Sou eu.



Capítulo 9 – Sou eu.


 


         Harry abriu os olhos, dois dias depois. Viu um teto branco, e logo soube que estava na Ala Hospitalar.


         As coisas passaram como um flash. Livro, Sala dos Fundadores, feitiços no duelo, beijo, soco, decepção, brigas e... Agui.


         Sentiu alguém cochilando ao seu lado. E era, justamente, sua amiga. Para sua surpresa, Merlin, seu puffle que mudava de forma, dormindo ali em sua cama, perto de seu travesseiro.


         Ele estava em sua forma original. Olhos verdes, pelos dourados e redondo, bem pequeno.


         Acordou e quicou na cama quando viu que seu dono tinha acordado, e virou um cachorro minímo, um poodle talvez, abanando o rabo feliz.


- Hmm – gemeu Agui, ainda dormindo.


         Sua costas devem estar doendo, pensou Harry vendo a posição que sua amiga dormia. Em uma cadeira, com a cabeça na cama.


         Seus cabelos negros caíam em sua face porcelana e sua boca – que agora, de repente, parecia convidativa – entreaberta.


         Balançou a cabeça. O que estava pensando mesmo?


- Harry – resmungou em seu sono, Agui. Tinha um rosto preocupado.


         Há quanto tempo ela devia estar ali?, pensava Harry, olhando a amiga com carinho.


         Ele não poderia ter ficado tanto tempo na Ala Hospitalar, poderia? Ainda estavam no mês de Outubro, era cedo para já estar lá. Na verdade, ele devia ser um enfermo VIP.


         Riu baixinho, e sorriu quando Agui começou a levantar a cabeça, acordando.


- Ai, bom dia Merlin – desejou Agui, acariciando o feliz cachorrinho – Bom dia Harry.


- Bom dia – respondeu, rindo, o moreno.


- HARRY! – quase gritou Agui, dando um abraço enorme e apertado nele.


         Ele retribuiu o abraço e disse: - Que feio, cabulando aula?


         Agatha assumiu um semblante triste.


- Ah, não. Deram como dispensadas a aula, por uma semana.


- O quê? Por quê? – perguntou, confuso.


- Voldemort – sussurrou – Você devia ter razão, sabe. Ele estava quieto demais, mas fez um ataque nesses dois dias que você esteve desacordado.


- Aonde foi?


- No Beco Diagonal, claro. Ele parece gostar de lá – revirou tristemente os olho azuis céu – e também fez vários ataques menores em vilas bruxas e meio trouxas.


- Meio trouxas?      


- Ah, ‘cê sabe, que tem alguns bruxos na vila, mas em sua maioria trouxas, enfim. O que importa é que com esses ataques, muitos alunos perderam pais ou familiares. Muitos tem que ir a enterros, eram tantos que as sala de aula iam ficar vazias, e Dumbledore deu uma semana para todos ficarem de luto – concluiu.


- Ah, tá – entendeu, triste, Harry.


         Ele não podia dormir alguns dias, e Voldemort já ferrava tudo? Não que ele fosse ajudar em algo, não, trancado em Hogwarts seria impossível. Mas poderia ter avisado, por meio de sua ligação. Então, fora isso aquele ataque. Aquilo que Voldemort ia fazer eram esses ataques, afinal.


- Harry – começou Agui, num pouco mais que um sussurro – eu queria te pedir desculpas.


- Pelo quê? – parecia idiota perguntar isso, depois do dia de domingo, mas não precisava ouvir desculpas de sua amiga, ela já estava perdoada, no momento que ele acordou.


- Por tudo. Por te chamar de Potter, te dar uma tapa, brigar com você – enumerou.


- Não se esqueça que gritou também – riu-se Harry.


- É isso também – seus olhos estavam lacrimosos, e ela riu.


