Parte I



Aquela era uma noite comum naquela casa. No momento, encontravam-se ali apenas duas pessoas, uma mulher e sua filha; seu marido ainda não havia chegado, e imaginando que provavelmente ele demorasse mais para chegar, achou melhor colocá-la para dormir. Chamou então a criança para o quarto, Wanessa tinha apenas seis anos, e como sempre pediu:

_ Ah mãe, deixa eu ficar esperando o papai! - disse a garotinha rumando com a mãe para o quarto.

_ Talvez seu pai demore querida, já está ficando tarde. É melhor você ir dormir agora - a mulher disse, enquanto falava a menina ajeitava-se na cama.

_ Mas eu não estou com sono - reclamou a menina, a mulher sorriu.

_ Você quer que fique aqui até você dormir?

_ Quero... Mãe? - Wanessa a chamou.

_ Sim?

_ Conta uma historia para mim - ela pediu. A mãe já estava levantando-se da poltrona que havia ao lado da cama da garota, quando essa a impediu - Não! Eu não quero aquelas histórias, já estou cansada de ouvi-las!

_ Então acho que preciso comprar uns livros novos para você - a mulher disse sorrindo, olhando para a estante da filha, estava completamente lotada de livros.

_ A senhora não sabe nenhuma história que não tenha nos livros?

_ Hum... - ela ficou pensativa - Eu conheço uma que não tem nos livros sim!

_ E sobre o que é essa história? - ela perguntou curiosa.

_ É uma história de amor, querida. Uma linda história de amor - a mulher sorriu.

_ Ah mamãe, não me diga que é aquele tipo de história de princesa que encontra seu príncipe encantado! - a menina ficou um pouco aborrecida, já era grandinha para essas histórias, pensou.

_ Não Wanessa, não é esse tipo de história - a mulher pausou, fechou os olhos e deu um longo suspiro, em seguida olhou novamente para a filha e sorriu - Acho que você adoraria ouvi-la, quer que eu conte ou não?

_ Certo - ela disse.

_ Bom... Como eu começo? - ela, tocou o queixo, pensativa. A filha ajeitou-se na cama, então a mulher começou...

A história toda começa numa viagem de trem, pra dizer a verdade. Foi ali que se conheceram, ali começaria uma grande amizade, e num futuro desconhecido para ambos... Um grande amor. Estavam indo para a mesma escola, Hogwarts, onde aprenderiam a ser bruxos, mas certamente aquela não foi a única coisa que aprenderam. Harry Potter e Hermione Granger, quem diria que se tornariam grandes amigos? Viveram tantas coisas juntas, inúmeras aventuras perigosas, perdas irreparáveis, mas nada, nada era capaz de abalar a amizade deles, pelo menos eles pensavam.

Tinha o Rony, é claro. Grande amigo dos outros dois, também sempre esteve presente nas aventuras de Harry Potter, o “menino-que-sobreviveu”. Andavam sempre juntos, algumas desavenças, certas vezes, os separavam, mas sempre era algo fugaz, nunca afetou a amizade que tinham. Mas no sexto ano, tudo ficou diferente. Tudo começou quando Rony descobriu que Hermione havia ficado com Krum, um rapaz de outra escola bruxa que conheceram certa vez. Ele ficou furioso, não somente pela amiga ter escondido aquilo dele, mas também porque achava que sentia algo por Hermione, algo mais que uma simples amizade.

Hermione, sentia-se do mesmo jeito que Rony, quer dizer... Ela não sabia o que sentia pelo amigo, mas achava que não era apenas uma simples amizade. No entanto, Rony, para “se vingar” de Hermione começou a namorar Lilá, uma colega deles. Ela simplesmente não podia acreditar, como ele poderia fazer isso? Aquilo era infantil, ficar com alguém só para lhe provocar! Raiva... Foi o que ela sentiu quando descobriu aquilo, mas a raiva foi acompanhada por um sentimento de decepção, uma dor que ela julgou insuperável... Tola... Aquilo não era nada se comparado ao que estava por vir! Só a dor de amor é insuperável!

Talvez tivesse sido a partir daquele momento, a partir daquela ação de Rony que tudo começou. Enquanto procurava refugio na beira do lago, naquela noite de lua cheia, alguém veio lhe consolar. Deu um pequeno sorriso quando o viu... Sabia que viria, sabia que sempre poderia contar com ele.

_ Mione - ele a chamou de maneira doce e carinhosa - Eu... Eu... - ele não era muito bom em certas ocasiões.

_ Não precisa falar nada Harry - ela disse, Harry Potter começou a se aproximar dela - Apenas fica aqui ao meu lado.

_ Sempre Mi, eu sempre estarei ao seu lado - disse ele enquanto sentava, a olhou com carinho, a preocupação estava estampada em sua testa - Olha... Tenho certeza que o Rony vai perceber o quanto gosta de você - ela sorriu.

_ Sabe Harry... Eu não tenho certeza se o Rony gosta de mim de verdade.

_ Mione, claro que gosta.

_ Tudo bem, ele pode gostar de mim, mas não é da maneira que eu imaginava, alias... Acho que nem eu gosto dele da maneira que imaginava - disse ela.

_ Como assim? Eu pensei que...

_ Eu também Harry, mas agora vejo que não poderia amar alguém como Rony, alguém que preferi fazer alguém sofrer só por orgulho - ela parecia magoada.

_ Ele só ficou chateado por você não ter contado sobre o Krum...

_ Isso não é justificativa! Eu gosto muito do Rony, mas... - ela o encarava, podia ver que aqueles olhos verdes prestavam atenção em cada palavra que dizia - Fico imaginando... O que ele não seria capaz de fazer a cada briga que tivéssemos!

