O começo



Uma imensa mansão branca enfeitava a paisagem, sua estrutura antiga era bela como em um quadro. Apesar de suas paredes desgastadas com o tempo, nunca perdera sua beleza, e era motivo de tremenda curiosidade para quem chegava naquela pacata cidade. Seu apelido era "A casa abandonada", não será necessária explicação quanto ao nome. Um barraco dava para ser visto aos fundos do casarão. Era a casa do zelador e de seu filho, que cuidavam da casa e da pequena horta que lhos foi dada por sua patroa. O gramado era de um verde que causava espanto àqueles que passavam, um tapede dourado preenchia a grama molhada ao nascer do sol e era laranja quando este descia de encontro ao horizonte. O zelador chamava-se Alfred Cleary e seu filho chava-se Frank, o único motivo que o fazia levantar às quatro horas da manhã e preparar-se para a vida árdua que levavam. Apesar de ter quinze anos de idade, Frank não frequentava a escola como a maioria dos adolescentes da pequena cidade. A vida não é justa, ele sabia disso, por isso ajudava o seu pai o quanto podia, para o sustento deles. Seus olhos abriram quando os de sua mãe fecharam, e sentia-se culpado por isso quando via os olhos tristes do pai ao olhar o retrato de sua esposa. Além de seu pai, Frank tinha uma paixão: Hermione Granger, que morava a poucos quarteirões de sua casa.

Hermione Granger saltitava pelas ruas da pequena Resedew*, como costumava fazer todas as manhãs. Trajava um leve vestido amarelo com margaridas enfeitando sua borda, sapatos fechados e um chapéu de palha com uma imensa margarida enfeitando-o. Estava acompanhada por sua madrinha, como o usual. Seus sapatos faziam barulho ao bater no paralelepípedo, uma das coisas que irritava Ruth. Seria mais fácil listar o que não a irritava.

-Hermione, pelo amor de Deus, pare já com esse barulho! - ordenou a senhora, cansada. Ruth era intimidadora. Seus olhos pequenos e negros eram observadores e sérios, seu cabelo preto estava sempre puxado para trás em um coque impecável, sua postura fazia-a olhar todos de cima, apesar de não ser tão alta. Era viúva, por isso usava sempre preto, apesar de seu marido ter falecido há seis anos. Não que o amasse, mas sentia-se na obrigação de zelar por sua memória.

Hermione olhou a madrinha, sorridente. Seus cachos castanhos encobriram-lhe o rosto ao fazer o movimento. Apesar de sua dureza, Ruth chegava a ser quase adorável com a afilhada. Hermione era a única coisa a que lhe fora permitido se apegar. A menina morava com ela, já que os pais da mesma viajavam incessantemente à procura de fama, em sua recém carreira de atores. Hermione tinha dezesseis anos, e era uma garota muito esperta para sua idade. Andava sempre acompanhada de livros, e nunca perdia a alegria. Seus cabelos eram encaracolados e cheios, seus olhos castanhos claros sempre irradiavam felicidade. Era esbelta e de postura mediana. Gostava de usar vestidos longos, os quais só eram permitidos abaixo dos joelhos, por sua madrinha.
Hermione observou a mansão que agora aproximava-se. Aquela paisagem sempre a intrigava, gostava de mistérios. E adoraria saber porque alguém, em sã consciência, deixaria ao léu uma luxuosa casa como aquela. Aproximou-se do pequeno portão entreaberto. A madrinha, ao perceber suas intenções apertou o lábio em desaprovação.

-Saia já daí, Hermione - ordenou ela. Ordenar era algo que Ruth Edgware apreciava.
-O que tem de mal, madrinha? Olha, que campo tão belo! - a menina entrou rapidamente, antes que a senhora conseguisse proferir outro sermão.

Suspirando, cansada demais para discutir com uma adolescente, Ruth crispou os lábios e foi atrás da afilhada.

-Volta pra cá já, Hermione !
-Ora, madrinha, senão eu, quem mais irá correr por esses matos?

A menina alegrava-se cheirando as flores e já tirara o chapéu, que fora esquecido em qualquer canto encima da grama, agora corria gargalhando pela propriedade. Apesar de sempre passar por ali, não sabia que ali morava um zelador. O mato sempre baixo e impecável para ela, era obra da natureza.

