Capítulo 14



DESTINOS ENTRELAÇADOS


Autora: Rosana
Revisora: Marjarie

Capítulo 14


Dois dias depois de seu retorno a Hogwarts, Cassie era uma pequena sombra no imenso castelo, andava pelos corredores como se carregasse o peso do mundo nas costas.
Sentada à mesa do café da manhã, revirava a comida no prato, a cabeça apoiada na outra mão. Os amigos que já haviam voltado ao castelo após as festas de Natal, até tentaram aproximar-se dela, mas recebiam apenas monossílabos, ninguém sabia o que havia acontecido de fato na casa dos Weasleys, pois ela retornara sozinha. Especulações não faltavam, é claro.
- Eu ouvi dizer que ela e o Harry tiveram a maior briga, tudo porque ele deu um presente de Natal melhor para Granger. Eu sempre soube que entre aqueles dois tinha coisa. – uma garota da Sonserina falava ironicamente para as amigas.
- Não, não... Na verdade ela deu aquele soco que havia prometido no Harry. Que cara quer uma namorada matadora? – dessa vez o comentário foi feito por um estudante da Corvinal.
- Eu ouvi dizer que ele bateu no cachorro dela. – falou outro.
Cassie não ouvia as fofocas, ou se ouvia, fingia muito bem que elas não existiam.
- As coisas não parecem estar indo bem. – alguém disse parando ao lado da garota.
Cassandra ergueu o rosto dando de cara com a professora Eveline.
- Oi. – ela disse, voltando a atenção para seu prato.
Soltando um suspiro, Eve sentou-se ao lado dela.
- Vai continuar com essa dor de cotovelo até quando?
- Meu cotovelo não tá doendo. – Cassie resmungou.
- Não? Então por que essa cara de quem enterrou o melhor amigo?
- E eu não enterrei? Enterrei a minha relação com o meu melhor amigo mesmo. Sou uma estúpida de marca maior. – falou baixinho, remexendo a comida no prato.
- Não acho que você tenha tido opção nesse caso. – a professora disse.
- Eu devia ter contado. Eu tive provas do geniozinho difícil dele, não tive? Mas não, eu hesitei, enrolei, dei uma de covarde. Agora ele não vai nunca mais olhar na minha cara. – Cassie desabafou num tom de voz magoado, e pausado. Se tivesse falado com raiva, talvez não teria deixado passar toda a dor que estava sentindo. – Sinto muito, professora, não sou boa companhia esses dias.
Eveline ficou olhando a garota se erguer e se retirar do salão, trocou um olhar preocupado com Dumbledore. Não era típico de Cassie se deixar abater, esperavam que ela logo se recuperasse, mas estava demorando.

HPHPHP

Cassandra, seguida de Black, andou durante horas em volta do lago sentindo o vento cortante e gelado nas faces. Pensava e repensava seus atos, o que poderia ter feito diferente nos meses anteriores, e diferente do que havia dito à Professora Eveline, chegara à outra conclusão: o que Dumbledore tinha decidido e ela concordado havia sido certo, não poderiam ter de fato contado a Harry, visto os acontecimentos passados, ele mesmo teria que se dar conta disso. O obtuso, pensou com raiva. Idiota.
- Idiota. – gritou alto assustando Black.
Mas mesmo chamando-o de idiota, sabia que Harry estava magoado por acreditar que ela havia se aproximado dele apenas por interesse, ou seja lá por quais motivos idiotas ele estava imaginando. Não conseguia encontrar outro adjetivo para o garoto.
Cassie não ficou muito tempo na sua onda de raiva contra Harry, claro. Seus dias eram marcados mais por momentos de auto-piedade do que por sua antes tão cultuada confiança, sinceramente não sabia como sair do poço em que aos poucos se afundava.
Entrou no castelo quando sentiu os dedos das mãos duros de tão gelados, acariciou a cabeça de Black em despedida e ouviu o leve ganido do amigo, ele estava preocupado, mas não sabia como acalmá-lo, sendo que não sabia como acalmar a si própria.
Deitou-se na sua cama de bruços, a cabeça enterrada no travesseiro. Havia momentos como esse, em que pensava em desistir de tudo, entrar para uma caravana cigana e sair sem rumo certo, mas no mesmo segundo desistia, havia prometido, pelo menos nesse ano letivo ficar perto do garoto rebelde.
- Harry. – falou baixinho enquanto uma lágrima seguida de outras ensopava o travesseiro.

HPHPHP

Harry, sentado à janela do quarto de Rony, ergueu a cabeça num repente, parecia ter ouvido ao longe a voz de Cassie a chamá-lo. Olhou para fora, vendo a neve tardia rodopiar em flocos.
Idiota, chamou a si mesmo. Até parece que ela está pensando em você, ela o traiu, mentiu descaradamente quando disse que não estava no castelo por ele, ainda teve o topete de dizer que o mundo girava ao redor dele, Harry.
- Pensando nela né? – Rony perguntou entrando no quarto.
- Não. – foi a pronta resposta.
- Precisa aprender a mentir melhor. – o amigo retrucou dando risada.
Harry não disse nada.
- Depois de passar todos esses dias caladão, você acha que ainda está com a razão?
- Você não acha? – Harry perguntou irritado.
- Na verdade, não acho, não. Dumbledore estava certo, você precisa admitir, se soubesse da Cassie, dos sonhos, das visões, Você-Sabe-Quem poderia ter entrado na sua mente como ele já fez, e saber sobre ela seria uma arma contra você.
- Isso não é desculpa. – Harry falou em tom cortante, não queria admitir que o diretor estava com a razão, ainda se sentia traído.
- Harry, não seja teimoso. Admita para você mesmo que se soubesse e acontecesse o pior com a Cassie você se sentiria mais culpado do que quando Sirius morreu.
Harry olhou de boca aberta para Rony.
- Você sabe que estou certo. – Rony falou duramente, de uma maneira que nunca havia falado com Harry. Saiu do quarto sem dizer mais nada.
Rony tinha razão, Harry pensou. Teria que admitir para si que o que estava o incomodando de fato, era não ter certeza de que ela tinha se aproximado por interesse, para manter-se perto, dar uma de heroína protetora. E se tudo que ela falara, tudo que fizera não foram nada mais do que apenas uma farsa? Não tinha certeza dos sentimentos dela. E isso doía mais do que tudo, muito mais do que as mentiras.

HPHPHP

Cassie cochilava quando um suave estalo a despertou. Abriu os olhos deparando-se com uma forma pequena e suja. Num primeiro momento não conseguiu distinguir o que era, levantou de leve a cabeça e conseguiu visualizar um pequeno elfo fêmea, suja e cheirando a cerveja amanteigada.
- O que você quer? – perguntou sem interesse, deitando-se de novo.
- Me mandaram... – ela começou a falar timidamente.
- Quem? – Cassie a interrompeu.
- Dobby quer saber se senhorita princesa precisa de algo. Eu não queria vir, mas ele me obrigou. – ela disse baixinho passando a mão na cabeça.
- Não preciso. – Cassie sabia estar sendo grosseira, mas não pôde evitar. Afinal a pequena elfo havia atrapalhado seu momento raro de sono.
Winky olhou a bruxa adolescente pensando que ela não parecia estar nada bem, mas já havia feito o que o pequeno diabo do Dobby mandara, ia saindo quando a garota segurou seu pequeno pulso.
- Espera. Acho que você pode me ajudar.
Winky a olhou com um certo interesse.
- Consegue arranjar uma cerveja amanteigada?
Pela primeira vez em muito tempo a pequena Winky de grandes olhos castanhos e toda suja, deu um pequeno sorriso, se tinha uma coisa que ela sabia conseguir, era cerveja amanteigada.

HPHPHP

Harry, Hermione, Rony e Gina, estavam em frente à lareira na casa dos Weasleys prontos para voltarem a Hogwarts. Dumbledore achara ser mais seguro esse método de viagem do que voltarem de Nôitibus, ou mesmo com o Expresso de Hogwarts, em vista do ataque sofrido em Londres.
A senhora Weasley dava as últimas recomendações a Rony e Gina, e lançava alguns olhares enviesados para Harry. Provavelmente estava ardendo de vontade de lhe dar conselhos também, mas a quietude do garoto nos últimos dias a deixou um pouco ressabiada de como ele aceitaria os conselhos.
- Cuide- se querido. – ela falou dando um beijo na face de Harry e um abraço em Hermione.
Rapidamente um a um entraram na lareira saindo do outro lado na sala da professora McGonagal, que para surpresa deles não se encontrava ali naquele momento.
Quando saíram no corredor entenderam o motivo. Um pandemônio generalizado se espalhava pelo castelo, com alunos correndo e dando risada.
- Ela está na escada... – ouviram um aluno dizer quando passou em disparada.
- O que será que está acontecendo? – Rony, eternamente curioso, perguntou.
Os quatro seguiram o ajuntamento de alunos que passava, e mesmo de longe conseguiram ouvir que alguém cantava. Trocaram rápidos olhares de entendimento. ‘Cassandra’!

