Quebrando laços...

Quebrando laços...



2 de Setembro de 1993

Primeiro dia de aula, as meninas se agitavam no quarto procurando as roupas e materiais para as aulas que teriam, a primeira era poções. O Salão comunal da Sonserina estava repleto de alunos que esperavam o horário para subir ao refeitório, por conta dos dementadores a direção da escola decidiu controlar o máximo possível os movimentos do alunos, Astória viu sua irmã e as amigas de sempre conversando com garotos mais velhos, revirou os olhos, um grupo que identificou por ser Crabbe, Goyle, Zabini e Malfoy estavam sentados de costas para a grande janela que dava visão para o fundo do lago negro, percebeu que seu olhar esbarrou no dele, ele como sempre lhe sorriu cínico e viu o moreno a apontar e falar algo em seu ouvido, ela desviou a atenção para as meninas que conversavam a sua frente, mas seu olhar retivera a atenção na expressão de fúria que Draco fizera, levantou e saiu em sua direção como se fosse matar alguém, desviou rápido o olhar de volta a conversa das meninas, o sentiu esbarrar em si, teve medo de olhar para trás.

- É verdade Asth? - perguntava Merida, uma das outras garotas de seu ano.

- desculpa verdade o que? - no fim das contas não prestou tanta atenção assim.

-Sua irmã esta no terceiro ano?

- Sim é verdade...

- Ai meu Deus que sorte! - Merida e Becca riam e pulavam - quem dera eu estar no mesmo ano que o Malfoy, ele é incrível! - Astória teve que revirar os olhos.

- A Asth era amiga dele... - Soltou Anne recebendo um olhar de alerta.

-SÉRIO? - Perguntaram as duas em uníssono.

- Não é bem assim, a Anne entendeu errado... - Astória olhou em volta procurando algo que pudesse lhe ajudar a escapar desse assunto, mas então viu Draco circular seu braço sobre o pescoço da Pansy Parkinson enquanto saiam do salão - nunca fomos amigos de verdade, só estávamos no mesmo círculo social.

As meninas perceberam que aquele assunto não era agradável para ela então mudaram os rumos da conversa, se dirigiu ao refeitório, a mesa de sua casa parecia ter muito a cochichar, poucos os que falavam alto, Draco e seus amigos importunaram Harry Potter que se sentava à mesa da Grifinoria, Astória sentiu alívio em realmente não ser amiga de alguém como Draco Malfoy. Ela sabia o real motivo da implicância, mas ele nunca admitiria.

Sua turma desceu novamente as masmorras, primeira aula seria de poções, fazia anos que não via Severo Snape, agora ele seria seu professor, a sala estava apinhada de alunos da Grifinoria e alguns da Sonserina que já haviam chegado, Astória sentou com Anne, a sua frente sentaram Perseu Stuthigard e Dustin Hodge ambos de sua casa. Snape entrara a sala como um raio, todos se assustaram.

A sala parecia mais fria do que o salão comunal, davam arrepios os animais embalsamados flutuando em frascos de vidro nas paredes à volta.

Snape, começou a aula fazendo a chamada, ao final, se levantou e passou a circular pelos corredores entre as carteiras.

– Vocês estão aqui para aprender a ciência sutil e a arte exata do preparo de poções – começou. Falava pouco acima de um sussurro, mas eles não perderam nenhuma palavra. Snape tinha o dom de manter uma classe silenciosa sem esforço. – Como aqui não fazemos gestos tolos, muitos de vocês podem pensar que isto não é mágica. Não espero que vocês realmente entendam a beleza de um caldeirão cozinhando em fogo lento, com a fumaça a tremeluzir, o delicado poder dos líquidos que fluem pelas veias humanas e enfeitiçam a mente, confundem os sentidos... Posso ensinar-lhes a engarrafar fama, a cozinhar glória, até a zumbificar, se não forem o bando de cabeças-ocas que geralmente me mandam ensinar.

