Surpresas Natalinas



N/A: Oi, gente!
Eu sei que faz séculos que eu não atualizo, mas eu não estava conseguindo pensar em nada para escrever. Ainda não estou muito inspirada, então não esperem muito deste capítulo, mas, de qualquer jeito, eu precisava atualizar logo, antes que vocÊs esquecessem da minha fic! Prometo que o próximo capítulo vai ser melhor!
Beijos
Senhorita Granger


Cap. 10 – Surpresas Natalinas

- Ah, Arthur! – soluçou Molly pela milésima vez, sentada no salão de entrada do St. Mungus – Eu devia ter imaginado que algo ia acontecer. Eu não sei o que faria se ele...

- Molly... – Remus lhe estendeu a mão, que ela segurou com força, e caiu no choro mais uma vez – Fique calma. Os curandeiros já disseram que ele vai ficar bem. Não se preocupe.

- Mas tudo o que poderia ter acontecido – murmurou ela – E se ele... se tivesse acontecido o pior...

- Mas não aconteceu – disse Tonks, sentada do outro lado dela, a mão sobre o ombro dela, já há horas, tentando acalma-la – Você devia ficar feliz por isso. É claro que estamos correndo riscos enormes, e muita gente pode morrer – Molly soltou outro soluço e o fluxo de lágrimas aumentou. Remus olhou para ela censurando-a, mas ela o ignorou – mas vamos sempre esperar pelo melhor, certo? Ele é um bruxo incrível, vai se recuperar logo.

- Certo – ela fungou e secou o rosto, então olhou para os dois, sentados ao seu lado, com um sorriso lacrimoso, agradecido – Obrigada por tudo, queridos. Eu já estou melhor.

Sendo aquela mais ou menos a décima primeira vez que ela dizia aquilo, eles não levaram muito a sério, mas já era algum consolo. O enfermeiro veio informar que Arthur já estava acordado e que ela poderia vê-lo agora. Molly atravessou o saguão tão depressa que Tonks pensou se ela não havia aparatado.

- Ah – murmurou cansada, deitando a cabeça no encosto de sua cadeira e fechando os olhos – É até difícil de acreditar. Pobre Molly – ela bocejou – Ah, estou morta.

- É uma pena – disse a voz de Remus em algum ponto acima dela – Por que os garotos chegaram está noite.

- E daí? - perguntou ela, sem entender.

- Bem - mesmo de olhos fechados, ela sabia, pela voz, que ele estava sorrindo - acho que teremos um Natal para preparar.

---

- O que está rolando entre você e o professor Lupin?

Haviam feito um pequeno intervalo nos preparativos do Natal, e Tonks – burramente, como percebeu nesse momento – tinha concordado em ir ao quarto das meninas supostamente “para que elas lhe contassem as novidades de Hogwarts”. Certo. Tinha sido a desculpa mais esfarrapada do mundo. Como era possível que ela não tivesse percebido?

E o que era pior. Gina não poderia ter sido mais direta. Não tinha absolutamente nenhuma maneira de desviar aquela questão. Olhou para ela, sentada ao lado de Hermione, as duas de pernas cruzadas e olhares curiosos em sua direção.

- Nada – falou, tentando parecer natural – De onde tiraram que tínhamos “alguma coisa”?

- Bem, acho que ficou bem óbvio hoje no café da manhã.

Certo. O café da manhã. Aquela era uma lembrança bastante constrangedora. Mas, afinal, não fora culpa dela. Quem mandou Sirius começar a dar aquelas indiretas para os dois? E que história fora aquela de “Ninfas e lobisomens costumam ser o par perfeito”? Por Merlim, o que eles poderiam fazer a não ser abaixar a cabeça, extremamente constrangidos, depois de uma coisa dessas? E de onde ele tirou aquilo, afinal de contas? Isso sem falar em tudo o mais que dissera, um monte de besteiras...

