Apenas um breve tchau



 


Hermione passou o dia de sábado em farras. Saiu com as amigas e azarou algumas pessoas. Essa nova vida era muito monótona. Sempre a mesma coisa. No meio da tarde, ela foi à enfermaria, para ver o aluno que Draco quase matara.
_Olá...
_ Você é a Hermione né?
_ Sou sim... E qual seu nome?
_ Thiago...
_ Você está melhor? Pode ficar calmo que o Draco vai se arrepender de ter feito isso com você.
_ Sim... Mas não faça nada com ele. Ele ensinou agente a jogar Quadribol. E ele só queria que você desculpasse ele...
_ Mas ele quase e matou! Você não liga?
_ Hermione... Ele quase me matou e eu desculpei ele... O que de pior ele pode ter feito pra você não desculpar o Draco?
Hermione sorriu e passou a mão nos cabelos do garoto. Saiu da enfermaria e seguiu para perto do lago, que estava congelado com o frio. Lá ficou até escurecer. Assim que deu a hora do jantar ser servido, Hermione se sentou à mesa da Sonserina e sentiu falta da presença de Draco. 

***
(Longe dali na mansão Malfoy.)

Rabicho entra na sala de Voldemort.
_ Ele está ali fora, senhor...
_ Diga que entre.
Ele volta para fora da sala com uma cara de felicidade. Ordenou a Draco que entrasse na sala e depois fechou a porta. Aquele lugar era ainda mais sinistro sem as outras pessoas. As cortinas longas e pesadas caiam no chão sem deixar uma claridade da lua entrar pelas janelas. Lorde Voldemort se levantou e ficou cara a cara com ele.
_ Por que você perturba a Hermione?
_ Eu não a incomodo, Senhor.
_ Mentira! Fazendo musicas, poemas, declarações! Está parecendo que não é fiel a mim.
_ Eu sempre serei fiel ao senhor! E provo se for preciso!
_ É o que fará. Assim que Hermione acabar com sua missão, eu vou matá-la.
_ Senhor... Mesmo depois de ter dito que faria dela sua companheira?
_ Olhe pra mim, Draco. Pensei que fosse inteligente como seu pai, mas vi que herdou a burrice de sua mãe. Eu sou Lorde Voldemort! E irei dominar os dois mundos... Sozinho.
_ Não vou deixar você fazer isso com ela!
_ Crucio!
Draco caiu no chão de tanta dor que sentia. Elevou as mãos à cabeça e sentiu que ele estava nela. Ele estava brincando com ele não fisicamente, mais sim psicologicamente. Fazendo-o lembrar de coisas que o machucavam. Aquilo doía de mais. Sentiu as lagrimas lhe escorrer o rosto. Lembrou de Hermione. Dela sorrindo e dos momentos bons que passou ao seu lado. Num impulso involuntário, se levantou e expulsou Voldemort de sua mente. Pegou sua varinha e os dois ficaram assim. Cara a cara.

***

_ Hermione? Ta tudo bem?
Ela estava tonta e sentia uma dor enorme. Se encolheu no canto da cama e chorou. Não sábio o que estava acontecendo, mas era uma dor insuportável. Pansy se sentou ao seu lado e colocou a mão e suas costas.
_ O que foi amiga?
_ Draco... Perigo...- Ela desmaiou e Pansy não conseguia entender. Como ela sabia isso?

