“Para Sempre...”

“Para Sempre...”



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Songfic - Ela É Como O Vento - Estrofe III – “Para Sempre...”

By Snake Eye's - 2004

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I look in the mirror and all I see

(Eu olho no espelho e tudo que eu vejo)




Is a young old man with only a dream

(É um jovem velho homem com um só sonho)




Am I just fooling myself

(Eu me fiz de tolo)




That she'll stop the pain

(Achando que cessaria minha dor)




Living without her

(Vivendo sem ela)




I'd go insane

(Eu devo enlouquecer)







Oº°‘¨Parte III – Para Sempre...¨‘°ºO






Hermione estava a bordo do Expresso de Hogwarts, voltando para casa. Faziam-lhe
companhia na cabine seus amigos Harry, Rony e Neville, que há horas estavam
totalmente entregues ao sono devido à exaustão pelo dia anterior, por causa do
baile de formatura. Muito tempo ainda iria passar até ela poder fazer aquele
caminho novamente, retornando para Hogwarts. Estava recostada na cabine, com o
olhar perdido na paisagem desfocada que passava pela janela em alta velocidade.
Seus pensamentos iam à noite anterior, naquele beijo e na maravilhosa sensação
de sentir o que era ter finalmente o seu amor retribuído.

 




Abraçado ao seu peito, descansava seu fiel diário, onde havia escrito a última
página do livro. Realizara seu maior sonho daquela vida que se encerrara. Era
hora de recomeçar a nova vida. E, a partir desta, tinha certeza que haveria mais
realizações do que sonhos. Apertou ainda mais o livro contra o peito, fechando
os olhos e respirando profundamente. Lembrava-se daqueles dois momentos
inesquecíveis que passou com Severus... na tarde doirada de fim de maio e na
noite plácida e prateada que lhe revelara algo ainda além do amor. Ainda sentia
o nirvana daquele momento efêmero e, ao mesmo tempo eterno, fluindo em seu
corpo, em sua alma. Para tudo havia um tempo, se longo ou curto, não tinha
importância. Aquele momento raro de real felicidade acontecera no seu momento
exato para duas pessoas tão distintas, o que fazia só alongar ainda mais a
eternidade daquela vivência. Porém, sabia que ainda não havia chegado o tempo
para ambos firmarem definitivamente os laços que os uniriam mesmo que estivessem
distantes por um longo período.

 




"_Cada qual há seu tempo... e nosso tempo juntos ainda não chegou... ainda é
cedo..."

 


 




*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~

 


 




Cinco anos se passaram. Para uns, voaram como fossem dias. Para outros,
demoraram uma vida inteira. E assim o fora. Mais uma vida vivida, que durara
cinco anos... agora era hora de recomeçar novamente, um novo livro, uma nova
vida. Estava pronta para retornar à Hogwarts e, desta vez, com uma missão ainda
maior do que somente lecionar. O tempo para pôr em prática tudo que Dumbledore e
Hermione planejaram finalmente chegou. E, o tempo para realização de outros
sonhos estava próximo de acontecer.

 




Hermione ainda dormia quando foi recepcionada por uma coruja que adentrou seu
quarto pela janela, que permaneceu aberta toda a noite, para aproveitar o
fresquinho noturno daquele Verão. Bichento dormia sobre o ventre de sua dona
quando esta levantou-se, pondo-se sentada na cama. O gato rolou para o lado do
colchão, dirigiu um olhar preguiçoso e descontente para Hermione e voltou a
dormir, enroladinho como sempre fazia.

 




A coruja trazia um envelope vermelho lacrado com um selo de cera carimbado com o
brasão de Hogwarts. Hermione já devia ter adivinhado o conteúdo, pois dera um
gritinho eufórico, que fez a coruja voar para outro canto do quarto e Bichento
acordar definitivamente.



Com um largo sorriso que não cabia em si, abriu cuidadosamente o envelope,
retirando um pergaminho, que trazia uma caligrafia gótica esmerosa, impressa a
pena e tinta.

 




Conforme ia lendo as linhas escritas pelo diretor Alvo Dumbledore, o sorriso de
Hermione se alargava ainda mais em sua face, se isso ainda era possível. Seus
olhos ficaram marejados de alegria. Prensou a carta contra o rosto como se
quisesse beijá-la e levantou num salto.