_ Eu entendo - ele olhou para o lago agora - Mas, Mi... Eu não queria ver meus dois melhores amigos brigados.

_ Não se preocupe Harry, eu não vou ficar brigada com o Rony - ele sorriu para a garota - Logo, logo a gente faz as pazes.

_ Fico feliz de saber isso - disse ele.

_ Hum... Harry?

_ Oi?

_ Era... Era só isso que te perturbava? - ela o conhecia como a si mesmo. Ele sorriu.

_ Será que algum dia eu poderei esconder algo de você? - ele voltou a encará-la.

_ Acho que não Sr. Potter!

_ Eu vou te contar Mi, mas não hoje - ele pausou - É porque eu ainda não tenho certeza, sei lá, posso estar apenas confuso!

_ Eu entendo e esperarei! Quando você quiser contar eu estarei aqui para te ouvir - ela o olhou, mas dessa vez foi diferente. Reparou cada detalhe do rosto dele, aquele sorriso! Ah, como Harry tinha um sorriso lindo... Juntando com aqueles olhos verdes... Ele era incrível, o Harry... Seu querido amigo Harry.

Harry não se chateou quando soube de Krum... Talvez tivesse ficado um pouco triste, mas entendeu que a amiga não se sentiu confortável de falar sobre aquilo. Como ele era compreensível... Era um amigo de verdade, um garoto maravilhoso. Pensou na sorte da bruxa que conseguiria o coração dele. Ah, ela com certeza teria que passar pela aprovação de Hermione... Não deixaria qualquer uma namorar Harry... Sorriu devido tais pensamentos.

_ Harry... - ela o chamou.

_ Hum? - ele voltou a fitá-la.

_ Eu amo você sabia? - disse sorrindo, provavelmente a primeira e última vez que diria aquilo para ele... Pelo menos significando apenas um amor de amigo.

_ Eu também amo você Mi - ele a abraçou, Hermione sempre soube que era uma amiga especial para Harry, a única que ele realmente confiava.

Os dias foram passando, e como Hermione disse, ela e Rony voltaram a ser amigos. O namoro dele não a perturbava mais, não a deixava triste. Entretanto, o fato de Rony agora ter uma namorada, significava menos tempo para ela ou para Harry, isso, de certa forma aproximou ainda mais os dois amigos. Hermione percebia algo estranho em Harry, em certos momentos ele parecia desconfortável e ligeiramente corado, foi então que ela notou que aquilo só acontecia quando Gina estava por perto. Numa noite, quando só restaram os dois no salão comunal da Grifinória, teve certeza.

_ O que foi Mione? Por que está me olhando deste jeito? - Harry perguntou, desde que chegaram no salão comunal que ela não parava de estudá-lo.

_ Nada não - ela disse sorrindo, lembrou que Harry pedira tempo, provavelmente porque não tinha certeza de seus sentimentos.

_ Como nada? - perguntou ele desconfiado - O que você está pensando hein?

_ Ah Harry! Vai querer saber o que estou pensando - ela levantou, mas Harry a puxou de volta, ela acabou caindo no colo dele.

_ Claro! Tenho certeza que é algo sobre mim - disse ele, Hermione podia sentir a respiração dele, estavam muito perto, mas ela não se moveu. Seu coração bateu mais forte naquele momento, mas por quê? Nunca se sentira daquele jeito com ninguém, nunca sentira tamanho nervosismo, as palavras não lhe vinham, algo realmente raro.

_ Vo-você anda muito convencido sabia? - ela finalmente arranjou forças para falar e sair de cima de Harry - Por que eu ficaria pensando algo sobre você?

_ Você não me engana Mione - ele falou - E então, vai me contar ou não? - Hermione soltou um pequeno muxoxo.

_ Harry... Bom... Como é que eu vou falar com você, se você ainda não deseja falar sobre isso? - ela o viu corar.

_ O que está querendo dizer?

_ Eu notei mudanças em você. Há momentos em que você fica completamente corado ou se atrapalha nas palavras... Mas eu notei que isso acontece particularmente quando a Gina está por perto - ela falou, nunca vira Harry tão corado.

_ Mione... Eu não contei nada porque eu não tenho certeza ainda - ele falou, Hermione aproximou-se novamente e sentou ao seu lado.

_ Eu sei Harry - ela tocou na mão dele - Você já falou isso a ela?

_ Não! Claro que não! Ela ta namorando esqueceu? - ele falou.

_ É verdade, mas... A Gina gostava de você Harry, quem sabe ela ainda não goste? - disse Hermione.

_ Eu preciso ter certeza dos meus sentimentos primeiro Mione, estou confuso. Além disso, ela é irmã do Rony - lembrou Harry.

_ Ah Harry, isso não é problema! - ela sorriu, provavelmente Rony ficaria feliz da vida se Harry namorasse a irmã.

_ Não quero que ele pense que estou querendo me divertir com Gina - ele falou.

_ Não pensaria! Rony te conhece, ele sabe que você nunca faria isso - ela o encarou, Harry parecia preocupado - Você é o garoto mais legal de Hogwarts Harry, Rony adoraria um cunhado como você! E a Gina... Bem, ela seria a bruxa mais sortuda se tivesse você como namorado.

_ Você acha?

_ Eu tenho certeza - ela forçou um sorriso. Claro! Como não percebera isso antes? Harry era o tipo de garoto que ela queria. Maravilha... Estava apaixonada pelo seu melhor amigo... E pra piorar: estava aconselhando-o a se declarar a outra. Ficou perdida por uns tempos em seus pensamentos que sequer ouviu Harry a chamar.

_ Mione! - ela finalmente o ouviu - Está tudo bem?