Todos prendiam a respiração e se entre olhavam.

Um baque e todos pularam de susto em seus lugares.

-Abram seus livros, Mil ervas e fungos mágicos disse em um tom firme e alto.

Astória achou muitos dos comentários feitos extremamente desnecessários, tanto do professor para os alunos quanto o inverso, claro que nenhum aluno ousava falar em voz alta como ele fazia, e agradeceu pela primeira vez em estar na Sonserina, Snape parecia odiar grifinorios.

O sinal tocou, próxima aula seria de voo, Astória sentiu seu estômago se contorcer enquanto recolhia seu material.

-Greengrass - chamou Snape, a garota o olhou espantada, Anne a indicou com a cabeça que se aproximasse do professor, ela assim fez - Lamento que tenha perdido sua mãe, não deve se lembrar mas eu fiz o que podia, o que sabia para ajudá-la - ele lhe estendeu um pedaço de pergaminho, ela pegou, dentro continha uma receita de poção - essa ultima versão não pude testar nela, mas acredito que... - ele pareceu ponderar o que diria a seguir, balançou a cabeça, fechou bruscamente seu livro a assustando -... Acredito que não deva esperar tratamento especial por eu ser conhecido de sua família.

- ah, não, eu não espero...

-ótimo agora vá, está atrasada - ele a contornou saindo da sala e a deixando ainda confusa, a sala já estava vazia.

Astória correu pelos corredores, devia estar no campo de quadribol na outra extremidade do castelo, sentia seu estômago se retorcer mas não sabia se era por ansiedade a aula de voo ou pelos últimos fatos, em sua mente lembrou de uma ocasião em sua casa, dia ensolarado, Daphne conversava com suas amigas no gramado, seu pai entretinha os meninos na ocasião, eram férias de sua irmã, de repente seu pai e os meninos montaram em vassouras. Astória morria de medo de altura.

A aula correu bem, sua casa perdeu cinqüenta pontos por seu atraso, não entendia bem como isso funcionava, mas não acreditava que fariam muita diferença, conseguiu montar na vassoura e isso lhe pareceu um feito, na hora do almoço ela e Anne encontraram com Coraline, tinham muito a falar, Astória se arrependia de não ter desejado ir a Corvinal com mais empenho.

O restante do dia se arrastou escadas mudando de posição e atrasando os alunos, os corredores frios das masmorras, no fim do dia um grande jantar bem servido.

O salão da sua casa estava repleto de alunos mais velhos, todos conversavam animados sobre a volta às aulas e dividiam experiências vividas nas férias, e comentavam um incidente na aula de Trato a criaturas mágicas.

- Olha só se não é a responsável pelos cinqüenta pontos a menos de hoje! - falava Pansy Parkinson com sua voz estridente, Astória que passava em direção ao dormitório parou seu caminho, como sabiam que ela perdeu pontos? Todos no salão fizeram silêncio e encaravam a morena.

- Não foi por mal, me atrasei conversando com o Snape... - a garota tentou justificar

- "Com o Snape"? - Parkinson riu, levantou do braço do sofá que estava sentada e caminhou em direção a Astória - ah claro, vai culpar o diretor da casa pela perda dos pontos? Eu não sei o que seu pai deu pra você, mas aqui costumamos ser mais respeitosos com os professores...

- Chega Parkinson - Zabini cortou a morena, se levantou e segurou no braço de Pansy - vai com calma, foi só o primeiro dia...

- Engraçado, hoje cedo você falou algo sobre a Greengrass e agora está defendendo ela de novo Blás, ela não é muito nova para você? - era a voz rasgada de Draco, alguns no salão começaram a cochichar, outros a rir, Astoria viu a atadura no braço do loiro, Blásio se virou pronto a responder.

- ele não está me defendendo - Astória ergueu seu queixo como pode e encarou Malfoy - pelo que parece é o único sensato na turma de vocês, - Draco arqueou a sobrancelha e riu de escárnio - e pelo que sei realmente não te devo explicações Parkinson.

