Primeira vista...

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*5 de Junho de 1989 - Malfoy Manor*

Apesar de ainda ser primavera, o tempo amanhecera radiante e com ares de verão. Era uma segunda-feira atípica, o herdeiro dos Malfoy completava nove anos, a mansão era magicamente decorada para uma reunião social comemorativa que seria realizada dali a pouco.
O jovem terminava de se arrumar em seu quarto acompanhado de seus amigos que passaram aquela noite na mansão. O loiro não falava em outra coisa a não ser como em dois anos estaria a caminho de Durmstrang, algo o qual ainda estava em discussão, sua mãe odiava a ideia, pois achava a escola um tanto ultrapassada e talvez brutal de mais para seu pequeno Draco. Toda via como plano B, caso fosse enviado a Hogwarts, não tinha duvidas, entraria para a casa de Sonserina, afinal seus pais frequentaram a mesma e ele teria orgulho de também pertencer a esta.
- Draco será que já podemos descer? - Perguntava um entediado Vicente Crabbe afrouxando o nó na gravata borboleta que sua mãe havia insistido para que usasse.
- Não pretendo descer antes que alguns dos convidados tenham chegado - Dizia Draco se admirando no espelho - Não quero parecer ansioso.
- Sabe se terão garotas na sua festa hoje? - Perguntou Blásio Zabini olhando pela janela para a entrada da mansão aonde observava vez ou outra, alguns conhecidos aparatarem.
- Sei que todos convidados fazem parte do "Sagrado Vinte e Oito" ou são de alguma forma relevante, como papai gosta de dizer. - Draco parecia estar perdendo a paciência com os garotos, lançou um olhar mortal a Gregório Goyle que até então não havia falado nada, mas isso porque se mantinha ocupado terminando de devorar o café da manhã que tinha sido servido no quarto - Será que vocês só pensam em comida ou... Garotas?
- Claro que não! - Se ofendeu Blásio - Também penso em voltar pra minha casa e dormir! - Os garotos riram, para o ódio do Loiro.
-Muito engraçado Zabini, por que não vai embora então? - Questionou o aniversariante, como previsto os garotos se calaram sabendo que não iria acabar por ali - Ah é verdade, porque seus pais precisam forçar a amizade com a minha família para não acabarem falidos!
Fora a vez de Draco rir da sua própria piada, os três meninos se encaram, o moreno Blásio ficou cabisbaixo depois disso, mas batidas na porta quebraram o clima. Por ela surgiu um elegante Lúcio Malfoy trajando preto e com sua bengala de praxe em mãos.
- Meninos! - Cumprimentava ele tentando disfarçar o olhar de desdém a situação dos três outros além de seu filho - Acredito que já esta na hora de se fazer as honras Draco. - Dizia indicando a passagem da porta, os garotos se adiantaram a sair, o patriarca da família Malfoy tinha algo que causava arrepios aos garotos. Draco por sua vez esperou para descer ao salão de reuniões acompanhado de seu pai.
O salão fora transformado, estava decorado com mesas dispostas próximas as janelas, as comidas e bebidas apareciam com magica, para que os elfos não fossem vistos, tudo decorado em tons escuros de madeira, e o que era de tecido trazia tons de bege, vasos com rosas negras, colidas do próprio jardim da mansão, decoravam as mesas e ao centro do salão os convidados conversavam levianamente sobre o futuro do mundo bruxo. Uma grande porta de entrada tinha sido estratégica e magicamente posicionada para o jardim a fim de facilitar a entrada dos convidados uma vez que só era possível aparatar e desaparatar fora da construção da mansão.
Lúcio observou que próximo à porta um homem aparatou acompanhado de duas meninas. Logo o identificou como sendo Isaac Greengrass, pelo que ouvira dizer, sua esposa Katherine, estava padecendo de uma maldição no sangue e deixaram o clã norueguês para voltar às origens da Inglaterra.
- Isaac! - cumprimentou Lúcio de forma contente, Draco já estava indo de encontro a seus amigos novamente - A quanto tempo meu amigo! - Lúcio e agora aquele a quem a maioria se questionava sobre quem seria se abraçaram com tapas nas costas atraindo olhares curiosos - Soube que voltou, quando mandei o convite não imaginei que viria realmente.
- O que foi Lúcio? Desde quando sua autoestima ficou tão baixa? - Isaac tinha a mesa idade do Malfoy e foram amigos na infância e adolescência, mas após o casamento do moreno com Katherine o casal foi embora da Inglaterra.