***

Começou uma batalha com feitiços poderosos das trevas. Draco estava cansado, mas Voldemort parecia apenas brincar. Ele conseguiu tirar avarinha de Draco, que caiu no chão. Voldemort o olhou com desprezo. Poderia matá-lo agora, mas com isso perderia Lucio e Bella. Narcisa não fazia diferença. O problema era os dois, então resolveu dar mais uma chance a Draco.
_ Você sabe do meu plano. Pode sair daqui e correr contar para ele, então serei obrigado a matar toda a sua família e depois ela. Ou você pode sair daqui e ficar quieto e apenas esperar e ver ela morrer. O que escolhe?
_ Eu não vou falar nada.
_ Assim espero. Agora vá.
Draco se levantou e saiu daquele lugar macabro. Chegou em Hogwarts e encontrou Pansy em frente a enfermaria.
_ Até que enfim eu te achei! A Hermione não tava legal e...
_ O que? Aconteceu alguma coisa?
_ Eu sei lá! Ela falou Draco... Perigo... E daí apagou! Ai trouxeram ela pra enfermaria e não me deixam entrar! Eu to aqui quase a noite toda já!
_ Pansy... São onze horas...
Pansy estava pronta pra pular no pescoço do loiro, quando Dumbledore abriu a porta.
_ Senhorita Pansy. Pode ir dormir. Apenas o Draco entrara aqui hoje.
Ela ficou indignada com aquilo, mas não disse nada. Draco entrou na enfermaria e viu Hermione desfalecida em cima da maca.
_ O que aconteceu, Dumbledore?
_ Você estava em perigo... Ela sentiu o perigo e a dor. Vocês têm o mesmo sangue. Tudo o que você sente ela sentirá também. É como se vocês fossem apenas um...
Draco a olhou ali deitada e se sentou a seu lado. Segurou sua mão gelada e assim passaram a noite.

***

O dia veio e junto a ele mais problemas. Hermione acordou assustada por estar nos braços de Draco. Ela levantou correndo e saiu da enfermaria, o deixando ali. A noite chegou e todos no salão comunal. Hermione não conseguia olha para o Draco. Não sabia o que tinha acontecido, mas tinha medo de ter feito algo errado. Ela não tocou na comida e não conseguia seguir a conversa. Pansy percebeu que tinha algo errado com ela.
_ Algum problema?
_ Não... Só to com... Sono.
_ AA.. melhor você subir...
_ Verdade... Fui!
Hermione se levantou e subiu para seu quarto. Estava sozinha e com frio. Estava olhando pela janela a torre da Grifinória. De certo modo ela sentia falta daquele lugar. Não era tão...Sombrio. Hermione ouviu a porta se abrir e nem se deu o trabalho de olhar. Pensava que era uma das garotas. Se assustou no que sentiu aquele perfume daquele homem... Sentiu as mãos dele em sua barriga e por um instante ela hesitou em afastá-las de seu corpo. Ela voltou a si e saiu do enlace daqueles braços fortes e o encarou.
_ O que você quer Malfoy?
_ Simples... Você.
_ Pare de ser atrevido! Você não tem essa intimidade comigo! Vá cumprir suas detenções que você ganha mais!
_ Tenho o resto da vida pra cumprir detenções, mas não terei o resto da vida pra amar você.
Hermione o encarou seriamente. Ele iria morrer? Ela não entendeu nada. Apenas viu aqueles lindos olhos azuis a fitando com paixão e medo? Ele se aproximou mais da morena e ela sentiu seu corpo imóvel. Não queria, não podia! Na verdade, ela queria sim. Deixou-se levar nos movimentos que o loiro fazia para se aproximar dela. Suas bocas estavam em centímetros de distancia. As respirações se misturavam e tudo parecia ter parado...
_ O que ta acontecendo aqui?
Pansy não estava entendendo. Draco e Hermione quase se beijando. Hermione empurrou o corpo do garoto para longe dela... Draco viu que deveria sair dali e se foi, deixando as duas ali... Sozinhas.

