Capítulo 32



Acordei com os olhos meio inchados e percebi que o quarto estava vazio. Beleza. Olhei no relógio, eram 7:30, portanto todos já estavam no salão tomando seu café.


Comecei a vestir meu uniforme, rapidamente, e resolvi colocar a saia mais curta que eu tinha. Eu estava solteira. Podia fazer isso. Em vez de colocar o meu all star, coloquei uma sapatilha com estampa de onça. E em vez de prender o cabelo, deixei-o solto, caindo sobre os ombros. Desci as escadas e, não demorou muito, cheguei no salão principal. Como era de rotina, assim que me sentei, dei uma espiada na mesa da Sonserina. Ele não estava lá. Devia estar se atracando com qualquer uma no corredor. Carol percebeu o meu olhar.


- Ele está na enfermaria.


Olhei-a nos olhos: - Como?


- Você achou mesmo que sua família iria deixar isso barato? Eles deram meio que uma surra no Escórpio. Enfim, ele está na enfermaria, com os dois olhos roxos e, pelo que está se falando, um braço quebrado.


- Está zoando com a minha cara? Mas ele está bem? – respirei fundo quando percebi o que eu havia falado. – Quer dizer, ele teve o que mereceu?


- Não adianta esconder, Lily. Já percebemos que você ainda não o esqueceu.


- Vou esquecer. Juro.


- Que seja. – ela deu um gole no suco. – Respondendo a sua pergunta, ele vai ficar bem sim.


Uma sensação de alivio percorreu todo o meu corpo. Pelo menos, meus irmão não poderiam ser presos. Por assassinato.


Nossa primeira aula do dia era poções. A segunda, Herbologia. E a terceira, estudo dos trouxas. As três matérias que eu mais adorava. Por mais que tenha demorado um século, o tempo passou. E quando vi, já era hora do almoço.


- Lilian!


Me virei e vi Patrícia acenando, sorridente.


- Fala, cunhada.


- Você parece estar bem melhor. – ela me analisou de cima abaixo. – Ouvi falar que você estava muito bonita hoje.


- Ouviu, é? – não pude deixar de sorrir. – De quem?


- Garotos do sexto e sétimos anos.


- Uau. Não sabia que eu arrasava tanto.


- Pois é, garota. Seja feliz agora, tá bem? Curta a vida.


- Vou curtir.


- O que as garotas mais importantes de Hogwarts estão conversando posso saber? – Thiago chegou e deu um selinho nela, fazendo com que várias garotas a fuzilassem com o olhar.


Olhei bem nos olhos dele: - Ele apanhou demais.


- Só o que precisava. – ele revirou os olhos. – Não somos tão violentos assim.


- Ainda achei errado você terem batido nele. – Patrícia encarou Thiago. – Qual foi a explicação que vocês deram para a enfermeira?


- Dissemos que o encontramos caído no campo de quadribol.


- E ela acreditou? – perguntei, erguendo a sombrancelha.


- Sou convincente, Lily.


- Ah, claro. – revirei os olhos. – Bom, vou almoçar. Tchau pra vocês.


- Tchau, anã.


- Thiago! – ela deu um tapa na cabeça dele, me fazendo rir. – Tchau, Lilian.


Entrei no salão, me sentindo poderosa. Okay, tinham garotos mais velhos me achando linda. Tinha o direito total de me sentir poderosa.


- Então os boatos são verdadeiros? – um garoto moreno, com ombros largos e cabelos bem bagunçados me encarava. Não. Na verdade, ele encarava a minha boca.


- O que?


- Você está solteira mesmo?


Levantei a mão direita para ele ver que estava faltando uma aliança: - É o que parece.


- Isso é bom. – ele foi chegando mais perto, fazendo com que minha cabeça ficasse meio embaralhada. Ele era lindo e a cada passo que dava para mais perto, eu sentia minhas pernas ficarem bambas e minha respiração, descompassada.


- É? – não sabia o porque, mas ele estava me impedindo de formular frases com sentido.


- Meu nome é Daniel, sou da Corvinal. – ele sorria, incrivelmente sedutor. Até havia me esquecido de que estava no meio do salão principal, até o momento em que senti os olhos curiosos dos meus primos me encarando.


- Ah, sim. Ouvi falar de você.


Ele ergueu a sombrancelha: - Ouviu?


- Bom, não dá pra se ignorar o fato de que metade da população feminina da escola fala de você. – suspirei. – Você chama a atenção delas. Por ser, hum, diferente. Elas te acham difícil. E o difícil atrai.


- Espero que você pense dessa maneira, também.


- O que? – arregalei os olhos. – Quer dizer, como?


Ele riu.


- Espero que me ache atraente também.


- Ah, entendi. Bom, ergh, é que... – abaixei a cabeça. – Eu te acho atraente.


- Não precisa ficar vermelha, linda. – ele tocou meu rosto com as pontas dos dedos e eu corei mais ainda. Ao sentir as mãos dele no meu rosto, não pude deixar de me lembrar da sensação gostosa e arrepiante que era ter os dedos frios de Escórpio tocando a minha pele quente. E eu quis me matar por isso. Droga.


Mas Daniel era diferente. Ele não era frio. Era quente. Ele não tinha o mesmo olhar irônico e orgulhos que Escórpio tinha. Ele não tinha o mesmo sorriso reconfortante, nem o mesmo perfume forte de homem rico. Ele tinha um sorriso sedutor e um perfume amadeirado. Não tinha a mesma pele clara e os mesmos cabelos loiros. Muito pelo contrário. A pele era morena e o cabelo, extremamente preto. Na verdade, a única semelhança era que os dois possuíam cabelos extremamente rebeldes e bagunçados.


- Daniel, bom, é que, eu preciso almoçar. – Se mata, Lily.


- Pode almoçar então. Depois a gente conversa. Quero terminar o que a gente começou. – e dizendo isso, deu uma piscadela e foi se sentar na mesa da sua casa.


Fiquei estática pelo que me pareceram algu­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­ns segundos, então fui me sentar.


- Tá zoando com a minha cara que o gato, sedução, impossível do Daniel Lyons tava flertando contigo. – os olhos de Dominique brilhavam.


- Não sei. Ele estava flertando comigo?


- Ora, não se faça de boba, Lilian. Tá na cara que ele estava dando em cima de você e...


- Tava na cara mesmo. o salão i-n-t-e-i-r-o estava olhando. – Hugo enfatizou a palavra “inteiro”.


- Cale a boca, Hugo. – Dominique mostrou a língua. – Continuando, tá na cara que ele quer ficar com você.


- Jura? Não percebi nada disso.


- É porque você ainda está apaixonada pelo Escórpio. – ela bufou. – Mas se fosse eu, no seu lugar, daria uns bons “pegas” nele. Fala sério. Um menino mó gato, totalmente na sua e você aí sofrendo por um ex-namorado idiota.


Fiquei pensando por um momento. Talvez Dominique tivesse razão. Talvez ele realmente está flertando e queria ficar comigo. E, talvez, eu devesse ficar com ele. Eu estava solteira, ele era bonito e nada estava me impedindo. Nada, além do amor que eu ainda sentia pelo meu ex-namorado. Mas eu podia esconder esse amor. E, sim, eu podia e iria ficar com o Daniel.

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Comentários (1)

  • potter e weasley

    Ahh.. fala serio qnd e q eles vao voltar...kkkk.. tou fikando anciosa.... mais ta mt bom a fic...bjo

    2012-03-19
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