O Rapto.



Capítulo 8 – O Rapto


Lily ficou inconsciente pelo que lhe pareceram horas. Aos poucos, foi retomando os sentidos. Ainda com os olhos fechados, ouviu vozes sussurrando, aflitas. Não conseguia entender o que diziam, só reconheceu que eram dois garotos. Fez força para ouvir melhor, mas ainda não abriu os olhos. Não queria que soubessem que sua vítima havia retomado a consciência.


– Pra que fizemos isso, pode me explicar? – perguntou um dos rapazes.


– Já te disse, tínhamos que tirá-la do caminho. Só assim Ciça pode consertar tudo e seguir com o plano. – respondeu o outro impaciente.


Sem antes pensar, a ruiva abriu os olhos. Notou que estava amarrada em uma árvore, bem de frente a Avery e Mulciber, os sonserinos que viviam tentando levar Severo para o lado das trevas. Com o movimento repentino, os garotos se viraram. Avery soltou um gritinho ao ver que Lily tinha acordado.


– O que pensam que estão fazendo? – gritou a garota. – Me tirem já daqui, senão vou gritar.


Mulciber se aproximou. Estava muito próximo de Lily. Apontou a varinha para o peito da garota e avisou:


– Grite e sentirá a dor de uma verdadeira maldição Cruciatussua metidinha de sangue ruim.– e sem hesitar, deu-lhe um murro no rosto.


Lily sentiu um filete de sangue escorrer por sua face e o corte recém-feito em seu supercílio arder. Como odiava Mulciber! Sempre o achara arrogante, mas nada que dissesse mudaria a opinião de Snape.


– Por que me prendeu? De que plano estavam falando? – perguntou nervosa. Sentia que as coisas iam mal, muito mal. Sabia que algo estava muito errado.


Mulciber se afastou. Trocou olhares com Avery e começou a explicar:


– Vou falar a verdade, já que não há nada que possa fazer para nos impedir. Você afasta o Snape do que realmente vale a pena. Vive mantendo-o longe do sucesso, longe de se tornar um verdadeiro seguidor do Lorde das Trevas. – cuspiu. – Mas as coisas mudaram. Pedimos a Narcisa Black para seduzi-lo e mudar o monte de bosta de dragão que você fez questão de enfiar na cabeça dele. Você quase estragou tudo, de novo. Mas com a preciosa sangue ruim presa aqui, Ciça trará o "Sev" para a verdadeira vitória.


Então era isso. Por isso o amigo estava tão estranho. Estava sendo manipulado! "Pobre Sev!",pensou Lily decepcionada. "E eu duvidei dele".


Avery soltou uma gargalhada. A ruiva começou a se debater, fazendo esforço para se livrar das cordas, mas era impossível. Antes que percebesse, foi atingida por um feitiço estuporante, retomando o silêncio na Floresta Negra


Enquanto isso...


Snape, mesmo aos protestos de Narcisa, conseguiu conter a loira em mais um acesso de fúria e a sentou em uma cadeira. Sorte que Madame Pince estava passando sermão em dois alunos do primeiro ano e não percebeu a movimentação dos adolescentes.


– Ciça, está maluca? – perguntou o garoto, ofegante.


A garota o fuzilou com um olhar.


– Não estou maluca, só defendendo o que é meu! – gritou.


Severo tapou sua boca com uma das mãos.


– Cala a boca, quer ser expulsa da biblioteca? Olha Ciça, já chega. Acho que está na hora de esclarecermos tudo.


O garoto sentou-se ao lado de Narcisa. Continuou:


– Vou ser bem sincero, nunca quis namorar você. Só te beijei aquela noite porque estava sob efeito de Amortentia. Não, espere. – disse antes que a loira o interrompesse. – Ainda não terminei. Não te amo e sei que não me ama também. Ou acha que não percebo como você olha para o nosso colega de casa Malfoy?


Narcisa riu baixinho e pegou a mão do amigo.


– É verdade, eu estraguei a sua amizade com a Evans. Sei que não é desculpa, mas Avery e


Mulciber pegaram meu diário e vão revelar o que está escrito se eu não fizer o que eles mandam.


Snape a encarou.


– Não teria mais problemas se dissesse a verdade e parasse de esconder as coisas. Se quiser, posso pegar o diário de volta. – disse. – Mas ainda acho que deve contar a ele o que sente.


- Me desculpa? Não vou mais te atrapalhar.E, quer saber, você tem razão. Vou procurar Lúcio, mas, se puder pegar o diário... – E dizendo isso, Ciça se levantou, deu um beijo de leve na bochecha do garoto e saiu correndo. Snape também resolveu ir atrás de Lily e dizer o que realmente sentia.


Severo procurou a ruiva pela escola inteira. Já havia até passado pela torre da Grifinória e nada. Só restava uma alternativa. Lily devia estar fora do castelo. O garoto desceu as escadas e logo sentiu o frio de uma noite de outono penetrar seus pulmões. Também, estava só de camisa, pois havia deixado a capa em seu dormitório. Foi direto para a cabana de Hagrid, mas logo percebeu que não havia ninguém. O Lago Negro também estava vazio. Um pressentimento percorreu seu corpo. Olhou direto para a Floresta Negra. Ela estava lá, e precisava de ajuda

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