O que está ruim... pode piorar

O que está ruim... pode piorar



Eu ja venho escrevendo essa fic faz um tempo, por isso que postei tantos capitulos em um dia só. Mas eles são grandinhos, e podem demorar para ser postados, mas prometo ir o mais rapido possivel. Chega de enrroação, lá vai a historia, xoxo.




O que está ruim... pode piorar!


Lílian Evans POV:


- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI! – gritei descontroladamente. Minha voz falhou; gritei de novo.


- Lílian, se acalma! – Maria voltou a puxar meu cabelo. – Já estou quase tirando!


- Acho que todos os alunos do segundo ano são parentes de James Potter, só pode. – reclamei.


Comecei o ano letivo com o pé direito. Hoje entrei toda feliz no Expresso de Hogwarts quando um ser surgiu não sei da onde e como e jogou um líquido verde no meu cabelo. Tudo bem, são crianças. Corri para o compartimento e Maria começou a me ajudar. Até meu cabelo começar a dar nós até parecer um ninho de passarinhos.


- Quanto mais tiro os nós mais eles aparecem! – Maria disse inquieta.


- Faça qualquer coisa, menos me deixar careca! – pedi.


- Oi garotas! – Alice apareceu na porta. – O que tá havendo?


- Meu cabelo está desesperadoramente horrível e bagunçado por causa de não sei o que verde que jogaram em mim! – falei tristonha.


Geralmente não tenho essas crises de cabelo, isso é coisa de Maria. Mas ainda tinha que ir pro compartimento dos monitores, e não me imaginaria chegando até lá com o cabelo naquele estado.


- Eu dou um jeito nisso. – Alice sorriu imodesta, e chegou por trás de mim, murmurou alguns feitiços, e uns três minutos depois já sentia meus cabelos lisos e normais novamente.


- Ah, obrigada! – eu a abracei grata. – Se depender de Maria eu ia ficar igual Slughorn. Mas mesmo assim obrigada também. – completei rapidamente ao notar o olhar de aversão de Maria.


- Esse é um produto da Zonko's, usado intencionalmente para acabar com a felicidade feminina. – Alice explicou.


- Vou tratar de confiscar todos assim que chegar em Hogwarts. – falei e consultei o relógio. – O que me faz lembrar que tenho que correr para a cabine dos monitores. Vou nessa, tchau!


Sai apressada pelo corredor, e jurei jogar alguém pela janela afora se sentisse molharem meu cabelo de novo.




James Potter POV:


- Viu ela por aí? – perguntei.


- Não. – Rabicho respondeu calmamente. – Mas acho que Aluado viu.


- Acho que vou procurar ela. – eu disse indeciso.


- Relaxa, Pontas. – Almofadinhas disse. – Ela deve estar por aí dando broncas nos alunos do terceiro ano.


- Estou com saudades dela. – suspirei com um pequeno sorriso.


- Aposto dez galeões com você se ela estiver pensando ao contrário. – Almofadinhas riu.


- Haha. – ri com sarcasmo e dei mais uma espiada pra fora da cabine. Nem sinal dos cabelos ruivos.


- Daqui a pouco ela aparece. Com certeza pra te xingar. – Almofadinhas se jogou no banco preguiçosamente.


- É o que eu espero. Ou não. – franzi a testa.




Lílian POV:


A reunião foi péssima. Passei o tempo todo coçando a cabeça – consequencias do líquido verde assassino de couros cabeludos. Acho que muitos pensaram que eu tinha piolho. Corei. Na hora de falar gaguejei, e corei um pouco mais para dar o toque final. Remo me ajudou em algumas horas, mas respirei fundo e sai pelo corredor de cabeça empinada. Até ver ele.


Duas dicas: seu nome começa com "Ja" e termina com "Mes". Sim, ele. James Potter, o maroto, bagunceiro, popular, retardado qualquer da escola. Lá vem ele com aquele sorriso bobo.


Passei reto, fingindo não olhar. Adiantou? Adivinha.


- Oi.


- Tchau.


- Ei, como passou as férias? – ele perguntou educada e amigavelmente.


Olhei para ele cética.


- Bem. – o fitei. – E quando a você?


- Ótimo. – ele sorriu. – Ansiosa para o começo do ano?


- Sim.


- Eu também.


Passou-se um segundo.


- Tchau! – falei.


- Nos vemos por aí.


Não respondi, apenas virei as costas em direção a cabine minha, de Maria e de Alice. Uma conversa com Potter sem sarcasmo, ironia, xingamento e pancadaria! Pancadaria não, sou uma pessoa da paz. Mas isso foi, com certeza, um milagre.


