Luz de Maio



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Songfic - Ela É Como O Vento - Estrofe I - Luz de Maio

By Snake Eye's - 2004

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She's like the wind through my tree

(Ela é como o vento atravessando a minha árvore)




She rides the night next to me

(Ela corre na noite perto de mim)




She leads me through moonlight

(Ela me guia através da luz do luar)




Only to burn me with the sun


(Só para me queimar com o sol)




She's taken my heart

(Ela possui o meu coração)




But she doesn't know what she's done

(Mas ela não sabe que ela se foi)



 




Oº°‘¨Parte I - Luz de Maio¨‘°ºO



Um fim de tarde de atmosfera dourada pairava sobre os jardins de Hogwarts, que
trazia consigo o perfume de flores daquele fim de Primavera, agora que era final
de maio, faltando apenas algumas poucas semanas para encerrar-se o ano letivo e,
para muitos alunos, encerrar-se-ia aquela fase da vida... sim, e para alguns,
para uma pessoa em especial, seria encerrar a melhor fase de sua vida, como a
fechar um livro que trazia dentro de si belas histórias em vários contos, com
gêneros variados que se misturavam não muito harmoniosamente, mas, com certeza,
magistralmente escritos.

 




_Ha ha... só eu mesma para comparar minha vida a um livro...




Hermione sorria tristemente, amparando suas últimas lágrimas que caiam,
recostada numa frondosa árvore a beira do lago. Abraçava ao peito um grosso
livro com encadernação em couro... era seu diário, o seu livro de sua vida em
Hogwarts, que por sete anos acompanhou-a silenciosa e secretamente à vista de
qualquer outra pessoa. Lá estavam todos seus sonhos, seus acontecimentos, seus
medos, dúvidas, alegrias, segredos... os sete anos mais intensos de sua vida
estava lá escritos numa bela e delicada caligrafia, com muito carinho impresso
em cada letra, em cada ponto, em cada vírgula...

 




_Paulo Freire estava certo: "Se muito vale o já feito, mais vale ainda o que
virá!"




Com um olhar carregado de ternura e ainda marejado pelas lágrimas, dando-lhe um
brilho ainda mais intenso, Hermione acariciava a capa de seu diário. Ainda não
havia acabado, algo ainda surpreendente poderia ali ser impresso a pena e
tinta... ainda havia um pouco mais de um mês pela frente até o término
definitivo daquela maravilhosa fase de sua vida. Entretanto, sentia-se muito
triste por não ter escrito aquilo que mais desejava nos últimos dois anos...
gostaria de deixar ali impresso que seu amor finalmente fora correspondido,
aquele mesmo amor que tomou páginas e mais páginas durante esses dois anos em
relatos de angústia, sonho e esperança...

 




_Você é uma tola, Hermione! Apesar de tudo, apesar de todo essa sua aparência
madura e confiante de si mesma, você não passa muito além de uma garotinha tola
que nutre um amor platônico por alguém inalcançável...




Dizia para si mesma, com a cabeça debruçada sobre o livro apoiado sobre as
pernas.




No instante seguinte, ouve alguns passos leves, que vinham roçando delicadamente
a grama em direção ao lago. Hermione se encolheu ainda mais entre as grossas
raízes da árvore, não queria que ninguém a visse ou perceberiam que ela esteve
chorando; na verdade, ela é que não queria ver ninguém. Aquele era seu momento
sagrado de solidão e recolhimento, o momento que dedicava única e exclusivamente
ao seu Eu verdadeiro, que estava, na maior parte do tempo, sufocado pela
aparência que tinha que zelar, a da aluna perfeita, da monitora-chefe competente
e seguidora de normas, da menina que vivia na biblioteca respirando livros...!

