A Colônia de Acromântulas



Café da manhã e todos ainda cochichavam quando eu passava, eu criava crateras de população no Salão Comunal, todos desviavam sua rota ao me ver aproximar e se mudavam de lugar quando eu escolhia um lugar para me sentar, no fim, fiquei ali brincando com a geleia até que um jovem loiro se aproximou de mim e simpaticamente me cumprimentou:


_ Ah, olá, acho que temos a primeira aula juntos, não? História da Magia?


_ É... Bem, sim, História da Magia, também está no quinto ano?


_ Sim, ah, perdoe-me, não me apresentei, meu nome é Malfoy, Scorpius Malfoy.


_ Ah, prazer, sou Arthur...


_ Riddle, é eu sei, a escola inteira comenta, se quer saber, uns amigos meus me falaram que era loucura minha vir falar com você por causa do seu sobrenome, mas bem, sou descendente de um ex-comensal da morte, a minha situação não é muito melhor que a sua, no primeiro ano eu e alguns amigos passamos por isso tudo também.


_ Sério? Seu pai era um comensal da morte?


_ Não, bem, sim, é meio complicado, mas sim, meu pai tinha a marca negra, mas depois da queda do Voldemort ela não faz mais diferença, ele era muito jovem quando foi recrutado, meu avô sim era um comensal veterano, bem, estou falando demais sobre mim e ouvindo pouco sobre você, como foi que você acabou saindo com esse sobrenome?


_ É uma longa história, se estiver disposto a ouvir.


_ Claro. – Dava pra ver o entusiasmo do garoto estampado em seu rosto, eu também estava feliz de, finalmente, alguém nessa escola ser simpático comigo.


_ Bem, eu na verdade só tenho laços sanguíneos com o Voldemort através do meu avô, Tom Riddle, pai de Voldemort, depois que ele abandonou a Gaunt, ele teve um caso com uma trouxa, Hilda McBubble, e acabou gerando o meu pai, Jason Riddle, no caso, meu pai é trouxa por completo, e eu seria também, se minha mãe não fosse Susana Backwood, sangue-puro e nova-iorquina, se conheceram durante uma das viagens do meu pai que herdou todo o patrimônio financeiro dos Riddle, então os dois geraram a mim e mesmo com toda a turbulência do assunto Voldemort eles preferiram manter meu sobrenome, na verdade meu pai é bem mais velho que minha mãe, ela é bastante jovem, as vezes eu brinco com eles dizendo que ele só se casou com ela por ela ser bem mais nova que ele. – Tínhamos chegado à sala, e fomos tomar nossos lugares, desta vez eu dividi os olhares curiosos com o Scorpius, ainda mais levando em consideração que a aula era com a Grifinória. – Então, foi assim, é meio sem graça, mas essa é minha história.


_ Melhor que a minha, meu pai conheceu minha mãe, se casaram, eu nasci, ponto, fim da história. – Disse ele ironicamente.


_ Pelo menos você nunca...


_ Bom dia turma. – Disse a professora, que por sinal era um fantasma. – vamos começar a aula, peguem seus livros por favor...


Admito que devo ter cochilado uma ou duas vezes, ainda acho absurdo colocarem fantasmas para lecionarem essa matéria, pois além de já ser cansativa sem precisar de ajuda, eles ainda conseguem a tornar mais sonolenta e eu não era o único a achar isso, mais da metade da turma dormiu quase o tempo todo, a outra metade dormiu apenas quando conseguia disfarçar, no fim, todos saíram com os livros babados e os rostos amassados com mais sono ainda, se é que era possível, e a professora ainda havia passado algumas páginas de pergaminho como tarefa, eu ia aproveitar meu tempo livre antes do almoço para fazer a tarefa, mas...


_ Então Riddle, vai fazer teste para o time de Quadribol ? – Scorpius..


_ Ah, acho que você nunca me viu montando uma vassoura, se tivesse visto, com certeza não faria essa pergunta. – Realmente, acho que a única coisa que eu conseguia ser pior do que social era jogador de Quadribol, jamais me entregue uma vassoura.


_ Ah, que isso você não pode ser tão ruim, e além do mais, a Sonserina não ganha um jogo à séculos, você não poderia envergonhar o time mais ainda.


_ Acredite, eu com certeza conseguiria fazer isso, duas arquibancadas do campo da minha escola foram pelos ares na vez que eu fiz teste para a casa, e tenho que me segurar para não ser expulso daqui.


_ Então eu vou parar de insistir, quem sabe você não encontra outro hobby...


_ Tentando recrutar o novato Scorpius ? – Era uma voz conhecida e com tom de brincadeira.


_ É uma pena Alvo, ele pelo visto não tem muita prática.


_ Que isso, você não pode ser tão ruim – Alvo Severo, outro insistente, acordem, eu explodi um banheiro, acham que vou ser melhor montando uma vassoura em alta velocidade tentando acertar aros de metal com uma goles ?


_ Acredite, ele pode.


_ Com certeza eu posso... Então Alvo, não é mesmo ? Joga no time da Grifinória ? – Eu conhecia a história do Potter, todo bruxo conhecia a história dele e eu sabia que ele jogava quadribol.


