Coisas que mudam </cen



Cap. 4 – Coisas que mudam

Eles estavam indo em direção a escola dele. Quando já haviam andado 15 quadras, ele finalmente anunciou: - Olha, é aqui. - Hey, posso te fazer uma pergunta? – Ela disse, enquanto eles entravam. - Fale. - Por que você foi expulso? - Hum.. Porque.. - Se você não me contar, eu vou tirar a pior conclusão. – Ela falou, sorrindo para ele. - E qual seria a pior? - Xingar a diretora.. Ser pego no banheiro com uma menina.. - Hey Lily. – Ele falou, sério. – Eu explodi um banheiro, ok? Eu e os meninos, daí a gente veio pra essa, que foi a única que nos aceitou depois daquilo. Eu posso ser galinha, mas eu não sou tão. - Calma, eu tava brincando. – Ela respondeu. - É bom. – Ele disse, como se quisesse finalizar o assunto. Quando eles estavam quase chegando na biblioteca, onde ocorreria a reunião, ele parou ela e continuou. – Depois que eu te peguei naquela festa, eu não fiquei com nenhuma, tá bem? - Tá.. – Ela disse meio desconsertada. - E isso é praticamente um mês, tá bem? - Ok... - Não precisa ficar vermelha, tá bem? - Jay, para. – Ela falou, ficando mais vermelha ainda. - Mamãe, minha melhor amica é um tomati. – Ele falou, imitando voz de criança. - Cala a boca! – Ela falou, rindo e dando um tapa no braço dele. Ele puxou ela para dentro da biblioteca, puxando uma cadeira e se sentando na mesa onde se encontravam outros 5 meninos, incluindo Sirius. Quando eles chegaram, todos ficaram quietos e pararam de rir, como se tivessem ensaiado. - O que foi? – Jay falou, tirando a mochila das costas. - Cada um apostou uma coisa pra você falar com ela antes de entrar na sala, mas falar que não pegou nenhuma e imitar um bebê.. Cara Jay, você nos colocou numa situação.. Para quem vai o dinheiro? – Sirius respondeu. - Para mim. – Lily falou, rindo. – Só eu pra conseguir mudar o Jay. Todos riram e aplaudiram enquanto a garota pegava o dinheiro da mão de Sirius. - Eu sou demais, não? – Ela disse, colocando o dinheiro no bolso da calça. - De todas as nossas amigas, você é a que eu mais gosto Lily. – Sirius falou, rindo. - Own, você me chamou de amiga. – Ela disse, apertando a bochecha dele. – É quase como se você falasse que eu sou a Miss Universo. - Verdade, vindo do Sirius isso ai é como se.. Ele negasse um prato de comida. - Cara, vocês não tem noção, a cozinheira da Lily faz uma comida.. – Ele falou, mudando totalmente o rumo da conversa, e fazendo uma cara estranha enquanto descrevia a comida. - Dude, arruma um quarto. – Jay disse, rindo demais junto dos outros. - VOCÊ COMEU! – Sirius disse, batendo na mesa e se ponto de pé enquanto apontava para Jay. – VOCÊ SABE QUE ERA DIVINA. - Era, verdade. – Ele respondeu querendo que Sirius se acalmasse um pouco. - Gente, e o trabalho? – Um deles falou. – Eu realmente preciso de nota. - Vamos que o nerdão precisa de nota. – Jay repetiu, zoando. No mesmo instante todos ficaram quietos. Se olharam, então um deles disse: - Lilian, o que você acha dos skatistas? Ela sorriu de lado, sem jeito, e pensou por um instante. Sem ter uma resposta formulada, ela começou a falar: - Ah, sei lá.. Eles tem muito estilo, adoro os bonés que eles usam. Quando eles falam, eles gesticulam com a mão de um jeito engraçado e andam do mesmo jeito. - Ok, mas o que você acha deles? - Humm.. Eu acho eles legais, divertidos, gente boa, felizes, alegres... - Você considera eles interessantes? - Sim? – Ela falou sem entender a pergunta. - Você namoraria com um skatista? – Ele insistiu. - Depende. Se eu gostasse dele. – Ela respondeu, rindo. - Tem chance de você gostar de um skatista? - Meu, que tipo de pergunta é essa? – Ela falou, revoltada. - Só responda. - Sei lá, talvez, que seja, sim. – Ela disse, cruzando os braços. - Ok, obrigada por responder nossas perguntas. - De nada. – Ela falou. – Ah, calma, tem mais uma coisa. - Diga. – O mesmo respondeu. - Eles comem muito, então se você é uma cozinheira ruim, não tem problema. Eles parecem comer de tudo. – Ela disse, olhando para Sirius com um