 




Desceu as escadas de sua casa correndo e gritando pela mãe e pelo pai. A
felicidade que sentia era tanta que tinha que contar a notícia o mais breve
possível a alguém, pois acreditava que explodiria se não o fizesse logo.
Encontrou a mãe parada em frente a mesa da cozinha, preparando algo, e o pai
sentado à mesa, com uma xícara fumegante a mão. Pulou no pescoço da mãe, colando
um gostoso beijo em sua bochecha. Em seguida, pulou no pescoço do pai e repetiu
o mesmo ritual. Mesmo alarmados pela aparição calorosa da filha, o Sr e a Sra
Granger sorriam largamente, pois sabia que algo muito bom acontecera, pois ela
sempre agira assim quando recebia uma boa notícia.

 




Hermione esticou o braço com a carta na mão, entre o pai e a mãe, para que ambos
vissem o que estava escrito.

 




_Olhem! Vejam! Finalmente chegou!

 




_Uau, filha! Você está sendo convocada! - exclamava a mãe, segurando uma ponta
da carta.

 




_Você vai voltar para Hogwarts?! - perguntava o pai incredulamente, mas com um
grande sorriso dirigido para a filha.

 




_Isso! Isso mesmo! Finalmente irei pôr em prática tudo que planejamos! É um
sonho, um ideal, talvez até grande e presunçoso demais! Mas iremos finalmente
colocar em prática o que planejamos por anos! Serei a nova professora de Estudo
Sobre Trouxas!





*





Faltava apenas uma semana para o início do ano letivo em Hogwarts. Agosto se
findava e no ar pairava a atmosfera de um outono que se aproximava. Os dias
estavam mais amenos, com ventos mais constantes. Algumas árvores já antecipavam
a estação e suas folhas verdes davam espaços para as cores oxidadas que,
anunciavam para breve, um curto período de uma chuva dourada de folhas secas.

 




Alguns professores já retornavam para a escola a fim de aproveitarem a última
semana de férias para o planejamento das aulas, além, é claro, de matarem a
saudade daquele que era o segundo lar de todos.

 




Os anos tinham-se tornado monótonos, caindo numa chata rotina. Não havia mais
uma ameaça mortal pairando no ar. Os alunos eram os mais básicos adolescentes
que portavam varinhas. Certamente, demoraria ainda muito tempo para haver uma
nova turma como a da época de Harry Potter, onde alguns alunos tinham conteúdo a
mostrar. Bom, de qualquer forma, era melhor saber o que tinha por vir por mais
tedioso que fosse do que se deparar com acontecimentos absurdos como os que
acompanharam a "era Harry Potter".

 




Um banquete foi preparado para a comemoração do retorno dos professores à
Hogwarts. Mas, nem tudo estava saindo conforme o planejado por Alvo Dumbledore,
pois, o novo professor que Hogwarts iria receber este ano não havia chegado
devido a um contratempo do mesmo. Ele queria que fosse a grande surpresa do dia,
mas, mesmo tendo seu plano um tantinho frustrado, manteve-se ainda assim o
suspense. Apenas mencionara aos professores que receberiam um novo colega, porém
limitou-se a isso, sem mencionar qual cátedra tal professor lecionaria e menos
ainda seu nome. Por alguma estranha razão, Alvo dirigia olhares marotos à
Minerva e à Severus. Ambos nem sequer se deram ao luxo de preocupar-se com isso,
pois sabiam que o diretor estava lhes aprontando algo e tudo que podiam fazer
era esperar pra ver.

 




Dumbledore mantinha absoluto segredo sobre a contratação do novo professor, até
àquela hora do banquete.

 




_Meus caros colegas professores, sejam muito bem vindos de volta a Hogwarts! -
Alvo brindava a todos, que retribuíam com sorrisos ou apenas assentimentos, como
era o caso de Severus. _Apenas lamento por este momento não poder contar com a
presença do novo professor que lecionará a partir deste ano aqui em Hogwarts. Um
contratempo fez com que não pudesse estar conosco neste dia em que todos
retornam à escola, mas amanhã ainda pela manhã, espero que possamos contar com
sua presença.



_E o senhor poderia nos dizer de quem se trata esse novo professor? E o que ele
ensinará em Hogwarts? Pelo que saiba, todas as cátedras estão ocupadas... -
perguntava McGonagall, dirigindo um olhar inquisitório, por estar certa de que
Alvo não responderia a sua pergunta.

 




_Minha querida professora, apenas posso informar-lhe e ao demais professores,
que trata-se de um velho conhecido vosso e todos, com certeza, terão muita
satisfação em revê-lo... - Alvo dirigia-se a todos, mas as palavras finais foram
diretamente para McGonagall, antes de completar, dirigindo com um sorriso
enigmático para Snape. _e, para outros, será ainda mais que satisfação. - Snape
retrucou com um olhar indagador e desconfiado, mas preferiu manter-se calado,
pois preferiria morrer a dar qualquer sinal que aquilo tinha surtido qualquer
efeito nele, mesmo que fosse apenas curiosidade.

