Único parte 2



 


 Hermione foi tirada da leitura pelo som do relógio. Já estava na hora do jantar. Ela pensou em continuar, mas seu estômago avisou que não dava. Decidindo, ela se levantou para colocar o livro no lugar, mas mudou de ideia. E se alguém o pegasse ou mudasse de lugar? Como o livro estava sem etiqueta da biblioteca, o que queria dizer que ela não precisava informar a bibliotecária, ela o colocou embaixo da blusa e saiu do lugar.


Hermione correu até o quarto e o guardou embaixo da cama. Depois seguiu para o salão comunal.


--- Mione! --- Exclamou Harry quando a viu. A morena parou um momento pensando e se sentou do lado de Rony e de frente para Simas. Harry estranhou a escolha. --- Onde você estava?


--- Eu estava na biblioteca. --- Ela respondeu preparando seu prato, evitando olhar para o amigo.


--- Ah... Eu pensei que você fosse me explicar aquele teorema de transfiguração.


--- Eu esqueci. --- Hermione respondeu, olhando friamente para o amigo. Ele só a queria por causa de estudos? Por que ela estava apaixonada por ele mesmo?


Rony percebeu o clima tenso e tentou puxar assunto:


--- Como foi o livro que você estava lendo Mione?


--- Livro? Desde  quando você procurar saber do que eu leio? --- A garota disse. --- Não precisa tentar aliviar a situação Ronald.


--- Ok... --- Rony fez um gesto de rendição.


--- Olá Harry! --- Louise se aproximou da mesa da Grifinória e deu um beijo no rosto do garoto, se sentando ao lado dele.


--- Ah, oi Louise. Eu acho que você não pode se sentar aqui...


--- Claro que posso Harry! Não há regras quanto a isso. Além do que, eu sou a sua namorada. --- A garota sorriu.


Hermione respirou fundo e colocou os talheres sobre a mesa.


--- Aonde vai Hermione? --- Perguntou Harry surpreso quando a viu levantar, sem terminar o jantar.


--- Descobri que estou com sono. Boa noite Rony.


 


 Eu realmente achei que poderia impedir o meu noivado? Como era tola.


Não que meu pai tenha me sacudido e obrigado a acordar. Fui levada aos meus aposentos e Rowena ficou comigo. É claro que ela sabia da farsa, e me ajudou. Antes de me deixar sozinha para dormir, ela me entregou uma nota.


 


Não se preocupe. Daremos um jeito.


Te amo, Connor.


 


Como daríamos um jeito? Meu pai morreria antes de permitir uma união nossa.


Na manhã seguinte, todos perguntaram se me sentia bem. No café da manhã Claudius se sentou ao meu lado, e ficou claro que não foi preciso a minha presença para o pedido de casamento. Connor e seu pai chegaram mais tarde. Os dois pareciam sérios e Connor deu um breve olhar para mim antes de se sentar.


Quando acabei de comer o pouco que consegui, Claudius me convidou para um passeio no jardim, e pelo olhar severo que meu pai me deu, não pude negar.


--- Estou contente de que esteja se sentindo melhor Cordelya.


--- Obrigada Sr Malfoy.


--- Creio que já pode me chamar de Claudius, afinal estamos noivos. --- Ele me disse sorrindo.


--- Eu.... Porque não esperaram até eu me recuperar? --- Perguntei de repente.


--- Como assim?


--- O pedido de casamento aconteceu sem minha presença. Não crê que foi algo precipitado?


--- Precipitado? Cordelya, o pedido no baile foi uma questão de formalidade. O pedido já estava feito e aceito muito antes. --- Ele disse sério. Quase assustador.


A nossa conversa não continuou por que Selene apareceu dizendo que Helga pedia minha presença.


 


--- Senhora Hufflepuff? --- Chamei quando entrei. A estufa estava vazia. Já estava decidida a ir embora, quando senti alguém nas minhas costas. Antes que conseguisse gritar, uma mão combriu minha boca.


--- Ssshhhh. Quer que nos descubram?


--- Connor! --- Ele me soltou e pude ficar de frente para ele. Suas mãos se apoiaram em minha cintura.


--- Cordelya! --- Ele brincou. Depois me beijou. Foi aí que descobri porque beijos desse tipo só eram permitidos depois do casamento. Ninguém pode culpar uma pessoa por se colocar em situações difíceis por causa disso. Eu poderia ter passado a vida toda desse modo. --- Me desculpe, não pude resistir


--- Alguém pode entrar... --- Sussurrei, sem desviar de seus olhos.