sorriso. - Comida? – Ele falou, finalmente prestando atenção na conversa. Lilian somente sorriu para os meninos, que começaram a morrer de rir. Quando todos se acalmaram e eles finalmente começaram a fazer o trabalho, ela sentiu Jay passar a mão pelas costas dela e a puxar para encostar a cabeça no peito dele. Ela encostou a cabeça nele e o abraçou na cintura, quase dormindo. Não era assim tão dificil fazer trabalhos, certo? Depois de passar a tarde fazendo trabalhos, Jay levou Lily até uma sorveteria, com intúito de conpensá-la por ter ajudado eles no trabalho. Ele não só havia se surpreendido como a garota era esperta, mas também em como ela escrevia muito bem. Metade da nota que eles tirassem seria devido a ela. - Dessa vez você não vai me fazer dividir o sorvete com você? – Ela disse quando ele entregou o pote de sorvete para ela. Ele somente riu, balançando a cabeça como se quisesse esquecer de algo que lembrara. Os dois começaram a comer o sorvete em silêncio, somente ouvindo o barulho dos carros passando rápido pela avenida. - Lily? – Ele falou quando o sorvete estava acabando. - Diga. - Me desculpa por hoje a tarde? - Por quê? – Ela falou sem compreender. - Porque, antes da gente entrar na biblioteca, acho que eu fui meio grosso com você.. - Calma. – Ela disse, rindo. – O Sirius me chamando de amigaa e você pedindo desculpas? Cara, vocês sempre me surpreendem. Ele somente olhou para ela, levantando as sobrancelhas como se pedisse que ela parasse. - Desculpa. – Ela falou controlando a risada. – Mas eu te desculpo sim. Nem fiquei mal com isso. - Que bom. – Ele respondeu. - Por quê? - Porque mostra que você não é, assim, chata como as outras meninas. - Ah, eu não sou chata? - Arãn. – Ele disse, lambendo a colher. - E você descobriu isso agora? – Ela falou enquanto ele se levantava para pagar a conta. - Não.. Eu descobri hoje de tarde. – Ele respondeu entregando o dinheiro para a caixa, que não regulou o olhar assanhado para cima dele. - Então quer dizer que você me achava chata. - Não. – Ele falou, se dirigindo para a porta da sorveteria, com Lily na frente. - Quis sim. - Não quis. - Quis sim, eu sei que quis. – Ela disse, revirando os olhos. - Eu vou fazer você ver que eu não quis. – Ele respondeu, começando a correr atrás dela. Lily saiu correndo de Jay pela praça, sabendo que o garoto estava no seu encalço. Mesmo sem entender certo o que tinha a ver a corrida com a discussão que eles estavam tendo, ela tentou fugir dele. Óbviamente, ela não conseguiu. Quando ela havia atingido a parte da praça que tinha grama, Jay pegou e virou-a para encará-lo. Ela continuou andando para trás, de forma que o garoto pegou e passou a perna por trás dela, a fazendo tropeçar e cair junto dele. - Jay! – Ela exclamou batendo nele. – A gente tá no meio da praça, para. - Não paro. – Ele disse, ainda em cima dela e segurando os braços dela de forma que ela não pudesse se defender. – Diz que eu não queria te chamar de chata. - Mas você quis! - Resposta errada. – Ele respondeu, dando um selinho nela. – Quer tentar de novo? - Ok, você não quis. – Ela falou derrotada. - Isso ai, gatinha. – Jay disse, se levantando e estendendo a mão para ela levantar. – Tua roupa tá suja. - Onde?! – Ela disse, tentando olhar as costas. - Aqui. – Ele riu, batendo na bunda dela. - James. – Ela respondeu, girando os olhos. Ele pegou ela pelo braço e começou a andar pela rua com ela. - Sabe que horas são? – Ele perguntou depois de um tempo calados. - Oito e meia. - Humm.. E ai, o que quer fazer? - Não sei. O que você costuma a fazer? - Não sei. O que você costuma a fazer? – Ele repetiu. - Depende. Eu costumava ir na casa das minhas amigas,... Estudar, as vezes. Dormir, comer.. - Quer sair comigo? – Ele falou. - Como assim? Eu já estou saindo com você. - Eu sei. – Ele continuou, pensativo. – Mas agora está oficializado. Agora quando alguém perguntar o que você fez hoje, você diz ‘eu sai com o Jay’. Legal né? E eu posso falar que sai com você. Lilian começou a rir alto, atraindo atenção de