o milagre do brigadeiro



Existe uma coisa de mágica no cozinhar e eu vou te dizer o que é. É que quando você tem um dia de cão, daqueles mesmo que; você tem uma reunião com o chefe acorda atrasado, um taxi joga água de chuva em você, e começa a chover quando ainda falta um quarteirão –sem marquise- pra chegar no metrô, e tudo, tudo dá errado, nesse dia você chega em casa, toma banho coloca uma roupa quente, seu melhor par de meias e sabe que se misturar leite condensado com achocolatado, vai virar brigadeiro e isso nunca dá errado.


Portanto, foi o que eu fiz. Eu não tinha uma reunião com meu chefe, e nem acordei atrasada, e nenhum carro me molhou, e nem começou a chover enquanto eu caminhava para chegar no metrô, mas o meu dia foi igualmente ruim.


Quando eu acordei ontem eu era uma pessoa livre e perfeitamente feliz, que só precisava de um chocolate quente para ser feliz. Mas hoje quando eu acordei eu estava noiva.


Exatamente.


Eu vou ter que me casar.


Amanheci o dia hoje pensando nisso, e graças a Deus estamos no período de férias da faculdade portanto eu não preciso acordar cedo e me arrumar simplesmente para que um bando de pessoas medíocres não me julguem como uma qualquer, para assistir aulas as quais a maioria das pessoas nem presta atenção de verdade... Enfim. Estou me sentindo como a Kate Hudson em Como Perder um Homem em Dez Dias. Como se não houvesse maneira de as coisas acabarem bem. Vou lhe explicar a coisa da maneira como aconteceu.


Edgar e eu tínhamos um caso. Edgar e eu éramos completamente cúmplices, e um dia ultrapassamos a barreira de amizade e nos relacionamos num nível mais profundo, se é que você me entende. Depois disso nosso relacionamento extremamente misterioso cresceu, por que passamos há conviver mais tempo juntos. Acontece que eu nunca me senti muito bem com isso, por que eu sei que não é exatamente a coisa certa a se fazer. Quero dizer, não é como se eu fosse uma pessoa extremamente puritana que se sentiu mal, apesar de ter sido sobre isso sim. Mas o caso é que meu coração é de outra pessoa, meu coração sempre foi do Sirius. Eu duvido muito que algum dia ele vai me perdoar pelo o Edgar ter sido meu primeiro cara. Ele nunca vai me perdoar por isso, tenho certeza.


Suspirei mais uma vez, e decidi por fim me arrastar para fora da cama a qual estou estirada desde que acordei, na casa de mamãe, há quase uma hora atrás.


Trancei meu cabelo da melhor maneira que pude, e desci ainda com minha camisola ultra-gigante, e pantufas fofas. Pode me zoar, tudo bem, mas eu vou usar minhas ultra-camisolas até o fim da vida.


Encontrei com Axel na cozinha e ele estava comendo cereais. O cara tem 26 anos e come cereal! É mole?


Quem se importa né? Peguei uma tigela também e coloquei cereal para mim.


- Fala Dona Marlene, - eu até considero o Axel meu irmão sabe? Faz um bom tempo que nós convivemos juntos sob a mesma casa e sob a mesma ditadura educação, mas eu não consigo chama-lo de maninho, acho que é por que nós não crescemos juntos sabe... Acho que é reciproco por que ele só me chama de Dona Marlene, ou então Lene. – tudo em cima?


- Tudo legal, e contigo?


Eu já descrevi o Axel para vocês? Suponho que eu não tive tempo para fazer isso, uma vez que no nosso último encontro eu estava ocupada demais noivando... O Axel é um tipo magro, de cabelo escuro liso e olhos ligeiramente puxados. Não daqueles puxados como a maioria dos orientais, o olho dele é grande na verdade, e... ligeiramente puxado. Ele não se parece em nada com o Sirius, na verdade o Axel é meio fracote. Mas é bonito também. Um pouco. Eu acho.