--- Ninguém vai aparecer, já que Helga está de olho, mas vou me comportar. --- Ele me puxou pela mão e nos sentamos em umas cadeiras no canto. Nós ficamos um tempo nos olhando até ele voltar a falar. --- Eu quase corri até você quando desmaiou ontem.


--- Não sabia que era uma farsa?


--- Sabia, mas isso não impediu o aperto no peito. Eu não saberia o que fazer se algo acontecesse com você. --- Eu não pude não pensar que ele ficou três anos sem aparecer. Eu poderia ter morrido, e ele não saberia.


--- Cordelya?


--- Sim.


--- Algum dia vai me perdoar por não ter voltado? --- Ele tinha um olhar angustiado.


--- É só não ir nunca mais. --- Respondi. --- O que vamos fazer Connor? Estou noiva de Claudius Malfoy.


--- Não por muito tempo. Malfoy terá que fazer uma viagem essa semana, e junto com meu pai falarei com o seu.


--- Seu pai já sabe de nós dois?


--- Falei com ele ontem à noite. Ele disse que já desconfiava e acha que vai ser uma verdadeira batalha com Salazar.


--- Isso é verdade. Meu pai não vai concordar...


--- De um jeito ou de outro você vai ser a minha esposa.


 


O plano inicial era um pedido formal a meu pai, na presença de Connor eGodric. Rowena serviria de apoio para convencer meu pai. Levando em conta o meu noivado com Claudius as coisas podiam se complicar, principalmente se meu outro pretendente fosse de classe inferior, mas Connor como filho de um dos fundadores de Hogwarts estava em boa situação. Mas eu sabia que o principal empecilho para Connor era seu pai. Por mais amigos que Godric e Salazar tenham sido, a raiva está presente em meu pai. Ele não entregaria sua filha a um Griffyndor, mesmo que ele fosse o melhor homem no mundo.


 A importante conversa ficou marcada para o dia seguinte à partida de Claudius, e quando isso aconteceu, eu fiquei circulando pelo quarto, ansiosa por notícias. Do meu casamento ou meu funeral.


Estive certa da minha morte no momento em que Salazar Slynterin entrou pela porta.


--- Como ousa sua menina insolente! Tramar pelas minhas costas! --- Eu tentei me afastar, mas ele me segurou pelo braço e me deu um tapa. Eu caí sentada na cama, com uma mão no local que ardia.


--- O que pensou? Que eu seria tolo e diria sim às investidas daquele sedutor barato!?! Você vai fazer exatamente o que eu mandar!


--- Mas papai...


--- Nem mais nem menos! Você vai ficar acompanhada todo o tempo, e não vai ser Selene. E assim que Claudius voltar, vão se casar!


Ele saiu, batendo a porta com força. E eu fiquei lá. Desesperada com o meu destino.


 


 


Os dias seguintes foram uma verdadeira tortura. Eu sempre estava com a senhora Climb por perto. Ela era uma das responsáveis pelas jovens do castelo, mas normalmente só a víamos nas refeições ou na hora de se recolher. Selene podia andar comigo, mas não era a mesma coisa. Não podíamos fazer nada com os olhos atentos e repressores da senhora Climb sobre nós. Quanto ao resto, tudo parecia pior.


Meu pai estava sempre carrancudo e não falava com nenhum dos fundadores. Para ele todos tinham feito um complô contra ele. Eu estava proibida de ter aulas com qualquer um além dele, e era só Connor aparecer no mesmo aposento para eu ser tirada de lá. Como as coisas podiam melhorar?


Foi uma tempestade que deu início aos eventos que decidiriam a minha vida.


No dia seguinte Claudius estaria de volta e os sinais de tempestade já estavam no ar, talvez um prelúdio de minhas emoções, quando fui chamada para experimentar o vestido de noiva que havia chegado. Acha que eu escolhi o vestido? Não. Parece que além da minha presença na cerimônia, eu não tinha nenhuma importância.


A vestimenta em si não era feia, o vestido seria encantador em outras circunstâncias, mas ele parecia uma camisa de força sobre mim. Me vi ali vestida de azul claro, sabendo que estava diante de um casamento infeliz e eterno, enquanto a minha felicidade estava no mesmo castelo que eu, foi demais pra mim. Não parei para pensar no que as pessoas pensaram quando me viram sair correndo do castelo, vestida de noiva ou que meu pai me mataria quando me encontrasse. Eu só queria sair dali.


A única coisa que eu pensava era que deveria ter fugido com Connor, em vez de tentar conversar com meu pai. Eu sempre soube que ele jamais faria algo por mim. Eu era apenas um negócio.


