A profecia de Kira



_ Não gosto desse silêncio! _ afirmou Charlotte deixando uma pilha de uniformes de Hogwarts cair sobre a cama de seu filho, ao lado do malão _ E não gostei dessa idéia de deixa-los à vontade hoje, Emily!
_ Ora, Charlotte... Amanhã você vai estar nesse mesmo quarto em uma casa sem crianças capazes de aprontar alguma arte, torcendo para que o Lumus quebre alguma coisa para você ter com que brigar.
Charlotte avaliou a idéia e disse:
_ Acho que o Lumus vai estar tão deprimido por não ter quem perseguir que nem vai se lembrar de quebrar alguma coisa.
Emily riu e separou as roupas que amiga havia trazido para guardar nos malões. Quando terminou, fechou o primeiro malão com um suspiro e falou:
_ Esse ano vão os quatro de uma vez... Que turminha que eles formaram, não? E pensar que quando voltamos da França Malthus e Gareth eram apenas bebês. Dez anos passam muito rápido quando você tem que lidar com essas ferinhas... Você ainda vai ter a Selene para te dar algum trabalho durante os tempos de aulas!
_ Nem me diga. Minha esperança é que ela seja obediente como a Meggy, mas sem o espírito de Draco que o Gareth herdou... Mas, voltando ao assunto de antes, eu realmente prefiro ter aqueles quatro aprontando debaixo do meu nariz do que ficar esperando eles explodirem alguma coisa.
_ Eu também, mas... Acima de tudo são crianças, Charlotte! Deixe que eles aproveitem o último dia de férias! O que eles poderiam aprontar em tão pouco tempo?
Charlotte lançou-lhe um olhar cheio de expressão e começou com uma lista de motivos para se preocuparem enquanto, com um aceno de varinha, guardava os livros de Gareth:
_ Semana retrasada: eles resolveram criar umas jogadas mais interessantes de quadribol, e para isso usaram a motocicleta que o padrinho do Harry pediu para guardar enquanto ele viajava. Semana passada: eles resolveram fazer um passeio pelo bosque, mas você não perguntou se era para o arvoredo perto da casa dos meus pais, só imaginou! Se o Fred não tivesse dado uma passada aqui para ver se a casa ainda estava inteira, eles ainda estariam a caminho da Floresta Proibida a pé!
_ Tá, eles são bem, anhm, criativos quando estão reunidos. Mas a Meggy é comportada e prometeu para mim que iria vigiar os garotos e não deixar eles passem dos limites.
_ Só tem um único problema: a Meggy é uma só. Uma contra três meninos que não dão a mínima para a autoridade que demos a ela!
Emily encolheu os ombros e fechou o segundo malão que acabara de arrumar.
_ É só mais essa noite. Como eu disse, eles não vão ter tempo de aprontarem muita coisa... espero.
_ Gosma de abóbora com pus daquelas plantas esquisitas que encontramos outro dia? _ perguntou Gregory.
_ Um caldeirão, checado! _ disse Gareth.
_ O Lumus?
O alagatus rosnou baixinho quando Gareth bateu com a varinha no seu cesto de vinil para contá-lo como presente da lista de Gregory:
_ Checado!
_ Kit de explosão do tio Fred?
_ Checado! _ Malthus entrou pela porta carregando uma caixa maior que ele e a largou perto dos outros.
_ Varinhas?
Os três empunharam as varinhas como se fossem espadas.
_ Checado... E por último, mas não menos importante: dedo-duro amordaçado?
_ Checado! _ Gareth rindo fez sinal para o canto do sótão, onde Meggy, sua irmã, encontrava-se amordaçada e presa a uma cadeira. Ela suspirou furiosa e manteve o olhar mortal para os meninos.
_ Então, iniciando operação último dia de férias!
_ Estou indo! _ gritou Emily correndo até a porta para alguém que batia insistentemente. 
_ Eu espero que o seu irmão tenha vindo e eu não tenha perdido a viajem! _ disse Chrisbell entrando logo que Emily abriu a porta ao invés de um cumprimento bem educado.
_ Boa noite, Belly, e Harry não chegou ainda. Muita chuva no caminho?
_ Muita! _ ela respondeu tirando a sua capa encharcada _ Eu realmente acho que já está na hora de você e o Draco retirarem a proteção de aparatamento! Afinal, seus dois filhos vão estar em Hogwarts esse ano e não vão poder aparatar escondidos lá.