HPHPHP

Winky, não só conseguira uma cerveja amanteigada, mas muitas mais. Cassie era tão fraca para bebidas, quanto um elfo, depois da sua terceira garrafa, já falava lentamente.
- Sabe Winky... – dizia ela para a pequena elfo que estava sentada no chão, acompanhando a garota em sua bebedeira. - ... garotos... não são legais. É, não são mesmo. Veja o Harry... – deu um gole na bebida. - ... na primeira difu... difi... dificuldade... pluft! – fez um gesto com a mão que não segurava a garrafa. - Eles somem no ar... Quer dizer, não nece...nessa...ne-ce-ssa-ri-a-men-te. – conseguiu falar pausadamente. – Na verdade ele não desapareceu, ele está lá... Onde mesmo? – perguntou, esquecendo temporariamente do que estava falando.
Winky deu de ombros.
Cassie, pegando outra garrafa de cerveja amanteigada, se jogou de costas na cama, soltando um suspiro alto.
- Garotos. Nunca se apaixone Winky. Eles não merecem que gostemos deles. São todos uns idiotas. Aposto que o Harry está achando que eu me aproximei dele só com segundas intenções... bom, na verdade foi isso mesmo. – Cassie deu um risadinha muito marota. Winky sorriu junto, mas não entendia metade do que a menina falava. – Pudera, com aqueles olhinhos verdes, e aquele cabelo bagunçado, é tão sexy. E os óculos? Só o deixa mais apetitoso. – deu mais uma risadinha. – E os beijos... ah os beijos foram tão quentes.
Winky arregalou os enormes olhos, que dobraram de tamanho, se é que isso era possível.
De repente, bem baixinho, Cassie começou a cantar.



Crazy Little Thing Called Love
This thing called love I just can't handle it
This thing called love I must get round to it
I ain't ready
Crazy little thing called love

This thing (this thing) called love (called love)
It cries (like a baby)
In a cradle all night
It swings (woo woo)
It jives (woo woo)
It shakes all over like a jelly fish
I kinda like it
Crazy little thing called love

There goes my baby
She knows how to Rock'n'Roll
She drives me crazy
She gives me hot and cold fever
Then she leaves me in a cool cool sweat

I gotta be cool relax get hip!
Get on my track's
Take a back seat
Hitch hike
And take a long ride on my motor bike
Until I'm ready
Crazy little thing called love

I gotta be cool relax get hip!
Get on my track's
Take a back seat
Hitch hike
And take a long ride on my motor bike
Until I'm ready (ready Freddie)
Crazy little thing called love

This thing called love I just can't handle it
This thing called love I must get round to it
I ain't ready
Crazy little thing called love...


Ao final da música ela deu outra risadinha, e num repente, que assustou a pobre da Winky, levantou-se, e saiu do quarto sem dizer nada.
Parou no alto da escada que levava ao Salão da Grifinória, as roupas amassadas, só de meias, os cabelos parecendo que um rato tinha feito seu ninho por ali. De braços estendidos começou a cantar com voz limpa e clara, Calling All Girls, mais uma do seu preferido grupo musical, Queen.



Calling All Girls

Calling all boys calling all girls
Calling all people on streets
Around the world
Take this message a message for you
This message is old yeah
This message is true this message is
This message is this message is this message is


Ao mesmo tempo em que cantava descia as escadas, fazendo sinais aos alunos para que a seguissem, passou pelo quadro da mulher gorda que ficou se balançando ao ritmo da música.



Love take a message of love
Far and near
Take a message of love for all to hear
For all to hear

Some sleepless nights in wait for you
Some foreign presence you feel
Comes seeping through
Some stream of hope
The whole world through
Spread like some silent disease
You'll get yours too
This message is this message is
This message is this message is

Love take a message of love
Far and near
Take a message of love for all to hear
For all to hear

Love take a message of love
Far and near
Take a message of love for all to hear
For all to hear

Calling all boys calling all girls
Calling all boys calling all girls
Calling all girls


Cassie mal percebeu que durante sua apresentação, atrás dela e pelas amuradas das escadas acima e abaixo, a escola inteira apreciava o espetáculo. Quando terminou a canção, aplausos se ouviram e pedidos de mais uma percorreu as extensas escadarias. Cassie olhou para cima e dando um sorriso maroto, muito diferente da expressão dos últimos dias, iniciou uma nova música.
Escorregando por alguns corrimões, chegou aos degraus da escadaria que davam para o salão principal, parou na metade e elevou a voz, o som passando por todas as salas. Não viu a professora McGonagal tentando se aproximar dela, e não viu quando o culpado pelo seu concerto, juntamente com os amigos, chegaram.
- Mas o que ela está fazendo? – Hermione disse a ninguém em particular.
Harry não sabia o que pensar, mas sinceramente não esperava uma Cassandra dando um show nas escadarias do castelo.



Don't Stop Me Now

Tonight I'm gonna have myself a real good time
I feel alive and the world turning inside out Yeah!
And floating around in ecstasy
So don't stop me now don't stop me
'Cause I'm having a good time having a good time

I'm a shooting star leaping through the sky
Like a tiger defying the laws of gravity
I'm a racing car passing by like Lady Godiva
I'm gonna go go go
There's no stopping me

I'm burning through the sky Yeah!
Two hundred degrees
That's why they call me Mister Fahrenheit
I'm trav'ling at the speed of light
I wanna make a supersonic man out of you

Don't stop me now I'm having such a good time
I'm having a ball don't stop me now
If you wanna have a good time just give me a call
Don't stop me now ('cause I'm havin' a good time)
Don't stop me now (yes I'm havin' a good time)
I don't want to stop at all

I'm a rocket ship on my way to Mars
On a collision course
I am a satellite I'm out of control
I am a sex machine ready to reload
Like an atom bomb about to
Oh oh oh oh oh explode

I'm burning through the sky Yeah!
Two hundred degrees
That's why they call me Mister Fahrenheit
I'm trav'ling at the speed of light
I wanna make a supersonic woman of you

Don't stop me don't stop me
Don't stop me hey hey hey!
Don't stop me don't stop me ooh ooh ooh (I like it)
Don't stop me don't stop me
Have a good time good time
Don't stop me don't stop me Ah

I'm burning through the sky Yeah!
Two hundred degrees
That's why they call me Mister Fahrenheit
I'm trav'ling at the speed of light
I wanna make a supersonic man out of you

Don't stop me now I'm having such a good time
I'm having a ball don't stop me now
If you wanna have a good time just give me a call
Don't stop me now ('cause I'm havin' a good time)
Don't stop me now (yes I'm havin' a good time)
I don't want to stop at all


Cassie, no penúltimo degrau da escada, pulou para o patamar, encerrando a apresentação, curvou-se em agradecimento aos aplausos, e acabou dando com um par de pés, erguendo a cabeça devagar, encontrou os olhos negros do professor mais temido de Hogwarts. Com um sorrisinho irônico, onde levantou apenas um lado dos lábios, ela olhou para o Professor Snape.
- Veio me dar os parabéns? – perguntou a ele.
Severo Snape não disse absolutamente nada, pegou o braço da garota e levou-a, quase arrastada, escada acima.
Passavam pelos alunos que sorriam para Cassie, parabenizando-a pelo show.
- Valeu pessoal. Vocês são um ótimo público. – ela dizia dando tchauzinho.
- Calada. – rosnou Snape.
- Não fiquem preocupados. O professor tá bravo porque prefere os Rolling Stones. – Cassie continuou a dizer sem fazer conta da ordem do professor, que apertou mais ainda seu braço. – Não, não, ele não vai me matar. Apesar de estar querendo. – completou dando risada. Seu olhar de repente focou nos olhos verdes que ela mais queria ver, e altiva, o melhor que a cerveja amanteigada deixou, deu um aceno irônico ao garoto, e uma risadinha marota. Passaram pela professora McGonagal que os seguiu até a sala do professor Dumbledore.
Quem ficou para trás comentava que fora de fato divertido ver Cassandra descendo pelos corrimões, cantando a plenos pulmões.
- Mas o que está acontecendo? – Rony não entendia nada. Achava que Cassie estaria chateada e qual a surpresa por encontrarem-na cantando pelas escadas.
- Ela bebeu. – uma garota disse ao lado deles.
- Luna! – Harry virou-se surpreso para a repentina aparição da menina ao seu lado, o olhar continuava embaçado, como se estivesse em transe.
- Bom, parecia, porque ela tropeçou nas primeiras palavras, e dava risadinhas esquisitas.
- Ela estava bêbada? – Hermione perguntou de olhos arregalados.
- Parece que sim. – Gina falou aproximando-se. – Umas meninas passaram pelo quarto e encontraram umas garrafas de cerveja amanteigada.
- Mas cerveja amanteigada não deixa ninguém bêbado. – Rony falou.
- Isso depende de quanto alguém consegue beber. – Mione comentou.
- Mas foi uma boa mudança. – Luna continuou, como se ninguém a houvesse interrompido. – Ela passou dias sem falar com ninguém, não comia, e vivia vagando pelos jardins com aquele cachorrão dela. Quem se aproximava apenas recebia acenos de cabeça. Fora, as fofocas.
- Fofocas? – Rony questionou.
- Por que ela voltou sem o Harry.
Harry que estava prestando atenção, mas não fizera comentário nenhum, continuou calado, afastando-se dos outros, seguiu para o dormitório.
Realmente fora uma surpresa. Esperava encontrar uma Cassandra arrependida, e pronta para se desculpar, e qual não foi sua surpresa, por perceber que ela estava era se divertindo, colocando o castelo abaixo com suas interpretações musicais. E ela ainda teve o descaramento de sorrir com ironia. Garota metida, petulante. Era capaz de ser expulsa. E ele não se importaria. Ora, a quem estava querendo enganar?