- Oi. – falei alegremente.


- Qual o motivo da felicidade? – Alice ergueu os olhos do Seminário das Bruxas.


- Não tenho muitos motivos bons. – pensei.


- E quais são eles?


- É só um pra falar a verdade. Pela primeira vez não discuti com James Potter hoje.


- Isso é um progresso. – Maria sorriu misteriosamente para Alice. – Como foi?


- Conversa simples. Mas isso foi pouco para o mico da cabine. Meu Deus, meu cabelo está coçando até agora.


O trem continuou balançando. Continuamos a conversa, enquanto uma fraca chuva começava lá fora.




Sophie McKinnon POV:


- Você está falando sério? – perguntou Emelina pela quinquagésima vez, ainda incrédula.


- Foi o que minha mãe ouviu falar. – revirei os olhos.


- Nunca ouvi falar disso antes em toda a história de Hogwarts. – Dorcas disse com uma careta. – Acho isso idiota.


- Eu gosto. – Emelina defendeu, meio corada.


- Eu também. – apoiei.


- Pois é uma bobagem. Acho que ninguém vai participar. Ninguém. Isso é totalmente trouxa e sem sentido.


- É um passatempo. E também a descoberta de novos talentos.


- Meu talento em Herbologia já é bom suficiente, obrigada. – Dorcas retrucou.


- Estou curiosa agora. – os olhos de Emelina brilharam.


- Eu não. – Dorcas respondeu seca. Antes de protestarmos ela nos cortou. – Vamos mudar de assunto. Esse, espero, vai ficar morto pra sempre.


- E sobre o que você quer tratar? – questionei com um suspiro.


- Sobre seu irmão. Meu Deus! Vi ele na estação... O que é aquilo?


- Ahn... Meu irmão? – perguntei com obviedade no tom de voz.


- Ano passado ele estava murcho. Agora encheu.


- Hein? – Emelina perguntou.


- Por favor, não compare meu irmão com um balão de gás. – respondi ofendida.


- Ele andou malhando? Usou algum medicamento? Fez algum feitiço?


- Ele entrou numa academia trouxa. Malhou as férias inteiras. Descobriu isso numa revista trouxa e não quer parar. – balancei a cabeça. – Trouxe até peso para Hogwarts. Começou a malhar na estação, levantando o malão pra cima e pra baixo.


Dorcas e Emelina gargalharam.


- E receio dizer que amei o resultado! – Dorcas comentou. – Eu pegaria.


- Ei! Você está falando do meu irmão! Meu irmão caçula! – disse indignada.


- Um sextanista aproveitável, devo dizer.


Dorcas era uma pessoa de personalidade muito forte. Forte até demais. Falava demais, até o que não devia. Me surpreendo que ela foi para Grifinória e não Sonserina, não seria novidade.




David Moreau POV:


A escola era linda. Um castelo impressionante. Os professores pareciam amigáveis. Tudo era diferente de Beauxbatons, onde estudei e dei aula por algum tempo. Tinha o medo de não me acostumar, mas parecia ser tudo fácil.


Pelo menos até os alunos chegarem.




Sirius Black POV:


- Se eu te ver de novo com essa gosma vermelha juro que faço você engolir isso e soletrar o nome do Dumbledore ao mesmo tempo! – ela xingava a plenos pulmões.


- Lily, fique calma! – eu disse cauteloso. – Juro não causar nenhum mal a ninguém, só gosto de brincar com isso.


- Aham. – ela não se convenceu, as mãos na cintura. – Tenho quase certeza que você vai colocar isso no assento dos alunos da Sonserina!


- Como você sabe? – perguntei espantado.


- Eu conheço mais coisa sobre você do que você pensa! – ela guinchou.


Fiquei um tempo em silêncio.


- Quer se sentar, Lily? – tentei.


Sua expressão não se alterou. Então respirou fundo e sentou ao lado de Pontas, que até agora estava apenas assistindo a discussão comendo feijõezinhos de todos os sabores. Vi ele enrijecer um pouco quando Lílian sentou.


- Obrigada. – ela disse quando Pontas lhe ofereceu um sapo de chocolate.


- O que aconteceu, Senhora Nervosismo? – ri com sarcasmo.


- Acontece que mal chego no trem e já sou atingida por uma gosma verde que quase arranca meu cabelo. – ela pôs o sapo de lado e abaixou acabeça, mostrando a raiz dos cabelos. Pareciam ressecadas como se fossem penteadas por uma esponja de bombril.


- Deve ser aquele produto novo da Zonko's. – Aluado comentou.


- Pois é. – Lílian voltou a comer o sapo de chocolate. – Ainda está coçando.