 




Diante do lago de águas plácidas que apenas se ondulavam com a leve brisa que
corria naquele fim de tarde, que trazia consigo pétalas, folhas e o anúncio do
Verão que estava por vir brevemente, um homem esbelto, de cabelos lisos e
compridos até os ombros e trajes negros, que voavam graciosamente ao vento,
deixando transparecer um semblante que transmitia algo próximo a dor de que algo
era sufocado na tentativa de que deixasse de existir. Em suas costas, o brilho
amarelo do sol poente daquele fim de maio refletia sobre as águas do lago, que
devolvia num brilho movimentado e desinforme à face pálida e aos olhos negros
daquele homem. Olhos negros como a noite. Mas, mesmo na noite mais escura sem
luar, ainda existia algum brilho ofuscado das estrelas. Seus olhos inspiravam
dúvidas e uma dor sufocante. Olhos são as janelas da alma. Por mais que tente
enganar aos outros e a si mesmo, por mais que creia que consiga isso, e por mais
que consiga de fato, os olhos sempre denunciarão o que vem da alma...
infelizmente, aquele homem de passado triste e espírito amargurado, há muito não
mais enxergava seus próprios olhos.

 




A curiosidade de Hermione falou mais alto, então ela deu uma espiada por sobre o
ombro para se certificar de quem era aquele intruso que ousara invadir seu
cantinho naquele momento especial e raro que dedicava a si mesma, à garotinha
tola que vivia escondida num cantinho escuro de seu coração, que era sufocada
durante todas as outras horas do dia, mas naquele momento era libertada para vir
a tona e respirar, para dar-lhe a chance de continuar a viver. Sentia uma ponta
de raiva e ciúme, por ali estar alguém que não deveria estar, não naquele
momento tão precioso que ela julgava que aquele lugarzinho a beira do lago era
exclusivamente seu. Sentiu como se seu coração tivesse parado de bater no
instante que seus olhos focalizaram o intruso. Um calor saído de seu peito a
envolvia como uma leve neblina no mesmo instante que sentia que seu coração
voltava à ativa, mas agora num ritmo mais acelerado, com se estivesse ofegante;
sua respiração parecia acompanhar o mesmo ritmo cardíaco, enquanto engolia a
seco e a razão escapava-lhe à mente. Estava travando uma luta contra si mesma,
uma luta da Hermione racional e ponderada com a Hermione garotinha que vivia
oprimida em seu âmago. Queria esconder-se ainda mais, pois, dentre todos daquela
imensa escola, aquele homem era o último que ela não gostaria que a visse
naquele momento em que libertara a sua Eu tolinha, que era indefesa e ingênua.
Mas também queria, mais que qualquer coisa no mundo naquele momento,
aproximar-se dele, nem que fosse para uma brevíssima troca de olhares e respirar
do mesmo ar que ele, naquele lugar...

 




"_Menina boba! Sei o quanto quer isso, mas seja ponderada! Por favor, não vá me
trair!" - Sussurrava para si mesma, enquanto erguia-se do chão, com os olhos bem
fechados como se olhasse para dentro de si.




Severus Snape percebeu um ruído como de passos sobre a grama, que lhe trouxeram
de volta ao mundo real, despertando-lhe de seus pensamentos com se tivesse sido
hipnotizado pelo brilho ondulante do lago. Virou-se para a direção dos passos,
sem se preocupar ou, talvez, não tenha se dado conta de ocultar sua expressão
relaxada que lhe dava um ar de garoto desamparado. Com os cabelos finos
movimentados pelo vento, os lábios entreabertos e o brilho dourado que era
emprestado pelo sol poente, Severus esperava pacientemente a chegada do dono
daqueles passos... sentia-se num momento etéreo, como se nada ali pudesse
sobressaltar-lhe, como se estivesse dentro de um sonho infantil que era banhado
de ouro. A luz do sol ofuscava-lhe a vista que não lhe permitia uma focalização
exata do ser que caminhava em sua direção. Apenas via uma figura que irradiava
uma fosca e intensa luz.

 




Apenas o sol por testemunha. Seus raios tenros e fracos banhavam de dourado toda
aquela belíssima paisagem de fim de maio. Pelo ar voavam pequenos insetos e
pequenas plantas que mais lembravam leves plumas ou finos chumaços de algodão.
Tudo parecia irradiar luz. Uma luz branca fria aquecida por uma luz levemente
dourada. As águas do lago brilhavam num leve movimento como se a brincar com a
brisa que soprava incessantemente. Toda aquela luz impedia que qualquer outra
pessoa enxergasse algo além de sopros leves de figuras embaçadas. Apenas o sol
servia como testemunha de um momento ímpar e veloz, mas que parecia durar uma
eternidade.