HPHPHP

- Essa garota precisa ser expulsa. – Snape gritou, jogando Cassie em uma cadeira diante do professor Dumbledore. - Ela não pode continuar fazendo o que quer. Colocando o castelo em polvorosa com essas músicas ridículas...
- Não são...
- Calada. – Snape girou o corpo, quase colocando o rosto no de Cassie.
A garota fez sinal de que passava um zíper na boca e cruzou os braços, apenas escutando.
- E pior, ela está completamente bêbada.
Cassie levantou a cabeça para rebater, mas achou melhor continuar calada, diante do olhar do professor Dumbledore.
- Que exemplo ela está dando para os outros alunos. Olha como ela se apresenta.
Cassie se deu uma olhadinha, e realmente concordou com o professor nesse ponto, estava pavorosa. Culpa do idiota, pensou consigo mesma. Ergueu as mãos para os cabelos e sentiu-os mais do que armados, olhou dos lados a procura de um espelho, enquanto Snape continuava ainda despejando reclamações para Dumbledore. Descobriu um espelho num canto e seguiu até lá. O que viu deixou-a de boca aberta, e quase, quase a trouxe a seu estado normal. Não conseguiu evitar um meio sorriso. Colocou a mão na boca, porque se começasse a rir não pararia mais, mas foi inevitável, caiu na gargalhada.
Dumbledore que não havia tirado os olhos da menina, ergueu a mão interrompendo a enxurrada de palavras amargas de Snape.
- Severo, depois nós conversamos.
- Ainda vai se arrepender de manter essa praga no colégio. – ele falou saindo em seguida mais furioso ainda por não ter conseguido seu intento.
- Minerva. – Dumbledore virou-se para a professora que não havia dito nada, até esse momento. – Providencie um café para a Cassandra, sim?
- Pois não, Alvo.
Dumbledore quase sorriu ao ouvir a gargalhada da garota, mas sabia que elas não demorariam a esmorecer. Cassandra era uma garota esperta e perceberia que o que fizera não fora muito inteligente de sua parte, não as músicas que ele até gostava, mas beber sabe-se lá quantas cervejas amanteigadas era um sério problema.
- Desculpa. – ela disse depois de se controlar. – Não sabia que eu estava tão horrorosa... Pareço ter acabado de sair de um terremoto, depois de ter estado por três dias soterrada.
Dumbledore apenas ergueu uma das sobrancelhas.
- É, não foi uma analogia muito delicada, eu sei. – ela falou soltando um suspiro profundo e afundando em uma cadeira.
- O que deu em você? – ele perguntou enfim.
- Sei lá, acho que quis tirar a prova de quando dizem que se tomar uma bebedeira você esquece todos os seus problemas.
- Funcionou?
- Não. Além de que eu não vou ter cara para descer amanhã, e ‘ele’ viu.
- Esse ‘ele’ posso entender que seja Harry.
Ela acenou que sim com a cabeça.
Nesse momento a professora Minerva entrou com uma bandeja onde trazia um bule de café e uma xícara.
- Tome. – falou. – Se bem que o melhor seria enfiá-la debaixo de um chuveiro frio.
- Eu não estou tão mal assim. – Cassie reclamou.
- O que te deu na cabeça para beber, menina tola? E quem ficaria bêbado com cerveja amanteigada?
- Eu fico bêbada até com licor. – Cassie gracejou.
- Aliás, quem arrumou a bebida para você?
- Na verdade eu não me lembro. – Cassie disse com ar inocente, que não convenceu ninguém.
A professora Minerva encarou-a durante longos minutos, mas Cassie não desviou os olhos.
- Sei. – a professora falou não acreditando em nenhum momento nessa amnésia temporária. - Que castigo daremos a essa pirralha Alvo?
Dumbledore olhou para a garota por alguns instantes.
- Talvez assistir as aulas amanhã seja castigo suficiente Minerva. – ele olhou conspirador para a professora que entendeu na hora.
- Eu mereço. – Cassie sussurrou para si.

HPHPHP

Cassie, depois de tomar um banho para desanuviar a mente embotada, seguiu para o dormitório, que pelo horário já estava completamente vazio, mas o mesmo não aconteceu em seu quarto. Sentada em sua cama estava Hermione.
- Oi, você voltou. – Cassie disse aparentando alegria.
- Não se faça de inocente.
- Mas eu sou inocente. – Cassie deu uma risadinha e foi sentar à janela do quarto.
- O que aconteceu?
- Sobre...
- Oras Cassie. Sobre o show que você estava dando.
- Você gostou? As músicas não são tão conhecidas, mas...
- Pára. – Hermione falou baixo para não acordar as outras meninas, mas o tom severo em sua voz foi muito pior do que se ela tivesse gritado. – Você, em vez de mostrar a ele, que estava bem, tentar explicar o que aconteceu, aparece com jeito de feliz, para não dizer bêbada, dando o maior show. O que o Harry vai pensar?
Cassie virou-se zangada para a amiga.
- Você acha que me importo com o que ele vai pensar?
- Mentirosa. Claro que você se importa.
- Não. Talvez... Ah, eu não pensei muito, na verdade. – Cassie encostou-se à parede fechando os olhos. – Ele disse alguma coisa? – perguntou, a curiosidade falando mais alto.
- Nem uma palavra.
- Vai ver nem ligou, nem se importou. Ele me cobrou honestidade, mas talvez ele que não foi honesto comigo. Acabou muito rápido, sem chance de papo.
- Ele está magoado. Você precisa entender isso.
- Eu entendo. – a garota falou olhando Hermione. – Entendo mais do que você imagina. Mas não posso aceitar que ele não houvesse me dado uma chance de falar. Ele se arrependeu. – disse soltando um suspiro profundo.
- Ele pode ter dito isso, mas é claro que não se arrependeu. - Hermione levantou-se da cama e aproximou-se de Cassie. - O Harry sorriu mais com você nesses meses, do que nos anos que o conheço. Você é importante para ele, logo ele vai voltar a si e querer conversar.
- Bom... – Cassie ergueu-se, dirigindo-se para sua cama. – Talvez aí quem não queria conversa seja eu. Boa noite Hermione.
Hermione ia falar mais alguma coisa, mas resolveu deixar para amanhã. Quem sabe as coisas não estivessem melhores.