- Conheço um feitiço contra coceira. – Pontas arriscou.


Lílian o fitou profundamente, indecisa. Parecia ler seus pensamentos. Pontas hesitara.


- Tudo bem. – ela disse, e então deitou a cabeça em seu colo; vi Pontas ruborizar, mas então deu um sorriso vitorioso e começou a fazer os feitiços. Pontas bobão, todo apaixonado.


- E o que mais aconteceu de tão ruim? – Rabicho perguntou.


- Esses alunos estão impossíveis! – ela reclamou, ainda comendo. – As vezes acho que eles fizeram um complô com você, Potter.


Pontas riu.


- Juro que não fiz nada. – ele sorriu.


- Não sei. Nunca se sabe. – ela deu de ombros.


Passado um tempo, percebi que Pontas havia há muito tempo terminado o feitiço, mas continuava a aproveitar o momento.


Quando não dava mais pra adiar, disse:


- Pronto.


- Obrigada. – Lílian disse, e surpreendemente, continuou deitada. – Parou de coçar mesmo.


Ficamos mais um tempo ali, Pontas observando cada movimento de Lily, até escutarmos um barulho, simbolizando a chegada do trem na estação de Hogsmeade.


- Nossa! Já chegamos! – Lily ficou de pé rapidamente. – Remo, temos que ajudar os alunos!


- É mesmo. – Aluado respondera, depois de ficar meio perdido olhando pra fora da janela. Do jeito que eu o conhecia, já sabia que ele estava pensando na noite de lua cheia.


Lílian pegou Aluado pelo braço e se virou para nós:


- Tchau gente! – e ainda sorrindo sumiu pelo corredor com Aluado.


- Eu daria tudo pra estar no lugar dele. – Pontas comentou com um suspiro.


Com uma última risada minha, nos levantamos para sair do trem também.




David POV:


- Olá. Moreau não é? – uma mulher se aproximou. Seu jeito era meio autoritário, mas ela sorria.
- Sim. – respondi educadamente, retribuindo o aperto de mão.
- Minerva McGonagall. – ela se apresentou. – Bem vindo a Hogwarts. Dumbledore falou bem de você.
- Obrigado. – sorri novamente.


Olhei para o resto dos professores ao longo da mesa. Todos conversavam entre si, rindo, e o diretor ainda ria junto a um professor demasiado baixo, que eu conhecia como o professor de Feitiços. Tinha também uma mulher elegante – até bonita -, rindo junto ao professor de Poções.


Era para eu estar me enturmando, mas, infelizmente, sempre fui uma pessoa tímida.


Voltei a olhar o salão. As quatro longas mesas estavam vazias por ora, e o céu encantado – lindo, devo dizer – mostrava um dia um suspiro, nervoso. Enfrentar adolescentes não é tão ruim assim.


Eu acho.




James POV:


Eu ouvi um grito? Deve ser Lily conduzindo os alunos do primeiro ano. Ou alguma criatura da floresta proibida. Não sei, as vezes confundo os dois.
A carreata de alunos enchia a plataforma; Hagrid gritava instruções para os alunos do primeiro ano, os monitores conduziam os outros.


Era para eu fazer algo estúpido, como colocar fogo no cabelo de algum aluno. Mas estou no sétimo ano, creio que está na hora de mudar isso. Ser alguém mais adulto. E talvez assim possa impressionar Lily.


Almofadinhas pareceu perceber meu amadurecimento, e tive que aguentar piadas até a chegada ao Salão Principal.




Lílian POV:


- Ei! Por aí não! O Salão é pra lá! Pra lá! – eu gritava. – Ei! Você aí! Pra onde está indo? O Salão é pro outro lado! Ei, garoto! Sai daí!


Depois de muita confusão para guiar todos os alunos, acho que fui uma das últimas pessoas a chegarem ao Salão Principal. A essa altura, Dumbledore já estava mais da metade do seu discurso anual.


- ... e devo dizer que a floresta da propriedade é proibida a todos os alunos... – ele dizia, enquanto eu me sentava entre Maria e Emelina.


- Oi. Trabalho difícil? – Maria riu.


- Nem me fale. – suspirei.


- E é com prazer que apresento dois novos membros do nosso corpo estudantil: Prof. David Moreau no novo cargo de Defesa Contra as Artes das Trevas e a professora Nina Stanley no cargo de Estudo dos Trouxas! - Dumbledore anunciou.


Um homem alto com aparência juvenil se ergueu, meio corado, dando um pequeno aceno. Vi Maria trocar um rápido sorriso malicioso com Dorcas. E em seguida uma mulher loira, esbelta e com ar meio superior deu um sorriso de dentes brancos, enquanto voltava a se sentar.


