O GRANDE CONSELHO MÁGICO

O GRANDE CONSELHO MÁGICO



Harry acordou no dia seguinte, uma listra de luz dourada entrando pela janela e iluminando seus pés estirados na cama. Ainda tomado por uma certa sonolência, Harry analisou preguiçosamente a situação em que estava e não conseguiu imaginar o por quê de tamanha felicidade. Sentia-se feliz de um modo genuíno, um imenso prazer por estar ali, deitado em sua cama de dossel em Hogwarts, onde passara tantos anos. Era como se estivesse de volta às aulas, a rotina de sempre...

Rony, na cama ao lado, estremeceu e levantou a cabeça, a cara abobalhada. Reparou na claridade que emanava das janelas e começou a reunir coragem para se levantar. Harry, enquanto isso, lembrava-se de que era um dia especial, e que não poderia ficar deitado ali por muito mais tempo. Com um início de frio na barriga, também se sentou na cama.

Rony se vestiu logo, parecendo sonolento demais para falar qualquer coisa. Neville, Dino, Lino Jordan, Olívio Wood e alguns outros garotos, que também estavam hospedados em Hogwarts, começavam a acordar. Harry se apressou a vestir-se (sabia que não podia ficar na presença de um grupo muito grande de bruxos despertos) e logo ele, Rony e Neville eram os primeiros a descer as escadas para a sala comunal.

- Está muito nervoso, Harry? – perguntou Neville, bocejando.

- Não muito – resmungou em resposta; Neville fizera o frio em sua barriga aumentar ainda mais.

- Ah, como eu adoro essas criaturas! – exclamou Rony, sorrindo ao ver o farto café da manhã que os elfos haviam preparado na sala comunal. Rony se sentou, começando a escolher o que iria comer.

Harry não estava mesmo com fome, e só observou os garotos comendo e conversando sobre esse novo privilégio dos grifinórios.

- Os voluntários das outras casas não estão recebendo café na sala comunal, estão? – perguntou Dino, a boca cheia de bacon e ovos. Rony abriu a boca para responder, mas ouviram um barulho nas escadas e logo as garotas também apareciam.

- Não haveria ninguém para comer tudo isso lá – disse Hermione, que era seguida por Gina e Luna, mas também por Angelina, Alicia Spinnet e algumas outras garotas. Sentaram-se na mesa com os garotos, e Neville, depois de pensar um pouco, disse:

- É engraçado, você não devia estar na sua sala comunal, Luna?

Luna, que estava se servindo de suco de abóbora, sorriu sonsamente: - Bem, era, mas não gosto do pessoal que ficou para ajudar, são todos muito empinados.

Harry se lembrou que sua casa fora a que mais gente havia oferecido para ajudar na reconstrução da escola, logo seguida por Lufa-Lufa e Corvinal. Ninguém da Sonserina ficara para ajudar.

- Você sempre teve uma queda por nós, não é verdade, Luna? – comentou Gina, animada. – Acho que o chapéu errou ao não te por na Grifinória. Lembro-me daquele seu chapéu enorme que você usava nos jogos de quadribol, ele rugia e tudo...

- Mas eu tenho muito orgulho da Corvinal – observou Luna. Lino e Rony começaram a atacar os sonserinos por não terem ficado para ajudar, e quando chegaram da dizer que eles deviam ser excluídos da escola, Hermione falou, muito séria:

- Vocês não devem brincar com isso. Acho que, entre as coisas que terão de ser decididas nesta reunião, está o que fazer com a Sonserina. Quero dizer, eles abandonaram a escola, uma punição não seria nada injusta... Além disso, eles se tornaram uma espécie de ninho para bruxos das trevas e malfeitores... Alguém precisa fazer alguma coisa a respeito.

- Se tiver votação, vou votar pela extinção deles – anunciou Rony, animado pelas palavras nada usuais de Hermione. – O que você acha, Harry? Que tal propor isso pros caras?

Harry pensou um pouco. Então disse: - Não sei... Acho que Dumbledore uma vez disse que era preciso que tivéssemos os inimigos entre nós, ou pelo menos aqueles com quem não nos damos bem. Acho que ele ser referia à Sonserina quando disse isso. Mas não tenho certeza.

Calou-se, se achando meio burro. Teria de se expressar de modo mais firme naquela tarde. O cubo de gelo em seu estômago pareceu crescer.

Repentinamente o retrato na parede se moveu, e entraram Percy e Jorge Weasley. Ambos trajavam vestes que, pelo visto, deviam parecer muito formais e elegantes. Mas Percy escolhera mal a combinação e Jorge definitivamente quis fazer troça pelas bolinhas amarelas dançantes. Cumprimentaram-se animadamente.