HPHPHPHP

Hermione não poderia estar mais enganada. Cassie acordou com um mau humor tremendo, resmungando coisas sem sentido, desceu para o café da manhã. Brigou com Dino por ele estar falando alto demais e com Rony por estar fazendo barulho para comer. Acabou lançando um olhar mortal a Harry quando ele se sentou à mesa, como se ele fosse o culpado por toda sua miséria, o que era mesmo, na opinião dela.
A semana foi inteira de confusões. Na aula de feitiços tudo deu errado, além de Cassandra não conseguir acertar os feitiços, acabou enfeitiçando alguns alunos sem querer. Em herbologia, extraindo Pectina, de uma raiz, que é facilmente gelificável, acabou derrubando nas mãos de Justino, que não saía de seu lado. O gel demorou dois dias para ser inteiramente retirado das mãos do garoto.
O pior foi em Poções, o professor Snape estava, se possível, ainda mais irado com a turma, Cassandra vivia sendo convocada para pegar as raízes e os moluscos mais nojentos que se possa imaginar.
Depois de alguns dias de mau humor, ela voltara para o silêncio e melancolia dos primeiros dias de retorno ao castelo. Hermione não sabia mais o que dizer, parecia que Cassandra havia desistido de vez.
Harry apenas observava, sua vontade, para ser honesto, era pegar Cassie e abraçá-la para não soltar mais. Já não agüentava ver a tristeza em seus olhos. Nem mais nos treinos da Grifinória ela ia.
Num sábado à tarde Hermione entrou feito furacão no quarto onde Cassie, deitada na cama, com uma caixa de sapos de chocolate tentava comê-los, mas não estava tendo muito sucesso, pois não era rápida o suficiente para segurá-los.
- CHEGA! – a garota gritou. – Eu não agüento mais ver você se martirizando e Harry calado. As coisas não podem continuar assim. Levanta dessa cama. – Mione falou e agiu ao mesmo tempo, puxando Cassie pelo braço que deixou cair a caixa de sapos de chocolate que saíram pulando pelo quarto e porta afora.
- O que deu em você? – Cassie perguntou fazendo força para continuar deitada, mas Mione parecia ter energia extra, pois estava ganhando o cabo de guerra.
- Você não é você. Conheço-a há menos de um ano, mas essa Cassie largadona comendo chocolate, bebendo cerveja amanteigada e cantando músicas de fossa, não é a Cassandra espevitada e encrenqueira que chegou em Hogwarts. Hoje você vai voltar ao que era antes senão eu vou acabar ficando maluca.
Cassie de olhos arregalados, estava pasma, nunca vira Hermione nesse estado.
- Calma Hermione. – deu uma pancadinha no ombro da outra. – As coisas se resolvem, não precisa ficar estressada.
- QUEM ESTÁ ESTRESSADA?
Cassandra quase deu risada. A amiga se envolvera em sua questão com Harry mais profundamente do que qualquer um, até mesmo seus interessados.
- Mione, senta aqui. – deu uma pancadinha na cama. - Conte-me o que está havendo. Você não pode estar desse jeito só porque eu e o idiota não nos falamos mais.
Hermione deu um sorrisinho. Cassandra não chamara mais Harry pelo nome, era só idiota prá cá, idiota prá lá, isso quando ela se dignava a falar alguma coisa. Olhou para Cassie durante alguns segundos e, soltando um profundo suspiro, sentou-se ao lado dela na cama.
- Não gosto de ver duas pessoas que se amam separadas.
- Não tenho certeza se nos amamos mesmo.
- Bah! Vocês são dois idiotas, é claro que se amam. Até o cego do Rony viu isso.
- Ah! – Cassie começava a entender.
- Ah o quê?
- Nada.
- Nada não. Por que você falou esse ‘ah’, como se isso explicasse tudo?
Cassie olhou Mione e resolveu falar.
- Talvez a sua fúria não seja exatamente por eu e o idiota estarmos separados e sim pelo outro idiota ainda não ter percebido seus sentimentos por ele. – Hermione ia protestar, mas Cassie ergueu a mão impedindo. – Ainda não terminei. Talvez você queria que eu tome a dianteira, quem sabe daí você também não criaria coragem para fazer o Rony enxergá-la do jeito que você o vê?
Hermione de olhos arregalados, e vermelha dos pés à cabeça quase teve um ataque.
- E de que jeito eu enxergo o Rony, você pode me dizer? – falou com voz estranhamente baixa e controlada.
Cassie sorriu de maneira superior. Oras, mas isso era ótimo mesmo, a senhorita sabe tudo adorava intrometer o nariz onde não era chamada, apesar de com boas intenções, mas quando o assunto virava para seu lado, mudava de comportamento. Vamos ver até onde a calma dela iria.
- Você o enxerga com os olhos do coração. É incrível como o pastel do Rony não percebeu seus sentimentos ainda, pois eles estão claros como cristal para todos. Você gosta dele Mione, ou melhor, talvez até o ame. Estou errada?
Hermione ficou de boca aberta, sem saber o que dizer.
- Isso é ótimo, a grande Hermione Granger sem palavras. – Cassie deu risada da cara da amiga.
Mione foi impedida de responder por um som alto vindo da janela. As duas olharam ainda em tempo de ver uma forma negra deslizando pelo vidro.
- Edwina! – Cassie gritou ao mesmo tempo em que corria para acudir a ave.
A coruja se debatia no telhado abaixo, as asas enroscadas em um fio.
- Pare de se debater. Fique quieta. – gritou ao não ser atendida. Subiu no parapeito, mas foi segura por Hermione.
- Está maluca?
- Edwina está presa, vai cair se eu não soltá-la.
- Mas descer até lá não é a solução. – Mione disse olhando para baixo. – Temos que pensar em algo.
- Enquanto você pensa em algo eu vou buscar minha coruja. – Cassie falou soltando-se, e já deslizando em direção à ave.
- Cassandra!

HPHPHP

- Eu acho que você deveria conversar com ela. As coisas já foram muito longe. Quase um mês Harry. Até quando vai se manter nessa fria indiferença com a garota que você gosta?
Rony passara janeiro inteiro com perguntas desse tipo, e Harry já não agüentava mais, estava quase indo conversar com Cassie somente para o amigo parar de importuná-lo.
- A Cassie vive triste pelos cantos...
Harry olhou irônico para o amigo.
- ... É verdade. Na sua frente ela se mostra forte e confiante, mas eu já a peguei chorando algumas vezes. – Rony desviou os olhos, inventar um pouquinho não faria mal nenhum. Cassie o perdoaria.
- Se você a viu chorando pelos cantos, essa não era Cassie, eu duvido que ela se deixaria pegar chorando.
- Mas quem garante que ela não chora de noite em seu quarto, hem?
- Rony...
- Não, deixa eu terminar. Ela pode até não chorar, mas ela está triste Harry, isso você não pode negar. A Cassandra que chegou em Hogwarts e essa Cassandra de hoje não são a mesma pessoa, ela perdeu parte de seu brilho, e pelo jeito até a ligação que há entre vocês dois se perdeu. – Rony disse como quem não quer nada.
- Como assim? – Harry não entendeu.
- Ela não sonhou mais com você.
Harry sentiu de repente um baque no coração. Será que ela iria embora? Pois se não sonhava, não tinha visões, não teria mais nenhuma serventia para Dumbledore. O diretor a mandaria embora? Não, isso não.
- Tenho até medo sabe. Elas às vezes fica tão quieta. Eu li em algum lugar que pessoas muito caladas podem de repente entrar numa depressão terrível e até...
- Até?
- Até cometer suicídio. – Rony falou baixinho. Dessa vez exagerara mesmo.
- Oras Rony, pára com invencionices, já foi longe demais.
Rony ia retrucar quando ouviram Hermione gritando o nome de Cassandra, quando ambos ergueram os olhos, gelaram. Rony mais ainda, pois suas palavras se tornaram profanamente reais.
Cassandra estava empoleirada na beira da janela da Torre, e aparentemente pronta para se jogar dali para baixo.
Os dois gritaram o nome dela, assustando-a, o que fez com que deslizasse alguns centímetros. Cassie olhou para baixo enfezada. Idiotas. Segurando-se mais firmemente, começou a mover-se lentamente em direção à Edwina.
- Cassie, fique aí. Segure-se. Já vou buscá-la! – Harry gritou.
- Não se intrometa. Eu não preciso de ajuda, ainda mais da sua.
- Não seja idiota.
- Idiota é você. – falou tão enfezada que perdeu o equilíbrio, derrubando algumas telhas, mas conseguiu segurar-se a tempo. Não podia dizer que estava tranqüila, o coração saltaria do peito de tanto que batia.
Harry com o feitiço convocatório esperava sua Firebolt chegar, mas os segundos pareciam horas.
Cassie, no alto do telhado, falava baixinho com Edwina para ela se manter calma. De onde os meninos estavam não podiam ver a ave, para eles Cassie estava mesmo querendo pular.
- Cassie, isso não vale a pena, segure-se que o Harry vai ajudá-la, aí vocês poderão conversar. – Rony tentou falar em tom tranqüilo, mas estava mais branco que um lençol fazendo suas sardas quase saltarem de seu rosto.
Cassie olhou o amigo de cenho franzido. O que não valia a pena? Ora, deixa pra lá. Deslizou mais um pouquinho e acabou quase ultrapassando onde Edwina estava deitada, agora estranhamente quieta olhando a aproximação de sua dona. Nas janelas do castelo, os alunos que estavam à altura de onde a ave parara, observavam o progresso de Cassandra. Os comentários correram pelo castelo inteiro, quem não estava à janela ficara na parte de baixo observando. Cassandra era sempre uma boa quebra na rotina.
- Calma Eddie, já estou chegando para pegar você. – cautelosamente, para não assustá-la ainda mais, Cassie conseguiu firmar um pé de cada lado do pássaro, agora a parte difícil, como se abaixar para pegar Edwina? Poderia despencar de cabeça. Suspirou e tomou coragem. Nesse momento tudo aconteceu ao mesmo tempo, seu pé escorregou, Edwina se mexeu e ela viu-se despencando realmente pelo telhado. Gritos soaram por todas as janelas, Mione virou-se de costas com as mãos nos olhos. Algumas meninas histéricas gritaram de horror. Professor Flitwick que estava empoleirado em uma pilha de livros despencou de seu lugar. A professora Minerva que chegava nesse momento ao gramado levou ambas as mãos ao peito. O único que parecia se divertir era Draco Malfoy e sua gangue.
Cassie ainda teve a presença de espírito de pegar a ave antes de começar a cair, e abraçada foi de cabeça direto rumo ao chão. Mas em vez do ploft que esperava ouvir quando sua cabeça se espatifasse, sentiu-se segura no ar.
- Peguei. – ouviu Harry dizer satisfeito.
Cassie fechou os olhos sentindo-se agradecida, mas não queria dar o braço a torcer.
Os dois pousaram no chão, ouvindo suspiros de alívio.
- Você enlouqueceu? – Harry gritou mal descera da vassoura. Nem percebera a ave nos braços de Cassandra.
- Não... – Cassie respondeu tranqüila.
- Não? E fala isso com essa calma? O que te deu na cabeça para pular da janela?
- Eu não pulei ‘da janela’, e pulei ‘a janela’. É um pouco diferente.
- Para mim parece a mesma coisa. – Rony comentou, já com sua cor quase de volta ao normal.
Cassie lançou chispas ao amigo através dos olhos.
- Se você acha que as coisas não estão bem, se matar não é a solução. – Harry falou em tom mais calmo, agora que o susto havia passado.
- Como é que é? – Cassie endureceu a voz. – Acha que eu estava querendo me matar? E por que eu faria essa idiotice? – agora ela já gritava.
Os alunos que haviam se virado para entrar, voltaram para perto deles e acompanhavam a discussão com interesse.
- E como é que vou saber o que se passa na sua cabeça de lunática. – Harry retrucou.
- Eu não sou lunática, e se você pensou que eu pudesse querer tirar a vida porque foi idiota o suficiente para não querer mais nada comigo, você é mil vezes mais idiota do que eu pensava.
- Pessoal... – Mione que chegara correndo, resolveu que era hora de se intrometer. Mas ninguém lhe deu ouvidos.
- Pelo menos eles estão conversando. – Rony falou aproximando-se da amiga.
- Chama isso de conversar?
- É melhor do que se ignorarem.
- Talvez você esteja certo. Algumas verdades podem ser ditas. Tomara que tudo não piore. – Mione olhou dos lados vendo a platéia que os dois tinham arrumado com os gritos.
- Idiota? Idiota é você que acha que pode sair voando pela janela que nem um passarinho e não se matar esborrachada no chão. – Harry falou aproximando-se dela.
- E você é muito arrogante se pensa que eu faria isso porque você está me esnobando.
- Eu não a esnobo, só ...
- Só o quê? Está magoado por esconderem fatos de sua augusta pessoa? Ou porque se acha tão importante, o grandioso Harry Potter tem que saber de tudo que se passa, não pode ficar a parte de nada. – a ironia estava impressa em cada palavra dela. Harry sentiu o sangue subir.
- Não é nada disso. Você me enganou.
- Eu omiti a verdade, não é a mesma coisa.
- Aproximou-se por pena? Curiosidade? Estava a fim de mostrar serviço protegendo o inocente Harry Potter?
Cassie nem teve como retrucar, estava espantada por ele pensar dessa maneira.
Mione ia aproximar-se, senão as coisas ficariam piores, e tinha razão.
- Ou talvez o seu interesse fosse saber sobre o Sirius já que você foi tão covarde para ir conhecê-lo.
Cassie olhou para Harry magoada. Não acreditava que ele jogara suas próprias palavras e medos na sua cara num momento como esse.
- É assim que você me vê? – Cassie perguntou em tom magoado. – Acha que sou essa pessoa interesseira?
Os dois olharam-se durante alguns segundos, e Harry se arrependeu na hora de suas palavras impensadas. Claro que não a via assim, mas estava magoado, nem sabia o que dizia.
- Não... – começou a dizer.
- Nunca mais fale comigo. Não me olhe, não diga absolutamente nada para mim, se você fizer isso vai ganhar o soco que prometi a você e que estou te devendo. – Cassandra falou bem próxima ao ouvido de Harry para que apenas ele a ouvisse. Saiu dali em direção ao castelo com Edwina, que fora esquecida em seus braços e que ficara estranhamente quieta.
Harry fechou os olhos. O que fizera? Sentiu um ardor estranho, e uma dor no peito que nunca havia sentido, nem mesmo na morte de Sirius. Saiu dali na direção oposta à de Cassie.
- Ah me Deus. As coisas ficaram muito piores do que estavam. – Mione sussurrou.
- Por que a Cassie estava com a Edwina nos braços? – Rony perguntou, somente nesse momento se dando conta do fato.
- Ah Rony. – Mione falou em tom de riso e choro ao mesmo tempo. Enlaçou o amigo pelo braço e ambos seguiram para o castelo, com ela contando o que de fato acontecera.