- Não é isso meu amigo, só que ouvi dizer sobre sua esposa e não imaginei que viria! - o Loiro falava enquanto procurava sua esposa pelo salão com o olhar - Narcisa! - chamou ele vendo a mesma se levantar de uma mesa com alguns parentes distantes da família Malfoy.
- Meu Deus! Isaac! - Exclamou a loira ao reconhecer o velho amigo, Narcisa ia estender a mão quando o homem a puxou para um abraço, fazia parte da personalidade de Isaac brincar de provocar Lúcio, o mesmo o olhou incrédulo pelo gesto recebendo uma piscadela em resposta. Narcisa estava mais do que corada quando saiu do abraço do homem, tentou encontrar o olhar de seu marido, mas o mesmo já prendia o riso então entendeu que não houve dano maior a não ser ao seu vestido de crepe que ficara amaçado em alguns pontos - Onde está Katherine!? - perguntou a mulher tentando se recompor.
- Oh sim, eu ia falar sobre isso ao seu marido, - os dois riram de uma piada interna na qual Narcisa fingiu achar alguma graça - Katherine está sendo tratada com algumas poções, ela não tem estado bem desde o nascimento de Daphne, e após a gravidez de Astória ela piorou consideravelmente, Snape tem nos ajudado, ele tem testado algumas poções e a ultima pareceu a fazer melhorar, mas não o suficiente para uma social! - explicou colocando as mãos nos bolsos de sua calça bege.
- Eu gostaria de visita-la se fosse possível - Narcisa pareceu por um instante realmente se importar, e ao abaixar o olhar reparou em duas adoráveis meninas, uma mais alta e loira que tinha um rosto um tanto familiar, reconheceu como a mais velha, Daphne, e a mais baixa e provavelmente a caçula tinha cabelos castanhos e olhos verdes, parecia uma boneca de porcelana, aquela só podia ser... - Astória?
- Ah, sim - Se lembrou o Sr. Greengrass - Trouxe minhas filhas, na verdade só vim mesmo por elas. Precisavam sair um pouco daquela casa!
- Da ultima vez que os vi Daphne era uma bebê! - Falava a Sra. Malfoy alisando o rosto da menina loira
-Meus pais falam muito da sua família Sra. Malfoy - Daphne era definitivamente uma ótima relação publicas pensou seu pai sorrindo da imponência da primogênita.
- Espero que tenham falado coisas boas! - advertiu pela primeira vez com ar de brincadeira. - aonde esta o Draco? - questionou a mulher olhando para o marido que pareceu entretido em uma nova conversa com o amigo de longa data. Olhando para trás viu o filho em uma roda com seus amigos. Com um aceno o chamou, o garoto se dirigiu a ela revirando os olhos e empinando o nariz.
- Filho, deixe eu te apresentar, essas são Daphne e Astória Greengrass!
O pequeno Malfoy encarou as meninas fixando por mais tempo o olhar na mais nova, que ficou rubra e deu um passo para trás, ela definitivamente era muito tímida, já a mais velha estendeu a mão ao garoto lhe desejando parabéns, e só recebeu resposta ao cumprimento, o menino não abriu a boca. Narcisa já tinha se retirado, e atrás do loiro apareceram outras crianças, entre elas estavam Pansy Parkinson, seus três companheiros de outrora, e mais duas meninas que se juntaram a Pansy e Daphne em uma conversa.
- Você é Astória então? - Perguntou o garoto segurando a dobra de seu terno com o queixo levantado, a garotinha olhou a sua volta procurando alguma ajuda - Eu sou Draco Malfoy! - ele estendeu à mão a garota, que um tanto relutante respondeu ao gesto, o menino não podia parar de olhar para a garota, ela usava um vestido cor de lavanda que faziam seus olhos parecerem ainda mais verdes, seus cabelos presos com um laço da mesma cor do vestido.
- Parabéns - se limitou a dizer à garota que já procurava novamente seu pai, mas sua pouca estatura não lhe permitia ver muito além de sua volta, havia tantos adultos, não parecia ser uma festa para crianças, lembrou-se das recomendações de sua mãe, as reuniões sociais dos Malfoy não costumavam ser tão festivas ou agradáveis, era preciso se comportar.
- Você esta bem? - o garoto pareceu notar que os olhos da morena marejaram, e quando ela o encarou ele teve a impressão que ela iria desatar a chorar.
