Nono Capítulo.



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~~> Nono Capítulo.


“Meu querido diário...”


 


  “Querido diário...


  Não, isso vai pegar mal...


  Livrinho que um dia vai parar nas mãos da minha querida e teimosa irmã,


  Não vou escrever falando com você viu?! Vou escrever falando com a minha irmã.


  Liu... Resolvi escrever isso, essa coisa que vocês garotas adoram escrever, porque eu sinto a sua falta. Sabe, faz um ano que eu não te vejo, nunca imaginei que uma guria chata faria tanta falta em minha vida.


  Vou contar o ano assim... “Um ano sem a pessoa mais chata da face da Terra”. Pelo menos ainda tenho o chato do Douglas para pirraçar, se bem que aquele imprestável deu para me deixar sair até de meias trocadas... Dá para acreditar?!


  Se você estiver lendo isso é porque algo me aconteceu, já que eu fiz um acordo com o Douglas de só te entregar isso quando algo de grave me acontecesse...


  Seja lá o que tenha me acontecido, não fique triste, saiba que eu penso em você todos os segundos de todos os dias... Afinal, você é a minha pequena chata favorita.


  Se por um acaso você estiver lendo isso porque eu morri... A vida é assim, não é?! É apenas um estado de passagem... Não quero nunca que você chore de tristeza por minha causa. E nem pense em colocar a sua vida em risco por algo que tenha me acontecido.


  Eu escreverei aqui, tudo que eu sei, e que provavelmente nunca terei coragem, ou oportunidade de te contar pessoalmente.


  Lembre – se sempre de que a vida é uma seqüência de conseqüências.


  Em um “diário” não precisa botar o nome de quem escrever, não é?!”


 


  Aquela era a primeira página daquele diário marrom. Liu lia com toda atenção, às vezes derrubava umas lágrimas, outras esboçava um sorriso. Até que algo lhe passou pela mente... Porque Douglas não queria que ela lesse as últimas páginas antes do tempo “certo”?!


  Fechou o pequeno diário e o olhou por inteiro ainda fechado. Respirou fundo, seus dedos de maneira calma e delicada se dirigiam para as últimas páginas do diário com intenção de abrir exatamente naquele local.


  Fechou os olhos por alguns segundos, como se pensasse se deveria ou não abrir o diário. Desfez o sorriso que se encontrava em sua face, começou a sentir algo esquisito por dentro, uma sensação de abafamento, como se de repente tivessem colocado – a em um fogão e a trancado lá, sua respiração descompassou, suor começou a escorrer por sua face.


  Abriu os olhos de vez, como quem acorda de um pesadelo assustador. Olhou para o diário, deixou uma fina lágrima escorrer de seu olho, e então levantou – se de sua cama e colocou aquele objeto antes pertencente ao seu irmão dentro de uma gaveta em seu armário, embaixo de uma blusa que raramente usava.


  - Outro dia eu termino de te ler... – Murmurou Liu enquanto fechava seu armário, sendo atentamente observada por seu gato branco de olhos azuis como duas safiras.


  De uma maneira nada rápida, na concepção de alguns, a noite se passou, dando lugar para um dia nublado, sombrio.


  O vento fazia barulho ao se chocar com qualquer janela aberta, às vezes emitindo barulhos semelhantes a uivos. O sol não brilhava, nem sequer aparecia... As nuvens o encobriam totalmente.


  Por causa da falta de claridade, as pessoas acabaram perdendo um pouco o horário, já que não tinha o sol para dizer que havia amanhecido.


  - Estou indo para a casa da Lele... – Avisou Douglas sussurrando no ouvido da garota adormecida.


  - Vá logo... – Murmurou Liu ainda dormindo, naquele estágio que as pessoas dizem o que for... Somente para se verem livres das pessoas que as tentam acordar.


  - Até mais tarde... – Disse Douglas deixando algo sobre a mesa de cabeceira e saindo do quarto.


  - Douglas! – Exclamou Lele ao abrir a porta de casa, após terem tocado a campainha.


  - Lele!! – Disse Douglas sorrindo e entrando na casa. Já estavam todos lá. James, Sirius, Remus, Mary Kate, Peter, Lily, Bel... Todos.


  - O que vamos comemorar mesmo?! – Sirius perguntou confuso. Sua cara não mais exalava tristeza, parecia feliz demais para o Sirius pós - morte de Liu.


  - Eu disse que era uma festa só para vocês todos aparecerem... – Esclareceu Lele. Douglas assustou – se com a possível possibilidade de tocarem no assunto “Liu”. – Na verdade eu queria saber se você, Sirius, teve alguma evolução naquele bilhete... – Confessou. Douglas, Bel, James, Remus e Sirius se entreolharam discretamente.


  - Resolvi esquecer esse assunto... – Mentiu Sirius tentando parecer... Triste. – Sabe, as vezes é melhor não viver do passado... – Concluiu.


  - Mas Si! – Exclamou Lele. – É uma questão de honra... – Continuou. – Eu preciso saber quem “seqüestrou” o corpo da minha irmã gêmula... – Disse com os olhos marejados. – Por ela... – Completou.


  - Lele... – Murmurou Sirius morrendo de vontade de falar tudo. – Eu vou descobrir sobre o bilhete, eu te prometo... – Falou sorrindo marotamente.


  - Palavra de maroto?! – Perguntou Lele.


  - Palavra de maroto! – Respondeu Sirius.


  - Si... – Começou Mary Kate. – Você vai nos dizer o motivo dessa sua alegria toda?! – Questionou curiosa.


  - É Si! – Concordou Lily. – Percebi um sorriso insistente em sua face... – Pontuou.


  - Se não sou eu... – Começou Mary Kate. – Já que nós terminamos... – Continuou. Todos já sabiam daquilo. – Quem está te deixando assim?! – Perguntou com um sorriso maroto.


  - Eu apenas descobri que a felicidade, às vezes, está mais perto do que nós imaginamos... – Confessou Sirius dando um largo sorriso.


  - Bingo acabou de assumir que está ficando sensível! – Exclamou James fazendo graça do amigo.


  - Cala a matraca, Veado catingueiro! – Repreendeu Sirius com um sorriso maroto.


  - Aleluia o Si voltou a ser o Si... – Murmurou Lele para Lily, ambas sorriam.


  - Veado é o... – Começou James.


  - Olha os nomes Jay! – Reclamou Lily.


  - Veado é o animal que vive em certos lugares... – Continuou James sorrindo amarelo. – Que obviamente as pessoas cultas, que claramente não é o seu caso Almofadas, sabem que é extremamente diferente de Cervo! – Acrescentou com um sorriso de vitória.


  - No momento o jogo está disputadíssimo! – Começou Remus imitando narrador de Quadribol. – Temos dez pontos para Lílian Evans... – Continuou. James completou “Futuramente Lílian Evans Potter”. – Dez pontos para James Potter... – Falou sorrindo. James novamente fez uma observação “Futuro marido da ruiva mais linda do universo”. – E na lanterna, com nenhum ponto marcado, temos Sirius Black! – Finalizou. James falou algo como “O cachorrinho mais burro de todos!”.


  - Pontas, vá polir os seus chifres... – Provocou Sirius sorrindo.


  - Só quando você tiver catado todas as suas pulgas, pulguento! – Retrucou James.


  - Então você deveria começar agora, já que pulgas eu não tenho... – Pontuou Sirius com um ar galante.


  - Dia perfeito, não acha Martinha?! – Perguntou Nosferato para a mulher ao seu lado. Ambos andavam por uma rua como quem não quer nada com a vida.


  - Mais do que perfeito... – Concordou Marta. – Só falta algo para o dia melhorar ainda mais... – Completou com um sorriso maléfico.


  - Vamos fazer uma aposta?! – Propôs Nosferato sorrindo.


  - Que tipo de aposta?! – Perguntou Marta curiosa.


  - Quanto tempo você acha que a garota resiste?! – Questionou Nosferato.


  - Se depender de mim, nem um minuto... – Respondeu Marta com um olhar psicótico.


  - Ainda é de madrugada?! – Murmurou Liu enquanto abria os olhos, olhava pela janela, e tudo que via eram nuvens. – O que é isso?! – Se perguntou ao olhar para a mesa de cabeceira e ver um papel.


 


  “Fui para a casa da Lele... Se ouvir barulhos estranhos, por favor toma cuidado... Não atenda a porta de jeito algum, nem se for eu dizendo que perdi a chave de novo. Qualquer coisa ligue para a casa da Lele e diga ser alguma amiga minha...


 


                                                                   Ass: Douglas. ”


 


  - Tudo bem... – Murmurou Liu ainda com sono. – Isso obviamente significa que já é de manhã... – Concluiu esfregando os olhos em uma tentativa de acordar. – Que coisa insuportável essa falta de claridade... – Reclamou enquanto se dirigia ao banheiro. – Tomara que o chuveiro não esteja frio... – Murmurou ao entrar no banheiro.


  - Eu tive uma idéia para passarmos o tempo! – Exclamou Lele com um sorriso de orelha a orelha.


  - Qual Lele?! – Lily perguntou curiosa.


  - Lembra de uma brincadeira chamada “Verdade ou desafio”?! – Disse Lele com um sorriso maroto. Os que sabiam do fato de que Liu não havia morrido, gelaram. – Poderíamos jogar com uma garrafa enfeitiçada... – Propôs.


  - Nem pensar! – Falou Sirius de imediato, balançando a cabeça negativamente.


  - Tem algo para esconder, Si?! – Questionou Mary Kate com um olhar de pura provocação.


  - Talvez eu tenha... – Respondeu Sirius com um tom indiferente. – Talvez eu não tenha... – Completou.


  - Qual o seu medo?! – Perguntou Peter curioso. – É só uma brincadeira! – Disse por fim.


  - Talvez tenha certas coisas que eu não quero admitir para mim mesmo, entendem?! – Respondeu Sirius fingindo estar triste por algo não existente.


  - Nós somos grandes... – Começou James. – Com exceção da Lele, da Bel, da Lily, do Peter e da Mary... – Continuou fazendo graça. – Podemos pensar em outra coisa para passar o tempo... – Disse sorrindo.


  - Coisas como jogar paciência que nem a minha a minha avó fazia... – Murmurou Lily.


  - Conversar... – Sugeriu Bel sorrindo.


  - Conversar me parece uma sugestão aceitável... – Pontuou Lele.


  - Que ótimo, porque é exatamente o que a gente está fazendo já faz tempo... – Murmurou Peter olhando para o teto.


  - Pegar o jornal do lado de fora... – Disse Liu em um tom baixo enquanto descia de seu banho e se dirigia ao lado de fora da casa para pegar o jornal trouxa que era deixado ali todos os dias.


  - Ali ela, Marta! – Exclamou Nosferato apontando para uma garota que estava pegando um jornal na porta de casa.


  - Vamos esperar ela entrar em casa novamente... – Pontuou Marta.


  - Que dia emocionante... – Murmurou Liu enquanto voltava para dentro de casa com seu jornal, e se deitava no sofá da sala para ler o jornal com toda a calma do mundo e mais alguma.


  - Pronto meu Amor?! – Marta perguntou olhando fixamente para os olhos azuis, e encantadores, de Nosferato.


  - Mais do que pronto... – Respondeu Nosferato. – Ela não perde por esperar... – Murmurou em seguida. Ambos estavam em frente a uma porta de uma casa, com o dedo quase apertando a campainha.


