntos do átrio e caminharam até ao jardim, onde falaram durante horas sem fim.
Falaram de tudo e de nada, olharam um para o outro, contemplaram-se mutuamente. Harry fitou cada ponta de cabelo mais rebelde de Audrey. Conheceu todos os cantos dos seus olhos, toda a profundidade da sua voz. Cortou a sua respiração, envolveu-se num calor agradável... enfim, apaixonou-se. Deixou que a vida lhe corresse por entre as veias, que o amor por ela lhe saísse pelos olhos, pelos poros da sua pele, pelas palavras da sua boca. Deixou que tudo o resto deixasse de ter importância. Deixou que os problemas desaparecessem, que a vida fosse Audrey. Que Audrey fosse a sua vida. Harry contou-lhe. A vida dele transformou-se em meras palavras sem importância e Audrey ouviu. Contou-lhe os momentos trágicos e os momentos felizes e ela ouviu. Disse-lhe tudo o que havia a dizer e ela percebeu. Mas as palavras são traiçoeiras. Umas saem por engano donde deviam estar. Foi assim que Audrey soube o que Harry sentia, o que Harry gostava e o que Harry temia. Foi assim que conheceu o amor de Harry por ela. E foi assim que Harry conheceu o amor da boca de Audrey na sua. A vida dela foi contada pela saliva. Harry conheceu todos os cantos da boca dela com a sua língua. Foi um beijo prolongado. Sentido e apaixonado. Harry colocou a sua mão direita na nuca de Audrey e a mão esquerda na sua anca. Audrey deixou e apertou-lhe mais contra ela. Deixou-o sentir as suas saliências. Quis que Harry conhecesse tudo nela. Os olhos fecharam, as mãos sentiram e a boca ouviu. A saliva desceu ao mais profundo da alma dos dois. Harry quis mais dela. Quis o seu amor para sempre. Abraçaram-se e beijaram. O beijo prolongou-se demasiado, mas não quiseram saber. Algumas pessoas aproximavam-se para ver o que se passava e eles ignoraram. O amor deles era mais forte que tudo. E continuaram. Agarraram-se e tocaram os lábios de cada um. A alma de Harry saiu da sua boca e entrou em Audrey. Os pensamentos transformaram-se em beijo. O amor foi longo. Prolongado. Saboroso. Quando os lábios se afastaram, apaixonados um pelo outro, Harry fitou os olhos de Audrey, apaixonado. Audrey deixava mostrar os seus sentimentos pelo olhar. Ela esboçou um sorriso apaixonado. Amaram-se com os olhos e com os suspiros. Os problemas desapareceram. Harry só queria gritar de alegria e mostrar a todos todo o amor que sentia por ela. A voz de Audrey deixou de ser enfeitiçante e passou a ser apaixonante.
- Tenho de ir.
- Não. Não quero que vás, preciso de ti, mais do que tudo.
- Amo-te, Harry.
Beijaram-se outra vez, mas desta vez, foi um beijo mais curto, mas apaixonado. Quando acabaram, Harry sussurrou-lhe a jura de amor eterno:
- O teu beijo é como a tua alma. São dois pássaros a voar, que se juntaram e se amaram para sempre.
Verdade, verdade, a sua alma e a de Audrey eram os dois pássaros que se juntaram e se amaram. Mas, mais tarde ou mais cedo, iriam ser confrontados com a dura realidade. Por mais amor que existisse, os dois não podiam ficar juntos. Harry tinha um inimigo que não tinha medo de matar. E Harry não estava disposto a pôr em risco a alma de Audrey. Porque o pássaro continuava a ser um pássaro, mesmo que lá estivessem as duas almas. Se Voldemort matasse o pássaro e a alma de Audrey morresse, a de Harry não iria mais sobreviver.

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