todos que passavam por eles. Jay somente continuava andando, olhando para ela, que chorava de tanto rir. - Que foi? – Ele perguntou. - Não sei. – Ela respondeu, parando de rir. – Onde estamos indo? - Para o parquinho. – Ele apontou para a frente. A garota olhou para a frente e reconheceu um parquinho, daqueles onde há rodas gigantes, carroséis e palhaços. Estremeceu ao pensar em palhaços – ela tinha medo. Deixou Jay pegar a mão dela e continuou caminhando. Logo eles chegaram na entrada do circo, Jay tirou o dinheiro da carteira e pagou as entradas. Quando entraram, a primeira coisa que Jay fez foi comprar um grande pacote de pipoca. - Olha, vamos na casa do terror? – Ele disse, apontando. - Vamos. – Ela confirmou, se dirigindo para o brinquedo. Eles entraram. Lilian estava indo na frente (ela não sentia medo dessas coisas, somente de palhaços, vale ressaltar), sem se preocupar, até que ela entrou num cômodo que tinha várias pinturas de palhaço, palhaços esculpidos e quadros. Ela virou para atrás, procurando Jay. - Jay? – Ele havia sumido. Sentiu o medo tomar ela. Pode parecer meio bobo, mas ela tinha horror de palhaços – eles eram seus pesadelos. Ela andou até a próxima porta, mas ela se fechou. Olhou para a outra, com medo demais para se aproximar dela, e ficou paralisada. Uma mão tocou o seu ombro, falando um ‘bu’ em seu ouvido e ela pulou de medo. - AAAAAAAAAAAAH! – Ela falou, se tacando no chão. Ouvindo uma risada familiar, ela olhou para cima. Era Jay. Para completar, ele virou a pipoca cheia de sal na cabeça dela, rindo mais ainda. Bastava para ela. Se levantando num pulo, sem se dar o trabalho nem de tirar o sal e as pipocas da roupa, ela saiu andando forte em direção a saída da casa. Jay foi andando atrás dela, mas não a encontrou. Somente quando saiu do brinquedo, viu ela correndo. Sem acreditar, ele foi correndo atrás dela, no maior gáas (:B). Ela continuou correndo e ele não conseguiu alcançá-la. Somente conseguiu se aproximar dela quando reconheceu que era a rua da casa dela. Viu ela parada abrindo desesperada o portão de casa. Parou de correr e se aproximou silenciosamente dela. - Lily? – Ele falou. - Sai Jay. – Ela respondeu. - Eu não sabia que você tinha medo de palhaço. - Tá legal, tchau. Inutilmente, Lily continuou tentando abrir o portão. Jay pegou delicadamente a mão dela e enfiou a chave dentro, girando para ela. Lily abriu o portão, e quando ia fechá-lo, parou. - Que foi? – Jay disse. – Não vai fechar na minha cara? - Eu.. – Ela começou. - Desculpas? - É... - Por favor? - Eu.. Sem esperar ela responder, ele passou pelo portão e segurou firmemente a cintura dela. Aproximou-a dele enquanto fechava o portão com o pé com habilidade. Ela riu com o barulho e o abraçou também, permitindo que ele a ajudasse a subir a escada de costas (já que ele não a soltou) e abrisse a porta da casa dela. Quando eles entraram na casa, Jay lhe beijou. Enquanto a beijava, foi empurrando-a em direção ao sofá, fazendo Lily cair junto dele. Interrompeu o beijo, sussurando: - Me desculpa? - Eu acho que sim. – Ela respondeu sorrindo. Puxou ele novamente, então ouviu um freio de carro na sua garagem. Ela saltou, sem entender. Era para os pais dela chegarem somente amanhã, e Bob estaria dormindo esse horário. Se soltou de Jay, que também tinha ouvido o freio, e desamassou a roupa. Jay fez o mesmo, se endireitando no sofá. - Lily? – Ele falou. - Oi. – Ela sussurou, se levantando do sofá. - Tem alguma chance do seu pai não me matar? - Olha.. – Ela falou, tentando olhar pela janela se eram mesmo os pais. – Acho que não. - Então o que a gente faz? - Uma macumba das brabas para eles não te verem. - Macumba? – Ele exclamou, sem entender. - Brincadeira, vem aqui. – Ela disse, puxando ele escada acima. Quando entraram no quarto dela, eles ouviram a porta de entrada se abrir, acompanhada de vozes altas. Lilian sabia que não eram os pais dela. Sem entender, ela desceu a escada. Revirou os olhos. Não podia acreditar. - E ai, my friends, vamos sair? – Sirius