Vem, meu menino vadio



Pensou que fosse um sonho. Achou que iria morrer quando o viu ali, caído, e aquele horripilante bruxo bradava a larga voz que o havia vencido, que o havia finalmente assassinado, enquanto julgava assim ter vencido a guerra. Julgou não desejar mais a vida. Definitivamente iria se embrenhar naquela guerra e tombaria uma boa quantidade de comensais da morte, e enfrentaria o repugnante bruxo, ou morreria tentando. E morreria ao final. Não queria viver sem ele ao seu lado.


 


Seus cabelos ruivos voavam levemente agora, no grande salão, e ela olhava, por cima dos ombros da mãe, sobre o qual repousara a cabeça, aliviada por seu amor não estar morto, como Voldemort levara todos a pensar, mas ainda compartilhando com toda a família a perda do gêmeo tão querido.


 


Corajoso, Harry se expusera sempre em busca de proteger seus queridos. E o que mais havia de magnífico naquele incrível bruxo, é que o fazia por todos, por qualquer um, por todo o mundo bruxo. Facilmente valorizava a vida, sem obstáculos, sem limites, ainda que o preço para isso fosse a sua própria. Que ele sem dúvida colocara a disposição do perigo, não uma ou duas vezes, mas desde que tomara consciência de ser quem era.


 


Sua própria vida fora salva por ele. Assim como a vida de todos ali reunidos. Ele derrotara o mais temido arqui-rival de qualquer bruxo corajoso e decente, o pior carrasco de qualquer bruxo pacato do mundo. Tomara para si a responsabilidade, e não se esquivara da missão que tomara como sua.


 


Mas era bom vê-lo ali, visivelmente exausto, mas rodeado dos mais gratos admiradores. A vontade que ela aninhava em seu íntimo era trazê-lo para junto de si, aconchegá-lo em seu colo. Agora ela sabia, por mais que o amor de sua vida fosse para sempre a personalidade bruxa mais famosa de todo o mundo, ao menos não carregava mais o estigma. Agora seria livre para viver sua vida. E ela sabia, pressentia que agora que a liberdade fora alcançada para todo o mundo bruxo, ele a escolheria para viver a vida ao seu lado. E ele seria para sempre o seu menino, só seu. Porque sim, ele sobreviveu. Sobreviveu para ela, só para ela.


 


Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer

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