- Eu quero achar meu pai! - Ela disse em tom de desespero.
- Eu o vi indo ao escritório com meu pai, mas não acho uma boa ideia você ir lá - o escritório de seu pai era uma área restrita para ele.
O menino se juntou novamente ao grupo que planejava alguma atividade mais interessante. Surgiu-lhes a ideia de brincarem de se esconder, assim o grupo se dividiu e Gregório e Vicent deviam procurar pelos outros. A pequena Astória saiu pelos corredores da mansão, desceu poucos degraus e no final de um corredor longo podia ouvir a voz de seu pai, Draco que a tinha seguido imaginando que a garota iria realmente procurar pelo pai a parou, algo lhe dizia que não era uma boa ideia interromper aquela conversa. Seu pai detestava quando ele o fazia. A garota pareceu se assustar, estava distraída observando os quadros que gesticulavam para que fizesse silencio.
- São meus avós - explicou o loiro – olha, eu sei que você quer ficar com o seu pai, mas não acho que seja uma boa ideia interromper eles.
- É que eu não quero ficar sozinha - a garota explicou.
- Você não precisa ficar sozinha, pode ficar comigo e com os outros, eles devem ter ido para o jardim agora - a garota não pareceu muito certa sobre o que queria, mas assentiu então se dirigiram para uma saída as costas da mansão. - Quantos anos você tem?
- Sete, você está fazendo nove não é? A minha irmã fez nove no começo do ano.
Os dois caminhavam para contornar as dependências até os jardins, aos poucos a morena pareceu um pouco mais confiante, ela explicou que sua mãe estava doente e que na verdade ela não queria ter vindo à festa. Claro que logo em seguida se desculpou, não queria que ele se ofendesse.
- Tudo bem, eu também ia querer ficar com a minha mãe se fosse o contrario - Os dois já podiam ver o grupinho de amigos próximos ao labirinto no centro do jardim.
- Na nossa casa também tem um labirinto - comentou pensativa - O que tem no centro do seu?
- Só uma estatua do meu bisavô e um banco - Draco pareceu desanimado.
- No nosso tem um balanço, meu pai costuma ler para mim lá. E minha mãe brincava de hora do chá comigo.
- Interessante - o garoto se limitou a responder, podia ver o grupo se aproximando e a julgar pela cara da irmã da morena ela não parecia muito feliz.
- Aonde vocês foram? - Daphne tinha recebido de seu pai a ordem de ficar de olho na irmã.
- Eu fui procurar o papai - Astória era uma menina doce e gentil. E isso às vezes irritava muito sua irmã.
- Draco, os meninos falaram que você quer ir para Durmstrang? - Pansy Parkinson interrompeu a discussão, parecia indignada.
- Sim, meu pai acha que seria muito bom para mim, sabe o diretor de lá é amigo do meu pai. Inclusive ele foi convidado para a festa - o menino encheu a boca para falar a ultima frase.
- Meu pai diz que ele é um louco! - Foi Daphne que atraiu os olhares - Sabe meu pai estudou em Durmstrang, a escola é bem rígida, e agora com o Karkarof como diretor, ele diz que só um louco mandaria seu filho para lá. Nós vamos para Hogwarts não é Asth? - a loira falava com propriedades, e encarou a pequena Astória que olhava confusa toda aquela comoção.
- Não me interessa o que o seu pai acha! - Draco parecia rosnar as palavras.
- Nossa mãe foi da Corvinal - Astória falou olhando para o nada e atraindo a atenção, era como se a voz dela acalmasse todos a sua volta - ela foi à única da parte inglesa da nossa família que não foi para a Sonserina.
- Eu faço questão de ser da Sonserina - Daphne afirmava e era acompanhada por todos os presentes.
- Pelo menos nisso você tem razão - parecia que certa inimizade estava tendo origem entre Malfoy e a mais velha dos Greengrass.
Ao longe as crianças ouviram o Sr. Greengrass chamar as filhas e todo o grupo caminhou até ele.
- Sua filha disse que o Sr estudou em Durmstrang - fora Blásio quem perguntou.
- Sim é verdade - o homem se abaixou para arrumar os cabelos da caçula que abraçou o pescoço do pai - você também quer ir para lá?
- Não, é o Draco que quer! - Zabini fora rápido em responder.