falou, sorrindo. Sirius, Gabriel e mais 3 meninos estavam parados no hall da casa de Lily, rindo despreocupados. Jay veio descendo a escada logo em seguida, também com cara de confuso. - Como vocês entraram? – Lily perguntou. - A porta e o portão estavam abertos. A gente até ia tocar a campainha, mas vocês provavelmente iam se cagar de medo porque poderiam ser os pais da Lily, e ia ser mais engraçado. – Sirius respondeu. - Viado. – Jay disse, irritado. - Mas então, querem sair? - Não, valeu Sirius. – Lily respondeu. – Tem aula amanhã e pah.. - Ah, ok. – Ele falou, desanimando. – E você Jay? - Não meu, eu vou pra minha casa mesmo. - Ok. Desculpa ai Lily. - Suss Sirius. - Até amanhã? – Ele perguntou, com esperança. - Até amanhã, gato. – Ela respondeu, piscando. Sirius riu e saiu da casa, junto dos outros meninos. Quando ouviram o motor do carro roncar, os dois se olharam. - Então, acho que eu vou indo. – Jay falou. - É... - A não ser que você queira que eu fique. – Ele interrompeu, rindo. - Não sei.. Tem a minha mãe e o meu pai, sabe, eu não sei que horas eles vão chegar.. - Sem problemas. – Ele respondeu, rindo torto. - Quer que eu chame o Bob? Ele pode te levar. - Nomp – Ele disse, fazendo um barulinho com a boca quando pronunciou o ‘p’. - Tem certeza que não vai na festa? – Ela insistiu. - Absoluta. – Jay respondeu, olhando para ela. – Não tem sentido ir sem você. - Por quê? – Ela respondeu. - Porque eu não vou pegar mais nenhuma mesmo. Em vez de rir, Lily se aproximou dele e deu um tapa no braço. Ele se assustou com a força e viu que tinha ficado vermelho. - Melhor eu ir antes que você começe a me chutar também. - Verdade. – Lilian respondeu, rindo. - Bom.. Tchau. - É, tchau. Jay acenou com a cabeça dela e foi até a porta. Abriu-a e parou por um segundo. Ele fez mensão de voltar, mas voltou a andar e saiu pela porta, fechando-a logo em seguida. No dia seguinte, Lily foi para a aula. Nada demais aconteceu, ela somente ficou com Lilith. Agora, ela não falava com as outras garotas. E elas estavam ressentindo isso – todos os meninos haviam ficado a manhã inteira perseguindo Lily e Lilith. Para eles pouco importava se elas eram putas ou não. Elas eram lindas, elas eram legais, não eram metidas. O que mais eles precisavam? Na saída, Lily estava indo para casa quando ouviu o celular tocar. Apressadamente pegou e atendeu a ligação. - Alô? – Ela disse, surpresa. -- Gatinha. – Jay respondeu do outro lado. - Fala Jay. -- E ai, quer vir na pracinha? - Ah cara.. -- Não é uma pergunta, então. Olha para trás. Ele desligou o celular e ela se virou. Viu ele e Sirius vindo apostando corrida. Os dois corriam muito rápido, coisa que dava medo nela, uma vez que ela deveria ser a bandeira de chegada. - HÁA, CHEGUEEI! – Sirius falou, rindo, enquanto abraçava Lily. - Uii, sai daqui. Você tá todo suado. – Ela respondeu, se afastando. - Não seja por isso. – Falando isso, Jay abraçou ela também. - Fala sério, agora EU estou nogenta. – Ela disse quando eles a soltaram. - Verdade. Você não está mais com cheirinho bom. – Jay respondeu, olhando maliciosamente para ela. - Vamos? – Sirius falou, boiando como sempre. - Vamos, né? – Os dois responderam, ainda se olhando. Os três foram caminhando juntos até o ponto de ônibus. Jay sentou com Lily, enquanto Sirius ficou em pé. Todo o trajeto eles conversaram, reclamaram e foram bem felizes. Quando já estavam chegando, Sirius deu a idéia de testar Lilian em cantadas. Ele mesmo começou. - Nossa, com você e um pacote de bolacha eu passo a semana. – Ele disse, lançando um olhar pervertido para ela. A garota se limitou a rir – era a única coisa que ela conseguia fazer além de ficar vermelha. - E ai, você é sempre assim ou tá fantasiada de gostosa? – Jay falou, lançando o mesmo olhar que Sirius. - Parem. – Ela falou, depois de consequir parar de rir. – Sério. - É, ela ri. Eu achava que ela ia me bater, né? – Jay respondeu, olhando feio para ela. - Boiei. – Sirius disse. - Vamos, a gente chegou. – Ela falou. Os três desceram do