 




O banquete levou mais de uma hora, pois todos conversavam entre si, contando
novidades, gabando-se de viagens e das férias que tiveram, coisas do tipo. Até
mesmo Snape mostrava-se mais sociável, participando vez ou outra com algum
comentário até, por vezes, simpático. Era visível o quanto ele mudara nos
últimos anos, não só exterior, mas principalmente, interiormente. Já não era
mais aquele tirano ditador injusto - ao menos não todos ao mesmo tempo. Já não
era mais tão odiado pelos alunos e nem tão mais anti-social.

 




O fato de que Severus Snape mudara muito nos últimos anos, era fato percebido
por todos, principalmente por ele próprio. Não que tenha sido uma mudança
abrupta, acontecida sem mais nem menos da noite para o dia. Mas no momento em
que ele aceitou sair das sombras para abraçar aquela luz que o aconchegava em
seus braços, suas mudanças começaram a surgir lenta, porém gradativamente. A
principal, sem dúvida, foi a atitude para consigo mesmo, de como ele se portava
para com o mundo. Tornou-se mais gentil, mas cortês, embora para aqueles que
acabavam de conhecê-lo, ele ainda era um iceberg, tanto por sua frieza quanto
pela incógnita do que ocultava atrás daqueles olhos negros e profundos, que já
não traziam mais a amargura de outrora.

 




Suas mudanças internas refletiam em sua aparência. Severus não estava 5 anos
mais velho, mas parecia 15 anos mais jovem. Deixou de usar vestes tão sisudas e
pesadas, ainda que continuasse a trajar negro, que sempre lhe cairia muito bem.
Por algum lapso de humor, permitia-se trajar uma camisa branca, nada além disso.
Seus cabelos permaneciam negros, mas estavam mais finos e soltos, além do
comprimento, que já passava do meio das costas. Se alguém que não o visse há
muito tempo o reencontrasse agora, talvez não o reconhecesse de imediato.

 




Sabia perfeitamente, tinha plena consciência, do que foi o responsável por sua
mudança. Aqueles dois momentos inesquecíveis, que culminou naquela noite
memorável do baile de formatura. Hermione Granger era a principal e única
responsável por aquelas mudanças. A luz que emanava dela serviu-lhe de guia para
finalmente encontrar o caminho que o traria para fora das trevas. Embora não a
tivesse mais reencontrado depois daquele dia, certamente a luz que ela lhe doara
permanecia acesa em seu coração e lá estaria para todo o sempre.

 




Embora soubesse que um dia a reencontraria e o tempo em que ficariam finalmente
juntos ainda chegaria, não conseguia impedir o sentimento de desolação por não
tê-la por perto, por nunca mais ter tido uma notícia provinda diretamente dela.
Aquele beijo foi o maior êxtase de sua vida, um beijo que foi muito além da
matéria física. Em seus braços sentiu uma paz que jamais sentiu nem em ilusões,
o calor de sua áurea que aquecia sua alma, que fez com que finalmente enxergasse
a luz, libertando-o das trevas que o consumia há anos, quase por toda a sua
vida.

 




Por vezes pensou em procurá-la, pedi-la em casamento, seqüestrá-la, sei lá,
talvez só para terem uma breve conversa amigável ou mesmo poder rever aqueles
olhos cor de mel que lhe faziam tanta falta e, só na ausência dos mesmos,
percebeu o quanto eles sempre lhe davam a força que continha no interior daquela
menina. Mas tinha um medo irracional, justo ele que não chegou a temer nem
sequer o pior bruxo do mundo mágico, tinha medo de destruir aquele laço que se
formou naquela noite e, tinha medo, principalmente, de descobrir que estava
terrivelmente enganado a respeito de tudo, talvez por amá-la tanto, tenha criado
expectativas demais e tudo o que aconteceu não era exatamente aquilo que
acreditava. Sim, era realmente um medo infantil e irracional, mas não queria que
aquele momento em que viveu seu nirvana fosse quebrado de jeito algum. Uma
verdadeira tolice, mas... ele não havia sido, de certa forma, tolo a vida
inteira?