HPHPHPHP

Cassie depois de cuidar de Edwina, ainda não entendera como ela se enrolara no fio de linha, fora para a cozinha, nada como um pedaço de bolo de chocolate para aplacar sua raiva ainda fervente contra Harry Potter. O Idiota!
- Oi pessoal! – chegou cumprimentando os elfos que se inclinaram em uma saudação.
- Senhorita Princesa Cassandra. – Dobby falou aproximando-se feliz.
- Oi Dobby. A Winky tá bem? – perguntou procurando a pequena com os olhos.
- Ali. – Dobby apontou um canto onde ela estava enrolada numa manta com garrafas de cerveja amanteigada ao redor.
- Hum, vejo que ela demora mais para se recuperar. – Cassie falou baixinho para os outros elfos não a ouvirem.
- A senhorita princesa não foi uma boa influência. – Dobby disse se arrependendo no ato. – Desculpa, desculpa, Dobby não queria criticar. – completou fazendo mais um monte de reverências.
- Pára com isso Dobby, você está certíssimo. Mas será que eu posso conseguir um pedaço de bolo de chocolate, estou... – nem terminou de dizer, o bolo já estava a sua frente. – Ora, muito obrigada.
Cassie sentou-se à mesa e começou a comer com verdadeira adoração.
- Você tem que vir. – ouviu atrás de si.
- Não... Não vou...
- Vem.
Cassandra virou-se, vendo Dobby puxando outro elfo bem mais velho, e que estava altamente irritado. Arqueou as sobrancelhas ao ver o pequeno ser.
- Ei monstro, não quer nem me dizer um oi? – resolveu ser gentil com o esquisito elfo.
- Monstro não é obrigado, não é mesmo. – ele disse baixinho, mas Dobby ouviu.
- O que foi que você resmungou aí, seu elfo caduco?
- Nada, Monstro não é obrigado a nada. – ele disse em tom mais alto e quase raivoso.
- Não é mesmo Monstro, não precisa nem me olhar se você não quiser. – Cassie disse voltando-se para seu bolo.
- Ela acha que eu quero olhá-la, princesa de nada. Vai ter o que merece, quase, quase foi da última vez, pena que minha verdadeira senhora não conseguiu... – o pequeno elfo já se virava para voltar a seu canto, quando foi agarrado pelo ombro.
Cassandra abaixou-se ao lado dele, olhando-o seriamente.
- O que você disse? – ela perguntou em tom sério, assustando Monstro.
- Nada, não falei nada.
- Falou sim. Sua verdadeira senhora não conseguiu... Quem? Bellatriz? É dela que você tá falando não é? Não conseguiu me pegar? Tá falando da noite do show, Monstro?
Monstro arregalou os olhos e ficou tenso, mas ficou balançando a cabeça negando e resmungando.
- Foi você, não foi filho do demônio? Você delatou onde eu estaria aquela noite. Como? – Cassie perguntou tentando controlar a raiva.
- Senhorita princesa, lembra quando Dobby tirou o peste desse elfo de perto do seu baú? – Dobby falou, aproximando-se
- É verdade, meu baú estava aberto, as entradas do show estavam à vista. Mas que droga. Como não pensei nisso antes? – Cassie resmungou e sem querer apertou ainda mais o elfo velhote em suas mãos. Deu-se conta do que fazia quando ele soltou um leve gemido.
Com raiva soltou-o bruscamente, derrubando-o no chão.
- Dobby, cuide para que essa cria do mal não vá mais na Torre da Grifinória, deixe sempre algum elfo por perto dele para vigiá-lo, não podemos perdê-lo de vista. Delator miserável. – Cassandra estava ardendo de raiva do pequeno elfo. Não queria vê-lo nunca mais na sua vida, deveria existir pena de morte para elfos traidores.
Quando saiu da cozinha os elfos, que nada perderam da discussão, já faziam a guarda do pequeno traidor.
Cassandra saiu dali, resmungando durante todo o caminho sobre o ser do mal que vivia na cozinha de Hogwarts, os alunos afastavam-se assustados com sua expressão que indicava estar pronta para matar um.
- É bom não me deixarem perto dele, eu posso matar aquele projeto do demônio. – falou baixinho ao passar em passos rápidos por Hermione e Rony.
- Ah por Vlad! – Rony disse num plágio descarado de Cassandra. – Ela vai matar o Harry.
Hermione engoliu em seco, as coisas ficavam mais terríveis a cada segundo.
Cassie seguiu direto para a sala de Dumbledore, bateu na porta ouvindo consentimento para entrar, mas parou de chofre quando deu de cara com Harry, que havia ido sondar o diretor sobre Cassie ficar ou não em Hogwarts, no final acabara contando da última briga.
- Eu volto depois. – falou virando-se para sair.
- Cassandra. – Dumbledore a chamou, no tom de voz não admitindo que fosse contrariado.
Cassie parou mas não se virou.
- Você pode se aproximar, por favor? – ele pediu.
A garota pensou durante alguns segundos, e deu de ombros. Dumbledore quase deu risada. Continuando de costas Cassandra andou em direção à mesa do diretor. Harry que se afastara, ficando próximo à janela, não viu a performance da menina.
- Isso é necessário? – Dumbledore perguntou.
- Com certeza. – ela respondeu. – Mas talvez seja melhor o idi... hum, ele estar aqui. Para depois não acusar de que estamos escondendo algo dele. – falou com ironia.
Harry virou-se para responder atravessado quando a viu ainda de costas para a mesa do professor. É, pelo jeito não seria fácil se desculpar, já que ela ao menos queria olhá-lo.
- E você não pode dizer o que tem a dizer olhando para mim? É um tanto embaraçoso falar com a sua cabeça. – Dumbledore disse.
- Na quero correr riscos. – ela disse.
- Riscos? – Dumbledore não entendeu o que ela queria dizer.
- Posso me sentir tentada a bater em alguém, e não seria no senhor, professor.
Dumbledore e Harry trocaram um olhar entendido, e Harry apenas mexendo os lábios disse ‘eu avisei’.
- Está bem Cassandra, como você quiser. O que houve para trazê-la aqui?
- Descobri quem delatou a minha saída no dia do show.
Harry ia se pronunciar, mas engoliu a pergunta no ato.
- Quem Cassie? – Dumbledore perguntou interessado.
- Aquela cria do demônio, filho de satã, o velho caduco que o senhor na sua magnanimidade trouxe para viver no castelo.
- Monstro. – Harry falou baixinho.
Cassandra começou a andar de um lado para outro, em sua raiva esqueceu momentaneamente que não queria olhar na cara de Harry.
- Antes do show ele viu as entradas no meu baú que estava aberto, você se lembra.. – dirigiu-se a Harry nem se dando conta. - Quando o Dobby foi nos cumprimentar pelo Natal e levar o presente, ele achou que Monstro deveria ir junto. Na hora eu nem me toquei.
- Eu pensei em quem poderia ter dado com a língua nos dentes, mas ninguém sabia. Imaginei que tinham seguido a gente desde o povoado.
- Eu também. – Cassie falou olhando para Harry.
Quando os olhos se cruzaram ela enfim percebeu que estava falando com ele. Harry ia dizer que eles precisavam conversar, quando ela deu-lhe as costas de novo.
- Enfim... – Cassandra falou, como se nada tivesse acontecido, mas fazia força para não pegar Harry pelo pescoço e dizer umas boas verdades a ele. – O que o senhor pretende fazer? – a pergunta foi dirigida a Dumbledore. – Eu já disse a Dobby e aos outros elfos para mantê-lo sob vigilância cerrada e não o deixarem entrar na Torre da Grifinória.
- Por enquanto isso basta. – Dumbledore disse pensativo.
- É fato que o velho demônio anda saindo do castelo, professor, só isso não vai adiantar.
- Você está com a razão Cassandra. Mas pode deixar que irei resolver esse assunto.
Cassie acenou concordando.
- Então já vou indo. – falou seguindo para a porta.
Dumbledore fez um aceno para Harry segui-la, e ele fez que não. O velho bruxo apenas franziu ainda mais as linhas de expressão da testa, e Harry não teve alternativa, saiu atrás de Cassandra.
- Cassandra... – ele a alcançou no corredor.
Cassie parou de andar. Fechou os olhos pedindo forças para não fazer nenhuma besteira.
- O que foi que eu disse? – perguntou severa.
- Eu sei, mas resolvi arriscar um soco na cara.
Ela esperou, poderia perder alguns segundos com o idiota. Mentirosa, esperava, que ele fosse falar com ela, não com muita ansiedade, é claro.
- Não tenho a tarde toda. – falou azeda.
- Queria pedir desculpas. Não tinha o direito de dizer o que disse.
- Agora já foi não é?
- Eu não penso de fato que você se aproximou por causa do Sirius...
- Se você disse o que disse, no fundo pensa assim. Até entendo seus medos e inseguranças, mas não vou passar a mão na sua cabeça Harry. – ela disse virando-se enfim para olhá-lo. – Pedir desculpas depois de palavras proferidas é muito fácil. Dizer que estava com raiva, nervoso, não sabia o que estava dizendo, melhor ainda não é? Mas doeu, e ainda está doendo. E também não esqueci que você se arrependeu de ter ficado comigo. Então para completar, não vejo motivos para você querer se desculpar. Você não quer nada comigo. – finalizou já virando-se para ir embora.
- Não vai deixar eu falar nada? – ele perguntou bravo.
- Hoje não. Tô com muita raiva de você ainda, e apesar de eu querer te dar um soco na cara, estou me contendo, não quero machucá-lo. – e dando a última palavra ela se foi.
Harry fechou as mãos em punho com tanta força, que as juntas dos dedos ficaram brancas. Continha-se para não segui-la e forçá-la a ouvi-lo. Suspirou fundo, pensando que da próxima vez ela não lhe escaparia.

