oculto.




I know I don't Love you


but I want you


so bad


everyone has a secret


can they keep that?


oh no, they can't¹.


— Está propondo uma... aposta...? — Weasley perguntou, borrando-se nas calças de tanto medo. Tinha uma expressão mais perdedora do que a de qualquer outro Weasley fracassado.


Lembrei da garotinha de sangue podre, e lembro ter pensado que ela já não era uma garotinha coisa nenhuma. Senti um frio por dentro enquanto minha mente começou a imaginar certas cenas. Corpos. Toques. Gemidos. Roupas jogadas pra longe. Bocas.


Argh. Engoli em seco, afrouxando o nó da gravata que pertencia ao uniforme.


Havia alguma coisa errada em querer avançar naquela sangue sujo? Eu sabia que sim.


Sequei o suor que tomou a minha testa e só então notei que estavam falando algo.


— Draco? — Blaise me cutucou, chamando minha atenção. — Tudo bem?


Ergui uma de minhas sobrancelhas em descontentamento, pra provar o quão imbecil era aquela pergunta.


— O que decidiu, Potty? — Perguntei, dando um passo ameaçador na direção da sangue ruim.


Ela parecia firme e segura do outro lado de Hogwarts, há uns 30 metros de onde estávamos, ela mal podia nos ver. Enquanto eu estava totalmente apto a deixá-la demonstrar qualquer desprezo... Na cama.


Um pena que ela fosse tão suja e tão orgulhosa, tsc tsc tsc.


Potter fez que sim com a cabeça, apertando minha mão – talvez – com toda a sua força, o que era bem patético.


Revirei meus olhos.


— E qual o prêmio? – Weasley pobretão teve de lembrar, com aquele jeito desengonçado que chegava a ser irritante.


Não haviam muitas coisas que eu não tivesse. E menos coisas ainda que eu invejasse no Potter ou no Weasley. Aliás, não havia nada que eu invejasse. Weasley era pobre, sarnento e entediante. Potter podia ter algum dinheiro, fama etc, mas no fim era só um garoto se fingindo de herói.


O que os dois tinham em comum? Granger.


O que eu tinha em comum com essa sangue podre? Desejo.


Sim, Desejo: Vontade de possuir ou fazer algo. Apetite sexual. Anseio, ambição.


Era essa a definição que você encontra nos dicionários e mais uma vez os dicionários se mostravam fodidamente certos.


Minha mente viajou em imagens sadias do meu corpo contra o dela, forte, na parede, apertando-a mais, beijando-a, sentindo-a tão quente quanto eu, porque ela parecia quente, e só de pensar em estar dentro dela e ouvi-la gemer por mais, algo crescia dentro de mim. Um monstro perigoso e adormecido.


Ele havia acordado agora.


Ergui meus olhos para os dois imbecis e dei um sorriso perverso.


— Granger.


Os olhares de Potter e Weasley pareceram nublados, uma grande nuvem de poeira e caos, como se estivessem finalmente tentando encaixar o nome da sua amiguinha no contexto.


— O quê? — Pobretão gaguejou, afetado.


— Não tente parecer mais idiota que já é, Weasley. Você me ouviu.


Minha voz pareceu estranha. Mais obstinada.


— Ela é nossa melhor amiga, — Potter começou, com aquela vozinha idiota, como se estivesse me provando alguma lição. — Não é apostável.


— Voltando atrás, Potter? — Comecei, sorrindo de lado. — Medo?


O quatro olhos bufou dando passos em minha direção, antes de provar que apesar de imbecil, meio gay e tudo o mais, ele era corajoso. Não que coragem signifique alguma coisa. Eu vou ganhar. Eu sei.


Porque a vontade de possuí-la queimava dentro de mim: um desejo fugido das ruínas antigas do meu orgulho.


— Fechado. — Potter apertou minha mão, tentando mostrar hostilidade. — E o que ganhamos em troca caso vençamos a aposta? — Perguntou-me.


Escuta Potter, vocês podem ganhar um crucios, já que estão pedindo tanto. Tudo bem pra vocês?


— Vocês escolhem, Potter.


Potter pareceu pensar – sim, ele pensa! – por um segundo – apenas um segundo, repito – o tempo que foi necessário para finalmente selar o acordo.


— Se ganharmos, vai deixar de ser o Capitão da sonserina e o cargo de monitor-chefe. — Falou, tocando exatamente no epicentro da minha honra e popularidade.


Aquilo me afetou, mas não o deixei perceber.


Apenas ergui uma das sobrancelhas e fingi um sorriso de contentamento.


— Por mim tudo bem, Potter.


E foi aí que tudo começou. Mas não pense que isso terminou como nos filmes: Garoto aposta garota. Garoto consegue garota. Garoto se apaixona por garota. Garota antes feia e sem sal se transforma em gostosa e vai com ele ao baile de inverno. Garota descobre. Garoto se ferra. Garoto corre atrás e explana o quão diferente se sente. Garota chora e aceita. Fim.


Esse pequeno filme passou na minha cabeça e – provavelmente – pela sua.


Mas não foi assim, pelo menos não como um todo.