- Harry, esperam você na sala do diretor – disse Percy, sério, após as saudações.

O garoto se levantou, e foi seguido por Rony, Hermione e Gina. Saíram pelo buraco do retrato e, andando pelo corredor, Percy começou a falar sobre as grandes coisas que ocorreriam naquela tarde.

- Sabe, Harry, hoje será um dia histórico para o mundo bruxo.A comunidade vai decidir como será nosso futuro depois do desastre pelo qual passamos, e você Harry, tenho certeza, terá um papel crucial nisso. Ah, a propósito – e parou de andar, puxando um rolo grosso de pergaminho do bolso e desembrulhando-o. – aqui estão algumas coisinhas que preparei para você, Harry. Aqui você vai encontrar umas sugestões minhas sobre o que falar na tribuna, e aqui sobre como tratar os presentes, entende, você não pode se dirigir aos representantes de qualquer jeito, especialmente os duendes, eles são temperamentais...

Harry foi recebendo as folhas enquanto andavam apressados, enfiando tudo nos bolsos, quando a gárgula abriu espaço para subirem a escada em espiral novamente. Lá dentro encontraram, como na noite passada, Kingsley Shacklebolt e Minerva McGonnagal, mas agora havia mais uma pequena multidão de pessoas. Havia no mínimo quinze bruxos trajando vestes roxas escuras, e outros usavam capas escarlates e negras. Conversando com Kingsley, estavam cinco duendes soberbamente vestidos, as vestes negras bordadas a fios de ouro, correntes prateadas cintilando em seus pequenos corpos. Um centauro, que Harry identificou como sendo Agouro, também estava ali, ouvindo taciturno uma bruxa de cabelos longos tagarelar em seu ouvido. Somando-se à conversa geral, os quadros dos diretores de Hogwarts também conversavam a altos brados.

Quando Harry, Rony, Hermione e Gina adentraram o lugar, a conversa cessou de imediato. Os presentes começaram a bater palmas, exultantes, e teriam continuado por um bom tempo, se não fosse Kingsley ter pedido silêncio.

- Meus senhores – disse ele, indo até Harry e virando-se para as pessoas sorridentes. – Aqui está o responsável pela queda Daquele Que Não Deve Ser Nomeado, o rapaz que nos livrou do reinado de terror das Artes das Trevas. Sei que devem estar ansiosos para cumprimenta-lo, mas procurem não assusta-lo muito.

Todos riram e gargalharam, e Harry rapidamente foi engolfado por um exército de apertos de mãos e afagos carinhosos.

- Senhor Potter, como é prazeroso vê-lo entre nós! – sorriu uma bruxa velha de cabelos grisalhos. – Devo dizer que o senhor é a melhor coisa que já nos aconteceu...

- Com certeza – inteirou um bruxo trajado de vermelho, um chapéu curioso na cabeça. – Obrigado por nos salvar a todos, sr. Potter, simplesmente não temos palavras!

Harry se limitou a sorrir, desajeitado. Aquilo era constrangedor, porque estavam formando um círculo a sua volta, e não paravam de aperta-lo.

- Ora, mas essa só pode ser a menina Granger! – disse a bruxa que conversava com Agouro. – Querida, é uma honra conhece-la, disseram que acompanhou Harry todo o tempo...

- Não eu apenas, mas Rony também – disse Hermione, sorridente, puxando Rony para perto. Ele estava muito vermelho, mas sorria bastante ao ser alisado por três bruxas velhotas, que teciam elogios sem parar.

- Um rapaz tão corajoso...
- Sim, tão belo e forte, não é à toa que Potter o escolheu como escudeiro...

Harry virou o rosto para que não o vissem rir, e encontrou os olhos de Gina, que tapava a boca sem pudores, sacudida pelos risos. Harry abriu a boca para cochichar algo no ouvido dela, mas foi repentinamente agarrado por ninguém mais ninguém menos do que Cornélio Fudge.

- Harry, meu querido Harry!
Harry olhou abobado para o homem gorducho. O bruxo sorria para ele, segurando-o pelos ombros como costumava fazer há alguns anos.

- Sr. Fudge... o que o senhor faz aqui? – Harry exclamou, um pouco mais alto do que pretendia. Hermione, Rony e Gina se viraram.

- Bem... – disse Fudge, olhando de relance ao redor (pois muitos agora observavam) – não poderia deixar de vir agradecer a você, Harry, por ter salvado o mundo bruxo de Você-Sabe-Quem...