_ Sim! Está tudo bem - ele a olhou desconfiado - Sério! - ela deu risada de si mesmo.

_ Por que está rindo?

_ Acabei de descobri que sou uma burra! - disse ela.

_ Burra? Ah, Mione fala sério! O que foi? Que você errou do exame da McGonagall?

_ Não Harry, não foi algo do exame que eu errei - ela o encarou.

_ E o que foi? Se não é algo relacionado ao estudo me diz, quem sabe eu não possa te ajudar - ele se aproximou.

_ Ninguém pode me ajudar Harry! - disse ela. Beleza... Tinha que admitir que a dor que sentira por Rony não chegou nem perto dessa. Por que tinha a impressão que era apenas o inicio? Lógico... Afinal Harry logo teria certeza que gostava de Gina e quando esta resolvesse namorá-lo... Perfeito! O perderia de vez!

_ Mi, você tem certeza que está bem? - Harry notou um brilho diferente nos olhos da garota, as conclusões de Hermione deixaram-na com vontade de chorar.

_ Sim, não se preocupe - ela virou, provavelmente na tentativa de evitar que ele visse aquela lágrima solitária que rolou do seu rosto - Eu já vou dormir...

_ Espera - ele pediu, depois de enxugar o rosto ela virou para ele - Eu te contei sobre meus sentimentos, mas no momento em que me senti confortável para isso. Então, quando você se sentir confortável para conversar comigo sobre seus sentimentos, saiba que estarei sempre pronto para ouvi-la. Eu sou seu amigo Hermione, nunca se esqueça disso.

_ Não esquecerei - ela disse com um sorriso forçado. “Obrigada Harry por lembrar-me que sempre será apenas um amigo”, pensou ela naquele momento. Foi até ele e o beijou na face.

Os dias nunca foram tão desconfortáveis para Hermione, depois que se descobriu apaixonada por Harry, não podia vê-lo que se sentia completamente “perdida”. Ah, como ele era perfeito, tão gentil... Aquele sorriso meigo sempre estampado no rosto deixava-a sem jeito toda vez que eles estavam juntos. Voltavam de uma aula de Poções quando Hermione percebeu que seu sofrimento estava apenas começando. Gina e Dennis discutiam, momentos depois Harry e Hermione viram-na deixá-lo falando sozinho.

_ Gina, o que houve? - Hermione perguntou.

_ Terminei com o Dennis - a ruiva explicou, Hermione imediatamente notou um pequeno sorriso se formando no rosto de Harry - Dá pra acreditar que ele estava me traindo com a Parvati?

_ Você está bem? - Harry questionou preocupado, mesmo que tivesse ficado feliz com a noticia do término do namoro, a causa do rompimento provavelmente deixaria Gina abalada.

_ Sim - a ruiva sorriu para ele - Na verdade... Eu já imaginava que isto estava acontecendo, o Dennis estava estranho há tempos, e isso acabou desgastando nosso relacionamento.

_ Se precisar de alguma coisa... - disse Hermione.

_ Obrigada Mione - Gina abraçou a amiga - Estou bem!

_ Eu vou até a biblioteca - Hermione avisou, notara o olhar de Harry para Gina.

_ Não vai comigo para a próxima aula? - Harry perguntou.

_ Nos encontramos lá - ela deu um pequeno sorriso e saiu, deixando-os sozinhos, pôde ver que Harry e Gina começaram um dialogo, seu coração doeu naquele momento. “Não é de você que ele gosta, é dela”, pensou ela enquanto caminhava sem rumo pelos corredores.

Hermione sabia que agora provavelmente Harry e Gina poderiam vir a namorar, por mais que gostasse de Harry de nada adiantaria confessar tal sentimento se o coração dele já era de Gina. Poderia arriscar perder a amizade dele, algo que para Hermione seria pior que vê-los juntos. Pelo menos poderia ter Harry perto.

As suposições de Hermione não demoraram a acontecer, em algumas semanas Harry e Gina começaram a namorar. Ela tinha Harry por perto, mas... Aquilo era realmente difícil. Agüentá-los juntos era torturante, ouvir Harry dizendo que gostava dela, ver beijos apaixonados... Por muitas vezes desejou não ter aquele sentimento por Harry. Com os dois melhores amigos namorando, Hermione agora passava maior parte de seu tempo sozinha. Caminhava perto do lago naquela noite, o inverno dava sinais de sua chegada com um vento frio e seco, não tardaria a nevar.

_ Pergunto-me o que fazes sozinha nesta noite fria - disse uma voz que ela imediatamente reconheceu.

_ A solidão agora é minha melhor amiga - ela respondeu num tom de melancolia. Há tempos Hermione dava sinais de tristezas e por mais que os amigos questionassem as razões, ela nunca dizia.

_ Ah Mione, não fala assim - Harry se aproximou, gostava tanto da amiga, vê-la daquele jeito o deixava triste - O que há? Conta-me.

_ Nada Harry, pelo menos nada que você poderia me ajudar - ela falou. Harry agora estava de frente para a garota.

_ Perdoa-me se não passo mais tanto tempo junto a ti.

_ Não precisa se desculpar, eu entendo que não sou mais necessária agora.

_ Você sempre será necessária para mim, Mione - ele tocou seu rosto, sentiu sua pele fria.

_ Cadê a Gina? - ela perguntou.

_ Ta no castelo, a gente teve uma pequena discurssão.

_ Claro, é só nestes momentos que lembras de mim, não é? Só quando ela briga com você - ela disse friamente.

_ Desse jeito penso que sentes ciúmes.