-Pois corra o quanto quiser, estou te esperando aqui - desistiu Ruth, sentando-se embaixo de uma árvore. Chegava a ser quase engraçado, aquela senhora fria e dura, com seu vestido e chapéu pretos, sentada comportadamente embaixo de uma árvore, sem se importar em sujar-se.

Hermione resolveu explorar mais o terreno, arrodeou a casa passando a mão por suas paredes, gargalhava alto e divertia-se quando caía na grama ainda molhada. Quando, de repente, chocou-se com algo e caiu sentada no chão. Olhou pra cima assustada, e à sua frente estava um menino pálido, quase raquítico, de cabelos e olhos negros como a noite. Continha olheiras e a olhava com curiosidade e adoração.

-Oh, me perdoe - ele disse. Ofereceu a mão, relutante, mas ao vê-la suja escondeu-a nas costas. Hermione ainda o olhava, estupefata, tentando imaginar o porquê daquele menino estar ali. Talvez apreciasse a natureza, como ela.

-Eu sou o Frank, Frank Cleary - apresentou-se, sua voz era carregada de humildade, olhava sempre para o chão ao falar.

Hermione analisou-o profundamente, e levantou-se vagarosamente.

-Hermione Granger - disse ela, estendendo a mão, sorridente.

Frank observou a pequena mão limpa estendida para si, e não apertou-a, envergonhado da sua cheia de calos e unhas eternamente sujas.Hermione observava seus olhos confusos, percebera que ele estava travando uma batalha dentro de si. Recolheu a mão. Por um momento nenhum dos dois sabia o que falar, até que Hermione pronunciou-se primeiro.

-O que você faz aqui? - perguntou curiosa.

-Eu moro aqui. - ele respondeu, humilde, ainda encarando o chão.

-Oh, então você é o dono dessa linda mansão? - perguntou a menina, não por maldade, mas por pura inocência.

Frank ruborizou-se ainda mais, olhava para o chão e não tinha coragem para responder. Sempre que via Hermione passar, imaginava um encontro com ela, mas nunca pensara que seria algo tão vergonhoso e constrangedor. A garota encarava-o mais curiosa ainda, seus gestos pequenos e humildes a intrigavam.

-Na verdade não, eu apenas cuido daqui - ele respondeu tão baixo que ela teve que apurar os ouvidos para captar alguma coisa.

-Então é por sua causa que o gramado conserva esse verde lindo? - perguntou encantada.

-Em parte sim.

Hermione encarou-o longamente, enquanto este fitava os seus pés. Resedew era uma cidade pequena, e ela se intrigava em nunca ter visto aquele menino por lá, em canto algum, nem mesmo na escola, que só havia uma.

-Estuda no turno na tarde? Nunca te vi na escola.

Frank levantou a cabeça e olhou Hermione, apesar de não encará-la nos olhos. Olhava em algum lugar próximo ao seu nariz. Hermione sentiu-se incomodada com tamanha humildade.

-Não estudo mais.

Frank olhava para os lados, ansioso para sair dali. Em sua cabeça martelava a vergonha da sua pobreza. Ao mesmo tempo que queria sair, queria ficar e aproveitar um encontro que provavelmente não aconteceria de novo.
Hermione olhou-o horrorizada. E, apesar de sua tremenda curiosidade, resolveu não perguntar mais sobre a história do misterioso Cleary, já que isso estava o desconcertando tanto.

-Vem, tenho que te apresentar-te à minha madrinha - ela disse, sorrindo, e saiu correndo, esperando ser seguida pelo rapaz. Frank olhou surpreso a menina afastar-se. Sim, ela parecia tão carismática o quanto ele imaginava. Seguiu-a em passos rápidos.
Ruth olhava a afilhada aproximar-se e assustou com a presença silenciosa daquele rapaz, atrás dela. Não gostou dele, não gostava de pessoas mal-arrumadas. Apertou os olhos e esperou Hermione explicar-se.

-Olha, madrinha, esse é Frank Cleary - disse Hermione, apontando o garoto.

Ruth conhecia seu nome, conhecia seu pai por nome, e sabia da sua história. Em uma cidade pequena é difícil alguém não conhecer todo mundo e suas famílias. A senhora limitou-se a olhá-lo e acenar com a cabeça.

-Ele disse que mora aqui, madrinha, isso não é maravilhoso? - exclamou Hermione, e depois, ao ver a expressão envergonhada do rapaz emendou-se - quero dizer, mesmo não morando nessa mansão linda, só em ter esse campo...