O silêncio caiu no salão comunal, Pansy fez menção de ir para cima de Astória, mas Blásio pôs seu braço a frente enquanto prendia o riso, Daphne sua irmã revirava os olhos.

- Pra uma traidora do sangue você está muito corajosa - Malfoy falou em tom de ameaça levantando do sofá, Blasio falou algo como "Não faz isso, já deu por hoje", mas Draco ignorou e continuou em direção a Astória que tentava ainda entender a parte da traidora, e o braço machucado dele.

- Não sei do que você...

- Claro que não! - ele lhe cortou - o que uma garotinha como você pode saber? Pergunta pro seu pai o que está acontecendo...

- Draco vai devagar - tentou Blasio novamente, mas o loiro o olhou com raiva, odiava quando seu amigo lhe dizia o que fazer.

- vocês são traidores, ignoram o poder do próprio sangue, e ainda se acham melhores por isso - Astória olhou para sua irmã tentando achar alguma resposta para o que acontecia, mas a loira olhava para o chão.

- Eu realmente não faço ideia do que você tá querendo dizer - a garota gesticulava com as mãos, o loiro riu - traidora do sangue? Por quê? - perguntou retoricamente e antes que ele falasse emendou - Porque não ajo como se fosse melhor do que os outros? Porque eu não maltrato os outros pelo simples fato deles serem quem são e não terem culpa por isso? - a discussão ficou interessante, muitos se aproximaram para ver de perto - você não escolheu nascer sangue puro e Malfoy, eu não escolhi ser uma Greengrass... Ninguém tem culpa de nascer.

Draco sentia seu pulso tremer, os nós dos seus dedos estavam brancos dado a força que ele os mantinha fechados, Blasio acenou indicando a roda que se formou em volta, nesse meio tempo Astória se retirou para o dormitório, seguida de Anne.

Astória se lançou a sua cama, parecia que uma eternidade havia passado desde que acordou, estava de bruços com o rosto enfiado no travesseiro, ouviu um ruído como fungadas, levantou seu rosto e encontrou Anne abraçada aos joelhos em sua cama.

- O que foi Ann?

- Desculpa... - a menina desandou a chorar.

- Desculpa pelo que? - Astória levantou e foi até a amiga.

- Eu sou mestiça, foi um erro ter entrado para a Sonserina, agora você está com problemas por andar comigo! - a garota parecia estar sem fôlego

- Anne eu nem sabia que você é mestiça, e para mim não importa! - as garotas se encaravam com compaixão - tudo que eu falei lá fora é exatamente o que eu penso... Sinceramente nem entendo essa necessidade em se cercar de sangues puros, esse rótulo ja é uma grande bobagem. Por isso o meu pai cortou relações com grande parte dos sagrado vinte e oito, principalmente os Malfoy.

Anne secou seu rosto, as outras duas colegas de quarto chegaram, encararam elas e nada falaram, era como se elas nem estivessem ali. Anne e Astória se entre olharam. Algo lhes avisava que só estava começando uma grande divisão dentro da casa.

Pela manhã do dia seguinte, a sexta feira prometia ser gelada, Merida e Becca não olhavam de maneira alguma para Astória ou Anne, o salão comunal estava mais organizado que na manhã anterior, e quando as duas passaram em direção a saída cochichos se formavam, Asth enganchou seu braço na amiga e de cabeça erguida seguiram para o salão principal.

No salão comunal Draco esperava Blásio aparecer, precisavam discutir táticas de quadribol, seu braço doía menos, mas o machucado ajudou a atrair mais atenções e conseguir favores. O moreno entrou secando os cabelos, reduziu sua toalha e se juntou ao loiro nas poltronas.

- A gente tem que acabar com a Grifinoria no próximo jogo! – disparou Draco

- Bom dia Draco! Dormiu bem? – ironizou o amigo

- Espero que seja um bom dia mesmo Zabini – Draco se levantou massageando a mão do braço machucado e Blasio revirando os olhos o seguiu.