Eu estava na Floresta Negra quando a chuva começou. Apesar de ser dia, o lugar parecia cada vez mais escuro. Quando fiquei cansada e completamente molhada, percebi a loucura que estava fazendo. Eu acabaria morta e sem ter tido a oportunidade de me despedir de Connor. Mas florestas são traiçoeiras e aquela não era exceção. A tempestade apagava minhas pegadas e acabei perdida e me amaldiçoando por ter me deixado levar.


Por que não segui correndo pela estrada, em vez de entrar na floresta?


 


Depois de andar e andar, com a chuva apenas aumentando, eu acabei me deixando cair encosta em uma árvore e ficar lá. A floresta era assustadora, e a única coisa que me acalmava um pouco era saber que por causa da tempestade eu era a única coisa tola o suficiente para estar desabrigada.


O frio era tanto que não conseguia parar de tremer e pareceu dias, pelo menos em minha cabeça, até que alguém aparecesse.


--- Cordelya! --- Ouvi ao longe. A voz me pareceu familiar, mas eu não conseguia mais abrir os olhos.


--- Cordelya! --- Ouvi agora bem perto de mim. E reconheci a voz, era Connor. --- Cordy.


Me senti ser afastada da árvore e abri os olhos para ver Connor todo molhado à minha frente.


--- Cordy? Você está bem? ---- Ele passou a mão em meu rosto. --- Que pergunta tola, claro que você não está bem! Está quente...


--- Connor...


--- Por que veio para cá nesta chuva?!? ----- Ele estava nervoso. --- Vou tirar você daqui!


Ele me carregou e encostei a cabeça em seu ombro. Havia uma luz na frente, uma forma de guia para o caminho de volta.


Não tenho nítidas lembranças do percurso, mas lembro exatamente do que senti. Aquele frio, como se milhares de facas estivessem me perfurando. Lembro do mínimo calor que o corpo dele conseguia me passar, de seus braços ao meu redor e de sua voz, sussurrando que me amava e que eu ficaria bem.


Quando voltei a mim, estava deitada em minha cama e Rowena estava passando um pano molhado em minha testa.


--- Olá Cordelya, como está se sentindo?


--- Me sinto meio tonta... --- Disse ao tentar me sentar.


--- Cuidado, você está ardendo em febre. E com aquela chuva, era de se esperar.


--- Há quanto tempo...


--- Faz dois dias que aconteceu. Sua saída desesperada provocou uma grande confusão no castelo, ninguém conseguia achá-la. Se não fosse pelo jovem Griffyndor...


--- Eu lembro do Connor me encontrando. Onde ele está


--- Ele está bem, querida. Apesar de seu pai.


--- Como assim?


--- Ele culpou Connor de seu sumiço.


--- Ele não fez nada. A culpa foi minha. --- Expliquei a ela.


--- Eu sei querida, mas seu pai pretende fazer qualquer coisa que coloque Connor Griffyndor longe de você. --- Ela me passou um copo com água e depois me ajudou a deitar. --- Seu pai veio mais cedo vê-la. Deve aparecer aqui no final da tarde.


--- Achei que ele fosse me trancar nas masmorras para morrer de pneumonia. --- Eu disse irônica.


--- Salazar não é a pessoa mais fácil do mundo, mas ele te adora. Ficou muito preocupado com você.


Não respondi a esse comentário. O que poderia dizer? Eu não era a maior fã de Salazar Slynterin naquele momento.


 


Três dias após eu acordar, os efeitos da chuva ainda perduravam. Eu já conseguia me levantar, mas a febre permanecia. Quando eu vi o meu pai após o evento da floresta, ele estava calmo, eu diria até sereno. Ele perguntou pela minha saúde e disse que eu deveria permanecer no quarto até estar totalmente estabelecida.


Foi um espanto vê-lo assim. Eu esperava que ele fosse gritar, eu pelo menos mostrar certo desprezo pela minha atitude, mas não. Era como seu tivesse sofrido um acidente sem ter nenhuma culpa. E ele realmente não me culpou por aquilo. Culpou ao Connor.


 


Fazia quase dois dias que Rowena não aparecia em meu quarto. Todas as refeições ou poções eram trazidos pela senhora Climb. Havia alguma coisa errada. Não havia noticias nem de Selene ou muito menos de Connor. Meu pai era outro que não apareceu e eu sabia que ele tinha alguma coisa haver com o desaparecimento de todos.


Já estava anoitecendo quando decidi sair do quarto. Era hora do jantar, mas os corredores estavam vazios. Me lembrei que todos deveriam ter ido às festividades na vila mais próxima, que deveria ocorrer por esses dias. Me dirigi para a sala de meu pai. Quando ia bater na porta, para anunciar minha presença, ouvi Claudius e meu pai conversando. Sabia que não deveria fazer isso, mas algo me dizia que deveria escutar.


