Capítulo XXII



Sirius Black






Acordei de madrugada com o conselho do Pontas e do Aluado martelando em minha cabeça. "Conta pra ela!", eles disseram. Com os pensamentos a mil eu não consegui dormir, então resolvi descer e assistir um pouco de televisão até o sono voltar.


 


Descendo as escadas vi que a luz da cozinha estava acesa. Fui até lá para saber quem era a minha companhia insone. Era a Lene. Entrei o mais silenciosamente que podia e falei:


 


- Lavando louça a essa hora?


 


- PUTA QUE PARIU, SIRIUS! QUER ME MATAR DO CORAÇÃO?


 


Ela deu um pulo de susto e eu gargalhei. Mas quando vi que o copo que ela estava lavando tinha caído e se quebrado me aproximei com medo de que ela pudesse ter se cortado.


 


- Machucou?


 


- Não, Não. Tá tudo bem. - Ela balançou a cabeça sorrindo e com um movimento de varinha consertou o copo.


 


Com um pulo me sentei na bancada ao lado da pia onde a Lene estava. Depois de uns minutinhos em silêncio perguntei:


 


- Então, quem é ele?


 


- Ele quem? - as sombrancelhas unidas mostrando que ela não tinha entendido aonde eu queria chegar.


 


- O garoto por quem você está apaixonada. Quem é?


 


Na mesma hora ela virou o rosto e passou a despejar uma atenção exagerada no prato em suas mãos, confirmando minhas suspeitas.


 


- Que história é essa? Não estou apaixonada! - Lene tentou disfarçar.


 


- Algo importante tem que ter acontecido para você perder o sono, e como eu sei que está tudo normal com sua família, seus amigos e suas notas estão excelentes, só pode ser problema amoroso.- E o mesmo se aplica a mim, acrescentei mentalmente.


 


- Odeio ser tão previsível. - Ela resmungou enquanto botava o prato que estava em sua mão pra secar e pegava outro na pia.


 


- Você não é previsível, eu é que te conheço bem demais.- Ela sorriu, apesar de ainda não ter voltado a me encarar.- Logo você, dona de todo aquele discurso feminista. Achei que ia morrer antes de te ver ficar mal por causa de um garoto.


 


- Pois é, também estou decepcionada comigo mesma. Estou me sentido tão ridícula quanto aquelas protagonistas de romances adolescentes que a Lily tanto gosta de ler e eu sempre critiquei.


 


- Eu não disse que estava decepcionado, apenas surpreso. Além disso,você sempre foi ridícula.


 


- Babaca! - Ela exclamou tacando água em mim.


 


Depois de um longo suspiro ela desabafou:


 


- É difícil, né? Esse negócio de gostar de alguém. Eu não acreditava que doía tanto assim.


 


-Só se você não for correspondido. O que com certeza não é seu caso.


 


- Na verdade é sim. - Ela disse com um meio sorriso.


 


- Ah qual é, Lene?! Você é inteligente, engraçada, gostosa - ela revirou os olhos - e têm um sorriso lindo - ela deu um sorriso contido - Se o cara não tá afim de você, certeza que é viado!- Ela gargalhou.


 


Lene e eu não somos de ficar elogiando um ao outro, geralmente a gente só se xinga. Mas ela tava mal, precisando ouvir essas coisas. E eu não disse nenhuma mentira, na verdade a lista de qualidades dela é muito mais extensa que isso. Eu não citei por exemplo: o quanto ela é cheirosa, como o cabelo dela é lindo, que ela hipnotiza qualquer um com seus olhos de ônix, encanta a todos com seu jeito de moleca e simpatia, é uma jogadora de quadribol excepcional...


 


- O que faço pra esquecer ele?- Pela primeira vez desde que começamos aquela conversa ela me encarou. Na sua voz estava impressa toda a sua angústia e insegurança.


 


Era minha chance. Com um pulo desci da bancada e em poucos passos me aproximei dela, dizendo, com a voz rouca pelo medo da reação dela:


 


- Dizem que o melhor jeito de esquecer um amor é com outro.


 


Ela parou de me olhar nos olhos e encarou o chão.


 


- Eu.. Eu já tentei isso com o Gabriel, não funcionou.


 


Ela gaguejou, isso é um bom sinal. Não é? Eu botei uma mecha de cabelo dela que estava em seu rosto atrás da orelha e sussurei:


 


- Esse moleque não sabe fazer nada direito. - E então a beijei.


 


Foi um beijo intenso e exigente. Mas quando nos separamos, somente porque o ar se tornou estritamente nescessário, ela se afastou.


 


- Desculpa, mas não posso fazer isso, Sirius.