- Eu acho que você deveria esquecer a Grifinoria por enquanto, o primeiro jogo é deles com a Corvinal, mas devia conversar com a Astória – tentou o moreno quando já estavam nos corredores das masmorras a caminho do salão principal.

-Seu problema é que você acha de mais Zabini – não era um assunto agradável para o loiro, mas na opinião do amigo era um mal necessário.

-Ta bom então é assim que você quer? Então MALFOY deixa eu te contar uma coisa, você está insuportável – os meninos pararam de andar e agora se encaravam – Tem muita coisa acontecendo, e muita coisa ainda vai acontecer isso é um fato, mas me fala em quantas pessoas você pode realmente confiar aqui em Hogwarts? Na Parkinson? Crabbe e Goyle? Ou na Daphne que não ajuda nem a própria irmã e virou as costas pros ideais da própria família? – Draco ria cínico.

- E quem te disse que eu preciso ter alguém em quem confiar? – questionou

- A não precisa? Então da próxima vez que você vier querendo desabafar as três da manhã vou lembrar disso – Blasio virou as costas e deixou Draco para trás.





*Flashback

23 de Agosto de 1992 - Baile anual dos Sagrado Vinte e Oito

No alto de uma montanha em algum lugar na Polônia um enorme castelo reluzia como local do evento mais aguardado pela elite bruxa. Anualmente alguma renomada família sangue puro tinha a honra de recepcionar toda a hierarquia dos sagrado vinte e oito, era uma noite de luxo e requinte assim como seus sangues exigiam, mas claro que não eram todas as famílias da lista que recebiam tal honra.

Um enorme salão era tomado por casais dançando valsas medievais. Os bruxos de negócios dividiam conversas pontuais embalados por charutos e whisky de fogo.

Na escadaria a entrada do salão um recepcionista anunciou

- Isaac Greengrass e filhas - após a perda de sua esposa, Isaac tentava a todo custo manter suas garotinhas distraídas.

Daphne correu ao encontro de amigas, Astória permaneceu o quanto pode com seu pai, mas a fumaça dos charutos ja estavam lhe dando náuseas.

Havia uma enorme porta aberta que exibia a paisagem de todo um vale além da sacada que a circundava. Astória se apoiou no beiral respirando fundo.

- Astória? - aquela voz a fez despertar, fazia um bom tempo que não ouvia, se virou para encontrar Draco em um smoking preto, na verdade estava inteiro em preto.

-Oi, eu não... - o complemento seria: sei o que dizer, mas poderia ser também: esperava que você falasse comigo - você não respondeu minhas cartas.

Ela pareceu realmente abalada com isso, Astória era tímida e não tinha amigos, era carente.

- Eu não podia responder - ele pareceu se incomodar, era como se a resposta afinal fosse óbvia de mais - escuta Greengrass, eu não sou seu amigo, nossas famílias tem posições diferentes, eu tenho compromissos que são muito importantes pra mim e não abro mão...

-Como? - Ela ficou confusa, ele tinha lhe chamado pelo sobrenome?

-Um guerra está para acontecer, nós sangues puros temos exigir o controle do mundo bruxo novamente! Seu pai não entende isso, então nossas famílias estão em lados opostos nessa guerra.

Draco parecia não estar falando por si, Astória tentou abrir a boca para discutir mas fora interrompida pela sua irmã e as amigas da mesma.

-lindo seu vestido Greengrass - comentou Pearl Avery um garota que deveria ser da sua idade, o vestido de Astória era realmente bonito, um tom de azul Royal com cristais que faziam seu cabelo parecer mais acobreado.

- obrigada - limitou-se a responder, encarando o loiro o pegou lhe analisando, logo em seguida ele se retirou e ela começou a se sentir sugada cada vez mais fundo no torpor que aquela conversa animada das garotas lhe causavam.

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