 




Mas ele sentia, de alguma forma, que algo estava para se resolver, que o tempo
para algo totalmente novo em sua vida estava para começar. Andava pelos
corredores de Hogwarts e olhava para tudo com certa admiração, como se não
tivesse estado ali por séculos. Algo muito diferente passava por sua mente: como
se fosse um trailer de filme, várias imagens de seu passado passavam diante seus
olhos, imagens que coincidiam com os lugares dentro do castelo, mas, o mais
estranho, era que todas eram imagens de boas lembranças ou apenas de fatos
curiosos que presenciou. Isso era realmente estranho, pois não sabia que tinha
tanta coisa boa para relembrar. Será que sua vida estava no fim?

 




Já que estava sendo agraciado por seu próprio cérebro que lhe fornecia imagens
de um passado bom que julgava não existir, lembrou-se de descer até os jardins,
ir praquele cantinho tão especial que foi testemunha do mais sublime momento de
sua vida. Queria muito estar com ela, reviver tudo aquilo novamente, queria sua
luz, sentir seu corpo, seu calor, o sabor de seu beijo. Se ele não pudesse vir
nunca mais a experimentar novamente essa sensação, ao menos se faria valer de
reviver as lembranças, pois acontecesse o que fosse, isso jamais seria tirado de
si.

 




Apesar do momento não relembrar em nada o que ali passou, sentou-se,
simplesmente, em frente ao lago e ali ficou a contemplá-lo. Eram por volta das 4
horas da tarde e o sol de verão, ainda alto, lhe ardia as costas cobertas com a
camisa negra, que só fazia intensificar o calor. Mas isso pouco importava. Em
outros tempos, teria a certeza de que viraria pó se ficasse um minuto sequer
exposto aquele sol que, para ele, era escaldante. O lago, plácido como sempre,
refletia brilhos difusos. Observou atentamente toda a extensão diante de si,
admirando todas aquelas luzes e sombras que só poderiam ser visíveis com o sol
forte. Jamais imaginara que na natureza houvesse tentas cores e em tons tão
variados como agora estava vendo. A copa das árvores não era apenas verde, mas
com diversos tons de verde, que passava pelo amarelo e até o banco intenso que
era o reflexo direto dos raios de sol. Olhou acima das árvores e viu um céu de
intenso azul que se diluía em alguns pontos com nuvens tão finas como vapor.
Jogou-se para trás, deitando na grama com os braços sob a cabeça. Fitou por mais
um tempo aquele azul infinito. Acompanhou com o olhar alguns pássaros que
pareciam brincar no ar, caçando insetos. Viu algumas borboletas voando
desengonçadas. Fechou os olhos para sentir melhor o calor do sol que iluminava
seu rosto. Sentiu a brisa fresca deslizando por sobre si. Não sabe se tinha
adormecido, mas as imagens que buscava se formaram diante de seus olhos
cerrados, misturando-se.

 




E o dia seguinte chegou.


 




Já quase anoitecia quando Dumbledore recebeu uma jovem muito bonita e esbelta em
seu escritório. Roçando-lhe as pernas sobre as vestes longas, estava um gato
persa alaranjado, como a cumprimentá-lo. Alvo dirigia-lhe um olhar e um sorriso
divertido. Era estranho, mas sentiu saudades daquele bichano.

 




Sentando-se em sua cadeira atrás de sua escrivaninha, Dumbledore convidou a moça
para senta-se diante de si, o que fez, prontamente, sem um minuto sequer
desmanchar seu largo sorriso. Olhava tudo em volta com o coração em ritmo
acelerado, não imaginava que até mesmo o escritório do diretor lhe traria tanta
saudade. E ali estava novamente, de volta e, desta vez, para ficar para a vida
inteira, assim esperava - e almejava neste momento.

 




Alvo apenas esperava que Hermione voltasse seu olhar para ele para começarem a
conversas. Seu típico sorriso divertido e olhos confiantes permaneciam em sua
expressão. Bichento pulou no colo da mãe, que a fez despertar das lembranças e,
assim, encarar o diretor que aguardava sua atenção.



 




_Senhorita Granger, saiba, mais uma vez, que é uma imensa alegria e uma grande
honra tê-la conosco novamente e, desta vez, como uma colega nossa no corpo
docente!

 




_A honra é toda minha, Professor! Estou muito feliz mesmo de voltar pra Hogwarts!
Mais feliz ainda em poder dar minha contribuição para o mundo mágico. Sei que é
uma pretensão grandiosa demais, mas quero muito contribuir para mudar a
mentalidade dos bruxos em relação aos trouxas. Tenho certeza de que isso ajudará
e muito a evitarmos que um novo Voldemort surja algum dia...

