Baile - Parte I



Capítulo Sete


Baile - parte I





"Os alunos, junto à diretora da casa, estarão organizando, no dia 23, às 11 horas da noite, um baile que reunirá todos os integrantes da Grifinória. Vamos lá, grifinórios! Ache seu par e participe dessa festa!"





Os cartazes haviam sido afixados por todo o canto da sala comunal da Grifinória quando Lílian desceu para o café da manhã no dia seguinte, a mochila às costas. O único assunto da casa era, então, os pares e como seria o baile. Porém, para a garota, haviam outras preocupações, entre elas, o final cansativo de uma semana de provas. Finalmente, terminaria os exames do primeiro bimestre e poderia descansar à sombra da faia, à beira do lago e começar um novo romance que seus pais mandaram pelo correio. Era um livro não muito longo e antigo, de uma escritora trouxa famosa: Agatha Cristhie. "O caso dos dez negrinhos". Já ouvira falar muito naquele livro e, depois de ler o suspense de Tess Gerritsen febrilmente, só parando para dormir depois que terminou de folhear a última página, ela sentia uma imensa vontade de ler outro suspense e ficar pensando por horas quem seria o assassino.


Antes que pudesse desfrutar daquele paraíso, ela deveria fazer mais duas provas, que seriam naquele dia e, passara a noite anterior estudando incansavelmente, repetindo para si mesma a fórmula da poção do sono e lendo sobre a transfiguração de um gato em um minúsculo ratinho. Seu cérebro parecia estuporado, e ela sentia-se a pessoa mais cansada do mundo.


Os cereais estavam até sem gosto quando ela sentou-se na longa mesa da Grifinória no salão principal e começou a engolir grandes colheradas de uma tigela de madeira. 


- Bom-dia, Lílian - disse uma voz às suas costas, fazendo-a se sobressaltar.


- Ah... Lana - A voz saiu um tanto estressada. -, sente-se.


- Obrigada - disse a garota, sorrindo debilmente. -, como foi sua noite?


- Boa - respondeu Lílian, rapidamente. -, e a sua?


- Maravilhosa - disse Lana, quase saltitando de alegria.


- Ah, é? Por quê?


- Hum... nada... - mentiu a outra. -, apenas dormi bem...


"Agora tenho que me apressar ou vou perder a aula de aritmancia."


- Tudo bem - murmurou Lílian, dando graças a Deus quando a garota saiu desapareceu de sua vista. Por que Lana parecia tão feliz? Mesmo sem saber a resposta, a felicidade da garota irritava-a demasiadamente e, ela sentiu uma vontade repentina de não comer mais. Levantou-se de um salto e preparou-se para a aula de poções, caminhando o mais lentamente que seus pés conseguiam, arrastando-os até a masmorra. Quando chegou lá, o professor já aguardava atrás da escrivaninha anotando alguma coisa.


- Bom-dia, professor - disse ela, indo para sua direção.


- Bem - disse ele, demorando meio século para erguer seus olhos e encará-la. -, vejo que foi a primeira a chegar, não? Quer fazer logo sua prova e ser liberada?


- Hum... quero - respondeu Lílian, embora não se sentisse segura o suficiente para fazer uma prova sem cola de alguma pessoa.


- Aqui - O professor estendeu um bolo de papéis e uma pena anti-cola e indicou-a uma carteira à frente de sua mesa, provavelmente para acompanhar as respostas da garota.


"Qual é a fórmula do(a):


a) Poção do amor


b) Poção da verdade


c) Poção do dinheiro


d) Poção Polissuco"


Lílian encarou a pergunta e sentiu uma imensa vontade de enfiar a pena no pescoço repetidas vezes até morrer... e a poção do sono que ela decorara tanto? Chutou metade das respostas e a outra metade mesclou algumas coisas da poção do sono e da poção do dinheiro. 


Quando chegou ao final da prova - o que demorou quase uma hora, tempo para que os outros alunos chegassem -, ela sentiu que tinha se ferrado em mais uma prova e a vontade de se matar crescia cada vez mais. Porém, entregou sua prova e saiu da sala irritada. Já se ferrara no teste de Poção, e agora na prova. Sem dúvida alguma, ela iria para apoio.





~*~





- COMO ASSIM NÃO VAI COMIGO AO BAILE? - berrou Lílian, fazendo com que a sala comunal inteira virasse os olhos para ela, assustados. -, Desculpe - ela disse, corando.


- Eu sinto muito - disse Tiago, as orelhas vermelhas. -, mas eu prometi para Alícia Redley que iria com ela...


- E quem é essa piranha? - exclamou Lílian, os punhos cerrados para bater no garoto.


- Hum... uma amiga - disse ele, a voz alteando. -, ela pediu quando viu o cartaz. Disse que... ninguém chamaria ela e que... seria bom se eu fosse com ela.


- E você aceitou? - perguntou Lílian, incrédula.


- Eu não tive outra escolha - respondeu o garoto. - Ela é minha amiga. Poderia se sentir ofendida.


- Pois você vai ver quem vai se sentir "ofendida" - disse Lílian, abrindo a mão e jogando-a sobre o rosto dele com toda sua força. O tapa fez um barulho que ecoou pela sala comunal.


Assim, ela virou as costas e subiu as escadas para o dormitório feminino, sentindo a raiva fervilhar em seu estômago. Como ele podia fazer isso com ela?


Deitou em sua cama e cerrou ruidosamente a cortina de dossel. Amiga? Ofendida? Lílian sabia que aquilo parecia estranho. "Amiga?", prepetiu para si mesma. "Eu duvido que seja uma simples amiga!"


O estômago revirou várias vezes dentro de si e ela sentiu vontade de vomitar; mal estar? Talvez, embora o sentimento que prevalecesse fosse nojo. Nojo de Tiago; aquele garoto arrogante e mentiroso que era capaz de fazer qualquer coisa para ter um buraco onde enfiar o pênis. Será que tudo o que ele queria era transar com ela? Lílian afastou aquele pensamento da cabeça. Não devia achar aquilo e sim que ele era o homem de sua vida.


A cólica continuou revirando seu estômago e ela sentiu vontade de gritar para o mundo todo seu ódio por mestruação. Era tudo o que ela precisava para melhorar seu humor.


Acabou dormindo ali, depois de quase três horas em que ela ficou pensando sobre tudo o que acontecera no dia.


Enquanto isso, no dormitório masculino, uma das camas oscilava com o peso de dois corpos se movendo; Tiago tinha mais um de seus encontros amorosos com a "amiga", Alícia Redley.





Compartilhe!

anúncio

Comentários (0)

Não há comentários. Seja o primeiro!
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.