         Agatha sentou na mesma cama. Estavam tão próximos que podiam sentir a respiração um do outro. Merlin, agora como fênix dourada, cantava uma melodia alegre no peitoril da janela.


- Eu... só queria te dizer... – começou Agui, mas corou.


         Ela respirava com dificuldade, mas Harry também. Seus olhos batiam nos verdes esmeraldas do amigo, e isso só dificultava mais o que queria falar. As palavras entaladas em sua garganta, mas não foi preciso.


         Harry não precisou nem se espichar.


         Deu um beijo. Apaixonado, calmo e doce. Seus lábios moviam em sincronia com os de Agatha, como se tivesse nascido para os dela. Sua boca era doce, e o beijo suave.


         Poderia ter durado uma eternidade, mas um som se fez presente.


- E dizem que a Ala Hospitalar é para doentes – a voz era zombeteira.


         Olhando para a porta, viu Jake ali. Tinha um olhar divertido, mas um pouco de raiva, provavelmente por estar beijando a irmã dele.


         Ao seu lado estavam seus pais, seu padrinho, Gina, Mione, Nick e Rony.


         Parecia que todo mundo tinha visto. Nenhum parecia bravo com isso, todos sorriam.


- Ah, a Ala Hospitalar é uma ala de milagres – comentou Sirius, rindo, um latido praticamente.


- Por quê? – perguntou Harry, curioso.


         Não achava que Agui estive em condições de perguntar nada. Tão vermelha de vergonha que chegava a púrpura.


- Ah, Tiaguito beijou a Ruivinha Temperamental aqui, pela primeira vez, sabe. – comentou Remo, sorrindo.


- Certo – comentou Nick, com aquele tom de voz sabido – Eu já esperava por isso.


- Sério, amor? – perguntou Gina, surpresa.


- É óbvio que eles se gostam – apontou para os dois amigos.


         Harry e Agui coraram – a segunda mais ainda, se era possível.


- Ai, meu Deus! Vocês só me envergonham! Não se tem privacidade aqui não? – ela tinha levantado e colocado a nos quadris, irritada, mas sorria.


         Como esperara por esse dia.


- Não – respondeu Jake, na maior cara de pau – E é bom ir se acostumando. Vou manter meus olhos em vocês dois.


- Sério, Black? Sério mesmo? – indagou Harry, duvidoso.


- Nunca falei tão sério em minha vida! – de fato, seu rosto era completamente desprovido de brincadeira.


         Harry puxou Agui pela mão, fazendo-a sentar ao seu lado de novo.


- Então, qual será a diferença se eu der um beijo em Agui agora, com você vendo? Ou sem você vendo? – perguntou, malicioso.


- Você não se atreveria! – quase gritou Jake.


- Rá, há essa altura do campeonato, meu filho, se não descobriu que não pode duvidar de um Potter, não conhece eles direito – murmurou Rebecca.


         Harry riu, vendo a “mais que sua amiga” corar, dando risadinhas.


- Você é muito fofo, Harry, mas é melhor eu não ficar perto de você agora – comentou, enquanto ia para o lado de Gina.


- Por quê? – perguntou, curioso com o comentário da amiga.


- Ah, Jake pode dar um piti – riu Agui – Eu estou com fome, e agora que você já acordou, posso sair daqui.


- Há quanto tempo estou aqui?


- Dois dias – respondeu Lílian, indo abraçar o filho.


         Ele retriubuiu, enquanto ouvia sua mãe cochichar em seu ouvido, sem mais ninguém ouvir:


- Ela é pra namorar, viu? – e jogou a cabeça para trás e riu, quando viu as sobrancelhas do filho erguida, em surpresa.


         Harry viu Gina, Hermione e Agui saírem, enquanto seu padrinho e seus pais acenavam um “tchau”.


         Nick se aproximou, com Jake e Rony logo em seus encalços. Jake e Rony pareciam constrangidos.


- Hei! Foi mal aí, cara... – começou Rony.