 




_É realmente uma pretensão grandiosa, mas em momento algum é arrogante e
presunçosa. Quando a senhorita veio até mim, quando tinha apenas 15 anos, e me
contou suas idéias, que ainda estavam apenas germinando, achei tão fabulosa que
queria pôr em prática naquele mesmo momento. Mas como estávamos na iminência de
uma guerra contra as trevas, esse esforço teria sido em vão, mesmo porque não
haveria ninguém qualificado o suficiente para repassar aos alunos um complexo
estudo sobre os trouxas. Graças aos esforços de todos e sacrifícios de alguns, a
treva foi derrubada e agora permanece enfraquecida. Este é o momento certo para
cuidarmos dos conceitos que a nova geração de bruxos fará sobre aqueles que lhes
são também semelhantes, embora não tenham a mesma graça de contar com a magia.

 




_Agora me diga, senhorita, em que mais se qualificou, além do Magistério Bruxo?

Hermione continuava a sorrir e mordia os lábios inferiores. Estava ansiosa por
contar sobre seus estudos e sua preparação para exercer o cargo com a qualidade
que exigia. Começou a contar sobre tudo o que tinha feito nesses últimos cinco
anos, que dedicou única e exclusivamente aos estudos, ainda mais do que fazia na
sua época de Hogwarts. Tudo que queria era adquirir o máximo possível de
conhecimento. Deve ter lido metade dos livros trouxas existentes. Cursou, ainda,
duas faculdades trouxas, de Sociologia e Pedagogia, além de uma pós-graduação no
ramo da psicologia, Relações Humanas. Muitas horas se passaram, inclusive a hora
do jantar. Ambos estavam tão envolvidos na conversa que nem sequer perceberam o
tempo voar.



 




Minerva McGonagall adentrou o escritório de Dumbledore, muito preocupada pela
ausência do diretor no jantar. Já entrava ralhando com o diretor, quando avistou
uma pessoa de longos e cheios cabelos castanhos encacheados, que virou-se para
ela com um imenso sorriso e olhos muito brilhantes.

 




_Por Merlin! É você mesma, Hermione?! - a velha professora ficou com os olhos
rasos d’água ao rever sua aluna favorita depois de tantos anos.

 




Hermione levantou-se e andou alguns passos em direção à professora, que se
adiantou e abraçou maternalmente a moça. Sua alegria era tanta que enchia o
ambiente.

 




_Que saudades, professora! - os olhos de Hermione também encheram-se de
lágrimas.

 




_Oh! Filha! Como você está linda! O que tem feito? O que tem passado? - Minerva
segurava o rosto da menina para encará-la. Hermione era naturalmente alta,
esbelta, mas os sapatos de saltos davam-lhe ainda mais altura que obrigavam a
professora, que também era mais alta que habitualmente uma mulher seria, a
levantar um pouco a cabeça para olhá-la.

 






Dumbledore aproximou-se das duas mulheres, com seu sorriso costumeiro, para dar
a Minerva a grande notícia.

 




_Minerva... a partir de hoje teremos a senhorita Hermione Granger como a nossa
nova professora de Estudos Sobre Trouxas!






_Mas, então era dela que você falava, seu velho brincalhão?! Como você falou que
tratava-se de um professor, um homem, jamais teria imaginado...

 




_Mas era essa mesma a minha intenção, Minerva! O suspense quebra a rotina. Se eu
tivesse falado que tratava-se de uma mulher, acho que você teria descoberto de
imediato e teria estragado a minha surpresa, hihihi!

 




_Oh, tudo bem Alvo, está perdoado! E você, querida, irá lecionar Estudos Sobre
Trouxas... há muitos anos essa cátedra foi desativada por não termos ninguém
apropriado e qualificado para a função... mas, creio muito, que você é mais que
perfeita para essa missão!

 




_E realmente trata-se de uma missão, Minerva...

 




Os três permaneceram por um bom tempo ainda no escritório do diretor, contando
os planos, as novidades, contando como ia a vida nos últimos tempos, enfim, uma
longa e gostosa conversa entre grandes amigos que não se viam há muito e muito
tempo...

 




*


 




Severus Snape demorou-se no jantar, mas comera muito pouco. Algo pressionava o
seu peito e estava sentindo-se angustiado com aquilo. Só sentia-se assim quando
a saudade de Hermione era forte demais a ponto de não conseguir se distrair com
nada. Desistiu de tentar comer alguma coisa, e saiu do salão.

 




Ia em direção às masmorras, mas algo no caminho evitou que continuasse,
interrompendo seu percurso com algo que lhe chamava a atenção.