***

(Uma semana para o musical)
Duas semanas se passaram e Hermione e Draco só se viam nos ensaios. Ela havia se concentrado nos estudos, coisa que não tinha feito muito no ultimo semestre. Draco enquanto não estava cumprindo suas detenções, estava fazendo 'obras de caridade'. Meio da tarde de quinta-feira, vinte e dois de dezembro. Hermione estava sentada no salão comunal fazendo seu dever de poções. Draco sentou ao seu lado. Queria conversar com ela.
_ Oi Hermione...- Ela apenas virou os olhos e não respondeu.
_ To vendo que não quer falar comigo. Assim é bem melhor e eu posso falar e você ouvir... Sabe... Sábado de noite agente apresenta... E eu não quero fazer isso brigado com você...
_ Ótimo! Então não faça! Escuta aqui... Você não tem nenhuma detenção pra cumprir?
_ Olha... Na verdade tenho umas vinte... Umas por eu ter colocado fogo acidentalmente nas estufas, outro por eu ter feito poções sem a autorização do Snape, outra por quase matar um garoto quando fui me declarar... E ai a fora! São muitas...
_ Eu tenho mais o que fazer Malfoy! Por que você não vai dar comida pros pobres ao invés de ficar aqui me amolando?
Malfoy a olhou assustado. A Hermione que ele conhecia nunca diria algo assim.
_ Quem é você?
_ Hermione Granger! A psicopata compulsiva que vai te esganar se você não sair daqui... AGORA!
_ Não... A Hermione não era tão medíocre e hipócrita! Ela se importava com os sentimentos e com o bem-estar dos outros, mas você não. É só mais uma idiota que ta tentando ser... Igual a mim. Eu tentando ser alguém melhor... Pra me julgarem pelas minhas qualidades pra mim ter uma chance com você, mas... É difícil ser melhor pra alguém que cada dia está pior.
Draco se levantou e seguiu para seu dormitório. Não podia ficar do lado... Dela.
Hermione não disse nada do discurso de Draco. Ela sabia que ele tinha razão. O jantar veio e Hermione não viu Draco. Subiu para o quarto e se sentou na janela. As garotas voltaram para o quarto e não se atreveram a falar com Hermione. Elas sabiam o que havia acontecido. A madrugada fria de inverno veio e Hermione sentada na janela imóvel. Sentia frio, sentia medo, mas não tinha coragem de sair dali. Sentiu a mão de Pansy lhe encostar o ombro esquerdo.
_ Mi... Melhor você dormir... São três da manhã... Amanhã tem aula e passeio a Hogsmeade... Por que você não descansa um pouco?
_ Tenho medo... Medo de quando eu dormir ele estar nos meus sonhos e falar o quanto eu sou ruim... Que eu não sou quem eu era antes... Isso me machucou muito, Pansy... Muito...
_ Mione... Você ainda não morreu... Ainda da tempo de concertar o que você fez de errado. E morrer congelada na janela não é um bom começo. Venha...
_ Já vou... Quero ficar mais um pouco aqui...- Uma lágrima lhe escorreu o rosto.Pansy voltou para sua cama, deixando Hermione ali. Amanheceu e ela não tinha dormido... Não conseguia, não podia. Todos estavam no salão comunal prontos para o passeio. Hermione olhou para Draco que parecia estar...Feliz. Eles não se viram durante o dia. Hermione fez umas compras com Pansy e no final foram beber uma cerveja. Sentaram numa mesa distante e Hermione viu que Ulysses também estava ali.
_ Pansy... Eu vou me sentar com o Ulysses... Pode ficar ai com a Melany e a Muriel... 
Pansy não protestou. A amiga precisava conversar com alguém.
_ Oi Ulysses... Posso sentar?
_ Claro...
_ Parece tão desanimado... Não fique assim! Amanhã Será um sucesso!
_ O que adianta ser um sucesso se não é o que eu gosto de fazer...
_ Me diga... O que você sempre sonhou em fazer, então?
_ Antes de saber que eu era bruxo eu queria ser piloto de avião. Sempre quis voar. Não em uma vassoura. Com asas... Ai eu descobri que era um bruxo e isso acabou com meu sonho... Eu sempre me interessei em ser um animago, mas vamos dizer que eu nunca fui um bom bruxo... Sabia fazer os feitiços simples e olhe lá! Assim que acabei meus estudos não tinha carreira certa. Ai eu fui pra Paris e você já sabe o resto.
_ Mas... Por que você desistiu do seu sonho de ser piloto?
_ Por que eu sempre deixei pra 'amanhã'. E quando eu vi, minha chance já tinha passado. E agora estou aqui bebendo e contando meus segredos pra uma aluna das aulas que eu sempre odiei com toda a minha alma. Não deixe nada pra depois... Nada pra amanhã e nem pra semana que vem... O mundo não para pra você decidir o que quer... Não perca as oportunidades, Hermione... A minha já passou... Mas a sua não.
_ Mas o que eu posso fazer borboleta colorida?
_ Eu não sei... O rolo é de vocês dois... Não meu.
Ele sorriu pra ela. Os dois ficaram em silencio enquanto bebiam. Já era quase seis da tarde. Tinham que voltar pro castelo.