  - Eduzinho, será que o mundo ainda tem jeito?! – Liu questionou ao seu gato branco que se encontrava ao seu lado, no chão, em pé, com os pêlos das costas totalmente ouriçados como se estivesse se sentindo ameaçado. – Relaxa Eduzinho, aqui nós estamos salvos por enquanto... – Afirmou sorrindo levemente enquanto olhava para a figura que estava na frente do jornal.


  Liu estava concentrada olhando para a figura quando foi interrompida por um barulho de campainha tocando. Levantou-se imediatamente para abrir a porta, nem por um segundo se lembrou do bilhete de Douglas, fez exatamente como uma criança, o contrário do que lhe pediram.


  - Já vai! – Gritou Liu enquanto destrancava a porta e girava a maçaneta. Abriu a porta. – O que... – Murmurou desconexamente.


  - Olá defuntinha! – Disseram Marta e Nosferato juntos quando a porta da casa que estavam na frente se abriu.


  - Defuntinha?! – Perguntou a garota que havia aberto a porta da casa.


  - Você realmente achou que ia conseguir nos enganar?! – Perguntou Marta enquanto ela e Nosferato adentravam à casa da garota.


  - Estava com saudades... – Liu disse sorrindo um sorriso misterioso.


  - Você não tem noção do quanto eu desejei que esse dia chegasse, desde o dia que descobri que você não havia morrido... – Pontuou Marta com um sorriso enigmático enquanto se sentava no sofá, e Nosferato ficava na porta para não deixar a “presa” escapar.


  - Saudades de mim também?! – Liu perguntou com um sorriso maroto.


  - Quase morri de saudades de você, sobrinha querida... – Disse Marta com um tom irônico de voz.


  - Aceita um copo de refrigerante?! – Questionou Liu sorrindo.


  - Não adianta tentar adiar o que vai acontecer hoje... – Pontuou Nosferato ao ver que a garota fazia menção de sair daquele aposento.


  - Opa... Esqueci que refrigerante de manhã faz mal... – Disse Liu pondo a mão esquerda na testa demonstrando esquecimento, enquanto ouvia a porta se bater.


  - Acho que bati a porta forte demais... – Pontuou Nosferato com um sorriso de ironia.


  - Quase morri de susto! – Exclamou Liu ao se assustar com o barulho da porta se batendo. – Mas portas foram feitas para serem batidas... – Confessou em seguida.


  - Te assustei muito, foi?! – Perguntou Nosferato ao ver a cara de susto da garota. – Coitadinha... – Murmurou ironicamente.


  - Da próxima vez vê se bate a porta mais devagar... – Reclamou Liu com um olhar sério.


  - Não se preocupe, não haverá uma próxima vez... – Pontuou Nosferato. Marta sorriu.


  - Sim, a que devo a honra dessa visita assim... Inesperada?! – Liu questionou com um sorriso maroto brincando no rosto.


  - Vamos direto ao ponto... – Começou Marta se levantando do sofá.


  - Melhor dizer tudo de maneira bem rápida... Eu ainda tenho de ler o jornal... – Avisou Liu.


  - Diga Adeus à sua vida por uma segunda vez, defuntinha! – Começou Marta com um sorriso psicótico, retirando sua varinha de um bolso escondido e apontando para a garota em sua frente.


  - Sabe... Eu já tinha me esquecido disso... – Murmurou Liu pegando a sua varinha.


  - AVADA KEDAVRA! – Gritou Marta. Um relâmpago verde saiu de sua varinha, um corpo caiu no chão inanimado.


  - Parabéns Martinha... – Disse Nosferato sorrindo.


  - Ela nunca foi párea para mim... – Pontuou Marta sorrindo satisfeita.


  - Então Matt, que horas?! – Perguntou Liu olhando para o amigo que estava em sua casa sentado no sofá enquanto ela andava de um lado para o outro.


  - Parece que o parque abre amanhã às seis da tarde... – Respondeu Mathews sorrindo.


  - Vai ser divertido! – Exclamou Liu. – Eu, o Si, a Taty e você! – Completou sorrindo. Nem percebeu que Eduzinho não estava em casa.


  - Você não acha que foi fácil demais?! – Perguntou Nosferato para Marta enquanto ambos olhavam para o corpo da bela garota de cabelos negros e olhos puxados para um tom violeta.


  - Eu sempre soube que ela era uma otária... – Retrucou Marta.


  - Mas porque ela estaria usando poção Polissuco em plena luz do dia?! – Questionou Nosferato achando tudo aquilo muito estranho.


  - Ela é louca meu Amor... – Começou Marta. – Quer dizer... “Era”... – Corrigiu – se.


  - Então cadê o gato?! – Nosferato perguntou com uma pulga atrás da orelha.


  - Atrás daquela janela... – Disse Marta apontando para a janela da sala que estava de cortinas abertas, dando para ver um gato branco de olhos azuis com um semblante ameaçador.


  - “Tem algo de muito estranho nisso tudo...” – Pontuou Nosferato mentalmente, logo após encarando o gato que saiu correndo no mesmo instante.


  - Cadê o Eduzinho?! – Mathews perguntou olhando para os lados e notando a ausência do gato.


  - Ele não está aqui?! – Liu perguntou assustada olhando para os lados.


  - Não... – Respondeu Mathews confuso.


  - EDUZINHO!! – Gritou Liu desesperada, não estava gostando nem um pouco da idéia de perder o seu fiel escudeiro.


  - Liu, eu acho que é ele ali na janela... – Disse Mathews apontando para a janela que dava para a parte do fundo da casa.


  - Eduzinho, carma de minha vida... – Murmurava Liu enquanto abria a porta dos fundos. – Entra logo antes que... – Continuou, mas algo lhe chamou à atenção. Eduzinho tinha entrado correndo em casa e se dirigido à janela da sala, começando a arranhar o vidro, como se quisesse mostrar algo.


  - Às vezes, quase sempre, esse seu gato parece agir como gente... – Pontuou Mathews observando o comportamento do gato.


  - Pelas barbas bem brancas de Merlim! – Exclamou Liu ao olhar pela janela da sala e ver um casal saindo de uma casa que ela reconhecia como a casa da Lila. – O que eu fiz?! – Perguntou mais a si mesma. – Matt, não saia daqui! – Falou indo até a porta.


  Liu já estava quase abrindo a porta para fazer uma grande besteira, só Merlim seria capaz de dizer o que aconteceria caso ela fosse vista por Marta e Nosferato.


  Antes que Liu girasse a maçaneta, sentiu algo lhe arranhar a perna.


  - EDUZINHO WEISS! – Reclamou Liu ao ver que o gato havia lhe arranhado, ganhando assim tempo para que Marta e Nosferato saíssem de perto da casa de Douglas.


  - Acho que ele não quer que você vá... – Pontuou Mathews olhando para o gato que agora estava sentado olhando para Liu fixamente.


  - Acho que ele não tem querer... – Disse Liu abrindo a porta e saindo de casa, deixando a porta abeta. Eduzinho logo saiu atrás dela, Mathews ficou sem reação no sofá. – “Aí de vocês se machucaram alguém...” – Pontuou mentalmente enquanto ia até a casa da Lila, já que Marta e Nosferato já haviam desaparecido de lá.


  - O que eu faço?! – Se perguntou Mathews estático no sofá.


  - LILA! – Gritou Liu ao entrar na casa cuja porta estava aberta e ver o corpo da garota de cabelos negros no chão. Seus olhos rapidamente se encheram de lágrimas, não que ela conhecesse a garota, mas novamente alguém tinha morrido por sua culpa. – Eles me pagam... – Murmurou com os olhos vermelhos de raiva, olhando de longe para o corpo.


  Saiu da casa da garota morta, sabia que como a garota era trouxa a polícia trouxa é que iria para lá, e não queria arriscar ser suspeita de um assassinato.


  Mathews se levantou do sofá, e pela janela viu Liu seguindo sem rumo pela rua, sabia que a chamar seria inútil, dava para ver em sua maneira de andar que não pararia por nada. Botou a mão no bolso e tirou um papel com algo escrito.


  - Melhor ligar para esse número que o Douglas me deu hoje cedo para se algo acontecesse... – Murmurou Mathews indo até o telefone e discando o número que estava escrito no papel.


  - Alguém pode atender esse treco que se chama telefone?! – Perguntou Sirius, estavam todos sentados, os marotos e Douglas jogando detetive bruxo, que era um jogo trouxa adaptado para o mundo bruxo, enquanto as garotas se metiam no jogo.


  - Madame Spreech, na sala de poções, com um vidro azul de poção! – Gritou James sorridente.


  - Errou Bambi... Olha só o que eu tenho! – Exclamou Sirius colocando uma carta em sua testa que tinha a figura de uma mulher velha com dois gatos ao lado, e uma legenda escrita “Madame Spreech”.


  - Eu acho que não era para você mostrar a carta, Almofadas... – Murmurou Remus com uma cara de decepção.


  - Ele necessita de atenção, Aluado... – Pontuou James, o telefone ainda estava tocando. – Vamos seguir o jogo... Agora sabemos que não foi a “Madame Spreech”... – Completou sorrindo marotamente.


  - AhHhH! – Gritou Lele. – O telefone está tocando! – Disse correndo para atender ao telefone.


  - Eu disse isso já faz quase um minuto e meio... – Pontuou Sirius.


  - Alô?! – Falou Lele ao atender ao telefone.


  - Eu gostaria de falar com o Douglas, é urgente... – Disse a voz masculina do outro lado da linha.


  - Douglas, é para você... – Avisou Lele com o telefone em mãos. – Disse que é urgente... – Completou com uma cara confusa. Sirius olhou para James que sentiu a preocupação do amigo. Douglas fez um sinal para continuarem o jogo e atendeu ao telefone.


  - Pois não?! – Disse Douglas ao atender ao telefone.


  - Douglas, é o Mathews, a Liu saiu de casa feito uma louca depois que viu duas pessoas passando pela rua... – Falou Mathews de uma vez só. Douglas ficou pálido.


  - Você está aonde?! – Perguntou Douglas tentando manter a calma.


  - Na sua casa... - Respondeu Mathews.


  - Me espere aí, não vou demorar muito... – Murmurou Douglas desligando o telefone.


  - O que houve?! – Perguntou Lele preocupada.


  - O Eduzinho... – Respondeu Douglas improvisando. – Ele fugiu, vou ter de ir atrás dele... – Disse olhando para Sirius que percebeu que não se tratava de Eduzinho.


  - Deixa pelo menos acabar a partida! – Exclamou Peter, estava na vez dele e logo depois era a vez de Douglas.


  - Mas... – Murmurou Douglas tão branco quanto à cor da parede. Sirius fuzilou Peter com o olhar. – Tudo bem... – Concordou. – Mas jogue logo, Peter... – Adicionou. Peter jogou e resolveu arriscar um palpite.


  - Madame Spreech, na biblioteca, com um sapo de chocolate! – Chutou Peter.


  - É óbvio que não... – Pontuou Sirius, afinal, todos sabiam que não tinha sido a “Madame Spreech”. – Vai Douglas... – Completou. Douglas jogou e foi resolveu dar um palpite também.


  - Conde Drácula, no salão de festas, com uma harpa... – Disse Douglas bastante certo do que estava dizendo, logo depois se levantando. – Até mais tarde... – Adicionou já de pé. Lily pegou o pacote do meio do tabuleiro, lá estava às três cartas “Conde Drácula”, “Salão de festas” e “Harpa”.


  - Uau... – Murmurou Lily impressionada.


  - Eu vou com você Douglas! – Exclamou Sirius se levantando. – Afinal, eu posso ajudar a achar o Eduzinho... – Completou ao receber olhares confusos.