HPHPHP

Harry virava de um lado para outro na cama em um sono irrequieto. Tinha sonhos onde via Cassandra chamando-o de idiota e dando-lhe um soco na cara.
- Parece que as coisas não estão caminhando bem para você. – uma voz profunda e meio rouca disse, fazendo-o abrir os olhos. Deu de cara com Sirius que o fitava de cima com um sorriso.
- Sirius. – falou sentando-se na cama num repelão.
- Então? Agora não é Voldemort que paira em seus sonhos, e sim uma linda garota. É, tenho que dizer que foi uma melhora considerável, menos a parte do soco. – Sirius brincou, sentando-se na beirada do colchão.
- Ela é uma lunática. – Harry resmungou como se fosse a coisa mais normal do mundo conversar com Sirius no meio da madrugada em seu quarto na Torre da Grifinória.
- O que você fez?
- Porque eu tenho que ter feito algo? Não pode ter sido ela a começar? – Harry perguntou em tom queixoso.
- Oras Harry, ela é uma dama, uma gracinha de garota, o que pode ter feito? Além do mais é ela que quer bater em você.
Harry ficou pensativo durante alguns segundos. O que Sirius saberia? Parecia que conhecia Cassandra mas não sobre quem ela era.
- Eu disse uma coisa, que não devia, e a magoei.
- E era verdade?
- Não. – Harry foi rápido.
- Então porque você disse?
- Ela escondeu coisas de mim, queria magoá-la como ela me magoou.
- Isso não foi muito delicado.
Harry concordou. Arrependia-se até o último fio de cabelo por ter falado sem pensar.
- Agora ela não quer perdoá-lo. – Sirius comentou, entendendo a situação.
- Na verdade ela não quer nem me ouvir.
- Hum, talvez eu possa ajudá-lo. – Sirius falou levantando-se tão rápido que assustou Harry. Quando o garoto virou-se para pegar os óculos, ele já saía pela porta do quarto.
Harry acordou segurando os óculos, olhando para a porta, viu-a semi aberta, levantou-se rápido e seguiu para o salão comunal.

