O CETRO AMALIN



 No dia seguinte, Harry estava realmente muito aborrecido, mas compareceu ainda assim logo cedo à sede do Conselho dos aurores para fazer o relatório. Quem estava lá pessoalmente era Avatar Fernandez, que o aguardava com uma expressão severíssima na cabeça de leão orgulhoso. O empertigado bruxo perguntou, assim que o viu chegar:
‒ Você tem como provar que não tinha como  ter distinguido o jovem Adams do Camaleão?
‒ Porque o senhor está me fazendo essa pergunta, Professor Fernandez?
‒ Porque ele entrou com uma queixa junto ao conselho contra você
‒ Ele o quê?
‒ Isso que você ouviu... Ele e o conselho Auror americano estão dando queixa de você... eles querem muito pegar o camaleão, nosso ministério e o dele estão em uma briga política... eu gostaria de poder intervir, mas só você pode esclarecer as coisas. Eu sou presidente do conselho internacional.. terei que tomar uma decisão
‒ O que o Auror Japonês disse? Ele não testemunhou?
‒ Yamase? Ele tem medo de Adams.
‒ Banana. Quanto tempo eu tenho para preparar a minha defesa?
‒ Dois dias. Até lá, você e Adams estão afastados do caso. Stoneheart vai a trás da pista do Camaleão sozinho. Parece que ele voltou para a América.