_ E se sentir? Por acaso eu não posso? - ela começou a si alterar - Estou cansada Harry, estou cansada de ser perfeita, de só ter sentimentos nobres. Eu sou humana, eu tenho minhas vontades, tenho defeitos...

_ Não estou entendendo - Harry parecia confuso.

_ Claro que não Harry, você não tem como entender! - ela pareceu se acalmar - Esqueça, volte para o castelo, deixe-me sozinha.

_ Eu não vou deixá-la sozinha até você me explicar! Hermione, estou preocupado com você, será que não dá pra entender isso? Quer saber? Também estou cansado, cansado das suas desculpas sem sentido, eu quero uma explicação!

_ Uma explicação? - a voz de Hermione estava fraca, não tinha mais forças para fingir, para reprimir aquele sentimento.

_ Sim Mione, é tudo que te peço, uma explicação para o que ta acontecendo com você - ele pediu.

_ Eu amo você Harry - ela disse olhando-o nos olhos.

_ Mione, eu também amo você - ele sorriu.

_ Não te amo do mesmo jeito que me amas, não te quero do mesmo jeito que me queres, não te vejo do mesmo jeito que me olha - uma lágrima rolou do rosto dela, Harry estava completamente sem ação - Por que estou distante? Porque não consigo ficar perto do meu amor e vê-lo nos braços de outra. Por que vivo sozinha? Porque apenas na solidão não preciso fingir que és apenas meu amigo. Por que estou triste? Porque sei que nunca me amarás do jeito que te amo. Será que já tens explicações o suficiente? Será que agora já pode me deixar em paz na minha dor?

_ Mione... - Harry não sabia o que dizer.

_ Eu não estou te pedindo nada, apenas não se afaste de mim - ela enxugou o rosto.

_ Eu...

_ Que droga Harry, será que dava pra você falar alguma coisa! - ela gritou, era torturante vê-lo olhá-la daquele jeito.

_ O que você quer que eu diga, Mione? Acabo de descobri que minha melhor amiga me ama, que estava sofrendo esse tempo todo por minha causa? Eu não sei o que dizer.

_ Eu não deveria ter contado... - ela ia saindo, mas ele a puxou.

_ Você quer que eu diga o quê? Que eu te amo? Eu não sei se te amo desse jeito, além do mais estou com a Gina! - Harry a olhava fixamente, seus olhos demonstravam angustia, ela podia perceber que assim como ela, ele não queria perdê-la.

_ Eu não quero que digas que me ama sem amar, não quero que termine com a Gina por minha causa. Queria apenas que me abraçasse, que dissesse que não se afastaria de mim, que continuaria sendo meu amigo.

_ Era isso mesmo que queria que eu dissesse e fizesse? - ele perguntou, Hermione não entendia aquele olhar de Harry. Desistiu... A melhor coisa a fazer era tentar esquecer, não apenas o amor que sentia, mas também a amizade que tinham.

_ Esqueça Harry, esqueça tudo, inclusive de mim - ela falou tristemente.

_ Mione... - Harry agora tinha lágrimas nos olhos.

_ Sinto muito - ela saiu, não olhou para trás, não queria abandonar aquela decisão.

Hermione sentiu como se seu mundo tivesse acabado, tudo que ela mais temia se concretizou, perdera Harry, até mesmo sua amizade. Por que deixou aquilo acontecer? Por que se apaixonou por ele? Por que ele não poderia amá-la? Porque não mandamos no nosso coração, e se ela não pôde escolher por quem se apaixonar, Harry também não podia. Sentiu-se egoísta, não podemos exigir das pessoas sentimentos que devem ser dados por vontade própria.

Os dias que se passaram foram terríveis para Hermione, a ausência de Harry em sua vida era dolorosa. Algumas vezes o viu se aproximar, como se quisesse falar com ela, mas todas as vezes algo o impedia. Hermione não fora falar com ele, não por orgulho, mas por vergonha. Rony questionara o que houve entre eles, mas pelo visto nenhum dos dois queria falar sobre aquilo. O feriado de Natal chegou, e Hermione deixou Hogwarts para passar o Natal com os pais. Rony a convidou para passar o feriado na Toca, mas ela recusou ao saber que Harry iria também.

Parece que passar uns dias longe dele ajudaram-na um pouco, ao menos não o encontrava frequentemente pelos corredores e via aqueles olhos verdes olhá-la com tristeza. Mas o feriado passou rápido, e ela logo teve que voltar... Foi então que algo aconteceu. Quando se despediu dos pais na estação 9 ¾ , Hermione caminhou sozinha para o expresso de Hogwats, sentia uma sensação estranha, era como se estivesse sendo observada. Já podia ver alguns alunos de Hogwarts, inclusive avistou Rony, Harry e Gina. Foi a última coisa que viu antes de sentir aquela dor, uma dor insuportável que a fez cair de joelhos no chão. Quando deixou de senti-la, pôde ver o comensal que a atacava e outros ao seu redor. Não teve muito tempo para pensar no assunto, pois foi mais uma vez atingida pela dor...


_ Não imaginas o que Harry Potter sentiu ao ver Hermione sendo torturada pela maldição “Cruciatus” - disse um homem que acabara de chegar à porta do quarto da garota.

_ Papai - a menina correu até seus braços, ele a segurou e sorriu para a esposa.

_ Desculpa a demora, tive que rever uns relatórios - o homem explicou.

_ Tudo bem - a mulher disse.

_ Será que posso ajudar a contar essa historia? - ele perguntou.

_ Claro papai - a garotinha desceu do colo dele e o puxou, ela deitou novamente e o homem pegou uma cadeira e colocou ao lado da poltrona onde estava sua esposa. Em seguida, ele segurou a mão dela e começou.