- É, e o senhor não me ajudou em nada nisso – disse Harry, ríspido. Definitivamente todos olhavam agora. – O senhor deveria se envergonhar, já que foi graças a sua burrice e arrogância que Voldemort se reergueu. Não sei como tem coragem de vir até aqui. Na verdade, deveria se retirar agora mesmo.

Um silêncio terrível se apossou da sala. Fudge pareceu atingido por um murro no nariz, e corou violentamente. Kingsley se aproximou, e sua voz era calma quando disse:

- Sr. Fudge, o senhor deve compreender que Harry não poderia ter outra reação a não ser esta. O senhor o perseguiu, a ele e a seus amigos, no passado, e sem dúvida parte de nossa desgraça se deveu ao senhor. Acho que não há como o sr. contribuir conosco hoje.

Fudge olhou-o com uma expressão horrível: beirava o ódio. Depois fitou Harry, mas não disse nada, e se retirou, as pessoas abrindo espaço para sua passagem. Quando a porta se fechou novamente, a conversa retornou, ainda mais barulhenta.

- Fez muito bem, sr. Potter, é isso o que ele merecia.
- Apoiado, apoiado!

Harry não respondeu. Ficara realmente nervoso com a presença do ex-ministro, mas agora se sentia mal. Olhou para Hermione, e não notou nela reprovação. Mas talvez fosse porque estivesse muito preocupada em salvar Rony do grupo de bruxas: elas agora tiravam fotografias dele, animadas.

Harry se afastou do círculo de pessoas, indo até a escrivaninha, onde, atrás, estava o quadro de Alvo Dumbledore. Ele conversava com um grupo de duendes.

- ... mas acho que tais danos são totalmente reversíveis, basta gastarem um pouco do precioso ouro que guardam... – Dumbledore viu Harry se aproximar, e sorriu. – Mas vejam, aqui está o responsável pela destruição do Gringotes!

O sorriso de Harry esmoreceu um pouco ao se aproximar, e ver que os duendes não pareciam nada felizes.

- Sr. Potter – cumprimentou um deles, com frieza. Vestia um casaco que parecia ser de puro ouro. – Espero que esteja bem de saúde, porque alguns dos nossos ainda se recuperam de sua visita ao Gringotes...
- Ah – Harry não sabia se devia ser educado ou não, mas foi salvo por Dumbledore.

- Ora, Bolgrodest, a invasão que Harry e seus amigos promoveram ao Gringotes foi plenamente justificável. Você sabe melhor que ninguém que seu povo também sofreu muito durante o reinado de Voldemort, e acho de todos, inclusive os duendes, devem estar gratos por tudo o que Harry fez.

Bolgrodest lançou para o retrato de Dumbledore um olhar de desdém, mas foi muito polido quando disse:

- Sem dúvida, Dumbledore, que somos muito gratos a Harry Potter. Isso se, é claro, esta bárbara incursão em nosso banco contribuiu mesmo para a queda do Lorde das Trevas.

- Pode ter certeza que contribuiu – disse Harry, ansioso, e olhou para o diretor. Seria impossível, ele sabia, dizer exatamente o motivo da invasão aos duendes, pois haviam decidido manter em segredo o assunto horcruxes.

- Está vendo, Bolgrodest, se Harry confirma, está tudo bem – Dumbledore parecia muito animado. – Harry, você não me contou como foi o vôo no dragão. Eu confesso que jamais, em vida, voei em um dragão, e olha que vivi por um tempo considerável!

- Seria mais agradável se não estivéssemos tão queimados – riu Harry, recordando, agora com humor, os momentos de desespero que vivera com Rony e Hermione no cofre dos Lestrange. – Posso garantir a vocês que seus feitiços de segurança realmente funcionam, Rony, Hermione e eu sofremos pessoalmente seus efeitos.

- Parece que não funcionam assim tão bem – respondeu o duende. – Afinal o senhor ainda conseguiu sair vivo.

Antes que o cordial diálogo pudesse continuar, Kingsley pediu a atenção de todos e informou que deveriam descer ao Salão de Entrada para aguardarem a chegada das comitivas. Harry, Rony, Hermione e Gina foram agarrados por vários bruxos e levados amigavelmente para baixo, enquanto era exigido deles que contassem algumas aventuras emocionantes.

Rony se deleitava ao ouvir as três bruxas ofegarem após saber que ele salvara Harry do afogamento em um poço magicamente sem fundo. Hermione acompanhava seus calcanhares com visível irritação, e Gina se mantinha bastante quieta. Quando chegaram ao final da escadaria de mármore, se depararam com uma verdadeira massa compacta de pessoas.