 Angus Stoneheart àquela hora já estava a caminho de onde eles achavam que o Camaleão atacaria: o museu bruxo da cidade de Carson, Nevada, nos Estados Unidos. Lá estava guardado, agora sob a proteção pessoal de Rudolph O’Hourke, o cetro Amalin, mas conhecido como “o suporte da cruz”. Stoneheart tinha um pressentimento ruim, mas não tinha medo... ele achava que algo aconteceria, era uma grande bobagem suspender Potter e Adams, porcaria de americano idiota, tinha que dar queixa de uma coisa à toa? Passou a mão, ajeitando os cabelos, ele estava começando a ficar calvo. Olhou para uma bruxa que viajava com duas crianças e pensou em sua mulher... decididamente ele não iria morrer nessa missão. Se recusava terminantemente a deixar três crianças órfãs.
 Em Nova Iorque, procurou um lugar seguro e desaparatou para uma cidade no meio do caminho e de lá para Carson... esperava estar ainda à frente do Camaleão para guardar o cetro. Ele conhecia O’Hourke e também o velho Tee, que antes de se dedicar ao Xamanismo fora professor na escola onde ele estudara, na Irlanda. Eles trabalhavam com feitiços e invenções, mas juntos eram praticamente imbatíveis, e Tee conseguia saber para onde ia qualquer bruxo que desaparatava na sua frente, era capaz de seguir qualquer coisa até o inferno, e isso era um dom raro, particular dos grandes Xamãs. Ele chegou ao por-do-sol e junto com os dois, refugiou-se na Câmara de Cristal, que guardava o artefato.
 O cetro era um bastão de cerca de quarenta centímetros todo em ouro, diziam que dentro dele havia a pena de asa de pégaso mais antiga que se tinha notícia. Quem o portasse com a cruz Gamadin conseguiria localizar qualquer pessoa sobre a Terra... qualquer objeto... reis haviam disputado o cetro para encontrar riquezas, e haviam matado por ele. Até que o primeiro guerreiro da Luz, que estivera na terra dos homens mil anos antes de Luccas Lux chegar, havia separado para sempre as duas partes, levando cada uma para um lado da terra. Um grande feiticeiro apagou da memória dos trouxas a existência do cetro e da cruz, e a humanidade trouxa desconheceu o objeto por cinco mil anos. O fato dos pégasos estarem para sempre extintos aumentava a força do Cetro Amalin. Stonehert temia pelo que aconteceria se o objeto fosse usado.
 Eles se revezavam vigiando... sabiam que o Camaleão iria tentar pegar o objeto a qualquer preço, com certeza ele iria invadir o lugar... era uma espera enervante, e ele achava que era isso que o Camaleão queria... enervá-los a ponto de errar. Estavam metros abaixo da terra, numa caverna de cristais onde não se podia aparatar e era impossível fazer certas classes de magia. A cada doze horas uma mulher vinha trazer comida, eles a monitoravam, para saber se não se tratava de um estranho. No fim da tarde do segundo dia, aconteceu.
 Stoneheart olhava o mapa que mostrava a mulher se aproximando. Repentinamente ele viu um ponto vermelho não identificado no mapa e mostrou para Tee e O’Hourke. O pior era que a mulher não se dava conta da presença do Camaleão, que vinha bem atrás dela, provavelmente envolto numa capa de invisibilidade. Ela corria perigo.
Deixe-me ir atrás dele! – disse Stoneheart
Não! – O’Hourke falou. ‒ Eu vou. Fique aqui e proteja o cetro. – ele pegou a vassoura e a capa de invisibilidade que estavam ali para uma emergência e saiu correndo, de dentro da câmara, que Stoneheart selou à sua passagem. O’Hourke cobriu seu imenso corpo com a capa e desapareceu. Foi a última vez que Stoneheart o viu com vida.
 O’Hourke saiu voando da caverna e pegou a mulher no meio do caminho, alçando vôo com ela, ele estava invisível e ela não entendeu nada. Ele soube que o Camaleão viria atrás dele, ouviu o som inconfundível do silvo de uma outra vassoura cortando o ar. Tinha que pôr a mulher a salvo, era uma bruxa inocente, ele proferiu um feitiço de teleportação e a enviou para casa, agora era entre o camaleão e ele. Ambos invisíveis voando ao por do sol do deserto, tentando se atingir ás cegas, um não sabendo onde o outro estava. A varinha do Camaleão emitia um espectro verde, e O’Hourke, prestando atenção, conseguiu finalmente desarmá-lo, viu quando a varinha caiu além. Virou a vassoura e começou a jogar feitiços de perda de consciência ao léu. Na caverna, Stoneheart viu quando  Camaleão atraiu O’Hourke para um despenhadeiro... na mesma hora soube: O Camaleão estava armando algum plano. Sem titubear, correu para fora da caverna, mesmo sob os protestos de Tee.
 Na beirada do despenhadeiro, O’Houke voava, emitindo raios na direção onde achava que estava o Camaleão. Subitamente este saiu da capa de invisibilidade e sorriu. Ele apenas fingira estar desarmado. Trazia a varinha bem segura entre os dedos da mão esquerda. Estava na pele de um rapaz jovem e disse:
 ‒ Venha me pegar – sorriu e atirou um feitiço na direção em que O’Hourke estava. Na mesma hora sua capa de invisibilidade saiu voando e caiu suavemente pelo precipício. O Camaleão sorriu e por um segundo, mostrou sua verdadeira face. O’Hourke parou a vassoura atônito por um segundo, e voltando a aparência de antes, o Camaleão atirou-lhe um feitiço mortal.
 O corpo de Rudolph O’Hourke caiu no precipício no exato instante em que Stoneheart apareceu no fim da colina. Sem saber que ele estava morto, Stoneheart tentou evitar a queda com um feitiço de atração. Foi isso que fez com que o Camaleão conseguisse desacordá-lo com um feitiço atordoante.
 Ele voltou à consciência dentro da câmara de cristal. Estava seguro pela nuca e uma lâmina fria de punhal estava encostada no seu pescoço. O Camaleão o segurava e ele estava totalmente amarrado. O bruxo maligno falava com Tee.
‒ Ele vai morrer por sua causa, o que acha? Me dê o cetro e ele vive... não basta a você ter perdido o patrão?  Quer ver o homem morto também?
‒ Meu patrão disse que por nada esse cetro poderia cair nas suas mãos. Vai ter que matar nós dois para pegá-lo – disse o índio decidido
‒ Isso para mim não é problema... mas antes, quero te mostrar uma coisa. – ele tirou algo da veste e atirou na direção do índio, que empalideceu. Era uma jóia de comunicação e Stoneheart não pôde ver o que havia dentro dela.
‒ Me dê o cetro e ela vive. Espere mais um minuto, e eu dou a partida– O índio olhou o Camaleão e Stoneheart ficou quieto. Imaginava do que se tratava. Não censurou Tee mais tarde porque ele entregou o cetro para o Camaleão. Tee viu pela jóia sua única filha amarrada ao para choque de um carro trouxa, com o motor ligado, num lugar que parecia uma estrada muito acidentada.
‒ Lá fora então... e liberte o rapaz, deixe-o aqui.
‒ Minutos depois, Stoneheart conseguiu com sua força descomunal romper as cordas e saiu rapidamente da caverna. Viu o velho Xamã  chorando abraçado à uma moça de seus 18 ou 19 anos de cabelos negros. O Camaleão a havia libertado.
‒ Para onde ele foi, Tee?
‒ Aparatou para um lugar no deserto, a estrada do deserto, Km 66
‒ O que há nesse lugar?
‒ Alguém que ele localizou pelo cetro. Vá depressa, ele não nos matou apenas porque estava ansioso para alcançar o que ele viu pelo cetro.