         Mas Harry só sorriu.


- Tudo bem, Ron, não espero que você entenda – brincou.


- Ei! – mas se conformou.


- E desculpa pelo soco, cara – pediu Jake – Mas se fizer minha irmã sofrer de novo...


         E bateu com o punho fechado na palma da outra mão. Harry riu, e disse:


- Tudo bem.


         Parando um pouco para pensar, se lembrou de outra coisa.


- Jake, você pode combinar com todos de nos encontrarmos na Sala Precisa daqui a meia hora? – perguntou.


         Ele mostrou-se confuso, mas acenou com a cabeça.


- Bom, nos vemos lá – falou Nick, sorrindo e saindo com os outros dois.


         Foram vários minutos de insistencia com Madame Pomfrey para ela dar alta para Harry, mas ele conseguiu.


         Então, antes, passou em seu dormitório, pegando o diário de Godric e Rowena e se encaminhou para a Sala Precisa.


         Enquanto caminhava, pensava em como poderia contar que era o Herdeiro, porque não seria muito agradável ser direto.


“Então, chamei vocês aqui pra dizer que sou o Herdeiro, ah, sim, sabe, né? Aquela da lenda e tals.” É, seria muito divertido...


         Quando se deu cona, já estava em frente a Sala, onde seus amigos o esperavam em frente a tapeçaria do Barnabás, porque não sabiam que sala o amigo iam imaginar.


- Oi, gente – disse ofegante, tinha corrido por todo o castelo.


         Agui deixou ele apoiar-se nela.


- Sabe, não devia correr pelo castelo, Harry, ainda está fraco.


- Não... – pegou um pouco de ar – Tudo bem.


         Passou três vezes em frente a parede, imaginando um elevador – ele achava melhor seguir a dica de Godric – que levasse até o vigéssimo.


- Vamos.


         Viu a cara de espanto de Mione quando entraram no espaçoso elevador.


- Não existe tecnologia em Hogwarts – falou, fascinada.


- Bom, a Sala Precisa será sempre a Sala Precisa – disse Jake, maroto, como se isso falasse tudo.


         Gina riu.


         Quando as portas do elevador se abriram, se viram em frente aquela mesma porta ornamentada de rubis, safiras, esmeraldas e topázios que Harry tinha visto antes.


         Abrindo a porta, virão o “Salão dos Fundadores”.


- Uau! – exclamou Gina – Esse lugar é bem grande, não?


- Onde estamos, exatamente? – perguntou Mione, olhando para Harry.


         Mas perdeu sua curiosidade ao ver os quadros que Harry olhava.


         Todos os adolescentes aproximaram-se, e viram, curiosos, os quatro fundadores de Hogwarts.


         Godric fez uma profunda e teatral reverência.


- Senhores – disse em tom grave – Senhoritas.


         E acrescentou em tom mais animado.


- Oi H.H! – e sorriu para Harry.


- Você sabia desse lugar e nunca me mostrou? – o tom de Rony era magoado.


- Descobri no dia que Agui deu um piti no Salão Comunal, a noite, sabe – contou, distraído.


- Já pedi desculpas – disse chorosa.


- Já te desculpei, Agui, não se preocupe – falou abraçando a amiga pelos ombros, que corou.


         Gina revirou os olhos e murmurou algo parecido com um “como cora...”.


- Mas, então, como descobriu essa sala? – perguntou Jake, cutucando um objeto prateado que se mexia para lá e para cá.


- Através do diário que meus pais deram para mim no meu aniversário – respondeu, sorrindo.


         Rowena lançou um sorriso discreto a Harry.


- Então, meu ancestral ainda não contou a vocês sobre seu segredo – falou, numa voz baixa e segura.


         Harry corou.


- Que segredo? – perguntou Hermione mal se contendo.


         O moreno suspirou, antes de, pegando sua varinha, conjurar um livro que tinha ganhado de Nick no seu aniversário. Parecia tão ridiculamente fácil conjurar e transfigurar coisas agora, que era o Escolhido.