HPHPHP

Cassandra, abriu os olhos pensando o que poderia tê-la acordado, já era madrugada. Depois da conversa com Harry, ela fora direto para o quarto, enfiara-se debaixo das cobertas, e não respondera quando Hermione a chamara.
Sentou-se na cama esfregando os olhos de sono, quando percebeu um movimento perto da janela, virou-se rápida com o travesseiro preparado para atacar.
- Não tenha medo. – disse uma voz masculina, que ela não reconheceu.
Voz masculina? Desde quando garotos eram permitidos nos dormitórios femininos? O pensamento passou rápido, pois não era hora para conjecturas.
- Quem é você? – perguntou. Dependendo da resposta gritaria como a lunática que Harry a acusava de ser.
- Ah é mesmo, não nos conhecemos, apesar do Harry falar muito de você.
- Harry? - Cassie franziu o cenho, agora colocando as pernas para fora da cama. – Você conhece o Harry?
- Sim, sou o padrinho dele, Sirius Black. – o homem falou, curvando-se numa reverência.
Cassandra não poderia ter ficado mais espantada, boca aberta e olhos arregalados, fitava o pai que não tivera coragem de conhecer.
- Mas... Como?... Você...? – tentou formular várias perguntas ao mesmo tempo, mas não conseguiu ser coerente.
Sirius deu uma risada baixa, divertido.
- Harry já deve ter falado que na verdade eu não morri.
Cassandra só conseguiu acenar que não com a cabeça.
- Mas que garoto. Bom, isso não importa. Ele me contou da briga de vocês.
- Contou? Tudo? – Cassie perguntou surpresa.
- Não os motivos. Ele está arrependido, muito. Resolvi interceder. Por que você não dá uma chance a ele, Cassie?
- Você está me pedindo para ouvir o que seu afilhado tem a dizer? Eu? – Cassandra não conseguiu deixar de fora um tom de ironia. Nem estranhava mais o papo com Sirius, considerado morto.
- Você é bem difícil hem? – Sirius deu uma risadinha. – Parecida com o Harry.
- De jeito nenhum. Aquele idiota. Eu nunca diria que me arrependi de ter namorado com ele, mesmo que ele me dissesse o que ele já disse.
- As coisas são mais complicadas do que eu imaginava. Cassandra, deixe-me contar uma história para você. Quando eu tinha a sua idade, conheci uma garota linda, ela tinha cabelos parecidos com os seus. – Cassie levou as mãos aos cabelos, sabia o que viria. – Nós ficamos juntos durante algum tempo, e um dia ela me pediu para deixar de fazer algo, algo que era perigoso. Na hora, eu acreditei que ela quisesse me moldar como um outro Sirius, não percebi que os motivos dela eram outros, que ela me pedia aquilo por medo. Medo de me perder. – Sirius olhou para um ponto qualquer, perdido nas recordações. – Eu me arrependo de ter deixado-a ir. Arrependo-me de não ter permitido que ela me visitasse, mas não queria que ela visse Azkaban, por dentro. Cibele era tão delicada, tão sensível. Na verdade não sei o que ela viu em mim. – ele falou sorrindo.
- Você a amava. – Cassie disse baixinho, com os olhos cheios de lágrimas.
- Muito. É por isso que digo a você para ouvir o que Harry tem a dizer. Talvez você esteja jogando fora o grande amor da sua vida. Quer perdê-lo, como eu perdi o meu? – ele perguntou sério.
Os dois encararam-se durante alguns segundos, Cassie tentando guardar na memória os traços do pai. Ela tinha mesmo olhos parecidos com os dele. Um sorriso aflorou em seus lábios.
- Obrigada. – falou a Sirius.
- Por que você não vai até a sala comunal? – ele perguntou sorridente, desaparecendo pela porta.
- Sirius! – Cassie chamou-o, sentando-se na cama num repente.
Olhou confusa para os lados. O que fora isso? Sirius de fato aparecera? Fora um sonho? Levantou-se da cama e saiu disparada pela porta, desceu correndo as escadas olhando em todas as direções. Procurou-o embaixo da mesa, atrás do sofá, e estava abaixada em uma posição nada interessante quando ouviu passos, ergueu a cabeça dando de cara com Harry.
- Harry!
- Cassie?
- O que você está fazendo aqui? – os dois perguntaram ao mesmo tempo.
E agora? Contar ou não a ele? O sonho fora muito irreal.
- Ah! – ela começou a dizer levantando-se. - Bom... Ora, não interessa. – disse lembrando-se da raiva. Por que esquecia que estava com raiva dele num primeiro momento? Não era justo. Caminhou em direção à janela e ficou olhando para a escuridão.
Harry fitou-a durante alguns segundos. Que estranha coincidência colocava-o sempre frente a frente com Cassie? Será que era o destino como dizia Dumbledore? Pois não perderia essa chance. Tirou-a de seu mutismo, tomando a dianteira.
- Preciso dizer uma coisa a você, e depois se quiser me bater, sinta-se à vontade. – Harry disse com seriedade. – Por que você não se senta aqui comigo? – pediu indicando o sofá.
- Estou bem, aqui. – ela falou, até pensou em fazer o que ele pedira, mas não iria deixar as coisas tão fáceis.
Harry suspirou e aproximou-se dela. Parando a alguns passos, sentiu o leve perfume dos cabelos dela, o cheirinho da Cassie. Fechou os olhos, aproveitando o momento.
- Vai ficar parado aí a noite inteira? – ela perguntou brusca, para disfarçar a vontade que estava tendo de virar-se e jogar-se nos braços dele. Por Vlad, que saudade dos beijos do Harry.
- Percebi que se quisesse que você fosse honesta comigo, teria que começar a ser com você também. Não posso exigir confiança se não confiei primeiro em você.
Cassie virou-se para ele, encontrando os olhos verdes bem pertinho de si.
- Tenho sonhado com o Sirius, bom, na verdade, eu não sei se são sonhos, ele aparece para mim, e conversamos como se ele estivesse vivo, aí de repente ele some e eu acordo. Na primeira vez nós conversamos como eu estou falando agora com você. Disse para eu tomar cuidado, planos estavam sendo traçados. Falou que eu não tive culpa de sua morte. – Harry baixou a cabeça.
- E não teve mesmo. – Cassie não conseguiu se conter.
Harry a encarou. Céus como queria abraçá-la, como fora idiota. Engoliu em seco contendo-se.
- Disse que você era bonita.
- Sério?
- Falou do seu nome, de Cassiopéia. Que os dois teriam o mesmo diminutivo.
- Foi assim que você soube. – ela disse baixinho.
- Sua mãe deve ter dado seu segundo nome em homenagem à escolha dele.
Cassie sentiu a garganta apertar, não tinha pensando nisso.
- Harry... Sirius apareceu para mim.
- Quando? – ele perguntou surpreso.
- Hoje. Agora a pouco. Eu senti a mesma coisa que você, como se ele estivesse ali do meu lado, por isso desci, achei que ele estava aqui. - falou olhando dos lados, como se não estivesse convencida de fato de que ele não estava. – Ele me falou da minha mãe, da relação deles.
- Por quê? Não entendo. Ele sabe que você é filha dele?
- Você disse algo?
- Não. – Harry respondeu sentindo-se culpado. Já deveria ter dito.
- Talvez seja melhor não dizer mesmo. Não sabemos onde ele está, mas acho que não é nesse plano.
- Então porque ele apareceu para você?
Cassandra sorriu.
- Por você. Pediu que eu lhe desse uma chance de conversar comigo. Que eu não fizesse o que ele fez, perdesse a chance de ter o grande amor da sua vida ao seu lado.
- E eu sou o grande amor da sua vida? – Harry perguntou esperançoso.
- É claro que não. – ela falou de maneira altiva, empinando o narizinho arrebitado, virou a cabeça de lado. – Até parece que seria tão fácil assim. Seu padrinho pede algo e eu faço. Bah!
Harry quase deu risada, ela poderia não querer dar o braço a torcer, mas ambos estavam conversando nesse momento. Não perderia a chance que o padrinho lhe dera.
- Eu não me arrependo. – disse de repente.
Cassie encarou-o e engoliu em seco.
- Ou melhor, me arrependo sim, de ter dito aquilo a você. Não pensei, falei por pura mágoa. Não gostei de saber que você mentiu para mim Cassie. Achei que tínhamos algo especial, e naquele momento senti que talvez você não pensasse como eu.
- Como pôde pensar isso Harry? – ela perguntou em tom magoado. – Eu sei que a gente mal começou a ficar junto, mas achei que pelo menos você acreditasse em meus sentimentos, eu não menti por prazer, ou para me divertir. Escolhi aceitar o que Dumbledore me pediu, esconder de você quem eu era de fato, porque achei que você pensaria que eu era estranha. Afinal, eu sonho com você desde que me lembro, e as visões... Bom, não são legais. Não gosto de falar delas com ninguém.
- É, acho que a gente deveria ter conversado, antes de eu abrir a minha boca grande e dizer besteiras não é?
Cassie não disse nada. Soltou um profundo suspiro.
- Foi minha culpa. – ela falou andando em direção à lareira e sentando-se sobre o tapete. – Eu confundi meus sonhos com a realidade. Faz tanto tempo que conheço Harry Potter, que esqueci que o mesmo não ocorre com você. Fomos depressa demais.
- Você acha isso mesmo? – ele perguntou sentando ao lado dela e fitando o fogo. – Que fomos depressa demais? – ele completou quando ela ficou em silêncio.
- Não. – ela respondeu dando risada. – Só disse isso para você não se sentir culpado.
Harry deu uma risada curta.
- O que você pensa de fato? – quis saber.
Cassie mordeu o lábio inferior, numa clara indicação de dúvida. De repente virou-se para ele, decidida.
- Eu penso, que você é a pessoa mais importante para mim, e não digo isso a partir desse último ano. Você sempre esteve comigo, mesmo não conversando comigo. Eu torcia, chorava e ria com você. Era tão bom poder dormir e sonhar com você. – Cassie sentiu que dali a pouco começaria a chorar, tentou controlar-se e continuou. – Menos a parte dos sonhos onde você corria perigo, claro. – ela completou. - Quando a gente se encontrou no trem, nossa, eu mal acreditei que você era a primeira pessoa com quem eu estava conversando. Nós nos chocamos algumas vezes, você duvidou de mim, mas eu sabia seus motivos, sabia das suas desconfianças, então pensei, vou deixar nas mãos dele, seguir o que ele determinar. Aí... bom, aí você me beijou, e eu senti que tinha ido para o céu. – ela falou sorrindo, os olhos brilhando. – Beijar você era tudo que eu queria, estar pertinho de você, conversar com você... amar você. – ela completou baixinho.
Harry perdera a fala. O coração batia descontrolado. Sabia que os dois tinham se ligado a partir do momento que haviam se conhecido, mas não tinha noção do que ele significava para Cassie.
- Desculpa. – ela disse quando ele continuou em silêncio. – Assustei você. – ela falou dando risada. – É essa mania de dizer as verdades, doa a quem doer.
- Não doeu ouvir isso. - ele falou enfim. – Mas confesso que fiquei assustado, de não corresponder a tudo o que você pensa de mim.
- Ah mas você corresponde, a tudo isso e muito mais. – ela deu uma risadinha marota. – Ah Harry, ouvir você dizer que se arrependia da gente estar junto foi como despencar do céu em que eu vivia, mas você pensar que me aproximei com segundas intenções, e nada boas diga-se de passagem.
- Cassie...
- Espera. – ela ergueu a mão interrompendo. – Eu tento entender seus motivos e tudo pelo que você tem passado, o fato de você não me conhecer tão bem como a seus amigos, mas isso não impede que eu ainda sinta meu coração dolorido. Não podemos retirar o que foi dito, tanto da sua quanto da minha parte.
Os dois ficaram em silêncio durante alguns segundos, Harry pensando em tudo que ela dissera.
- Concordo com você. Não podemos retirar o que dissemos, mas espero que algum dia você possa esquecer e me perdoar. Não deveria ter dito que você foi covarde por não ter conhecido o Sirius, sabe-se lá o que eu faria em seu lugar. Você teve seus motivos, e eu deveria ter respeitado, e não usado isso contra você. Foi golpe baixo. – ele a fitou pedindo perdão com aqueles incríveis olhos verdes. Cassie quase se jogou nos braços dele. Quase. – Confesso que fiquei meio irritado por ter sido protegido... de novo.
- Meio? – ela cortou irônica.
- Está bem. Muito. – ele sorriu. – Não gosto dessa proteção, já passei por muita coisa, e as pessoas insistem em não confiarem em mim, mas também entendi os motivos do segredo. Na hora foi duro perceber que eu não sabia nada sobre você, a Hermione sabia muito mais.
- Sinto muito.
- Esquece, agora já foi não é? Você escondeu coisas de mim, e eu magoei você sem querer. Gostaria que as coisas tivessem tomado outro rumo, que eu não tivesse sido tão estúpido.
Cassie quase concordou com ele mas achou melhor ficar em silêncio.
- Conhecer você nesse ano foi a melhor coisa que me aconteceu. Você conseguiu fazer com que eu me esquecesse durante alguns momentos a perda do Sirius. Olhar para você, ouvir seu riso, suas brincadeiras foi como se aos poucos meu coração estivesse sendo curado. Somente isso teria bastado para que eu me calasse e não dissesse besteiras, mas a minha insegurança me deixou idiota por alguns segundos, e eu posso ter perdido a garota que eu aprendi a amar. – ele completou sem olhar para ela.
- Ah Harry. – Cassie disse, não esperando mais nenhum segundo, rodeou os ombros dele abraçando-o pelo pescoço. – Você é mesmo um idiota sabia? – falou baixinho no ouvido dele.
- Eu sei. - ele concordou enlaçando-a pela cintura.
Ficaram ali, em frente à lareira curtindo o abraço. Harry de olhos fechados rezava para Cassie perdoá-lo, mas somente por tê-la nos braços de novo, seu coração exultava.
- Será que um dia você irá me perdoar? – ele perguntou.
- E você? – ela retrucou em vez de responder.
- Não há o que perdoar Cassie. – ele disse com certeza. – Você não me respondeu.
- Sim, não agora, mas sim.
- Por enquanto isso basta. – falou baixinho apertando mais os braços em volta dela.