 




Havia passado por uma sala que, em seus mais de 30 anos de Hogwarts, não se
lembrava de ter visto antes. Achou que tratava-se da tal sala de requerimento,
mas lembrou-se de que esta ficava no sétimo andar do castelo... ou seria que ela
mudava periodicamente de lugar também? Sua porta estava entreaberta, como se
convidasse a adentrar a sala. Pelo vão, via algo refletindo a luz que vinha do
corredor. Snape deu asas a sua curiosidade e entrou na sala, para ver do que se
tratava.



 




A sala era enorme e em suas paredes havia muitos vitrais em motivos barrocos.
Estranhou a luz que passava por eles, pois era noite e não estava na época de
lua cheia ou mesmo crescente a ponto de lançar toda essa luminosidade. Teve a
impressão de que a sala parecia aquelas imensas construções trouxas de estilo
gótico ou barroco que os trouxas chamavam de catedral ou algo do tipo. Andando
lentamente e olhando para tudo. Apesar da tênue luminosidade do ambiente, era
possível ver com certa clareza o que havia ali dentro. Alias, o salão estava
desprovido de qualquer móvel ou objeto, apenas estava ali um grande espelho de
corpo inteiro com adornos muito bem trabalhados. Aproximou-se do espelho com
cautela e viu a descrição que trazia na base:

 




"Oãçarao ues ed ojesed o, mis sam, otsor ues o ortsom oãn ue."

 




_É o espelho de Ojesed! Mas eu tinha certeza de que Alvo o havia trancado no
depósito, onde ninguém pudesse ter acesso a ele... por que ele está aqui?"

 




Aproximou-se mais do espelho, com certo temor. Apenas uma única vez encarou o
espelho de Ojesed, quando ainda era aluno e estava em seu sexto ano. Naquela
ocasião, o espelho mostrou o que, para ele agora, era extremamente assustador,
mas, na época, serviu como ponto de partida para a decisão mais estúpida de sua
existência, a de aliar às trevas. Seu temor era de que o espelho mostrasse algo
escondido em seu coração que ele não tivesse plena consciência, embora ele
soubesse exatamente qual era seu mais profundo e imutável desejo.



 




Pôs-se frente ao espelho, respirando fundo como se preparasse para encarar sua
sentença. No primeiro instante, apenas seu exato reflexo aparecia, então ele
pode reparar o que todos já haviam notado, menos ele: sua aparência era muito
diferente do que fora há muito e muito tempo. Suas feições já não eram mais tão
sérias e sua expressão não tão mordaz. Seus olhos não traziam mais amargura e
rancor, mas transmitiam uma força que julgava jamais possuir. Sua fisionomia de
homem maduro com uma juventude que não fora altera pelo tempo. Mas, antes que
terminasse sua auto-avaliação, a superfície do espelho ondulou como a água do
lago, formando uma imagem difusa que ainda não era possível distinguir. Sentiu
um leve tremor e prendeu a respiração, involuntariamente. A imagem que se formou
foi a de duas pessoas de braços dados: uma era ele próprio, a outra era,
certamente, Hermione... não tinha certeza, pois estava um pouco diferente do que
ele se lembrava dela. Estava ainda mais linda, com o mesmo sorriso cativante e,
mesmo sendo uma imagem ilusória, transmitia a mesma força e mesma luz. Seus
cabelos estavam muito mais longos, pendendo em grandes cachos, seu rosto e seu
corpo eram de uma mulher já formada, apesar de ainda estar ali seu ar de menina.

 




Snape espalmou sua mão esquerda sobre a face da imagem de Hermione que estava
diante de si dentro daquele espelho. Em seguida, recostou a testa e fechou os
olhos. Estava, ao mesmo tempo aliviado por não ter encontrado nada obscuro em
seu coração e feliz por revê-la tão quase realmente, mas sentiu a pressão em seu
peito apertar ainda mais seu coração. Precisava daquela moça! Isso era vital!
Estava decidido a não esperar mais e ir procurá-la, custasse o que fosse, nem
que para isso tivesse que pagar com uma amarga decepção.

