Big Girls Don't Cry



N/A: Leiam ouvindo a música, e não esqueçam de comentar! Boa Leitura!










 


As ruas de Londres a noite sempre pareciam mais vazias do que normalmente eram, pelo menos nos arredores da cidade, onde turistas se recusavam a passear. Ali onde os bairros residências costumavam ficar, era também onde o silêncio e o som dos passos ecoavam com mais intensidade. Numa daquelas ruas, uma figura sóbria andava calmamente. Talvez não fosse calma naquele rosto, mas uma seriedade incomum, talvez uma determinação que não se costumava encontrar em uma jovem de apenas 25 anos.


 


A mulher, que trajava um grande casaco negro até os pés, parecia uma daquelas figuras de filmes noir, somente os cabelos ruivos e longos, na altura da cintura, destacavam-se no cenário. Os olhos castanhos estavam encobertos pela sua franja, e as mãos dentro dos bolsos, apertavam impacientemente um pedaço fino de madeira. Não, não estava calma, mas ansiosa. Ela sabia o que viria a seguir...


 


A primeira gota da chuva ousou tocar sua face branca cheia de sardas da infância. Talvez a gota de chuva assemelhasse-se a uma lágrima, que era o que realmente acontecia naquela alma. Mais gotas se juntaram a primeira, a chuva agora caia intensamente na capital inglesa, a mulher apenas abriu o guarda chuva que trazia por trás da capa, era obvio que o objeto era encantado, ou não conseguiria ficar omisso entre o corpo da jovem e o casaco.


 


Ao abrir o guarda chuva sobre sua cabeça, seus pensamentos foram roubados por seu dono. Não havia muitas horas que o deixara, na verdade, fora muito difícil abandoná-lo, mas era necessário. Lembrava do último contato de seus corpos, sua pele fria, que ao contato dela se tornava tão quente. O cheiro do perfume francês que ele usava sempre empestiava seu olfato quando o encontrava, e ainda agora, ele não se despregara dela. Mesmo que agora ele estivesse longe, ela o afastara, precisava. Como ficar com ele quando havia no seu peito aquele sentimento por outro?


 


La ra ra ra


The smell of your skin lingers on me now


You're probably on your flight back to your hometown


I need some shelter of my own protection baby


Be with myself in center, clarity


Peace, Serenity


 


Ela levou a mão ao bolso esquerdo, onde uma foto repousava a anos. Sim, aquela foto sempre estivera ali desde que fora tirada, junto a ela, onde quer que fosse. Ela deu um leve sorriso ao admirá-la, a chuva em Londres, tão igual a que enfrentava nesse momento, dois jovens corriam abraçados sobre o guarda chuva. Seus rostos delatavam a felicidade imensa que aproveitavam, apesar de serem dias escuros a muito tempo, aquele era um daqueles momentos inesquecíveis, em que as sombras são afastadas da memória.


 


- Eiiii... Esse é o meu guarda-chuva!




Ele corria embaixo da chuva torrencial, perseguia uma ruivinha que roubara-lhe seu único abrigo da água que caía. A menina-mulher apenas ria, as sardas davam um ar de molecagem naquele ato, ela corria de costas, com o guarda chuva sobre sua cabeça.




- Vem pegá-lo então!!




Ela sentiu que ele cansara de brincar depois da provocação, endireitou-se e começou a correr, mas o homem, mais velho que ela, agarrou-a pela cintura e a tirou do chão fazendo o guarda-chuva, alvo da disputa, cair de suas mãos, essas se alojaram ao redor do pescoço dele, procurando segurança. O riso solto naquele lábios finos pareciam mentira, só o via rir daquela forma quando estavam juntos, sem ninguém por perto.




- Ei... Você está me molhando!!!- ela riu, enquanto ele a rodava na chuva.




- A culpa é sua!!! Quem mandou me roubar, e me distrair desse jeito?




Ele tomou os lábios dela antes que a ruiva revidasse, o beijo era quente, como tudo que aquela menina tocava, ninguém resistiria àqueles lábios vermelhos e carnudos. Após um longo beijo, que os deixou ensopados, ele finalmente a colocou no chão e resgatou o guarda-chuva abandonado. Não precisaram mais de palavras para recobrarem o juízo e abraçarem-se embaixo do motivo inicial da briga, agora bem esquecida.


