O Outro Dia



   Harry e Hermione continuaram caminhando apressados, em busca de qualquer pub pela frente, e não demorou muito para que eles o encontrassem, passaram por uma rua extremamente estreita e lá estava ele. Havia uma pequena entrada sem porta, que dava acesso ao pub, e da rua era possível ver algumas dezenas de cabeças passando de lá para cá, a impressão que se tinha era de que todos ali dentro eram minúsculos, mas quando os dois se aproximaram da entrada perceberam que se tratava do chão, pois o nível da rua era mais alto. Hermione não pode deixar de notar que várias pessoas começaram a cochichar enquanto ela descia cautelosamente a pequena escada na entrada, e ela nem pode prever quando um homem do tamanho de Hagrid esbarrou sem querer em seu braço, derramando um pouco de vinho da caneca que ele carregava em sua calça, ela soltou um gritinho assustada e virou-se para trás imediatamente, agarrando-se em Harry.


“Wow. Você está bem?” – Harry perguntou, enquanto ria da situação. Hermione se recompôs, soltando Harry e passando a mão pela mancha de vinho na sua calça.


“Uhum, tá tudo bem” – disse ela, dessa vez lançando um olhar intrigado para a porta e logo depois para o homem que acabara de esbarrar, “Como ele conseguiu entrar aqui?”


Harry parou por um segundo para pensar na pergunta da amiga e chegou à conclusão de que isso seria uma eterna incógnita.


“Esse lugar tá bom para você? Tá meio cheio, né?”


“Você está tentando escapar ou é impressão minha?” - Hermione zombou, “O lugar é perfeito, apenas finja que você não é o centro das atenções, os olhares não podem durar muito... Aonde já se viu? Um Ministro não pode divertir?”


   Eles continuaram se movendo em meio às pessoas, que pareciam já estarem todas bêbadas, algumas levantavam as canecas e gritavam quando Harry e Hermione passavam por eles, o que restava aos dois sorrir e acenar, aos poucos eles se encaixaram em meio a multidão e fizeram novos amigos. Depois de muita conversa com o dono do pub, Harry descobriu que a decoração do lugar não era mero acaso, o dono era irlandês e a maioria das pessoas que estavam ali festejando eram parentes, amigos e descendentes. O homem robusto e muito agradável presenteou Harry com um chapéu de listras verdes e insistiu para que ele o colocasse imediatamente, Harry, é claro, não recusou o pedido, tratando-se de colocar o chapéu com boa vontade, o qual segundo Hermione deixava-o bastante atraente, não que a opinião dela estava valendo alguma coisa, pois Harry já questionava a capacidade de nitidez da visão da amiga, que já tinha experimentado todas as bebidas do pub e naquele momento se encontrava numa dança um tanto exótica com um dos homens barbudos no meio do bar. Porém, não passou na mente de Harry nem durante um segundo inibi-la, afinal foi ele mesmo quem deu a idéia e a arrastou para aquele lugar, então tratou-se de relaxar e aproveitar o momento de distração e diversão, dando umas olhadas de vez em quando em direção a ela, só para conferir se Hermione não estava fazendo algo muito vergonhoso, no caso, ele a pararia no mesmo instante, mas pensou que uma dança não era nada demais, então continuou em seu lugar, conversando com os homens que o rodeava e dando gargalhadas das histórias contadas por eles. Foi quando, de repente, ele começou a ouvir um conjunto de assovios, gritos e tapas na mesa e então, uma voz bem familiar – agora apenas distorcida pelo efeito do álcool - “Sim, ele está aqui e vai contar para gente em primeira mão... HARRY POTTER”, o queixo de Harry caiu. Hermione estava em cima do balcão, segurando sua varinha como se fosse um microfone, com todas as pessoas do pub a sua volta aplaudindo e agora olhando para ele. Harry lançou um olhar para Hermione como se estivesse dizendo “O que você está fazendo?”, mas já era tarde demais, ele sentiu vários tapinhas nas costas, empurrando-o em direção ao balcão onde Hermione estava totalmente radiante, era como se outra pessoa estivesse habitando o corpo dela. Harry subiu o balcão e não gostou muito da sensação de ficar ali em cima, ele não queria admitir, mas também estava bêbado, nada comparado à situação de Hermione, é claro. Ao se endireitar no balcão, ele foi imediatamente ovacionado e aproveitando o momento de gritaria, voltou-se para Hermione.


            “O que eu tenho que fazer?” – perguntou ele, com medo da resposta.


            "Eles querem saber como você derrotou Voldemort, mas Harry, DE-TA-LHES!” – ela pontuou.


Harry não sabia se ria da voz da amiga ou se brigava com ela por ter dito às pessoas que ele contaria detalhes sobre isso.


            “Eu não acredito que você fez isso!”


            “Oh Harry, pare de ser um estraga prazer e conte logo!” – ela exclamou, dando um tapa na cabeça dele.