--- Tem certeza que esta é a melhor opção? --- Dizia Claudius.


--- É claro que sim Malfoy! Se não fizermos isso, Griffyndor jamais deixará minha filha em paz. Não viu o que aconteceu? Ela quase morreu por causa dele!


--- Mas um duelo? Não que eu esteja me acovardando, mas duelos podem ser fatais, e nem sempre para o lado certo.


--- Acha que não pensei nisso? Está tudo providenciado. É costume da família de Godric beber um hidromel especial, que está na família há gerações. É como um brinde de sorte ao duelista. Um dos servos que tem acesso a adega, vai colocar a poção na garrafa. Não é nada sério, mas vai deixar o nosso Griffyndor bem leve. Tão leve que não vai se concentrar no duelo e estará morto.


Esta foi a pior lembrança que pude ter de meu pai. Ouvi-lo falar do assassinato de meu melhor amigo, como se estivesse falando de um desconhecido. Por Merlim! Ele tinha visto Connor nascer, como podia ser tão frio e calculista?


Fui pega de surpresa pelo aparecimento de um criado no corredor.


--- Srta Slynterin?


Os dois homens dentro da sala devem ter escutado, porque ouvi passos em direção da porta. Se eles me encontrassem, não poderia avisar a ninguém sobre a armação. Saí  correndo, e pude ouvir meu pai gritando meu nome. Eu sabia que eles me alcançariam rápido. Segui para fora, em direção às estufas, torcendo para que Helga estivesse lá.


--- Helga! Helga! --- Bati na porta desesperada. As vozes estavam cada vez mais próximas.


De repente a mulher apareceu na porta e a empurrei para dentro, fechando a porta atrás de mim.


--- Cordelya! Você deveria estar...


--- Não há tempo! ---- Interrompi. --- Você tem que avisar ao Connor!


--- O que...


--- Avise a ele! O duelo é uma armadilha! O hidromel vai estar envenenado, ele não pode beber o hidromel!


--- Cordelya! --- A voz de meu pai chegou às estufas.


--- Prometa que vai dizer! --- Sussurrei a ela. 


A porta foi aberta e meu pai apareceu com Claudius e mais dois homens.


--- Desculpe a minha filha Helga, ela devia ter ficado em seu quarto. Esse vento noturno só a deixa pior. --- Ele disse me chamando com a mão. --- Vamos Cordelya, você tem que descansar.


--- Eu não vou a lugar algum com você.


--- Cordelya ... --- Claudius começou.


--- Me deixem em paz! ---- Tentei correr para a outra porta da estufa, mas me alcançaram. ---- Me soltem!


--- Salazar... --- Disse Helga aparentemente assustada.


--- Não se preocupe Helga. Espero que ela não tenha dito nenhuma besteira a você.


--- Não. Acho que ela realmente precisa descansar. --- Helga lhe disse. Ela me olhou com pena. E as minhas esperanças de impedir um assassinato se foram.


 


Quando fui literalmente jogada em meu quarto, gritei por ajuda. Não era possível que eu não conseguiria fazer nada para impedir. No fim da manhã seguinte, meu pai me encontrou sentada no chão encarando o nada.


--- Está acabado. --- Ele me disse. Nunca senti uma dor pior do que aquela que senti quando ele disse aquilo. Fechei os olhos e tentei respirar. --- Agora levante desse chão imundo e se arrume para cumprimentar seu noivo.


--- Eu odeio você. --- Sussurrei olhando para ele. --- Odeio a tudo que você representa.


--- Levante e se prepare, volto em uma hora. --- Ele mandou se voltando para a porta.


--- Você vai me matar como matou a mamãe. --- Sussurrei, escondendo o rosto entre os braços.


Não parei para ver se ele tinha escutado a minha afirmação. E mesmo que tivesse, duvido que ele tenha se sensibilizado. Sempre achei que tivesse uma pedra no lugar do coração.


Foi naquela mesma posição que Rowena me encontrou algumas horas depois.


--- Cordelya! --- Se ajoelhou ao meu lado. Eu olhei apática para ela e toda a força que fiz para não chorar se foi.


--- Ah Rowena.... --- Me apoiei nela,soluçando. --- O Connor... Connor...


--- Calma querida. Tudo vai ficar bem... --- Senti a mão dela alisar meu cabelo.


--- Não vai. Eu não vou conseguir...


--- Cordelya, olha pra mim. --- Rowena me fez levantar a cabeça. --- E se eu te disser que Helga fez o que você pediu?