A vontade imediata dela foi arrancar o pescoço de Sirius, é claro, mas o que os outros iam pensar? Só tornaria tudo mais óbvio. De qualquer forma, obrigou-se a voltar ao presente – que era bem menos embaraçoso – e se viu fitando o rosto ansioso de Gina.

- O que aconteceu no café da manhã? – perguntou sonsamente, soando ridícula até para si mesma.

- Aaaah, não me venha com essa, senhorita Tonks! Você sabe exatamente o que aconteceu. Está mais do que na cara que Sirius sabe de alguma coisa que nós não sabemos. E você precisa nos contar! – disse ela com uma ênfase bastante grande no “precisa” – Está nos matando de curiosidade.

A única coisa que lhe ocorreu no momento foi a sorte que teve de não haver ninguém mais tomando café da manha àquela hora. Imagine ter de contar essa história para Molly, Kingsley, ou ainda Harry e Rony? Talvez fosse preferível lançar em si mesma um Avada Kedavra para evitar a humilhação que seria aquilo.

- Vocês estão apaixonados? – atacou Hermione.

- É claro que não! – ela riu, pega de surpresa, mas a seus ouvidos o riso pareceu forçado – Vocês estão imaginando coisas. Não temos absolutamente nada um com o outro. Sério – as duas continuaram encarando-a como se não acreditassem em uma palavra que saía de sua boca – Er...

- TONKS! – elas gritaram – Por favor, por favor, pode contar para nós! Vamos guardar segredo, eu juro – concluiu Hermione, juntando as mãos, suplicante.

- Bem, é... vocês não iam entender... – estava agindo daquele modo irritante que os adultos tinham. “Vocês não vão entender”! Quantas vezes não tinha odiado aquela mesma frase? – Certo. Mas coloquem uma coisa na cabecinha de vocês: eu só tinha dezesseis anos, e estava perdidamente apaixonada. Não vão começar a pensar em mim como louca depois disso – sabem, mais louca que o normal – e por favor, não contem à ninguém! Principalmente à Molly!

- Conta logo – riu Gina, demonstrando curiosidade – Anda!

- Certo...

Ela contou tudo. Tudo mesmo. E as duas riram quando ela contou do tombo no restaurante, com o prato de macarrão. E gritaram, um pouco histéricas, quando narrou o primeiro beijo deles. E exclamaram e abafaram gritinhos quando ela falou da viagem dos pais, e da casa só para eles. Hermione tinha lágrimas nos olhos quando Tonks contou de quando Remus foi embora, com mais sentimento do que esperava. Deu-se conta de que a voz tremia. Não gostava de falar daquilo, mesmo depois de tanto tempo. Respirou fundo, para voltar ao normal, e riu, um pouco nervosa.

-... E nós nos encontramos este ano, depois de todo esse tempo. E eu acabei descobrindo que não tinha esquecido Remus. Foi isso que aconteceu. Satisfeitas?

-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHH – Gina gritou jogando-se na cama ao lado de Tonks – É tão... tão... ah, Merlim! Eu nem sei...

- Eu não acredito – murmurava Hermione – Simplesmente não dá pra acreditar.

-... Tão romântico! – exclamava Gina – Lindo, lindo, nunca pensei que essas coisas acontecessem de verdade...

-... Nunca pensei que o professor Lupin fosse agir assim...

-... É a coisa mais legal que já ouvi falar...

-... É simplesmente assombroso...

-... Quem me dera...

-... Por Merlim!...

- Meninas! Ei, meninas! – Tonks tentava inutilmente chamar a atenção – MENINAS! – as duas pararam de falar abruptamente e olharam para ela de olhos arregalados – Chega, está bem? Eu contei, e vocês prometeram guardar segredo. Não saiam espalhando por aí!

- Mas, Tonks – disse Gina, colocando-se de joelhos, de frente para a amiga – Você tem que falar com ele! Vocês são feitos um para o outro!