Harry fez uma careta, não havia saída, todos estavam esperando ansiosamente, ele já tinha contado essa história tantas vezes que isso o fazia sentir-se um disco arranhado, mas Harry lembrou-se que a proposta da noite era se divertir e não ia deixar que isso atrapalhasse, respirou fundo e tomou a caneca das mãos de Hermione, e ao som de “Vira, vira, vira” de todo o pub, ele começou a virar todo o hidromel na boca de uma vez só. Com essa dose de incentivo, Harry narrou inspiradamente parte por parte da sua jornada rumo à vitória contra Voldemort, e pela primeira vez, ele contou a história de modo divertido, dramatizando algumas partes, permitindo-se fazer piada de situações e todos o ouviam atentamente, curiosos e perplexos com os detalhes, que mau eles sabiam, Harry inventara. Hermione, por sua vez, enfatizava os acontecimentos puxando aplausos, gritos e pagou uma rodada de hidromel para todos quando Harry terminou a história, em comemoração. A noite seguiu surpreendentemente agradável, eles entoaram hinos e outras cantigas com uma turma bastante animada em um dos cantos do pub e Harry tentou dançar com Hermione, mas percebeu que era humanamente impossível acompanhar o ritmo frenético da amiga, alguns poucos minutos de dança já foi mais que o suficiente para fazê-lo cansar-se e ficar tonto.


Harry uniu-se a um grupo de pessoas que estavam competindo quem agüentava virar mais canecas de vinho, ele tentou maneirar na bebida já que percebeu que teria que tomar conta de Hermione, e se ele ficasse pior do que ela, bom... A vaca iria para o brejo. Ia começar a beber seu vinho, quando sentiu uma mão agarrar sua camisa pelas costas e o puxar.


“Tem um homem me seguindo, me tire daqui!” – Hermione pediu, parecendo um pouco apavorada. Harry levantou os olhos e tentou encontrar o tal homem, mas só conseguiu enxergar o alvoroço no meio do pub. De qualquer forma, resolveu não negar o pedido dela, e foi puxando Hermione com cuidado para fora do pub.


“Ahhh... ar fresco!” – ele disse extasiado e respirando fundo, voltou-se para Hermione, que agora estava parada com o olhar fixo na entrada do pub, “Que homem estava te seguindo?” – ele apertou os olhos tentando ver o que ela possivelmente estava vendo.


“Algum... barbudo, careca... meio barrigudo?” – ela franzia a testa, duvidosa.


“Oh é claro, porque há poucos homens carecas, barrigudos e barbudos ali dentro, hã?” – Harry soltou uma gargalhada, “Eu sei qual é o seu problema.”


Ele se aproximou dela e apontou o dedo em seu rosto.


“Você está totalmente bêbada!”


“Harry Potter,” – ela deu um passo para frente, ficando ainda mais perto de Harry, “Como você ousa dizer que eu estou bêbada? Eu estou perfeitamente bem, veja você mesmo...” – Hermione encostou as suas sobrancelhas nas de Harry, com os olhos arregalados, desafiando-o, “Agora, olhe no fundo dos meus olhos e diga que eu estou bêbada.”


Mas Harry paralisou por um momento, Hermione nunca havia ficado tão perto dele como agora, ele podia sentir o hálito quente assoprando seus lábios, entorpecedor, literalmente, enquanto ele encarava ininterruptamente os olhos castanhos fixos nos deles, seu coração batia descompassado, como ele queria tomá-la em seus braços e beijá-la pela primeira vez, o desejo estava consumindo-o, mas um lampejo de bom senso o atingiu, ele sabia que ela estava vulnerável, que aquele não era o momento certo. Com muito esforço, ele voltou para a realidade e tentou responder calmamente.


“Olhando assim de perto, realmente... ficou mais claro que você está fora de si.” – ele esboçou um sorriso no canto da boca. Mas em seguida, ele pode sentir alguma coisa sólida e fina apertar contra a sua barriga, ele desviou o olhar para baixo e viu que Hermione apontava a sua varinha contra ele.


“Eshtupefaçam!”


“O QUÊ?” – Harry deu um pulo pra trás, assustado, “Você está louca?”


“Harry, eu acho que a minha varinha está estragada...” – disse Hermione, enquanto sacudia a varinha com uma cara de choro.


“Você realmente ia me estuporar?” – disse Harry, dessa vez indo atrás de Hermione que se distanciava dele.


“Você dizendo desse jeito fica parecendo que eu ia fazer uma coisa suj...”


“Eu não acredito nisso, me dê essa varinha, sua pinguça lunática!” – ele a interrompeu, guardando a varinha dela no bolso de trás da sua calça.


“Eu só estava me defendendo, você insiste em me chamar de bêbada e você teve muita sorte, se a minha varinha não estivesse quebrada você era um homem morto!” – ela disse, embolando-se com as palavras.


“Claro, sua varinha é que está quebrada!” – Harry ainda estava perplexo, “Me lembre de nunca mais te dar mais de três copos de hidromel.”


Harry esperava outra resposta afiada, mas a reação de Hermione não foi a que ele esperava. Ela começou a rir sem parar, apoiando suas mãos nos joelhos e então, começou a correr em círculos cantando um dos hinos que havia aprendido no pub, mas de repente ela parou, e agora estava encarando curiosamente o bosque logo a frente deles.


“O que tem lá, Harry?” – ela apontou em direção as árvores.


