DRACO DESCOBRE UMA COISA



Depois do que acontecera no casamento de Percy, Sheeba  guardou silêncio sobre o que concluíra. Se dissesse alguma coisa a Sirius, ele seria o primeiro a pedir uma revista nas coisas de Draco Malfoy, o que provocaria a expulsão imediata do garoto, se eles achassem o que ela imaginava estar com ele. Ela chegara a conclusão que só podia ter sido ele a fazer o vodu, mas sabia que ele não fizera o vodu por fazer... desde que Harry fora machucado, aliás desde antes, quando o tocara, mesmo sob o gelo de confusão sobre o praticante, uma coisa era perceptível para ela: quem fizer o vodu fora manipulado, mas não tinha a intenção de matar ou machucar Harry.
O que a deixava tranqüila era o fato dela saber que se Draco estivera tentando se aproximar de Harry, só havia um motivo possível: ele queria desfazer o feitiço. Queria entregar o boneco a Harry, porque era a única forma de desfaze-lo, mas se entregasse à toa, com certeza Harry iria denunciá-lo. Sheeba antecipara-se ao pensamento dele, mas não sabia como fazer para ajudá-lo, se ele não queria sua ajuda. A única coisa que a preocupava era que agora a atitude (para ela perfeitamente compreensível) de Harry tornara impossível qualquer aproximação espontânea de Draco. Ela iria observá-lo para ver se ele tinha a intenção de usar o boneco. Se tivesse, não haveria jeito.
Draco por sua vez, escrevera a Troy Adams pedindo um conselho, e o rapaz dissera que o melhor era dar tempo ao tempo e tentar de novo depois. Mas não era isso que Draco queria. Ele cansara de bajular Potter e se expusera demais, desnecessariamente, ao ponto de despertar a desconfiança do outro. Ia guardar o boneco, mas não ia nunca mais bajular Potter. Isso não. E se não usava o boneco era porque ainda tinha esperança de voltar com Sue e porque desconfiava que provavelmente a madrinha de Potter ia saber na hora que ele é que estava fazendo o vodu. Mas sabia interiormente que poderia usar o boneco se realmente quisesse.
Quando tentara se tornar amigo de Harry, observara-o escondido e ouvira ele dizer uma coisa essencial para Neville: quando tivesse um jogo de Quadribol não ia usar a veste. Ia esconder isso de Sheeba, mas não ia usar, afinal, não queria correr o risco para que  a Grifnória fosse desclassificada de novo por causa dele, era o último ano e eles iam ter que ganhar. De mais a mais embora em Hogwarts ele estivesse protegido apenas dentro do Castelo, e a proteção não se estendesse ao campo de Quadribol, provavelmente quem fizera o feitiço não sabia disso. O que ele não calculava é que o autor do vodu sabia agora exatamente quando ele estaria vulnerável.