_ Só para garantir, eu vou deixar a proteção até eu ter certeza de que eles estão dentro dos terrenos da escola _ disse Emily limpando a água do chão enquanto Chrisbell secava suas vestes e o seu cabelo _ Mas o que você quer mesmo com o Harry?
_ Eu quero falar com ele! Ele prometeu que me ajudaria, mas sempre foge toda a vez que me vê!
_ Aaah... Aquela história de ele ser a sua viti, ops _ ela sorriu amarelo diante da expressão na da alegre da cunhada _ ...seu modelo principal?
_ Sim! Se Harry Potter lançar a minha grife, quem poderá contra a moda Belly Malfoy?... Hum, que cheiro de queimado é esse? Charlotte está cozinhando de novo?
_ Ah! Por Merlin! Meu bolo!
Emily correu para a cozinha no mesmo instante que Draco entrou, também encharcado, resmungando:
_ Não poder aparatar na sua própria casa... Olá, Belly! Pronta para o seu último ano em Hogwarts?
_ Muito engraçado, Draco! Sabe muito bem que eu já me formei e não sei por que eu tenho que prestar esses NIEMs!
_ NIEMs são muito importantes, maninha. Você precisa de um diploma em corte e costura para poder abrir uma loja de roupas!
Chrisbell bateu o pé furiosa e sumiu do caminho do irmão, indo verificar o estrago de Emily na cozinha.
Draco continuou rindo, mas parou de repente quando percebeu uma coisa:
_ Emily?! Por acaso você vendeu as crianças? _ ele perguntou indo para a cozinha _ Estou há cinco minutos parados aqui no hall e não fui atingido por nenhum objeto voador não identificado!
_ Não se preocupe. A Charlotte já se encarregou de procura-los. _ disse Emily enquanto tentava tirar o seu bolo da forma.
_ E isso faz exatamente quanto tempo?
Emily parou de repente o que estava fazendo e olhou para o marido. Nesse instante uma menina loirinha e sardenta entrou na cozinha agarrada a uma dragãozinho de pelúcia e falou:
_ A mamãe foi lá fora pegar a pessoa escura que assustou o Rarus.
Emily e Draco trocaram olhares assustados.
_ Meggy? _ Charlotte entrou no quarto das meninas procurando da filha _ Meggy, você... Onde está a sua irmã, Selene?
A menininha loirinha, que olhava fixamente pela janela agarrada a um dragão, não respondeu.
_ O que te, lá fora? _ perguntou Charlotte se aproximando da janela para ver o que chamava tanto a tenção da sua filha caçula.
_ Ago te augue ora. _ respondeu a menina ao mesmo tempo que mordia a orelha do dragãozinho.
_ Não coloque essa coisa suja na boca! Quantas vezes eu já te falei? Repete.
_ Acho que tem alguém lá fora.
_ Quem?
A menina olhou em volta como se esperasse achar um cartaz que indicasse a pessoa:
 _ Não sei, está escuro lá. E o Rarus também não viu, ele ficou com medo.
_ Medo por quê?
_ Porque a pessoa era escura _ disse Selene levantando os grandes olhos azuis para a mãe.
Charlotte se ajoelhou em frente da filha e perguntou:
_ Escura como?
_ Como as sobras lá fora. _ respondeu ela depois de pensar um pouco.
De imediato Charlotte voltou a olhar para a janela e disse para a menina:
_ Eu quero que você desça e fique com a sua tia, ouviu? Fique perto da lareira e quando o seu pai chegar conte para ele o que disse para mim, entendeu?
A menina apertou ainda mais o bichinho contra o corpo e saiu do quarto não sem antes ver a mãe pegando a sua varinha e abrindo a janela.
_Sua mãe foi fazer o que, Selene? _ perguntou Emily.
_ Lá fora pegar a pessoa escura, e eu acho que ela estava zangada.
_ Draco,... _ ela começou assustada virando para o marido _ Será que ela viu...
_ Eu vou lá ver.
Mas Draco não teve tempo nem ao menos de pagar a sua varinha. O estrondo de uma explosão fez os vidros das janelas tremerem e foi seguido por um grito agudo.
_ Chrisbell! _ disseram Draco e Emily juntos correndo para fora da cozinha.
_ Fique aí Selene! _ Emily ordenou antes de sair.
A menina permaneceu imóvel, ainda agarrada ao bichinho.