Era um ataque de comensais, Harry não entendeu a razão do ataque apenas pegou sua varinha e correu até Hermione, podia ver a amiga no chão contorcendo-se e gritando de dor enquanto um comensal a torturava, sem pensar duas vezes Harry lançou um feitiço estuporante e cessou o ataque à amiga. Mas havia outros comensais, então um duelo teve inicio. Rony e Gina foram ajudar Harry, assim como antigos integrantes da AD. Entretanto, eles ainda eram inexperientes, os ataques dos comensais eram mais potentes e quando estavam ficando em desvantagem, alguns membros da Ordem da Fênix apareceram e os ajudaram.

Assim que conseguiu, correu até o corpo de Hermione, que jazia imóvel no chão da estação. Viu membros da Ordem da Fênix conseguir vantagem sobre os comensais, e em pouco tempo pareceu que desistiram, pois começaram a desaparatar. Harry virou o rosto de Hermione para si e percebeu que ela estava inconsciente, o medo tomou conta de seu coração, não podia perdê-la, não agora, não depois que finalmente percebera que a amava. Chorou enquanto abraçava o corpo dela, viu Rony e Gina aproximarem-se para saber se ela estava bem.

Hermione teve que ser levada para o St. Mungus, saber que ela ainda estava viva acalmou o coração de Harry, mas não o suficiente para impedi-lo de acompanhá-la, implorou a McGonagall, que logo chegou ao local e esta acabou dando-lhe permissão para ir. Era torturante aquela espera, era torturante ver os medi-bruxos correndo pelos corredores, era torturante não ter noticia... Por que Voldemort tinha que fazer aquilo? Um peso na consciência bateu em Harry... Porque ele não tinha praticado oclumência o suficiente para impedir que Voldemort invadisse sua mente!

Sim, fora tudo sua culpa... Sentou-se numa das cadeiras do S. Mungus, fechou os olhos... Viu tudo como num flashback. O começo do namoro com Gina, as mudanças de Hermione... A tristeza visível na amiga, por que ela estava daquele jeito? Tantas vezes tentou falar com ela, mas sempre era repelido, será que não confiava mais em nele? Pensar que Hermione estava com problemas acabou provocando brigas entre Gina e ele, a garota achava que Harry dava mais atenção a Hermione que ao namoro deles.

E então naquele dia ele descobriu... Ele era o responsável pelo sofrimento de Hermione, era por sua culpa que ela estava triste. Hermione o amava, mas o que ele sentia? Não sabia... Mas não podia fingir que saber aquilo não lhe afetou, uma confusão instalou-se em seu coração. Estava com Gina, gostava dela, mas... Hermione, sabia que o que sentia por ela era algo forte, algo especial, mas ele sempre julgou que aquele sentimento seria apenas amizade, será que era por isso que se sentiu tão mal quando a ouviu pedir que a esquecesse?

Será que aquela dor de perda era simplesmente porque não teria mais sua amiga? Ou será que era porque sem ela ao seu lado ele não era o mesmo? Sem ela ao seu lado não havia mais alegria? Será que aquilo era apenas amizade? Os dias que se passaram foram os piores para Harry, por tantas vezes tentou falar com ela, mas nunca conseguira. Rony o convidou para passar o Natal na Toca e ele aceitou, acabou descobrindo que Hermione não iria justamente porque ele iria.

Mesmo longe, não conseguia parar de pensar nela e na falta que ela fazia, estava na sala com Gina, mas seu pensamento não estava ali. A namorada o achou frio, uma pequena discussão... Gina notara que Harry estava distante há algum tempo... “Você não me ama, não é Harry?”, ele a olhou, mas não viu rancor em seus olhos. “É dela que você gosta, da Mione”, ela disse, Harry não respondeu imediatamente.

“Eu gosto muito de você Harry, mas sinto que não sou correspondida, foi muito bom namorar com você, mas acho que não devemos continuar”, Harry tocou-lhe a face, “Você não ficaria brava comigo?”, ele perguntou, Gina balançou a cabeça negativamente, ele viu uma lágrima rolar em seu rosto, “Você foi um namorado maravilhoso, tenho certeza que fará a Mione muito feliz”. Harry a amava, sim, a amara esse tempo todo, como nunca percebeu? Foi preciso perdê-la para saber que a amava... Falaria com Hermione assim que voltassem para Hogwarts. Dormiu tão feliz naquela noite... Provavelmente naquela noite Voldemort descobrira que ele a amava e tentou afetá-lo atacando Hermione.

Abriu os olhos, por que todos que amava tinham que sofrer? Será que não seria perigoso para Hermione se ficassem juntos? Estavam brigados, se chegasse a hora de atacar Voldemort, ela não lutaria ao seu lado... Será que teria que desistir dela para salvá-la? Chorou sozinho, até que um medi-bruxo veio até ele.

_ E então, ela está bem? - Harry perguntou.

_ Bom... Deve saber que ela foi atacada pela maldição imperdoável, duas vezes... Mas, ela é uma garota forte, vai sobreviver. Está dormindo agora sob efeito de uma poção, mas logo acordará. Gostaria de vê-la? - o medi-bruxo perguntou.

_ Eu... Eu posso? - Harry estava num misto de felicidade e emoção, tinha vontade de pular de alegria.

_ Claro, venha comigo - o homem o chamou. Seguiram juntos para um corredor, depois ele apontou um quarto - Ela está ai, vou deixá-los sozinhos.