Sem dúvida, mais ou menos cinco centenas de bruxos se espremiam no Salão de Entrada, no aguardo da abertura das portas do Salão Principal. A multidão alvoroçada lembrou a Harry da batalha que fora travada ali há apenas alguns dias. Com a diferença de que ninguém lançava maldições mortais uns aos outros. Harry olhou a volta e viu que Rony e Hermione tentavam se manter perto dele, apesar do assédio das pessoas. O garoto sentiu alguém agarrar seu braço, e viu que era Kingsley.

- Vamos receber as comitivas agora, Harry – disse ele, puxando o garoto para os portões de entrada. As pessoas abriram caminho; Harry agora podia ver os jardins lá fora. Ou melhor: surpreendeu-se porque não podia.

Era incrível, mas não era possível ver o verde da grama dos jardins da escola. Todo o espaço dos campos estava ocupado por gente. Uma massa gigantesca e vivamente colorida, que vinha lentamente em direção ao castelo, caminhando, seguindo a trilha dos portões dos javalis alados. Era uma imagem realmente impressionante, pois não apenas pessoas, Harry reparava, mas também meios de transporte deslizavam rumo a Hogwarts. Dezenas e dezenas de carruagens, de diversas cores e tamanhos, puxadas por diferentes animais, desde cavalos alados, a trasgos e fadas.

Muitos dos que se aproximavam não eram humanos. Uma horda de centauros estrangeiros vinha trotando lentamente; eram realmente diferentes, um grupo tinha longíssimas barbas loiras e outro usava estranhos brincos e adornos no rosto, dando-lhes uma aparência extremamente selvagem.

- São centauros de comunidades distantes – explicou Kingsley, que observava Harry atentamente. – Para esta conferência, convidamos representantes de todas as comunidades mágicas das ilhas Britânicas. Veja, ali estão alguns que jamais saíram das tocas.

Ele apontava para um outro grupo, este bem menor, de pessoas vestindo longas capas negras. Harry, olhando melhor, logo percebeu que não poderiam ser pessoas comuns, simplesmente porque eram muito altos e magros. De fato, pareciam ter sido horrivelmente esticados, ou talvez estivessem usando pernas de pau. A verdade é que não existiam homens com quatro metros de altura, magros a ponto de as imensas capas negras dançarem ao vento como se cobrissem apenas um poste. Ao se aproximarem, Harry viu que o grupo tentava esconder queixos brancos como papel, puxando os capuzes.

- São de arrepiar, não é? – comentou Kingsley, sorrindo.
- O que são? – perguntou Harry.
- São vampiros, só que de um tipo diferente, do norte da Irlanda, eu acho. Jamais saíram de suas cavernas antes, ouvi dizer, e talvez nem falem língua reconhecível. Vamos tentar fazer o possível.

Harry olhou novamente. Ele já havia visto coisas impressionantes no mundo da magia, mas aqueles vampiros eram mesmo incomuns. Continuando a observar, viu que mais comitivas de duendes chegavam, os leprechauns trajando veludo verde. Um bando de veelas prendia a atenção da multidão enquanto passavam, elegantes e indiferentes.

- Veelas não são criaturas britânicas, são? – perguntou Harry, curioso, sem poder desgrudar o olhar.
- Ah, na verdade essas não são veelas puras, são descendentes que vivem na Inglaterra – explicou o ministro Kingsley, também olhando de modo desfocado as criaturas loiras.

Harry desviou a atenção das semi-veelas porque, repentinamente, ouviu um imenso estrondo vindo lago. Milhares de cabeças na multidão se viraram também. É que, no meio do lago, aparecera do nada uma imensa embarcação. Harry imediatamente se lembrou de Durmstrang, e do modo idêntico como chegaram a Hogwarts, e abriu a boca para dizer isso a Kingsley. Mas não disse nada, pois o que veio a seguir o deixou de queixo caído.

Dezenas de bruxos desembarcaram do barco na margem do lago; todos empunhavam suas varinhas no alto, agitando-as em direção ao lago. As águas azuis se agitavam estranhamente, formando uma espécie de espuma. Um multidão, curiosa, se aproximou do lago para ver do que se tratava. Kingsley puxou Harry novamente, dizendo: - Você vai querer ver isso mais de perto!