Charlotte estreitou os olhos e observou atentamente um volta. Nesse momento ela arrependeu-se até o último fio de cabelo por ter abandonado o seu trabalho no Ministério e ter ficado alheia aos seguidores das trevas. Fora por causa dos filhos que ela havia afastado-se das coisas ruins do seu passado, mas sabia que nunca poderia livrar-se delas para sempre.
E essa era a prova. Agora ali poderia estar um louco psicótico rondando a casa do seu irmão para vingar-se da invalidez do seu mestre e da traição dela.
Com cautela e com a varinha em punho ela andou até o muro que separava os fundos da casa de um arvoredo. Era um lugar perfeito para quem não queria ser visto, mas ter uma visão completa da casa e de seus moradores. Um vento que anunciava mais chuva para a qualquer momento, balançava ruidosamente a copa das árvores.
Quem quer que fosse que Selene tivesse visto estaria ali, bem camuflado, somente esperando que...
KAAAABUUUUUUUUUUMMMM!!!
Charlotte virou-se rapidamente para a casa. Uma luz intensa saia pela janela do sótão e parecia que algo queimava lá dentro, Segui-se um grito que Charlotte reconheceu na hora.
_ Chrisbell! _ ela deu um passo para voltar, mas no mesmo instante ouviu um CRACK não muito distante de onde a pouco ela estava olhando.
Alguém tinha, com certeza, aparatado. Aproveitou-se da explosão para sair dos limites do feitiço que impedia o aparatamento.
O grito de transformou em um choro soluçado, e Charlotte voltou correndo para a casa.
Chrisbell resolvera procurar pelos seus sobrinhos. Desde que tinha voltado da França não conseguira manter um diálogo muito feliz com alguns deles. Só com a menor que ela só havia conhecido por fotos que ela tinha tido algum progresso... pelo menos até ela sugerir um novo penteado para a menina que parecia ter herdado a mesma aversão a laços da mãe.
Ela passou por Selene no topo da escada. A menina cruzou por ela como se não a tivesse visto e desceu os degraus o mais rápido que pôde.
Se tentar ao menos chamar a sobrinha ela foi para o quarto onde as meninas estavam dormindo. Não havia ninguém lá, e as cortinas balançavam fantasmagoricamente como vento que entrava pela janela aberta.
No quarto dos meninos também tudo era silêncio. Ela estava a meio caminho de desistir quanto ouviu um barulho no teto. Então estavam escondidos! Com certeza perceberam que ela estava procurando por eles e resolveram ficar invisíveis. Mas essa oportunidade ela não deixaria passar. Pregaria um susto naqueles pentelhos e eles aprenderiam a não fugiram mais dela.
Com um sorriso desdenhoso, típico de sua família, e um aceno de varinha as escadas que levavam até o alçapão apareceram.
Draco e Emily chegaram ao pé do sótão ao mesmo tempo em que um vulto branco saiu dele passando zunindo pelas suas cabeças.
_ Era o Lumus! _ disse Draco antes de entrarem no sótão e depararem-se com a cena.
Chrisbell estava coberta de algo azul e gosmento, que grudava nela como uma borracha, deixando seus movimentos limitados. O grito parecia ter vindo antes da gosma a ter atingido, porque ela lhe tapava a boca, e somente seus olhos denunciavam que ela estava prestes a estrangular alguém. Em um canto, Meggy estava amordaçada e presa em uma cadeira. Também fora atingida pela gosma e ainda estava em choque olhando para os garotos. Diante de um caldeirão caído que pingava o seu conteúdo, Gregory, Malthus e Gareth encontravam-se olhando abismados para a bagunça. Assim que viram Draco e Emily, os três tomaram ares de vítimas e apontaram uns para os outros.
_ Muito bem! _ Emily parou furiosa na frente dos meninos enquanto Draco soltava Meggy e tentava ajudar a Chrisbell _ O que pensavam fazer com esse grude espessante?!
_ Na verdade, _ começou Malthus _ Não era para ser um grude.
_ É, mãe. _ ajudou Gregory _ Nós queríamos fazer um... um...
_ Bolo! _ completou Gareth.
_ É! Um bolo para vocês, sabem. _ continuou Gregory.
_ É que hoje é aniversário do Lumus, e daí...
_ Já chega, Malthus! _ Emily os cortou _ Não interessa o que vocês pensavam em fazer! Olhe o que fizeram com a tia Chrisbell!
_ E comigo, tia Emily! _ protestou Meggy _ Meus pulsos incharam por causa dessa corda!