_ Obrigado - Harry disse, depois entrou no quarto. Hermione estava dormindo imóvel numa das camas que havia no local. Caminhou até ela, puxou uma cadeira e sentou. Ficou observando-a por alguns instantes - Me perdoa Mione, tudo isso é culpa minha, eu nunca aprendo, não é? Perdi alguém que amava uma vez pela minha imprudência, achei que não aconteceria novamente, mas hoje quase que... Nem quero pensar nisso, morreria se você também morresse. Há tantas coisas que eu queria te contar, Mione... A mais importante delas é que eu te amo! Sim, eu amo você Mione e foi preciso te perder para entender isso... Mas eu não quero te perder novamente, não quero que nada aconteça a ti e é por isso que tomei uma decisão. Sei que vou sofrer muito, assim como já estava sofrendo, assim como você já estava sofrendo, mas acho que será melhor assim. Não te contarei meus sentimentos, não te envolverei nessa batalha, não permitirei que nada te aconteça. Se eu vencer Voldemort e você estiver disposta a me perdoar, quem sabe não poderemos ser felizes um dia? Quem sabe a gente não possa se casar, ter filhos? É tudo que posso te dar no momento, meu amor, uma promessa de fazer o máximo para conseguir que um dia fiquemos juntos - Harry ouviu uma zoada, virou-se e viu o medi-bruxo.

_ Você terá que sair em breve - ele avisou.

_ Certo - Harry respondeu, e o viu fechar a porta novamente - Eu amo você, Mione, um dia ficaremos juntos, um dia lembraremos desses tempos, um dia contaremos nossa história a nossos filhos, eu te prometo! - Harry beijou a testa dela e saiu.

Professora McGonagall e Dumbledore esperavam Harry do lado de fora, enquanto conversavam com o medi-bruxo que cuidou de Hermione. O garoto teve que voltar para Hogwarts, mas garantiram-lhe que Hermione sairia em no máximo três dias. Antes de deixar o local, Harry chamou os dois professores para uma rápida conversa.

_ Será que eu poderia pedir uma coisa? - Harry perguntou.

_ Claro, Potter - McGonagall respondeu.

_ Será que dava pra Mione não ficar sabendo que estive aqui?

_ Por que não quer que ela saiba? - perguntou Dumbledore com aquela calma de sempre.

_ Temo que o que aconteceu com ela foi culpa minha, professor - ele explicou.

_ Entendo - foi tudo que Dumbledore disse.

_ Ah... Será que o senhor poderia pedir ao professor Snape para voltar a me dar aulas de oclumência? - pediu Harry.

_ Sim, falarei com ele assim que o encontrar - o diretor respondeu, McGonagall olhou apreensiva para ele - Vá agora, Harry. Eu ficarei aqui com a Srta. Granger.

_ Tchau - Harry disse e depois saiu com a professora McGonagall, abdicar de Hermione não seria nada fácil, então ele teria que fazer tudo direito, bloquear sua mente seria o mais sensato a fazer agora.

Três dias depois, Hermione retornou para Hogwarts. Ela ainda não entendia bem o fato de ter sido escolhida pelo ataque de comensais, mas achou que a razão mais obvia seria que ela e Harry eram amigos... Foi recebida com festa pelos colegas da sua casa, mas a primeira pessoa que seus olhos encontraram no salão comunal da Grifinória foi Harry... Lá estava ele, como sempre ao lado de Gina! Olharam-se por alguns instantes, até que ela desviou o olhar e sua atenção para Rony, que contava sobre os últimos acontecimentos da escola. Quando Harry retornou do hospital, ele dedicou-se como nunca a pratica de oclumência, além de ter explicado a Gina tudo que aconteceu, Harry não reatou com a garota, apenas pediu para que Gina não contasse a Hermione que tinham terminado.


_ Não acredito! - disse Wanessa - Isso não foi certo!

_ Concordo, mas há momentos de nossa vida que temos que abrir mão de certas coisas, por outras mais importantes, e naquele momento, a segurança dela era a coisa mais importante - o homem respondeu, ele olhou com carinho para a esposa que deu um sorriso.

_ Mesmo assim, eu não acho certo - a menina insistiu - O que a senhora acha mamãe?

_ Eu concordo com os dois, não acho que foi certo ter escondido seus sentimentos, mas o entendo - a mulher respondeu - Bom... Eu acho que já está na hora de você dormir, olha só a hora!

_ Sua mãe está certa - o homem falou.

_ Ah não! Eu não estou com sono ainda, além disso, amanhã é sábado! - ela sorriu para os pais - Quero saber toda a história hoje!

_ Há algum tempo atrás você só queria esperar seu pai chegar, e ele chegou - a mulher lembrou.

_ Poxa, mamãe... - Wanessa fez aquela cara que sempre que queria alguma coisa usava com os pais - Por favor!

_ Conta, amor - o homem pediu também.

_ Tudo bem - a mulher se rendeu, agora que o marido estava do lado da filha, ela era minoria, teria que contar - Onde paramos? Ah, sim... Você estava falando da volta de Hermione, não foi?

Poderiam passar duzentos anos que Hermione não se acostumaria em ver “seu” Harry e Gina juntos! Ela não sentiu raiva, ódio... Apenas sentia-se triste, e tinha que confessar... Uma certa inveja e ciúmes! Mas ficar longe dele era ruim demais, ela não agüentava mais aquela “briga” entre eles! Por que tomou uma atitude tão precipitada? Por que confessou seus sentimentos num momento de desespero? Por que pediu para esquecê-la? Talvez porque tivesse achado que Harry não iria querer esquecê-la. Ah... Mas ele tentou falar com ela, não conseguiu, é verdade, mas tentou!