Desceram as escadarias e, então, assistiram o que aconteceu: as águas do lago formaram ondas altíssimas, aparentemente criadas pelos bruxos na margem, que agitavam as varinhas loucamente. De súbito, um estrondo ensurdecedor emudeceu a todos, e as águas se ergueram com violência, como se uma bomba tivesse explodido em sua superfície. O paredão aquático desabou, espirrando água mesmo nas pessoas que se mantinham afastadas da cena. Todos puderam, então, observar uma imensa bolha, uma esfera brilhante, que flutuava metros acima do lago. Acabara de emergir de suas profundezas, água ainda escorria e brilhava à luz do sol, como uma gigantesca bola de cristal da profa. Trelawney que tivesse sido mergulhada na água.

- O que é aquilo? – sussurrou Harry, completamente parvo.
- Isso – Harry ouviu Hermione dizer, ao seu lado. – só podem ser sereianos.

Harry olhou para ela cético, e depois para a bola gigante. Agora os bruxos a faziam flutuar metros acima do chão, e, enquanto se aproximava, Harry viu que havia “gente” lá dentro. Ou melhor, havia sereianos! Muitos deles, talvez dezenas, nadavam lá dentro, agitando as barbatanas, nervosos, como peixinhos presos num aquário gigante.

- Foi o único meio que encontramos de traze-los para cá – disse Kingsley para os garotos, e depois se aproximou dos bruxos que controlavam a bolha.

- Ah, olá ministro – disse o que parecia comandar a operação. – Este é sem dúvida o maior feitiço bolha já executado na história! Nos deu um trabalhão danado!

O homem aparentava não ter dormido há dias, tinhas as vestes completamente encharcadas dos pés a cabeça, mas ainda assim sorria satisfeito.

- Parabéns, Donald, é realmente impressionante! – exclamou Kingsley, olhando para cima e inspecionando a bolha gigante. – Hei, pessoal, venham ver! – disse para os garotos.

Eles se aproximaram, relutantes, e logo foram cobertos pela imensa sombra da bolha d’água.

- É frio embaixo disso – disse Rony, contendo um arrepio.

Era muito original, realmente, estar embaixo de algumas toneladas d’água repletas de sereianos. Kingsley andava em círculos, olhando para cima, tentando achar alguma coisa nas águas escuras. Pareceu achar, e começou a gesticular. Os garotos foram até ele e viram que ele falava com um dos sereianos. Gina soltou um grito.

Se Harry já achara os sereianos do lago da escola feiosos, aqueles então nem se fala. Eram no mínimo monstruosos, criaturas escamadas, de pele verde e barbatanas gigantescas. Não tinham feições nem de longe humanas. Se pareciam muito mais com uma cruza de peixes pré-históricos e lagartos gigantes. Outros apareceram também, alguns tinham longas cabeleiras negras. Um intérprete de serêiaco transmitia as boas vindas de Kingsley para o chefe dos sereianos. Rony olhava aquele teto azul escuro com uma expressão estranha.

- Para que fazer tudo isso pra trazer esses caras?
- Ora, não é óbvio, Rony? – exclamou Hermione, impaciente. – Esses não são sereianos ali do aquário da esquina, são provavelmente de muito longe, de alto-mar. Acha-los deve ter dado um trabalho absurdo ao Ministério.

- Tem razão, Hermione – disse Kingsley, indo até eles. – Eles são das ilhas do norte, bem além das Hébridas. Também nunca saíram de seus lares, foi difícil convence-los a vir. Mas tivemos que nos esforçar, pois decidimos desde o início que esta conferência deveria reunir representantes de todos os seres mágicos desta parte da Europa. Não dar voz a eles em um momento de tanta importância seria no mínimo injusto.

O bruxo olhou uma última vez para a bolha gigante, e depois disse: - Agora vamos ao castelo. A conferência já vai começar.

Ele rumou para os portões de entrada, e Harry, Rony e Hermione o seguiram, enquanto eram acompanhados por milhares de bruxos, bruxas, duendes, centauros, vampiros, fantasmas, sereianos, e outros seres mágicos, que conversavam enquanto se dirigiam a Hogwarts. Harry olhou para a gigantesca massa que ocupava os terrenos ensolarados da escola, e pensou que aquilo era muito maior do que a Copa Mundial de Quadribol, ou o Torneio Tribruxo, maior que qualquer coisa que já houvesse visto na vida.

Ele olhou para o lado e viu que Hermione também parara para observar, o vento agitando seus cabelos. “Sim, Harry”, ela disse. “A história da magia está sendo feita aqui hoje”.

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Comentários (1)

  • rosana franco

    Caramba a coisa vai ser realmente grandiosa o Harry ta apavorado e o que a Gina quer tanto falar com ele.

    2011-04-27
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