- Tudo certo sim. – respondi sorrindo, porque é o que a minha mãe me ensinou, sorrir mesmo quando alguém pergunta se você está bem quando você não está.


Axel pegou uma tigela para ele também e se serviu de cereal, se sentando ao meu lado na bancada para comer. Sabe como é, não tem a menor graça sentar na cadeira se você pode sentar na bancada e ficar lá balançando os pés e comendo ao mesmo tempo.


- Você chegou tarde pra caramba ontem ein Lene, tem alguma coisa pra me contar? – bem, eu suponho que isso que o Axel faz seja tipo Uma-Habilidade-Que-Só-Os-Taiwaneses-Possuem. Nenhuma outra pessoa no mundo teria me perguntado se eu tinha alguma novidade no dia depois do meu noivado. Se bem que isso não é novidade, por que no fundo a minha mãe sempre soube que eu me casaria com o Sirius, ela vive falando isso.


- Não, tudo na mesma. E você senhor doutor? Tem se divertido muito no seu curso?


Axel deu uma daquelas gargalhadas irônicas que as pessoas na minha família tem como um  dom.


- Bem, é medicina não existe muita diversão. Nós abrimos pessoas e depois as costuramos de volta, então não é engraçado, mas sim se foi isso o quê você me perguntou eu estou gostando muito do curso.


 


Sorri para Axel, que me sorriu de volta, ele percebeu que eu estava escondendo alguma coisa mas não falou nada, só abaixou o rosto e deu mais uma colherada no potinho de cereal.


Eu ouvi o relógio batendo vagarosamente, como se ele estivesse se recusando a passar o tempo para mim. Primeiro tic, e depois tac, e depois tic de novo, para voltar num tac inacabado.


Axel ficou me olhando enquanto eu comia meu cereal. Ele sabia que eu percebera, que ele estava incomodado com alguma coisa, mas eu conheço o irmão que tenho, e não vou perguntar o que é.


 


- Lene, uma hora você vai ter que falar, sabe.


Revirei os olhos e pisquei pra ele.


- Só não vai ser agora. – disse eu rindo.


 


Ele colocou a vasilha de cereal dentro da lava-louças e pegou o achocolatado que estava sob o balcão, colocou duas colheres no copo com leite e, se sentando ao meu lado, se pôs a movimentar a colher em círculos, afim de misturar o leite com o chocolate.


Numa tentativa de ficar sério, que não teve sucesso graças ao bigode de leite dele, Axel disse:


- Dona Marlene eu sou o seu irmãozinho, e não digo mais velho porque sou mais novo, e, literalmente cheguei depois. Mas você me ajudou quando eu não tinha ninguém. Você convenceu o papai e a mamãe a me tirarem daquela vida que eu levava. Foi você Lene, qe me salvou do inferno que eu viva. Me diz por que você chegou em casa ontem tão tristinha e tão tarde da noite, e deixa eu ajudar você.


Senhoras e senhores, esse é meu irmão Axel tentando me comover.


- Axel, não é nada demais.


- Me conta, o que o Edgar fez, dessa vez.


Fui obrigada a sorrir. É que na verdade a culpa é bem do Edgar mesmo.


- Axel, eu prometo que na hora certa você vai saber, e, acredite não vai demorar.


- Lenedocéu. Você está grávida?


Eu dei uma risada daquelas e depois fiquei olhando pra ele com uma cara de paisagem.


- Axel, é claro que eu não estou grávida.


Ai ai... esse Axel me mata! Só houve uma possibilidade deu engravidar até hoje na minha vida, e não eu não me orgulho disso, mas foi há oito mil anos atrás. Não sei o que faria um espermatozoide permanecer tanto tempo dentro do corpo de uma mulher. Isto é, se fosse o caso de existir algum espermatozoide por que, mesmo tendo sido há oito mil anos eu me lembro de estar usando proteção, muito bem obrigada.


O quê eu estava falando?


Certo. Grávida.