“Eu não sei, acho que vai para o lago Morme.”


“EXISTE UM LAGO?” – Hermione perguntou, excitada com a possibilidade.


“Você sabe disso...” – ele cerrou os olhos para ela.


“Eu não sabia de nada, ninguém me conta mais nada, eu... eu...” – Hermione reclamava com um tom inconformado, “Eu vou até lá.”


“O que? Não, Hermione, você...” – Harry tentou argumentar, mas enquanto ele falava Hermione já estava caminhando em direção ao bosque, ele saiu em disparada atrás dela, “Nós não podemos ir até lá, está escuro.”


“Você deveria ter vergonha em me dizer isso, um homem do seu tamanho com medo do escuro,” – ela parou rapidamente esticando a mão para Harry, “Devolva a minha varinha para que eu possa ser o homem dessa relação e nos defender se caso acontecer alguma coisa.”


“Eu estou começando a achar que havia alguma poção do palhaço no seu hidromel, engraçadinha!” – ele apertou o nariz dela entre seus dedos e então, a segurou pela mão, “Você quer ver o lago, então vamos ver o lago...”


   O bosque pelo qual passavam era cheio de vida, as folhas das árvores cumpridas e afastadas balançavam lentamente ao soprar do vento, a vegetação rasteira cobrindo a terra fofa e havia muitas flores de várias cores pelo caminho, a maioria era amarela e violeta. Apesar da noite, o que geralmente deixam lugares como estes com um tom extremamente sombrio, havia certa alegria naquele lugar, era como estar dentro de uma pintura estonteante. Harry segurava a mão dela firme enquanto caminhavam para o lago, tudo isso para que Hermione não começasse a correr e a pular como há minutos atrás estava fazendo, demorou só mais um pouco para que o bosque se abrisse em um grande círculo, a terra fofa foi substituída por um pedregulho e já não havia árvores naquele lugar. Os dois pararam contemplativos em frente ao lago, a lua cheia parecia flutuar no horizonte, as águas calmas e silenciosas, tudo o que Harry podia ouvir naquele momento era o vento suave batendo nas águas e o cricrilar distante dos grilos. Harry deu um suspiro calmo e agradeceu por Hermione ter os direcionado para aquele lugar, ele não demorou a perceber que sua mão já não segurava mais a dela, e quando olhou para o lado tomou um baita susto. Hermione estava de sutiã e naquele momento, estava tirando apressadamente a calça.


“O que você está fazendo?” – ele perguntou, com um olhar incrédulo.


“O que parece que eu estou fazendo?” – Hermione nem se deu o trabalho de olhar para ele, continuou a tirar a calça.


“Mas, mas...” – o olhar de Harry estava perdido, ora ia de encontro às roupas dela jogadas no chão, ora ao lago, ora ao corpo de Hermione. Era a primeira vez que ele a via daquele jeito e sentiu seu corpo ficar entorpecido, as batidas do seu coração se intensificavam, e naquele momento, Harry reafirmou a perfeição dela. Ela era tão linda, a pele perolada pelo reflexo da lua, o cabelo jogado em seu ombro, a cintura primorosamente curvada, seus pensamentos estavam entrando em pane, ele sacudiu a cabeça como uma forma de expulsar os pensamentos que a ocupavam, “Ela é esposa do seu melhor amigo, Harry! Foque-se.” Ele repetia mentalmente para si mesmo. Quando Harry voltou a si, Hermione já estava entrando no lago, ele não podia ficar ali simplesmente parado, afinal, ela não estava muito bem e deixá-la sozinha no lago não lhe parecia uma boa idéia. Ele tirou a camisa e os sapatos num piscar dos olhos, jogou a sua varinha e dela em cima das roupas, lembrou-se das acidinhas em seu bolso e atirou em qualquer lugar, decidiu não tirar a calça, pois Hermione já estava muito longe da margem, qualquer demora poderia ser fatal.


“Ei apressada, me espere... WOW!” – gritou ele, ao sentir o gelado da água cortando suas pernas.


Hermione virou-se para ele e berrou, “Quem é a menininha agora?”


Harry tentou caminhar o mais rápido que pôde pelas águas até finalmente, ficar perto de Hermione, a água ali cruzava o seu peitoral.


“Fique perto de mim, ok?”


“Ah... pare com isso, o que você acha que pode acontecer aqui? Os Sereianos me pegarem?” – ela fingiu uma cara de amedrontada, mas mudou sua expressão em um segundo, “E se tiver? Espere...” E sem pensar muito, Hermione mergulhou a cabeça no lago e emergiu ofegante segundos depois, “Você pode ficar calmo... não tem nada... está tudo muito... escuro!”


“Oh meu Deus, você está louca, não está?” – Harry não conseguia parar de rir, “Quem te deu as drogas, vamos, me conte... eu sou seu melhor amigo!”


“Você insiste em dizer essas coisas, eu não posso ficar feliz e... como é que as pessoas dizem? Curtir o momento?” – ela jogou um jato de água no rosto de Harry. “Você mereceu!”