ônibus e chegaram na pracinha. Todos olharam eles, começaram a conversar e andar de skate. Jay deixou Lily com Sirius e foi andar um pouco. Depois, quando Lily já tinha encontrado as outras meninas, Sirius foi também. Parecia até que eles não queriam deixá-la sozinha. Quando já estava anoitecendo, Jay pegou Lily pela mão e levou-a até a rua deserta. Ele queria ensiná-la a andar de skate novamente. - Não, Jay, sério. – Ela falou totalmente nervosa. - Vamos Lily. – Ele respondeu, tacando o skate no chão. Ela subiu, e para a sua surpresa, não caiu. - Ok, agora pega e dá dois impulsos com o pé. Ela tentou, e conseguiu. Quase caiu, mas conseguiu. - AHH, EU CONSEGUI! – Ela disse, batendo palmas. - De novo, vai. - Okok – Ela respondeu, voltando a dar dois impulsos. - Agora vem pra cá, que tá vindo um carro. – Jay disse despreocupado. - Ai, mas como eu faço? – Ela falou, desesperada. – Eu não sei virar, e tô de costas pra você. - Vem, Lily, o carro tá se aproximando. Ela desceu do skate, mas bem na hora ela percebeu que o carro estava a uma distância que se ela pegasse o skate, ia ser atropelada. Num impulso, ela deixou o skate e se afastou o máximo que conseguiu – não foi muito, só o suficiente para o espelho não bater nela. Era a única coisa que dava tempo. Quando o carro passou, ele buzinou. Entendendo o porque, ela olhou para o chão, onde o carro havia passado segundos antes. O skate estava dividido em dois. Exatamente ao meio, quebrado de uma forma que até ela que não entendia nada de skates sabia que não havia conserto. Jay somente encarava o skate, sem acreditar. E ela também – como havia feito isso? Ele se aproximou do skate e começou a chutar as duas partes para cima da calçada, despertando Lily do choque. Ela se aproximou de Jay, que se sentava no meio fio da rua, e disse: - Desculpa. Eu te compro outro. - Não. – Foi tudo que ele respondeu. - Jay, eu juro que foi sem querer.. - Tá. – Ele disse e se levantou deixando a garota encarando o meio fio. Sentiu lágrimas chegarem nos olhos dela, se dando conta que todos estavam quietos e a observavam. Eles a observavam como a-garota-rica-que-o-ex-idiota-bateu-no-Jay-e-aquela-garota-que-quebrou-o-skate-do-Jay. Então, ela compreendeu. Ela nunca fizera parte daquilo, e nunca faria. Ela era a menina que morava num bairro de rico e ia ao shopping todo o final de semana. Ela ia em festas chiques, e só isso. Ela não passava da garota que nunca conseguiria ser algo ali. E agora, isso estava claro. Antes todos a permitiam ficar ali porque Jay estava ali. E agora, ele não estava mais. Ela havia estragado com tudo com a mesma agilidade que havia começado com tudo. Para a sua surpresa sentiu um braço envolver ela, e se virando com o choque, viu que era Sirius. Não era um abraço segundo-intencionado. Era um abraço de amigo, e ela pode sentir isso. Apertou ele, chorando mais ainda. Pode ouvir uma voz feminina falar ‘Mandou Bem!’, mas logo Sirius silenciou-a. - Hey, cale a boca. Ela é melhor que você. – E voltou a apoiar a cabeça em Lily. – Não fica assim, Lily. - Eu.. eu quebrei, Sirius. – Ela sussurou, como se lhe contasse um segredo. - Mas ou era isso, ou você era atropelada. - Preferia ter sido atropelada. Pelo menos eu não sentiria nojo de mim mesma. – Ela tentou sussurar, mas como sua voz estava uma nota acima do normal, todos ouviram. - Não fala besteira. - Eu preciso ir. – Ela falou, se soltando de Sirius. - Não Lily, fica. Ela não se virou para ver a cara de Sirius, porque sabia que ia ter que ver Jay. Ela começou a andar para longe da praça, o mais rápido que podia. - Lily. – Ela ouviu a voz de Jay falar. Imitando a reação dele na porta, no dia passado, ela parou. Mas então, voltou a andar – ela sabia que ali não era o lugar dela. Em vez de pegar um ônibus, ela foi andando as 40 quadras. A medida que andava parecia que sua raiva de si mesmo ia diminuindo, acalmando. Ela não estava conformada – só estava pronta para não se matar por ter feito aquilo. Quando chegou em casa, pela primeira vez na vida, sorriu