David Potter




"Apesar de corações partidos, apesar dos erros e sinais mal interpretados, apesar da dor e constrangimento. Você nunca, nunca perde a esperança."


 


6 de Julho


Eu, John e London tínhamos acabado de terminar o ensaio, não tínhamos progredido muito, mas ainda tínhamos mais quatro dias pra ensaiar e isso era bom. John tinha ido levar London até a porta e eu estava no pé da escada, subindo para meu quarto.  Ouvi alguém me chamar.


 


- David. - era meu pai


 


Me virei.


 


- Oi pai?


 


- Manda seus primos descerem, pra almoçarmos, tudo bem? - pediu


 


- Sim senhor. - respondi voltando a subir


 


Nós dois não conversávamos muito, nossas conversas eram sempre curtas, falávamos só o necessário, não por minha causa, era ele quem preferia assim. Passei primeiro no quarto das meninas.


 


- Oi. - disse com cabeça pra dentro, só Lizzie e Rachel estavam lá - Cadê Ann?


 


- Não sei, ela disse que ia dar uma volta, ou coisa assim. - respondeu Lizzie


 


- O almoço vai ser servido, pediram pra gente descer. - informei


 


- Ótimo. - disse Rachel já se levantando - Obrigada Dave.


 


Eu sorri e saí em direção ao meu quarto. Entrei e joguei as baquetas do John sobre a cama dele. Peter tinha acabado de sair do banho e Ben estava esparramado na sua cama.


 


- Hora do almoço garotos! - avisei


 


- Já estava morrendo de fome! - resmungou Peter


 


Ben se levantou.


 


- Cara, pra onde vai tanta comida? - perguntou assustado - Você acabou de tomar café!


 


Peter balançou a cabeça, e nós três saímos do quarto em direção ao andar de baixo.


 


- Já faz três horas que eu tomei café Ben, e eu estou em fase de crescimento, preciso comer muito! - se justificou Peter


 


Ben revirou os olhos e eu ri. Passamos pela porta do quarto das meninas e elas saíram, nos acompanhando. Rachel estava com uma carinha melhor do que mais cedo, eu passei o braço pelos ombros dela e nós descemos as escadas abraçados, enquanto Ben pedia a opinião de Lizzie sobre a fase de crescimento do Peter.


 


- Não enche Ben! - protestou ele - Você come muito mais do que eu!


 


Ele gargalhou, fazendo Peter ficar mais irritado. Eu, Lizzie e Rachel rimos também e Peter encerrou o assunto quando entramos na sala de jantar. A enorme mesa já estava servida.


 


- Bom dia! - desejou Ben, que não tinha visto quase ninguém pela manhã


 


Todos responderam, uns em tom animado, outros nem tanto. Nos sentamos.


 


- Falta mais alguém? - perguntou tia Thereza


 


- Faltava eu mãe. - disse John entrando e se sentando ao lado dela - Por Merlin mulher, você nem sentiu a falta do seu filho querido!


 


Ela riu e o beijou.


 


- Quem manda vocês serem muitos. - se justificou


 


Começamos a nos servir, em silêncio. Geralmente durante as refeições falávamos ou de quadribol, ou sobre o jornal, ou ficávamos em silêncio, falando apenas em pequenas conversas isoladas, ou brigávamos. Eu preferia o silêncio, já que quando falávamos ou de quadribol ou do jornal acabava em briga. Uma vez ou outra mudávamos de assunto.


 


- London não quis ficar pro almoço John? - perguntou tio Rony


 


- Não pai, ela prometeu que almoçaria em casa hoje. - respondeu com a boca cheia


 


- Meu Deus John, você é igualzinho ao seu pai! - reclamou tia Gina - Ama falar de boca cheia.


 


Ele riu descarado, e nós rimos também.


 


- Peter come metade da casa e ninguém fala nada! - se defendeu


 


Peter o olhou incrédulo e Ben riu com prazer. Tia Gina riu também.


 


- Eu não como metade da casa! - protestou Peter


 


Nós riamos, todos na mesa.


 


- Come sim! - concordou tio Cedrico - Você passa o dia inteiro comendo.


 


- Mãe? - Peter pediu ajuda


 


Ela balançou a cabeça rindo.


 


- Ele está em fase de crescimento. - defendeu o filho - Precisa comer muito.