 


- Me deixa te fazer esquecer esse imbecil, Lene?!


 


- Sirius, não. Isso não vai funcionar.


 


- Por que não? Vamos tentar, me dê uma chance!


 


- Porque eu sei que não vai dar certo!


 


- Como pode ter tanta certeza? - Eu dei um passo pra frente, pra mais perto dela.


 


Ela suspirou e depois de uns segundos de silêncio, pareceu ter criado coragem pra dizer algo.


 


- Pois o imbecil por quem eu me apaixonei é você!


 


Meu coração disparou, me deu frio na barriga, tudo dentro de mim parecia estar fora do lugar, mas ao mesmo tempo tudo parecia tão certo. Aquela foi a melhor resposta que eu poderia ter recebido. E quando eu abri a boca pra dizer tudo o que eu sentia, ela não me deixou falar e disse:


 


- Para você isso vai ser só diversão. Daqui um dia, no máximo dois, já vai ter perdido a graça pra você e eu vou continuar aqui sofrendo. Eu vou ser só mais uma pra sua lista - eu a interrompi ofendido.


 


- Eu não tenho uma lista!


 


- Um caderno onde você e o James escrevem quantas pegaram é uma lista, Sirius. - o tom dela era o de quem expllicava algo pra uma criança.


 


- Isso foi no quinto ano, foi uma aposta! E paramos assim que o Pontas se apaixonou pela ruivinha, e porque ele não admitiu que eu tinha vencido.


 


Ela fez que não ouviu e continuou.


 


- Além do mais, eu tenho medo que isso estrague nossa amizade. Eu prefiro a certeza de que vou ter você pra sempre como amigo, do que ter você como namorado por pouco tempo. Eu não ia suportar te perder, Sirius.


 


Eu entendi o que ela quis dizer, pois era exatamente assim que eu me sentia e eu precisava falar isso pra ela.


 


- E você acha que eu aguentaria viver sem você, Lene? Você é minha melhor amiga desde sempre! Nos melhores momentos você estava do meu lado e quando algo não está bem comigo é pra você que eu corro para pedir apoio. Eu te amo!


 


- Mas não do mesmo jeito que eu amo você, eu entendo. E é por isso que não quero arriscar nossa amizade.


 


Meu Merlim, será que ela não consegue enfiar nessa cabeça dura que eu estou apaixonado por ela?!


 


- Não, você não entende! Eu te amo como amiga, eu te amo como namorada, eu te amo de todos os jeitos possíveis e imagináveis! Eu te amo mais do que eu achava que era possível se amar alguém! Quando você disse que ia sair com o tal do Horst, eu fiquei com ciúmes e inventei aquela história de que não ia com a cara dele, não tem noção do alívio que eu senti quando você voltou daquele encontro dizendo que tinha odiado. Mas até então eu achava que era ciúmes de amigo, sabe? Afinal, sempre considerei você a minha irmãzinha, de quem eu deveria cuidar. Mas naquele dia que eu te vi aos beijos com o Gabriel, não senti apenas ciúmes, senti inveja. Eu queria estar no lugar dele, queria que fosse eu ali te beijando, tendo você em meus braços, foi por isso que bebi daquele jeito.


 


- Sirius...- Lene sussurrou e deu um passo se aproximando de mim.


 


Eu terminei com a já mínima distância entre nós puxando-a pela cintura. Acariciei seu rosto e perguntei:


 


- Aceita ser minha namorada?


 


Ela deu um sorrinho tímido e confirmou com a cabeça. Eu a puxei para um beijo, para não dar lhe tempo de mudar de idéia. Dessa vez o beijo foi mais carinhoso, delicado. Quando nos separamos ambos tínhamos um sorriso bobo no rosto. Tudo estava perfeito, até que ouvimos alguém dizer:


 


- Muito romântico! Mas fora da minha cozinha agora os dois!! - Era suzie quer ordenava com o máximo de autoridade que sua pouca altura permitia.- E você mocinha, não se atreva a lavar a louça novamente! - ela ralhou com o dedo fino e longo apontado para a Lene.


 


Rindo, eu puxei a Lene pela mão até a sala para fugirmos da elfa doméstica. Paramos ao pé da escada e ela me disse:


 


- Sabe, eu não queria subir agora e ter que ficar longe você.


 


- Muito menos eu. - Nos beijamos novamente. - Vem cá.


 


Me sentei no sofá e ela se aninhou no meu peito, conjurei um cobertor para nos cobrirmos. Ficamos ali namorando e vendo TV até adormecermos.


 



Dorcas Meadowes


Entrei na sala e me deparei com a cena mais improvável da história da humanidade: Sirius e Lene se beijavam no sofá.