_ E com a Meggy! _ acrescentou Emily _ Será que nem no último dia em casa vocês escaparam de uma bronca?... Os três lá em baixo na sala sentadinhos até todos chegarem... JÁ!
Os três desceram arrastando os pés.
_ Ah, Chrisbell. Acho que vamos ter que cortar o seu cabelo.
Chrisbell arregalou os olhos cinzentos frente a declaração do irmão.
_ Mas vocês poderá usar uma peruca rosa, que tal? _ acrescentou ele rindo.
_ Draco! Não piore as coisas! _ Emily o repreendeu _ Meggy, vai lá embaixo e vigie eles! Veja como está a sua irmã, ela parecia assustada.
_ Ok, tia. _ disse ela já saindo.
_ E cuide para não pingar essa coisa pelos tapetes! Assim que a tirarmos da Chrisbell eu te ajudo!
_ E então? _ perguntou Draco.
_ Então o que? _ replicou Emily.
_ Vai chorar de saudades deles depois dessa? _ ele perguntou sorrindo.
_ É claro que vou!... Sentir saudades, não chorar. _ ela respondeu enquanto pegava um pote em um armário _ Aqui, vamos tentar esses bandinhos para remover.
Chrisbell arregalou os olhos mais uma vez frente as criaturas devoradoras de magias.
Charlotte entrou dentro da casa pela porta da cozinha e deparou-se com Selene sozinha olhando para o fogo da lareira.
_ Mãe! _ a menina correu até ela _ A tia Chrisbell gritou e os outros subiram lá para ver e eu fiquei sozinha. Foi aquilo que eu vi?
_ Não sei, filha. _ Charlotte a pegou no colo e foi para a sala.
Assim que chegou ao pé da escada, seu filho e os dois sobrinhos desceram com expressões de poucos amigos.
_ O que fizeram dessa vez? _ ela os interrogou mas ele passaram por ela e sentaram no sofá sem dizer uma palavra.  
_ Eles explodiram o sótão de novo! _ respondeu Meggy que descia pelas escadas _ E a tia Chrisbell pode ficar careca agora!
_ Aff, Por Merlim! Vocês fizeram a pior vitima de todas as suas vidas! Chrisbell nunca vai esquecer! E quem foi que aparatou lá nos fundos? Vocês três sabem muito bem que...
_ Ninguém deles aparatou, mãe. _ disse Meggy confusa _ Eles podem ter me amordaçado e me prendido naquela cadeira, mas eu vi tudo o que eles fizeram. E ninguém aparatou.
_ Se não foram vocês, quem...
Um barulho de alguma coisa caindo veio da cozinha seguido de mais um outro. Charlotte não perdeu tempo e correu com Selene para lá.
_ Caramba, Harry1 _ disse Fred _ Não poderia ter esperado um pouquinho mais só? Quem sabe eu teria salvado metade do que quer que seja que estava cozinhando!
_ Ah, meu Merlin! _ Charlotte não consegui nem olhar para o chão.
Pelo jeito Fred e Harry haviam viajado pela lareira meio juntos, e ao chegarem espalharam todo o jantar que Emily estava preparando pela cozinha.
_ Papai fez bagunça de novo! _ disse Selene esticando os braçinhos para que pai a pegasse.
_ O Harry se entende com a irmã dele!... _ disse Fred desistindo de reparar o estrago e pegando a filha.
_ O que?! _ Harry protestou mas não foi ouvido.
_ Ela é boazinha com você! _ continuou Fred _ Olá, pequena! Adivinha o que o papai trouxe para a Selene?
_ Chocolate!
_ Ela está ficando boa nisso! Quem sabe ela pode se tornar uma grande profetiza?
_ Profecias só anunciam tempos sombrios e desgraças! _ disse Charlotte limpando o chão com acenos de varinha _ E desgraça é o que vai acontecer hoje se não conseguirem tirar o que quer que for do cabelo da Chrisbell!
_ Ela está aqui?! _ perguntou Harry assustado _ Eu pensei que ela não iria vir!
_ Se eu que sou a irmã não consigo fugir, Harry, não vai ser você que vai. E os culpados do que aconteceu estão sentados em fila no sofá esperando as sentenças.
_ E eu nem imagino quem são eles... _ disse Fred saindo com a filha.
_ Não fique parado aí, Harry! Vá para a sala e me deixe arrumar isso aqui. Ou você quer se juntar aos garotos perante a fúria da sua irmã?
