NO THE BAY WAY



    Na frente da boate, as pessoas se espremiam para tentar entrar. Harry imaginou porque diabos ele se enfiaria numa casa noturna cheia de gente, com um letreiro em néon verde, rosa e azul, cheio de coqueiros, para falar com um vampiro. Aquilo não tinha cara de coisa de vampiro, decididamente.
    Para evitar o tumulto da entrada, Harry tirou ligeiramente a varinha do bolso e mexeu, apontando na direção do que parecia ser o chefe de portaria.
‒ Hipnoticus! ‒ murmurou baixo e automaticamente o homem olhou para ele como se o reconhecesse. Ele sorriu e disse:‒ eu tenho reserva. Harry Potter  
‒ Claro, senhor Potter... ‒ o homem disse, abrindo paasagem para ele. Um trouxa replicou:
‒ Eu achava que esse clube não aceitava reservas...
‒ Eu sou cliente preferencial. ‒ disse Harry com um sorriso maroto, passando pela porta aberta.
    Por dentro, a casa era tão feérica quanto podia ser uma casa noturna da moda, a música era ensurdecedora, alta, repetitiva... gente de todo tipo dançava enquanto as luzes piscavam, para Harry não era um ambiente agradável. Ele olhou a volta do salão, onde havia mesas, a maioria cheia de gente falando entre si aos berros, alguns sacudindo-se na cadeira. Então, ele achou Caius Black.
    O vampiro estava sentado numa mesa bem ao canto do salão, que parecia ser o único lugar onde não piscavam luzes estroboscópicas... continuava branco como a neve, de óculos escuros, vestido todo de preto, sua pele parecia brilhar ligeiramente ao tom da luz meio azulada que o iluminava. Ele tinha diante de si uma espécie de taça , onde havia um líquido denso, vermelho, aparentemente grosso. Harry sentiu o estômago dar uma volta... não era possível... Caius Black passava o dedo displicentemente pela borda do copo, quando, com a mão oposta fez um gesto para ele, chamando-o para a mesa.
‒ É apenas um bloody mary, Harry ‒ ele disse, sem olhá-lo assim que Harry sentou-se ‒ eu preciso encenar para parecer gente normal... acho o bloody mary uma nota..poética ‒ ele sorriu tirando os óculos escuros e seus olhos azuis cintilaram com uma nota de ironia.
‒ Você não espera realmente que eu consiga escutá-lo no meio dessa balbúrdia?
‒ Que espécie de bruxo é você, Harry? Nunca te ensinaram a fazer um feitiço quietus habitat em Hogwarts? ‒ o sorriso de Caius se alargou, tornando-o extraordinariamente parecido com Sirius, seu irmão.
‒ Quietus Habitat, Harry Potter e Caius Black ‒ conjurou Harry baixinho e repentinamente foi como se o som tivesse sido desligado. A partir daquele momento, ele só ouviria Caius e Caius apenas a ele. Encarou o vampiro, que continuava sorrindo irritantemente.
‒ Eu mesmo conjuraria...mas você sabe, não sou mais um bruxo...
‒ Não precisa me dizer isso.
‒ Talvez você se pergunte porque o Bay Way... bem, eu queria despistar, nenhum vampiro decente entraria num lugar cheio de motivos tropicais pendurados na parede... ainda bem que eu não sou um vampiro decente.
‒ Caius... pare de me enrolar, eu quero as informações...
‒ Se eu fosse você não teria tanta pressa, jovem... minha boa vontade é tão oscilante quanto a minha personalidade, por isso ninguém costuma confiar no que eu digo, dizem que eu mudo de idéia rápido demais, até mesmo para um vampiro... e eu tenho me sentido estupidamente só... ninguém interessante para conversar.
‒ E a sua companheira, Artemis?
‒ Ah, Artemis não conta, ela concorda com quase tudo que eu digo... ela é um pouco perigosa, tenho que viver cuidando dela, porque senão ela sai matando tudo que vê pela frente... nunca conheci uma vampira tão faminta...
‒ Onde ela está?
‒ Eu a emparedei ‒ ele disse como se estivesse falando que a deixou na aula de ballet ‒ sabe, é para o próprio bem dela, não deixo-a caçar sozinha, ela só deixa o alimento vivo quando está comigo... e não quero mais escravos.
‒ É por isso que você não mata?
‒ E só por isso... não me tornei um vampiro bonzinho, só não quero ter um bando de escravos idiotas que vivem vamipizando mendigos e me dando dor de cabeça. Aliás essa noite eu ainda não me alimentei...
‒ Nem pense em contar comigo...