 


- AI MEU MERLIM! SIRIUS BLACK E MARLENE MCKINNON ESTÃO SE PEGANDO!! - Não me julguem pela gritaria, é impossível não fazer escândalo em uma hora dessas.


 


- LENE, SE EU NÃO PODIA BRIGAR COM O JAMES VOCÊ TAMBÉM NAO PODE BRIGAR COM O SIRIUS. - A Lily berrou do alto da escada.


 


- NÃO É NESSE SENTIDO DE SE PEGAR. É NO OUTRO. - Eu tentei explicar.


 


- O QUE?- A essa altura a ruiva já tinha chegado a sala, mas continuava berrando. - AI MEU DEUS !


 


Os pombinhos? Tinham parado de se engolir e estavam rindo da nossa cara. R-I-N-D-O. Quanta insolência!


 


- QUE PORRA DE GRITARIA É ESSA? SÃO DEZ HORAS DA MANHÃ, PRATICAMENTE MADRUGADA, É VÉSPERA DE NATAL E VOCÊS AI BERRANDO! - O resmungão do James já desceu reclamando. Tudo bem que eu reclamo muito mais, mas... - CADÊ MINHAS RABANADAS?


 


- AAH CALA A BOCA, PONTAS!! E EU QUERO PANETTONE! - Até o meu namorado desceu fazendo estardalhaço.


 


Finalmente estávamos todos reunidos. Remus, James, Lily e eu encarávamos Sirius e Lene que estavam abraçados no sofá.


 


- PAREM COM A MERDA DA GRITARIA E DEIXEM ELES SE EXPLICAREM! - No quesito escândalo, definitivamente, a Lily era invencível.


 


- Estamos namorando. - A Lene disse como se aquela fosse uma notícia normal. Como se pessoas começassem namoros todos os dias, tudo bem elas começam, mas essas pessoas não são Sirius e Lene!


 


- QUEREMOS DETALHES!- A Lily já está começando a me assustar.

- EU QUERO É COMIDA! - O James disse, mas depois de receber um "olhar avada" da lily, meu e até do Remus, apressou-se em acrescentar - Mas também quero detalhes!


 


- Gente, deixa eu explicar uma coisa pra vocês. Os seres humanos nascem, crescem, se apaixonam, namoram, casam, têm filhos e morrem. Alguns chamam isso de "ciclo da vida". - SIrius explicou como se fosse um professor da pré-escola.


 


- Ai meu Merlim! Ele quer engravidar a nossa, Lene!- Eu estava alarmada.


 


- Já imaginou, um monte de pequenos Sirius e pequenas Lenes correndo por aí? - O Black disse em tom sonhador.


 


- Ah, claro! Já consigo até ver o Prof. Binns explicando nas aulas que esse foi o motivo da II Guerra Mundial Bruxa.- Todos gargalhamos do comentário do Remus.


 


Ficamos ali zoando o novo casal e tentando nos acostumar com essa idéia por um bom tempo. Até os meninos esfomeados nos arrastarem pra cozinha onde uma mesa de café da manhã cheia de coisas típicas de natal já estava posta. Desatamos a comer, mas sem parar de implicar uns com os outros, claro!




N/A : Gente, não tenho nem coragem de pedir desculpas a vocês pela demora em postar, é que esse ano foi muito atordoado para mim e confesso que passei por uma crise de falta de inspiração, mas a proximidade do Natal me fez querer voltar a escrever. rs 
Eu queria agradecer a vocês pelo carinho dos comentários, eles realmente tornam a vida de qualquer escritor muito melhor! Obrigada de verdade!
Espero que gostem do capítulo. Foi difícil de sair! haha O próximo provavelmente será o último... 
Bjss


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Comentários (3)

  • Bru Mckinnon Black

    Finalmente o Sirius e a Lene adimitiram o que sentem um pelo outro!!!Posta logo o proximo cap, estou morrendo de curiosidade!!! 

    2014-01-12
  • Larissa Batalha

    ATÉ QUE ENFIM !! Pensei que tinha desistido da fic , mas eu ameei o cap . Hum ... talvez seja pedir de mais ,mas sera que no proximo cap vc pode colocar um resuminho da historia ate aquele ponto ? obg

    2013-01-17
  • Lala Riddle

    Aleluiaaaaaa :D Sério, eu esperei demais pela continuação dessa fic, e eu tive um treco aqui quando eu vi que tinha atualização :DDDD Ficou tãaaaao fofinho esse capitulo :3 Não demora pra continuar hein? Fuuui ;) 

    2012-12-10
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