- Mas é claro que eu não estou grávida. Bem você sabe, as pessoas devem... – por que eu estou tendo essa conversa com o meu irmão? – e eu simplesmente não...


- Tudo bem Lene, eu entendi. – e esse é meu irmão, tão constrangido quanto eu. – irmãzinha, eu não vou insistir no assunto, mas eu sei que tem alguma coisa te incomodando e sei que falar com um amiga pode ajudar. Não precisa ser comigo, só... – Axel parou por um segundo, pensou no que ia dizer, mexeu o leite e tomou um gole, ficando com um novo bigodinho que ele não se deu o trabalho de limpar. – bem, talvez você quisesse falar com o Edgar, ou com a Lílian? Eles são seus amigos, certo?


- Lílian? Minha amiga? Se você soubesse o que ela fez on... – Olha a Lene aí falando mais do que a língua. Eu passei a mão pelos meus cabelos, dei uma olhadinha para a parede e só depois olhei para o Axel novamente. – Ah, é. Isso, vou falar com a Líl.


 


Eu me levantei do balcão num salto, e fui saindo. Mas daí voltei e depois de colocar só a cabeça pra dentro da cozinha de novo, eu disse:


- Maninho, - o Axel estava colocando o copo dentro da lava-louças, mas se virou pra me olhar. – obrigada, você é o melhor irmão que eu tenho.


Ele sorriu e acabou por vir me dar um abraço.


- Sei que sou o único, e talvez por isso, vou querer sempre o seu melhor... Independente de sermos irmãos ou não Lene, sempre vou querer te ver feliz.


Tá vendo como eu tenho sorte? Ganhei esse cara de presente, e, diferente do Sirius ou do Edgar, eu nunca preciso me preocupar se estou abusando da amizade dele, ou se estou sendo amiga demais e se corro o risco de ele achar que eu quero algo mais. Talvez os duendes realmente gostem de mim.


 


Eu agradeci ao Axel novamente, e subi pra me arrumar. Meu irmão tem toda razão, eu preciso falar com um amigo, e se tem alguém que é meu amigo, esse alguém é o Edgar.


 


 


 


- Edgar. Você me ama?


Vou te contar exatamente como foi que eu acabei perguntando isso ao meu melhor amigo.


Depois do café-da-manhã eu subi para o sótão, que é o meu quarto na casa de mamãe, então estendi minha cama, tomei banho e ajeitei meu cabelo.
Então desci novamente, dei bom dia a mamãe e também lhe dei um beijo.


Então eu disse:


- Mamãe, eu vou almoçar com o Edgar mais tarde. Estou indo no shopping ver se encontro algum sapato legal.


E a minha mãe acreditou, por que eu não sou de mentir. Mas a verdade é que eu fui direto pra casa do Edgar.


No começo eu pensei em dirigir ás cegas, tipo, indo pra lugar nenhum, mas nem isso me satisfez. De repente eu estava na rua principal dessa pequena cidade em que cresci.


 


Eu precisava do Sirius o homem que eu amava. E se eu virasse a direita estaria perto da casa do Sirius.


Ou então...


Ou então eu precisava do Edgar. O homem que me amava.


E bastaria virar á esquerda pra chegar à casa dele...


Tentar me distrair pra adiar a escolha.


Esquerda ou direita?


Olhei os anúncios das lojas, mas não era suficiente. Tentar identificar quais eram os tipos de árvores nas portas das casas mas não era suficiente, tentar me concentrar no vento nos meus cabelos, não era suficiente.


Na minha frente um semáforo se abriu e eu virei na primeira rua à esquerda. Uma S10 que estava atrás gritou “barbeira” mas eu não me importei. Surpreendentemente eu estava sentindo falta do Edgar, sentindo falta do que a gente era no colégio, antes de o Sirius começar a andar com a gente, sentindo falta da nossa amizade.


Em cinco minutos estava batendo a porta do Edgar.