 




Pelo corredor principal, Hermione ia caminhando junto com Bichento. Pretendia
passar a noite no salão comunal da Grifinória e, de preferência, dormir na mesma
cama que pertenceu a si por sete anos. Estava cheia de saudades de tudo aquilo,
de cada pedrinha polida de cobria o chão, de cada tocha acesa pelos corredores,
estava cheia de saudades da torre da Grifinória. Matar a saudade é mesmo algo
muito gostoso, até parecia que conseguia ver e ouvir o burburinho de alunos,
embora estivesse completamente sozinha naquele corredor, tendo apenas a
companhia do gato de cara chata. Teria um dia longo amanhã. Seria apresentada
aos professores como a nova professora da escola. Era uma situação até
engraçada. Pensava como seria seu reencontro com Severus. Jamais o esqueceu.
Jamais o retirou de seu coração. Porém, tinha receios de que ele fosse a tratar
da pior forma possível, por ter cortado contato mesmo depois de ter vivido com
ele aquele momento tão intenso, aquele beijo... seu sorriso desaparecera do
rosto, dando lugar a ares de preocupação. Não quis perguntar e nem permitiu que
lhe falassem sobre Severus Snape, queria constatar por si mesma, sob qualquer
pena que teria que suportar por isso. De repente, Bichento saiu correndo,
largando Hermione para trás, que fez com que ela despertasse de seus
pensamentos.

 




_Bichento! Fique aqui, gato! - Murmurou alto, temendo fazer muito barulho que
quebrasse aquela tranqüilidade do lugar. Não adiantou chamar pelo gato, pois ele
entrou rapidamente por uma sala que tinha a porta entreaberta mais à frente.

 




O gato foi em direção ao homem que estava parado no meio do salão, com a cabeça
apoiada num espelho. Bichento, muito sem-vergonhosamente, correu em direção às
pernas do homem e começou a roçá-la, envolvendo com sua grossa cauda, ronronando
alto, o que fez com que Severus despertasse de suas ilusões. Olhou meio alarmado
para o chão, para se certificar do que acontecia ali. Deu um sorriso ao ver que
se tratava de um gato, mas estranhou por não se lembrar de ter visto aquele gato
por ali. "Será que é o novo companheiro de uns dos professores?" - Abaixou-se,
apoiando-se no chão com um dos joelhos, para olhar de mais perto aquele gato e
retribuir o afago tão gentil. Passou a mão sobre a cabeça de Bichento, que o
encarou com aqueles grandes olhos amarelos de pupilas negras dilatadas, que mais
parecia um fino cristal de vidro pelo brilho que refletia.

 




_Um gato persa alaranjado? Você se parece muito com aquele gato feio da Srta.
Granger... mas não é possível que ela tenha lhe abandonado aqui e só agora eu
tenha te visto... que tolice! É claro que Hermione jamais o abandonaria!

 




Neste momento, entra pela porta de forma cautelosa, uma pessoa alta e magra, que
parecia ter cabelos muito cheios. Apenas era possível ver sua silhueta recortada
pela claridade das tochas que vinham do corredor.

 




_Bicheto! Você está aí? - Hermione focalizou uma pessoa que estava banhada pela
pouca iluminação, mas não era possível distinguir de quem se tratava. Achou que
talvez fosse o zelador Argo Filch. Aproximou-se o mais lentamente possível.

 




_Oh! Me desculpe senhor! É o meu gato! Ele saiu correndo e entrou aqui. Espero
que ele não tenha feito nada errado! - Hermione parou quase no centro do salão,
a poucos metros daquele homem que tinha Bichento enroscado nas pernas. Sua vista
estava se adaptando àquela pouca luminosidade, então já conseguia distinguir as
imagens.

 




O homem pôs-se em pé virando-se na direção daquela moça. Seu coração havia
disparado. Ele reconhecia aquela voz, embora esta estivesse com o timbre um
pouco mais grave do que ele se recordava. Arriscou um palpite, mesmo correndo o
risco de ser ridicularizado, mas...

 




_Hermione?

 




Hermione estremeceu! Era a voz do professor Snape, e continha a mesma doçura
daquela noite da formatura. Mas, a figura que estava diante de si era muito
diferente daquela que conviveu por sete anos. Era realmente um homem magro e
alto, de ombros largos que ficavam mais evidentes sob aquela camisa fina branca
de manga longa, jogada displicentemente sobre o corpo e sobre a calça negra.
Seus cabelos eram longos, que iam até a altura dos cotovelos, estavam presos num
rabo de cavalo que caia sobre o ombro esquerdo, pendurado diante de seu peito.
Aproximou-se por impulso, movida mais pela curiosidade. Não podia crer que
aquele homem fosse Severus Snape que conheceu e que amava profundamente. Estava
tão diferente. Estava realmente bonito e... mais jovem?!

 




_Pro-professor Snape?! - gaguejou, insegura.

