A Lenda



 


Eu sei que ta pequeno, mas é só pra dar um pontapé na história. O resto eu to escrevendo, mas o trabalho anda me consumindo e eu queria postar algo o mais rápido possível. Prometo que logo continuo. Beijos.


 




 



CAPÍTULO I
A LENDA


O clima frio daquela manhã fez com que todos se encolhessem embaixo de suas cobertas, tentando fugir de seus deveres e conseguir alguns poucos minutos de sono a mais. A calma com a qual o vento balançava as folhas esverdeadas das árvores que formavam a densa floresta era tão gelado que fez a pequena menina se encolher dentro de sua capa. Os curtos passos pelas ruas de terra que rodeavam todo o vilarejo só terminavam em dois pontos: na plataforma de trem ou na floresta.


Com apenas dez anos, a pequena menina loira de olhos azuis, cachos tão perfeitos e bochechas rosadas, vestindo uma roupa branca com babados e detalhes em um tom marrom claro juntamente com a capa vermelha e o capuz que cobria a cabeça, deixando a franja loira em contraste com a pele pálida e os olhos azuis, seu semblante lembrava bastante uma personagem de contos infantis trouxas.


Tudo que ela queria eram frutas frescas para sua mãe começar a preparar as tortas para vender em sua padaria no centro do vilarejo. Algo que, há pouco tempo, era bastante seguro. Cantarolando uma música ensinada por sua mãe, a menina adentrou na floresta, na parte menos densa, procurando pela macieira que ficava por ali perto, como sempre estava. Seus olhos cor do céu rodeavam todo o lugar e um arrepio subiu pela espinha da criança, a sensação de que algo estava errado.


A cesta estava segura em sua mão e ela puxou o objeto para mais perto de seu corpo, os lábios rosados tremendo por medo. Era só uma criança. Temerosa, ela avançou mais alguns passos, querendo procurar o recheio da delícia de sua mãe, agradá-la e voltar para as suas bonecas espalhadas pelo chão de madeira de seu quarto. O lugar estava diferente do que ela conhecia, parecia que as árvores tinham trocado de espaço umas com as outras para criar um labirinto sem fim. Infelizmente, ela não percebia a armadilha que era formada.


Apavorada, a doce criança deu as costas para a densa floresta e caminhou em direção a saída dali, pelo menos da onde ela lembrava de ter vindo, mas ela tinha sumido. As enormes árvores tampavam a claridade vinda do sol e ainda por cima causava uma sensação de estar sendo sufocada. Era como se toda aquela madeira se inclinasse perante ela, querendo lhe tocar com seus galhos finos e perigosos. Dar as costas para o que a apavorava tinha sido burrice. O chão coberto por folhas verdes e grossas raízes se moveu tão sorrateiramente que a criança loira foi pega de surpresa ao sentir algo duro envolvendo sua canela fina. Olhou para o chão, a raiz enrolada ali, rasgando a sua meia branca por culpa dos espinhos e do estado precário dos galhos quebrados.


Um leve puxão foi o suficiente para derrubá-la de bruços no chão, causando uma dor e uma falta de ar após a queda. Os olhos brilhavam com as lágrimas que começaram a cair grossas por seu rosto delicado, o soluço preso em sua garganta. Virou a cabeça rapidamente por cima do ombro, apoiando as mãos no chão, tentando ver o que fazia aquilo com ela. Não tinha ninguém.


A mancha escura que muito se parecia com um buraco na parte baixa do tronco da árvore se assemelhava com uma boca que se abria prestes a engolir o seu alimento. A respiração dela estava descompassada e, se preparando para gritar, virou o rosto para frente, enchendo seus pequenos pulmões de ar, mas antes que qualquer som pudesse sair pela sua garganta, algo passou por sua bochecha, encaixando perfeitamente entre seus dentes, amordaçando. Mais das raízes adquiriam vida própria e impedindo que o pedido de socorro fosse feito. Com rapidez, ela foi puxada para a fenda na base do tronco da árvore, sumindo, só deixando perdido por cima da terra e das folhas secas a cesta vazia.


Nesse mesmo tempo, as árvores pareceram se mover novamente, abrindo espaço, liberando o caminho para a orla da floresta, o sol passando por entre seus galhos e seus topos, iluminando aquele local. Era como se nada tivesse acontecido naquela bela e fria manhã.


Dias haviam se passado e a menina não havia sido encontrada. Buscas foram feitas pelas redondezas, a maioria não se atreveu a pisar na floresta encantada. Diziam que era assombrada e acabou se espalhando feito estopim pelas casas, bares e lojas. As pessoas só falavam sobre isso pelas ruas. Ninguém mais chegava perto das árvores que assobiavam com os ventos fortes quando passavam entre seus galhos e folhas.


O feno que eles recolhiam dos gramados a oeste, agora eram usados para formar uma proteção entre o vilarejo e a floresta. Era o limite que se podia alcançar. Nos limites da cidade, havia uma torre construída as pressas de madeira e pedras, onde um homem vigiava para garantir a segurança.


A história que se ouvia era que a floresta havia sido construída em cima da terra onde feijões mágicos haviam sido jogados no chão, se erguendo ao céu até a terra dos gigantes. Agora, a floresta que cresceu seu sua área tinha ganho vida e estava pronta para se vingar dos moradores que destruíram a ligação entre o céu e a terra. Claro que a história era constituída de mais detalhes e invenções. Galinha de ovos de ouro, gigantes, um herói humilde e um pé de feijão gigante.


Felizmente, após aquele dia, nunca mais houve um ataque. Até agora.

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