  - Vamos logo então, Sirius... – Falou Douglas bastante apressado.


  - Até depois pessoal... – Disse Sirius saindo da casa de Lele junto com Douglas.


  - Já chega, estou farta disso tudo! – Praticamente gritava Liu enquanto andava sem rumo à procura de Marta e Nosferato. – CHEGA! – Gritou no auge de seus pulmões, parando de andar e com lágrimas escorrendo de seus olhos castanhos. Três pessoas que passavam por ali olharam para ela de uma maneira confusa como quem pensa “Essa daí é louca”. – Eu só queria que a minha vida fosse normal... – Murmurou sentando – se no chão com as mãos no rosto enquanto chorava.


  - Douglas! – Exclamou Mathews quando Douglas entrou em casa acompanhado por Sirius.


  - Para onde ela foi?! – Douglas perguntou de imediato.


  - “O que ele faz aqui?” – Se perguntou Sirius.


  - Eu fiz exatamente o que você pediu, vim até aqui para tomar conta da Liu... – Começou Mathews. – Aí o Eduzinho sumiu depois ele voltou, Liu olhou pela janela e saiu feito uma louca daqui... – Finalizou.


  - E o Eduzinho?! – Sirius perguntou de repente.


  - Foi atrás dela... – Respondeu Mathews.


  - Você fica aqui para caso ela volte para casa... – Começou Sirius apontando para Douglas. – Você sai perguntando para todo mundo se alguém viu uma garota como a Liu passando por aí... – Continuou apontando para Mathews. – Eu vou procurar a Liu... – Terminou saindo da casa de Douglas apressado.


  - Merda de vida! – Exclamou Liu sentada no canto da rua, no que seria a calçada. – Quando eu penso que vai tudo dar certo algo acontece... – Murmurou indignada. – Melhor seria eu morrer de uma vez por todas! – Falou com lágrimas nos olhos.


  Sabe aquele sábio ditado, “Nada está tão ruim que não possa piorar”?! Justamente quando Liu havia pensado que aquele dia não poderia ficar pior que ela sentiu vários pingos de chuva a molharem.


  - Ótimo... – Reclamou Liu. As suas lágrimas já se juntavam com os pingos de chuva. – Agora sim... O dia perfeito! – Ironizou logo após apoiando a cabeça e os braços nos joelhos.


  Sirius corria pelas ruas à procura de Liu, sentia seu coração apertado, estaria Liu em perigo?!


  - Moça, você viu uma garota baixinha, de cabelos castanhos e olhos também castanhos?! – Sirius perguntou para uma mulher que vinha da direção contrária à dele e parecia apressada para chegar em casa devido à chuva.


  - Saí da chuva garoto! – Reclamou a mulher.


  - Mas... – Murmurou Sirius apelando para a sua típica cara de cachorro abandonado.


  - Está bem, eu vi uma garota assim sentando no chão, siga reto que você deve encontrar ela... – Falou a mulher rapidamente.


  - Obrigada moça! – Agradeceu Sirius seguindo reto num passo acelerado.


  - Odeio isso... – Murmurou Liu encharcada, ainda chorando, quando sentiu que havia alguém se sentando ao lado dela, resolveu ignorar, mas logo sua face estava sendo puxada para encarar essa outra pessoa.


  - Se queria tanto me ver hoje, bastava ter dito... – Disse Sirius com seu melhor sorriso nos lábios.


  - Si, não me dê bronca, só me abraça... – Murmurou Liu em meio às lágrimas. Sirius a abraçou, acolhendo – a em seus braços.


  - Vamos para casa, se ficarmos aqui você pode pegar um resfriado... – Pontuou Sirius enquanto abraçava a garota.


  - Nós podemos, Si... – Corrigiu Liu.


  - Se eu pegar não tem problema, se você pegar, eu vou brigar com o resfriado... – Retrucou Sirius sorrindo marotamente.


  - Vou levar uma bronca do Douglas, não é?! – Liu perguntou ainda abraçada com Sirius.


  - Provavelmente sim... – Respondeu Sirius. – Mas eu vou estar ao seu lado o tempo todo... – Pontuou.


  - Ela morreu por minha causa, Si... – Murmurou Liu repentinamente.


  - Quem?! – Questionou Sirius surpreso.


  - A Lila... – Respondeu Liu com lágrimas nos olhos.


  - Você quer me dizer o que aconteceu?! – Perguntou Sirius cautelosamente.


  - Eu vi os dois... – Respondeu Liu. – Eles vieram atrás de mim... Ela morreu por engano... Eles devem estar achando que me mataram... – Falou rapidamente. Sirius se levantou e estendeu a mão para a garota.


  - Se eles estavam por perto, eu não quero saber de você no meio da rua... – Pontuou Sirius enquanto Liu aceitava a ajuda dele para se levantar.


  - Si... Eu não quero ter de ficar longe de você... – Murmurou Liu colando sua testa na de Sirius.


  - Você nunca vai ficar longe de mim... – Disse Sirius fechando os olhos.


  - Mas Si, e se eu mo...  – Começou Liu triste.


  - Não fale isso... – Interrompeu Sirius abrindo os olhos. – Me ouviu bem?! – Perguntou em seguida.


  - Si, mas... – Recomeçou Liu olhando nos olhos do maroto.


  - Cadê o Eduzinho?! – Sirius perguntou repentinamente.


  - Essa pergunta de novo não... – Murmurou Liu se afastando de Sirius e olhando para os lados. – EDUZINHO! – Gritou na tentativa de chamar o gato.


  - Liu, calma... – Murmurou Sirius ao ver o desespero da garota. – Se ele veio atrás de você ele está por perto... – Completou.


  - Aparece Eduzinho! – Pediu Liu em meio a lágrimas. Sirius olhou para o lado e começou a rir.


  - Pode parar de gritar... – Avisou Sirius. Liu o fuzilou com o olhar.


  - Não até eu o encontrar! – Retrucou Liu.


  - Ele está melhor do que a gente, pelo menos não está tomando chuva... – Pontuou Sirius apontando para uma casinha de cachorro velha, que parecia não estar sendo utilizada por um cachorro, já que Eduzinho estava lá, deitado.


  - Vem Eduzinho, vamos para casa... – Chamou Liu olhando fixamente para os olhos azuis de seu gato branco, que se levantou calmamente, se espreguiçou, e saiu de dentro da casinha de cachorro.


  - Você estava pensando em me matar de vez?! – Praticamente gritou Douglas quando Liu e Sirius adentraram a casa junto com Eduzinho. Mathews havia encontrado com os dois no meio da rua e ido para a casa de sua namorada.


  - Desculpe – me Douglas... – Murmurou Liu de cabeça baixa.


  - Ela teve motivos para agir por impulso... – Defendeu Sirius. Liu levantou a cabeça e olhou para Sirius com seus olhos ainda vermelhos por causa do choro recente, e com possibilidade de um choro futuro.


  - O que houve?! – Douglas perguntou preocupado, ele não sabia exatamente o que havia acontecido. Só a parte das duas pessoas da janela e de Liu correndo para fora de casa acompanhada por Eduzinho.


  - Mais uma pessoa morreu por minha culpa... – Murmurou Liu olhando agora para Douglas.


  - Não me diga que foi a... – Começou Douglas pasmado.


  - A Lila... – Completou Liu. – Ela mesma... – Falou com um tom de culpa.


  - Isso não te dá passe livre para ter desobedecido a uma coisa que eu te pedir para não fazer! – Reclamou Douglas.


  Depois daí Douglas começou com seu sermão de todas as coisas que poderiam ter acontecido com ela por ter saído de casa, desde alguém descobrir que ela estava viva até alguém matar ela, no caso, Nosferato ou Marta.


  Durante os primeiros trinta segundos, aproximadamente, do sermão, Liu tentava prestar atenção, mas passados os trinta primeiros segundos... Tudo que ela conseguia fazer era olhar para a sua mão que estava entrelaçada com a de Sirius.


  Por mais que tudo estivesse piorando, pelo menos durante um tempo. Por mais que ela estivesse correndo risco de vida. Por mais que muitas coisas não fizessem sentido, ali, ao lado daquele maroto, ela se sentia totalmente protegida de tudo, seja fosse do sermão de Douglas, ou de uma maldição de um de seus inimigos.


  - “Como eu pude ser tão egoísta a ponto de te excluir de minha vida durante tanto tempo?!” – Se perguntou Liu olhando para Sirius, que parecia prestar atenção em tudo que Douglas estava falando. – “Como eu fui capaz de mentir para você e me fingir de morta durante tanto tempo?!” – Pensou em seguida.


  - Você prestou atenção em pelo menos uma palavra, Liu?! – Douglas perguntou de repente. Ele já estava falando a mais ou menos dez minutos sem parar. Liu apenas balançou a cabeça positivamente sem nem saber com o que estava concordando, ou para que tipo de pergunta ela estava respondendo que “sim”. – Então repita tudo que eu disse... – Exigiu de braços cruzados e cara fechada. Liu voltou para a realidade e olhou para Douglas.


  - Você, em resumo, deve ter dito... – Começou Liu. – Ou melhor, disse... – Corrigiu – se rapidamente. – Que eu poderia ter morrido pelo simples fato de eu existir! – Exclamou séria.


  - Assim fica impossível... – Murmurou Douglas. – Nem ouvir você me ouve... – Pontuou.


  - Douglas, eu não morri, entendeu?! – Disse Liu pausadamente. – Eu estou viva... – Murmurou em seguida.


  - MAS PODIA TER MORRIDO! – Gritou Douglas exaltado.


  - Calma Douglas... – Murmurou Sirius. – Ela não fez por mal, cara... – Completou. Dos olhos de Liu já escorriam finas lágrimas.


  - Será que você não entende que se algo te acontecer eu nunca irei me perdoar?! – Questionou Douglas com os olhos marejados. – Como bom irmão eu tenho que te proteger... – Pontuou olhando nos olhos da garota.


  - Você não é, nem nunca será, meu irmão... – Começou Liu friamente. – O meu único irmão é o Edu... Você não vai tomar o lugar dele... – Disse logo após saindo da sala em passos firmes, e indo sozinha para o seu quarto, deixando um Sirius surpreso e um Douglas arrasado.


  - Ela não quis dizer isso, Douglas... – Consolou Sirius.


  - Eu sei Sirius... – Murmurou Douglas com lágrimas escorrendo dos olhos. – Mas ela disse... – Completou.


  - Eu vou conversar com ela... – Pontuou Sirius.


  - Tenha cuidado com o que você vai dizer se não pode sobrar para você também... – Avisou Douglas limpando suas lágrimas e respirando fundo. – Eu vou dar uma volta por aí... – Disse em seguida. – Por favor, não saia daqui enquanto eu não tiver voltado... – Pediu por fim.


  - Pode deixar que eu fico aqui até você chegar, tomando conta da Liu... – Pontuou Sirius.


  - Até mais tarde... – Despediu – se Douglas saindo de casa ainda cabisbaixo.


  - Eu não quero falar com você agora Douglas... – Gritou Liu ao ouvir alguém bater na porta trancada de seu quarto. – Não quero ouvir que eu poderia estar morta a essa altura... – Completou com uma voz chorosa.


  - Você vai abrir a porta ou eu vou ter de soltar um feitiço nela para ela se abrir?! – Sirius perguntou num tom alto de voz para ser ouvido.


  - Me deixa sozinha Si... – Pediu Liu.


  - Nunca...  – Retrucou Sirius. – Agora abra a porta... – Completou.