Harry que tinha sido pego de surpreso, respirou fundo e cuspiu a água que tinha engolido, vingou-se jogando vários jatos em Hermione e os dois começaram uma pequena guerra, as suas risadas e o barulho das águas ecoavam pelo lugar, “PARE, PAREEE!” Hermione pediu gargalhando e sem forças. Harry ouviu o pedido e parou no mesmo instante, os dois ficaram parados rindo cansados da situação.


“Eu acho que esse é um dos melhores dias da minha vida!” – ela disse, ainda sorrindo.


“Definitivamente.” – ele concordou.


“Você acha que eu estou me referindo a isso? Oh não, Harry. Eu estou me referindo a Braxton Hall.” – ela mentiu, fazendo uma cara de esnobe.


Harry lançou um olhar de desdém para ela.


“Se eu não te conhecesse, poderia afirmar que você está com ciúme.” – ela disse, rodopiando pelo lago.


“Se você me conhecesse mesmo, saberia que sempre tive ciúme de você.” – ele a desafiou.


“Como eu nunca soube disso?” – Hermione cruzou os braços.


“Bem... eu pensei que estava implícito!” – ele franziu a testa.


“Absolutamente não!” – ela soava inconformada com a nova informação, e jogou de leve mais um pouco de água no rosto dele, “Se eu soubesse disso desde o começo, talvez...oh!” – ela foi interrompida pelo o próprio tropeço, segurando-se rapidamente no braço de Harry, “Eu acho que tropecei em um sapo!” – ela estremeceu seus lábios, com uma voz de nojo.


“É incrível a sua capacidade de justificar os seus tropeços, quando na verdade eles acontecem pelo alto nível de álcool no seu sangue.” – ele balançava a cabeça enquanto falava, com um sorriso descrente. “Vem, vamos embora, você precisa deitar!” – continuou ele, segurando carinhosamente a mão dela.


Eles saíram do lago calmamente, aproveitando os últimos minutos naquele lugar extraordinário, Harry ajudou Hermione a colocar suas roupas de volta, e se amaldiçoou por não saber de nenhum feitiço que pudesse os secar, Hermione com certeza saberia, mas ela não estava em condições nem de segurar a varinha, quanto mais de lembrar ou de pronunciar o feitiço, ele resolveu não correr o risco. À volta para o hotel foi um tanto barulhenta, Hermione já não tropeçava mais, nem rodopiava, nem corria, mas havia uma coisa que ela não tinha parado fazer: falar. Ela reclamava da sua varinha supostamente estragada, do tropeço no sapo, da sua falta de empenho para ler nos últimos tempos, lembrou do seu vestido de noiva, fez cara de choro por estar com saudade de Luna, contou os preparativos para o Festival de Variedades, e Harry já estava se perguntando de onde Hermione estava tirando fôlego diante das contínuas frases.


“... e pra fechar com chave de ouro, fui abandonada em plena lua de mel!” – ela terminou.


“E essa é a história da sua vida?” – Harry a apertou de leve num abraço, sorrindo.


“Você ri é claro, você é Harry Potter! Você matou o homem mais perigoso do mundo, você é o ministro e de quebra, é casado com o amor da sua vida e é totalmente feliz por isso, Gina nunca te abandona!” – ela disse, sem nenhum cinismo em sua voz.


“Você está tão errada!”, ele pensou, sentindo o sorriso em seu rosto murchar.


“Ela nunca me abandona? Ah ok. Me avise quando ela sair daquela maldita biblioteca!”


“É a nossa sina sermos trocados por trabalho?” – Hermione sorriu.


“Não. Eu acho que a nossa sina é acharmos que somos espertos o bastante para fazermos escolhas.”


“Hum...” – ela murmurou, tentando entender exatamente a frase de Harry, mas seu cérebro estava muito ocupado fazendo o mundo girar.


Harry tirou do seu bolso a chave do quarto e abriu a porta, “Quarto, doce quarto!” ele disse aliviado por finalmente estar no hotel, seus pés estavam o matando, ele foi entrando no quarto, mas parou assim que percebeu que Hermione não estava o acompanhando, virou-se e então se deparou com uma Hermione escorada na porta, dormindo em pé. Harry gargalhou e foi até ela, deu um cutucão em seu ombro, mas Hermione não esboçou nenhuma reação, “Você foi nocauteada.” Ele murmurou e em seguida, a pegou no colo, colocando-a gentilmente na cama, ele foi rapidamente até o banheiro e apanhou a primeira toalha que viu, sentou-se na beirada da cama, bem próximo de Hermione e então, começou a terminar de enxugar os cabelos dela, “Eu trocaria sua roupa também, mas eu acho que você não concordaria com isso, não é?” ele murmurou sorrindo. Harry já estava quase terminando quando ouviu Hermione sussurrar.


“Obrigada, Harry!”


“Pelo o quê?”


“Por tomar conta de mim.”


“Sempre!” – ele viu um pequeno sorriso se formar no canto da boca de Hermione, e de repente, seus olhos estavam marejados e seu estômago estava na boca. Ele odiava estar tão emocional nos últimos dias, mas era incontrolável, a cada momento que ele passava com Hermione, seu sentimento de impotência aumentava assim como a vontade de beijá-la, de dizer que ela era o amor da vida dele. Ele se levantou da cama e voltou para o banheiro, onde trocou sua roupa molhada e por fim, arrumou o sofá para dormir. Harry já estava guardando as duas varinhas e as acidinhas de Sirius quando ouviu singelas batidas na porta.