Mas ele desistiu muito rápido, mas pelo menos tentou... E ela? Nem tentar falar com ele, Hermione tentou, é certo que a vergonha era demais, mas não era desculpa, afinal amava Harry não amava? Sim, e como amava! Então ela tinha que amadurecer, e o amor dela teria que evoluir também. Tentaria ser feliz apenas em saber que Harry era feliz... Certo, esse tipo de amor é muito raro e difícil de se conservar, mas ela tentaria! Quem sabe um dia Harry não a amaria? Ah... Hermione nunca desistiria dele! Naquela noite, não conseguia dormir, pensando em como falaria com Harry no dia seguinte. Hermione rolou diversas vezes na cama, até que decidiu ir até o salão comunal. Desceu com um grosso livro de DCAT, afinal nada como uma boa leitura para se acalmar! O salão comunal não estava vazio, o coração da garota acelerou ao confirmar quem era aquela figura no escuro, o cheiro singular dele o denunciou... E como ela adorava aquele cheiro! Silêncio... Os olhares se encontraram e nada conseguiram falar, Hermione sequer se mexeu.

_ Se você quiser, eu vou embora - ele disse levantando-se.

_ Não! Fica! - ela pediu, viu Harry sentar-se novamente - Harry... Eu queria...

_ É melhor eu ir, Hermione - o garoto levantou novamente, era impressão de Hermione ou ele estava tentando fugir dela?

_ Está fugindo de mim? - ela perguntou, uma tristeza tomou conta de seu coração, por que achava que perdera Harry de vez?

_ Não, estou te esquecendo - ele respondeu friamente, tais palavras foram como punhais que dilaceraram o coração de Hermione, uma lágrima rolou no rosto dela, por que ele falava daquele jeito, enquanto que seus olhos demonstravam tanta angustia e tristeza? Talvez porque não fosse ela quem estivesse causando aquilo nele... Como fora idiota, todos esses dias pensando que Harry estava triste pela briga... Não poderia ser, afinal ele nem estava dando importância ao que ela queria falar.

_ Mas eu pensei que... - ela ia falar, mas foi interrompida.

_ Pensou o que Hermione? Primeiro você diz que está apaixonada por mim, depois pedi uma resposta, ai se descontrola e pede pra te esquecer! O que foi, está arrependida? - perguntou ele. Hermione não podia acreditar no que estava ouvindo. Aquele não era o Harry que ela conhecia, não o garoto doce e carinhoso que adorava sua amiga... - Anda, Hermione, responde! Diz o que você quer!

_ Eu queria sua amizade de volta - a voz dela saiu baixo e um pouco rouca devido ao choro.

_ Minha amizade de volta? Como assim, você não me ama mais? - por um momento Hermione pensou ter visto decepção naquela pergunta.

_ Eu não conseguiria deixar de te amar, Harry, do mesmo jeito que não conseguiria viver feliz longe de você, eu queria continuar sendo sua amiga, porque desse jeito ainda te teria por perto, para poder ser feliz quando você estivesse feliz, e...

_ Você só pode estar brincando! - disse ele de forma sarcástica - Que tipo de amor é esse?

_ Esse é o amor que sinto por você Harry - foi tudo que ela disse antes de sair - Se você sentisse uma pequena parte do que sinto por você, eu já estaria feliz.


_ Mas... Eu pensei que... - Wanessa parecia confusa.

_ Calma filha, a história não acaba aí - o homem falou.

_ Mas essa conversa foi tão... Triste! - disse Wanessa, sua mãe olhou para o marido.

_ Talvez seja melhor pararmos por aqui, você ainda é muito novinha, filha... - a mulher disse preocupada - Há certas coisas que você ainda não entende.

_ Não, por favor, continua! Eu não iria agüentar esperar... - a menina pediu.

_ Não olhe assim pra mim, foi você quem começou a contar - o homem disse, a mulher sorriu.

_ Mas você insistiu para que eu continuasse - a mulher falou.

_ Ah, querida, mas se você já tinha começado, achei errado parar no meio da história - ele se explicou. A mulher apenas sorriu, o homem então continuou - Aquela conversa foi necessária...

Quando Harry viu Hermione na escada do dormitório feminino, sentiu seu coração disparar, sua vontade era correr até ela e dizer o quanto a amava... Mas não podia, pela vida dela, ele não podia... A melhor coisa a fazer era sair dali, mas ela não deixou. A tristeza na voz dela era explicita, por que só conseguia fazê-la sofrer? Um dia... Um dia eles ainda seriam muito felizes, jurou para si mesmo. Hermione começou a conversar, e ele entendeu logo que ela iria se desculpar.

Quando ela disse: quero sua amizade de volta, o medo instalou-se no coração de Harry, será que ela não mais o amava? O alivio veio em seguida... Como era bom ouvir dela o quanto ela o amava! Mas Harry não poderia voltar a ser amigo dela, não! Desse jeito ela também correria perigo, ela também iria querer estar ao seu lado! Não podia deixar! Palavras duras foram necessárias, mas ver a expressão triste de Hermione partia seu coração e por diversas vezes pensou em desistir, a pegar no colo e beijá-la, enquanto gritava que a amava... Mas não podia!

Foi difícil vê-la falando sobre o amor que sentia e não poder dizer que ela era correspondida na mesma intensidade! Ela estava disposta a permanecer ao lado dele, mesmo que aquilo a fizesse sofrer só porque o amava! “Ah Mione! Também te amo tanto! Queria poder garantir tua felicidade e tua vida, mas infelizmente neste momento apenas posso garantir-lhe a vida, meu amor! Espero que um dia você me perdoe!”. Depois que Hermione foi para seu dormitório, Harry fez o mesmo, ficar ali não adiantaria nada.