--- O que? --- Me sentei espantada. --- Ela... Ela avisou ao Connor?


--- Sim. --- Eu ofeguei de alívio. Ele estava vivo! Ele estava realmente vivo! --- Mas meu pai disse que...


--- Tecnicamente ele está certo.


--- Como assim?


--- Nós sabemos que conversar com Salazar está fora de cogitação. Principalmente se ele chegou ao ponto de ... Então tivemos de tomar medidas desesperadas.


Rowena me contou que Helga foi até ela para falar de meu pedido. As duas foram até Godric e Connor e contaram tudo. A primeira atitude de Godric era ir atrás do meu pai, mas uma briga entre eles seria uma catástrofe levando em conta seus poderes. E pela felicidade do filho, Godric decidiu armar um plano.


Ficou acertado que Connor agiria como se tivesse tomado o hidromel, e na hora do duelo, logo quando Claudius começasse com um feitiço simples, Connor seria jogado ao longe e fingiria ter batido a cabeça com tal força que ficaria morto. Feitiços de proteção contra impactos e sangue de mentira seriam utilizados para que tudo ocorresse certo.


Pode se perguntar porque não matar Claudius, que com certeza é mais fraco que Connor? Mesmo com a morte de meu noivo, meu pai ainda seria um empecilho. Com a “morte” de Connor, metade do plano estaria em prática. Ficaria faltando a minha parte.


Eu tomaria uma série de poções que me deixariam aparentemente doente, como se tivesse piorado. Então em uma semana eu tomaria uma poção, conhecida apenas por Helga, que me faria parecer morta. E logo após ser colocada no mausoléu da família, eles me tirariam de lá, e eu e Connor iríamos embora.


Fingir minha própria morte não me deixava animada, mas eu faria qualquer coisa para poder ficar com Connor para sempre.


 


 Hermione acordou tarde na manhã seguinte. Era domingo e havia a visita a Hogsmeade, a qual ela não iria. Como já tinha acabado o horário do café da manhã, ela decidiu ir até a cozinha pegar alguma coisa para comer. No meio do caminho, ela encontrou Harry, que devia ter esquecido alguma coisa no salão comunal.


--- Hermione! --- Ele se aproximou sorrindo. Ele não podia aparecer sério? Por que tinha que ficar sorrindo desse jeito pra ela? --- Eu estava atrás de você.


--- Eu estava dormindo. --- Respondeu.


--- O Rony disse que não sabia se você ia pra Hogsmeade com a gente. Normalmente você está sempre pronta antes da nós.


--- Eu não estou muito afim hoje.


--- Mione... --- Ele a olhou sério de repente. --- Tem alguma coisa errada?


--- Não. Por que pensa isso?


--- Aí! Está de novo!


--- Está de novo o que?


--- Esse... Tom de voz. Como se estivesse me culpando de não saber de alguma coisa.


--- Você está enlouquecendo Harry, não há nada errado. --- Ela começou a andar na direção da cozinha, tentando se livrar dele.


--- Claro, e a forma como o Rony vem olhando pra mim também é loucura minha! --- Ele disse a seguindo.


--- Eu não duvido...


--- Eu já sei qual é o problema! --- Ele falou de repente.


--- E qual é? --- A morena parou e se virei para ele. Ela estava cansada de tentar fugir da situação. Se ele queria assim, então pronto.


--- Você terminou com o Russel. --- Só podia ser brincadeira! O Russel? Tudo bem que o rapaz da Corvinal ficou se aproximando dela, e até a pediu em namoro, mas nunca tiveram nada.


--- Pra sua informação Harry James Potter, eu não terminei com Russel, pelo simples fato de que nunca começamos nada!


--- Você quer que eu acredite nisso? --- Ele perguntou irônico.


--- Acredite no que você quiser! --- E ela se voltou para a direção da cozinha.


--- Então realmente você e o Russel não tiveram nada? --- Ele perguntou interessado. Foi impressão dela, ou o Harry parecia contente? Deve ter sido impressão dela.


Hermione deu o seu melhor olhar “Draco Malfoy” de ódio e seguiu seu caminho.


 


 Meu pai esteve de noite em meu quarto, para que eu comparecesse ao jantar cerimonial pela “morte” de Connor. Como ele podia ser tão frio? Agir como se não tivesse tido nada a ver com o que aconteceu?


Foi com esse sentimento de repugnância pelo homem que me criou, que eu lhe disse da forma mais fria possível que não me sentia bem para isso. Ele ainda teve a coragem de me perguntar se me sentia bem!