A situação é exatamente assim, Edgar, a Emmeline e eu somos amigos desde a quinta série. Na sétima série, o James e a Lílian entraram pra nossa turma, mas não juntos, eles só foram se apaixonar mais pra frente. A Dorcas e o Sirius são primos e entraram juntos. A Dorcas era cheerleader e por isso o Sirius, que jogava no time do colégio, começou a andar conosco. O Edgar costumava ter uma queda pela Emmeline, que nunca gostou e nem deixou de gostar  dele. Só que o Edgar e eu... Bem, é complicado explicar.


Nós temos um lance.


A gente se entende. Sempre fomos amigos. Sempre nos ajudamos.
Mas no há dois, no nosso último ano do Ensino Médio, bem, eu comecei a gostar demais do Sirius e o Edgar que era o meu conselheiro, meu amigo, meu ouvinte. E isso acabou nos aproximando demais.


Demais.


Mas eu ainda amo o Sirius, por que o Sirius é o Sirius. E não dá pra não amar ele entende?


É como existir, faz parte da gente.


Era uma coisa meio doida o nosso colégio.


O Sirius gostava de gostar de mim, e curtia a nossa situação. Mas eu queria mais. Sempre precisei de mais. Mas para o Sirius era bom manter as coisas do jeito como estavam. E enquanto o Sirius não me queria, e a Emmeline não queria o Edgar, a gente tinha um ao outro.


No final das contas os nossos pais ainda moram aqui nessa pequena cidade no interior de Londres, e cada um nós foi pra uma faculdade.


Menos o Sirius, que está trabalhando na empresa do pai dele e não entrou pra faculdade nenhuma, por enquanto segundo ele.


Graças a Deus as férias das nossas faculdades coincidem e dá certo de a gente vir pra cá se ver.


Dá uma saudade no peito vazio, quando cada um segue seu rumo.


A casa dos pais do Edgar é daquelas típicas de titias que moram no interior, com um jardim de fora, um quintal no fundo e uma saleta em tons de rosa. E a mãe dele, Maria Amélia jura que eu devia ficar é com o Edgar, e eu sei que ela gosta muito de mim, toda vida me tratou muito bem.


Estacionei debaixo da árvore que tem na porta da casa dos Bones e sorri. Engraçado como as pequenas coisas nos trazem memórias tão idiotas. Um dia eu tive que subir nessa árvore, pra sair do quarto do Edgar escondido.


Respirei fundo e toquei a campainha, talvez o Edgar ainda estivesse dormindo.


Um rápido olhar no relógio me informou que eram 10:15.


- Marlene querida, quanto tempo. Entre.


- Obrigada Dona Amélia. O Edgar está?


Maria Amélia veio me conduzindo pelo corredorzinho até chegar na sala coberta de fotos do Edgar, desde quando ele era bebê até uma foto que tinham o Edgar olhando pra mim. Me lembrava muito bem deste dia.


- Sente minha filha. Eu estava ali na cozinha cortando as verduras para o almoço. Vou fazer aquela salada de grão-de-bico que o Edgar gosta.


Segui para a cozinha com a Dona Maria Amélia, e conversamos por um tempinho, logo eu me senti como se tivesse 16 anos novamente, e não como se tivesse 20 e fosse me casar com um homem que não era o filho dela. Às vezes quando a gente passa muito tempo na casa de um amigo, e a família dele também trata a gente bem, parece que nos sentimos mais em casa, do que na nossa casa de verdade. Eu amo minha família, meus pais e o Axel são ótimos para mim, e fazem de tudo pra mim, em troca eu tento não decepcioná-los, mas a casa do Edgar é muito especial, a mãe dele é como se fosse minha tia ou mesmo minha mãe.


- Dona Amélia, acho que o Edgar não vai acordar muito cedo não. Nós saímos da casa do Sirius muito tarde ontem. Você se importa se eu for lá em cima acordá-lo?


- Claro que não querida, você sabe que está em casa, fique a vontade.


Eu subi as escadas a passos largos e entrei no quarto do Edgar sem bater. A terceira porta a esquerda.