 


A mulher ainda deu um riso ao se lembrar de como aquela foto fora tirada. Um repórter da revista Witchstars havia tirado-a, mas fora surpreendido, ao tentar sair despercebido. Ele havia derrubado umas duas mesas de um café, e batido o pé na porta. O homem correra até o fotógrafo, que se enrolara todo, e acabara dando a foto original e prometendo não fotografá-lo nunca mais. Não seria uma  boa publicidade se vissem os dois na capa da revista teen mais popular da Inglaterra.


 


Mas o riso fora abafado pelo frio que viera a seguir, aquele sentimento de solidão e desespero. A impressão que toda a felicidade daquele momento fora roubado por uma verdade certeira, eles não podiam ficar juntos enquanto ela não tivesse terminado o que tinha que terminar. Não, ela não era a super poderosa, ela poderia até acabar muito mal, mas ela tinha que tentar. Só esperava que ele entendesse.




I hope you know, I hope you know


That this has nothing to do with you


It's personal, myself and I


We got some straightening out to do


And I´m gonna miss you like a child misses their blanket


But I've gotta to get a move on with my life


It's time to be a big girl now


And big girls don't cry


Don't cry,


Don't cry,


Don't cry


 


O frio trazido por aqueles seres transformaram o ambiente, a chuva torrencial, se transformara em neve macia e branca. A ruiva pacientemente guardou o guarda-chuva dele, e retirou a varinha do bolso. Como se a troca tivesse reagido no seu íntimo, a lembrança de outra pessoa assolou-a, a neve lhe lembrava um momento a muito tempo. Era como se voltasse no tempo, quando ela ainda tinha 17 anos, naquele baile de natal, onde tudo parecia finalmente acabado. E ele fora lá apenas para ser seu par.


 


Lembrava de como ele a esperara no salão comunal da Grifinória, já não havia mais ninguém por ali. Ela soubera que ele estava lá só de ouvir o barulho lá embaixo, e ela não desejava descer sabendo que ele estaria rodeado de admiradores, com pouca chance de prestar atenção nela, e em como se arrumara para aquele último baile de natal em Hogwarts. Assim que ela descera as escadas, ela viu os olhos deles admirando-a, ela era a única naquele momento, pelo menos naquele momento.


 


O moreno estava encantador, seus olhos verdes brilhavam por trás dos óculos, a tão famosa cicatriz parecia quase invisível, e o corpo coberto pelas vestes de gala azuis escuras, só ressaltava o quanto ele estava lindo. Felizmente Gina não estava muito atrás, tinha um vestido comprido azul claro, frisado na cintura e encantado para brilhar como estrelas, o decote pequeno e o corpete colado mostravam claramente como ela crescera. Ele estendeu-lhe a mão galantemente e ela sorrira encantada.


 


No meio daquele baile, ele a arrastara para os jardins, onde uma surpresa a esperava. Sob a luz clara da lua, e com os pés tocando a neve fria e fofa, ele lhe tomara nos braços e a beijara docemente, um cenário magnífico, pontuado por um casal apaixonado naquela época. Após o doce beijo, o menino que sobreviveu ajoelhara-se, para em grande estilo ofertar-lhe um anel de compromisso. Um anel que significava se tornar a mulher dele...


 


Somente a lembrança do brilho nos olhos dele e do abraço que compartilharam após o pedido, deram-lhe forças para conjurar o patrono corpóreo.O potro prateado saiu da varinha de Ginny e começou a trotar ao seu redor, a sensação de desespero sumiu de seu coração, embora a neve continuasse a cair fofa e gelada. Se alguém olhasse atentamente suas mãos não notaria nenhum anel de compromisso nelas. Foi quando uma risada feminina ecoou pela rua, uma sombra tenebrosa apareceu em sua frente enquanto ela segurava a varinha com força, o potro ainda empenhado em seu trote.


 


- Bellatrix...


 


The path that I'm walking, I must go alone


I must take the baby steps til I'm full grown,full grown


Fairy tales don't always have a happy ending do they


And I foresee the dark ahead if I stay


 


A mulher de cabelos e olhos negros a encarava superior, as vestes também negras declaravam que não havia se esquecido de que fora uma comensal, na cabeça doentia daquela mulher ela sempre seria. A marca da caveira em seu braço não podia ser vista, há alguns anos ela não queimava mais, e provavelmente ela não estava muito feliz com aquela situação. Já era hora de seu mestre retornar, ela não acreditava que ele não retornaria.