ao ver os pais descarregando o carro com as malas da viajem. Se aproximou, cumprimentando os dois com um abraço e se apressou a ajudá-los a levar as malas para cima. Seus pais não perguntaram o por quê dos olhos vermelhos dela. Talvez eles nem reparado tenham. Era comum. Após garantir que seus pais não precisavam mais dela, Lily se trancou no quarto e se tacou na cama. Ela não chorou, mas estava totalmente exausta. Adormeceu logo. No andar de baixo, o telefone tocou. - Alô? – Disse o pai de Lily. -- Hey, posso falar com a Lily? - Quem deseja? – Ele insistiu, formal como sempre. -- Jay. - Não, ela não pode agora, Jay. -- Sabe quando vai poder? - Eu te aviso. E desligou o telefone, bufando. Seria preciso escrever uma faixada na casa dela falando que ela não iria mas ter amigos skatistas? Seria preciso trancafiá-la dentro de casa para não permití-la vê-los? Ah, seria necessário muito mais que isso. O dia seguinte passou para Lilian como se te contassem uma palavra a cada dia, compondo no fim uma única e triste história. Ele se arrastou até onde pode, mas o barulho anunciando o fim do dia letivo não ajudou a garota a se animar. Mal se despedindo de Lilith, ela andou até sua casa. Seus pais não estavam – novidade. Ela cumprimentou Anny, que estivera de férias junto de Bob, e foi para o seu quarto. Como o dia estava frio e cinzento, ela vestiu um moletom cinza por cima da blusa que usava. Avisou que ia dar uma andada por ai e saiu de casa. Ela pensou em sua rota várias vezes, mas acabou se decidindo por somente dar uma volta na quadra. O que ela poderia fazer além disso? Enquanto caminhava, várias pessoas passavam por ela. Primeiramente, um casal andando de mãos dadas e rindo sem se preocupar. Depois uma menina solitária igual a ela, mas sorridente. Um homem mais velho que olhou para ela com gosto, dando uma espécie de ânsia e nojo na garota. Um bando de pedreiro assobiando para ela. Uma mãe puxando a filha apressadamente para levá-la em algum lugar. Por fim, a volta na quadra foi completa. Ela já estava avistando a casa dela, e parecia mais deprimida ainda por isso – era preferível ficar na rua ou em casa? Está ai mais uma coisa que ela não sabia. Mas uma imagem a vez congelar. Ela parou de caminhar, ficando idêntica a uma estátua, com medo de se mecher. James vinha correndo na sua maior velocidade em direção a ela. Ele não só corria, mas sim corria com toda a sua força e empenho. Os dois iam colidir – isso era óbvio – e ela agradeceu por estar ciente que havia um poste atrás dela. Ela não iria cair, somente bater com tudo no poste. E ele não freiou. Mas, obviamente, quando ele alcançou-a, pegou e envolveu rapidamente a cintura dela com os braços e a prendeu contra o poste. Abraçou-a com muita força, como se temesse que ela fugisse, e permitiu que ela pousasse a cabeça em seu ombro, encostando os lábios em seu pescoço. Cedo demais, Jay soltou-a delicadamente, se preparando para encará-la. - Lily? – Ele falou. - Seu idiota. – Foi tudo que ela conseguiu murmurar, já que as lágrimas não permitiam. - Desculpa. – Ele falou no mesmo tom de voz de quando chamou por ela. – Podemos conversar? Ela concordou com a cabeça e deixou-se ser guiada até um banco. Era cinza e frio, fazendo-a inconsientemente se aproximar mais ainda dele. - Ontem você não atendeu o telefone por quê? - Por que ele não tocou? – Ela respondeu ironicamente. - Claro que tocou. Eu te liguei. - Quem atendeu? - Seu pai... - Querido, você sonha que meu pai vai falar que você ligou? – Ela disse, raivosa. – Seria mais fácil ele avisar que o Sirius ligou, uma vez que não conhece ele. Você está enquadrado na grande lista de pessoas que eu não devo sair. - Humm.. – Ele se conteve a responder. – Sobre ontem, na pracinha.. Ela somente fechou os olhos, buscando pela mão dele. Assim que ele percebeu que ela pegou na mão dele, Jay entrelaçou os dedos deles. - Desculpe por... - Não, eu que.. - Não, para.. - Cala a boca Jay. – Ela falou raivosamente. – Foi culpa minha, e eu vou comprar um novo para