Estava tudo escuro, mas eu sabia que ele estava lá não só pelo amontoado de cobertores sobre a cama, mas pelo cheiro de colônia.
Tenho sorte por ter amigos tão cheirosos, realmente reconheço o Edgar o James e, principalmente o Sirius pelo faro. Engraçado como o James sempre fica no meio termo, e Edgar e o Sirius acabam sendo meus extremos. Até o perfume deles, cada um num polo.


As paredes num papel de parede verde claro, e os detalhes em verde limão. Uma cama de solteiro maior do que o normal na parede á direita, onde também fica a porta do banheiro dele. Uma bancada com livros, um computador antigo e um telefone. Diversas gavetas que o Edgar guardava os álbuns de fotografia, os manuscritos dele, e alguns aparelhos de videogame que ele desmontava quando pequeno. O guarda roupa embutido na parede da esquerda, e uma pequena mesinha de cabeceira do lado da cama, que ficava sob uma janela.


Respirei fundo pra sentir o perfume do Edgar e fui sentando na beiradinha da cama dele. O quarto estava todo fechado, no escuro, e até a porta do banheiro fechada, pra evitar a claridade, exatamente como no dia que nós ficamos juntos.


Passei os dedos pelos cabelos do Edgar, e ele remexeu na cama. Tão lindo e doce.
Por que o Edgar é esse tipo de cara perfeito, como o Sirius ele é; lindo, gentil, parceiro, fofo, carinhoso demais, amigável em excesso e além de tudo, sempre tem um elogio e coisas adoráveis pra dizer pra gente. Só que o Edgar é meu amigo e gosta de mim. E o Sirius é um conquistador barato.


- Lene querida.


Ele acordou um pouco confuso, mas sorrindo.


- Tá tudo bem? O quê você tá fazendo aqui?


Edgar parou um minuto, e pareceu estar naquele estágio de recém-acordado em que a gente se lembra dos acontecimentos da noite anterior.


- Ah, é, o Sirius.


- Não. Edgar, eu não quero falar sobre o Sirius.


Ele sorriu mais ainda, e se sentou. Me deu um beijo no rosto, o hálito quente...


- Eu vou tomar uma chuveirada e volto num instante, tá bem?


Eu assenti com a cabeça, pequei o telefone dele que estava sob a mesinha e coloquei “Misunderstood” pra tocar. No plano de fundo era eu e o Egar, numa foto preta e branca que tiramos num parque pouco depois daquele dia em que ficamos juntos. Uma árvore, eu olhando pra baixo, e o Edgar me abraçando por trás, com esse sorriso maravilhoso que ele tem, e acho que, só o Sirius pode competir.


Como todas as coisas referentes ao Edgar...


Só o Sirius pode competir.


Impossível estar no quarto de Edgar, deitada na cama dele e não pensar naquele dia...


Foi no último semestre de aulas, eu estava correndo o risco de tomar pau em Biologia, e o Edgar estava me ensinando alguma coisa sobre os cromossomos e DNA’s. Numa hora nós estávamos perto demais, e na outra já estávamos nos beijando, nós nunca tínhamos nos beijado antes, mas aquilo... aquilo pareceu tão certo.


E eu me lembro que em algum momento entre beijos eu disse: “E a Emmeline?”


E ele me respondeu com um sorriso: “E o Sirius?” .


E daí eu voltei a beijá-lo com muito mais paixão que antes, e depois só restou o Edgar tomando banho e eu aqui deitada, só que na ocasião, estava usando menos roupas...


Numa cena exatamente como essa, em que ele saí do banho enrolado numa toalha vem e me dá um beijo na testa.


- Lene, - me perguntou o Edgar, exatamente como está fazendo agora, parece tão típico de nós isso, que até me agrada...- tá tudo bem?


Dá última vez eu respondi que sim, por que realmente estava.
Mas agora? E agora?