Enquanto isso, em Desert Stone, Mina  já estava começando a exasperar-se com os insistentes convites de Troy para que saíssem. Ela não se sentia atraída pelo rapaz, embora ele fosse bonito, nem por nenhum outro. Parecia estupidez, mas achava que gostava do garoto cuja imagem estava estampada na sua pulseira. E quanto mais dava foras em Troy, mas Daphne Sykes a odiava. Não que ela fosse odiá-la menos se saísse com Troy, mas o simples fato de Troy insistir em sair com aquela garota deixava Daphne doente.
Uma dia no treino de quadribol, Mina descansava sobre a vassoura quando viu Troy voando na sua direção. Iam jogar um contra o outro no dia seguinte. Ela tentou olhar para o outro lado e ele disse:
‒ Por favor, Mina, eu não queria te chamar de novo para sair... eu queria só dizer que desejo a você boa sorte.
‒ Obrigada – ela disse sem virar o rosto para ele.
‒ É claro que eu devia estar bem nervoso, afinal de contas, você é a melhor apanhadora desta escola... acho que é melhor até que eu.
‒ Ah, Troy, não começa.
‒ Não, não é isso... eu não me importo em perder para você, mas se isso acontecer, eu posso dar adeus ao time da escola – ela riu
‒ Porquê?
‒  Porque você vai tomar o meu lugar, ora essa, porquê... – Ela subitamente ficou séria. Isso lembrava a ela alguma coisa, mas ela não sabia dizer o que, uma conversa como essa que ela tivera em algum lugar, num passado para ela distante.
‒ E você está preocupado com isso?
‒ Não. Nem um pouco – Ele sorriu – o que eu posso fazer? Se perder para você, paciência.
‒ Não vai ficar chateado em perder o lugar no time?
‒ Na verdade vou, mas você vai ficar no meu lugar, o que é bom.
‒ Ótimo. Então vou fazer de tudo para ganhar. Pode apostar – ela disse rindo.
‒ Aposto. Saio do time na mesma hora se você ganhar, deixo meu lugar para você. Mas...
‒ Mas?
‒ Se eu ganhar... você vai amanhã comigo tomar um sorvete. Em Las Vegas.
Ela franziu o cenho. Pensou um instante. O que aquilo lhe lembrava? Ela não sabia. Um jogo importante que fizera alguma vez, talvez. Estava perdida nestes pensamentos quando ele disse:
‒ Mina, estou esperando a sua resposta...
‒ Hã? Resposta? Ah, o sorvete... tudo bem, feito.

No dia seguinte, Mina entrou em campo pensando na responsabilidade que assumira. Se perdesse, finalmente ia ter cedido aos encantos de Troy Adams e todos iam achar isso muito natural, menos ela, que não via nada de natural em sair com Troy. Ela o achava bonito, mas continuava pensando no rapaz da pulseira. Agora, lembrava-se melhor de uns sonhos que tivera com ele assim que chegara à casa da avó, nos sonhos ele era bem mais real, mas faltava ainda alguma coisa... havia uma janela, um lago escuro, montanhas e beijos, muitos beijos que faziam ela acordar sorrindo quando conseguia lembra-se do sonho, agarrando-se a ele como se fosse um barco para um náufrago. Com o tempo, por mais que quisesse, não conseguia mais sonhar com ele, não sabia dizer porque, em vez de avivar-se, a imagem do rapaz da pulseira esmaecia aos poucos em sua mente.
Quando o jogo começou, ela julgou que não estava jogando com Troy. Não, estava jogando com o garoto da pulseira, e ela sentia mágoa disso, via Troy na sua vassoura do outro lado do campo, e imaginava aquele garoto de olhos verdes e cabelos negros montado na vassoura, jogando contra ela, os dois competindo, ela subitamente viu o pomo e voou na direção dele, o grito da torcida alertou Troy, que voou em direção ao pomo ao mesmo tempo. Mina via o pomo se aproximar e uma tristeza foi tomando conta dela, uma tristeza grande que tirava todo o prazer de jogar o quadribol, que até ali ela gostara tanto, não percebeu que perdia velocidade à medida que a tristeza aumentava, lágrimas espontâneas chegando-lhe aos olhos. Ela sentiu Troy passar a sua frente e ainda tentou ganhar velocidade, mas ele agarrou o pomo bem diante dela, virando-se sorrindo, sem ver que ela estava quase chorando.
‒ Você vai sair comigo hoje, Mina Moore – ele disse. Ela respondeu apenas com um sorriso triste.

