TIME COMPLETO



CAPÍTULO 4:

A Caminho da loja, depois de já terem arrumado um outro lugar para morar, na rua residencial que existia ao final do Beco Diagonal, onde acharam uma pequena e jeitosa casinha e providenciado a mudança, Angelina e Reka foram caminhando lentamente para encontrarem os gêmeos na loja.

Angelina notava que a prima estava com uma expressão séria e algo confusa. Com muito tato perguntou:

- Você realmente foi pega de surpresa, né?

Reka respondeu olhando para frente.

- É. Com certeza que sim. – e continuou – Sabe o que é, Angie, é muita coisa acontecendo em tão pouco tempo. O fim daquele namoro conturbado. A vinda para um país totalmente diferente do meu. Nunca morei sozinha. E juro, não estava pensando em me envolver com ninguém nem tão cedo...

- Mas ele lhe balançou, não é verdade – perguntou a prima.

Reka olhando agora para Angelina, respondeu.

- Como não haveria de balançar? Nunca fui tratada com tamanha atenção e cavalheirismo. Principalmente depois do que me aconteceu com o Beto. Beto era muito grosseiro e egoísta. Só pensava nele, no bem estar dele. De mostrar que estava com uma garota inteligente e simpática. Mas eu fiz papel de boba. Me entreguei a ele. Me anulei por quase três anos, sem procurar um emprego, sem fazer qualquer especialização em magia avançada. Não pensei no meu futuro. Para mim meu futuro seria com ele. – agora ela estava chorando com as lembranças.

Angelina passou os braços pelos ombros da prima.

- Mas agora você está aqui – falou carinhosamente – é um outro país, outros costumes. É começar de novo. Bola para frente.

-É, eu sei...

- E olha a sua sorte – continuou Angelina – um dos caras mais cheio de humor, bacana e honesto lhe arrumou um emprego e ainda está apaixonado por você. Não viu que demorou mais de seis anos para o cego do irmão dele entender que eu gostava dele. Com você não foram nem 24 horas.

Reka, agora secando os olhos na manga do casaco, perguntou:

- Mas será que não é muito cedo para começar um relacionamento depois de eu ter me machucado tanto?

- Reka, minha querida, uma vez eu vi um filme dos trouxas chamado “A Sociedade dos Poetas Mortos”, (muito bom por sinal, você bem sabe que os trouxas fazem muito bem esse negócio de filmes), onde o lema de vida que um professor revolucionário passava para os seus alunos era “Carpem Diem” – Aproveitem o Dia. – e sacudiu o braço da prima – curta o presente! Faça de hoje o melhor dia de sua vida e sempre! O Fred está querendo namorar com você? Vai fundo, experimente. Eu lhe garanto que ele é um cara legal, de família. Meio doido, bem sei, mas autêntico e verdadeiro.

- Bem, não sei...

Chegaram à loja e entraram, bem na hora em que Vera estava virando a placa da porta anunciando que estavam fechados.

- E aí – perguntou George do balcão onde estava começando a fechar o caixa – conseguiram um lugar legal para morarem?

Angelina deu um pulo e se sentou em cima do balcão dando um beijo em George.

- Arrumamos sim – respondeu – e viemos rebocar vocês dois para irem nos ajudar a arrumar a nossa mudancinha, quando sairmos daqui.

Fred que vinha dos fundos da loja carregando três caixas para repor as prateleiras da loja falou.

- Vocês querem mesmo é acabar com a gente – disse rindo – já não basta a ginástica que é ficar repondo essa poção que a Luna inventou que não para de sair, e vocês ainda vem pedir para a gente ralar mais de noite?

Passando por Reka tropeçou indo com as caixas em direção da moça, que agilmente o amparou e re-equilibrou as caixas. Mas foi um momento em que os corpos dos dois se roçaram ligeiramente. Foi como se fosse faísca. Reka sentiu um calor que não sentia há tempos. Mas discretamente se afastou um pouco, deixando o rapaz passar.

Em meia hora com a ajuda de todos, a loja já estava sendo fechada com os sete feitiços de sempre e despedindo-se de Vera, tomaram o caminho da rua residencial, onde ficava a casa nova. No caminho compraram pão e pastas e uma garrafa de vinho.

Algumas horas depois de a arrumação da casa ser encerrada, a base de muitos feitiços e piadas, e já terem comido deliciosos sanduíches com pastas de sabores exóticos que tinham comprado, Angelina e George tinham subido para o pequeno terraço,onde tinham instalado vários puffs, enquanto Fred ficara ajudando a Reka a terminar de lavar a pequena louça do lanche.

- Você está bem, Reka – perguntou Fred – está tão calada. Eu peguei pesado com aquela minha proposta, não é?

- Não, Fred , pesado não – respondeu a moça – mas que me pegou de surpresa, não tenha dúvidas.

-É, eu sei. Mas sabe o que é? Eu nunca tinha passado por uma situação dessas – respondeu Fred com a sua habitual sinceridade – nunca me senti assim tão à vontade e tão bem ao lado de alguém...

- Mas Fred – perguntou Reka, ao acabar de secar as mãos no avental e pendurá-lo – você nunca namorou antes?

Dessa vez Fred pareceu ficar ligeiramente enrubrecido

- Namorar firme, não – mas completou rapidamente – ficava com uma ou outra garota lá em Hogwarts, principalmente nos bailes de inverno ou alguma festa, tipo no encerramento ou quando ganhávamos alguma partida importante de Quadribol, mas geralmente estava com a cara tão cheia de cerveja amanteigada que nunca me lembrava com quem tinha ficado no dia seguinte.

- Puxa! – gracejou Reka em resposta – que segurança você está me passando agora. Tem certeza que você não bebeu muito vinho no nosso lanche?

- Reka, me acredite – disse Fred se aproximando da moça e segurando os ombros dela com as duas mãos – nunca senti o que estou sentindo ao estar aqui a sós com você. Eu estou perdidamente apaixon...

Reka aproximou o seu rosto do de Fred e fechou os olhos, abraçando-o e deixando os lábios do rapaz colarem aos seus, começando um longo e apaixonado beijo.

Ela até começou a pensar:

- Meu Deus, eu estou beijando esse cara que mal conheço...mas hmm, que beijo gostoso...

Foram interrompidos uns dez minutos depois por George e Angelina parados aos pés da escada que ia dar no terraço.

- Bom, Angelina – disse George – o time “Sons of Burrows”parece que arranjou uma nova batedora.

- E minha querida priminha está tirando seu pézinho de Cinderela da jaca...

O novo casal se separou do beijo e saiu correndo atrás dos outros apanhando almofadões espalhados pela sala para tacar nos dois piadistas.

Mais tarde estavam os dois casais esparramados pelos puffs do terraço, tomando os últimos goles de vinho, aos beijos e afagos ao som de uma balada lenta dos Beatles que tocava no som lá embaixo.

George falou.

- Esses carinhas faziam música direitinho mesmo, hein? – mas Angelina cobriu sua boca com mais um beijo.

- E precisou uma brasileira mostrar para gente música boa feita por ingleses há quase quarenta anos atrás – completou Fred.

Reka sussurrou maliciosamente no ouvido:

- Essa brasileira aqui tem muito mais coisa interessante para lhe mostrar.

E apontando a varinha para o candelabro da varanda disse

- Nox.

A noite foi deliciosa...


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