_ Graças ao meu irmão e ao excelentíssimo senhor Fred Weasley, o cardápio foi mudado para sopa! _ disse Emily _ colocando a mesa _ Alguma reclamação?
 Ela esquadrinhou os rotos pela mesa que murmuravam nãos cautelosos.
Chrisbell teve que usar uma touca especial, mas Draco garantiu que com a poção que ele usara, o cabelo dela estaria lindo e sedoso novamente em uma semana. Os meninos teriam que limpar toda a bagunça do sótão, lavar a louça do jantar, procurar o Lumus que tinha fugido, e irem dormir sem sobremesa.
_ Podem se servir!... A propósito, Charlotte, por que você foi lá fora? _ Emily perguntou sentando ao lado da amiga enquanto os outros começavam.
_ A Selene disse que viu alguém lá fora e resolvi verificar. Ninguém com boas intenções ficaria rondando a casa.
_ Mas você viu alguma coisa?
_ Na verdade não, parece que aparataram assim que a Chrisbell gritou.
_ Mas a casa e o terreno estão bloqueados para aparatamentos. Tem certeza de que foi isso?
_ Bom, poderia ser algum galho quebrando com o vento ou algum animal.
_ É, deve ser isso. _ ela apontou para outro lado da amiga _ Acho que uma pessoa está querendo a sua atenção.
_ Mãe. _ Selene, sentada com Rarus na sua cadeira alta entre Charlotte e Fred, puxava as vestes da mãe _ Papai está tentando me dar comida de novo! Fala para ele que eu sei comer sozinha.
_ Deixe eu pai feliz hoje e mostre que você não é como o Gareth.
_ Mas ele fica fazendo vassourinha e só acerta o meu nariz!
_ Fred, deixa ela e o dragão comerem sozinhos. Ela sabe muito bem lambuzar o nariz sozinha.
_ Está bem. _ Fred devolveu a colher para a filha e voltou a atenção para as outras crianças _ Ei! Não fiquem com essas caras! As detenções em Hogwarts são bem mais divertidas o que os castigos de casa!
_ FRED! _ quase todos os adultos chamaram a atenção dele, menos Chrisbell que recobrara seu ânimo para soluçar.
_ Desculpem. _ disse Fred _ Mas todo o ano, nessa época, eu não posso evitar essas lembranças... Alguém me alcança o queijo?
_ GREGORY! NÃO PELA JANELA! MALAS-VÃO-PELA-PORTA!... Ajuda eles, Charlotte! Eu vou ensinar esse menino como embarcar as malas!
_ Eu também quero ir! _ reclamou Selene _ E o Rarus quer ir junto! A Meggy pode me levar, mãe?
_ Você ainda não tem idade para poder entrar em Hogwarts, Selene. Papai já te explicou.
_ Papai falou que se você é muito pequena os javalis dos portões comem a sua cabeça.
_ Sério? _ perguntou Malthus aparecendo na janela em frente a elas. _ Tio Fred falou isso? Que demais!
_ Não tem javalis comedores de cabeças em Hogwarts, Malthus. _ disse Charlotte revirando os olhos _ Agora chama a Meggy que eu preciso falar com ela.
O menino saiu da janela e logo em seu lugar apareceu a menina de cabelos vermelhos.
_ Meggy, por favor, cuide do seu irmão e do seu primo.
_ Cuidar do que mãe? Do professor Snape?
_ Dele também, mas estou falando para você tomar cuidado. Preste atenção ao que acontece á sua volta.
_ Mãe, Hogwarts é segura! O único perigo que vamos enfrentar são as provas antes das férias de Natal.
_ Hogwarts é uma grande escola. _ disse Charlotte suspirando e tirando o dragãozinho da boca da filha mais nova _ E grandes bruxos já passaram por lá. Ela não é mais tão segura depois que alguém a conhece inteiramente.
_ Ok, mãe. Sei que você não quer que aconteça o mesmo que aconteceu com vocês, mas isso foi há anos! Não tem nenhum Lord das Trevas solto pela Inglaterra!
_ Não consigo entender como ele pode ser tão infantil! _ Emily voltou bufando até a amiga.
_ Ele é filho do Draco, o que você esperava? _ Charlotte levantou uma sobrancelha.
O trem apitou e começou a movimentar-se. Os meninos foram até a janela e começaram a acenar e fingir que choravam desesperadamente por não quererem ir. Quando finalmente o trem sumiu em uma curva, Emily e Charlotte suspiraram aliviadas.
