Terá que ser forte



Capitulo 46 – Terá que ser forte


 


- Gostaríamos muito que você nos contasse aonde estava querida Lilian – me perguntou mais uma vez Alice quando estávamos entrando na estação, os meninos estavam atrás de nós, mas eram incapazes de ouvir.


- Eu já te disse, que acordei em um quarto vazio, apertado e sem ninguém – essa foi a mentira que eu inventei. Eu não queria jogar a bomba em cima delas tão fácil assim, e se me perguntasse qualquer coisa eu não saberia responder.


- Pois bem, você perdeu o melhor da festa – disse Maria sorrindo abobalhada.


- Como se eu não já fosse adivinhar quando te visse não é mesmo? – Chegamos a plataforma e esperamos até os trouxas estarem mais distraídos para atravessar.


- Foi tão lindo, e romântico – disse Maria. Isso tudo porque ela beijou – finalmente – Remo. Ela parecia flutuar hoje.


- Quanto amor – disse rindo da cara dela e então nós atravessamos. Estava muito barulho, as pessoas gritavam com as outras porque o trem não parava de apitar.


- Acho que já esta saindo – exclamou Remo atrás da gente  - Vou correr e arranjar uma cabine grande, e saiu correndo.


- Não Remo! – eu gritei em vão, ele não me ouviu – Não vou ficar com vocês...


- Essa historia de novo? Qual é Lily, nós já passamos desse estágio – disse Sirius – Aliás, a relação entre você e Tiago já melhorou não?


- Que relação? Não há nenhuma relação! – disse rápido, e Tiago olhou. Estava distraído com algum pedaço de vidro da mão.


- Temos que ver isso almofadinhas, acho que não esta funcionando bem... – ele disse só para que Sirius ouvisse, mas eu escuto muito bem.


- Não, é porque eu esqueci o meu no malão – Tiago revirou os olhos – Eu só esqueci de tirar – disse Sirius em desculpas


- Vamos! – gritou Pedro que estava na porta do trem – Ou vocês terão de ir em vassouras!


- Não seria má idéia – disse Tiago ás minhas costas. Eu não estava me comunicando com ele diretamente. Acho que eu tinha vergonha de que ele lembrasse de tudo, e eu de nada.  Horrível de se pensar.


Subi no trem, e havia vários murmúrios naquele lugar.


- Tudo bom Lily? – me perguntou Severo surgindo completamente do nada em minha frente


- Assim você me assusta – disse saindo do caminho para que umas primeiristas passarem.


- Desculpe. Entao, como foi o natal? Não foi pra casa dos seus pais não é? Fui lá, e Petúnia me enchotou – disse ele com uma cara de raiva.


- Túnia sempre será a mesma, e é. Não fui, fui pra casa de Potter – comecei a caminhar em direção a cabine que Remo estava. E Severo me seguia.


- Potter? O que você foi fazer lá? – ele perguntou assustado


- Fui passar o Natal é claro – não conseguia achar Remo em lugar algum


- Não é bom ficar andando com eles Lily


- E o que é bom Sev? Ficar andando com esses seus amigos? Eles são maus – finalmente eu tinha avistado Pedro, que estava conversando com a mulher do carinho e doces.


- Não gosto deles Lily, eles escondem algo... Aquele Lupin...


- Dá um tempo nessa história. Te vejo no colégio – adiantei o passo e entrei na cabine. Não queria ouvir Severo especulando coisas sobre Remo.


Entrei e sentei logo, e finalmente olhei para Remo, que estava mexendo em um pergaminho e logo fechou-o quando eu cheguei.


- O que é isso? – perguntei curiosa


- Nada de muito interessante. – ele disse sorrindo e guardando o pergaminho entre as vestes. Tiago e Sirius haviam chegado a porta, e falavam algo com Pedro, que continuava a falar coisas pra mulher.


- O que é que esta havendo ai? – perguntou Remo quando eles dois entraram


- Pedro não se conforma com o preço, eu disse a ele que esta atrapalhando o trabalho da moça – disse Sirius sentando ao meu lado. Maria e Alice chegaram logo depois.