- Eu fiquei sabendo - ainda abaixado o homem encarou o menino loiro que mantinha o ar de superioridade, era incrível como se parecia com uma miniatura do próprio pai - seu pai conversou comigo sobre isso, sabe, se eu tivesse tido opção de escolha, teria ido a Hogwarts, mas meu pai me criou sozinho e acreditava que uma escola mais rígida seria melhor - Isaac afagava os cabelos da filha que deitou a cabeça em seus ombros, então se levantou - agora precisamos ir meninas.
O Homem esperou a filha mais velha se despedir, a mais nova, ele percebeu, que acenou e sorriu para o pequeno Draco, esse um pouco envergonhado tirou a mão direita do bolso e deu um aceno baixo e tímido, Isaac prendeu o riso dando a mão livre a sua filha loira, então se afastou daquele grupo e aparatou.

*16 de Junho de 1989 - Casa dos Greengrass*

Chovia bravamente sobre a mansão Greengrass. Flores e cartas chegavam a todo o momento assim como também parentes e amigos trajando luto. A matriarca da família havia sucumbido à doença que lhe assolara. O agora viúvo Isaac e sua filha mais velha estavam à entrada do salão ao qual era velado o corpo. Narcisa entrara a mansão acompanhada de seu filho.
-Isaac, não sei o que lhe dizer! – exclamou a mulher lhe abraçando.
-Infelizmente já era algo a que estávamos nos preparando - apesar do semblante extremamente triste, Isaac pareceu calmo.
Narcisa cumprimentou Daphne, e então se deu conta que faltava a mais nova.
-Onde está Astória?
-Ela esta no quarto, não quis descer e acredito que não seja a melhor opção obrigar ela a fazer algo do tipo - explicava - ainda mais hoje.
-Claro, tem toda razão, se precisar de alguma ajuda com as meninas pode me falar - se prontificou a Sra. Malfoy.
- desculpe, aonde é o toalete? - perguntou Draco recebendo um olhar confuso de sua mãe.
- No primeiro andar - respondeu Daphne, fechando o semblante.
Draco se limitou a acenar com a cabeça, se dirigiu ao saguão principal da casa e subiu as escadas. Era verdade que não estava interessado em realmente ir ao banheiro, só sentiu tamanha curiosidade sobre Astória. Olhara por duas portas e não a encontrou, uma terceira porta entre aberta lhe chamou a atenção. Ao se aproximar escutou um choro baixo. Entrou com o coração batendo forte no peito, o quarto estava escuro pelas cortinas que bloqueavam a luz da janela, apesar da mobília e decoração clara, o grande cômodo estava acinzentado pelo clima chuvoso.
Astória estava deitada, encolhida, no chão do closet sobre alguns vestidos.
-Oi... - a voz de Draco para sua própria surpresa pareceu rouca e baixa demais.
-Eles ainda tem o cheiro dela... - explicou a morena entre soluços. Draco sentou no chão e a pequena se levantou sentando e abraçando um modelo verde brilhante que lembrava escamas de peixe - esse foi o último que ela usou com meu pai. Foi no baile anual dos sagrado vinte e oito, há uns dois anos atrás...
-parece muito bonito - ele não sabia o que devia falar.
-Eu vou sentir muita falta dela... - a morena desandou a chorar, Draco arrumou uma mexa dos cabelos dela que caiu em sua face. Ficaram assim por um bom tempo, ela chorando e ele ao seu lado. O ambiente havia ficado mais escuro. Uma luz ascendeu.
-ai estão vocês! - Era Daphne, parecia brava, Draco percebeu que a mais nova havia caído no sono, não sabia o que dizer - Eles estão aqui! - Daphne avisou a alguém que estava no outro cômodo, e quão rubro ficou seu rosto ao ver sua mãe.
- Eu ouvi ela chorando e entrei... - ele tentou explicar mas não precisou, ela acenou que parasse.
- imagino que tenha tido as melhores intenções, mas agora precisamos ir - Draco sentiu dor no corpo ao levantar, realmente passara muito tempo sentado no chão, o Sr Greengrass entrou no cômodo pegou pequena no colo, o vestido verde veio junto e agora Draco viu como aquela cor lhe lembrava os olhos de Astória, esperava que ela ficasse bem, esperava que pudesse vê-la novamente.
...

N/A: Socorro! Nem sei o que falar, espero que gostem, tenho os dois proximos capítulos prontos, pretendo sempre lançar as segundas-feiras por volta das 15h.
Aceito críticas e sugestões e claro uma imagem de capa

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