_ Mãe, quero ver um trouxa. _ pediu Selene.
_ Eles não são bichos de zoológicos, filha. E agora nós vamos com a tia Emily para... para onde mesmo, Emily?
_ Temos que entregar essas roupas para a Kira. Se alguém consegue vender as roupas da Chrisbell é ela!
As três saíram da estação e foram até o caldeirão furado e de lá até a antiga loja da Madame Malkin. Kira havia a comprado quando a antiga dona resolvera mudar-se definitivamente para a França. Ela a reformara e conseguira manter o posto de a melhor loja inglesa de roupas para ocasiões especiais ou não.
Assim que elas entraram, Kira estava acabando de atender uma cliente. Quando ela as avistou apressou-se em atende-las sem nem mesmo despedir-se a cliente:
_ Olá! Que surpresa! _ ela pegou as sacolas que Emily trazia e as entregou para uma ajudante _ Como vai no ministério, Emily? Muitos problemas?
_ Acabei de mandar para hogwarts metade dos meus problemas, Kira.
_ Venham aqui o fundo! _ convidou ela mal contendo o sorriso de orelha-em-orelha _ Vamos conversar!
Elas a seguiram até o fundo da loja onde havia algumas poltronas confortáveis para acompanhantes entediados esperavam por quem estava no provador. Selene sentou-se no chão, colocando Rarus sentado comportadamente ao seu lado. Mas foi por pouco tempo, assim que ela olhou em volta viu tantos tecidos de texturas e cores diferentes não resistiu:
_ Posso ver, mãe? _ perguntou ela apontando para o labirinto de cabides.
_ Não. _ disse Charlotte _ Nós já vamos voltar e a Kira quer a loja inteira até o final do dia.
_ Pode deixar ela, Charlotte. _ disse Kira sorrindo e passando a mão pela cabeça da menina _ O que uma gracinha dessas poderia fazer de mal?
Emily e Charlotte entreolharam-se.
_ Vai, querida. _ disse Kira e a menina saiu pulando com o dragãozinho pendurado na boca._ E eu precisava mesmo conversar com você, Emily, sobre essas roupas da Chrisbell.
_ O que? Tem alguma encomenda? _ perguntou Emily com um sorriso de alívio e esperança.
_ Na verdade, não. Tenho todas guardadas no depósito. Acho que o pessoal ainda não está pronto para ... estilo dela.
_ Foi o que eu disse desde o início. _ disse Charlotte _ O que vamos fazer agora? Ela vai ter um daqueles ataques.
_ Vamos falar para ela com jeitinho. _ suspirou Emily.
_ Está louca? _ perguntou Charlotte incrédula _ Falar com jeitinho? Se lembra do que ela fez quando você tentou falar com jeitinho que o seu irmão não queria ser o modelo oficial da grife dela?
_... é mesmo... Ah, meu Merlim! O que vamos fazer?!
_ Eu tenho uma sugestão. _ disse Kira _ Tem uma outra loja nos arredores do Beco Diagonal que vende roupas para gostos estranhos. Talvez lá eles consigam vende-las.
_ SELENE! ESSA ROUPA NÃO SERVE PARA O RARUS! _ Charlotte levantou-se correndo para evitar que a filha acabasse com a costura de um vestido de aparência carrísima.
_ Anhm... vamos lá pegar as roupas, Kira? _ pediu Emily.
_ ...Como ela conseguiu colocar aquele vestido no dragão? _ Perguntou Kira abobada.
_ Vamos? _ Emily puxou Kira mas ela parou com os olhos desfocados _ Kira? O que foi?
_ Um novo mal vem. Não tão abrangente quanto o outro, mas será se as trevas cobrirem aqueles que não acreditam. A verdade será subjugada pela duvida. O amor será rebaixado. A pior escuridão é aquela que cega nossos corações. E quando os corações ficam escuros, tempos escuros virão.
_ O que? _ perguntou Emily sem entender.
_ O que? – perguntou Kira confusa. _ Eu... não... _ e ela caiu no chão._ Ah! Por Merlim! Charlotte! Me ajuda aqui! _ Emily segurou Kira e a fez levitar até ao sofá.
_ O que foi? _ perguntou Charlotte vindo até ela segurando Selene que ainda estava agarrada ao vestido.
_ Eu não sei! Ela falou agluma coisa e... desabou! 

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