Continua...

N.A.: YAHUUUUU!!!!.... como é ótimo ter terminado esse capítulo.
Oi pessoal...eheheheh
Eu sei, demorei horrores, mas não foi por falta de cobrança, que agradeço de coração, é sério, mas junho foi um mês terrível, nem vou entrar em detalhes, e julho, eu me senti completamente sem ação... eu tinha idéias de monte e colocá-las e arranjá-las no papel foi tremendamente estafante...ahahah..é verdade, eu sabia para onde ir, e o que digitar, mas na hora H, a coisa desandou... mas enfim, eis o capítulo, maior do que eu esperava, não necessariamente do jeito que eu imaginava, mas eu gostei do resultado, espero que vocês também tenham gostado.
Agradeço à Mana Mar por revisar, ela foi super rápida, brigou muito com a Cassie e para meu espanto com o Harry também, e com as risadas dela sei que também se divertiu.
Agora, eu não sei exatamente o que vem por aí... e quanto ao final do capítulo, será que foi mesmo uma reconciliação? Não era meu propósito, por isso não se animem muito, OK?..eheheh....
As músicas são todas do Queen ou do Freddie, é que ele teve uma fase solo, mas é o Freddie que canta, isso tenho certeza...ahahah....coloquei as traduções no final, o sublinhado é o que eu substituiria na letra, pelo que vem na frente, já que as músicas foram feitas para garotos cantarem...ahahah...
Agradeço aos comentários, reviews e e-mails, é legal saberem que estão gostando.
Se não gostarem podem mandar também, eu aceito críticas, com educação, claro. Se encontrarem algum erro, estão liberados, OK?
Ah sim, reviews a Sem Barreiras, eu não pretendo revisar os erros, por pura falta de tempo, mas agradeço a quem me manda as revisões, mas como são detalhesinhos, vou deixar isso mais para frente, mas estão devidamente anotados. Obrigada.
Pessoal, se você ainda está acompanhando a história, muito obrigada por sua paciência, sei que é terrível a demora, mas eu tento o meu melhor, não pretendo desistir da história até vocês lerem a palavra fim, por isso leiam sem medo, está bem? A Fic já está devidamente esquematizada até o seu final, sem isso nem teria começado a postar, acho que já disse isso, mas é bom relembrar.
Até o próximo Capítulo.
Beijos


Notas da Marjarie: eu nem acredito! Capítulo novo de DE!! Alguém me belisca!!! Estou toda radiante, flutuando de felicidade *_* e toda boba pela Rô sempre me dar a honra de revisar e comentar esse fic que amo tanto, ai, alguém segura meu sorriso que não tem mais espaço para aumentar hehehehe
Mas sério, ficou tudo muito perfeito! Todas as emoções descritas de modo tão real que senti como se estivesse ao lado dos personagens, rindo, chorando, se desesperando, junto com eles, nossa, foi incrível!
E tem uma coisa que eu preciso falar... a J.K. devia ter criado uma Cassie! Sinceramente, mesmo que eu a xingue tanto nos comentários que mando prá Rô, ela é muito perfeita para o Harry, eles fazem um casal tão fofo *_* tô torcendo muito por esses dois e claro, tô super ansiosa pelo próximo cap ^^
Beijinhos a todos
Mar



TRADUÇÕES

Crazy Little Thing Called Love

by Freddie Mercury

Eu simplesmente não consigo lidar com ela
Essa coisinha chamada amor
Eu tenho que tratar dela
Eu não estou prontopronta
Coisinha maluca chamada amor
Essa coisa chamada amor
Chora (como uma criança)
No berço da noite
Balança, dança
Se mexe toda como uma água-viva
Eu meio que gosto
Coisinha maluca chamada amor
Lá vai a minha garotameu garoto
ElaEle conhece o Rock'nRoll
ElaEle me deixa malucomaluca
ElaEle me dá febre quente e gelada
E depois me deixa suando frio...
Eu tenho que me tranqüilizar... relaxar...
Pegar estrada... sentar atrás...
E fazer uma longa viagem na minha motocicleta
Até eu ficar prontopronta
Coisinha maluca chamada amor
Eu tenho que me tranqüilizar... relaxar...
Pegar estrada... sentar atrás..
E fazer uma longa viagem na minha motocicleta
Até eu ficar pronto (pronto Freddie)pronta Cassie
Coisinha maluca chamada amor
Não estou prontopronta
Essa coisinha chamada amor
Eu simplesmente não consigo lidar
com ela
Essa coisinha chamada amor
Eu tenho que tratar dela
Coisinha maluca chamada amor...

Calling All Girls
by Roger Taylor
Chamando todos os garotos chamando todas as garotas
Chamando todas as pessoas nas ruas
Pelo mundo
Trago essa mensagem uma mensagem para você
Essa mensagem é antiga sim
Essa mensagem é verdadeira essa mensagem é
Essa mensagem é essa mensagem é essa mensagem é

Amor trago uma mensagem de amor
Longe e perto
Trago uma mensagem de amor para todos ouvirem
Para todos ouvirem

Algumas noites sem dormir à sua espera
Alguma presença estranha você sente
Vindo para dentro
Algum fio de esperança
Que passa pelo mundo
Espalhando-se como uma doença silenciosa
Você terá isso também
Essa mensagem é essa mensagem é
Essa mensagem é essa mensagem é

Amor trago uma mensagem de amor
Longe e perto
Trago uma mensagem de amor para todos ouvirem
Para todos ouvirem

Amor trago uma mensagem de amor
Longe e perto
Trago uma mensagem de amor para todos ouvirem
Para todos ouvirem

Chamando todos os garotos chamando todas as garotas
Chamando todos os garotos chamando todas as garotas
Chamando todas as garotas


Don't Stop Me Now
by Freddie Mercury
Esta noite eu vou me divertir
Eu me sinto vivoviva
E o mundo virando do avesso
E flutando em êxtase
Então não me pare agora, não me pare
Porque eu estou me divertindo

Eu sou uma estrela cadente saltando pelo céu
Assim como um tigre desafiando as leis da gravidade
Eu sou um carro de corrida ultrapassando como Lady GodivaFirebolt
Eu vou, vou, vou, vou
E nada vai me deter

refrão:
E estou queimando pelo céu
Duzentos graus
É por isso que me chamam de SenhorSrta Fahrenheit
Estou viajando na velocidade da luz
Eu quero transformá-lo num homem supersônico

Não me pare agora, eu estou me divertindo
Estou aproveitando, não me pare
Se você quiser se divertir, é só me ligar
Não me pare agora (porque eu estou me divertindo)
Não me pare agora (sim, eu estou me divertindo)
Eu não quero parar de jeito nenhum

Eu sou um foguete em direção a Marte
Numa rota de colisão
Eu sou um satélite, estou fora de controle
Eu sou uma máquina de sexo pronta pra recarregar
Assim como uma bomba atômica prestes a explodir

E estou queimando pelo céu
Duzentos graus
É por isso que me chamam de Senhor Fahrenheit
Estou viajando na velocidade da luz
Eu quero transformá-lo no homem supersônico

Não me pare, não me pare
Não me pare
Não me pare, não me pare (eu gosto disso)
Não me pare, não me pare
Divirta-se, divirta-se
Não me pare, não me pare

Não me pare agora, eu estou me divertindo
Eu estou preparado, não me pare
Se você quiser se divertir é só me ligar
Não me pare agora (porque eu estou me divertindo)
Não me pare agora (sim, eu estou me divertindo)
Eu não quero parar de qualquer forma

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