 


O eco dos passos que a trouxeram para próxima de Ginny eram como unhas na lousa, arranhavam e incomodavam os ouvidos. Ginny mantinha seu olhar focado na adversária, a qualquer momento começaria sua vingança... Ela ia pagar muito caro. Sem aviso e sem apresentações um raio cinza saiu da varinha de Bellatrix, enquanto Ginny conjurava uma barreira branca que o deteria. Olhos negros em olhos castanhos, e um brilho assustador em ambos, a determinação de que só uma sairia viva dali.


 


- Palmas!- as palmas da comensal ecoaram secas na noite londrina- A Weasley aprendeu alguma coisa com o defunto.- um raio vermelho passou raspando o ombro de Bellatrix que mal conseguiu desviar- Então você acha que pode me derrotar Weasley?


 


- Não... Bella.- o nome da morena saiu cínico e quase sussurrado pelos lábios rubros da ruivinha, Ginny mantinha um sorriso ardiloso- Eu VOU te matar!- Bellatrix gargalhou e deu um pequeno sorriso de desafio.


 


- Tente!


 


A largada fora dada. A partir daquela palavra as mulheres começaram o duelo de verdade. Raios azuis, verdes e vermelhos passavam pela rua em direções opostas. Aqueles que podiam ser repelidos ou refletidos, o eram, para os que nenhum feitiço pararia, restava se jogar ao chão para desviar. Ginny havia se escondido atrás de umas latas de lixo para se proteger, enquanto Bella insistia em ficar visível para mostrar sua soberania. O duelo era equilibrado, mas os feitiços negros da comensal faziam a balança pender levemente para o lado dela. O último feitiço que ela lançara acertara o ombro de Ginny que agora via a carne se tornar negra, parecendo alastrar pelo braço esquerdo.


 


- O que foi? Já vai fugir Weasley? Achei que iria me divertir com você mais do que com o bebê Potter.


 


 Um raio vermelho atingiu em cheio a mulher. De repente seu corpo todo parecia estar sendo cortado, e era como se ácido quisesse derreter ate seus ossos. Ginny estava em pé e apontava a varinha pra mulher, seu olhar faiscava de ódio enquanto a morena estava ao chão se contorcendo de dor. O prazer da maldição Cruciatus invadia sua mente, vê-la ali, derrotada, ainda era o milésimo de dor que aquela mulher merecia. Ginny sorriu para a comensal derrotada, quanto mais sorria, mais Bellatrix gritava de dor, até que a mulher parou de se contorcer por poucos segundos...


 


- Agora eu cumpro minha promessa, Avada Kedavra!


 


I hope you know, I hope you know


That this has nothing to do with you


It's personal, myself and I


We got some straightening out to do


And I´m gonna miss you like a child misses their blanket


But I've gotta to get a move on with my life


It's time to be a big girl now


And big girls don't cry


 


A tarde agradável de verão presenteara aquele lugar com uma brisa suave. Os cabelos ruivos balançaram ao contato do vento, a face da mulher pendia enquanto lágrimas quentes traçavam caminho pela pele de sardas. Os olhos castanhos que pareciam amêndoas fitavam o ramo de flores em sua mão, eram margaridas colhidas do seu jardim, amarradas por um simples barbante. Nem de longe sua oferta se comparava aos buquês e coroas de flores que aquele túmulo recebia todos os dias.


 


O cemitério de Godric's Hollow era um lugar pacífico, a igreja no fundo nunca parava de tocar seus sinos de hora em hora, e o coro que cantava ali todas as manhãs de sábado, era um conforto para quem vinha visitar os entes queridos. Como Ginny sabia que cantavam todos os sábados na mesma hora? Pois a um canto do túmulo, entre as luxuosas homenagens, jaziam margaridas secas, um ramo para cada sábado desde o dia em que o corpo dele fora enterrado. Sempre deixados no mesmo dia, à mesma hora, embalados pelo coro da igreja. Ginny suspirou fundo enquanto ajoelhava-se em frente à pedra que servia de epitáfio.