_ Sim sim, apanhador, como meu pai. – Honestamente fiquei feliz em não ter que conversar com ele em uma situação vergonhosa, e também estava feliz por Hogwarts ser... diferente. – Eu vou lá, Grifinória tem treino agora antes do almoço já que vocês roubaram o campo a tarde toda não é Scorpius ? Até mais, vocês vão ser esmagados – Era estranho ver que os dois eram amigos já que ambos tinham tudo para serem inimigos, mas era bastante interessante.


_ Vai sonhando... O Alvo é legal, não tenho muito contato com o irmão dele, o Tiago, já está no último ano, pelo visto vai ser auror como o pai, mas tenho que encontrar alguns amigos antes do almoço, consegue encontrar o Salão Comunal sozinho ?


_ Claro, até mais. – Sozinho denovo, dessa vez eu me sentia mais feliz, havia feito amizade, tinha sido convidado a fazer teste para entrar pro time da casa e tinha uma profecia sobre a uma maldição supostamente sobre mim que ficava martelando na minha cabeça, tudo parecia excepcionalmente normal.


Cheguei bem cedo ao Salão Comunal, não haviam muitos alunos ali e eu aproveitei para fazer o dever de história da magia, era sobre a Primeira Era Voldemort, irônico até, mas eu estava acostumado a essas coincidências e não foi nem um pouco difícil preencher logo o que a professora havia pedido.


Eu já havia acabado a tarefa quando o Salão começou a encher de alunos, e eu notei que um grupo de garotas em especial me fitava da ponta da mesa da Grifinória, em torno de 10, aquilo não podia ser bom sinal levando em consideração que todos que passavam por ali evitava se aproximar demais delas, o que achei curioso e intimidador.


_ E então, conseguiu fazer a tarefa toda sem cair no sono ? – Scorpius havia chegado, alguns amigos dele haviam vindo com ele mas evitaram se sentar perto de mim.


_ Olha, sem a professora pra colaborar eu consegui cair no sono só 3 vezes... – Era bom dar umas risadas, pra variar.


_ Eu duvido que eu consiga tão poucas, mas então, notei que a Colônia de Acromântulas não desgrudou os olhos de você.


_ O grupo de garotas da Grifinória ? Isso é, bom ?


_ É péssimo, elas estão no mesmo ano que nós então quando entrei elas ainda não eram esse grupinho, ou como preferem, não eram uma sociedade secreta, mas eu vi que elas são bem chatinhas, elas colocam novatos pra flutuar, tomam a varinha deles sem usar magia e os deixa flutuando por aí, até que algum professor o resgate, ninguém se atreve a mexer com elas.


_ Ou seja, eu provavelmente sou a próxima vítima ?


_ Talvez, bem, se for, eu te ajudo, Sonserinos não se dão nada bem com elas e piorar o nosso relacionamento não vai fazer mal nenhum.


O banquete surgiu, eu amava essa parte de Hogwarts, era tanta comida que você podia passar a vida inteira ali, e é claro, aproveitei o máximo que pude.


A comida sumiu e deu lugar a uma sonolência coletiva, mas a maioria ali tinha aula, incluindo a mim, que teria Feitiços junto com a Corvinal.


Uma aula bem tranquila, tenho facilidade na matéria, sempre fui bom com feitiços mas algo me dizia que o dia seria longo, eu só esperava não fazer nenhum nabo nascer na testa do professor (não seria a primeira vez) por pura falta de atenção, e eu não o fiz, eram feitiços simples, de expansão, achei até divertido quando uma aluna acabou expandindo as narinas da sua amiga, o professor consertou o rosto dela em dois minutos e apaziguou o pânico da turma, ironicamente ninguém se aproximou mais da aluna-que-expande-narizes.


Eu pretendia aproveitar meu último tempo vago do dia antes do jantar e passar no campo de quadribol para assistir um pouco do treino da Sonserina até a próxima aula, mas elas tinham outros planos.


Vindo da ponta do corredor  estavam 5 acromântulas, não as aranhas gigantes, bem pior, garotas mal encaradas com as varinhas em punho e olhares maliciosos na minha direção, e eu nem precisei olhar para trás para saber que ali vinham mais 5, tanto que quando eu cogitei me virar para trás eu acabei me virando, de cabeça pra baixo.


_ E é assim que a Colônia de Acromântulas age com novatos inofensivos, se quer sobreviver aqui, tem de ser experto Riddle. – Era a voz de uma garota e ela falava como se eu fosse... um inseto asqueroso.


_ Interessante como aranhas gigantes são amáveis, não ? – Eu revidei, não conseguia manter minha boca fechada, só precisava alcançar minha varinha, a qual elas não demorariam a tirar de mim também.


_ Como ousa, peguem a varinha dele meninas, não precisamos nem de expelliarmus pra isso. – eu disse...


Senti um arrepio na nuca, meus olhos começaram a arder e comecei a ficar zonzo, com certeza não era por que eu estava de cabeça pra baixo, eu sabia muito bem o que eram aquelas sensações e eu já estava conformado em senti-las, mas justo agora. A garota se esticou um pouco para alcançar o bolso interno da minha capa onde estava a varinha e antes que me tocasse, eu explodi.

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