Por um momento um silêncio quase constrangedor reinou entre os três, e uma voz forte ao longe despertou-os, causando sobressalto em Hermione.

-Frank! Frank?

O rapaz pareceu voltar a si e à sua realidade, e, pedindo desculpas às duas, saiu rapidamente. Aliviado, por um segundo, por seu pai ter lhe chamado. Mas, ao ver que era preciso levar os legumes para vender na feira, preferiu estar conversando à sombra da árvore.

Ruth crispou os lábios e levantou-se, chamando a sobrinha para ir embora. Hermione foi buscar seu chápeu que encontrava-se perto de algumas rosas, e, junto com a madrinha, rumou para fora da propriedade.

Fizeram o trajeto de volta para casa, sem conversar. Hermione já estava acostumada com o comportamento da madrinha, e sabia que ela não era de falar muito. Ficou quieta lembrando-se com horror que Frank não estudava. E se perguntava o que seria necessário fazer para que ele entrasse em Resedew High School, para o novo ano que já estava começando.

--

Em seu quarto escuro e silencioso, dormia um rapaz de seus dezesseis anos. Era loiro, alto e quase forte. Apesar do lindo dia raiando, e as horas avançadas do dia, ele conservava-se dormindo. Seu peito subia e descia com sua respiração. Estava agarrado à seu travesseiro e esparramado na grande cama de casal, onde só dormia ele. Nenhum raio de sol entrava, devido à pesada cortina escura que preenchia a enorme janela. O garoto abriu os olhos e piscou várias vezes, olhou em seu relógio de cabeceira, eram nove horas da manhã. Estressou-se então por acordar tão cedo sem motivo aparente. Desvencilhou-se do cobertor e calçou os pés. Seus cabelos estavam bagunçados e seu rosto marcado, olhou-se no espelho e apertou a boca, insatisfeito com a imagem que via. Rumou ao banheiro, arrastando-se devido à sua sonolência, que só passaria após uma ducha de água fria.

Após seu demorado banho, desceu e rumou para tomar seu café da manhã. Ao fim da escada de mármore, sentados em um luxuoso sofá preto, que combinava com o estilo moderno da casa, estavam Narcisa e Lúcio Malfoy. Quem os olhava sentia-se a pessoa mais desafortunada do mundo. Eram belos e ricos, faziam qualquer um se sentir pequeno só de os olhar. Estavam impecavelmente vestidos e sentados em postura correta, eretos, esperando pelo filho.
Narcisa Malfoy tinha longos cabelos loiros, corpo esbelto, olhos azuis e frios. Mantinha-se sempre em seu patamar mais elevado do que o de todo mundo, como assim julgava. Sentia-se superior à tudo e à todos, e, por tal razão, todos seriam obrigados a obedecê-la. Quem fosse mais observador que o normal, poderia ver, às vezes, e de relance, brilhos de bondade em seus olhos frios. Raramente, muito raramente. Lúcio Malfoy era belo e frio, não expressava sentimento algum, suas feições sempre impassíveis. Todos tinham a obrigação de obedecê-lo, e ninguém ousava recusar algo que ele mandasse. Lúcio era influente em toda a Miami, empresário de sucesso, despertava inveja e medo.
O jovem os olhou espantado, eles nunca estavam em casa às nove horas da manhã. Acordavam com os galos. Eram como sócios e tempo era dinheiro para eles.

-Sente-se, Draco - ordenou o homem em sua voz grossa e autoritária.

Draco olhou-os longamente, a suspresa reinando em seus olhos. Sentou-se numa poltrona que ficava ao lado do sofá, e seus pais viraram-se para encará-lo.

-Iremos nos mudar - avisou Lúcio Malfoy. Seu tom de voz cortava qualquer tipo de indignação que Draco viesse a ter. Mas o menino não se intimidava tão fácil.

- O QUÊ? - surpreendeu-se, nervoso. Pulou do sofá sobressaltado com a notícia. O que o pai dizia parecia absurdo aos seus ouvidos. Era uma pegadinha, só podia ser.

-Isso mesmo Draco, iremos nos mudar para Resedew. Vimos uma ótima oportunidade de negócios lá. - Narcisa tentou acalmar o filho, sem paciência. Draco não merecia explicações do que eles iriam fazer. Ela também não estava muito contente, iria deixar o seu luxo para morar em um interior, um fim de mundo, tudo para construir o shopping que Lúcio alegou que faria tanto sucesso lá.

