A trilha de pão



Ok... Dia de recadinhos felizes...

Em primeiro lugar, aconselho passarem pela comunidade lá no orkut para darem sua opinião sobre uma coisa muito importante... A data de estréia de O Sétimo Selo. Agora depende só de vocês ("depende de nós... quem já foi ou ainda é..." ops, trilha sonora errada...).

Em segundo... Esse é o capítulos dos contos de fadas. Mandem para mim uma lista das referências - ou os pedaços de pão deixados na floresta durante a fic... Quem conseguir encontrar TODAS as referências, ganha um presente especial. Na verdade, eu deixo escolher: ou o próximo capítulo dessa fic ou, quem sabe, o primeiro de SS...

Em terceiro... Hehehe... Não poderiam faltar os agradecimentos, não? Bebely (apoio totalmente!), Ana Torres (realmente, ele limpando casa... ai, ai...), Grace Black, Gabriela Black, Mariana (huahuahuahua... Venhamos e convenhamos, Remus envelhece, mas não deixa de ser apetecível...), Carol Previtalli, Elyon Somniare (realmente, ela vai precisar...), Helena Black, Morgana Black (atualizei correndo, viu?), Mirtes, Lisa, Tha, Lily Dragon e todos que estão lendo e não estão comentando ( e que me deixam muito triste por sinal...).

Em quarto e último lugar (at last, bot not at least), como não poderia deixar de ser, a dedicatória especial a nossa super Meri. Não fosse por ela, vocês não estariam me vendo aqui. Não existiria SS. E eu provavelmente já teria me aposentado. A Meri é uma das minhas inspirações. HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUA... Falando sério, agora, o que seria de mim sem minha maninha?

Beijos,

Silverghost.



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Capítulo 03: A trilha de pão


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- Voltamos agora com as notícias do dia. Um acidente de trem ocorreu na linha Londres-Oxford nesta madrugada. As autoridades ainda não divulgaram nenhuma nota oficial sobre o acontecido. Além disso...

- Bom dia, Remus.

O homem desviou sua atenção do locutor para encontrar Tonks em pé, esfregando os olhos, usando um pijama cor de rosa amarrotado que combinava com os cabelos no tom de chiclete. Ele estreitou os olhos, perguntando-se de onde aquele pijama viera.

- Bom dia, Nymphadora.

Ela fechou a cara, arqueando uma sobrancelha antes de dar as costas para ele.

- Não vai querer tomar café da manhã? – ele perguntou, aumentando o tom da voz.

- Não tô com fome. – ela respondeu malcriada, sem, no entanto, aparecer.

Ele suspirou, olhando para a pilha de panquecas que fizera mais cedo. Entretanto, logo sua atenção foi novamente despertada por vozes que sussurravam coisas incompreensíveis em seu ouvido. Não era a primeira vez que isso acontecia naquela manhã.

Remus voltou-se para o livro aberto, apoiado na bancada – um dos volumes que Arthur Weasley tinha enviado o dia anterior. Era um livro de contos de fada, cheio de histórias aparentemente inocentes. Ele folheou mais algumas páginas, observando as ilustrações ao mesmo tempo em que se forçava a fechar a mente.

Ainda não entendia exatamente o que havia naqueles livros, mas, definitivamente, era magia negra. Não muito poderosa, a bem da verdade, mas, ainda assim, estava repleta de malícia. Ele tinha sido afetado por ela uma ou duas vezes ao perder a concentração, mas isso acontecera por conta de sua fraqueza com a proximidade da lua. Bruxos formados não seriam afetados pelos livros.

“- João - chamava-o - ponha um dedo para fora, para eu ver como você está engordando. Mas João sempre colocava um osso, que a bruxa, que via muito, muito mal, confundia com um dos dedos do menino, sem entender por quê demorava tanto para engordar.”

Remus olhou para o rádio, que agora anunciava os horóscopos do dia. As crianças desaparecidas em Bexley no dia anterior...

- Tonks!

Ele se levantou, saindo da cozinha para encontrá-la deitada no sofá, os pés balançando sobre o braço da poltrona como se fosse uma criança.

- Oi? – ela perguntou, deslizando ligeiramente pelo sofá, ficando com a cabeça atravessada para ele.

O pijama escorregou pelo ombro dela, revelando parte da curva do seio. Remus respirou fundo, tentando controlar os instintos lupinos que pareciam agora ferver seu sangue.

- Eu acho que preciso de ajuda. Mas, antes, você poderia deixar seu cabelo normal?


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Madame de Saint-Savin era uma mulher de setenta e dois anos, sessenta dos quais vividos na Inglaterra. Mudara-se com a família ainda criança, mas sempre evocava suas lembranças parisienses para as muitas visitas que recebia. O rosto, apesar da rugas, ainda conservava certa beleza de traços, fazendo par aos longos cabelos brancos, sempre presos em uma trança.