 


Ele sorriu vitorioso. Paramos de rir aos poucos e voltamos a comer em silêncio. Quando todos haviam terminado de almoçar papai quebrou o silêncio.


 


- David... - começou meu pai, ele tinha um certo sarcasmo na voz - ...saiu a lista dos 10 melhores do ano.


 


A lista dos 10 melhores do ano era simplesmente a lista dos 10 melhores jogadores de quadribol colegial do ano. No ano passado eu havia ficado com a quinta posição e os planos do meu pai era que eu subisse duas posições esse ano, havíamos trabalhado pra isso, e depois no ano que vem alcançar o segundo e no meu último ano em Hogwarts ocupar enfim a primeira posição, isso estava planejado a muito tempo. Mas aquele ano, apesar de ter melhorado meus tempos, eu havia perdido a Taça de Quadribol e não tinha esperanças. Eu engoli seco antes de perguntar.


 


- E então? - perguntei sem a mínima vontade de saber a resposta


 


- Harry, porque você tem que falar sobre isso na hora das refeições? - o repreendeu mamãe


 


- Porque é a hora em que estamos todos reunidos Hermione! - disse já em um tom impaciente, se virou para mim - Você só subiu uma posição. - disse contrariado - Uma posição David! Simplesmente decepcionante!


 


Fechei os olhos e suspirei. Lizzie apertou minha mão por debaixo da mesa, tentando me consolar, eu retribuí.


 


- Não foi como planejamos. - concluí tentando não demonstrar meu temor pela reação dele


 


- É óbvio que não! - respondeu grosso - Vamos trabalhar ainda mais duro nessas férias, você vai ter que subir duas posições ano que vem, não vai ser fácil pular de quarto pra segundo, você vai ter que melhorar e muito seus tempos, e eu mesmo vou me assegurar que isso aconteça.


 


Balancei a cabeça concordando a contra gosto. Ele se virou para John e desmanchou a cara horrível que fazia pra mim e abriu um sorriso.


 


- E você meu garoto... - começou em tom de orgulho - subiu uma posição também, agora você é quinto!


 


Tio Ron vibrou mais do que o próprio John, não que John não estivesse feliz, porque visivelmente ele estava, mas é que o sonho de tio Ron de que John fosse jogador de quadribol profissional era quase uma obsessão.


 


- E tem mais uma novidade. - continuou papai - Alguém finalmente entrou na lista...


 


- Quem? - perguntou tio Draco ansioso, como se já soubesse


 


Papai estendeu o jornal com a lista.


 


- Benjamin Malfoy, nono lugar! - vibrou papai


 


Ben parecia não acreditar, ele e tio Draco se levantaram e se abraçaram, muito contentes. Meu pai parecia o mais feliz de todos, e aquilo era humilhante, ele se orgulhava de todos menos de mim, do próprio filho. Eu tentei não transparecer minha mágoa naquele momento, pelo John e principalmente pelo Ben, ele estava radiante. Eu me levantei também e fui em direção a ele.


 


- Parabéns cara! - disse o abraçando - Você merece isso, ha muito tempo.


 


Nos afastamos, e vi que ele não sorria.


 


- Eu sinto muito por você...


 


- Qual é Ben?! - disse sorrindo forçado, tentando disfarçar - Não fala besteira, você entrou na lista e estou feliz por você!


 


Ele sorriu e foi puxado por alguém pra mais um abraço. Eu desmanchei o sorriso que sustentava com muito custo, não queria mais ficar ali, vendo meu pai parabenizar a todos, menos a mim. Saí da sala e subi as escadas em direção ao meu quarto, me joguei na cama.


Eu odiava aquela droga de quadribol, até gostava de assistir e torcer, mas não gostava de jogar, eu simplesmente odiava toda vez que tinha que entrar naquele campo e subir em uma droga de vassoura. Mas era a única coisa que fazia meu pai prestar atenção em mim, a não me tratar com indiferença, e eu me esforçava muito pra conquistar tudo o que ele queria que eu conquistasse.


 


- Filho... - ouvi a voz da minha mãe


 


Me sentei na cama limpando rapidamente uma lágrima que caíra contra minha vontade. Ela se sentou ao meu lado


 


- Está tudo bem mãe! - menti - Só queria ficar um pouco sozinho.


 


- Não, não está tudo bem! - admitiu passando a mão em meus cabelos - Você saiu antes que eu pudesse te desejar os parabéns. Você foi muito bem filho.