Draco olhou-os incrédulo. Se mudar? Ele nunca imaginara isso. Sempre imaginou seu futuro em Miami, sem trabalhar, com seus mesmos amigos, frequentando todos os lugares que já frequentara milhões de vezes. Não, não iria se mudar.

-Eu não vou - disse, decidido. Apesar de tanta firmeza em sua voz, de uma coisa era certa: Não se contrariava Lúcio Malfoy. Ele poderia dar todos os argumentos do mundo, mas jamais sairia ganhando.

-Pansy também vai - disse Narcisa como quem não se importava - Você sabe que o pai dela é um de nossos sócios.

Narcisa desde sempre lançava indiretas à Draco sobre Pansy e sua beleza. Ela, obviamente, estava interessada no dinheiro e nome que os Parkinson tinham. Apesar de ser menos que os dos Malfoy, muito dinheiro nunca é dinheiro demais.

-Ah, grande coisa! - bravejou Draco, ficando vermelho - GRANDE COISA! Escutem: Eu não vou me mudar, sejá lá pra onde for.

-Resedew - disse Lúcio Malfoy, perdendo a paciência com a cena do filho - Escute aqui, moleque, de uma coisa é certa: Nós vamos nos mudar. Iremos ter mais dinheiro e fama, então, o que você disser não vai alterar a nossa decisão. Poupe-nos do seu teatro.

O homem levantou-se majestosamente e deu o braço para a esposa, que o acompanhou, inflexível, sem olhar para trás. Draco encarava incrédulo os dois afastando-se para a porta da frente. Quando Narcisa pareceu lembrar-se de algo banal e virou-se para trás

-Partiremos amanhã.

--

Batidas fortes foram ouvidas na porta da frente da casa de Ruth Ledgware. Levantando-se do sofá e largando o tricô de lado, Ruth tirou os óculos de armação e lente grossas e atendeu a porta. Ao lado de fora estava uma menina ruiva, de olhos verdes e inúmera sardas no rosto. Ruth a reconhecia, a última filha dos Weasleys. E única amiga de Hermione.

-Olá, Senhora Ruth - saudou educadamente a menina, sorrindo.

Ruth limitou-se a acenar com a cabeça e dar espaço para a menina entrar. A casa já era tão familiar para a garota, que esta dirigiu-se automaticamente para o último quarto do corredor, daquela casa de um andar só. Encarou a madeira branca e bateu duas vezes. A porta foi aberta rapidamente, e Hermione deu-lhe um abraço apertado, antes mesmo que a ruiva tivesse tempo de piscar.

-GINNY! - gritou alegremente a moça - Como você cresceu!

Ginny a olhou sorrindo. Hermione era escandalosa, elas só tinham deixado de se ver por uma semana, quando a pequena Weasley viajou para visitar uma tia sua que andava muito doente.

-Até parece - resmungou a menina, sempre descontente com sua altura.

Ginny, ao contrário de Hermione, detestava vestidos, e usava sempre calças jeans e blusas simples. Sua família não tinha muita riqueza, mas vivam incrivelmente bem. Seus cabelos ruivos e brilhantes alcançavam o meio das costas e seus olhos verdes brilhavam intensamente. As duas entraram no quarto, Hermione ansiosa pelas novidades que a ruiva tinha para contar.

O quarto de Hermione era relativamente pequeno, só havia uma cama de solteiro e um guarda-roupas de duas portas. Ao lado da cama, jaziam duas pilhas enormes de livros. Os móveis eram simples, mas bonito. O quarto era amarelo claro com alguns quadros feitos pela própria menina enfeitando a parede. No chão, ao lado dos livros, e no canto do quarto, estava uma pilha de almofadas, onde a menina costumava deitar-se para ler. E lá sentaram as duas.

-Então, como é lá em Paris? - perguntou com seus olhos brilhando de expectativa.

-Tudo muito lindo - declarou a ruiva, mergulhando em recordações deliciosas - Pena que passei apenas uma semana lá, era para levar a vida toda - suspirou.

-E esquecer de mim? - resmungou a morena cruzando os braços.

Ginny riu e abraçou a amiga, fazendo juras de amizade eterna. Foi o bastante para que a morena descruzasse os braços e estas pularem pelo quarto feito doidas. Conversaram sobre a beleza de Paris, sobre as novidades de Resedew, sobre os livros, sobre Frank...

-Frank? - perguntou Ginny franzindo o cenho - Não sabia que tinha algum Frank aqui...