O Edgar abriu o guarda-roupa, primeiro vestiu uma cueca dessas box que ele vive usando, e depois a bermuda. Segundo o Edgar, usar camisa em casa é inútil, então ele simplesmente fica exibindo seu tórax extremamente gato por aí...


- Eu não sei. Não sei o que estou sentindo.


E então ele veio e me deu um abraço, me deitou na cama, e enquanto passava os dedos pelos meus cabelos respondeu:


- Você ama o Sirius?


Está vendo? Mais do que todas as coisas nós somos amigos, e ao longo do tempo criamos esse laço tão puro e simples, que eu chego a pensar que vai durar para sempre... Só que ás vezes, o Edgar me olha de uma maneira, que eu sinto que não é só isso. Ontem na casa do Sirius mesmo, depois que ele saiu do armário com a Dorcas e o Sirius me pediu em casamento, quando o Edgar percebeu o que estava acontecendo ele passou a me olhar diferente. Ciúmes talvez?


- Amo.


- Então qual é o problema?


O quarto escuro, eu carente, o Edgar lindo e doce passando os dedos pelos meus cabelos e me consolando por uma coisa que eu nem sei direito o quê é, qual é o meu problema?


Ele me olhou nos olhos, e estávamos lá, deitados de frente um para o outro. Ao som de Bon Jovi, e eu simplesmente não segurei, quando vi já tinha perguntado, e é esse o momento em que estamos.


- Edgar, você me ama?


Esse é o momento, eu esperando um Edgar extremamente confuso me responder.


Ficamos calados por um longo tempo. Cinco minutos talvez não te pareçam tanto tempo assim, mas experimente estar deitada ao lado do Edgar, ouvindo a respiração pesada dele vacilar enquanto ele pensa se te ama ou não, e você vai perceber que, nem o tempo todo que você levou pra fazer a maior prova de química do mundo, foi tanto quanto esses cinco longos minutos.


- Lene, amar eu amo. Quero dizer, é você, a Lene minha melhor amiga.


- Eu sei que você me ama como amiga Edgar, quero dizer se você pensa em mim como mulher. Se você me deseja, se você se lembra dos nossos momentos antes de dormir, por que a nossa foto tá no seu celular, isso é o que eu estou te perguntando.


Edgar sorriu, me mostrando seus dentes brancos e emparelhados.


- Eu amo você Lene.


Pronto. Estou perdida.


Ele pareceu entender que fora um golpe forte demais, já que afinal de contas eu estou noiva, e existe aquele lance de eu ter que decidir se vou sabotar esse casamento ou não.


O safado do Edgar me deu um beijo.


Na boca.


Olhe só, estou traindo meu noivo.


E não sei nem se estou me sentindo culpada. Sorri ao pensar nisso...


- Sabe do que você precisa Lene?


- O que? – eu sussurrei tranquila, por que o Edgar estava ao meu lado.


- De um brigadeiro. De panela, pra comer de colher.


Eu dei um sorriso. E me lembrei do meu irmão. O melhor conselheiro do mundo, ele estava tão certo quando me dissera pra procurar o Edgar.


- Venha Lene, vou fazer um brigadeiro pra gente ver um filme.


Ele se levantou e eu também, o Edgar veio me dar um abraço, e a gente desceu as escadas abraçados.


 


n/a: estou tãaaaaaaaaaaao ferrada, hahahaha, tenho ensaio de teatro duas horas e agora já são 13:57 HSUAHSAUHSUAHSUA. Graças ao meu tratado com a Chel (que ela deveria atualizar Stardust, e eu VoD) eu trouxe esse capítulo, que fui terminar agora, apesar de ter ficado até quatro da manhã trabalhando nessa idéia. Obrigada leitores, vocês são a razão pela qual essa fic existe, por favor, não desistam de mim, que eu vou continuar escrevendo, prometo.


Quero saber o quê acharam ok?  Só posso dizer que eu estou doente de amores pelo Edgar. Beijos ;* 

Compartilhe!

anúncio

Comentários (0)

Não há comentários. Seja o primeiro!
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.