- Já tentamos nos entender, certo? E não deu certo. Agora vão se arrumar, vamos sair daqui a pouco para o St. Mungus.

- Não tente mudar de assunto! Podemos fazer alguma coisa para ajudar? Podíamos falar com ele, bem discretamente...

- Não! Não se metam. Isso é entre mim e ele – elas sorriram, maliciosamente –... Bem, vocês entenderam. Eu não quero que falem nada disso para ninguém, e juro que mato as duas e dou de comer para o Bicuço se mencionarem qualquer coisa com Remus. Finjam que não sabem de nada. Prometem?

- Prometemos.

- Ninfadora... – a porta se abriu, e Molly apareceu à porta – Precisamos de sua ajuda para arrumar a sala de estar. Parece que Monstro sumiu com todos os enfeites natalinos que havíamos colocado ali, e Sirius está ameaçando pendurar a cabeça do pobre elfo no topo da árvore de Natal...

- Já estou indo, Molly – disse ela sorrindo.

Com um último olhar de aviso para as duas garotas, Tonks saiu do quarto. As duas se entreolharam. Pareceram ler a mente uma da outra. Sorriram. Às vezes era necessário quebrar uma promessa.

---

- Não, isso não vai dar certo. Temos que pensar em outra coisa – disse Hermione, balançando a cabeça, com aquele seu ar professoral.

- Mas, Mione, é perfeito.

- Mas é praticamente impossível que a gente consiga preparar tudo isso até amanhã. E quem garante que eles não têm outros planos?

- Não têm – garantiu a ruiva – Eu sei. Ouvi-os conversando com Héstia essa tarde, e os dois vão mesmo estar aqui, pode ter certeza. Só precisamos ser bem discretas, para eles não suspeitarem de nada.

- Bem... – Hermione parecia um pouco insegura – Não sei se acho muito certo, o que estamos fazendo. Sabe, nos metendo na vida pessoal de Tonks. Ela mesma nos pediu que...

- Mas a idéia foi sua! – exclamou a outra, abismada – Ah, vamos, você não pode mudar de idéia agora. Temos tudo planejado! E, no final, pode apostar que ela vai nos agradecer. Os dois vão.

- Bem... – repetiu ela – Certo. Mas se eles descobrirem eu direi que foi tudo idéia sua.

- Não vão descobrir – Gina falou, parecendo muito confiante de si mesma – Eu te garanto.

---

Na manhã de Natal, Tonks acordou com uma batida na porta. Levantou-se, ainda meio sonolenta, e cambaleou até a porta. Quando a abriu levou alguns segundos até se dar conta de que não havia ninguém ali. Saiu, para o corredor escuro, e olhou para os dois lados, varias vezes. Mas não havia ninguém.

Confusa, deu meia volta para tornar a entrar no quarto, quem sabe dormir mais uma ou duas horas, quando notou um pedaço de pergaminho no chão. Apanhou-o, o coração de repente batendo muito rápido.

Coisas estranhas acontecem na noite de Natal.
A mágica está solta esta noite, e ela é toda sua.
Você só precisa dar a chance de ela mudar sua vida.
Hoje, algo surpreendente vai acontecer.

P.S. O sótão não lhe parece um lugar incrível para passar a noite?

-“... Para passar a noite?” – murmurou ela, enquanto lia, em voz baixa. Por Merlim, o que era aquilo? Quem havia mandado? O que estava acontecendo, afinal?

Ela se deu conta de que o sono fora embora. Agora, a curiosidade a consumia. Quem lhe enviara aquele bilhete? Era a maior dúvida que tinha. A resposta mais tentadora, é claro, era: Remus Lupin. Mas não podia ser. É claro que não. Mas então, quem fora?

E por que ela teria que ir ao sótão? Que coisa mais esquisita. E se, na realidade, fosse uma armadilha? Será que ela deveria apenas ignorar o aviso? Ou talvez fosse melhor mesmo verificar o sótão, naquela noite. Por que – e isso era a única coisa da qual ela tinha certeza, no momento – alguém ali estava tramando alguma coisa. E ela era uma peça importante da trama.