-Ele não vai a escola - disse Hermione pesarosa.

Ginny indignou-se. Não ir à escola para as duas era algo absurdo. Apesar de ser o desejo de vários adolescentes de suas idades. Ginny era um ano mais nova que Hermione, tinha apenas quinze anos. As duas divertiam-se estudando, o que não era uma coisa normal para adolescentes. Não se importavam com popularidade, a amizade que prezavam eram de poucos. E, para as duas, a família era o mundo.

-Como vai Rony? - perguntou Hermione casualmente. Ginny olhou-a com um brilho estranho nos olhos. O que acontecia sempre que esta queria insinuar alguma coisa. A morena percebeu e riu-se. Conhecia Ginny Weasley bem demais.

-Ginny, quando vai tirar essa idéia da cabeça?

-Que idéia, Mione? - perguntou Ginny fazendo-se de inocente

-Você sabe muito bem! - exclamou a amiga jogando uma almofada e acertando em cheio no rosto da ruiva desprevenida.

Ginny não respondeu, apenas revidou e assim começaram uma batalha de travesseiros. O que durou quase a tarde inteira.

--

Draco recusou-se a comer, recusou-se a fala e recusou-se a ouvir. Trancou-se em seu quarto e arrumou as malas de má vontade. O som alto o acalmava um pouco, de certa forma, mas nada o faria deixar aquela raiva que tomava conta de sua alma. Estava arrumando seus cd's quando a porta escancarou-se.

-DRACO! - gritou uma menina esbelta, de cabelos curtos e pretos, com uma mecha branca na frente. Gritava para que sua voz sobressaísse o rock alto, o que não deu muito resultado. - DRACO! - tentou novamente.

O som ficava ao lado da porta, em um pequeno móvel. Desligou-o. Draco na hora virou-se para ver o que havia acontecido com sua música e deparou-se com a menina parada em frente à porta. Analisou-a por alguns segundos e voltou a fazer o que estava fazendo antes.

-Coloque a música Pansy- disse, seco.

Pansy ignorou o seu pedido e foi saltitando alegremente até o garoto, abraçando-o por trás.

-Iremos nos mudar ! - ela parecia animada, ao contrário dele. Puderas, Pansy nunca foram popular, nem nada parecido com isso. Suas únicas e poucas amizades eram por seu dinheiro, não era muito bonita e não era nada interessante.

O rapaz desvencilhou-se da menina e ignorou-a completamente, enquanto esta informava-o do que havia descoberto sobre Resedew na internet. Continuou socando suas coisas de qualquer forma nas caixas de papelão que lhe fora dada. A governanta insistiu em fazer esse trabalho por ele, mas ele precisava ocupar-se com alguma coisa, antes que explodisse de raiva. Estava frustrado. Ele era capaz de cenas maiores do que aquela que havia feito. Estava encarando tudo muito bem, para o seu gosto. Mas contra Lúcio e Narcisa Malfoy não tinha jeito, ele tinha que ir. Aqui ficavam seus amigos, sua popularidade, suas noites na rua, seus dias na praia, enquanto ele iria para um fim de mundo em qualquer lugar dos Estados Unidos. Pansy analisava o semblante duro do garoto.

-Não está feliz?

Draco olhou-a incrédulo, como se ela tivesse lhe dito o maior absurdo do mundo. O que, de fato, para ele era.

-Feliz? - riu irônico - Por que diabos eu estaria feliz, hem Parkison? Ao contrário de você eu tenho algo a perder aqui, tenho tudo o que você não tem. Por que eu estaria feliz, me responde!

Pansy sorriu tímida.

-Vamos, Draco, será legal, respirar novos ares... - suplicou, com um pequeno sorriso.

-Não irá ser legal, aliás, não está sendo legal. Eu tenho aqui minha escola, minha família, meus amigos, pra que diabos eu iria querer me mudar pra uma droga de interior? – explodiu o menino frustrado, saindo do quarto e batendo a porta.

Já era noite, e, dali a algumas horas, ele estaria embarcando em um vôo para Resedew.

--
* Resedew não existe.

---
N/a: Primeiro capitulo on, depois de muita enrolação.Gostaria de agradecer à quem já comentou. E pedir mais comentários. Nada como um empurrãozinho para eu continuar com isso aqui.

Compartilhe!

anúncio

Comentários (0)

Não há comentários. Seja o primeiro!
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.