Eu estava do lado da porta, e estava olhando os outros estudantes passarem.


- O que era que o Snape falava tanto com você Lily? – me perguntou Remo, me tirando dos meus devaneios.


- Nada muito importante, só as mesmas coisas de sempre...


- Que são? – Sirius perguntou interessado, e Tiago também olhava. Mas não foi eu que respondi.


- “Não gosto deles Lilian”, “Você não gostava deles”, “Eles escondem algo” e tudo mais – respondeu Maria tentando imitar a voz de Severo. Olhei para ela censurando-a. – É a verdade...


- Ele deve ter alguma obsessão com a gente, sempre falando e falando – disse Pedro, que estava em pé ainda na cabine.


- Eu não gosto dele – afirmou Tiago, olhando repentinamente pela janela. O trem finalmente tinha começado a andar – Sinceramente, não sei porque você ainda fala com ele


- Eu conheço ele desde de pequena, sei que ele não é mal... – respondi em defesa


- Até ele fazer alguma coisa com você, todos eles ali vão virar comensais da morte – disse Sirius, parecendo sombrio


- E isso é o que? – perguntou Alice.


- Aqueles que apóiam você-sabe-quem quando ele finalmente aparecer, se aparecer


- Não duvido nada, esta ocorrendo ataques que ninguém sabe explicar, vai que é ele – disse Remo, dando de ombros.


- E como é o nome dele? – perguntou Alice novamente, acho que ela não lê muito jornal.


- Nós não devemos pronunciar – falou Pedro baixinho, e Sirius riu.


- Qual é, estão com medo de uma figura que nunca apareceu ao vivo? Se um dia ele surgir de verdade, ai eu digo se estou com medo – Sirius fez uma careta.


- Que conversa sombria essa, vamos mudar – disse Tiago se virando e sorrindo para nós. – Qual é a nova?


- Nós passamos o Natal na sua casa Tiago, não há nenhuma nova – disse Maria como se fosse o obvio.


- Lilian que poderia nos contar aonde passou a noite ontem – disse Alice maliciosamente, revirei os olhos


- O que Lilian passou a noite fora ontem? – perguntou Remo, dando um sorrisinho


- Foi, e disse que tinha acordado em um quarto sozinha e apertado, muito suspeito


- Não tem anda de suspeito nisso Alice, só me perdi e achei um quarto e entrei.


- Estranho, porque o Tiago... – ia começando a dizer Sirius pensativo


- Cala a boca – Tiago o interrompeu e pisou no pé dele, Sirius deu um leve gemido.


- Você é violento – disse Sirius reclamando e fazendo cara feia, nós demos umas risadinhas.


O trem se seguiu, e eu não vi e nem ouvi mais nada. Acabei dormindo, e bem... foi melhor assim.


 


Chegamos em fim a Hogwarts, e eu fui acordada pelo apito do trem.


- Finalmente dorminhoca – disse Tiago sorrindo e se levantando. – Pensei que nós iríamos ficar aqui sozinhos, novamente – disse ele ainda sorrindo.


- Nunca. Sai. – disse ao passar, o pessoal já estava um pouco mais na nossa frente


- A qual é Lily, porque você ta assim? Vamos esquecer esta bem, você não lembra e eu posso fingir que nada aconteceu se você se sente melhor


- Você deve fazer isso com muito freqüência não? Quer saber, me responda uma coisa, com quantas você já levou pra aquele quarto em Tiago? Durante a festa de natal da sua casa? Eu poderia ate me sentir lisonjeada de entrar na sua listinha. Muito obrigada, sinceramente


- Não é assim com você Lily, será que vou ter que começar tudo do zero?! – ele agora estava atrás de mim, e nós falávamos bem baixo, para que ninguém ouvisse o que não devia.


- “Não é assim com você”, a por favor, não é assim comigo? Mas foi com as outras não é mesmo? Eu cansei de pensar que você é outro Tiago. Agora é a minha vez de mudar.