Na manhã seguinte quando uma das criadas veio o meu quarto, me encontrou ardendo em febre. Pode pensar que devo ter sido uma ótima atriz durante a longa semana que se passou. As poções de Helga e Rowena não me deixavam tão doente quanto parecia, mas o mal estar estava lá o tempo todo. A dor era um preço a se pagar pela felicidade.


Na noite anterior à minha “morte”, Rowena veio me ver e entregar a substância que me colocaria adormecida. Os sintomas me fariam parecer morta. Antes de a tomar, pensei em escrever uma carta ao meu pai ou ao meu irmão que de nada sabia dos últimos acontecimentos. Mas não fiz isso. Deixei apenas um bilhete para cada um.


Para meu irmão Henry, lhe disse o quanto tinha saudades dele e o quanto queria que fosse feliz. Sei que ele acabaria fazendo exatamente o que meu pai dissesse, mas ele sempre se contentou com muito menos do que eu.


Quanto ao meu pai... O que poderia dizer? Que o amava muito? Não tinha tanta certeza disso.


Ele era o meu pai... O que acabei dizendo, e essas palavras eu nunca esqueci, foi:


 


Eu queria que as coisas tivessem sido diferentes.


Mas quem pode viver sem o coração?


 


Adormeci algum tempo depois de tomar a poção. Tudo que sei entre este momento e quando acordei foi através de Connor. A criada me encontrou de manhã e ao não conseguir me acordar, chamou desesperada por ajuda. Foi Helga que identificou a minha morte.


Meu irmão foi avisado e trazido imediatamente da cidade para Hogwarts. Algumas pessoas disseram que meu pai pareceu abalado pela notícia, outros que não. Eu realmente nunca tive certeza. Só o que meu tolo coração me dizia.


Felizmente a maior parte das pessoas que vieram ao funeral de Connor, ainda estavam por perto para o meu. Aparentemente as pessoas nunca associaram as nossas “mortes”. Para eles foi um golpe do destino sobre Hogwarts e seus fundadores, alguns chegaram a dizer que a briga entre eles foi tanta, que os filhos foram as vítimas.


Quando acordei na madrugada seguinte, lembro da confusão em minha cabeça, aquele lugar escuro e úmido. E lá estava ele. Connor.


Havia uma tocha que iluminava tudo, e ele estava sentado ao meu lado e sorria.


--- Cordy.


Sentei ainda meio tonta, e o abracei apertado. Era tão bom estar assim com ele.


Nós saímos logo daquele lugar frio. Havia um cavalo escondido entre as árvores ao fundo do mausoléu da minha família.


--- Tenho algo para te entregar. --- Connor me disse, enquanto estávamos no cavalo.


--- O que?


Ele me entregou o colar da minha mãe. Aquele com os dizeres O Coração é a chave para a felicidade. Aquele que havia lhe dado há três anos trás. Eu o segurei contra o peito, e ali, naquele cavalo, rumo a um lugar desconhecido, mas com Connor, sabia que a minha mãe estava certa.


 


O que posso falar do futuro depois disso?


Nós seguimos para uma vila nos limites do país, onde nos casamos. Não usamos os nossos sobrenomes verdadeiros, na verdade jamais voltamos a usá-lo. Depois disso, fomos para Gales, onde moramos até hoje.


Connor acabou virando pupilo de um curandeiro da região e depois assumiu seu lugar. Na maior parte do tempo o ajudo, ou ensino as garotas da vila. Tivemos quatro filhos: Damon, Dylan, Anise e a mais nova Aileen. A última tem a mesma idade com a qual fugi com Connor. Mas sei que ela nunca terá que fazer o que eu fiz para ser feliz.


Quanto à minha vida antiga, as últimas coisas que soube deles, foi há muito tempo. Soube que Selene acabou se casando com Claudius um mês depois da minha morte, ela nunca soube da verdade. Não senti raiva ou mágoa, ela sempre foi melhor para essa vida do que eu. Helga, Rowena e Godric continuaram tomando conta da escola por muito tempo, em momentos diferentes, todos os três nos fizeram uma visita. Rowena mais que uma e a última vez que vi Godric foi antes de ele ficar doente e morrer. Aileen tinha 6 anos. A mãe de Connor nunca soube da verdade. Godric e Connor chegaram a conclusão que para ela não tinha importância. Quanto ao meu irmão Henry, ele terminou seus estudos em Hogwarts e se mudou para a corte inglesa. Soube que se tornou um homem renomado por lá e casou com a filha de um duque.


Sobre Salazar Slynterin pouco sei. Ele abandonou Hogwarts dois meses após a minha morte. Os boatos dizem que foi a briga pela escolha dos ingressos na escola, já Rowena e Connor dizem que foi a dor de estar em um lugar que lembrava tanto a filha que ele perdeu.