Naquela tarde quente de começo de março, ela estava ma cozinha, preparando um chá, quando a campainha soou melodiosamente, fazendo com que seu pequeno rouxinol estufasse o peito e começasse a cantar.

Ela sorriu, encaminhando-se para perto, enquanto o cheiro de canela preenchia a casa.

- Boa tarde. – ela cumprimentou com a voz rouca.

- Boa tarde. – respondeu alegremente uma jovem de, no máximo, vinte e poucos anos, de cabelos negros até os ombros e olhos muito claros e brilhantes.

Logo atrás dela, estava um homem alto, de rosto bonito e cabelos levemente grisalhos. Havia qualquer coisa que remetia a um grande cansaço na aparência dele, como se ele estivesse muito doente...

- Boa tarde. – ele também cumprimentou com um meio sorriso – A senhora é mademoiselle Saint-Savin?

- Sou, sim. E vocês...

Ele fez menção de falar, mas a moça passou á frente, estendendo a mão.

- Meu nome é Danielle, este é meu marido, Henry, nós estávamos visitando o bairro e nos disseram para vir conversar com a senhora. – ela sorriu de maneira quase encantadora – Somos recém-casados, estávamos pensando em vir morar por aqui. Então, depois de pedirmos algumas informações, disseram que viéssemos procurar a senhora.

Ela recuou, ligeiramente surpresa. Poderia pensar em muitas relações de parentesco entre seus dois visitantes, incluindo aí o de pai e filha. Mas nunca que seriam recém-casados. Seria aquilo o que a jovem Isabelle, que de vez em quando ia estudar em sua casa para aproveitar o chá, chamava de pós-modernidade?

Por mais estranha, no entanto, que a situação pudesse lhe parecer, a educação mandava que ela os recebesse. Assim, Madame Savin abriu mais a porta, de modo a dar passagem a eles.

Danielle voltou-se para o marido, amparando rapidamente o braço dele para que ele entrasse. Foi algo muito discreto, mas não passou desapercebido pela velha senhora. O carinho e o cuidado demonstrados pelo pequeno gesto acabaram por enternecer o coração dela e logo sua imaginação começou a trabalhar.

Madame Savin não se casara, apesar de ter sido muito bonita em sua juventude. Preenchera esse vazio em sua vida doando-se completamente à comunidade – era tida pelos vizinhos como mãe, irmã, avó, enfermeira e conselheira – e fora por isso que as pessoas que o casal procurara ao chegar em Bexley tinham-na indicado para ajudar.

Havia, entretanto, outra coisa que preenchia as tardes e as noites da boa senhora: a grande estante de romances que repousava na sala. Por isso, na imaginação dela, não demorou para que descobrisse toda a história do casal: Danielle era uma enfermeira, contratada para cuidar de um velho senhor aristocrático à beira da morte. Com os cuidados dela, Henry conseguira recuperar a saúde, perdida em meio ao vinho e à libertinagem da juventude. Como Danielle era, na verdade, a imagem da mulher que Henry amara nessa juventude, e por quem perdera a saúde, ele acabara por pedir a enfermeira em casamento. E agora...

Os olhos dela se desviaram para as mãos entrelaçadas dos dois. Estranho... Nenhum deles usava aliança... Entretanto, a maneira que tinham de olhar um para o outro. Não podia duvidar: estavam apaixonados.

- Vocês gostariam de um pouco de chá? – ela perguntou, já se encaminhando para a cozinha, após instalá-los na sala – Eu acho que tenho alguns biscoitos também...

Tão logo ela desapareceu pela porta da cozinha, o homem debruçou-se para frente, encarando a “esposa”, que se sentara de frente para ele.

- Você enlouqueceu, Tonks? O que foi que eu disse sobre estarmos lidando com pessoas conservadoras? Eu insisti com você para que não usasse o cabelo rosa ou coisa do tipo e você vem com...

- Confia em mim, Remus. – ela pediu, no mesmo tom sussurrante que ele usara.

Remus tentou responder, mas, no instante seguinte, Madame Savin voltou, carregando uma bandeja com um bule de porcelana fumegante e uma grande terrina de biscoitos. Remus voltou a aprumar-se em seu lugar, soltando um suspiro resignado.

Ela e Tonks começaram a tagarelar alegremente sobre o “casamento” dos dois. Alheio e ligeiramente constrangido com o diálogo que se desenrolava em sua presença, Remus voltou os olhos para as janelas da sala, sombreadas por grandes macieiras plantadas na calçada.

Todo o seu corpo estava incrivelmente dolorido e ele não duvidava que estivesse mesmo um tanto febril. Tonks percebera que alguma coisa estava acontecendo antes de entrarem na casa, quando ele cambaleara ligeiramente para frente. Se ela não o tivesse segurado, provavelmente, ele teria caído.