Antes de ir com ele para Las Vegas, passaram na casa dela e ela pediu permissão à avó. Ao ver Troy, a avó foi muito simpática, pareceu adorar o rapaz à primeira vista, oferecendo café e bolinhos que ele aceitou educadamente, enquanto Mina se arrumava. Quando ela apareceu numa roupa de trouxa cor de vinho, ele sorriu e disse que ela estava linda e disse a avó dela que não voltariam tarde. A velha sorriu e disse que confiava neles. Ele tomou a mão fria de Mina e disse, tocando sua pedra:
‒ Cidade do jogo – desapareceram. Josie, a garçonete da lanchonete disse a ela:
‒ Isso não é certo, Igraine. Você tirou dela suas recordações, agora tem lhe apagado os sonhos, mas está no rosto dela que ela ainda o ama, sem saber quem ele é. Você não pode passar o resto da vida enganado sua neta.
‒ Ela vai se interessar por Troy. Melhor amar um rapaz de talento limitado, mas de coração leve, que um gênio angustiado, Josie. Eu só quero livrá-la do sofrimento. Imagine o sofrimento que Harry Potter traria à minha neta... já basta tudo que ela passou.
‒ E você a afastou de seu pai.
‒ Atlantis teve Mina por muito tempo. Agora é minha vez de cuidar dela... você sabe o que vai acontecer lá... melhor que ela esteja longe. Melhor que ela aprenda a amar Troy e esqueça Potter. Ele é um gênio, mas os gênios só trazem sofrimento. Eu amei um e veja o que me aconteceu.

Em Las Vegas, Troy tentava agradar Willy, mostrando-lhe o que conhecia, mostrando os mágicos que eram realmente bruxos e os que apenas faziam truques, depois a levou ao restaurante em que seus pais faziam show e disse:
‒ Um dia, talvez eu também esteja aqui.
‒ Você não pensa em fazer mais?
‒ Não. Me basta ser um bom bruxo. Viver minha vida. Porque, o que você espera?
Mina não soube responder. Era como se um dia tivesse tido sonhos de grandeza e agora não se lembrasse mais deles. Deu de ombros e disse:
‒ Sei lá, quem sabe caçar vampiros... – não sabia porque tinha dito isso
‒ Deixe isso para a Irmandade da Raposa.
‒ Irmandade? – O nome não era estranho
‒ Sim, a gente de sangue imune, trouxas. Isso quem faz são eles. Nós temos que ser bruxos.
Ela notou que ele aproximava-se cada vez mais dela, os olhos perscrutando seu rosto e seus lábios, à espera de um beijo. Afastou-se um pouco e ele disse:
‒ Mina, do que você está fugindo?
‒ Não estou fugindo, Troy, só não quero namorar você.
‒ Porque não? Será que eu ainda não mostrei ser bom o suficiente para você?
‒ Não é isso. Acho que eu amo outra pessoa.
‒ Outra pessoa? Mas você nunca teve ninguém aqui.
Silenciosamente, ela tocou com jeito a pulseira e mostrou-lhe a imagem do rapaz. Ele olhou a foto e disse:
‒ Mina, isso é alguma piada?
‒ Porque?
‒ Você não sabe quem é esse?
‒ Não.
‒ Tem certeza? – Ele a puxou do restaurante e a levou até uma lojinha num beco, uma loja de artigos mágicos escondida entre as luzes de Las Vegas. Ele a levou até uma seção e mostrou a ela um livro: “O menino que sobreviveu” – A biografia não autorizada de Harry Potter,  até os 14 anos quando venceu o torneio Tribruxo, por Rita Skeeter.
Mina arregalou os olhos. Na capa, bem mais novo que no retrato mais ainda assim inconfundível, o rapaz da pulseira olhava para ela. Troy disse com raiva:
‒ Você ama um souvenir do grande mago Harry Potter? Um garoto que nunca fez nada demais, quase tudo é meio inventado.
‒ Como você sabe?
‒ Eu tenho um amigo que estuda com ele, e disse que ele é odioso. E meu amigo é um cara muito legal, não ia mentir para mim.
‒ Ele estuda aonde?
‒ Em Hogwarts, na Inglaterra. Você estudou lá?
‒ Não sei. Minha avó nunca me disse.
‒ Pergunte a ela. Se você tiver tido algo com ele, juro que te deixo em paz.
Ele a encarava, sério. Ela apertou a pedra e disse:
‒ Casa do cacto. – Ele a acompanhou e disse:
‒ Vou esperar aqui fora. Quero saber tanto quanto você.
Ela correu para o interior da casa e chamou pela a avó. Ela veio, com um olhar de estranhamento:
‒ Tão cedo?
‒ Eu quero saber uma coisa, vovó. Eu preciso que você me diga. Em que escola eu estudei? Na Inglaterra, em que escola foi? – A avó tinha certeza que esse dia chegaria, e tinha a resposta pronta:
‒ Swann Lake, no sul. Porquê?
‒ Eu não estudei em Hogwarts? Não conheci Harry Potter?
‒ Você nunca o viu, Mina.
Ela saiu arrasada, foi até a porta da casa. Ele contemplava a noite do deserto, azul e roxa, com muitas estrelas no céu. Um coiote uivava ao longe. Ele voltou-se quando ela saiu.
‒ Então? – Ele perguntou, ansioso.
Mina tentou responder, mas a voz não saiu. Ela respirava rápido, mas as palavras não saíam. Começou a chorar, tentando cobrir o rosto com as mãos, envergonhada por ter sido tão estúpida. Ele aproximou-se dela e olhou-a nos olhos:
- Você não o conhece?  - ela balançou a cabeça ainda chorando em assentimento. Ela abraçou-a e disse: - Não faz mal... você perdeu tudo, Mina. Era fácil ter uma ilusão... ele levantou o rosto dela e encarou-a, sob a luz das estrelas do deserto – Deixe-me te fazer esquecer essa ilusão, Mina... eu gosto de você.  
Ela deixou-se beijar, tristemente. Era menos que ela se lembrava de um beijo, não que não fosse bom, mas ela ainda tinha a impressão de já ter beijado alguém com muito mais amor, com muito mais ternura, deixava-se beijar por pena, por carência, até que cedeu plenamente e só havia um beijo, mais nada.