‒ Quem disse que eu quero vampirizá-lo? Você não renderia nada... pelo menos não se eu o deixasse vivo.
‒ Isso é repugnante...afinal, do que você se alimenta?
‒ Sentimentos, emoções...vida em geral. Não de sangue. Imagine, que patético seria um vampiro com os dentes grudados numa bolsa de sangue de um hospital... o sangue é apenas e tão somente o veículo. Observe... vê o salão?
‒ Sim... vejo.
‒ Uma massa de emoções e sentimentos indistintos... muito tentador...observe aquela garota ruiva. ‒ Harry viu uma moça de uns 18 anos realmente linda, alta e de cabelos vermelhos longos e brilhantes. ‒ o melhor tipo de alimento ‒ Caius Black riu, suas presas se projetando ligeiramente ‒ acredite ou não... é uma virgem. Não venha atrás de mim, por favor... prometo que depois digo o que você quiser...
Ele levantou-se e rumou decidido para a pista de dança, mas sem dançar. Passou pela moça sem mesmo tocar nela, e ela olhando-o, foi atrás, os dois sumiram na multidão. Harry ficou atônito. Recebera ordens de não contrariar Caius... mas se ele matasse a moça? Se a vampirizasse a ponto de matá-la? Quando Caius se levantara, rompera o feitiço de quietude e agora a música o ensurdecia... era difícil até pensar, porque sempre estava sozinho quando o metiam neste tipo de furada?
Mas não demorou sequer dez minutos para Caius voltar, segurando a moça, que parecia entorpecida, pela mão. Quando chegaram ao ponto onde antes ela dançava, ele beijou-lhe a mão e sorriu, e ela pareceu voltar ao normal. Ele sorriu e deu-lhe as costas, voltando diretamente para a mesa onde Harry o esperava.
‒ Por favor...refaça o feitiço... todo esse barulho me incomoda. ‒ Harry refez o feitiço e Caius o olhou rindo.
‒ Não teve graça nenhuma... o que você fez com ela?
‒ Algo que vai fazê-la se revirar nos sonhos mais profundos para o resto da vida ‒ ele deu uma risada ‒ nada que ela não quisesse que fosse feito... eu roubei um pouco da sua energia erótica, jovem... ela é estrangeira e virgem, está na cidade a passeio... Sonja, é seu nome... nunca esqueço um nome. Muita sorte, achar uma virgem de 19 anos em Nova  Iorque
‒ Mas... o que você faz?
‒ Literalmente? Uma pequena secção na veia sublingual, discreta, imperceptível... sugo sangue por dois ou três segundos enquanto as emoções mais profundas dela passam para mim... depois, ela não se lembra de quase nada... a não ser de um beijo num homem muito charmoso, com quem ela vai fantasiar...por muito tempo ‒ ele riu de uma forma meio maligna ‒ Não dá tanto prazer quanto esgotar a vida de um ser humano, mas serve... digamos que eu esteja de dieta, jovem.
‒ Vocês realmente são horríveis...
‒ Não... não somos. Somos os seres mais charmosos do lado das trevas... somos bonitos e limpos... não somos feios como zumbis, malcheirosos como errantes, desagradáveis e gelados como os dementadores. Para quem não nos conhece somos bastante sedutores... eu especialmente.
‒ Me disseram que você era convencido, mas acho que você ainda é pior que isso.
‒ Escute... você já viu um filme trouxa de vampiros?
‒ Uma vez, há uns quinze anos, talvez...
‒ Bem, eu sou exatamente tudo que se espera do estereótipo de um vampiro. Maligno, branco, cabelos negros, olhos azuis... só falta a capa de forro vermelho.  Por isso desde que comecei eu sempre me dei tão bem como vampiro... só fracassei em uma coisa, mas isso agora não é importante.
‒ Escute, Caius... eu não vim aqui para ouvir você enumerar suas qualidades... eu tenho um caso sério para resolver entende? Eu preciso descobrir quem é o assassino. Não tenho tempo para as suas...
‒ Eu sei quem é o assassino.
‒ Hein?
‒ Eu sei ‒ ele disse calmamente. ‒ e sei porque ele está matando.
‒ Então me diga! Não fique enrolando.
‒ Bem... antes peça uma bebida para você, relaxe... dizem que o Daiquiri daqui é muito bom... eu vou te dizer, mas antes preciso de um ouvinte... hoje eu estou a fim de contar minha história.
‒ Mas...
‒ Você quer ou não pegá-lo?
Harry encarou o vampiro e pediu um Daiquiri ao garçon. Caius Black abriu um sorriso grande e sincero, e serenamente começou sua história.

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