  - Não vou abrir... – Disse Liu num tom claro de voz.


  - Então está bem... – Concordou Sirius. – Estou indo para casa então... – Continuou. – Vou te deixar aqui, sozinha com o Eduzinho, sem o Douglas... – Finalizou dando bastante ênfase à “sem o Douglas”.


  Sirius ficou de costas para a porta e começou a andar em passos lentos e um pouco barulhentos. Não que a intenção dele fosse largar Liu sozinha, só estava esperando ela destrancar a porta e ir atrás dele, sabia que provavelmente ela faria isso. Já estava na beirada da escada quando ouviu uma voz bem baixinha.


  - Eu estou com medo... – Confessou Liu que havia aberto a porta e agora encarava os próprios pés enquanto chorava.


  - Não tinha a mínima necessidade de você falar aquilo para o Douglas... – Pontuou Sirius parado onde estava.


  - Eu sei... – Murmurou Liu. – Eu nem queria dizer aquilo... – Completou entre lágrimas.


  - E o Douglas tem toda razão quando diz que não é para você ficar saindo sozinha... – Continuou Sirius.


  - Si, você também?! – Questionou Liu olhando para o maroto.


  - Você sabe que eu só quero o seu bem... Assim como o Douglas... - Respondeu Sirius. – Me promete que você não vai ficar saindo de casa sozinha... – Pediu com a típica cara de cachorro abandonado em dias de chuva.


  - Não posso Si... – Falou Liu com um resquício de voz.


  - Promete, por favor... – Insistiu Sirius enquanto se aproximava de Liu.


  - Não posso... – Murmurou Liu.


  - Promete vai sua chata... – Disse Sirius sorrindo de uma forma encantadora.


  - Não peça sorrindo desse jeito... – Falou Liu olhando para Sirius.


  - Por favor... – Voltou a pedir Sirius dessa vez sorrindo marotamente.


  - Eu sei que eu vou quebrar a promessa... – Começou Liu. – Mas eu prometo... – Completou tentando sorrir.


  - Agora venha aqui... – Chamou Sirius que estava a uns três passos de distância da garota.


  - Vou deixar algo bem claro... – Começou Liu enquanto avançava um passo. – Eu só estou indo porque eu quero... – Continuou enquanto avançava outro passo. – Até porque, o cachorro, que obedece ao dono, no caso à dona, é você... – Disse piscando para Sirius e avançando o último passo.


  - Mandona, teimosa, nervosinha... – Começou Sirius aproximando seu rosto do de Liu.


  - Lindo, fofo, encantador... – Retrucou Liu sorrindo para Sirius ao se perder nos olhos azuis acinzentados do maroto.


  - Amo – te muito, sua teimosa... – Murmurou Sirius antes de beijar Liu de uma maneira apaixonada.


  De uma maneira inesperada, a garota se separou de Sirius.


  - Si... Eu... Eu não estou me sentindo bem... – Ofegou Liu enquanto piscava os olhos de maneira lenta.


  - O que você está sentindo?! – Sirius perguntou enquanto voltava a se aproximar de Liu.


  Essa realmente era uma boa pergunta... O que ela estava sentindo afinal?!


  Talvez uma mistura de tudo, talvez o resultado de uma chuva, talvez nada muito preocupante. Fato era que sua cabeça girava, seu corpo parecia estar em chamas, sua respiração estava descompassada e sua visão levemente embaçada.


  - Eu acho que eu não estou bem... – Murmurou Liu confusa, olhando para o chão.


  - Liu olha para mim... – Pediu Sirius preocupado.


  - Doug... – Começou Liu pouco antes de desmaiar nos braços fortes de Sirius.


  - De novo não... – Murmurou Sirius com certo tom de desespero. Só então notou que o corpo da garota ardia em febre.


  Douglas andava, na chuva, pelas ruas. Seu coração estava um pouco ferido, mas sabia que a garota não havia dito aquilo por mal, ela nunca seria capaz de feri-lo de propósito... Sabia que ela confiava nele, senão ela nunca teria pedido ajuda somente a ele para fingir uma morte.


  Sentiu uma sensação esquisita, como um mau pressentimento. Primeira pessoa que lhe veio à cabeça?!


  - “Liu...” – Pensou Douglas pouco antes de dar meia volta de onde estava e correr para casa.


  - Douglas... – Murmurou Liu ainda inconsciente. De seu corpo escorria suor por causa da febre elevada.


  - Acorda vai Liu... – Pediu Sirius enquanto colocava um pano molhado sobre a testa da garota.


  - Doug... Desculpe - me... – Sussurrou Liu enquanto mexia sua cabeça da direita para a esquerda como se estivesse tendo algum tipo de pesadelo.


  - O que eu faço?! – Perguntou Sirius num tom baixo de voz.


  - Me deixe a sós com ela, Sirius... – Pediu uma voz conhecida vinda do lado de fora. Sirius assustou – se e olhou para a porta.


  - Está bem... – Concordou Sirius sussurrando um “Eu te Amo” no ouvido de Liu, que parecia estar começando a recobrar a consciência, e saindo do quarto de cabeça baixa, sem esquecer de fechar a porta do quarto.


  - Arrependimento?! – Perguntou a voz masculina.


  - Douglas?! – Liu perguntou ainda confusa se esforçando para abrir os olhos.


  - Não... – Murmurou a voz misteriosa. – Douglas é quem você quer ver... – Completou.


  - Como você sabe que eu estou viva?! – Perguntou Liu ao abrir os olhos e ver um homem de idade, óculos meia lua, barba longa e grisalha, mas conhecido como Dumbledore.


   - Sabia que cometeria tal ato desde o momento em que eu te disse que a vingança não era o melhor caminho, e você disse que talvez a morte fosse o melhor caminho naquele caso... – Começou Dumbledore com toda a sua sabedoria. – Desde então eu notei que você estava se comportando de uma maneira diferente, acabando por certas vezes distanciar os seus próprios amigos... – Continuou. – Quem se afasta dos próprios amigos normalmente tem algo em mente... – Confessou. – O seu olhar passou a ser só vingança, eu sabia que isso não te traria coisas boas, vingança nunca levou ninguém a lugar nenhum... – Disse com um a sério.


  - Quando eu pensei que nada mais de ruim poderia me acontecer, eu mesma falo besteira e machuco uma pessoa que sempre esteve ao meu lado... – Murmurou Liu com lágrimas nos olhos.


  - Nunca é tarde para se arrepender de nada, nem de uma palavra dita... – Disse Dumbledore.


  - Ele deve ter ficado triste... – Murmurou Liu ainda com febre.


  - Ele vai te entender, o Douglas é um bom rapaz... – Pontuou Dumbledore. – E sabe de coisas sobre você que nem você mesma parece saber... – Completou com um ar misterioso.


  - Tipo o quê?! – Liu perguntou com certa curiosidade.


  - Tipo o fato de você ainda não ter aprendido a controlar suas palavras ou ações... – Respondeu Dumbledore. – E outras coisas que você vai descobrir no tempo certo. – Finalizou.


  - Mas... – Começou Liu se sentando, com dificuldade, na cama. – O que você veio fazer aqui?! – Perguntou confusa.


  - Eu queria te fazer um convite... – Respondeu Dumbledore.


  - A Ordem da Fênix?! – Liu questionou antes mesmo que Dumbledore tivesse tempo de dizer algo mais. – O Si me contou sobre a ordem... – Completou.


  - Exatamente isso... – Respondeu Dumbledore. – Eu sei que você anda derrotando alguns comensais por aí... – Pontuou.


  - Foi legítima defesa! – Justificou – se Liu com rapidez.


  - Aceita o meu convite?! – Dumbledore questionou mudando de assunto.


  - Eu queria puder aceitar, mas eu não posso... – Disse Liu de cabeça baixa.


  - Você pode tudo que quiser... – Pontuou Dumbledore. – Pense sobre o assunto, voltarei em outro momento, agora tem alguém querendo falar com você... – Continuou. – Alguém que está atrás da porta somente aguardando a minha saída... – Completou. – Até mais ver... – Despediu – se, logo após sumindo no fino ar. A porta se abriu.


  - Você está bem?! – Perguntou Douglas enquanto entrava no quarto e fechava a porta novamente. Sirius havia optado por ver televisão.


  - Me sentindo a pior pessoa do universo... – Murmurou Liu já ignorando a febre que descia aos poucos.


  - Você não é a pior pessoa do universo... – Consolou Douglas sentando na beirada da cama, ao lado de Liu.


  - Doug... – Começou Liu olhando para Douglas. – Eu não queria dizer aquilo que eu disse... – Confessou triste.


  - Eu sei... – Disse Douglas.


  - Você ficou magoado comigo?! – Liu perguntou se sentindo culpada.


  - Triste... – Respondeu Douglas.


  - Muito triste?! – Questionou Liu.


  - Muito... – Murmurou Douglas.


  - Vai me desculpar?! – Indagou Liu com uma cara de criança arrependida.


  - Não posso... – Respondeu Douglas.


  - Mas... – Começou Liu procurando algo para dizer.


  - Não posso te desculpar porque não tem porque você me pedir desculpas... – Explicou Douglas. – Você é a minha anjinha, pequena... – Confessou sorrindo. – Você ilumina a minha vida... – Acrescentou.


  - E você é o meu anjo da guarda! – Exclamou Liu sorridente. – O cara mais chato do universo! – Completou.


  - Sabe... Eu não consigo ficar zangado com você... – Confessou Douglas.


  - É porque você é bobão... – Provocou Liu. Douglas levantou a sobrancelha esquerda.


  - Bobão nada... – Retrucou Douglas.


  - Bo... – Começou Liu, sendo interrompida por seu próprio espirro.


  - Saúde! – Exclamou Douglas.


  - Não, é doença mesmo... – Murmurou Liu enquanto se “recuperava” do espirro.


  - Acho que vou chamar um médico para cuidar de você... – Disse Douglas piscando para Liu enquanto se levantava.


  - Não, médico não, Doug... – Falou Liu segurando o braço de Douglas.


  - Ihhhh... – Murmurou Douglas. – Vou falar para o Sirius que você está dispensando ele... – Disse de uma forma engraçada.


  - Ele não é médico... – Pontuou Liu com uma cara engraçada.


  - Liu, me diz quantos dedos eu tenho aqui... – Disse Douglas com uma cara de desconfiança enquanto mostrava dois dedos.


  - Eu agradeceria se você parasse de mexer a mão... – Retrucou Liu olhando confusa para os dedos de Douglas que estavam se “mexendo”.


  - Acontece que eu não estou movendo a minha mão... – Pontuou Douglas.


  - Isso é ruim, não é?! – Questionou Liu com um sorriso amarelo.


  - Eu vou te levar é para um médico trouxa de verdade... – Disse Douglas de imediato.


  - Só por causa de uma gripe?! – Liu questionou sorrindo.


  - Por mim... – Respondeu Douglas.


  - Você promete não me deixar sozinha no hospital caso eu precise ficar lá?! – Liu questionou com uma cara de choro.


  - Você não vai precisar ficar lá... – Disse Douglas sorrindo. – Vai ser só uma ida rapidinha... – Completou.


  - Só porque você está pedindo, e eu estou com uma sensação de estar te devendo algo além de desculpas... – Pontuou Liu. – Mas pode deixar que eu ainda sei me levantar sozinha! – Exclamou ao ver que Douglas estava fazendo menção de carregá-la.


  - Então fique de pé sozinha... – Provocou Douglas. Liu ficou em pé no chão.