- Sentem-se – pediu, indicando os vários sofás.


         Quando todos já estavam sentados, ele citou o que estava escrito no livro:


“A mil anos existiam quatro jovens e poderosos bruxos: Godric Griffindor, Rowena Ravenclaw, Helga Hufflepuff e Salazar Slytherin. Juntos fundaram a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, onde ensinariam a jovens bruxos como controlar e usar a magia.


“Com o passar dos anos, os quatro fundadores ficaram preocupados com sua magia. Juntos fizeram um ritual mágico, criado por eles mesmos. Juntaram seus poderes em um objeto, desconhecido até hoje. Mas eles tinham medo que alguém roubasse seus poderes. Então Rowena deu a idéia de criarem três espelhos.


“Coeur, Esprit e Âme foram os três espelhos. Coeur era o espelho dos desejos, mostrava o que seu coração mais queria. Esprit era o espelho dos medos, mostrava o que sua mente mais temia. E Âme era o espelho das essências, mostrava a alma das pessoas.


“Somente quem conseguisse juntar os três espelhos e tivesse coração, mente e alma boa seria o que poderia ter os poderes, conhecidos como Magia Branca.


“Muitos procuraram, muitos juntaram os espelhos, mas nenhum tinha as coisas necessárias para possuir tal magia.”


“Muitas pessoas tentaram possuir a Magia Branca, mas nenhum pessoa tinha o coração bom, mente limpa e alma boa para seu portadora de tal poder.


“Somente uma pessoa poderia conseguir. O Herdeiro. Ele seria alguém que teria as coisas necessárias. Seria, de certa forma, facilmente identificável. O Herdeiro deve possuir uma característica de cada fundador, seja física ou psicológica.


“O Herdeiro juntaria os três espelhos, Coeur, Esprit e Âme, e quando olhasse nele saberia onde encontrar o objeto que guarda o poder dos quatro fundadores.


“A pessoa que tivesse essa Magia Branca, o Herdeiro somente, teria um destino. Ela seria a responsável por acabar com as Trevas.


“O Herdeiro teria que usar a Magia para o Bem e acabar com as Trevas, caso contrário o poder se extingue.”


         Fechou o livro com um baque, e com um aceno de varinha o fez sumir.


         Não ficou surpreso ao ver que Hermione tinha sido a primeira a deduzir tudo.


- Você é o Herdeiro! – não era uma pergunta.


         Diante dos olhares, falou:


- Nos primeiros dias que chegamos a Hogwarts, Rowena, Godric, Helga e Salazar invadiram meus sonhos e me contaram. Desde então, vinha lendo o diário procurando a localização da sala que eles tinham mandado eu me encontrar com ele – contou Harry – Mas tinha uma ordem certa para ler o diário de G e R, entretanto, descobri a poucos dias.


         Agui abraçou sua cintura – Harry pensou em como estava voltando aos velhos tempos que ela se sentia a vontade de tudo, ou será que eram novos tempos?


- Como se sente com isso? – perguntou, parecendo a beira das lágrimas.


- Sinceramente, péssimo. Eu já entendi tudo. Tenho que derrotar Voldemort e os Comensais, assim, derroto as Trevas – e depois completou irônico – Mas é claro que será fácil.


- Estaremos com você – apoiou Rony, colocando a mão em seu ombro.


- Sei que sim – concordou o moreno.


         Jake riu, maroto.


- Você pode ser ocludo, retardado, magricela, cabeça-dura e ter uma testa rachada, mas iremos te ajudar mesmo assim.


         Harry não pôde conter um sorrisinho.


- Assim que você me elogia, valeu, cara – e fez o positivo com o polegar.


         Ouviu a risada dos seus amigos e dos fundadores, e conformou-se que tudo ficaria bem – por um tempo.

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