Eu, morta de fome, comecei a atacar a comida assim que os pratos se encheram.


Maria, Emelina e Dorcas conversavam animadas, mas não prestei muita atenção. Estava devorando a sobremesa quando pensei ter ouvido Dorcas falar algo sobre "coral".


Dei um grande suspiro quando os alunos começaram a se levantar, sinal de que teria de sofrer novamente para ajudar os alunos novatos. Ser monitora-chefe não é nada fácil.




Sophie POV:


- Ei, Jason. – cumprimentei o garoto enquanto nos perdíamos na massa de alunos subindo para a torre da Grifinória.


- E aí, maninha! – ele sorriu. Era incrível como os garotos, mesmo sendo os mais novos, nos tratam como se nós fôssemos as crianças.


- Escute bem, mocinho. – eu disse com a voz falsamente aborrecida. – Vê se toma cuidado esse ano. Ouvi muitas garotas falarem de você, e não quero te ver se esfregando com ninguém por aí não...


Ele riu.


- Pode ficar tranquila. – ele piscou. – Ainda estou em busca da minha alma gêmea.


Foi minha vez de rir.


- Boa sorte então. – falei, dando-lhe um beijo na bochecha e me distanciando. Não pude deixar de ver uma turminha de alunas do quinto ano dando risadinhas e lançando olhares furtivos a ele.




Lílian POV:


Acho que já se passavam da meia-noite. Ou pelo menos estava perto. Caminhava pelo corredor, fazendo minha primeira ronda do ano. Nem sinal de movimento, e nem de atos marotos suspeitos. Fiquei feliz.


Caminhei entre passagens secretas e escadas. Droga. Dei de cara com Pirraça.


- Olá Evans invocadinha. – ele deu um sorriso perverso. Mau sinal.


- Pirraça, sai daqui!


- Acho que não. Ainda quero me divertir.


- Por acaso foi você quem derrubou aquelas armaduras no segundo andar?


- Talvez sim. Talvez não. – ele sorriu novamente. Notei que ele segurava uma corda. Oh-oh.


Ele se aproximou, e eu apontei minha varinha pra ele.


- O que foi, invocadinha? Tá com medo de quê?


- Se afaste senão te lanço quilômetros de distância daqui. – ameacei.


Ele se aproximou mais, me preparei pra lançar o feitiço, tarde demais.


Não sei da onde aquele bicho tira tanta força; senti minha varinha voar da mão, caindo em um canto perdido. Meus pés subiram, e com a corda ele me amarrou num candeeiro próximo, enquanto eu gritava.


- Pirraça! Me põe no chão AGORA! – berrei. – PIRRAÇA!


- Boa noite Lílian invocadinha. – vi a imagem dele de ponta cabeça rir, enquanto ele ia embora.


- PIRRAÇA! PIRRAÇA! VOLTA AQUI! – chamei desesperada. Isso não estava acontecendo comigo. – PIRRAAAAAAÇA!


Fiquei murmurando "Pirraça" mais um bom tempo, quando eu sentia que ia chorar. Isso não estava acontecendo comigo, não estava. Sentia que ia vomitar a qualquer momento se eu continuasse ali, a julgar pela quantidade de comida que eu havia consumido no banquete de abertura.


Acho que já se passavam das duas. Não dava pra olhar no relógio, estava escuro demais. Será que não tinha nenhuma alma viva nesse castelo pra me ajudar? Ou pelo menos um fantasma? Ele não é exatamente vivo, mas ajudaria. Ou não. Mas poderia pedir socorro.


Eu estava sem forças pra gritar. Tentei me balançar estrategicamente a fim de arrebentar a corda ou em segurar em alguma coisa, mas eu sabia que ia meter a cabeça em alguma coisa se eu continuasse a tentar.


Decidi desistir. Fechei os olhos, querendo dormir. Talvez assim eu poderia esperar até amanhã pra ser socorrida. Merlim, estou me sentindo um morcego.


- Lílian? – ouvi uma voz chamar baixinho. Meu salvador!


- Quem ta aí? – minha voz saiu horrivelmente rouca. Não sabia que ficar pendurada causava esse tipo de coisa, credo.


Pigarreei e tentei dizer de novo, mas minha voz falhou mais ainda.


Uma luz bateu direto na minha cara, vindo de uma varinha. Senti ficar cega.


- O que é que você está fazendo aí? – a voz de James Potter queria rir, mas parecia segurar.


- Estou esperando amanhecer pra tomar um banho de sol. – respondi totalmente sarcástica. Adoro sarcasmo.