  - Doug, o chão daqui gira normalmente?! – Perguntou Liu olhando confusa para o chão.


  - Só quando as pessoas bebem demais ou ficam tontas... – Respondeu Douglas. – Você não bebeu né?! – Perguntou em seguida com um tom engraçado.


  - Doug... Eu acho que eu não vou conseguir ir até o hospital, fora que está chovendo... – Disse Liu num tom um tanto quanto alegre. – Justo dessa vez que eu realmente queria ir ao hospital! – Exclamou num tom irônico.


  - Não se preocupe... Você vai... – Pontuou Douglas pouco antes de carregar Liu.


  - Eu vou morrer!! – Gritou Liu em desespero.


  - Se você ficar gritando eu te jogo no chão... – Ameaçou Douglas.


  - Eu vou morrer de traumatismo craniano!! – Exclamou Liu em seguida.


  - O que está acontecendo?! – Sirius perguntou curioso no primeiro degrau de baixo, quase subindo, olhando para Douglas e Liu que estavam no topo da escada.


  - O Douglas quer me matar, Si... – Começou Liu em pânico. – Não deixa, por favor! – Disse em seguida.


  - Nós vamos para o hospital, e você vem com a gente... – Falou Douglas com um tom autoritário.


  - Só por isso eu não iria, Si... – Provocou Liu. – Ele está mandando... – Adicionou.


  - Deixa de drama Liu... – Começou Sirius. – Qual o problema de ir a um hospital?! – Perguntou.


  - AHHHHHHHH! – Gritou Liu. – Eu sou muito jovem para morrer por uma segunda vez!! – Adicionou ainda em voz alta.


  - Aí meus tímpanos! – Reclamou Douglas começando a descer as escadas.


  - Como a gente vai fazer para ir a um hospital com essa chuva?! – Sirius perguntou confuso.


  - Viu Douglas?! – Começou Liu. – Chuva e hospital não combinam... – Disse séria enquanto fechava os olhos para não olhar para baixo.


  - Sirius, toma conta dela enquanto eu vou procurar o Mathews... – Pontuou Douglas enquanto botava Liu no chão, ao lado de Sirius, que rapidamente segurou a garota pelo braço para que ela não caísse.


  - Ebaa! – Comemorou Liu. – Não vamos mais para... – Continuou.


  - Vou pedir para ele nos levar para o hospital de carro... – Explicou Douglas. – Ele é trouxa e tem carteira de motorista... – Adicionou enquanto saía de casa.


  - Si, me esconde... – Pediu Liu sorrindo para Sirius.


  - Não... – Retrucou Sirius também sorrindo. Liu fechou a cara.


  - Eduzinho! Ataca o Si! – Ordenou Liu apontando para Sirius enquanto olhava para o seu gato branco que estava sentado ao lado dos dois.


  Eduzinho nem se abalou.


  - Acho que ele quer que você vá para o hospital... – Murmurou Sirius.


  - Acho que todo mundo quer, menos eu... – Pontuou Liu de cara fechada.


  - Nem deve doer tanto ir ao médico... – Disse Sirius com uma cara pensativa.


  - Bom... – Começou Liu. – Como eu sou muito corajosa... – Sirius riu discretamente. – Eu vou ao médico! – Disse por fim, se desequilibrando, mas antes que caísse Sirius a pegou.


  - Você bebeu?! – Sirius questionou sorrindo marotamente.


  - Bebi todas ontem... – Respondeu Liu de uma maneira totalmente irônica.


  - Melhor sentarmos enquanto eles não chegam... – Sugeriu Sirius.


  - Acho melhor irmos logo... – Retrucou Liu ao ouvir um barulho de buzina. Ambos saíram de casa e foram para o carro de Mathews que os aguardava do lado de fora, deixando Eduzinho sozinho em casa.


  - Alguém tomou coragem e resolveu ir para o hospital... – Provocou Mathews uma vez que estavam todos no carro.


  - Alguém está morrendo de medo de ir para o hospital... – Corrigiu Sirius utilizando um tom de voz engraçado.


  - Eu Amo hospitais, sempre Amei, desde criança... – Disse Liu calmamente.


  - E eu sou o coelhinho da páscoa... – Brincou Douglas.


  - Então me diz como você consegue botar ovo de chocolate, se nem ovo coelho bota?! – Provocou Liu com um sorriso maroto.


  - Já estou até vendo o médico te pedindo para fazer um exame de sangue... – Falou Douglas com uma cara engraçada.


  - Exame de sangue?! – Liu perguntou confusa.


  - É um exame onde com uma agulha eles retiram o seu sangue para analisar... – Explicou Douglas. Liu não pode evitar uma cara de medo.


  - Que só pode ser feito se o paciente tiver feito jejum antes... Acho que são doze horas de jejum... – Pontuou Mathews. Liu começou há contar que horas ela tinha feito sua última refeição.


  - Desse exame eu escapei... – Pontuou Liu sorrindo. – Eu, milagrosamente, tomei café da manhã... – Murmurou.


  - Quando eu cheguei lá não tinha vestígios de você ter comido nada... – Pontuou Mathews.


  - Mathews! – Exclamou Liu. – Isso porque eu tomei café antes... – Mentiu.


  - Ihhh... Acho que tem alguém aqui que vai fazer exame de sangue... – Pirraçou Douglas.


  - Eu não estou mais tonta, e acho que a febre passou, logo não tem necessidade de ir ao médico! – Disse Liu sorrindo um sorriso amarelo.


  - Você não está indo por causa da febre... – Pontuou Douglas. – Já era para eu ter te levado ao hospital faz é tempo... – Continuou. – Desde o primeiro desmaio... – Completou.


  - Me dei mal... – Murmurou Liu. Sirius, por estar ao seu lado, foi o único que ouviu.


  - Não se preocupe, eu vou estar ao seu lado na hora... – Sussurrou Sirius no ouvido de Liu.


  - Aproveita e faz o exame por mim... – Murmurou Liu com uma cara de criança pidona.


  - Se pudesse eu faria... – Disse Sirius sorrindo.


  - O que é que o casal tanto fala baixinho?! – Douglas perguntou.


  - Nada... – Respondeu Liu normalmente.


  - Eu prometo que não vão te machucar, Liu... – Falou Douglas sorrindo.


  - Furar conta como machucar?! – Liu questionou.


  - Não dói, Liu... – Começou Mathews. – É como uma picada de formiga... – Completou.


  - Ahhh... – Murmurou Liu. – Então só dói um pouquinho... – Disse sorrindo


  Após alguns minutos eles chegaram ao hospital, saltaram todos do carro, Liu olhava para os lados de uma maneira nervosa.


  - Relaxa pequena... – Disse Sirius segurando a mão da garota.


  - Medo é psicológico, medo é psicológico... – Repetia Liu bem baixinho enquanto entravam no hospital.


  - Sentem – se ali que eu vou ver se arranjo uma consulta para você Liu... – Disse Mathews apontando para algumas cadeiras azuis acolchoadas que estavam na sala de espera.


  - Porque as paredes são tão brancas?! – Liu perguntou enquanto se esforçava para não sair correndo de lá.


  - Para dar uma idéia de ambiente limpo e claro?! – Sirius respondeu incerto.


  - Eu estou com fome... – Mentiu Liu.


  - Depois do exame a gente passa para comprar chocolates... – Disse Douglas.


  - Mas eu estou com fome agora... – Retrucou Liu.


  - Mas tem que ficar em jejum para fazer o exame de sangue... – Pontuou Douglas.


  - Ótimo, mas um motivo para eu não fazer esse exame... – Murmurou Liu.


  - Senhorita Elisa Weiss... – Chamou a recepcionista após longos trinta minutos.


  - Senhorita Elisa Weiss, por favor, se apresse! – Repetiu Liu fingindo não ser ela.


  - Vamos Liu... – Disse Douglas já de pé.


  - Eu não me chamo “Elisa Weiss”... – Retrucou Liu em pânico.


  - Ah não?! – Questionou Douglas. – E qual o seu nome...?! – Perguntou em seguida.


  - Liu Wolfgrand! – Respondeu Liu com uma cara de paisagem. Sirius e Mathews riram.


  - Vamos Logo Liu! – Exclamou Douglas puxando Liu pelo braço.


  - Eu não quero ir!! – Gritou Liu enquanto era arrastada por Douglas.


  - Era só o que me faltava... – Murmurou Douglas quando sentiu que Liu havia se sentado no chão.


  - Pequena, está todo mundo olhando para você... – Pontuou Sirius, e realmente era verdade.


  - E daí?! – Liu perguntou ainda sentada, logo após fuzilando, com o olhar, as pessoas que a estavam olhando para ela.


  - Você não acha que está grande demais para fazer esse tipo de escândalo?! – Douglas perguntou enquanto soltava o braço de Liu.


  - Se eu fosse grande, vocês não me chamariam de “Pequena”... – Pontuou Liu sorrindo.


  - Levanta Pequena... – Pediu Sirius estendendo a mão para ajudar Liu.


  - Daqui eu não saio... Daqui ninguém me tira! – Exclamou Liu cruzando os braços.


  - É o que vamos ver... – Disse Douglas pouco antes de carregar a garota.


  - Socorro!!!!! – Liu gritou em desespero.


  - Não vai doer nada... – Consolou Sirius enquanto eles iam para a sala aonde seria feito o exame de sangue que Mathews havia acertado com a recepcionista para ser antes da consulta, já que não queria arriscar que Liu comesse algo.


  - Eu preferiria estar indo para a casa da Tia Marta agora! – Murmurou Liu com uma voz de choro.


  - Até parece... – Retrucou Douglas entrando na sala do exame e botando Liu no chão, enquanto Sirius fechava a porta.


  - Apenas um acompanhante na sala, por favor... – Pediu o médico que parecia estar de mal humor.


  - Deixa que eu fico... – Disse Douglas olhando para Sirius. Sirius e Mathews saíram da sala. Liu sentou – se na cadeira e ficou olhando para o teto.


  - Deixa que eu vou! – Exclamou Liu sorrindo.


  - Então, que braço você prefere que eu fure?! – Perguntou o médico.


  - O dele... – Respondeu Liu apontando para Douglas, que respirou fundo. O médico apenas olhou feio para Liu.


  - Direito ou esquerdo?! – Perguntou o médico com calma.


  - O esquerdo... – Murmurou Liu. – Não posso arriscar perder o uso do meu braço direito, ele é muito importante... – Completou enquanto o médico botava um elástico no braço esquerdo dela.


  - Você não vai ficar com o braço inútil Liu... – Pontuou Douglas. – Lembra?! Só dói igual a uma picada de formiga... – Lembrou sorrindo.


  - É né... – Murmurou Liu. Ao virar o olhar ela viu o tamanho da agulha que seria utilizada para recolher seu sangue. – Esqueci de perguntar qual o tipo de formiga... – Murmurou.


  - Cadê aquela garota corajosa?! – Perguntou Douglas sorrindo.


  - Não sei... Procura ela para mim... – Respondeu Liu pálida.


  - Eu agradeceria se você parasse de mexer o braço... – Pontuou o médico.


  - Se eu não parar o senhor vai desistir?! – Liu questionou sorrindo marotamente.


  - Provavelmente não... – Respondeu o médico. – Mas eu posso fazer com que você sinta um pouco mais de dor, quando poderia ser um exame simples e quase indolor... – Completou.


  - Se é quase indolor faça no braço do Senhor... – Retrucou Liu.


  - Por favor, controle a sua irmã, rapaz... – Disse o médico olhando para Douglas. Liu não se deu nem ao trabalho de dizer “Ele é meu amigo, não meu irmão!”.


