Onde está Emily?



As festas com a família de Hestia eram bem alegres, mas não se assemelhavam em nada a bagunça que faziam na minha casa. Eu tinha achado muito estranho o fato de mamãe me mandar uma carta muito atenciosa, dizendo que ficaria muito feliz se eu passasse as festas com os Jones, que eles cuidariam muito bem de mim, me fez elogios e disse que me amava muito. Nem ao menos Evangeline mandara uma carta acabando comigo por não passar o Natal com ela. Emily provavelmente me enviaria cartões carinhosos, mas não o fez.


Dispensando essa estranheza, passei por feriados esplendidos. Acho que eu nunca tinha tido uma ceia tão bruxa desde que, bem desde três anos atrás, quando papai ainda era vivo. Durante as festas tive a oportunidade de conversar com vários tios e tias de Hestia, muito interessantes e diferentes de tudo o que eu conhecia. Era como se eu nunca tivesse prestado realmente atenção como seria fazer parte daquele mundo.


Expliquei minha vontade a Sarah e Patrick Jones, que eram bruxos maravilhosos. A Sarah, como ela insistia que a chamasse, parecia muito afetiva e me alertava sobre pensar bem antes de tomar tamanha decisão. Sr.Jones me orientou sobre os perigos, mas que eu seria muito bem vinda se essa fosse minha vontade, porém que eu deveria conversar seriamente com minha família e, particularmente, com o Diretor Dumbledore.


Na minha última noite na residência dos Jones, eu estava arrumando minha mala enquanto Hestia tomava banho. Não encontrava meu livro de Feitiços, acho que o tinha esquecido na sala enquanto assistia Hestia praticar, eu não poderia fazer magia fora de Hogwarts, ainda não tinha maioridade.


Desci devagar pelas escadas e ao passar em frente ao escritório do Sr.Jones, não pude evitar ouvir a conversa dele com Sarah, não por bisbilhotar, eu jamais faria isso, mas porque a porta estava entreaberta e ouvi um nome familiar na conversa. Muito familiar.


- Oh, Pat, não podemos esconder sobre Emily. A pobre Emme vai ficar arrasada.


- Precisamos respeitar a vontade da família dela.


- Ela tem o direito, querido.


-Desculpem – ambos se viraram surpresos a me ver entrar no escritório, provavelmente vermelha pela vergonha de invadir sua privacidade- Eu não queria ouvir, juro. Mas estava descendo para a sala e – balancei a cabeça, confusa por não achar sentido em me contarem algo sobre Emily – ouvi o nome da minha irmã. O que acontece?


O casal se entreolhou por alguns instantes, mas se negou a me dizer o que acontecia. Convidaram-me a ficar na sala em sua companhia para aguardar alguém que poderia me explicar melhor a situação. Não entendi de imediato a necessidade de fazer meu coração se apertar tanto, mas sabia que não poderia ser nada bom.


 


Sarah utilizava o mesmo tom atencioso de quando Lily achou que eu seria atacada por uma besta assassina. Nesse momento eu estava tomando o que deveria ser o melhor chocolate quente que eu já tomara na minha vida, mas não conseguia sentir seu gosto realmente.


Já se passavam duas horas e alguém bateu a porta, enquanto eu ainda esperava Evangeline ou Emily saltar lareira adentra. Hestia atendeu e pelo portal passou um homem alto, cabelos e olhos escuros, de braços fortes e expressão bondosa. Mordi meu lábio inferior e me levantei para abraçá-lo. Ele me envolveu com carinho e logo me deu um beijo na testa, fazendo com que eu me sentasse novamente.