 




_Sim, Hermione... isso não é um sonho, é? - Aproximou-se da moça e pegou suas
mãos que estava cruzadas diante do rosto, demonstrando claramente sua surpresa e
tensão. Era pouco a luminosidade do ambiente, mas de perto era possível ver
claramente a figura que estava parada diante de si. Observou por um longo tempo
aqueles grandes olhos cor de mel, que brilhavam intensamente. A pressão em seu
peito havia cedido lugar a uma ardência que começava a espalhar por todo seu
corpo. O rosto de Hermione era idêntico ao que vira no espelho há poucos
minutos, emoldurado por sedosos e brilhantes cachos que caiam soltos pelos
ombros indo até a cintura. Ela havia crescido, estava bem mais alta, não
precisaria mais abaixar tanto sua cabeça para beijá-la. Com esse último
pensamento, alargou ainda mais seu sorriso para a menina.

 




Ainda segurava as mãos de Hermione, que pareciam úmidas e frias, decerto pela
ansiedade que era compartilhada por ambos. Levou suas mãos até seu rosto,
beijando-as delicadamente. Queria sentir o cheiro, o gosto, a textura de sua
pele para certificar-se de que não era uma ilusão... e não era! A Hermione que
estava diante de si, com olhos marejados em lágrimas era real! Ela havia
voltado! Emanava de si o mesmo calor e a mesma luz. O tempo de espera havia se
findado.

 




_Severus... eu... me desculpe! Todo esse tempo eu estive trabalhando para poder
concretizar um sonho... eu estive envolvida apenas com isso e... me desculpe por
não ter mantido contato... o que fiz foi para que pudéssemos ficar juntos no
futuro e...

 




Hermione foi calada com um beijo carregado de ternura, ainda mais do que fora
naquela noite. Após os breves instantes de surpresa, ela entregou-se àquele
beijo, era leve e tímido, mas carregado de um carinho que duvidava que qualquer
outro ato pudesse transmitir. Severus cessou o beijo, abraçando a moça com todas
suas forças, como se temesse que ela evaporasse dali a qualquer momento.

 




_Não diga nada, Hermione... não é necessário... - Snape perdia-se entre as
madeixas de Hermione, querendo preencher seus pulmões com aquele perfume que
tanto sentia falta. _Nosso tempo finalmente chegou... agora sim é a hora... não
importa quanto tempo tenha levado...

 




Luzes intensas passavam pelos vitrais do salão, dando vários nuances de cores
naquele ambiente ainda escuro. Uma neblina parecia brotar do chão, difundindo os
raios de luz. Aquele raro e tão precioso momento se repetia e eles sabiam que
agora era para sempre.

 






Oº°‘¨FIM¨‘°ºO


 





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bY Snake Eye's, 2004.

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N/A Finais: Quero agradecer ao amigo Bruno Horta, por ter baixado essa música
lindíssima, "She's Like The Wind", através do Kazaa. Danem-se os donos de
gravadoras, essa música eu não conseguiria comprar em cd nem se quisesse!
Cantada por um dos melhores atores americanos, Patrick Swaize, para o filme
Dirtying Dancin (1988/89, por aí)- coisa pros oitentistas saudosos. Também
agradeço pela tradução da mesma - my english is very, very bad!



Os menos distraídos devem ter notado que esta é a minha primeira songfic. Logo
que li a tradução, veio em mente algo SS/HG - a música em si é quase uma trilha
sonora para tal shipper... tá, talvez eu esteja exagerando um pouco, mas... -
também devem ter notado que eu sou um estreante nesse mundo das fanfics.
Peço-lhes paciência, pois prometo melhorar... acho que preciso de mais prática,
além de ler ainda mais.



A minha maior inspiração para a narrativa deste songfic vem da
escritora/poetisa/jornalista Rosemary Lopes Pereira. Editora do jornal
independente, poético e cultural "O Radar", de Apucarana, Paraná. Todos os
textos dessa mulher maravilhosa são dotados de uma beleza singular, mergulhados
na sensibilidade da poesia. Seja o editorial, seja em resposta às cartas, seja
em legendas ou grandes textos, a Sra. Rosemary Lopes coloca toda a sua alma e
sua paixão em cada linha. Impossível não se deixar influenciar. Impossível não
se sensibilizar com cada frase, cada palavra. Se você quiser conhecê-la, entre
em contato através do endereço: Praça Rui Barbosa, 252, s/107 - Cx. Postal 601 -
Apucarana, PR - 86800-700. O jornal trabalha no esquema de assinaturas, mas vale
muito a pena, mesmo, mesmo, mesmo!

 


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