- Então, vocês já pensam em ter filhos? – a voz espantada de Madame Savin o trouxe de volta para a pequena sala de estar.

Remus piscou os olhos, confuso. De que filhos elas estavam falando? Sentiu Tonks enlaçar novamente sua mão e sorrir docemente para ele.

- Henry faz questão de um pequeno herdeiro maroto. – ela piscou o olho para ele, alegremente – Bexley é um bom lugar para criarmos crianças, Madame Saint-Savin?

O homem sentiu novamente o sangue concentrar-se em sua face. Por que ela o provocava daquela maneira? Antes, no entanto, que pudesse pensar em alguma coisa para responder, percebeu as feições da outra mulher nublarem-se de maneira estranha.

- Bexley já foi um excelente lugar para as crianças. Mas hoje... Eu não tenho mais tanta certeza, Danielle. – ela respondeu, deixando entrever um leve sotaque em sua fala, como se a tristeza a fizesse perder um pouco o controle.

- O que aconteceu? – Remus perguntou, participando da conversa pela primeira vez.

A face preocupada dele realmente poderia ser tomada como a face de um pai extremoso, mesmo que seus filhos ainda não tivessem nascido, pensou a anfitriã, enquanto, com um sorriso cansado, narrava os últimos acontecimentos.

- Eric, Belle, Ariel, Hans... O mais velho, Eric, tem só onze anos. Belle é a irmã caçula de Isabelle, ela está estudando psicologia. Hans é o caçula, tem só cinco aninhos... Ninguém sabe o que aconteceu com eles, não temos notícia alguma, os pais têm mantido suas crianças em casa...

- Mas não há nenhum indício, ninguém estranho que tenha andado pelas redondezas? – Tonks perguntou, observando a senhora com atenção.

- Não. A única pessoa que os viu, ou melhor, que viu Ariel, foi o velho John... Mas ele estava muito bêbado para podermos confiar no que ele diz.

- Mas o que ele disse? – foi a vez de Remus perguntar, ajeitando-se no sofá, tentando não dar atenção às sensações estranhas que estavam percorrendo sua espinha.

- Que ela estava andando sozinha na rua, e que sumiu junto com a névoa, como se fosse um fantasma ou coisa do tipo.

Tonks estreitou os olhos. Remus tivera razão em desconfiar daqueles desaparecimentos. O velho John talvez estivesse sóbrio, mas nenhum trouxa daria atenção a ele quando ele obviamente fazia referência à magia.

A mulher voltou a desviar o assunto para coisas mais amenas e ela esforçou-se por participar da conversa, enquanto observava Remus com o canto dos olhos. Sua mente trabalhava a todo vapor e, ao mesmo tempo em que tentava encontrar uma explicação para as crianças perdidas, ela notava a palidez dos traços dele e o olhar cada vez mais febril.

- Madame Savin, está ficando tarde. – ela observou, após terminar a terceira xícara de chá que lhe fora oferecida – Ainda temos que fazer algumas visitas... Mas foi muito bom conhecê-la.

- Oras, foi um prazer também. – ela respondeu, levantando-se – Vamos, eu os levo até a porta.

Tonks voltou a segurar o braço de Remus, fazendo com que ele apoiasse o peso dele sobre ela. A jovem quase cambaleou, mas, antes que pudesse cair sentada, ele aprumou-se, soltando-se dela, forçando-se a caminhar normalmente.

Eles se despediram gentilmente da boa senhora, que fez muitos protestos para que os dois voltassem tão logo pudessem. Já na rua, Tonks percebeu a lua despontar junto ao crepúsculo. Ela parecia estar cheia... Mas não era possível... Ou teria se perdido nas contas?

- É amanhã. – ela ouviu a voz de Remus responder a sua pergunta muda com a voz fraca – Mas ela está muito forte já...

Ela voltou-se para ele para responder, mas o homem estava agora com o rosto virado para o ar, os olhos fechados... A veia no pescoço estava visível, latejante. Sem olhar para ela, Remus começou a caminhar a passos trôpegos, porém, largos, afastando-se rapidamente dela.

Tonks apressou-se, tentando acompanhá-lo, notando com preocupação que havia algo de estranho nos olhos de Remus agora. Era algo de determinação e de desvario... O que estava acontecendo?

Ele parou de chofre, no cruzamento entre um sebo quase escondido pelas muitas árvores que sombreavam a rua e uma padaria. Tonks também parou às costas dele e observou-o por alguns instantes antes de tocá-lo no ombro.

Remus sentiu as vozes – as mesmas que tinha ouvido quando se desconcentrara com os livros e que tinham recomeçado a persegui-lo desde que tinham saído da casa de Madame Saint-Savin – pararem. E, de repente, um choque no ombro. E escuridão.

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