Eu sinceramente gosto de concordar com eles. De um modo até egoísta gosto de pensar que ele sentiu minha falta, tanto quanto senti a dele.


 


 


Nesses últimos tempos, tenho visto as coisas acontecendo e me lembrei dessa história. Faz alguns anos desde que a contei pela última vez a Aileen. E imagino como deve estar o castelo, grandioso e cheio de alunos, o lago e a floresta negra. Posso sentir aquele vento fresco no rosto e o cheiro de terra da estufa da Helga. Eu queria que meus filhos tivessem a chance de estudar lá. Mas sei que por enquanto isso não é possível. Mas quem sabe as nossas gerações futuras tenham essa chance?


Eu escrevo para eles, e para todos aqueles que tiverem a chance de andar pelos mesmos corredores que andei. Para que eles conheçam uma das tantas histórias que vagueiam por essas pedras.


E espero que ao fecharem esse diário, percebam que serviu para algo. Seja para passar o tempo ou tomar uma decisão importante. E se posso dizer algo que aprendi com a minha vida é que vale a pena correr os riscos e enfrentar o mundo se isso for te trazer a felicidade.


 


Por sangue Slynterin, por casamento Griffyndor.


Mas termino assinando como faço há 35 anos,


 


Cordelya Potter.


 


 


Hermione enxugou as lágrimas que caíram sem perceber. Por mais que a história tenha acontecido há 1000 anos, e a garota acreditava que fosse verdade, ela estava feliz por Cordelya. Não havia como não torcer para aquele casal. Uma história que mostrava o lado pessoal de uma época que é estudada nos livros e ainda havia estes fatos surpreendentes. Salazar Slynterin tinha tido uma filha, da qual nunca se havia falado. Uma filha que se casou com o filho de Godric Griffyndor.  Era algo tão... Romeu e Julieta, só que com um final feliz.


E havia o final: Cordelya Potter.


Será que era o mesmo Potter de Harry? Se fosse assim ele seria o herdeiro da Grifinoria e da Sonserina! As duas casas mais opostas de Hogwarts teriam seus herdeiros em uma única pessoa.


Seria coincidência ou o destino quis que esse livro fosse parar nas mãos de exatamente Hermione Granger, a melhor amiga de Harry Potter? E havia o fato de ela estar apaixonada por ele. Talvez fosse um sinal do que ela deveria fazer. Ela tinha que correr os riscos. Mesmo que ela decidisse não dizer nada a Harry, ela não conseguiria levar a vida normalmente.


Tomando uma decisão, Hermione saiu do salão comunal e desceu para o pátio, onde as carruagens de Hogsmeade começaram a chegar. A morena olhava nervosa cada carruagem que chegava sem ver os amigos. Quando a ultima chegou com Neville e alguns meninos da Grifinória, Hermione começou a se preocupar de verdade.


--- Olá garotos, vocês sabem onde estão o Rony e o Harry?


--- Você não soube? Os dois voltaram antes pra Hogwarts. Parece que o Harry sofreu um acidente e...


Hermione não esperou o resto e saiu disparada para a enfermaria. Imagina se o Harry morre sem ela ter dito o que sentia? Se ele morria sem saber por que ela vinha tratando ele de uma forma tão confusa?


Quando chegou ao local, ela nem pensou em bater na porta. E lá estavam os garotos. Rony estava sentado em uma das camas e sorria, e Harry segurava uma bolsa de gelo num canto da testa.


--- Hermi... --- Começou a dizer Harry quando a viu, mas foi interrompido por ela que correu até lá e o abraçou apertado. --- Mione. --- Ele sussurrou enquanto passava a mão em seu cabelo. Rony fez um sinal avisando que estava de saída e deixou os dois amigos sozinhos.


--- Eu estava esperando vocês e o Neville me disse que...


--- Não foi nada demais, é que eu acabei...


Os dois falaram ao mesmo tempo, e se calaram meio envergonhados.


--- Eu me distraí e acabei escorregando no chão congelado. Já passei por tanta coisa, mas fui derrubado por uma coisa estúpida dessas. Não foi nada demais. --- Ele contou sorrindo.


--- Mas podia ter acontecido algo sério. 


--- Se eu soubesse que algo assim te faria falar comigo de novo, eu teria escorregado antes.


--- Eu estava falando com você. --- A garota respondeu, se sentando de frente pra ele.


--- Nós dois sabemos que não. Fazia tempo que eu não via a minha Mione. --- Ele falou olhando nos olhos dela.


--- A sua Mione? --- Ela perguntou.