“Me desculpa, Harry! Eu...” – disse Leverett, assim que Harry abriu a porta.


“Oh não, não... eu não estava dormindo e ainda bem que você apareceu, eu queria me desculpar por ter sumido, eu estava...”


“Eu sei onde você estava” – Leverett levantou as sobrancelhas, sorrindo, “Todos estão falando disso, eles adoraram a sua visita ao pub e aparentemente, a Sra. Weasley é uma ótima dançarina.”


“Nem me fale...” – disse Harry, dando um espaço na porta, para que Leverett visse Hermione jogada na cama, “... aparentemente a junção de hidromel e vinho despertam essa habilidade nela.”


“Eu acho que desperta em todo mundo, não é?” – Leverett deu um tapinha no ombro de Harry, “Bem, eu vim avisar que o outro quarto já está liberado.”


“É muito gentil de sua parte vir me avisar, Leverett. Mas eu acho melhor ficar por aqui mesmo,” – Harry olhou rapidamente para Hermione, “se caso ela precisar de ajuda.”


“Você tem razão.” – Leverett assentiu.


“Eu só... será que você poderia pedir para prepararem algum chá pela manhã, eu estou com um pressentimento que ela não vai acordar muito bem.”


“Com todo o prazer, Harry! Mandarei fazer um chá especial para ela.” – ele deu uma piscadela, “Agora deixarei você ir descansar, nos vemos pela manhã. Boa noite!” – Leverett acenou brevemente, se afastando pelo corredor. Harry acenou de volta e voltou para o quarto, e finalmente, foi para o seu merecido sono.


xxxx


   O fim do mundo. Foi a sensação que Hermione teve ao abrir os olhos, sua cabeça estava pesada e latejava sem parar, seus pés amortecidos, suas costas moídas, e ela não sabia dizer o porquê, mas as suas roupas a incomodavam bastante, ela soltou um baixo grunhido de nojo ao perceber que eram as mesmas roupas do dia passado, se esticou na cama e assim, foi se levantando lentamente. Por dentro, tudo o que ela mais desejava era ficar ali na cama o resto do dia, pois além dos vários pontos doloridos em seu corpo, havia outra coisa que a incomodava naquela manhã: a sua falta de memória. Hermione apertou os olhos por um instante na esperança de que as lembranças voltassem, ela precisava saber o que tinha feito na noite passada, porém apenas alguns flashes vagos apareceram em sua cabeça. Os olhos dela percorreram toda a sala e ela pode perceber que o sofá estava posicionado bem mais perto da cama e alguns lençóis dobrados estavam no canto dele, logo a ocorreu que Harry dormira ali. Ao atravessar a sala, ela reparou que a sua varinha estava em cima da mesa, e ao chegar mais perto, notou um pequeno pedaço de pergaminho embaixo dela, Hermione poderia reconhecer aquela caligrafia há metros de distância, ela aproximou o bilhete e assim o leu:


“Bom dia, minha bêbada preferida!


Eu e mais os dez homens que você beijou ontem no pub, estamos te esperando no hall para o café... ou para o almoço, ou qualquer hora que você acordar.


Harry.”


Hermione sentiu um baque no estômago. Como assim dez homens? Isso provavelmente era uma piada dele, uma piada de mau gosto por sinal, pelo menos era isso o que ela esperava. Ela deixou o bilhete novamente na mesa e continuou o seu caminho em direção ao banheiro, tudo o que ela mais precisava era um bom banho, gelado de preferência, para que ele “espantasse” as dores do seu corpo. Depois de um demorado banho e mais alguns minutos em frente ao espelho tentando melhorar a sua cara de quem estava de ressaca, o que foi totalmente em vão, ela saiu do quarto e foi ao encontro de Harry.


   Assim que entrou no hall, Hermione pode avistar Harry mais a frente conversando com Leverett e mais dois homens que ela não reconheceu e pediu para todas as entidades do mundo bruxo e do mundo trouxa que eles não fossem uma parcela dos dez homens que Harry havia citado no bilhete. 


            “E veja quem acordou...” – disse Leverett, muito simpático enquanto apontava com o olhar para Hermione.


            “Eu estava começando a achar que talvez você tivesse entrado em coma.” – Harry sorriu e cochichou em seguida, segurando a mão dela devagar, “Você está bem?”


            “Não muito, minha cabeça...” – ela levou uma das mãos até a testa, apertando-a – “... é como se ela estivesse prestes a explodir. E...” – ela enfatizou, “... muito engraçado o seu bilhete, Harry!”


            “Eu sabia que você ia adorar, mas você demorou muito, todos eles já foram embora.”


            “Porque você não me acordou?” – ela disse, num tom bravo, apertando a mão dele.


            “Eu não me atreveria!”


            “Você vai me contar tudo que aconteceu ontem, tudo.”


            “Se eu lembrasse de alguma coisa,” – ele mentiu, “... mas eu tenho certeza que a história dos dez homens realmente aconteceu.”