- Como foi parar aí? – ele perguntou. Revirei os olhos.


- Ora, amarrei uma corda no meu pé e pendurei aqui. – expliquei. Sarcasmo!


- Quem te pôs aí? – ele perguntou de novo. Perdi a paciência.


- Vai ficar aí fazendo interrogatório ou vai me tirar daqui? – falei aborrecida.


Ele fez uma cara de surpresa e então se aproximou de mim. Juro que vou dar uma voadora nele se ele fizer alguma gracinha. Porém ele simplesmente segurou minha cintura e cortou a corda com um agitar de varinha. Meu corpo despencou, mas ele me segurou.


Meu estômago deu uma volta estranha.


- Preciso de um banheiro. – falei com a mão da boca.


- Só no andar de baixo... – ele começou com a expressão preocupada, mas eu já tinha corrido até a janela e despejei tudo. Foi nojento. Espero não ter ninguém lá embaixo, senão vai se dar mal. Se bem que agora eram duas da manhã, então não tinha muito perigo.


- Você está bem? – ele se aproximou cautelosamente.


Limpei minha boca rapidamente.


- Agora sim. – disse corada.


- Foi o Pirraça?


- Não, a Minerva. – sarcasmo!


Ele riu.


- Ei, o que você está fazendo perambulando pelo castelo a essas horas? – me lembrei.


- Eu salvo sua vida e você ainda me cobra? – ele ergueu as sobrancelhas.


- Ora, é claro. Ainda sou uma monitora, não sou? – dei um pequeno sorriso. – Obrigada.


- Não há de quê. – ele sorriu orgulhoso.


- Como você sabia que eu estava aqui?


- Vim te procurar. Todo mundo sentiu sua falta.


- Obrigada. – repeti, pegando minha varinha jogada.


- O que vai fazer agora? – ele perguntou no mesmo tom que alguém se pergunta num parque de diversões.


- Ir pra Sala Comunal, aonde mais? – o encarei.


- Podemos dar uma volta por aí... – ele começou e eu bufei.


- Não queira ganhar uma detenção. – falei rígida. – Só não te dou uma agora porque você me salvou, caso contrário...


- Tudo bem. Já entendi. – ele olhou pro teto.


- Então vamos.


O caminho foi silencioso, a Mulher Gorda nos deu uma bronca por ter a acordado, e então foi no Salão Comunal que ele voltou a falar.


- Lílian, por acaso você...


Ele parou e me fitou.


- Diga, Potter. – bocejei.


- Por acaso você quer sair comigo?


Demorou.


- Não. – falei curta e rapidamente.


- Por acaso você automatizou isso? – ele perguntou.


- Não sei. – dei de ombros. – Era só isso? Estou querendo dormir.


- Acho que sim.


- Boa noite então. – falei.


Caminhando em direção às escadas espirais, senti ele puxar meu braço.


- O que foi agora? – me virei para encará-lo, mas pra minha surpresa ele estava perto demais.


Paralisei, mortificada, enquanto já sentia a respiração do indivíduo no meu rosto. Por que eu não reagia?


E ele foi ficando perto, perto, fechando os olhos...


- O que você tá pensando? – o empurrei pra longe. – Deixa de ser impertinente, Potter!


Ele ficou um momento quieto, meio perdido.


- Desculpe. – falou baixinho.


- Argh! Você é desprezível! – xinguei, e subi para o dormitório batendo os pés.




James POV:


Existe nesse mundo pessoa mais burra que eu? Acho que não. Ganhei o prêmio do ano.


Usei o mapa pra ver Lílian em seu dormitório, como eu sempre fazia, mas pra minha surpresa ela não estava lá. Procurei por toda torre da Grifinória. Nem sinal.


Já era pra ter chegado, afinal já se passavam da uma hora e a ronda não durava tanto tempo assim. Comecei a procurar por todo mapa, interessado, quando acho seu nome parado no terceiro andar. Ela não andava e nem tinha ninguém com ela – o que é bom -, mas não deixava de ser estranho. E fui até lá, a socorri, conversamos tranquilamente, quando a inteligência minha saiu voando pela janela.


Não sei o que deu em mim, só sei que deu vontade de beijá-la. Foi meio automático, sem pensar, involuntário, não sei. Só sei que ela me mexeu e eu fiz o que eu fiz. Nunca me arrependi tanto.


Por um momento achei que ela ia ceder, já ia cantando vitória pro improviso, mas então ela me empurrou e adeus felicidade. Agora já era. Ela me odeia mais ainda. Todo bom progresso de hoje foi por água baixo.


Só espero que amanhã eu possa me redimir de alguma maneira.


O que não vai ser fácil.

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