--- É. A minha Mione. --- O moreno confirmou. --- Como eu sou um idiota... --- Ele disse depois.


--- Por quê?


--- Por não ter percebido antes uma coisa que estava na minha cara. Que eu sou louco por você. Da mesma forma que você é por mim, não é Mione? Por isso essa forma estranha como vem me tratado desde Luisa. Por isso aquela minha alegria boba quando soube de você e do Russel.


--- Você ficou feliz? --- Ela perguntou. Não se focando na parte mais importante da fala dele.


--- Fiquei. --- Ele riu. --- Por que estava nos esperando no pátio? O que era tão importante que tinha que nos ver tão rápido? --- Ele perguntou. Mas parecia que ele já sabia a resposta. Onde havia ido parar aquele garoto do começo da semana?


--- Eu ia... --- Hermione começou a explicar tudo. Exatamente como ela tinha planejado. --- No começo de tudo, eu estava confusa. Não sabia direito o que estava sentindo, o que iria fazer, mas então eu conheci uma pessoa. --- Pela cara que ele fez, ela teve que continuar rápido antes que interpretasse errado. --- O nome dela era Cordelya, e ela se apaixonou por uma pessoa que foi muito amigo dela. Eles passaram por muitas coisas pra ficar juntos e descobri, que se ela pode passar por aquilo, eu posso passar por menos só pra te dizer isso: eu amo você. E estava certo quando disse que eu sou louca por você. E sei que isso pode acabar com o que a gente tem, mas...


--- Acabar com o que a gente tem? --- Harry a interrompeu. --- Você ouviu a parte de você ser louca por mim, mas não quando eu disse que sou louco por você.


--- Você disse isso? --- Ela perguntou surpresa.


--- Fala sério Hermione! Eu estou esperando você pular nos meus braços desde aquela frase. --- Ele terminou rindo.


Então ela se jogou nos braços de Harry, e enquanto se beijavam, Hermione pensou que não havia nada mais perfeito.


 


 Nota acrescentada ao diário de Cordelya Potter, que se encontra na seção de romances da biblioteca de Hogwarts:


 


Muito Obrigada.


                           Hermione Granger.


 


 Fim.


 


 


Informações extras: aquelas que não estão no diário.


 


- Não levo em consideração certos costumes ou tradições da época, até por que isso seria bem complicado. Mas o Reino da Escócia foi criado em 843 e quase 1000 anos depois se tornaria parte do Reino Unido da Grã-Bretanha.


 - Fui avisada pela beta que naquela época as mulheres não casavam de branco. Não coloquei o vermelho como me sugeriu, por que acho uma cor forte demais, por isso coloquei  azul claro. Algo doce e calmo, para uma jovem doce e calma.


- O diário de Cordelya foi escrito em 1041, quando ela tinha 50 anos.


- A idade de seus filhos na época em que escreveu o diário eram:


Damon: 33 anos


Dylan: 27 anos


Anise: 23 anos


Aileen: 16 anos.


- Connor ainda estava vivo, apesar de viver reclamando da coluna, na época que Cordy terminou o diário.


- Os dois continuaram juntos até que Connor morreu aos 122 anos e Cordelya aos 126 anos, levando em consideração que os bruxos vivem mais que os trouxas.


 - O primeiro Potter a ir a Hogwarts foi o primeiro filho de Aileen.


 - Foi a neta de Anise, após a morte do noivo, em seu ultimo ano em Hogwarts, que levou o diário para a biblioteca, com um feitiço que apenas aqueles que precisassem o poderiam ler.


 - Hermione nunca contou a Harry sobre o diário.


 -  Sim. Salazar que se revire no tumulo, mas ele tem um parente em comum com Godric.


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N/A: Essa fic tem um gostinho especial. Talvez pelo tempo que ela ficou guardada na minha cabeça, até colocá-la “no papel”, ou por que todos os fãs de Romeu e Julieta, já pensaram em um final diferente, e é impossível não vê-los nessa fic, ou pelo modo como ela foi escrita. Sem grandes diálogos, ou detalhamento de cenas. Gosto mais das histórias que são contadas. Uma possível influência das “Crônicas de Nárnia”, quem sabe...


No final das contas espero que tenham gostado. Até a próxima! 


 
N/B:Ah, muito fofa essa fic. Claro, não segue os costumes da epóca, tá mais pra século 16, mas a fic tá excelente. E você tem sorte em escrever bem e eu ser sua amiga, porque corrigir isso aqui demorou! Mas valeu a pena. Adorei Connor e Cordy. Complexo de Romeu e Julieta todo mundo tem. A fórmula é infalível. Mas depois eu comento melhor.
Beijinhos e até mais.

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