---

Remus recebera um bilhete muito suspeito naquela manhã. Ainda o trazia, meio amassado, no bolso do casaco, enquanto tomava uma xícara de café, na cozinha deserta da mansão. Era realmente algo fora do comum. Quem será que havia escrito aquilo? Era poético demais para ser de Ninfadora – ele sorriu – mas quem mais daria uma de “admirador secreto” para cima dele? Provavelmente era uma brincadeira de Sirius. Ele nem iria se preocupar, mas faria questão de se manter longe do sótão naquela noite. O que quer que fosse que o amigo estivesse aprontando, ele não seria a vítima.

- Bom dia, feliz Natal! – de repente, a cozinha grande e vazia estava lotada, parecendo até pequena demais. Molly, Gina e Hermione entraram, tagarelando animadamente, enquanto a primeira começava a preparar o café da manhã, Rony entrou bocejando, e Harry e Sirius discutiam sobre Quadribol, logo nas primeiras horas da manhã, e riam, felizes. Fred e Jorge aparataram de repente, com um estrondo, e caíram em cima da mesa, quase derrubando tudo o que havia sobre ela. Kingsley chegou e, com seu vozeirão, desejou a todos um feliz Natal e muitas felicidades. Agora, o calmo lugar de reflexão de Remus fora ocupado por praticamente uma multidão, que ria, conversava, e emanava tal animação, que ele se viu fazendo parte dela, em poucos minutos.

Então, como de costume sendo a última a chegar, Ninfadora Tonks adentrou pela porta, e Remus parou por um segundo o que estava falando, para olhá-la. Sirius riu maliciosamente e cutucou o amigo nas costelas, dolorosamente, mas ele sequer notou. Por que hoje, Ninfadora parecia mais linda do que nunca.

Os cabelos, negros, compridos, enrolavam-se nas pontas, e pareciam dançar as costas dela, enquanto caminhava alegremente, cumprimentando todos. Os olhos, verdes, brilhavam. Ainda usava seus jeans rasgados, e botas, mas ainda assim... estava maravilhosa. Talvez fosse a ausência dos cabelos curtos e espetados, coloridos, que a faziam parecer um moleque, mas de repente ela não era mais uma garota. De repente ele passou a vê-la como mulher. Uma mulher linda, jovem, atraente, parada ali, a sua frente. E parecia que estava lhe dizendo alguma coisa. Ele se obrigou a voltar a terra, com dificuldade, e viu que ela o observava de foram interrogativa, como se tivesse feito uma pergunta e não obtido resposta.

- Hã... O quê? – perguntou.

- Tem planos para esta noite? – ela perguntou – Vai estar aqui para o jantar, não vai?

- Vou. Mas não tenho outros planos. A não ser que... – o estranho bilhete apareceu em sua mente. Seria possível que fosse de Tonks? – Bem, acho que, na verdade, eu tenho um compromisso.

- Ah... – uma sombra de desapontamento perpassou seu rosto, apenas por um instante, deixando-o preocupado, inseguro quanto ao que estava fazendo – Legal! – disse, voltando a sorrir – Bem, feliz Natal, Remus. Vou... vou ver se Molly precisa de uma ajuda.

Tonks idiota. Idiota, idiota, idiota. Viu? Ele tinha planos para a noite. É claro que a mensagem não era dele. Por que perguntara aquilo, afinal de contas? E com todo mundo olhando! Que grande idiota ela era. Esse Natal com certeza seria um pesadelo.

- Ah, e Tonks! – ela se virou depressa, fazendo o cabelo bater no rosto. Remus olhou para ela, parecendo um pouco sem graça – Você está linda.

Ela sorriu. Talvez não fosse um Natal tão ruim assim, afinal de contas.

Compartilhe!

anúncio

Comentários (0)

Não há comentários. Seja o primeiro!
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.