você. - Não precisa. - James. Eu vou comprar. - Lily, é caro. - E daí? Você mesmo diz que eu cago dinheiro, então.. Ele não respondeu, somente se conteve a sorrir. Percebeu que aquela era uma batalha perdida – ela estava decidida a comprar um skate novo para ele. - Tem mais uma coisa. – Ele continuou. - Diga. – Ela encorajou-o, enquanto suspirava. - Nós não podemos continuar como estamos. – Sentindo ela enrijecer, ele tentou não atropelar as palavras. Mas ele não conseguiu. – Lilyvocêquernamorarcomigo? Ela riu, porque havia entendido exatamente o que as palavras dele significavam. - Sério, não ria. Eu nunca pedi uma garota em namoro, normalmente eram elas que pediam.. - O quê? – Ela falou, assustada. - Não mude de assunto. E não me deixe nesse suspense. - Com uma condição. – Ela sussurou, ciente de que ele ouviria. - Diga. - Você tem que prometer que não vai me amar mais que o seu skate. - Por quê? – Ele perguntou assustado. Esperava exatamente o pedido oposto. - Porque se não todo mundo vai me odiar. Inclusive o Sirius. – Ela respondeu, brincando com os dedos dele. - Feito. Se é o que eu preciso pra te ter. Os dois ficaram em silêncio por um tempo, somente ouvindo o barulho dos carros indo e vindo pela rua. - Vamos? – Lily falou, se levantando. - Aonde? - Querido, temos que comprar o seu skate. – Ela respondeu, colocando as mãos na cintura. Ele sorriu maliciosamente por ela e pulou do banco. Passou a mão pela cintura dela, empurrando-a para frente, mas se mantendo próximo o suficiente para distribuir beijos pela nuca dela. - Jay! – Ela falou, rindo. - Nem reclama, eu tenho esse direito. - Hmm. – Ela respondeu, sem conseguir pensar no que falar. - E ai, vamos de busão? - Somente com uma condição. - Qual? – Ele falou, suspirando. - Dessa vez quem vai pensar em algo divertido sou eu. Rindo, Jay se apoiou na barra que tinha no ponto de ônibus. Lily se apoiou de leve nele, descansando sua cabeça. Enquanto ela brincava com os dedos dele novamente, ele somente dava mordidinhas na orelha dela, fazendo-a rir e chamar a atenção de todos os outros que esperavam pelo ônibus também. - O que você vai fazer? – Ele sussurou quando viu o ônibus se aproximar. - Ah, você não perde por esperar. Para a surpresa de Jay, a ida de ônibus até o shopping não teve nenhum imprevisto. Parecia que Lily havia desistido de dar o troco para ele – coisa que, sinceramente, ele agradecia. Entraram no shopping, caminhando de mãos dadas, até que Jay puxou Lilian para entrar na loja. Logo que entrou, o lojista veio cumprimentar ele como se fossem velhos amigos. - Ben! – Jay exclamou, batendo na mão do rapaz. Ele puxou Lily para a frente dele, deixando-a fica entre ele e o balcão. Olhou para o lojista, que somente sorriu. - Em que posso ajudar, Jay? – Ben falou alegremente. - Eu vim ver um skate. – Ele respondeu, sorrindo. - Ótimo. Venham aqui. Jay puxou novamente Lily e foi até onde Ben estava parado, esperando. Ele tinha vários estilos de skate pendurados ali (uhu, Drop Dead do Mueller, pena que você faliu. :/). Lily olhou surpresa e começou a admirá-los. - Sua namorada? – Ben perguntou, apontando para Lily. - Ahan. – Jay respondeu olhando para ela como se tivesse orgulho. – Mas heim, eu tava pensando em comprar peça por peça para montar. Para surpresa tanto de Ben quando de Jay, Lilian se soltou dos braços de Jay e caminhou em direção aos skates. Ela parou e pegou um, tirando-o da parede e examinando atentamente. - Esse aqui é bom? – Ela falou, entregando-o para Ben. - Cara.. Esse é o melhor que a gente tem. – Ele disse, rindo. – É melhor do que o Jay comprou da última vez, até. - Sério? – Ela perguntou com os olhos brilhando. - Não, Lily, é caro.. – Ele falou puxando ela. - Quanto é? – Lily insistiu. - Olha, eu posso fazer por 500 pra vocês, mas fica entre a gente. – Ele respondeu, atento a reação de Jay. - Vou levar. – Lily decretou. Ela seguiu Ben até o caixa ignorando os pedidos e ameaças de James, se divertindo com a situação. Passou o cartão e digitou a senha. Pegou