- Você está bem, querida? – Assenti lentamente, eu poderia reclamar mil vezes sobre as escolhas de minhas irmãs, mas Evangeline tinha acertado ao ter tão dedicado marido. Edgar Bones era dez anos mais velho que ela, quando se casaram, seis anos atrás, ele estava prestes a ser promovido e agora era Chefe do Departamento de Execução das leis da Magia. Edgar puxou a mesinha de centro, pedindo licença a Sarah, e como assim ele a tratou, imaginei que já se conheciam bem. Pensei se Edgar tinha alguma ligação com a Ordem, mas tal pensamento foi interrompido por um suspiro exagerado dele, como se não quisesse começar a falar.


- O que está acontecendo? Por favor, me diga antes que eu enlouqueça.


- É sobre Emily. – ele olhou para o casal Jones, e eles se retiraram junto com Hestia, aparentemente tão sentida quanto eles por algo que eu não sabia – Mês passado, ela e Rogers iam visitar sua mãe, assim como eu, Evangeline e as crianças. Eu estava atrasado e teria mais uma reunião de última hora, então eu pedi para que Rogers e ela utilizassem a chave de portal que me levaria para casa.


- Ok. Então...?


- Entenda, Emme, esses comensais estão começando a se infiltrar no Ministério, todos os dias tomamos todo cuidado possível, a vigilância é constante, mas há falhas no sistema. Eles precisam de influencia e, controlar um membro importante é essencial. O Ministério está resistindo, assim como todos nós, mas é difícil – coçou a cabeça com a mão livre, eu podia notar agora as bolsas embaixo dos seus olhos, indicando noites sem dormir, Edgar parecia bem mais velho do que da última vez que o vi.  Acho que em meu coração, já compreendia o que ele queria dizer – A chave de portal era minha e em algum momento foi trocada por uma falsa...


- Para onde ela os levou? – perguntei sem esperar que terminasse.


- Não sabemos.


- Mas vocês vão encontrá-los, não vão? Quer dizer, deve haver uma pista.


- Estamos tentando todo possível. Pedimos a ajuda da Ordem e...- ele apertou meus  dedos- vai ficar tudo bem.


Agora eu entendia o motivo dos meninos ficarem na escola, era um caso muito próximo. O motivo que influenciara mamãe me deixar passar as festas com os Jones, creio que agora a guerra a afetava diretamente.


- Oh mamãe...


- Ela está com Evangeline e as crianças, no campo. Elas estão protegidas, Emmeline. Não se preocupe.


- Mas... O que vão fazer com Emily e Rogers?


- Não sei. – ele estava sendo sincero, sua preocupação era evidente. Respirou fundo – Você não é uma criança, precisa saber a verdade – levantou-se e gesticulava, parecendo querer quebrar uma parede enquanto falava, o que era muito incomum para ele – Se fossem utilizá-la para chegar até nós, já teria sido feito. Preocupa-me a suspeita de terem se irritado por não ser eu o transportado e...


- Não. Eles a torturariam, aproveitariam dela o máximo que puderem. – Hestia entrou na sala, seguida pelos pais, aparentemente tentando contê-la em outro cômodo.


- Talvez. – Edgar divagou por alguns segundos e depois me olhou – Por isso demorei a chegar até aqui, preciso tomar todo cuidado possível, tomei as providencias sobre Line, John e Dominique... e sua mãe, é claro. Prometi que faria o mesmo por você.


- Mas eles querem você, Edgar. Eu não tenho nada a ver com isso, assim como Emily. – Não o estava acusando, apenas achava que ele tinha mais com o que se importar do que minha proteção.


- Mas você é minha família também, querida. O que fariam se descobrissem que possui em mãos a família de um chefe de Departamento do Ministério – ele olhou para o Sr. Jones- e membro da Ordem?


- Te torturariam até descobrir tudo o que sabe. – Hestia estava de braços cruzados, me olhando de um jeito estranho.


- Eu morreria antes de trair meus amigos ou minha família – disse indignada, entendendo que me acusavam de ser fraca e não ser capaz de resistir.


- Eu sei, – Edgar voltou a me olhar- e o que a faz pensar que Emily faria diferente de você?

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