the only one



 Eu sabia que me arrependeria, como em todas as outras vezes. Os amigos de Tiago nunca eram bons partidos. Inteligentes, mas nojentos. Ricos, mas tapados. Gostosos, mas superficiais. Caí nessa tantas vezes. A ruiva histérica continuava a tentar me desencalhar. Mas pera, quem disse que eu preciso? Já me meti em tantos problemas diferentes que um relacionamento só pioraria as coisas. Mas a minha maldita boca sempre dizia 'sim' à Evans.

–                     Já esta pronta? - ela dizia empolgada.
–                     Se continuar a me ligar a cada cinco minutos, não vou ficar tão cedo – disse com tédio, me maquiando.
–                     Você demora demais – ela suspirou do outro lado da linha – Você vai adorá-lo. Ele é perfeito pra você.
–                     Querida, você disse isso do Josh também, e ele tinha as mãos mais nojentas que já vi. Aliás, você disse isso de todos os treze últimos.
–                     Você é muito exigente, vai acabar namorando uma mulher – percebi desespero em sua voz.
–                     Melhor assim, Tiago pode dividir você comigo, gracinha. Até mais – desliguei antes de ouvir os seus protestos.


 [...] 


 Eu estava pronta há alguns bons minutos. O salto já machucava meu calcanhar e eu desconfiava que sentiria frio, meu vestido não me protegeria tanto. Eu já estava a perder a paciência. E então ele chegou.
 Eu deveria estar muito brava, nenhum homem deixa uma mulher esperando, isso é verdade, mas sua visão apoiada no portal de entrada varreu qualquer pensamento lógico de minha mente. Tiago não havia me mandado um amigo qualquer dessa vez, os dois profundos olhos azuis de Sirius Black me encaravam, na verdade, me devoravam, como ele sempre fez. Black não era um cara comum pra mim, não deveria ser para qualquer outra, mas nos conhecemos de outros carnavais, dos tempos de mocidade. Trocamos uma ou duas palavras á época, algumas doses de tequila, cervejas e vodka. Acordamos na manha seguinte deitados na garagem de sua casa, eu vestia apenas sua camiseta preta.
–                     De todas as amigas de Tiago, você era a última que eu imaginaria encontrar – ele sorria torto.
–                     Em minha defesa, digo que estou tão impressionada quanto você.
 E então reparei em sua roupa. A jaqueta de couro e as botas não condiziam com meu salto e vestido, e isso me preocupou, duas horas me arrumando e o imbecil apenas levantou da cama, dignamente, mas apenas isso. 
–                     Estamos nos dando uma segunda chance, Mckinnon? - ele ainda sorria me avaliando descaradamente.
–                     Não faço idéia do que esteja falando – disfarcei – vamos?
 Descemos as escadas da entrada em silêncio, olhei para os lados buscando em vão o seu carro. Um frio na barriga me atingiu quando vi apenas uma gigantesca moto parada próximo á minha caixa de correio.
–                     Vamos nisso? - deixei escapar.
–                     Isso é a melhor e mais rápida moto da categoria, por favor, não diga assim nesse tom esnobe – ele me entregou um capacete.
–                     Onde vamos? - não sai do lugar.
–                     Um bar, talvez – ele disse.
–                     Sabe, eu não estou vestida pra adrenalina, se importa se voltarmos um minuto? 



 [...] 


Eu deveria fazê-lo esperar, mas eu não sabia ser tão má. Podia ouvi-lo brincar com Pillow, meu cachorro, enquanto remexia meu armário atrás de algo sexy e confortável.
–                     Que mudança – ele sorriu quando apareci na sala – é claro que o vestido te deixava muito mais a vontade, mas você esta muito bonita assim – ele analisava minha calça azul, provavelmente para saber se minha bunda continuava acessível. 
–                     Obrigada – resmunguei.


 [...] 


–                     Sabe – ele comentou enquanto prendia seu capacete – elas geralmente têm medo disso.
–                     Disso oque? - me abaixei para amarrar o converse – andar de moto?
–                     É … - ele montou.
–                     Certo – ri esnobe – tem um tempo que não faço isso, mas era uma das melhores drogas que eu fazia na vida.


 Não me lembro ao certo quanto tempo andamos, Black era rápido e ignorava as leis, era como andar em uma montanha-russa fuleira, imprudente mas ainda assim extasiante.
–                     Você têm algo em mente pra hoje? - ele gritou quando paramos em um farol inevitável.
–                     Eu previa um jantar – gritei de volta – você me fez trocar de roupa, então surpreenda-me. 


Paramos em um lugar movimentado demais para um bar, eu estava um pouco tonta pela viagem, mas aos poucos consegui reconhecer a avenida principal da cidade apinhada de gente, onde um grande letreiro anunciava “The Killers”.
–                     Gosta deles? - ele tirou o capacete e já estava desmontando da moto.
–                     São muito bons – ajeitei o cabelo.
–                     Então é seu dia de sorte – ele tirou do bolso duas tiras de papel – trabalhar na TV tem suas mordomias. 


Não pegamos o melhor lugar, claro, mas foi uma noite interessante. Ao som de Mr. Brightside senti Sirius me enlaçar pela cintura, juntos gritávamos as letras que coincidentemente sabíamos tão bem. 
–                     But it's just the price I pay, destiny is calling me – ele passou a sussurrar se aproximando.


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Espero que gostem! 
Ana B. Black.

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