  - Liu... Pelo Amor de Mer... – Começou Douglas.


  - Deus... – Corrigiu Liu baixinho.


  - Pelo Amor de Deus, faz logo esse exame! – Exclamou Douglas.


  - Vou puder tomar Coca – Cola de manhã?! – Liu questionou sorrindo marotamente.


  - Vai... – Murmurou Douglas.


  - Pode furar o braço, doutor... – Começou Liu. – Eu agüento uma picada de formiga... – Completou sorrindo divertida.


  Ao sentir a agulha penetrar seu braço esquerdo Liu não pôde evitar um grito de dor.


  - Uma formiga! – Exclamou Liu indignada ao sair da sala apertando um algodão sobre o local onde havia sido furado o seu braço para que não sangrasse muito. – Se isso é a dor de uma picada de formiga, que matem todas as formigas do mundo! – Disse em seguida.


  - Nem deve ter doído tanto... - Murmurou Sirius que estava andando ao lado de Liu, que logo parou de andar.


  - Volte lá e peça para ele furar seu braço para ver se não dói! – Reclamou Liu de cara fechada.


  - Pelo menos você ganhou uma bala por ter feito o exame... – Pontuou Mathews sorrindo.


  - Podemos ir embora agora?! – Liu perguntou séria.


  - Não... – Respondeu Douglas. – Você ainda tem uma consulta com outro médico... – Completou.


  - Ótimo... – Murmurou Liu de forma irônica. – Assim ele aproveita e fura o braço direito também... – Adicionou mal – humorada.


  - Por falar na consulta, já chamaram o seu nome... – Pontuou Mathews. Todos foram para a outra sala, onde seria apenas uma consulta médica.


  - Então... O que a senhorita tem?! – Um médico de cabelos loiros e lisos perguntou para Liu. Estavam todos na sala acompanhando a consulta. Liu estava sentada em uma maca e o médico estava em pé com um objeto não identificado nas mãos.


  - Se eu soubesse, eu não estaria aqui... – Murmurou Liu. Sirius abafou uma risada. Douglas fuzilou Liu com o olhar.


  - Ela tem desmaiado Doutor... – Respondeu Douglas. Liu o fuzilou com o olhar.


  - Qual a freqüência dos desmaios...?! – Perguntou o médico seriamente.


  - Uma vez a cada dezoito anos... – Começou Liu mentindo. – Como eu tenho dezoito anos, eu só desmaiei uma vez! – Completou com uma cara convincente.


  - Doutor... - Começou Douglas se esforçando para ler o nome que estava na placa do médico. – Frewnlay... – Continuou. – Ela já desmaiou mais de três vezes nos últimos meses... – Confessou. Liu sorriu um sorriso amarelo quando o médico olhou para ela.


  - Você costuma sentir o quê antes de desmaiar?! – Perguntou o doutor Frewnlay. – Sem mentir... – Adicionou sorrindo.


  - Nada... – Mentiu Liu sorrindo. Douglas resolveu ficar quieto.


  - Tem sentido dores de cabeça?! – Perguntou o médico.


  - Não que eu me lembre... – Respondeu Liu fazendo uma cara pensativa.


  - Está tendo lapsos de memória?! – Provocou Douglas. Liu novamente fechou a cara. – Dores de cabeça sim, doutor... – Pontuou.


  - Você já foi, alguma vez em sua vida, a um oftalmologista?! – Perguntou o médico seriamente.


  - Oftalquem?! – Liu perguntou confusa.


  - O médico que cuida dos olhos, Liu... – Explicou Mathews.


  - Ahhh... – Murmurou Liu. – Não doutor... – Respondeu.


  - As dores de cabeça podem ser explicadas caso você tenha necessidade de usar óculos... – Começou o médico. – Já os desmaios não... – Adicionou bem baixinho.


  - Os desmaios a gente ignora... – Disse Liu piscando para o médico. – E aí eu vou nesse tal de oftalmoloalgumacoisa! – Completou.


  -Senhorita Weiss... – Disse o médico devagar. – Você é desse planeta?! – Perguntou seriamente.


  - Não, eu vim de Plutão... Mas é segredo... – Liu respondeu sorrindo. Sirius abafou outra risada.


  - Talvez fosse indicado eu passar uma tomografia cerebral para você fazer... – Murmurou o médico.


  - Isso significa o quê?! – Liu questionou confusa.


  - O procedimento é simples... – Começou o médico. – Você vai entrar numa espécie de “tubo” aonde você vai ficar quieta por algum tempo enquanto eu analiso o seu cérebro... – Explicou de maneira simples.


  - E eu morro lá dentro mesmo... – Retrucou Liu.


  - Ela tem pânico de lugares fechados... – Explicou Douglas.


  - Isso é que dá ser enterrada viva duas vezes... – Murmurou Liu.


  - Você já tinha pânico desde antes... – Pontuou Sirius que havia escutado o que Liu havia dito.


  - Isso é devido a outro fato... – Pontuo Liu.


  - Como assim enterrada viva duas vezes?! – Perguntou o médico assustado.


  - Enterrada viva duas vezes?! – Liu voltou à pergunta. – Não...  Você deve ter ouvido errado... – Completou sorrindo.


  - Você é claustrofóbica então?! – Questionou o médico.


  - Sem dúvidas... – Respondeu Liu, se o médico disse que ela era aquilo, é porque ela era.


  - Nesse caso talvez seja melhor esperar pelo resultado do exame de sangue... – Pontuou o médico. – Alguma possibilidade de gravidez?! – Perguntou por fim.


  - Nenhuma! – Respondeu Liu firmemente.


  - Como eu não sei se você está dizendo a verdade... – Começou o médico. – Qual dos dois é o seu namorado?! – Perguntou apontando para Mathews e Sirius.


  - Eu estou falando a verdade... – Murmurou Liu. – E o meu namorado é aquele ali... – Disse apontando para Sirius. – E como você sabia que eu tinha um namorado?! – Questionou.


  - Ninguém entra com três amigos de idades variadas em um consultório médico... – Respondeu o Doutor. – E vocês trocaram alguns olhares... – Completou. – Então, alguma possibilidade, garoto?! – Perguntou olhando para Sirius.


  - Não... – Respondeu Sirius imediatamente.


  - Viu?! – Começou Liu. – Isso é que dá desconfiar do que eu digo! – Exclamou sorrindo marotamente. Douglas botou a mão na cabeça.


  - Já usou drogas?! – O Doutor perguntou seriamente.


  - Ela já é assim sem usar nenhum tipo de alucinógeno, imagina se usasse! – Brincou Mathews enquanto ria.


  - Muito engraçado Matt... – Ironizou Liu.


  - Falando sério... – Começou o Doutor. – Algum padrão antecedente aos desmaios?! – Perguntou.


  - Tipo o quê?! – Liu questionou.


  - Das vezes que você desmaiou você estava tranqüila, ou tinha acabado de ficar nervosa por algum motivo?! – Perguntou o Doutor.


  - Eu estou sempre tranqüila... – Mentiu Liu sorrindo. Douglas, Mathews e Sirius começaram a rir. – Manda os três saírem do consultório, Doutor... – Pediu em seguida.


  - Só se você prometer que vai me falar somente a verdade... – Disse o Doutor.


  - Mas eu estou falando a verdade... – Retrucou Liu.


  - E eu sou o Papai Noel... – Brincou Mathews.


  - Está bem... Para mim chega desse treco de hospital! – Pontuou Liu começando à ficar nervosa.


  - Liu, relaxa... – Murmurou Sirius.


  - Eu vou embora! – Exclamou Liu indo até a porta.


  - Não vai não! – Retrucou Douglas segurando o braço direito de Liu.


  - Vou sim... – Disse Liu decidida. – E se segurar o meu braço eu te levo junto... – Completou com uma cara séria.


  - Você fica... – Falou Douglas de maneira pausada.


  - Eu não quero ficar aqui! – Praticamente gritou Liu. Seu coração já estava começando a disparar. O médico olhava atentamente para a cena.


  - Mas vai! – Retrucou Douglas com algo em mente.


  - Eu não vou! – Gritou Liu com a respiração já ofegante. Sirius havia optado por não se meter na “confusão”.


  - Eu disse que você vai ficar... Então você vai ficar... – Repetiu Douglas em um tom autoritário.


  - Você não manda em mim! – Retrucou Liu puxando o braço com toda a força, deixando seu braço livre, perdendo o equilíbrio logo em seguida.


  - Isso responde a sua pergunta, Doutor?! – Douglas questionou enquanto segurava Liu para ela não cair.


  - Definitivamente sim... – Respondeu o médico olhando para Liu que encarava o chão em busca de equilíbrio.


  - Douglas, me leva para casa, por favor... – Pediu Liu em um murmúrio.


  - Eu acho que você não vai para casa até eu receber o resultado de seu exame de sangue... – Pontuou o médico com uma cara séria.


  - Eu vou, e ninguém vai me impedir... – Pontuou Liu seriamente. – Não gosto de hospitais... – Completou.


  - Doutor, eu acho que é melhor ela ir para casa... – Começou Douglas. – Ela pode piorar só de estar no hospital... – Adicionou.


  - Vamos fazer um acordo então... – Propôs o médico. – Daqui a dois dias você volta para outra consulta... – Completou.


  - Feito, tchau! – Exclamou Liu.


  Após certo tempo estavam todos em suas devidas casas. Liu, antes de dormir, decidiu abrir mais uma vez o diário de seu irmão. Foi até o seu armário, escancarou a porta, abriu a gaveta, tirou a blusa que raramente usava de cima do diário marrom, e foi até sua cama com um sorriso no rosto, um sorriso como o de uma criança que acabara de ganhar o tão sonhado presente de Natal.


  Abriu o diário no início, passou a página que já havia lido.


 


  “Chorar sobre as desgraças passadas é a maneira mais segura de atrair outras.


                                                         William Shakespeare”


 


  Parou para pensar sobre a frase. Debaixo dela tinha vários rabiscos que provavelmente eram desenhos abstratos.


  - William Shakespeare... – Murmurou Liu sorrindo. – É coisa de família então... – Completou.


  Passou a página. Ainda sorria, frases poderiam ser úteis para ela naquele momento.


 


  “Somos feitos da mesma matéria que nossos sonhos.


                                                William Shakespeare


  Eu gosto dessa aí... (Caso a minha irmã lentinha não descubra que eu que escrevi a observação, agora eu estou me identificando... Eduardo Weiss, prazer!)”


 


  - Edu, abestalhado... – Murmurou Liu enquanto sorria de maneira boba e continuava a ler o diário.


 


  “O idiota do Douglas pegou o meu diário... Quer dizer, esse livro aonde eu escrevo as coisas, e teve o despeito de dizer que eu estava fazendo tudo errado.


  Olha o que ele disse que estava errado:


  1 – Não tem data em nenhuma das folhas.


  2 – Em um diário as pessoas normalmente contam fatos que aconteceram naquele dia, não frases de outra pessoa. (Eu, obviamente, perguntei se ele havia ficado com ciúmes de William Shakespeare, aí ele me mandou ir... Bom, deixa para lá...)


  3 – A letra não está legível. (Aí eu o mandei ir... Errrr... “Catar coquinhos”.)


  4 – Você não me chamou para participar! (No caso eu não chamei o Douglas para participar... Claro, o negócio para escrever é meu... Ele que faça o dele.)


  Vou parar por aí antes que eu mande o Douglas ir catar coquinho de novo...