            “Oh, não ligue para ele Sra. Weasley!” – disse Leverett, que acabara de conversar com os homens ao seu lado e agora estava prestando atenção na conversa dela e de Harry, “... eu acabei de pedir para que trouxessem o seu chá!”


            “Chá?” – ela perguntou sem entender.


            “Sim, eu pedi ontem para ele, eu imaginei que você não ia acordar muito bem.” – Harry respondeu.


            “Oh sim, qualquer coisa que me faça melhorar!” – ela franziu a testa com uma expressão tristonha.


Passado alguns minutos, um dos ajudantes de Leverett trouxe o chá e Hermione fez uma cara feia ao ver a cor dele, era um verde bem escuro e era possível ver vários fiapos de sabe-se lá qual planta. Antes que Hermione pudesse fazer um interrogatório sobre o conteúdo do chá, Leverett abriu a boca.


            “É um chá muito especial, feito com ervas plantadas na própria estufa do hotel, você pode beber tranquilamente, eu garanto que daqui um tempo a sua dor vai ter sumido.”


            “Ok.” – ela sorriu, então, segurou a xícara e deu alguns goles, “Não é tão ruim quanto eu imaginava... digo, pela cor!” – ela entregou educadamente a xícara de volta para Leverett, que a passou para o ajudante em seu lado.


            “Pronto. Agora podemos ir?” – perguntou Harry, cheio de animação.


            “Pra onde vamos?” – ela perguntou, curiosa.


            “Bem, primeiro vamos almoçar no centro. Leverett disse que há vários grupos de teatro hoje na praça, podemos ver alguma peça...”


            “E depois, vocês irão fazer um tour pela cidade, já entreguei para Harry o mapa!” – Leverett o interrompeu, apontando para o mapa em uma das mãos de Harry.


            “Eu acho que você vai amar, pelo o que eu vi, temos uma biblioteca para visitar.” – Harry levantou as sobrancelhas para ela.


            “Isso é excelente! Eu vou adorar... mas agora vamos indo, eu estou faminta!”  


   Harry e Leverett assentiram juntos para ela, sorrindo da pressa de Hermione e em seguida saíram do hotel acompanhados dos dois homens, que Harry imaginou ser algum tipo de escolta. O número de pessoas aumentava na medida em que chegavam mais perto da praça, parecia que nada havia mudado durante as últimas horas, as bandeiras ainda estavam intactas, as fitas, as músicas vindo de todos os lugares, as vozes, Harry sentiu-se contagiado pelo entusiasmo de todas aquelas pessoas que pareciam estarem tão empolgadas e felizes com o aniversário da cidade. No caminho, Harry foi contando aos poucos o que havia acontecido na noite passada para Hermione, e ela ficou mais do que chocada quando ele disse que ela havia tentado o estuporar, Hermione não acreditou de primeira, pensou que ele estava apenas caçoando da cara dela e inventando coisas, mas com um pouco de insistência de Harry sobre o fato, ela acabou acreditando e pedindo um milhão de desculpas para ele.


   Os cinco se encontraram com Briggs, Pierce e Seely assim que chegaram à praça, e foram logo ocupando uma das mesas que ficavam perto das barracas de comida, minutos depois mais um casal se juntou a eles, Beth e Wardman, dois comerciantes locais que ficaram emocionados em conhecer Harry e Hermione. Eles mergulharam em uma conversa que parecia ser interminável, tudo o que se podia ouvir eram gargalhadas e vozes exaltadas. Para Harry, nem parecia que ele havia conhecido essas pessoas há apenas um dia, uma estranha sensação de familiaridade o atingiu e quando ele olhou para Hermione, teve a certeza de que ela estava com a mesma sensação. Poucos minutos depois, Harry viu Braxton Hall aparecer no meio da conversa, convidando Hermione para um passeio, mas Harry logo ficou aliviado quando ela recusou educadamente o convite, com o argumento de que estava cansada, e naquele momento em que tocou no assunto, Hermione se deu conta de que a dor de cabeça havia passado. Depois do farto almoço, eles se dirigiram para o centro da praça e lá assistiram a metade de uma das peças teatrais do dia, e para o embaraçamento de Harry, era justamente uma das peças sobre a derrota de Voldemort e ele é claro, era o protagonista.


            “Você deveria ficar feliz, Harry! Percebi que nem sempre a arte faz jus à realidade... o ator que te interpretou era muito mais bonito que você...” – Hermione disse, provocando-o, fazendo Harry revirar os olhos.


            “Você não perde a oportunidade!” – ele fez uma careta.