 




Severus virou-se diante daquela figura que aproximou-se apenas alguns metros de
si. Suspirou profundamente e mantinha os lábios entreabertos, como se quisesse
dizer algo, mas nada saía de sua boca além de sua respiração. Não dizer, como se
qualquer som além do ruído do vento sobre a vegetação pudesse quebrar aquele
momento sublime, carregado de uma beleza singela e inocente. Por uns instantes
que lhe pareceram horas, sua visão ficou presa como se enfeitiçada pela figura
daquela moça linda que estava parada há alguns metros diante de si. O dourado do
sol emprestava-lhe um brilho que ele jurava que tal brilho emanava dela própria.
Aquela luz de amarelo pálido acobreava-lhe os grandes cachos e deixava seus
olhos ainda mais vívidos, numa cor dourada de mel translúcido pelos raios de
sol. Havia um leve sorriso em seu rosto alvo, que logo deu lugar a um sorriso
largo e sincero. Hermione abraçou ainda mais forte seu livro contra o peito, e
andou em direção ao seu professor. Este permaneceu inalterado, cujo único
movimento vinha da brisa que parecia brincar com seus cabelos e sua capa negra.
Apenas absorvia aquele precioso instante, temeroso de que qualquer movimento ou
palavra sua pudesse vir a quebrá-lo como se fosse um cristal muito fino e
delicado.

 




_Boa tarde, professor...




Hermione passou por Snape sorrindo, porém com a cabeça abaixada com se fizesse
uma reverência. Snape apenas a acompanhava com os olhos, e, virando-se
lentamente para acompanhar a imagem daquela moça maravilhosa que sumia por entre
a luz, que sempre estava tão próxima, mas era também tão distante...

Severus voltou-se para o lago quando não mais podia ver a figura que se desfez
em direção ao poente. Jogou a cabeça para trás e respirou profundamente como se
não tivesse respirado por um longo tempo. Mantinha os olhos serrados, tentava
sorver todo aquele rápido e precioso instante... sabia que aquele momento
ficaria para sempre em sua memória. Não houve palavras. Não houve gestos. Apenas
um breve olhar. Um simples e delicado 'boa tarde'. Mas é como se tivesse vivido
o maior êxtase de sua vida. Um momento que duraria para sempre...

 




Hermione caminhava em direção à entrada do castelo, com um sorriso tão largo
quanto insistente. Sentia ter experimentado uma felicidade verdadeira. Sentia
como se um fogo ardesse dentro de sua alma. Ela tinha certeza de que vivera por
breves instantes uma felicidade rara, uma alegria verdadeira que jamais se
conseguiria através de qualquer coisa material, qualquer brincadeira, qualquer
diversão. Era algo muito diferente, como se algo em sua alma se preenchesse,
sentia algo inflado dentro do peito e não conseguia desfazer o sorriso. Nem
palavra, nem gestos... apenas o olhar, apenas a presença. Isso foi viver a
felicidade na sua essência. Algo ímpar. Algo que não se compra, não se adquire,
não se planeja, não se sabe da existência até senti-lo... esse momento jamais
será apagado, não importa o que vier, pois muito vale o que foi feito... muito
já vale este raro momento vivido.



 



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Fim do Primeiro Capítulo - continua...

By Snake Eye's - 2004

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N/A: Esta é a minha primeira songfic, e a 2ª fanfic que escrevo - por acaso
simultaneamente com a 1ª -_-' (...) Bem, acho que deveria ser uma songfic, algo
curto intercalado com as estrofes da canção escolhida, mas calhou de aparecer
muitas idéias no caminho, que ficou esse troço imenso. Então, decidi o seguinte:
estarei dividindo esta SongFic em 3 Episódios, que irão de acordo com cada
estrofe de 'She's Like The Wind", que, por acaso, são 3. Aí então fica o
trabalho para o leitor de juntar tudo e lê-la por inteira, como se fosse uma
coisa só.

 


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