 


"Aqui jaz um grande amigo, Corajoso grifinório, e eterno herói do mundo bruxo. Descanse agora ao lado de seus pais. Harry Potter"


 


Ginny tentou limpar as marcas das lágrimas que rolavam livremente, no entanto a tarefa era deveras inútil. Com a mão direita retirou as pétalas e folhas secas sobre aquele frio jazigo, e depositou delicadamente as novas margaridas. Mordendo os lábios para impedir que a dor voltasse, esperou tempo o suficiente para controlar o choro. Mais uma vez sorveu o ar com força, como se inspirasse a coragem que precisava para dizer aquelas palavras. Primeiro, um sorriso meio forçado, meio tranquilo, de olhos fechados ela começou.


 


- Harry... Eu...Eu vinguei sua morte. Ela... Aquela psicopata. Infelizmente não pude matá-la, ele chegou antes para me impedir. - o sorriso alargou-se um pouco - Você teria ficado orgulhoso e confuso com a atitude dele. Você...Você sabe que o que aconteceu entre a gente... Não dava para prever. Eu não... Eu não quis magoá-lo, espero que saiba disso.- a mão acariciou a rocha lisa- Eu já contei essa história milhares de vezes, mas é...A última vez. Foi nas férias de natal... Logo após o baile. Não. Minto... Foi na guerra, quando eu cuidava dele em Hogwarts...


 


 


Like a little school mate in the school yard


We'll play jacks and uno cards


I'll be your best friend and you'll be mine


Valentine


Yes you can hold my hand if you want to


'cause I wanna hold yours too


We'll be playmates and lovers and share our secret worlds


But it's time for me to go home


It's getting late, dark outside


I need to be with myself in center, clarity


Peace, Serenity


 


A enfermaria estava lotada, ela nunca pensou que a guerra seria tão sangrenta, nem que alcançaria os muros de Hogwarts. Mas alcançara. Madame Pomfrey estava recrutando toda a ajuda necessária, eram feitiços, cortes, penas quebradas e falta da razão. O novo feitiço dos comensais não atacava o corpo, mas a mente, e era mais cruel que a Cruciatus. Fora apelidada de Morte viva. O feitiço atacava as células nervosas, transmitia impulsos que faziam a pessoa rever seus piores pesadelos com requintes de crueldade, o pavor e a sensação de dormência do corpo eram o suficiente para enlouquecê-lo sem cura. Sem comer, beber, às vezes nem respirar, a morte era lenta e dolorosa, e sempre chegava.


 


Depois de ter ajudado o que podia na enfermaria, coube a ela checar o campo de batalha. Havia muitos voluntários, ela já havia encaminhado três quartanistas para a enfermaria, felizmente eles haviam sido inteligentes o suficiente para fugir dos comensais enquanto podiam. Agora seu destino era a floresta proibida, os centauros haviam se aliado aos bruxos, e a entrada de alguns bruxos fora permitida para recuperar e auxiliar os feridos e os corpos. Enquanto ela estava ali, procurando por sobreviventes da última batalha, o homem que amava e seus dois amigos estavam desaparecidos. Aparentemente Harry atraíra o crápula para um lugar distante. Em algum lugar desconhecido, a luta continuava.


 


- Aiiii!!!


 


O grito de dor chamou seus sentidos, não precisou andar muito para encontrar seu emissor. O loiro de olhos cinzentos estava escorado a uma árvore, apesar das vestes negras, a manga rasgada no braço direito evidenciava o buraco na carne, a marca negra havia sido retirada de forma cruel. A pele branca, sempre tão bem cuidada estava coberta de sangue e cortes, os cabelos suados pregavam no rosto que se contorcia em dor. Ela correu até ele tentando decidir por onde começar, mas o loiro virou-lhe as costas, orgulhoso.


 


- Posso me virar sozinho Ginny!


 


- Não seja teimoso Draco, vamos para a enfermaria.- os olhos castanhos faiscavam em tom de autoridade, mas o loiro nem ao menos notou-os.


 


- Para me chamarem de traidor? Não, eu passo.


 


- MALFOY! - um sorriso apareceu nos lábios dele.


 


- Voltou a me chamar pelo sobrenome, Weasley?- ela expressou contrariedade na ruga da testa, o que só fez o loiro sorrir mais largamente.


 


- Se não fosse você não estaríamos vivos, nenhum de nós, Quem ousaria te chamar de traidor?