  Amo – te um monte, Coisa nada grande que provavelmente vai ler isso daqui!”


 


  - Só o Edu para me fazer rir mesmo com coisas idiotas... – Murmurou Liu enquanto passava a folha.


 


  “Hoje eu estava pensando um pouco sobre tudo... Tudo mesmo. Cheguei à conclusão que pensar cansa! Estou exausto!


  Ahhhhh!! Eu e o Douglas, hoje, fomos assistir ao show de um ilusionista (traduzindo para você, maninha lerda, Ilusionista é um trouxa que faz os outros de trouxa, no sentido trouxa da palavra, ao fingir que faz mágica, quando tudo é apenas uma ilusão...), foi divertido. Ele usou o Douglas como cobaia... Coitado, acho que o Douglas ficou traumatizado por não ter entendido como o truque funcionava, obviamente eu entendi. ”


 


  - Vá dormir Liu... – Ecoou uma voz masculina pelo quarto.


  - Douglas, que truque foi que você não entendeu?! – Liu questionou sorrindo enquanto olhava para Douglas que estava em pé na porta, enquanto ela estava sentada na cama.


  - Sabe que eu nem me lembro... – Murmurou Douglas sorrindo ao tentar se lembrar. – Mas agora eu quero que você vá dormir... – Completou seriamente.


  - Eu já vou... Deixa só eu ler mais um pouco... – Disse Liu sorrindo.


  - Bom... Boa noite então... – Desejou Douglas pouco antes de sair da porta do quarto de Liu e ir para seu quarto.


  - Boa noite... – Liu murmurou enquanto começava a ler outra parte do diário.


 


  “Eu sinto a sua falta...


  Mais do que eu queria, mais do que eu podia...


  Queria voltar atrás e não ter te deixado Lerdinha.


  Desculpa-me por ter sido um idiota?! Por ter fugido da responsabilidade de ter de cuidar de você?! Por ter praticamente te obrigado a morar com a Tia Marta?!


  Se eu pudesse eu voltaria aí só para te buscar e te levar embora. Mas eu não posso... Primeiro porque você tem de ir para Hogwarts... Segundo, eu estou a ponto de descobrir algo muito importante para você, para mim e para o Douglas. O Douglas já sabe o que é... Ele está me ajudando a desvendar tudo que tem para ser desvendado, mas você... Bom, prometo que te contarei quando eu tiver certeza de tudo.


  Ontem, passando pela frente de uma loja de chocolates, eu me lembrei de você. Lembrei de como os seus olhinhos brilham toda vez que olham para aqueles pequenos chocolates. Na verdade, cada pequena coisa me faz lembrar de você... Afinal, você era a minha coisa pequena! Você é a minha família. Você é quem me faz sorrir somente com um olhar autista.


  Tenho certeza que vou te Amar até o meu último suspiro. Ninguém, nem mesmo eu, sabe o tamanho do Amor que tenho por ti, Maninha lerda.


  Amo – te um monte!


E.W”


 


  Foi só ler aquilo para Liu fechar o diário. Lágrimas escorriam sem nenhum curto intervalo de tempo de trégua. Nem teve como pensar que o “segredo” a envolvia, envolvia Edu e Douglas.


  - Me buscasse! – Exclamou Liu com um tom baixo de voz por entre as lágrimas. – Pelo menos você não teria morrido... – Murmurou. – E eu seria feliz, muito feliz! – Disse por fim, sem nem ao menos pensar que se Edu tivesse buscado ela, ela nunca teria começado a namorar Sirius.


  A garota se levantou e foi guardar o diário marrom novamente, ainda chorava, sentia saudades de seu irmão.


  - Eu só queria você de volta em minha vida... – Murmurou Liu enquanto fechava a gaveta aonde guardara o diário.


  Deitou – se então para dormir. Sua mente estava confusa. Várias cenas com seqüências ilógicas apareciam como num filme de roteiro confuso.


  Uma voz ecoava em sua mente... Parecia tanto com a voz de alguém que ela conhecia. Poderia jurar que havia alguém dizendo “Acorda Liu...”. Abriu os olhos assustada. Não havia ninguém no quarto, além dela e de Eduzinho.


  - Estranho... – Murmurou Liu virando de lado na cama para tentar dormir novamente.


  Mais uma vez imagens aleatórias apareciam em seu sonho de uma maneira rápida, até que tudo se tornou mais devagar, viu – se andando por algum lugar na companhia de Sirius e Mary Kate. Estava disposta a tentar concluir o sonho quando novamente ouviu uma voz. “Acorda...”.


  Abriu os olhos devagar. Constatou que já era dia, já que os raios de sol invadiam seu quarto. Poderia jurar que não tinha dormido tanto tempo assim.


  Olhou para os lados à procura de alguém.


  - Isso já está começando a me deixar nervosa... – Murmurou Liu resolvendo ficar acordada, e esfregando seus olhos para não voltar a dormir.


  Novamente não havia ninguém, pelo menos não humano, além dela, no quarto.


  - Bom dia Eduzinho! – Exclamou Liu enquanto se espreguiçava. Eduzinho tentou retribuir com um miado, entretanto a preguiça do gato acabou sendo maior que a vontade de desejar um “Bom dia” para Liu.


  Liu se arrumou e desceu as escadas para tomar seu café. Devido ao fato de ainda ser cedo, Douglas continuava dormindo.


  A rua estava barulhenta, vários carros transitavam por ela, sirenes insuportáveis, tão insuportáveis que era de se admirar não terem sido ouvidas antes.


  - Isso é hora de fazer tanto barulho?! – Perguntou Liu enquanto se servia de um copo de Coca – Cola, e um pão quentinho. – Não quero nem saber o que está acontecendo... – Completou respirando profundamente.


  Mal Liu havia completado a frase a campainha tocou. O coração da garota disparou. Resolveu ficar imóvel, e sem fazer nenhum tipo de barulho. Não se arriscaria em abrir a porta, e nem queria que Douglas se arriscasse, por isso não o chamaria.


  Quando a garota estava quase respirando aliviada a campainha tocou novamente.


  - Polícia! – Gritou alguém do lado de fora. – Por favor, abrir a porta! – Completou num tom de ordem.


  - “E agora?” – Se perguntou Liu.


  - Já vai! – Ouviu uma voz gritar do alto da escada.


  - “Douglas...” – Pensou Liu sorrindo e se levantando com cuidado.


  Ao passar por Liu, Douglas fez sinal para que ela subisse e se escondesse, Liu apenas concordou com a cabeça e subiu, deixando seu café da manhã sobre a mesa.


  - Pois não?! – Perguntou Douglas ao abrir a porta e dar de cara com dois policiais, um com um tipo de caderneta na mão.


  - Nós viemos aqui em investigar o assassinato de Marília Marvis... – Respondeu um dos policiais. Ele era alto e tinha cabelos castanhos.


  - Ela mo... Morreu?! – Questionou Douglas fingindo – se surpreso.


  - Morreu, e você está na lista dos suspeitos, rapaz... – Respondeu o policial de cabelos castanhos. – Acho bom você ter um bom álibi... – Completou com uma risada discreta. – Onde você estava por volta das dez da manhã?! – Questionou por fim.


  - Na casa de uma amiga... – Respondeu Douglas. Os policias já estavam dentro de casa.


  - Tem testemunhas para comprovar isso?! – Perguntou o segundo policial cujos cabelos eram negros.


  - Muitas... – Respondeu Douglas.


  - Já tomou café hoje de manhã?! – Perguntou o policial de cabelos castanhos observando algo.


  - Não... – Respondeu Douglas de maneira simples.


  - Mora mais alguém aqui nessa casa?! – Questionou o mesmo policial.


  - Só o meu gato de estimação... – Respondeu Douglas confuso.


  Douglas não sabia, mas Liu havia pegado a sua capa que estava enfeitiçada e descido de as escadas, ficando invisível no canto da sala.


  - “Droga...” – Pensou Liu debaixo da capa, com sua varinha em mãos, ao notar seu café da manhã em cima da mesa, com marcas de que já havia sido comido. – “Eu vou ter de fazer algo...” – Pensou em seguida.


  - Se não mora ninguém com você, e você não tomou café ainda... O que é aquilo...?! - Perguntou o policial de cabelos castanhos apontando para o café da manhã de Liu.


  - Um pão e um copo de Coca - Cola?! – Respondeu Douglas sorrindo. – Sinceramente eu achei que vocês policiais trouxas eram mais inteligentes... – Deixou escapar.


  - Você sabe que tipo de crime você acabou de cometer?! – Perguntou o policial de cabelos negros.


  - Não... – Respondeu Douglas confuso.


  - Dos mortos voltei, para dos vivos me vingar!! – Uma voz feminina ecoou pela sala em um tom bem alto. Douglas riu interiormente.


  - Quem está aí?! – O policial de cabelos castanhos perguntou num tom alto de voz para disfarçar seu medo. Sua arma estava em mãos, pronta para atirar.


  - Saiam da minha casa! – Exclamou a mesma voz misteriosa.


  - Identifique – se! – Gritou o policial de cabelos castanhos.


  - Kyle... – Murmurou o outro policial enquanto cutucava o amigo.


  - O que foi Max?! – Perguntou Kyle num tom alterado.


  - Copos voam sozinhos?! – Questionou Max amedrontado ao ver o copo de Coca – Cola levitando, e indo de encontro à Kyle.


  - É óbvio que... – Começou Kyle só então virando para olhar para o copo. – Socorroo! Essa casa tem fantasmas! – Gritou em desespero, logo em seguida saindo correndo de lá, acompanhado por Max. A porta se bateu sozinha, o copo foi em direção à porta.


  - A Coca – Cola faz milagres... – Pontuou Liu ao tirar a capa e pegar o copo que levitava com sua mão esquerda, já que a direita estava segurando sua varinha.


  - Que coisa feia espantar os policiais desse jeito... – Brincou Douglas sorrindo.


  - Caso você não saiba, “desacato às autoridades” pode te comprar uma noite ou mais na prisão trouxa... – Esclareceu Liu, logo após tomando um gole de Coca – Cola.


  - Quem te disse isso?! – Douglas questionou curioso.


  - O Matt! – Respondeu Liu sorrindo.


  - Ah... Claro... – Murmurou Douglas. – Eu vou à casa da Bel hoje, daqui a pouco na verdade... – Começou sorrindo. – Vai vir comigo?! – Perguntou por fim.


  - Hoje eu pretendo terminar de ler o diário do Edu... – Confessou Liu. – Diga a Bel que eu mandei um “oi, tudo bem, como vai...” para ela! – Completou sorrindo.


  - Toma cuidado com as últimas páginas, por favor... – Pediu Douglas.


  - Larga de ser bobo Douglas! – Exclamou Liu. – Nada mais pode me fazer ficar mais triste, estou acostumada com decepções. – Pontuou seriamente.


  - Só não pense em fazer nenhuma besteira... – Murmurou Douglas.


  - Nunca! – Exclamou Liu sorrindo.


  - Bom, então eu vou me arrumar para ir ver a Bel... – Disse Douglas sorrindo enquanto ia até as escadas.


  - Vá lá criatura! – Brincou Liu voltando a tomar seu café da manhã.


  Não demorou muito para Douglas terminar de se arrumar e sair de casa. Suas últimas palavras antes de sair pela porta da frente foram: “Só leia as últimas páginas se você estiver mesmo preparada para fortes emoções.”. Obviamente Liu riu e disse que se ele insistisse naquilo ela leria em voz alta em praça pública as últimas páginas do “diário”.