 


- Não é o que o papai acha. - soltei rancoroso


 


Mamãe suspirou.


 


- Posso te contar um segredo? - perguntou de forma doce, e eu concordei - Quando era adolescente, assim da sua idade, eu tinha medo de voar, odiava vassouras e odiava quadribol. - eu dei um pequeno sorriso e ela também - E apesar de você voar muito bem e não ter medo de altura, acho que você puxou de mim o fato de odiar o quadribol.


 


Ela me encarou e eu abaixei a cabeça.


 


- Eu gosto de quadribol...


 


Ela fingiu não me escutar e continuou falando.


 


- Então, se você odeia o quadribol, porque se esforça tanto pra ser o melhor? - perguntou esperando uma resposta sincera


 


- Porque é a única coisa que faria papai ter orgulho de mim! - respondi


 


Eu fui o mais sincero possível, mas ela não se surpreendeu.


 


- Porque será que eu já sabia que a resposta seria essa? - brincou, mas eu não sorri - Escuta filho, seu pai pode não demonstrar às vezes, mas ele se orgulha de você...


 


Eu a olhei incrédulo.


 


- David... - ela suspirou - Eu conheço seu pai desde que eu tinha 11 anos de idade, e sabe ele nem sempre foi assim, ele mudou muito, mas eu ainda sei exatamente o que se passa naquela cabecinha dura, e ele te ama filho e se orgulha de você!


 


- Tudo bem mãe, pode até ser, mas... - eu tentei me acalmar, não queria gritar com ela - Mãe, a única coisa que eu queria era que ao menos uma vez ele me olhasse como olha pro Peter, ou como olhou pro John e pro Ben hoje! E o único jeito de conseguir isso é alcançando a droga do primeiro lugar, porque já não basta mais pra ele ser campeão e melhor jogador de Hogwarts, ele quer mais, e tudo bem pra mim se no final for eu quem receber aquele olhar!


 


Mamãe balançou a cabeça reprovando tudo o que eu disse.


 


- Se é isso que vai te deixar feliz filho... - concordou ainda assim - Só quero que você se lembre que eu me orgulho de você, sempre me orgulhei e sempre vou me orgulhar, não importa em que posição você esteja e mesmo que não esteja em posição nenhuma!


 


Eu a abracei com força.


 


- A senhora não faz idéia do quanto isso significa pra mim! - confessei


 


- Eu te amo filho! - disse ela


 


Eu suspirei. Só Merlin sabia o quanto eu amava minha mãe, ela era meu porto seguro.


 


- Também te amo mãe, muito!


 


Ela se afastou.


 


- Por Merlin David! Quantos anos você tem? 20? - perguntou apalpando meus braços com cara de assustada me fazendo rir - Vocês crescem muito rápido, a seis messes atrás você não tinha esses músculos.


 


Sabia que ela estava tentando me animar, e definitivamente conseguira.


 


- Esse é um dos benefícios do quadribol! - provoquei


 


- É eu sei, seu pai tinha braços assim quando jogava também... - disse pensativa - Acho que eu retiro o que disse, eu amo quadribol!


 


Nós dois rimos.


 


- Agora me deixa ir! - disse me dando um beijo e se levantou


 


- Mãe! - chamei e ela parou ainda ao lado da cama - Obrigado!


 


Ela sorriu timidamente, bagunçou meu cabelo com uma das mãos e saiu em seguida. Tudo o que eu queria era ficar um pouco sozinho, mas às vezes era impossível conseguir isso naquela casa, principalmente naquele quarto. Me deitei novamente, aproveitando os último minutos que me restavam de solidão.


E nesse tempo pensei no que havia acontecido lá embaixo há poucos minutos, na forma como meu pai olhou pra mim e na forma como olhou pros garotos, e se eu precisava chegar em primeiro pra receber aquele olhar eu daria meu sangue por aquilo, e eu tinha esperanças que seria recompensado.


 


------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


 


Sei que esse Harry assusta um pouco, mas fiquem tranquilos.


Obrigada a todos que estão acompanhando e comentem por favor!!


Obrigada também aos leitores da outra fic, espero que voces estejam gostando...


COMENTEM!!!!

Compartilhe!

anúncio

Comentários (0)

Não há comentários. Seja o primeiro!
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.