            “Eu só estou brincando e você sabe disso...” – disse ela, aproximando-se de Harry, “... deixa disso, vamos, nós temos um tour para fazer.” – Hermione agarrou o braço dele, e juntos, passaram por Leverett e o os outros, avisando-os que estavam indo conhecer a cidade e que logo mais estariam de volta ao hotel.


xxxx


   A Biblioteca de Hampshire foi a primeira parada dos dois. Olhando do lado de fora, a impressão que se tinha era de que a biblioteca possuía um grande espaço interno, porém, quando adentraram, perceberam que não se tratava de uma biblioteca espaçosa e luxuosa, mas sim, de um lugar extremamente aconchegante e irreverente. O piso era emadeirado, assim como todos os móveis e prateleiras onde estavam os livros, haviam tapetes de cor borgonha e creme intercalados por todo o lugar, os castiçais perfeitamente posicionados no centro de cada mesa reservadas para a leitura, as lombadas coloridas dos livros nas prateleiras, provocavam certo sentimento de caos e chamava a atenção dos olhos e a biblioteca cheirava a café bem forte. Harry tentou cumprir até o fim a promessa que tinha feito à Hermione, de que iria passar em todas as primeiras prateleiras junto dela, mas agora eles já estavam na quinta e os olhos dele já estavam começando a ficarem desfocados. Contudo, Harry não reclamou uma única vez, preferiu continuar como estavam, afinal, ele adorava admirar Hermione, especialmente nos momentos em que ela estava feliz, o sorriso dela transmitia o calor de um abraço, deixando-o com uma estranha sensação de proteção, e depois de tudo que ela vinha passando durante as últimas semanas, era um alívio poder fazer parte dos momentos em que ela estava alegre, melhor ainda, era poder saber que era ele quem estava fazendo algo para tentar diminuir a tristeza dela, e agora ele tinha se dado conta, de que era ele quem vinha exercendo esse papel há muito tempo.


   Depois de ter conferido todos os livros que queria, Hermione se deu por satisfeita e decidiu ir para o próximo lugar. Harry agradeceu em silêncio, não que ele não gostasse de bibliotecas, mas aquele cheiro de café estava deixando-o com fome, eles despediram-se rapidamente da jovem bibliotecária, cheia de tranças no cabelo, que havia mostrado o lugar para os dois, e então, começaram a procurar no mapa qual era a próxima parada.


“Nós podíamos ir ao museu, que acha? Briggs me contou que o museu abriga vários artefatos que provavelmente nós vamos adorar, pode ser interessante...” – Harry sugeriu, ainda olhando para o mapa.


“Boa idéia! Aparentemente, eles também tem uma seção de vários objetos que pertenceram a Braxton, eu acho que é alguma homenagem, eu quero ver isso...”


“Você tá brincando comigo, certo?” – ele levantou a cabeça, encarando-a incrédulo, “Uma seção para ele?”


“Qual é o espanto? Harry, essa cidade é famosa por causa dele, as pessoas querem vir morar aqui por causa dele e, além disso, ele fez uma ótima contribuição para a música, ok?” – Hermione respondeu, com um tom ácido.


“É, tanto faz. Nós não vamos no museu agora.” – Harry voltou a olhar para o mapa.


“Porque não?” – perguntou ela, inconformada, parando no meio do caminho.


“Porque eu não quero ir ao museu pra você ficar atolada na seção do Braxton,” – ele pausou, percebendo a reação inconformada da amiga, “Ah... pare com isso, Hermione. Nós iremos lá depois... por favor?” – e ele fez uma cara de coitado, que faria até a Umbridge derreter-se, “Olha, tem esse lugar, é um jardim, fica aqui perto... “The Golden Heart”, - ele foi se aproximando de Hermione, mostrando o jardim no mapa para ela.


“Tudo bem, vamos nesse jardim, mas me prometa que você nunca mais vai insinuar coisas assim e...” – ela deu uma pausa, cerrando o olhar para ele, “... você não vai mais me dar esse olhar.”  


“Eu não posso prometer isso” – ele respondeu com uma gargalhada.


Eles continuaram a caminhada e há poucos metros adiante, avistaram o que parecia ser um imenso terreno baldio. Harry e Hermione se entreolharam confusos, conferindo no mapa se aquele era mesmo o lugar indicado, talvez tivessem errado o caminho, porém, quanto mais aproximavam-se do lugar, mais o pontinho no mapa brilhava, indicando a aproximação. Quando chegaram em frente ao terreno, Hermione notou a presença de uma pequena placa que pairava no ar, ela levantou uma das sobrancelhas para Harry, ainda sem entender, mas quando chegaram mais perto, pequenas letras cintilantes apareceram na placa com os dizeres: “A beleza só poderá ser vista, por aqueles que carregam um coração de ouro.”


            “Eu acho que nós somos pessoas más, Hermione.” – Harry brincou, contemplando o terreno baldio totalmente mal cuidado à sua frente.


            “Como você pode dizer isso? Tem alguma coisa... errada!” – Hermione franzia a testa enquanto andava de um lado pro outro, examinando o terreno, e quando ela deu um passo à frente, espantou-se ao perceber que a sua perna tinha entrado numa espécie de parede invisível, “É uma parede, Harry! É claro, é uma parede invisível, uma proteção.”


            “Que demais!” – Harry se apressou e segurando a mão de Hermione, puxou-a para dentro da parede.