  - Eu e você sozinhos em casa de novo, Eduzinho... – Disse Liu olhando para seu gato. – Dessa vez eu não vou nem abrir a porta... – Continuou. – Imagina aí se for a polícia de novo, eu falo o quê?! – Perguntou olhando para Eduzinho.


  Andou um pouco, pegou sua vassoura jogou um pano de prato em cima de seu ombro, apoiou – se na parede, e fez uma cara séria.


  - Eu sou apenas a empregada da casa, senhor! – Disse Liu de uma maneira engraçada. – Sei de nada não... – Completou. – Agora se me dá licença, eu tenho muita tarefa para fazer ainda, hoje é dia de varrer o porão! – Completou usando sua vassoura para fingir que varria o chão.


  Guardou sua vassoura, jogou o pano de prato em um canto qualquer da cozinha, e subiu com um sorriso brincando em seus lábios.


  - Coisa de escrever do Edu, aqui vou eu! – Exclamou Liu no meio da escada.


  A garota subiu o resto da escada e seguiu para seu quarto. Sem nem pensar duas vezes pegou o diário marrom de seu irmão, sentou – se na cama e começou a ler novamente de onde havia parado.


 


  “Liu, preciso que você preste bastante atenção no que eu vou escrever aqui. Eu tive uma paixão na minha vida. O nome dela era Marina. Como eu não sei se vou ter uma segunda chance de dizer à ela o quanto eu a Amo, eu quero que você fale para ela que eu nunca, nem por um segundo, deixei de pensar nela. Sabe... Eu acho que vocês seriam boas amigas, mesmo com a diferença de idade.


  Eu nunca te contei, mas eu sempre achei você a mais inteligente da casa. Se eu te contasse você ia ficar se achando demais, e isso não faria bem para você nem para mim. Isso, obviamente, não muda o fato de você ser lerdinha... Até porque, nada muda isso... Você é lerdinha, e espero que seja lerdinha com orgulho!


  Sobre aquele negócio que eu estava “pesquisando” sobre...


  Bom, consegui mais informações hoje, não sei se me sinto triste ou feliz...


  Vou deixar para falar sobre isso nas últimas folhas desse treco de escrever...


  Por favor, não leia se não estiver preparada... Considere isso uma ordem!”


 


  - “O que será que me espera nessas últimas folhas?!” – Se perguntou Liu sentindo a curiosidade tomar conta dela. Passou a página com pressa.


 


  “Querida Criatura...


  Passei da minha fase “Oh Merlim, me deixa lamentar por tudo que eu fiz ou deixei de fazer”... Estou extremamente feliz, com tudo claro na minha mente.


  O Douglas agora vive me enchendo a paciência ainda mais. Estou a ponto de jogar ele de uma ponte bem alta sem querer!


  Sorte dele que eu estou mais controlado hoje em dia...


  Mesmo assim eu aconselhei que ele evitasse passar por pontes quando eu estivesse por perto.


  AHHH! Nem te conto! (Está bem... Isso ficou parecendo fofoca de garotas... Ignora...)


  Eu conheci uma garota linda aqui no... No... Espera, estou viajando tanto que é difícil lembrar o nome do lugar. Começa com... “B” eu acho... “Brasa”... Não... É algo parecido... AHHHHHH!! “Brasil”!! É isso... B – R – A – S – I – L!


  Nem adianta insistir que eu não vou te contar o nome dela.


  Não que eu tenha esquecido a Marina, jamais. Mas essa garota é linda e é minha amiga, só amiga... Nem pense besteiras Liu!


  (Aqui é a parte em que você insiste para eu contar o nome...)


  Está bem! Eu me rendo! O nome dela é...


 


  Primeiro de Abril! Passou e você nem viu!!


  Te peguei!!


  Eu nem no Brasil estou... No momento estou em algum lugar dos Estados Unidos da América, não me pergunte onde, porque eu não sei...


  Amo – te demais!


  Hohohoho... Um à zero para mim!


  Ps. Piadinha de primeiro de Abril via coisa de se escrever foi simplesmente uma idéia genial, e eu devo todos os créditos a mim mesmo... ”


 


  - Uma página sem nenhum conteúdo aproveitável... – Murmurou Liu entre risos. – Aposto que ele só escreveu para gastar folha... – Completou enquanto mudava de página.


  - Doug, porque essa preocupação toda no olhar?! – Perguntou Bel ao notar o olhar preocupado do noivo, que estava sentado ao lado dela.


  - A Liu... – Murmurou Douglas num tom sério.


  - O que ela aprontou dessa vez?! – Bel perguntou sorrindo.


  - Não Bel... – Começou Douglas. – É que ela vai descobrir algo muito importante ainda hoje, e eu não sei qual vai ser a reação dela... – Confessou.


  - E esse algo é o quê?! – Questionou Bel confusa.


  - Depois você vai ficar sabendo Bel... – Respondeu Douglas. – Mas é importante para mim, para o Edu, e para ela... – Completou.


  - Doug e seus mistérios! – Brincou Bel com uma voz engraçada.


  - Remus Lupin! – Gritava Lele em sua casa, enquanto recebia a visita do noivo.


  - Eu sou inocente, eu juro! – Exclamou Remus com as mãos para o alto.


  - Você vai me contar ou não o segredo que eu tenho certeza de que você está guardando?! – Questionou Lele com a sobrancelha esquerda arqueada.


  - Segredo?! Que segredo?! – Perguntou Remus se fazendo de bobo.


  - Como eu vou saber qual o segredo, se é segredo?! – Questionou Lele com as mãos na cintura.


  - Eu não tenho nenhum tipo de segredo para com você... – Pontuou Remus sorrindo marotamente.


  - Ihhh... Tá achando que eu sou besta é?! – Lele questionou seriamente. – Conta Logo! – Exclamou em seguida.


  - Está bem! – Concordou Remus repentinamente. – Eu conto... – Murmurou em seguida.


  - Almofadas, Almofadas... – Começou Peter analisando a maneira boba que Sirius sorria sentado no sofá de sua sala.


  - O que foi Rabicho?! – Sirius questionou com um olhar sonhador, sem nem olhar para o amigo.


  - Eu não vejo esse brilho nos seus olhos faz é tempo... – Pontuou Peter.


  - Brilho?! – Perguntou Sirius. – Que brilho?! – Adicionou de maneira sonsa.


  - Esse brilho, e esse sorriso idiota de cachorro apaixonado... – Respondeu Peter sentando – se em uma poltrona.


  - Apaixonado pelo passado... – Murmurou Sirius. – “O presente e o futuro...” – Pensou enquanto continuava sorrindo.


  - Almofadas, como você consegue sorrir desse jeito mesmo depois de tudo?! – Peter perguntou confuso e curioso ao mesmo tempo. Sabia que o amigo realmente Amava Liu, e não entendia como ele conseguia sorrir daquela maneira mesmo após a morte dela. Afinal, ele, Peter, nunca mais havia conseguido sorrir de uma maneira doce, não depois da morte de sua Amada Júlia.


  - Ah Rabicho... – Murmurou Sirius sem desfazer o sorriso. – Acho que a Liu não gostaria de me ver triste... – Disse morrendo de vontade de rir, afinal, estava falando de Liu como se ela não estivesse viva, quando, embora o amigo não soubesse, ela estava viva, não só na lembrança.


  - Eu queria conseguir seguir adiante, assim... Que nem você... – Confessou Peter num tom baixo de voz.


  Sirius olhou para seu amigo, sentiu pena dele, se imaginou em seu lugar. Sentiu novamente tudo que sentia quando não sabia que Liu estava viva. Viu – se quase dominado pela tristeza e agonia novamente, sentia que de seus olhos lágrimas queriam escorrer. Parou de olhar para Peter. Fixou o olhar em um ponto qualquer no chão. Respirou fundo e lembrou – se que Liu estava viva.


  Mas... E se ele tivesse fantasiado o fato de Liu estar viva?!


  Não... James, Douglas, Bel e Remus também sabiam daquilo. Não era coisa de sua cabeça, não era apenas um sonho. Um simples olhar depressivo de um amigo havia posto dúvidas em sua cabeça, dúvidas que supostamente não era para ele ter.


  - Sabe Rabicho, a vida dá voltas que às vezes nem nós mesmos esperamos que pudessem acontecer... – Disse Sirius de uma maneira séria. – Às vezes acontecem coisas que vão de encontro a todas as probabilidades, coisas que acabam por nos deixar mais felizes... – Continuou.


  Liu já havia lido várias páginas do “diário”, e cada vez mais o fim ficava mais próximo. Chegou a se perguntar se deveria mesmo continuar lendo, mas a vontade de ver a caligrafia de seu irmão, e ler qualquer coisa que ele tivesse escrito enquanto vivo fora maior do que a preocupação de não estar, ou estar, preparada para “fortes emoções”.


  - Belzinha, eu tenho de ir para casa... – Avisou Douglas. Já havia passado da hora do almoço, e ele estava preocupado se Liu estava ou não bem.


  - Mas já?! – Perguntou Bel.


  - Já... – Respondeu Douglas abraçando a noiva. – Sabe como é né?! – Continuou. – Alguém tem de tomar conta da desajuizada da sua amiga... – Disse sorrindo de uma maneira doce.


  - Vai que ela resolve pular da ponte, não é?! – Brincou Bel sorrindo.


  - Sem dúvidas... – Concordou Douglas logo após beijando Bel de uma forma romântica. – Eu te Amo... – Murmurou após o beijo.


  - Também te Amo... – Disse Bel. – Agora vá lá ver se a doidinha da Liu está bem... – Falou se afastando de Douglas. – Pelo que eu pude perceber, tem algo que está te deixando muito preocupado... – Adicionou.


  - Você não tem idéia do quanto... – Pontuou Douglas. – Até mais ver, Belzinha! – Exclamou pouco antes de sair da casa de Bel e tomar o caminho para sua casa.


  Douglas correu para chegar em casa o mais rápido possível, sabia que tinha uma certa pessoa o esperando, e sabia exatamente o porque.


  Podia pensar em mil motivos para se convencer de que não tinha feito algo errado em dar o diário para Liu. Entretanto, pensava em dois mil que lhe diziam que ainda não estava na hora daquilo acontecer.


  Bom, o que estava feito, estava feito. A sorte estava lançada. A maneira que a garota reagiria ao saber o que ele e Edu sabiam era uma incógnita, e só teria um jeito de descobrir, “pagando para ver”.


  Chegou à frente de sua casa. Pegou sua chave, girou bem lentamente para destrancar a porta. A rua que antes estava uma loucura, já se encontrava mais tranqüila, a casa de Lila encontrava - se “interditada”, com dois policiais de vigia no lado de fora.


  Abriu a porta. Olhou para o sofá. Lá estava ela, chorando, não dava para saber se de felicidade ou de tristeza.


  Douglas fechou a porta. Liu se levantou abruptamente do sofá, largou o diário marrom aberto, nas últimas páginas, em cima de uma mesinha de centro, e correu para abraçar Douglas, que por sua vez já se encontrava com lágrimas nos olhos também.


  Não, ela não precisava falar nada, ele já havia entendido tudo somente ao olhar naquele par de olhos castanhos. Retribuiu ao abraço. Sorriu enquanto Liu apoiava a cabeça em seu peitoral. Beijou a cabeça da garota, deixando transparecer o tamanho do carinho, do Amor, que sentia por ela.


  - Você não sabe o quanto eu esperei por esse momento... – Começou Douglas em forma de murmúrio. – Minha irmã querida... – Adicionou com um sorriso que ficaria marcado para a eternidade.


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