Desci do trem, eu não estava mais agüentando todo esse papo sobre a “noite que eu passei fora”. Eu queria deixar isso pra trás, apagar qualquer vestígio daquela noite que ainda pudesse ter na minha cabeça. Estou cansada de ser tratada como a pobre Lilian Evans, se é pra mudar, que seja bem feito.


 


A manhã de segunda-feira amanheceu limpa e clara, a neve agora estava cessando e mais um ano começando. Eu me sentia livre e sem nenhuma preocupação na cabeça, ate o professor Binns me lembrar de que os NIEMs estavam próximos.


- Vocês tem que estudar – dizia ele, eu estava sentada na cadeira da frente, ao lado de Alice, que não parava de escrever coisas no pergaminho – Srta. Jackson, poderia mostrar mais algum interesse no seu futuro? – ele se dirigiu a ela.


- Claro que sim professor – ela respondeu dando meio sorriso.


- Quero que vocês leiam a pagina 526 de seus livros, e me tragam já praticados a razão de se usar um feitiço Fidelius.


- Que beleza – disse Sirius ao fundo – Eu já tenho a minha opinião, eu usaria para me esconder da minha mãe, ela me persegue – houve alguns risinhos e o professor Binns fez cara feia. O relógio havia tocado e todos nós estávamos nos levantando para ir para a aula de Transfiguração.


- Não agüento mais, eles só falam de NIEMs, exames, testes, futuro, cara! A gente voltou do feriado agora e eles já começam a encher as nossas cabeças dessas coisas, eu vou enlouquecer e me jogar da torre de Astronomia. – disse Alice, eu e ela estávamos a sós na sala, ainda arrumando as coisas.


- Sabe, meu diário tinha sumido, e eu vim achar ele ontem. Estranho não é?


- Você tem um diário? – disse ela rindo, e nós fomos caminhando para fora da sala – Quando você se tem amigas, você não precisa ter um diário.


- Se você for daquelas que tem uma amiga que conta as coisas sobre você bem na cara dos meninos, bem, você tem que ter um diário – disse rindo e em fim estávamos chegando a porta da sala da professora McGonnagal. E com a gente estava também, Remo e Tiago encostados na parede.


- Quem é vivo a gente sempre vê ao vivo não é Lilian? – me perguntou Tiago, me fazendo para na frente dele e semi-cerrar os olhos.


- Você e sua piadas ridículas Potter. Eu estudo, pra sua informação – me virei para Remo e sorri – Olá Remo


- Ei, ei, ei, voltamos ao quinto ano ou o que? – perguntou Remo assustado.


- Quase isso, agora eu sei mais com quem estou me metendo, se vocês me dão licença, tenho uma aula a assistir – passei pela porta e caminhei até achar o meu lugar, Maria já estava lá, lendo um livro. – E ai – chamei ela.


- E ai – ela continuou com os olhos no livro.


- Ta interessante o bastante para não falar comigo? – perguntei, tirando minhas coisas da bolsa e jogando em cima da mesa.


- Quer falar sobre o que? – ela ainda estava com os olhos no livro.


- O que foi isso afinal Mari? – perguntei, me virando pra ela. Ela fechou o livro e me olhou.


- Sabe, estou saindo com o Remo, e ele me esconde algo Lily, e ele não quer me contar – ela colocou o livro na carteira.


- Se ele tem algo que não quer te contar Mari, acho que você deve compreender e esperar o tempo dele – e não correr atrás como um dia eu fiz.


- E se for algo muito ruim? Eu não sei o quanto ruim eu posso agüentar Lily, minha vida já é muito difícil, meus pais, o trabalho deles... se eu arranjar um namorado problemático não sei o que vai ser de mim. – a porta havia se fechado, isso sinalizava que a aula iria começar.


- Se você gosta mesmo dele, e quer ficar com ele, não vejo problema algum em agüentar tudo que vier, você vai ter que ser forte Mari – mais do que você imagina.




 

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