 


Draco fora o melhor espião que tiveram, sua capacidade de fechar a mente era extraordinária, e nem por um minuto Voldemort desconfiou que seu melhor pupilo, voltara-se contra ele. Draco não costumava ser um garoto de bom coração, mas quem tem o coração sem nenhuma mancha? O rapaz contrariou todos quando aceitou a missão arriscada, ele sabia que Voldemort poderia perder, e ele não estava disposto a correr esse risco. Somente quando soube do ataque à escola ele teve que se pronunciar, e revelar sua posição. Ginny não entendera porque ele se preocupara tanto a ponto de cair nas mãos do “olhos de cobra”. Até que a cavalaria chegasse, Draco fora reduzido àquela situação, mas havia sumido na floresta, e a Ordem não tinha notícias dele... Até aquela hora.


 


- Todos. Ninguém além da Ordem sabe o que fiz, e é melhor que seja assim. - ele tentou colocar-se de pé, mas ao primeiro passo bambeou, e teria caído no chão se a ruivinha não tivesse amparado-o.


 


- Não seja teimoso, me deixe cuidar de você. - ela fitou os olhos dele tão próximos, por alguns segundos ele ficou mudo, apenas encarando-a, ela sentiu sua pele corar intensamente.


 


- Ninguém cuida de mim a anos, se fizer isso terá que ser pra sempre. - Os braços dela tremeram, e ele a abraçou  para que se recuperasse, ela ainda não se lembrava quanto tempo ficaram ali.


 


I hope you know, I hope you know


That this has nothing to do with you


It's personal, myself and I


We got some straightening out to do


And I´m gonna miss you like a child misses their blanket


But I've gotta to get a move on with my life


It's time to be a big girl now


And big girls don't cry


Don't cry,


Don't cry,


Don't cry




La ra ra ra ra ra




- Depois daquele dia... eu, eu não sei o que me aconteceu. Nós ficamos juntos tantas vezes, compartilhamos tanta coisa, aquele Draco eu não conhecia, mas estava encantada por ele. Então você voltou vitorioso e eu não pude estragar aquilo, ele me odiou. -ela respirou fundo-  Eu fiquei ao seu lado, e estava feliz, mas você não era o mesmo pra mim, faltava algo. Eu sempre achava defeitos em você que nunca vira antes. Então na manhã em que terminamos, ele havia vindo ao meu apartamento, não tinha dito nada, apenas me olhado... Era um olhar terno, carinhoso... Ele me abraçou e disse que era minha última chance antes dele sumir. Então terminei com você. Saíamos escondidos, ele ainda era investigado, ainda havia os comensais atrás dele, você lembra. Ele me pediu em casamento, eu ia te contar quando...


 


Ginny limpou as lágrimas que voltavam a cair, fechou os olhos com força enquanto tentava conter os soluços, então sentiu uma mão em seu ombro, e era como se sua coragem tivesse voltado. Ela respirou fundo e se levantou, sentiu quando o braço dele carinhosamente aninhou-se em sua cintura, e os lábios dele roçaram seu pescoço demoradamente. Um sorriso espontâneo brotou em sua face, e as lágrimas calmamente diminuíram até se esgotarem.


 


- Então eu fiquei presa ao remorso, me sentindo culpada pela sua... Morte. Eu devia estar ao seu lado, se estivesse teria te protegido, mas... Já se passaram três anos. E ele me esperou, esperou até que eu pudesse vingá-lo, até que eu pudesse dar um fim merecido àquela comensal. E agora... Agora acabou Harry. Eu preciso... Eu preciso continuar a viver. Ser feliz com o homem que eu amo... Você me entende, não é?


 


- Ginny. Precisamos ir. Nosso vôo...


 


- Já vou Draco.- ela limpou as manchas de lágrimas em sua face, e deixou que a mão segurasse a dele, o toque da pele quente dele, a pele macia, o gesto protetor- Espero que você esteja bem onde estiver, adeus Harry.- ela virou-se para Draco, os olhos maduros do homem que ainda levava as cicatrizes daquele ato de amor... A tortura por salvá-la do ataque.


 


- Vamos Ginny. É hora de tirarmos férias dessa nossa vida


 


Ele sorriu de canto, enquanto ela soltou uma breve risada, apoiou o rosto no ombro dele e deixou que ele a levasse para um mundo novo, uma vida nova, a sua vida de mulher.


 

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