Se os dias anteriores sem Hermione estavam sendo horríveis, agora os dias estavam péssimos! Até a conversa daquela noite, Hermione o olhava com tristeza, falava só o necessário com ele, mas falava, agora... Hermione sequer o olhava nos olhos, a magoa estava explicita na face dela, não trocara uma palavra com Harry por dias. Até quando ele iria agüentar aquela situação? Não tocara no jantar naquela noite.

_ Qual é cara, desse jeito você vai ficar doente! - disse Rony enquanto enchia o prato, Harry por outro lado, apenas observava o amigo.

_ Não estou com fome - o amigo respondeu.

_ Eu ainda não acho certo o que você fez - o ruivo falou - Olha só pra você! Ou melhor, olha só pra vocês! - Rony apontou para Hermione que pela cara não estava muito melhor que Harry.

_ É para o bem dela, eu também queria que você se cuidasse mais - alertou Harry, afinal Rony também era seu amigo e podia sofrer por isso!

_ Ah Harry, qual é! Eu sei me defender, do mesmo jeito que a Mione sabe! - ele disse, mas não adiantava, apesar de Rony ter falado diversas vezes que não era certo ele fazer aquilo com Hermione, Harry não mudaria de opinião, não deixaria Hermione se envolver na batalha final. Hermione veio em direção aos dois.

_ Com licença - a garota disse, ela não olhava Harry nos olhava - Potter, professor Dumbledore está chamando - ela avisou, “Potter”, aquilo soou muito estranho para Harry.

_ Obrigado - ele respondeu, Hermione saiu imediatamente dali - Nos vemos depois, Rony.

_ Certo - o ruivo respondeu.

Harry seguiu para a sala do diretor, muitas vezes naquele ano foi até a sala de Dumbledore, então já sabia a senha. Ao adentrar na sala, percebeu que o diretor não estava com a expressão serena de sempre, seus olhos estavam repletos de preocupação.

_ Professor - Harry o chamou.

_ Harry, sente-se, por favor - o homem falou - Eu nem sei por onde começar...

_ Aconteceu alguma coisa?

_ Apesar de saber que você evoluiu muito em DCAT, não acho que esteja preparado para lutar contra Voldemort - o coração de Harry disparou - Mas... Temo que não possa mais evitar a batalha, Harry, Voldemort tomou toda uma cidade trouxa e está ameaçando matar todos se você não for amanhã encontrá-lo.

_ Amanhã? - nem Harry esperava aquilo.

_ Sim, mas eu entenderei se você não quiser ir.

_ Não posso deixar que as pessoas morram porque Voldemort quer me enfrentar de uma vez! Eu irei professor - ele respondeu, Dumbledore deu um pequeno sorriso.

_ Imaginava sua resposta, membros da Ordem e eu acompanharemos você - o diretor explicou - Aqui está, essa foi a chave portal que ele nos enviou - era uma pequena estatua em formato de cobra.

_ Amanhã eu darei tudo de mim, derrotarei Voldemort - disse ele antes de sair. A batalha final não significava apenas a possibilidade de livrar o mundo de Voldemort, mas também a chance de se acertar de vez com Hermione, a chance de ser finalmente feliz. Quando voltou à torre Grifinória, encontrou Hermione sentada lendo um livro. Assim que a viu teve vontade de correr até ela e contar que iria enfrentar Voldemort de uma vez, mas a idéia de Hermione querer acompanhá-lo evitou que ele falasse alguma coisa. A olhou nos olhos pela primeira vez em dias, e se não soubesse que Hermione não praticava legiminência juraria que ela estava tentando ler sua mente. Depois que viu Rony chegar no salão comunal, Hermione deixou a sala.

_ E então Harry, o que Dumbledore queria? - Rony perguntou.

_ Nada - ele respondeu.

_ Nada? Harry, Dumbledore lhe chamaria pra nada? Se não queria me contar deveria ter inventado uma desculpa melhor - disse Rony.

_ Não sei se devo te contar.

_ Por que não? Qual é cara, eu sou amigo, lembra?! - o ruivo falou um pouco chateado.

_ Voldemort marcou uma batalha amanhã - disse Harry.

_ QUÊ!?

_ Isso mesmo, ele quer me enfrentar de uma vez e eu aceitei!

_ Mas você não pode, ainda não está preparado - o ruivo falou.

_ Não importa, eu irei! Não deixarei Voldemort matar inocentes por minha causa - Harry disse - Eu vou dormir agora Rony, boa noite! - depois disso ele saiu. Não conseguiu dormir muito naquela noite, pensando na batalha seguinte. Aquele foi um dia completamente irritante para Harry, as horas pareciam não passar, não via a hora de se reunir com o pessoal da Ordem e ir atrás de Voldemort. Quando finalmente chegou a hora, Harry dirigiu-se para a sala do diretor, depois de se despedir de Rony e Gina. Queria ter pelo menos visto Hermione, mas não a encontrou.

Viu Lupin, Tonks, Moody, Mundungo, Sr. Weasley, Snape e Dumbledore quando entrou na sala. O diretor olhou para Harry, mas o garoto podia jurar que viu Dumbledore olhando com atenção para seu lado. Não deu muita importância, apenas se aproximou do grupo e junto com eles tocou na chave-portal


_ Não dá pra acreditar que nem se despediu! - Wanessa falou.

_ Não deu - o homem disse - Ela tinha sumido naquele dia.

_ Deveria ter procurado, e se algo acontecesse? - a garotinha perguntou.

_ Pelo menos, desse jeito ela não sofreria caso algo acontecesse - ele disse.

_ Só na cabeça de Harry Potter mesmo, né? - a mulher se pronunciou - Como poderia não sofrer?

_ Sim... Continuem! - a menina pediu.

_ Ok... - a mulher começou - Mas antes de irmos para a batalha final, seria melhor explicar uma coisa...

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