o skate e se despedindo de Ben ela saiu da loja. Jay foi atrás. - Obrigado. – Ele respondeu timido quando a alcançou. - De nada. – Ela falou, se divertindo mais ainda. Sem falar mais nada Jay a guiou até a pracinha. Eles estavam do outro lado da rua ainda, quando ele por fim falou algo: - Hey, Lily, desculpa. - Por quê? – Ela disse inocentemente para provocá-lo. - Por ser grosso. - Hmm. – Lily murmurou. Vendo que ela estava rindo, Jay puxou ela pela mão e pegou o skate da mão dela. Aproveitando que ela estava parada, ele se aproximou e deu um beijo nela. Ela começou a rir quando ouviu do outro lado da rua Sirius bater palmas e assobiar. - Parece que alguém aprovou você. – Jay disse, pegando a mão dela novamente. - Pois é. – Ela se limitou a responder, ainda vermelha de vergonha. Os dois atravessaram a rua e Sirius foi o primeiro a abordá-los. - Toca aqui, garotão do Sirius. – Ele disse, rindo. – Assim que se faz, Jay. - Que gay, Sirius. – Jay falou, sem mover a mão. - Deixa eu me divertir um pouco, ok? Não é sempre que você tem uma namorada que não é uma puta. - Eu acho que isso foi um elogio, cara. – Lily disse, fingindo pensativa. – Obrigada, Sirius. Ela o abraçou, percebendo o olhar feio de Jay. - CAARA, O QUE É ISSO NA SUA MÃO? – Ele gritou, reparando melhor em Jay. No mesmo instante todas as pessoas da pracinha já estavam passando de mão em mão o skate de Jay e analizando. Ele se limitou a abraçar Lily e ficar dando beijos na bochecha dela. Quando todos se acalmaram e devolveram o skate, Sirius ainda babando nele, Gabriel veio falar com eles. - E ai Jay, vai sábado? – Ele falou, cumprimentando Lily com a cabeça. - Ah.. Lily, a gente vai acampar sábado. Quer ir? – Jay disse, olhando esperançoso para ela. - Se eu arranjar uma boa desculpa para minha mãe, quero sim. - Ahmm, Lily? – Sirius falou. – Se quiser levar uma amiga sua.. A garota sorriu a reação de Sirius, que olhava maliciosamente para ela, e falou: - Qual eu quero levar? - A Lilith. – Ele respondeu, talvez rápido demais. - Está bem. Aposto que ela vai querer ir. - POR QUÊ? – Ele disse se animando. - Nada.. Boatos, somente isso. - Então táa.. – Sirius respondeu, mais animado ainda. - Jay, é esse sábado? Tipo, depois de amanhã? – Ela perguntou, abraçando ele. - Ahaan. – Ele respondeu, todo abobalhado. Largou o skate no chão e puxou ela mais para perto, unindo as testas dele. - James fall in lovee. – Gabriel e Sirius começaram a saltitar e simular que carregavam uma cestinha de flores e tacavam neles. Jay e Lily riram, sem saber o que falar. Depois, James soltou-a e foi para a pista estreiar seu novo skate. Lilian tomou sorvete com Sirius, tendo Lilith como assunto da conversa. A tarde passou e estava quase escurecendo quando Jay disse que levava a garota para casa. Eles foram de ônibus novamente, e como da última vez, Lily se esqueceu de sua promessa de devolver a brincadeira do aborto. A garota somente se conteve em abaixar a cabeça e apoiar-se no colo dele, que ficou brincando inconsientemente com o cabelo dela. Como ainda eram seis horas, os pais de Lily não estavam em casa. Jay foi até a porta com ela, e se despediu dando um selinho, junto da promessa que amanhã ele iria na hora da saída buscá-la para ficar a tarde novamente com ele. De tão feliz que estava, Lilian dispensou Anny e fez o jantar por si só. Caprichou tanto que os pais chegaram a elogiá-la, o que para eles era um grande avanço. Totalmente exausta ela nem se deu o trabalho de entrar no computador. Se tacou na cama depois do banho e adormeceu. Melhor assim – pelo menos esse dia seria perfeito. Talvez fosse melhor que ela não entrasse no computador antes do acampamento mesmo. Nunca se sabe se aquele ser indesejável não arranjou um jeito de acabar com a sua felicidade por simples vingança. - N/a: Valeu Naty *---*, Malu eu também te amo guria! Bjos, e continuem comentando!!


Ana Luiza

Compartilhe!

anúncio

Comentários (0)

Não há comentários. Seja o primeiro!
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.