Alguns dias depois, Draco recebeu uma coruja de Troy:

“Cara, você não vai acreditar na história que eu vou te contar. Estou namorando uma garota incrível, estou mandando a foto dela comigo, que tiramos ontem. O mais engraçado não é isso.
Ela infelizmente perdeu a memória depois que seus pais morreram ano passado, e acho que ela ficou meio perdida com isso, sabe? Acredita que ela achava que era namorada do Harry Potter? Tudo por causa de um souvenir, uma pulserinha com a imagem dele que ela tinha, sei lá talvez ela fosse fã do cara, não sei como foi parar lá... ela mora com a avó, mas não sabia em que escola tinha estudado, então descobriu que estudara em Swann Lake e nunca vira Potter. Dá para acreditar?
Ela ficou arrasada, Draco, arrasada mesmo, eu a consolei, o que não foi muito difícil, e ela ficou comigo. Agora estamos juntos, ela é apanhadora da Sexta série, e você vai ver na foto como ela é linda.
Depois eu te conto mais, quando houver mais para contar...
E você? Tudo bem por aí? Resolveu o problema com o Potter? Me escreva!
Uma abraço,
Troy Adams Jr”

Draco achou graça na história e olhou para a foto. Parou chocado ao reconhecer que a garota na foto era realmente Willy. Ficou um minuto digerindo a descoberta. Olhou novamente a foto incrédulo. Sem entender porque afinal de contas a avó desmemoriara a garota, e porque negara que ela conhecesse Potter, pensou nas possibilidades. Ele podia naquele momento mostrar a foto para Potter e dizer a ele: “Caia aos meus pés, seu babaca, porque eu sei onde está sua namorada.”, e aproveitar a gratidão eterna dele para livrar-se do maldito vodu, o que acabaria com o pobre Troy;  podia esquecer tudo, o que pouparia seu melhor amigo de um sofrimento maior, ou podia simplesmente guardar a informação e usá-la quando fosse conveniente, provavelmente para humilhar Potter e dizer a ele que sua garota já não o amava, preservando com uma mentira o seu amigo.
Sendo Draco ainda um Malfoy, ficou com essa última hipótese.

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