Eu tive certeza que não seria quando a vi atravessar o campo de quadribol após meu treino, meu treino particular, e com um sorriso de ódio profundo instalou-se na arquibancada.


Era realmente estranho que ela estivesse ali. Normalmente Parkison ocuparia aquele lugar, mas por alguma razão Parkison não chegara.


Voei em cima da vassoura até ela, procurando algum sinal de medo ou exitação em seus olhos.


Era absurdo que aqueles olhos tão comuns tivessem algum efeito.


Ela parecia estática ali, postura e cabeça erguida, como se estivesse pronta pra me dar ordens.


— Veio me ver, Granger? – Pausei, erguendo uma de minhas sobrancelhas indicando-lhe um olhar de quem pensa em algo devidamente prazeroso. — Não resistiu a minha ausência, obviamente.


Ela revirou os olhos, e eu senti que sua expressão fácil se acalmara: ela queria sorrir daquilo.


— Soube que Harry e Ronald andaram me apostando. — Dissera, no mesmo tom de quem comenta do calor.


— E?


— E aí que eu tenho uma proposta melhor a fazer. — O uso do termo proposta e o tom mandão fora sexy, sexy o bastante pra eu sentir vontade de beijá-la, mordendo os lábios até sentir sua respiração mudar de ritmo.


Mas permaneci parado a sua frente, flutuando na vassoura.


— Se deixar que Harry e Ronald vençam essa aposta, eu...


— Não existe essa possibilidade, Granger.


— Qual exatamente vai ser o seu prêmio se ganhar?


— Você. – Falei, mas um você tipo Você aí sangue-sujo, não deu pra notar ainda?.


— Justamente — Ela pausou. — Só esqueceu o fato de que Harry e Ronald não são meus donos, logo essa aposta é inválida. Vai sair perdendo mesmo que a ganhe.


Fazia sentido...


— O que estou propondo é a chance de perder o jogo e ganhar o prêmio.


— Está se oferecendo pra mim, Granger? – Provoquei, com a voz sedutora. – Tsc tsc tsc, tãão baixa.


— Todo mundo sabe que tudo o que você quer é a chance de afetar ao Harry, não tem nada haver com... isso. — Completou, sensata.


Esse era o problema de pessoas sensatas: elas não acreditam nos instintos humanos.


E o fato de Granger não sabe – ou pior, não acreditar – no quanto eu a queria só tornou o jogo cada vez mais atraente.


— E o que seria isso? — Perguntei, divertidamente.


Ela corou, por um segundo, mas corou. Será que ela coraria enquanto eu sussurrasse coisas em seu ouvido durante o sexo?


— Isso foi o que você deu ao entender a eles. — Pausara. — Sexo e tudo o mais.


— E o que a faz pensar que eu não quero?


— Você tem Pansy Parkison, aposto que ela faz sacrifício de bom grado.


Sorri. Ela era boa. Sabia ser irônica.


— Então quer que eu perca o jogo contra a grifinória, renuncie meu cargo de capitão do time, monitor chefe...?


— Aham. — Acenou.


— Você não vale tudo isso, Granger.


— Aparentemente você me apostou por tudo isso... — Dera uma pausa. — E oh, não acho que tenha feito essa aposta sem pensar.


— Não conhecia esse seu lado, sangue sujo. — Murmurei, curioso.


E apesar da minha curiosidade, eu não queria dar o braço a torcer.


A proposta de acordo reverso parecia bem mais valiosa.


Com Granger em mãos eu conseguiria destruir a vida do Potter e Cenoura. Mas valia a pena destruir meu orgulho?


Eu teria que perder uma aposta, ganhar outra. Era tudo uma grande sucessão de fatos.


A primeira coisa que pensei foi "Às vezes quando a gente perde, a gente ganha". Mas esta era uma citação que eu preferia evitar.


— Se até o dia do jogo conseguir convencer toda a escola de que está perdidamente apaixonada por mim, eu aceito a sua proposta e perco o jogo, além de largar o cargo de monitor chefe e capitão do time da sonserina... — Pensei, dando-lhe um suspense. — Mas se não conseguir convencê-los, venço a aposta com seus amiguinhos e você Granger é que larga o cargo de monitora...


Ela arregalou os olhos, e pude sentir seu cérebro e raciocínio correndo atrás de um subterfúgio. Mas ela confiava demais em si mesma, não aceitava perder.


E garotas acham que parecer apaixonada é fácil. Seria. Se o garoto em questão não fosse um Malfoy.


— E então, sangue-sujo...? — Pontuei, pressionando-a.


— Aceito. — Ela disse, apertando minha mão com segurança, apesar de seus olhos demonstrarem o contrário.


Depois disso deu meia volta, como se eu fosse seu garoto de recados ou sei lá.


— Granger. — Chamei-a, sem afetação.


Ela me olhou, esperando a próxima bosta que eu poderia falar.


— O que fez com a Parkison? — Perguntei, num semi-sorriso.


A sangue-ruim sorriu de volta, PELA PRIMEIRA VEZ, sarcástica.


— Presa no armário de vassouras... — Dissera, antes de me dar as coisas e partir.


I'm Driving fast now


Don't think I know how to go slow


Where you at now


I feel around


There you are².


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