A expressão de perplexidade demorou a sair de seus rostos. Harry colocou o jardim imediatamente na lista dos lugares mais lindos que já estivera. Ele se separou por uns minutos de Hermione, que agora estava mais a frente encarando as milhares de rosas amarelas e vermelhas. Ele dava passos cautelosos, a grama era tão perfeita que a impressão que se tinha era de que ela iria desfazer-se, mas ao contrário do que ele achava, a grama continuava pomposa e úmida. Havia muitas árvores no jardim, um pequeno balanço mais a frente, e o que Harry achou mais sensacional: uma fonte dos desejos, dando ao lugar um ar de conto de fadas, a água que jorrava da fonte, borrifava o ar com minúsculas gotinhas, produzindo a ilusão de que milhares de diamantes flutuavam pelo ar.


            “Parece um sonho...” – sussurrou Hermione, aproximando-se de Harry com o olhar perdido na paisagem.


            “Agora o museu não parece ser uma coisa muito interessante, não é?”


Hermione sorriu.


            “O que é aquilo?” – perguntou ela, apertando os olhos em direção ao que parecia ser um muro coberto de plantas. Hermione deu mais alguns passos e então, olhou para Harry, “É um memorial! Venha aqui...” – ela disse docemente, estendendo a mão para ele, “Para aqueles que lutaram com bravura e deram suas vidas para defender seus valores e entes queridos. Sua coragem e lealdade nunca serão esquecidas.” – ela leu devagar, e agora o silêncio havia se instalado. Ela sabia que Harry sempre ficava tocado ao se deparar com memórias como essas, ele ainda não sabia lidar com as mortes ocorridas por causa de Voldemort, e uma parte dele sempre iria se lamentar por não ter conseguido proteger todos, mesmo aqueles que ele nem conhecia.


            “Vem, vamos fazer um pedido.” – ela disse, tentando quebrar qualquer pensamento que teria fixado-se na cabeça de Harry, puxando-o em direção à fonte.


            “Você sabe que eu não acredito muito nisso...” – reclamou Harry, enquanto ele era arrastado por Hermione.


            “Ótimo!” – ela parou em frente à fonte, revirando os olhos e insatisfeita.


            “Bem, mas eu posso torcer pro seu desejo ser realizado, que tal?”


            “Você é tão cínico... com licença,” Hermione enfiou a mão no bolso da calça, procurando alguma moeda e logo desfez a cara de brava ao perceber que não tinha nenhuma, “Ok. Eu preciso de uma moeda!” – ela lançou um olhar esperançoso para ele.


            “Isso não vai dar certo, isso não vai contra as leis dos desejos? Você usar a moeda de outra pessoa?” – ele ia continuar com a pressão psicológica, mas um olhar furioso de Hermione o fez desistir, “Você adora me ameaçar com esse olhar, ok, ok, deixe-me fazer a minha parte.” – Harry disse, posicionando-se atrás dela, logo depois, entregou um galeão para Hermione e então, passou suas mãos pelo rosto dela, tampando os seus olhos e sussurrou em seu ouvido: “Faça um pedido!”  


Harry pôde sentir o longo suspiro dado por ela, antes de finalmente atirar o galeão na fonte. Ele deslizou lentamente as mãos pelo rosto de Hermione, enquanto ela se virava para Harry, e agora, eles estavam tão perto um do outro, isso já havia acontecido na noite passada, mas Harry sentiu algo de diferente naquela situação, ele não conseguia dizer uma palavra sequer e pelo visto, nem ela. Os dois estavam se encarando em outro nível, ele não se deu o trabalho de forjar alguma expressão para esconder o que estava estampado em seu rosto, e agora ele podia sentir que Hermione finalmente sabia. Os olhos castanhos brilhavam e antes que ele pudesse notar a respiração descompassada dela, os seus lábios tocaram os dela. Era como se alguma coisa tivesse simplesmente o empurrado, ele a segurou firmemente, envolvendo-a com os braços e apertando-a contra o seu peito, Harry pode sentir o corpo frágil de Hermione, amolecendo-se em seus braços. Seus lábios agora eram um só. Hermione arrastou suas mãos pelos cabelos de Harry, afagando-os, e ele a beijou tão suave e apaixonado, enquanto ela tocava sua boca com lábios molhados e macios. Toda a sua vida tinha se resumido a aquele momento, aquela era Hermione Granger, a garota que ele conhecia praticamente a vida inteira, que ele amou em segredo durante todo esse tempo, estava finalmente em seus braços, e os dois estavam colocando tanto amor naquele único beijo, todas as palavras que nunca foram ditas traduziram-se naquele ato. Mas assim como um estalar dos dedos, acabou. Hermione o empurrou, assombrada, seus olhos sem foco, perdidos em pensamentos que claramente estavam a atormentando e como se Harry fosse um bicho papão, ela começou a se afastar rapidamente dele.


            “Hermione... espera, Hermione, não faça...” – Harry implorou.


            “NÃO! Você...” – ela apontou o dedo para ele, sua voz raivosa, “... não chegue perto de mim!”


Harry ignorou o pedido, caminhando em direção a ela.


            “NÃO CHEGUE PERTO DE MIM!” – Hermione gritou, “Você não tem nenhum direito, me deixe sozinha, eu quero ficar sozinha, eu...”


Ela começou a correr o mais rápido que pôde, e quando ela atravessou a proteção do jardim, ela sumiu de vista.

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