 O Camaleão observou o café pelo lado de fora... finalmente. A chave de tudo afinal estava ali.. ele demorara seis longos anos se preparando para esse dia. O dia em que escravizaria o homem que havia sido o bruxo mais maligno do último século.
Havia pouca gente ali, ele sentou-se num mesa e devagar, começou a conjurar um feitiço para que não sobrasse nenhum trouxa no local... não queria chamar a atenção, não podiam haver muitos assassinatos no deserto na mesma tarde. Aos poucos, os trouxas foram deixando o café até que ficaram só uma mulher, que era a dona do café, uma garçonete e aquele que ele havia vindo buscar. Em pouco tempo, a garçonete aproximou-se da mulher e pediu para sair mais cedo, não estava sentindo-se bem. O sol estava se pondo quando ele se levantou.
‒ Tom Servolo Riddle... – ele disse e o velho olhou-o, sem entender o que ele dizia. A mulher atrás do balcão olhou-o apavorada. – é você, não é?
‒ Sou. Quem é você?
‒ Não vale a pena falar meu nome... Expelliarmos – ele disse desarmando Igraine, que saía de trás do balcão. Ele aproveitou para conjurar cordas nos dois. O homem olhava-o apavorado.
‒ Quem é você? – o homem disse
‒ Não interessa a você... por enquanto. Mas interessa a  ela. Veja meu rosto, Igraine Fischer... é a última coisa que você vai ver. – ele postou-se diante dela, de costas para o homem que um dia fora Lord Voldemort e rapidamente transfigurou-se. Ela olhou o rosto dele e gritou.
‒ Avada Kedavra! – ele disse e a mulher tombou morta.
‒ Igraine? Igraine? O que ele te fez? – a voz do homem ecoou.
‒ Quem é você, afinal? – a voz de Angus Stoneheart soou na porta do bar e o Camaleão transfigurou-se depressa de volta, a única coisa que Stoneheart pôde ver foi um cabelo loiro e liso, que em minutos ficou preto, quando o Camaleão se voltou, já tinha outra face, a mesma que ele já vira antes.
‒ Dois Avadas Kedavras são o suficiente para um dia só...   – ele voltou-se e Angus Stoneheart lançou-lhe um feitiço de impedimento, mas ele usava algo que impedia esses feitiços banais... uma veste protetora como a de Harry Potter.
‒ Caminos Aeros! Ele apontou e Tom Riddle desapareceu – Riu para Stoneheart e disse:
‒ Vamos, homem bom... me mate, lance um Avada Kedavra
‒ Eu não vou fazer isso! Desanguio! – ele gritou fazendo o teto desabar sobre o Camaleão, mas este desviou-se do pequeno desabamento e conjurou uma serpente bem no peito de Stoneheart. A serpente mordeu o bruxo nem bem surgiu. O Camaleão se aproximou do homem, que agonizava e disse:
‒ Agora, você vai ter o privilégio daqueles que morrem pelas minhas mãos... eu vou lhe mostrar meu rosto – ele apontou a varinha para o rosto e ouviu uma voz atrás de si, antes que pudesse se transfigurar.
‒ Mostre-o a mim também.
‒  Ele virou-se para ver um bruxo velho de cabelos e barbas prateadas, nariz torto e com uma veste totalmente branca, de pele de urso polar. Era Alvo Dumbledore, que sabe-se lá como aparatara naquele momento ali, com uma Fênix no ombro, Fawkes.
‒ Não é uma boa idéia – O Camaleão desaparatou rapidamente e a Fênix voou do ombro de Dumbledore, que fizera a serpente desaparecer. Fawkes pousou no peito de Stoneheart e começou a chorar sobre ele. Em poucos minutos, Stoneheart levantou-se e olhou para ele sério.
‒ Como... você não é um Xamã. Como soube que ele estava aqui?
‒  Dumbledore apontou para a mulher morta e mostrou na palma de sua mão uma pequea pedra que reluzia em vermelho vivo. Stoneheart viu que Igraine apertava algo no pulso, era outra pedra idêntica.
‒ Eu dei essa jóia de alarme a ela. Ela era minha protegida. Disse que se um dia precisasse de mim, chamasse. Ela deixou para fazer isso na hora da morte. Uma pena, ela era filha de um dos meus melhores amigos.
‒ E porque ele levou aquele homem?
‒ Não queira saber o que você não pode, Angus Stoneheart... contente-se em ter sido salvo. Ele matou mais alguém?
‒ Rudolph O’Hourke
‒ Sabe o que isso significa?
‒ O quê?
‒ Que eu devo retornar a ativa... acabaram-se minhas férias.

 No dia seguinte, Angus Stoneheart entrou decidido na reunião do conselho, e Harry pôde ver a famosa carranca do auror quando ele chegou próximo à mesa diretora e pediu a palavra, antes que Troy Adams ou Harry falassem sobre seu caso.
 ‒ Enquanto este conselho manteve dois dos melhores aurores desta nova geração suspensos, o Camaleão matou dois bruxos, sendo que um dele era um dos melhores que eu já conheci. Harry Potter e Troy Adams são culpados por se comportarem como dois idiotas e atrapalharem o trabalho um do outro. Proponho que ambos sejam obrigados a trabalharem em cooperação, ou vão acabar se matando acidentalmente. Enquanto eles competem entre si, o Camaleão amealha poder e faz vítimas. Eu sou o parceiro de Harry Potter e sei seu valor, e já vi Troy Adams em ação, e não o acho menos eficiente. Proponho uma colaboração total já, antes que o Camaleão termine de fazer o que deseja.
 Um silêncio mortal pairou pela pavilhão negro. A proposta de Angus Stoneheart acabara de ser aceita.

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