***

Mais um jantar e Draco não tinha aparecido. Hermione queria fazer algo, mas não conseguia pensar em nada. Subiu para seu quarto e viu que tinham apenas três camas ali. Ela olhou pra Pansy sem entender nada.
_ Cadê minha cama?
_ Não sei... Vai ver ta no quarto do Draco...
Hermione a olhou com uma cara furiosa, que Pansy retribuiu com um sorriso sapeca.
_ Você tava ouvindo minha conversa com o Ulysses?
_ Bom... Só um pedacinho... O que você ainda ta fazendo aqui? Vai logo falar com o Draco!
Hermione saiu correndo do seu quarto e foi em direção ao quarto de Draco. Passou por alguns garotos que não entenderam nada do que estava acontecendo. Ela bateu na porta com insistência.
_ Não quero falar com ninguém! Vai embora!- Ela bateu ainda mais forte. - Não entendeu? Se eu abrir a porta é bom ser a Hermione!-Ela bateu mais forte ainda e quando estava prestes a derrubar a porta, ele abriu.
_ O que por Merlin você que... Mione!?
Ela o encarou e não disse nada. Olhou para dentro do quarto e viu uma grande mala no chão. Ela o empurrou e viu que não tinha mais nada dele no quarto, estava tudo sendoguardado.
_ Você vai embora?
_ Vou. Assim que acabar o musical alguém virá me buscar.
_ Você seria capaz de ir sem nem me dar um... 'tchau'?
Draco olhou pra baixo e depois a encarou.
_ O que você ta fazendo no meu quarto?
_ Eu tava conversando com a borboleta colorida, e ela me fez ver... Que tem coisas que só se tem oportunidade uma vez na vida. E eu iria me acertar com você amanhã, mas vai ver amanhã já seria tarde... Então eu estou aqui. Sabe... A Pansy sumiu com a minha cama...
_ E?
Sua cama está grande de mais pra um só...
Draco não disse nada. Apenas sorriu e se aproximou da morena. Olhos nos olhos, corpo no corpo. A situação que ele tanto sentiu falta. Os dois corações em um único ritmo formando uma melodia que era especial. As respirações se misturavam novamente e os lábios se encontraram timidamente. Saudade um do gosto do outro, do carinho que os dois tinham em cada movimento. Suas línguas se juntaram novamente, e ela estava de novo naqueles braços fortes. Ele a conduziu até a cama, onde os dois não pararam de se beijar. Esperavam por aquilo há muito tempo. Draco tirou a sua camisa e Hermione beijou aquele tórax que tanto desejava. Naquele quarto escuro eles se amaram de verdade pela primeira vez. Eles se tornaram um só dentro daquelas quatro paredes. Eles não precisavam fingir, era um sentimento real, sem fraudes. Os dois dormiram abraçados em meio aqueles lençóis. Hermione acordou e Draco ainda estava ali abraçado a ela.
_ Draco... Acorda... Draco...
Ele demorou um pouco a despertar, mas assim que viu que a noite passada não tinha sido um sonho, ele a abraçou e a puxou para cima de si.
_ Bom dia meu amor! Dormiu bem?
_ O que deu pra dormi sim né...
_ O que foi... Preferia dormir a passar a noite comigo?
_ Não falei isso...
Os dois sorriram. Tudo estava bem e dessa vez, era de verdade.

***

Uma hora para começar o musical e todos estavam prontos e nas coxias. Tudo estava certo, nada poderia estragar aquela noite. Todas as pessoas estavam acomodadas em seus devidos lugares e de uma hora pra outra, Draco ficou sério. Ron e Harry entraram nos bastidores para desejar boa sorte, ou como diziam na linguagem teatral. 'merda pra você'.
_ Harry! Ron! Que bom que estão aqui pra ver...
_ Agente nunca iria deixar nossa melhor amiga pagar esse mico pra sua primeira detenção sem ao menos agente pra rir.
_ Se eu tivesse minha varinha aqui eu iria azarar vocês dois!
_ Onde está sua varinha?
_ Na outra roupa...
_ O que aconteceu com o Malfoy? Ele ta serio... Ouvi dizer que vocês tão de bem...
_ Verdade...
_ Mais Mi... Ele matou seu gato...
Mas não sou eu que vai matar a Mi.
Todos olharam para o Malfoy. Ele estava pálido e uma lágrima lhe escorreu o rosto. O segundo sinal tocou. O show iria começar e nenhum dos três conseguiu entender.
 


 


 

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